Eu Não Existo Sem Você
Autora: Mila B.
Beta: Sem revisão, qualquer erro, me avisem.
Sinopse: Harry e Draco são amigos há anos, mas quando Harry percebe que seus sentimentos estão mudando...
Observação: Universo Alternativo.
Acordei cedo no sábado e, como sempre fazia, fui primeiro para a academia. Acho que eu fui chamado de magrelo por tanto tempo – principalmente por Draco – que me convenci de que precisava ganhar uns músculos. Ter um pouco mais de um e oitenta de altura e disputar com um palito de fósforo no quesito magreza não é o que as pessoas consideram o epítome da beleza, preciso concordar. Hoje em dia estou melhor, e até mesmo Draco precisou admitir que eu não estou assim tão mal, afinal, eu já sou bem mais forte do que ele.
Quando voltei para casa, tomei um banho e fui tentar dar um jeito no robô que eu precisava construir, visto que, a partir da tarde, meu sábado não seria muito proveitoso na área 'estudos e projetos'. Consegui algum progresso até o meio-dia e foi por esse horário que a campainha do meu apartamento tocou. Não tive dúvidas que se tratava de Draco.
Quando abri a porta, ele entrou no apartamento sem cerimônia alguma e largou algumas sacolas com cheiro de comida tailandesa – a preferida dele – em cima do balcão de pedra que dividia a sala de estar da cozinha.
"Vim salvá-lo da sua própria comida, Harry!" Ele exclamou alegremente, começando a tirar as caixinhas das sacolas. Fui até a cozinha e comecei a pegar os pratos e talheres depois de lavar as mãos na pia.
"É, sei, vou fingir que você não filou a comida aqui de casa – prepara por mim – dezenas de vezes." Retruquei, ajeitando tudo sobre o balcão. Draco já estava sentado num dos banquinhos altos do lado oposto.
"Potter, nesses anos de dificuldade, por mais sensível e seletivo que um estômago seja -"
"Ah, fique quieto." Interrompi qualquer que fosse a bobagem que ele iria falar. Almoçamos enquanto conversávamos amenidades. Ele reclamou do curso de administração e do emprego mal-remunerado que arranjara na própria universidade e, felizmente, não comentou nada sobre moda e esmaltes. Eu estava, admito, com um pouquinho de receio de que, agora que ele descobrira que era gay, fosse começar a ter esses assuntos... Diferentes. Mas eu estava enganado, ele continuava o mesmo.
Eu não sei o que eu faria se ele começasse a falar sobre o quanto Brad Pitt era bonito, ou sobre como seu namorado era na cama. É comum dois homens conversarem sobre sexo, mas eu não queria ouvir sobre sexo homossexual. Acho que eu viraria um pimentão e procuraria um pedaço de terra para me enterrar antes do fim do relato.
"O que vamos fazer hoje?" Perguntei, já enquanto lavava louça e Draco se estirava no sofá como se pertencesse àquelas almofadas. Ele se remexeu preguiçosamente e soltou um resmungo.
"Vamos dar uma volta pela cidade. Tem umas coisas que preciso comprar, e um lugar que quero visitar..." Ele me olhou significativamente, e eu reconheci aquele olhar. Olhei para o calendário pendurado na parede da cozinha e soube exatamente aonde ele precisava ir.
"Claro, vamos aonde você quiser." Falei, com um sorriso que julgava confortador. Ele assentiu seriamente, antes de voltar a relaxar.
"E depois podemos alugar um filme. Estão dizendo que vai chover no final da tarde. Eu sei que você odeia fazer qualquer coisa na rua quando está chovendo e... não, Potter! Você já falou que vai à maldita festa, então não há mais volta! Mesmo que haja uma tempestade de granizo!" Ele falou enfaticamente assim que eu abri a boca para justamente usar esse argumento em meu favor.
XxX
Eu estava quase dormindo esperando que Draco escolhesse a maldita camiseta que usaria na festa àquela noite. Entramos numa lojinha que ele descobrira havia dois anos e que possuía roupas de boa qualidade e com um preço acessível. Draco dizia que nem sempre era necessário nadar em dinheiro para saber se vestir bem – numa clara alusão à minha falta de cuidado com as minhas roupas.
Ele não me deixava dar opinião nenhuma, é claro, e comprou por ele mesmo a camiseta que queria e de quebra uma para mim, sem que eu ao menos pedisse.
"Não quero apresentar meu melhor amigo parecendo um mendigo descabelado para o meu namorado." Ele justificou, enquanto saíamos da loja e eu reclamava que não precisava de roupas novas. Muito menos roupas novas compradas por ele. "Já que seu cabelo é incurável, talvez o seu mau-gosto ainda seja passível de recuperação."
"Você vai ver..." Falei, passando um braço pelo pescoço dele e quase o dobrando em dois. "Seu cabelo está precisando de um pouco de charme Potteriano." Comecei a bagunçar os fios loiros meticulosamente arrumados de Draco.
"Harry! Me larga! Desgraçado, meu cabelo! Meu cabelo perfeito!" Larguei-o gargalhando, sem me importar com o fuzilamento vindo dos olhos azuis acinzentados, agora mais tempestuosos do que nunca. O cabelo dele estava um caos, e eu acabei rindo um pouco mais. "Quantos anos você tem, Potter? Cinco?"
"Completei seis na semana passada." Corrigi, sorrindo de lado, e ele bufou indignado, tentando ajeitar os fios rebeldes.
Depois disso, nós acabamos indo até o St. James Park, o parque mais antigo de Londres, localizado no coração da cidade, apenas para caminhar e jogar conversa fora. Acabei comprando um cachorro quente e sujando minha camisa com molho, ao que Draco garantiu que eu era um caso perdido. Eu era mesmo um desastre no quesito manter a roupa limpa por um dia inteiro.
"Um cara trombou em mim, por isso!" Justifiquei o meu jeito desastrado. Eu estava mentindo, claro.
Draco comprou um ramalhete de flores de um senhor no parque e nós nos sentamos num pequeno muro perto de um lugar onde pessoas faziam piquenique ou jogavam frisbe com os cachorros. Havia uma banda tocando ao vivo ali perto, o que atraía uma boa quantidade de pessoas. Draco ficou silencioso, fitando a flor, e eu também me mantive em silêncio, observando o movimento do parque enquanto o vento fresco batia em meu rosto.
Depois de um tempo, olhei para Draco, ainda concentrado nas flores.
"Você quer ir entregá-las?" Perguntei baixinho, ao que ele assentiu com um aceno lento de cabeça. Sem mais nenhuma palavra entre nós, saímos do parque, pegamos o metro e descemos perto do cemitério West Norwood, onde Narcisa Malfoy estava enterrada. Hoje completava exatos cinco anos desde a morte da mãe de Draco.
Nós entramos no cemitério e caminhamos em silêncio por entre as sepulturas. Eu sempre estava com Draco nessa data, e o acompanhava até o cemitério, porque sabia que ele precisava de apoio nesses momentos. Com o tempo eu percebi o quanto ele e Narcisa eram próximos, e a morte dela fora como uma pedrada no coração do meu amigo.
Ele se ajoelhou em frente ao túmulo e eu me escorei numa árvore próxima, dando a ele um pouco de privacidade. Draco já passara por muita coisa com tão pouca idade. Ele fora obrigado a amadurecer e enfrentar diversos problemas. Ele ainda mantinha o nariz empinado e o ar arrogante como forma de defesa contra o mundo, ainda era implicante e debochado e seu sorriso torto conseguia irritar qualquer um que não o conhecesse tão bem quanto eu. Mas ele não era apenas isso.
Draco aprendeu a economizar e batalhar pelo que queria. Aprendeu a erguer a cabeça e não deixar que os outros os destratassem porque não era mais rico ou filho de pais influentes. Aprendeu a lidar com a dor da morte da mãe e com a perda do pai – que ainda estava preso. Draco não o perdoara. Antes da morte de Narcisa, ele ainda visitava Lucius na cadeia, mas depois que a mãe faleceu, ele culpou o pai por tudo e nunca mais o visitou.
Era uma amargura da qual ele não conseguia se livrar, que lhe fazia mal, mas sempre eu que tentava conversar sobre o assunto, ele se afastava ou se fechava. Draco não é alguém dado a falar. Seus desabafos em palavras são raros. Mas ele conversa através de seus olhos, através de pequenas atitudes, como um abraço mais apertado, um olhar perdido que pede por ajuda ou uma lágrima solitária, como a que escorre agora por sua face, enquanto passa a mão com carinho pela lápide de Narcisa.
"Ela sempre gostou de rosas. As brancas. Eram as preferidas dela." Ele falou, largando o ramalhete de rosas sobre o túmulo antes de se levantar, afastando as lágrimas das bochechas coradas. Há muito que ele não se importava em chorar à minha frente. Eu estive com ele em tantos momentos difíceis, em tantos momentos em que ele precisou chorar baixinho contra o meu ombro, que ele se permitia mostrar seu lado vulnerável a mim.
"E as azaléias, como as que você trouxe ano passado." Comentei, e ele sorriu por eu me lembrar.
Quando estávamos saindo do cemitério, a prometida chuva para o final da tarde começou a cair. Apenas uns pingos, mas o céu fechou com uma rapidez incrível e logo estávamos correndo em busca de abrigo. Paramos ofegantes embaixo da sacada de um prédio, que protegia a calçada da chuva. Já estávamos um tanto ensopados.
"Nossa, foi mais rápido do que eu imaginava." Comentei, olhando surpreso para a quantidade de água caindo do céu, chicoteando as pedras da calçada. Draco não respondeu e, quando o olhei, ele estava chorando novamente. A cabeça levemente abaixada e as lágrimas se misturando com a água que escorria por seu rosto. "Draco..." Chamei, minha voz quase se perdendo com o barulho da chuva.
Ele me olhou, seus olhos brilhando daquela maneira tocante. E então eu o estava abraçando e sentindo seus braços rodearem meu corpo. Com o tempo, descobri também que Draco não precisava de muitas palavras de consolo. Ele só precisava que alguém estivesse lá, para dar-lhe apoio e mostrar que se importava.
"Eu sinto ainda tanta falta, Harry." Ele sussurrou contra meu pescoço, e de novo eu sentia o cheiro de seu perfume, que já não era tão caro, mas era igualmente bom. "Dela, dele, do que poderia ter sido caso as coisas tivessem acontecido de maneira diferente."
"Eu sei." Falei, abraçando-o com mais força, mas ele se afastou de leve, procurando meus olhos.
"Você também, não é, Harry?" Perguntou num tom baixo e suave, erguendo a mão e afastando alguns fios molhados de cabelos que caíam em meus olhos. "Você perdeu seus pais tão cedo... Harry, você também pode chorar no meu ombro quando precisar. Eu nunca falei, mas eu... Eu também estou aqui por você."
Eu sorri de leve.
"Eu sei disso, Draco. Eu conheço você muito além das palavras."
"Verdade." Ele concordou. "Você conhece." E voltou a descansar a cabeça no meu ombro. Não sei por quanto tempo ficamos assim, com apenas o barulho da chuva e dos eventuais carros que passavam pela rua nos fazendo companhia.
XxX
Acabamos na minha casa, assistindo um filme de terror que alugamos no caminho, e comendo pipoca. O filme era "O Massacre da Serra Elétrica¹", e ele estava me dando arrepios. Primeiro, porque era baseado em fatos reais, a gravação era ruim e não era cheio dos sensacionalismos dos filmes de terror atuais, o que dava ao enredo aquele ar de "é possível acontecer". Segundo, porque o temporal do lado de fora não estava ajudando, e os eventuais raios sempre me faziam pular no sofá.
"Você é mesmo uma frutinha assustada, Harry." Draco revirou os olhos, tocando algumas pipocas no meu rosto.
"Você está vendo o mesmo filme que eu?" Perguntei exaltado. "Olha para isso! O cara pendura as pessoas em ganchos enormes como se elas fossem pedaços de carne!"
"Mas nós somos pedaços de carne, Potter." Draco sorriu enviesado. Ele adorava ver terror comigo justamente porque eu me assustava com qualquer coisa. "E pare de babar e morder essa almofada."
"Não estou babando." Resmunguei, dando um pulo com mais uma cena do filme. "Olha, com essa chuva, vai ter festa mesmo?"
"Não sei." Draco olhou pensativo para a janela e, naquele exato instante, o celular dele tocou. "É o Ryan." Ele falou ao olhar para o visor do celular, antes de pular do sofá e seguir até onde eu não pudesse escutar a conversa.
Ryan era o namorado de Draco. Eu não fiquei feliz ao ser deixado sozinho com aquele louco da serra elétrica, então resolvi pausar o filme e deitei um pouco, olhando para o nada. Já passavam das oito horas da noite e, pelo que Draco comentara, essas festas começavam pelas dez horas. Eu não estava com vontade alguma de sair de casa.
"A festa continua. Só foi trocada de lugar. Vai acontecer na faculdade mesmo, onde eles fazem quando está chovendo muito. Mas talvez até lá tenha diminuído." Draco olhou pela janela e eu apenas soltei um gemido sofrido. "Você pausou o filme por quê? Vai, chega para lá, dá tempo de ver até o fim."
Ele voltou a se acomodar no sofá e nós quase perdemos a noção do tempo terminando de ver o filme. Mas infelizmente deu tempo de nos arrumarmos e sairmos para a tal festinha. Eu tinha um Toyota Prius que raramente usava, porque não sou muito de dirigir e sempre gostei de andar de metrô, mas naquela chuva era complicado, então pegamos o carro.
A festa acontecia num dos prédios da faculdade, e eu nem queria saber o quão influente era essa tal sociedade da qual Draco fazia parte para conseguir aquele espaço. Eu nem sei o que ele havia feito para conseguir participar, mas pelo que ele me falou, não era necessário ser rico para fazer parte.
Ryan já estava na festa, e foi até Draco assim que entramos no local. A chuva realmente cedera e bastante gente aparecera. Ryan era loiro, com os olhos azuis claros e um pouco mais alto do que Draco, mais ou menos da minha altura. Eu quase bati a mão na minha testa. Draco era narcisista a ponto de encontrar alguém parecido com ele próprio para namorar.
"Draco, finalmente!" Ryan segurou Draco pela cintura e beijou-o de leve nos lábios. Eu senti um incômodo no fundo do estômago ao ver a cena, e pensei que fosse porque era a primeira vez que via Draco fazer aquilo com um homem. "Esse é o seu famoso amigo Harry Potter?" Ele se virou para mim.
"Sim, Harry, esse é Ryan." Draco apresentou. Cumprimentei o mais novo namorado do meu melhor amigo e reparei que ele me olhou bastante analiticamente, como se avaliasse se eu era algum tipo de ameaça.
"Draco fala bastante sobre você." Ele disse, apertando minha mão com força.
"Só coisas ruins, imagino." Brinquei e, acho, ele deve ter visto que não havia nada com que se preocupar, pois sorriu mais largamente, parecendo até mesmo aliviado.
"Draco não é dado a elogios fáceis." Disse Ryan, trazendo Draco para mais perto de si.
"Eu estou aqui, sabe?" Draco revirou os olhos. Depois de mais algumas palavras, os dois se afastaram e eu fiquei sozinho na bendita festa. Mas acabei encontrando alguns conhecidos por ali, e passei um tempo jogando conversa fora e observando algumas pessoas dançando na pista de dança improvisada.
Descobri que Ryan era um dos manda-chuvas da sociedade e que nela, obviamente, não eram admitidos homofóbicos. Por isso Ryan e Draco estavam num canto mais isolado, bastante próximos e conversando entre algumas trocas de beijos. Eu não conseguia entender por que aquilo estava me deixando tão inquieto. Eu já havia aceitado a opção sexual de Draco, então não era esse o problema, mas alguma coisa se revolvia dentro de mim ao ver os dois juntos.
Eu queria encontrar algum defeito em Ryan, mas ele parecia ser um cara legal e simpático, e todos com quem eu conversava adoravam aquele grupo de pessoas, porque havia uma camaradagem muito bacana entre os membros da sociedade, muito dela incentivada desde que Ryan subira de "posição" lá dentro. Os antigos membros, já bem estabelecidos, ajudavam os recém formados a conseguirem bons empregos e coisas do gênero, ou os membros mais veteranos ajudavam os novatos a se estabelecerem dentro da faculdade.
Lembrei que Draco comentara algo sobre conseguir o emprego na universidade graças à ajuda de alguém 'de dentro'. Não duvido que a ajuda tenha vindo de Ryan. E eu senti aquele incômodo agora no peito. Sempre fora eu a ajudar Draco, no que quer que fosse. Saber que outra pessoa o ajudara me deixava... Enciumado. Eu sabia que era ridículo e que deveria ficar feliz por ele conhecer novos indivíduos que se importavam com ele, mas eu estava acostumado a ser apenas eu e Draco.
Confuso com o rumo dos meus pensamentos, resolvi me permitir beber alguma coisa que não refrigerante. Observei Ryan colocar a mão na nuca de Draco e envolver os dois em um beijo profundo, então tomei um longo gole de vodka misturada com algum suco. Eu simplesmente não conseguia desgrudar os olhos dos dois e não me sentir mal com a cena, como se alguém estivesse esmagando meu peito.
E eu não sou estúpido a ponto de não entender que eu estou morrendo de ciúmes. Eu só não entendo por que só agora eu sinto isso, visto que Draco já havia namorado antes. Era porque agora existia a chance de ele me descartar por ter encontrado outra pessoa para cuidar dele? Porque agora ele estava com um homem? Porque poderia ser eu no lugar daquele homem?
Não parei de beber, cada vez mais nervoso com os meus pensamentos. Eu não poderia estar a fim do meu melhor amigo! Eu nunca sentira esse tipo de coisa por Draco! Nunca havia reparado em como ele era esbelto e seus cabelos eram sedosos, ou em como seu rosto era simétrico, com traços finos e bem-desenhados, ou em como seus lábios eram rosados demais contra a pele pálida do rosto. Em como ele era completamente masculino, mas ainda assim passava um ar delicado que justificava completamente a maneira apaixonada com que Ryan o abraçava e beijava.
Eu nunca reparara em como Draco era atraente! E, maldição, eu não deveria estar reparando agora. Desorientado, e já um tanto bêbado, eu resolvi que era melhor voltar para casa. Eu já havia feito social, conhecido o namorado de Draco, dançado um pouco – apesar de eu ser um fracasso balançando o corpo – e agora estava mais do que na hora de ir para casa e esquecer esses pensamentos estranhos.
Eu gostaria de culpar a bebida, mas no fundo sabia que eles haviam começado antes de eu colocar o primeiro gole de álcool no meu sistema.
"Harry!" Draco chamou assim que me viu indo em direção à saída. "Já está indo? É cedo ainda!" Ele estava corado por causa da bebida e do calor dentro do local. A chuva cedera por completo e alguns atrasados começavam a aparecer.
"Eu não estou me sentindo muito bem." Falei, o que não era uma completa mentira, e ele riu.
"Eu vi você bebendo! Você não está acostumado, deve ser por isso." Ele se aproximou um pouco mais e eu senti um calafrio na barriga. Por Deus, o que estava acontecendo comigo? "Você acha que está bem para voltar dirigindo?"
"Eu estou bem." Garanti, dando um passo para trás e querendo sair dali o mais rápido possível. "Nos vemos... Amanhã?" Perguntei, incerto. Draco balançou a cabeça.
"Vou sair com Ryan amanhã. Mas na segunda?"
Eu senti mais uma punhalada no peito. Era a primeira em que eu era... Trocado por outra pessoa nas prioridades de Draco.
Droga, desde quando eu me tornara tão possessivo?
"Oh, okay. Segunda então. Eu vou indo. Bom resto de festa." Falei, virando-me e indo embora sem olhá-lo novamente.
Aquilo não estava certo.
E eu não sei se o que não estava certo eram meus novos sentimentos, ou Draco continuar naquela festa com Ryan.
¹ A versão mais antiga, de 1974 – que realmente é baseada em fatos reais. Não a de 2003.
Nota da Autora: Muito, muito obrigada pelas reviews do cap. passado. Lufei muito. Eu ia postar só no final de semana, mas vocês são tão queridas *.* E quem colocou no alert e ficou quietinho, poderia deixar um comentário dessa vez, né? Hihi.
DW03 (Vou continuar. Eu tenho um pouco mais escrito, só falta a parte final. E quem nega demais é porque está tentando convencer a si próprio, né? O Harry abriu os olhos nesse cap. Agora só falta o Draco xD Beijos, querida!), Larissa (Amor! [][] Que bom! Ela é curtinha e fluffy, e teve abraço de novo. Eles não são amor? *.* Beijos, Lari!).
