Era uma quarta-feira. Remus acordara quando passava um pouco das nove. Levantou preguiçosamente, dirigiu-se ao banheiro onde tomou banho e escovou os dentes, vestiu uma roupa e desceu. Tomou um copo de leite puro e sentou na varanda, olhando para o céu.
Não fazia muito tempo que decidiu declarar-se, mas fazia muito tempo que tinha aquele sentimento guardado. Contudo, antes o louro era apenas um garoto que não entendia o que sentia e apenas achava que era normal. Então o sentimento foi crescendo até se tornar impossível de evita-lo. E Remus não era mais um garoto, ele agora entendia o que sentia e o que deveria fazer. Mesmo que houvesse a mínima possibilidade de ser rejeitado, iria se declarar.
Encostou a cabeça na parede atrás de si e suspirou fechando os olhos. Já tentara se imaginar com outra pessoa, claro, mas sempre achava estranho. Apesar de sempre estar à vontade com seus amigos, especialmente com Sirius, não era muito de abraçar ou beijar. Nem mesmo sua mãe. Como teria esse tipo de intimidade com um namorado? Porque logicamente não teriam apenas abraços e beijos amigáveis. Uma hora ou outra teriam algo mais íntimo, certo? Como seria?
Suspirou cansado levantando-se. Voltou para dentro de casa indo para a cozinha, onde deixou o copo vazio, então voltou para o quarto. Sentou-se à escrivaninha que tinha próxima ao armário e abriu uma gaveta onde havia algumas cartas. Eram antigas e todas de seus amigos. As recebia quando eles viajavam, mas a maioria vinha de uma pessoa em especial e nem sempre as recebia quando ela viajava. Algumas vezes trocavam cartas somente porque não tinham tanta coragem de dizerem certas coisas ou porque simplesmente gostavam.
Olhou-as com carinho e sorriu levemente.
"Remus?" Chamou uma voz áspera da porta fazendo o louro virar-se.
"Severus!" Exclamou surpreso levantando-se. "Não sabia que tinha voltado de viagem." Sorriu-lhe.
Severus Snape era um amigo de escola. Era um rapaz de pele alva, cabelos e olhos escuros, expressões sérias e que, geralmente, estava sozinho, mas porque preferia estar. Ele e Remus eram bons amigos, passavam muito tempo na biblioteca estudando, um ajudando o outro. Lílian fechava o trio. O que fazia Sirius e James implicar mais ainda com o rapaz.
"Voltei ontem. Vim ver Regulus, mas pelo horário, é bem provável que ainda esteja dormindo. Então vim visita-lo."
"Entre." Disse apontando para que senta-se na cama. "Como foi lá?" Perguntou trazendo a cadeira para perto e sentando de frente para ele.
"Empolgante." Disse não mudando o tom de indiferença. "Espanha é um lugar muito bonito, realmente. Visitamos todos os pontos turísticos, claro, e não houve um dia em que não saímos às compras. Fomos à museus e bibliotecas, participamos de uma corrida de touros e sei toda a maldita história do lugar em que ficamos, da família e o por quê do nome dos catorze filhos."
"Parece que foi bem divertido." Disse risonho. "Corrida de touros? Não consigo imaginar você e Lucius correndo."
"Não participamos porque quisemos, Lupin." Disse em desagrado, usando o sobrenome do outro como sempre fazia quando estava aborrecido ou impaciente. "Estávamos saindo de uma loja quando vimos as pessoas correndo. Lucius só correu porque eu o puxei. Pode imaginar o escândalo que ele fez depois."
Lucius Malfoy era namorado de Narcisa. Quem não os conhecesse, costumava achar que eram parentes por causa da aparência. Cabelo louro platinado, olhos de um azul chumbo, pele alva e personalidade parecida. Belos, teimosos, vaidosos, engenhosos e egoístas, mas colocavam aqueles que amavam acima de tudo e sempre conseguiam o que queriam, não importava como. Era o melhor amigo de Severus e vice-versa.
"Posso sim."
"Ah, trouxe-lhe isso." Disse tirando um embrulho de dentro da bolsa que carregava no ombro.
Remus pegou o embrulho e abriu. Eram dois livros, em espanhol. O louro leu o título e arregalou os olhos surpreso. Eram livros que já não publicavam mais há algum tempo, conhecia o escritor e adorava-o.
"Deus, Severus." Disse encarando o amigo. "Nem sei o que dizer. Só.. obrigado."
"Não foi nada. Sei que gosta desse autor e os achei por acaso." Deu de ombros.
"Eu poderia abraça-lo." Disse sorrindo vendo o outro fechar ainda mais a cara.
"É, poderia, mas não o faça. Não sou um dos seus amiguinhos abraçáveis."
De repente, o louro ficou sério. Não pelo o que o outro disse, já estava acostumado com coisa até pior, mas porque tinha algo importante a dizer à ele. A dizer e a perguntar. Severus era o melhor a lhe tirar certas dúvidas.
"O que você tem, Remus?"
"Eu.." Franziu o cenho sem saber como dizer. "...eu meio que me apaixonei. Por um cara."
"Isso não é novidade." Disse erguendo a sobrancelha e vendo o outro fita-lo surpreso. "Você e Lílian só percebem as coisas óbvias e após um certo tempo observando realmente. Eu, por outro lado, percebo os mínimos detalhes e já não preciso de tanto tempo de observação, uso a lógica. Digamos que sou a parte racional. Vocês são a parte sensorial." Viu o outro acenar para que continuasse. "Sei que você está apaixonado, como disse, há anos, mas você mesmo só veio perceber isso agora."
"Como você pode saber de algo sobre mim que nem mesmo eu sei?"
"Observando." Deu de ombros. "Olhares e gestos falam muito mais do que você pensa. Seu cuidado, seu olhar direcionado, seu sorriso diferente, seu olhar melhorado, seu humor alterado.. são pequenas coisas que fazem toda a diferença."
"Você me observa tanto assim?"
"Não ache que é especial." Deu de ombros. "Mas confesso que você e Regulus são os mais divertidos a serem observados."
"Se sabe tanto, deve saber quem é." Disse encarando-o.
Severus fitou-o por alguns segundos, então aproximou-se.
"E você quer saber o quê?"
"Você é como eu, se incomoda em ser tocado apesar de vez ou outra se deixar abraçar por Lily e até abraça-la. Como conseguiu contornar isso? Como consegue estar com Regulus?"
"É diferente."
"Diferente como?"
"Eu me incomodo com toques porque quase não os tive quando menor, sabe disso. Meus pais me criaram sem esse tipo de carinho. Não há toques entre a gente. Eu não me sinto bem sendo tocado não por não gostar, mas por ser algo estranho. Com Lílian foi estranho e ainda é, mesmo que eu já esteja mais acostumado, mas ainda sinto aquela sensação de que não deveria estar fazendo aquilo. Já com Regulus.. é diferente." Pausou olhando o louro que o encarava de volta. "Com Regulus me sinto seguro e a sensação é de conforto. É como se fosse natural, entende? Claro que não me grudo à ele, mas é mais simples e não tenho a vontade de afasta-lo de mim."
"Acho que o compreendo." Murmurou.
"Sei que sim." Levantou-se. "Tenho que ir. Acredito que a essa hora Regulus esteja de pé."
"Sabe que terá que passar por Sirius, não sabe?" Perguntou divertido vendo a cara do outro transformar-se numa careta. "Vamos, vou com você."
Sirius havia sido acordado por algo movendo-se sob seus lençóis aquela manhã. De início, não deu muita atenção. Estava tendo um ótimo sonho com um certo rapaz louro, mas ao sentir a tal coisa subindo por si e que, definitivamente, era pequena demais para ser a mão de alguém, achou melhor abrir os olhos e ver o que era.
Foi com muito desgosto que viu uma chinchila cinzenta sobre seu peito desnudo olhando-o inocentemente.
"REGULUS!" Exclamou a plenos pulmões indo até o quarto do irmão e abrindo a porta num rompante sem se importar de o estar acordando ou não. "REGULUS MALDITO BLACK, SEU RATO MISERÁVEL ESTAVA NO MEU QUARTO DE NOVO!" Disse colocando o roedor de volta na gaiola.
"Siri, quer falar baixo, pois não sou surdo, por favor?" Pediu sonolento remexendo-se na cama. Segundos depois, sentou-se encarando o irmão com raiva. "Ótimo. Perdi o sono."
"Bem feito." Aproximou-se da cama do irmão e sentou na ponta. "Eu deveria era ter rebolado esse rato na privada e dado descarga." Praguejou
"Você sempre fala isso." Rola os olhos.
"Não duvide que um dia eu faço mesmo."
"Claro, Siri." Bocejou. "Que horas são?"
"Quase nove."
"Você ainda estava dormindo?" Perguntou surpreso. "Senti o fim do mundo."
"Engraçadinho." Cerrou os olhos indo mais para o meio da cama. "Afasta aí, Reg." Então deitou.
Regulus era um pouco mais baixo que o irmão, possuía a mesma cor de cabelo, olhos e pele. Seu cabelo era pouco menor, indo até o ombro, o do irmão passava. E suas personalidades também diferenciavam-se, apesar de terem muito em comum. Regulus era racional e pensavam duas vezes antes de fazer algo. Gostava muito de ler, era estudioso e calmo. Como o irmão teimoso e convencido.
"Quando vai contar à ele, Siri?"
Sirius havia dito ao irmão sobre querer declarar-se à Remus. Regulus deu todo seu apoio, mas percebeu que o outro parecia hesitar.
"Não sei."
"Finalmente alguém te domesticou, Siri." Disse divertido cutucando o outro com o pé. "Já era tempo."
"É, é." Murmurou empurrando o pé do outro.
Ouviram batidas na porta e olharam quando a mesma foi aberta e uma jovem mulher aparentando uns quarenta e poucos anos entrou.
"Rapazes, estão acordados?" Perguntou encarando-os.
"Sim, mãe." Disseram juntos vendo-a entrar no recinto e aproximar-se da cama.
"Que gritaria foi aquela mais cedo?" Perguntou olhando de cenho franzido para o filho mais velho. "Achei ter-lhe ensinado bons modos."
"Ensine à esse fedelho a deixar o maldito rato dele preso." Disse Sirius mirando o irmão.
"Regulus, já falei para não soltar Lyra. Ela pode se machucar."
"Certo, mãe."
"Não vão descer para comer?"
"Vamos já." Disse Regulus sendo empurrado pelo irmão que deitava-se agora ao lado dele.
"Certo." Disse dando as costas e indo até a porta.
"Você já disse pra ela sobre Remus?" Murmurou a pergunta de forma que somente Sirius pudesse ouvir.
"Não." Disse sem pensar, então percebeu o que o irmão faria em seguida e tentou detê-lo, mas o outro foi mais rápido.
"Mãe! O Sirius está apaixonado pelo Remus!" Gritou de uma vez.
Walburga estancou no lugar próximo à porta e virou lentamente para os dois filhos. Sua expressão era neutra e, por alguns segundos, Sirius achou que a mãe não entedera o que lhe foi dito. Contudo, ao ver a veia salientar-se na testa dela como se fosse explodir a qualquer momento e ela começar a olha-lo por tempo demais, Sirius começou a se preocupar.
"SIRIUS ORION BLACK, SERÁ QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE NEM AO MENOS TER A CORAGEM E DECÊNCIA DE ME DIZER VOCÊ MESMO QUE ESTÁ APAIXONADO? E MAIS, POR OUTRO GAROTO?" Berrou aproximando-se da cama fazendo ambos os filhos encolherem-se. "JÁ NÃO BASTANDO SEU IRMÃO, AGORA TENHO VOCÊ ME ESCONDENDO AS COISAS!"
"Mas mãe" Começou Regulus querendo se defender, mas calou-se ante o olhar materno.
"SERÁ QUE NÃO MEREÇO O MÍNIMO DE CONSIDERAÇÃO NESSA CASA? AHN? EU SOU A MÃE DE VOCÊS, POR DEUS! SABEM O TRABALHO TORTUOSO QUE FOI PARA TÊ-LOS?" Olhou-os ofegante. "Agora" Disse mais calma. "me conte mais sobre isso."
"Eu acho que prefiro quando ele grita." Murmurou Sirius ao ouvido do irmão ao ver o sorriso formar-se no rosto da mãe.
Quando Remus e Severus entraram na casa vizinha, o silêncio era profundo e, se não fosse pelo senhor Black que o atenderam, achariam que não havia ninguém acordado.
"Estão no quarto de Regulus." Disse o senhor Black. "Podem subir."
"Obrigado." Disseram juntos indo em direção a escada.
No caminho, encontraram-se com Walburga que saia do quarto do filho mais novo. Ao vê-los aproximando-se, abriu um sorriso e os cumprimentou alegremente. Remus teve a impressão dela sorrir ainda mais ao cumprimenta-lo, mas resolveu não comentar nada. Então entraram no quarto.
Regulus estava em pé, próximo a gaiola de Lyra olhando para Sirius que estava deitado folgadamente na cama do irmão. Pareciam conversar sobre algo animadamente antes de entrarem no quarto.
"Sev!" Exclamou Regulus alegremente ao ver Severus entrar. O abraçou e deu um suave beijo em seus lábios. "Por que não me disse que tinha voltado? Aliás, quando voltou?"
"Ontem. E não avisei porque não tive tempo, mas resolvi vir vê-lo."
"Podia ter ficado por lá." Disse Sirius rolando os olhos mal humorado.
"Olá, para você também, Black."
"Olá, Seboso."
"Sirius." Sibilou Remus recebendo uma fungada em resposta.
"Olá, Remus." Cumprimentou Regulus.
"Regulus." Deu um leve aceno com a cabeça.
"Olha só, que coincidência." Disse Regulus recebendo um olhar exasperando do irmão. "Eu estava justamente contando a Sirius sobre a lenda do inicio da cidade de Roma." Disse inocentemente percebendo o irmão olha-lo irritado. "Sabe, Romulus e Remus?"
"Sim, mas por quê estavam falando sobre isso?" Perguntou sem entender.
"Lembrei por causa de um filme que passou na televisão." Deu de ombros.
"Você quer ficar aqui ou quer sair?" Perguntou Severus ao namorado.
"Sair. Não quero atrapalhar meu irmão nos seus planos para o dia, né, Siri?" Disse sorrindo-lhe inocentemente. "Contar a alguém sobre uma certa coisa?"
"CALA A BOCA, SEU IDIOTA!" Gritou irritado levantando-se da cama. "Saia mesmo antes que eu te meta um murro!" Disse saindo do quarto batendo a porta com força.
"O que houve?" Perguntou Remus encarando Regulus. "Sirius não é de se alterar tão facilmente."
"Não deveria provocar seu irmão, Regulus." Disse Severus. "Não com isso."
"Então você sabe?"
"Claro."
"E por quem?"
"É tão óbvio."
"Do que vocês estão falando?"
"Você sabe, Remus." Disse Severus encarando-o por alguns segundos até perceber que o louro entendeu.
"Oh." Olhou para os dois desconcertado. "Acho melhor eu ir falar com ele."
Sirius entrara no quarto intepestuosamente e batera a porta. Passou a andar de um lado para o outro irritado, passando as mãos pelos cabelos. Detestava Regulus e suas tiradas indiretas. Claro que Remus, perpicaz como era, tinha percebido algo. As palavras de Lílian, lhe dizendo que o louro já devia saber, voltavam a sua mente e davam voltas. Se Remus sabia e não havia dito nada, era porque não o amava de volta. Simples.
"Pare com isso, Six. Vai furar o chão." Disse Remus entrando no quarto.
"O que faz aqui?" Perguntou soando mais rude do que pretendia.
"Posso ir embora, se quiser." Disse parecendo magoado.
"Não." Disse rapidamente. "Eu não quis dizer isso." Respirou fundo tentando se acalmar. "Desculpa." Murmurou olhando pro chão.
"Eu sei, Six." Disse sorrindo-lhe. "Por que está tão nervoso?" Perguntou aproximando-se.
"Não sei. Quer dizer sei, mas não.. sei se devo.." Parou de falar.
"Sabe que pode me contar tudo, Sirius."
Encarou Remus e pensou que talvez fosse hora de falar. Era Remus, seu melhor amigo, se ele o rejeitasse não seria o fim do mundo, ele tinha chances, ele podia fazer aquilo.
Ele só tinha que não esquecer de respirar.
"Eu tenho uma coisa pra te dizer."
"Diga."
"Eu acho que você já sabe o que é."
"Se você não falar, não posso dizer se já sei ou não, Sirius." Disse gentilmente.
"Eu" Começou, mas parou, ainda o encarando. "..eu amo você. E não só como amigo. Eu quero abraça-lo, beija-lo e toca-lo e te-lo e.. Eu amo você." Fechou os olhos.
Sirius achava que aquele seria o momento adequado para sua mãe ou qualquer pessoa entrar no quarto e chamá-lo para qualquer outro lugar. De repente, tudo que conseguia ouvir era sua respiração acelerada e seu sangue pulsando em seu ouvido como se fosse estourar seu tímpano. Aliás, por alguns segundos, até desejou que isso acontecesse.
"Sabe, você tem que parar de fechar os olhos sempre que for me perguntar ou dizer algo." Ouviu Remus murmurar, mas sua voz não vinha de tão longe. Aliás, seu hálito batia no seu ouvido esquerdo, o que o fez abrir os olhos em surpresa e expectativa. "Sirius, olhe para mim." Pediu encarando-o.
"Remus." Murmurou incerto e com voz trêmula.
"Acho que precisamos conversar." Distanciou-se alguns passos. "Quero que me escute, só escute. Okei?" Viu o moreno acenar e continuou. "Eu já sabia."
"O QUÊ?" Gritou esquecendo de manter-se apenas ouvindo. "E por que não disse nada?" Viu o louro olha-lo parecendo impaciente.
"Eu pedi para apenas me ouvir, Sirius." Disse cansado. "Sente." Apontou para a cama.
Sirius olhou-o irritado, mas obedeceu. Não sem antes praguejar, fechar a cara e cruzar os braços, claro.
"Eu percebia o modo como me olhava, como arranjava qualquer desculpa para estar comigo e me tocar.. De início eu fiquei surpreso. Chocado, até. Sempre fomos muito próximos, eu poderia estar confundido as coisas, mas logo percebi que não. Minha dúvida maior era o que exatamente você pretendia. Se era algo sério."
"Claro que é!" Afirmou indignado.
"Eu sei, mas não pode me culpar por estar na dúvida. Não depois de conhecer cada pessoa que você se relacionou e que não durou mais que alguns dias. Foi estranho vê-lo querer compromisso."
"Você tem razão." Murmurou. "Não dá pra confiar num cara que nunca teve nada sério e, de repente, querer se prender a alguém."
"É mais ou menos isso, Sirius, mas eu quero saber de você o por quê." Disse sentando ao lado do moreno. "Por que comigo seria diferente?"
"Eu não sei." Falou sincero. "Simplesmente sei que é." Sorriu timidamente. "Sei que não vou querer apenas arrasta-lo pra cama e inventar uma desculpa para nunca mais ligar pra você. Mesmo porque você sabe onde eu moro." Brincou fazendo o outro sorrir levemente. "Me basta apenas observa-lo, ou estar com você. Eu até agüento ficar na biblioteca por você ou na companhia do Seboso. Só você me entende por completo e eu sei que o mesmo acontece com você. Eu amo você, Remus. E tudo fica tão melhor com você."
"Eu também acho que tudo fica melhor com você, Sirius." Sorriu-lhe.
O moreno sorriu também pensando apenas no quão feliz estava em finalmente ter falado o que sentia e não ter sido rejeito – mesmo que o louro não tivesse dito que também sentia o mesmo-. Sem perceber, Remus aproximou-se e colou os próprios lábios nos do moreno que surpreendeu-se com o ato, mas logo que sentiu a língua do outro pedir passagem, relaxou e aproveitou o beijo.
"Wow." Murmurou Sirius após separarem-se.
"Obrigado." Murmurou o louro dando-lhe um leve selo. "E só para constar, eu também te amo, Sirius."
Quando James soube da notícia sobre seus dois amigos, não se fez de rogado e preparou uma festa para comemorar – Lílian disse que isso foi apenas uma desculpa para haver uma festa e Sirius não negou, até ajudou -. Todos se reuniram na casa de Sirius, com direito a vodca e caipirinha1. Peter trouxe pizzas, como sempre, e Lílian trouxe docinhos. Os cinco já estavam reunidos quando Regulus e Severus chegaram.
"Opa, festinha do pijama." Disse Regulus aproximando-se.
"Vocês demoraram." Disse Sirius levantando-se. "Trouxe o que pedi?"
"No carro do Sev."
"Não me faça me arrepender de lhe dar as chaves, Black." Disse Severus entregando-lhe o chaveiro.
"Esquenta não, Seboso." Piscou-lhe um olho. "Volto logo."
Severus e Regulus juntaram-se aos outros e engataram numa conversa animada enquanto comiam e bebiam – Lílian surpreendeu-se um pouco ao ver Severus bebendo também e mais ainda ao ver que nem James e Peter estavam implicando com ele, mesmo que o chamassem pelo apelido ridículo -.
Algum tempo depois, Sirius voltou segurando uma caixa com chocolates e usando uma coleira vermelha em volta do pescoço. James, logo que viu, começou a rir, claro. Mas ao receber uma cotovelada da namorada, fez um esforço sobre-humano e prendeu o riso. Peter, Lílian e Remus olharam para o moreno confusos, Regulus parecia se divertir e Severus tinha um ar de tédio, mas estava achando interessante.
"Faz uma semana que estamos juntos hoje, Moony." Começou Sirius encarando o louro. "Então, você quer ser o meu dono oficialmente?" Perguntou estendendo-lhe a guia.
Remus piscou surpreso, então levantou-se e o beijou sendo prontamente retribuído. Atrás deles, seus amigos aplaudiam fervorosamente. Exceto Severus que só deu algumas palminhas porque Regulus o acotovelou.
"Aceito sim, Pad." Disse sorrindo-lhe.
"E ainda disseram que eu demorei para pedir a Lil em namoro." Reclamou James.
"Cala a boca, Prongs, que meu caso foi diferente." Defendeu-se Sirius.
"Diferente nada. Você que é um frouxo." Disse Regulus recebendo um olhar irritado do irmão.
"Mas então, essa coleira faz parte do pacote 'Sirius in bed'?" Perguntou Peter fazendo Remus corar e todos rirem.
"Eu sabia que vocês tinham um fetiche desse tipo." Emendou James. "Posso até imaginar, Padfoot é amarrado, enquanto o Moony"
"James Tiago Potter, nem ouse terminar essa frase." Sibilou Lílian vermelha.
"Ah, qual é, Lils." Disse James emburrado.
"Então você imagina a gente, Prongs?" Perguntou Sirius fazendo o amigo corar e todos rirem. "Sei que sou uma ótima imagem, Prongs, mas sou apenas do Moony agora. Sabe como é, com você era somente sexo." Deu de ombros. "Desculpa." Desviou de uma almofada.
"Cala a boca, seu cachorrão. Vai caçar passarinho."
O resto da noite foi tranqüila – o mais possível, se for relevar o fato de estarmos falando dos Marotos -. Até que James despediu-se dos amigos e foi levar Peter e a namorada para casa. Regulus iria dormir na casa de Severus, que iria dirigindo e Remus iria dormir lá aquela noite.
Após todos se despedirem e Remus arrumar a bagunça feita, foram para o quarto de Sirius onde tomou banho e forçou o namorado a fazer o mesmo. Agora estava deitado na cama dele o esperando.
Uma semana que estavam juntos e era como Severus disse, não se sentia incomodado com os toques do moreno. Aliás, de uma certa maneira, era viciante. Sirius o tocava de um jeito que sua pele queimava e clamava por mais; seus beijos começavam suaves, mas intensificavam-se de uma forma que o louro ficava querendo se deixar sufocar somente para continuar beijando-o.
Quando menor, Remus via o quão felizes seus pais eram e desejava ter aquele mesmo tipo de felicidade. E foi com pouco mais de dez anos que conhecera Sirius. Naquela idade, ele não tinha uma noção muito ampla do que era amar outra pessoa, mas sabia que amava o moreno, só não sabia a proporção e que, um dia, poderiam vir a ficar realmente juntos.
"No que está pensando?" Perguntou Sirius entrando no quarto usando apenas uma boxer azul escura.
"Me perdi." Disse dando de ombro analisando o corpo ainda molhado do namorado. "Seque-se direito, Six." Levantou-se tomando a toalha das mãos do moreno e passando a secar as costas e o tórax deste.
"Obrigado." Pegou a toalha e deixou-a no banheiro voltando para o quarto.
Remus estava sentado no meio da cama olhando-o parecendo um filhote curioso. Sirius sorriu subindo na cama e beijando-o levemente descendo pelo pescoço fazendo o louro sorrir e passar a acariciar, com uma mão, seu cabelo.
"Viu só, como é bom tomar banho? Você está cheiroso." Murmurou Remus.
"Amham." Concordou deitando-o lentamente e se posicionando por cima dele.
"Eu sei o que está tentando fazer, Six." Disse chamando a atenção do outro.
"Você não parece contra, Rem." Falou encarando-o.
"Confio em você." Sorriu puxando-o para um beijo.
As mãos de Sirius eram hábeis e foi realmente fácil despir o louro. Remus também não teve nenhuma dificuldade em tirar a boxer do namorado. Houve mãos e braços e pernas e gemidos e carícias e murmúrios e beijos. Âmbar encarou azul chumbo, peles se tocaram, houve aceitação e satisfação e sorrisos. Foi melhor do que o previsto, abraçaram-se e em pouco tempo, dormiram embalados pela brisa, pela fragrância um do outro, pelo o amor2.
Walburga era uma mãe zelosa. Amava muito ambos os filhos e estava feliz por vê-los tão felizes. Principalmente o mais velho que andava amuado os últimos meses. Meses sim, pois mesmo que este dissesse que só agora percebeu o que sentia pelo melhor amigo, Walburga já havia percebido há algum tempo.
Desde que Remus entrara na vida de Sirius, viu o garoto ganhar uma vivacidade maior. Seu filho sempre foi muito ativo e de ação, mas após a vinda do louro, seu garotinho – agora um rapaz – pareceu triplicar essa energia. Walburga já havia mencionado isso certa vez com a mãe de Remus, Anita, e ambas haviam percebido que a amizade deles ia além de qualquer outra. E não estava nem um pouco chateada em ter ambos os filhos namorando caras. Orion também era um pai compreensivo e, apesar de não ser do tipo carinhoso, era um ótimo marido e pai.
Após mandar prepararem o almoço, foi ver como estavam os rapazes, mas ficou um tanto surpresa ao perceber que a porta estava trancada. Sirius nunca tranca a porta, no máximo, a deixava encostada. Parou encarando a porta como se esta a desafiasse a abri-la e então algo fez click em sua mente e sorriu. Deu as costas e voltou aos seus afazeres.
Do lado de dentro, ambos os rapazes continuavam deitados e cobertos apenas pelo lençol. Remus ainda ressonava ao lado de Sirius que olhava-o com um leve sorriso não se movendo porque sabia que o louro tinha um sono leve e acordaria com o menor movimento, mas sua vontade era de acariciar os fios alourados do cabelo do outro espalhado pelo travesseiro e beijar sua boca levemente entreaberta.
"Pare com isso, Pad." Murmurou o louro com a voz rouca ainda de olhos fechados.
"Não sabia que estava acordado." Murmurou de volta
Remus suspirou profundamente abrindo os olhos devagar e encarou o namorado que ainda sorria. Sorriu-lhe de volta, mas logo voltou a fechar os olhos e escondeu o rosto no travesseiro.
"O que foi?" Perguntou Sirius divertido.
"Eu estou nu." Disse o louro com a voz abafado pelo travesseiro. "E você está ao meu lado nu também." Ouviu o moreno rir ao seu lado.
"Você já me viu pelado antes, Moony. Várias vezes, aliás."
"Eu sei." Virou o rosto para encara-lo. "Só estou sendo idiota."
"Não. Só está sendo manhoso." Beijou-lhe a ponta do nariz. "Vamos levantar. Estou morto de fome." Levantou da cama.
"Sirius!" Exclamou constrangido pelo o namorado levantar sem nenhuma vergonha.
"Qual é, Moony." Disse divertido. "Vá se acostumando." Piscou-lhe entrando no banheiro em seguida.
Remus rolou os olhos ainda corado, mas não pôde evitar de sorrir. Estava procurando por sua boxer quando sentiu-se puxado pelo moreno. Sem tempo para reagir, foi levado para dentro do banheiro.
Pelo visto, Sirius iria acostuma-lo ainda aquela manhã.
E aí? É, saiu menorzinho. Foi mal.
Desculpem a demora em atualizar, mas não ando esbanjando tempo e nem criatividade :P
Neste capítulo, quis mostrar um pouco que Sirius e Remus já sentiam algo um pelo outro desde que se conheceram, mas eram novos demais para entenderem/perceberem isso. Também quis incluir o Regulus e o Severus, além de mencionar outros personagens. E desculpa se quem começou a ler Sirius e Remus 'fofando' esperava algo mais detalhado, mas eu simplesmente não sei fazer essa cena além disso. Aliás, essas poucas linhas demorou pra sair, o que dirá uma cena mais trabalhada.
caipirinha1 - nem sei se na Inglaterra eles tem. Deve ter, num quiosque para artigos brasileiros como nos EUA. Enfim, usem a imaginação e a boa vontade, okei? :D
amor2 - tem pra clichê, minha gente? Claro que tem. Ou não :~
Comentários, dúvidas, sugestões, críticas.. Aceito de tudo.
Sorrisos.
