Capítulo 2: Segredos do Chefe

Dois dias depois, a Magda estava super entusiasmada porque tinha um lanchezinho marcado nesse dia. Estava ela a tomar o pequeno-almoço quando ouviu a sua caniche chamada Lulu a ladrar. Quando saiu para ver o que se passava no quintal reparou que já tinha chegado o jornal da região.

Ao pegar nele, vê em letras grandes e gordas na primeira página "Minha querida Magda é a mulher que eu tanto procurava, venha jantar comigo esta noite na Pizzaria Amore" Ao ler isto a Magda fica completamente histérica.

"É hoje que vou conhecer o homem da minha vida!" exclamou a Magda, super feliz.

Como tinha dois encontros decidiu arranjar-se toda. Nesse dia, até tirou o intervalo mais cedo e às cinco da tarde lá estava ela à porta do café onde tinha combinado o encontro, mesmo devendo estar a trabalhar. A Magda senta-se numa mesa e pouco depois vê o Mário chegar.

"Mário?" perguntou ela, levantando-se. "Que coincidência…"

"Então Magda, não devia estar a trabalhar?" perguntou o Mário.

"O mesmo digo eu." respondeu a Magda. "Mas como já sabemos, o trabalho não é tudo. Sabe, eu vim aqui ter com o TodoBom3000. Nem imagina querido, deve ser um sex bomb! Conheci-o no Messenger há dois dias e marcámos um encontro aqui."

"TodoBom3000?!" exclamou o Mário, aflito. "Mas esse sou eu! Mas não pode ser… você não pode ser a GatinhaSexy123. Ela é uma modelo, alta, com peitos de silicone. Não pode ser você, Magda!"

"Ora, não me diga que nunca mentiu na Internet. E eu não sou baixinha e fique sabendo que os meus peitos são genuínos, que é muito melhor."

"Magda, você é mesmo uma mentirosa!"

"Ora, você também mentiu um bocado na descrição. Sexy? Ah, já vi muito melhores. Mas pronto, até tem um bom corpinho. Vá fofucho, já que aqui estamos, vamos aproveitar para lanchar."

O Mário ficou um pouco pálido e depois teve uma ideia.

"Desculpe, mas não pode ser. Lembrei-me agora que tenho de ir… tenho de ir ao sapateiro. Até logo!"

O Mário saiu dali rapidamente. A Magda encolheu os ombros.

"Ao menos ainda tenho o jantar com aquele homem lindo e rico. O homem da minha vida, com certeza." pensou a Magda, satisfeita.

Algumas horas depois, a Magda estava a chegar à pizzaria.

"Hálito bom, vestido bem decotado, cabelo bem penteado… sim, estou prontíssima para este encontro." pensou ela, entrando na pizzaria.

A Pizzaria Amore era uma pizzaria muito conceituada. A Magda sentou-se numa mesa e esperou, esperou e voltou a esperar. Já estava a ficar farta, quando um homem bem vestido entrou na pizzaria. Era pequeno e tinha um grande bigode. A Magda abriu a boca de espanto, levantou-se e foi ter com ele.

"Não me digam que eu sou mesmo azarenta." disse a Magda, virando-se para o homem. "Chefe! Não me diga que está aqui por causa de um encontro."

"Magda? O que é que você está aqui a fazer?"

"Eu perguntei primeiro, mas pronto… eu estava à espera do meu homem com posses e uma farta cabeleira. Mas estou mesmo a ver que é você, não é?"

"Não sou nada!" exclamou o chefe.

"Ai não? Depois do anúncio do jornal, recebi uma carta do meu homem lindo e combinámos que eu ia trazer uma rosa vermelha e o meu querido ia trazer uma rosa branca. Se não é você, porque é que tem uma rosa branca na mão?"

O chefe coçou a cabeça e suspirou.

"Pronto, sou eu. Mas não sabia que era você que eu ia encontrar. Com tanta Magda nesta cidade, tinha de me calhar você."

"Ora, quem fica desapontada sou eu. Posses? Você nem é rico. E farta cabeleira? Deixe-me rir. Você é quase careca!"

"Veja como fala, Magda, senão despeço-a."

"Se me despedir, conto à sua mulher que anda a marcar encontros com outras através do jornal." ameaçou a Magda. "E já que está aqui, vai pagar-me o jantar."

O chefe lá se resignou e pagou o jantar à Magda. No dia seguinte, enquanto a Magda e o Mário tinham ido não se sabe onde, ainda dentro do horário de trabalho, a Vera, que estava a pintar as unhas de vermelho, viu a Susete entrar no gabinete do chefe.

"Grandes badalhocos." murmurou a Vera.

Como a secretária do Tomé era mesmo ao lado da secretária da Vera, ele ouviu e virou-se para ela.

"Quem é que são badalhocos?" perguntou ele.

"O chefe e a Susete, que andam a ter um caso e... oh! Já falei demais..."

"O chefe e a Susete andam a ter um caso? Interessante." disse o Tomé, pensativo.

"Tomé, tu não podes contar isto a ninguém."

"Ora, logo vejo o que faço com esta informação."

"Tomé... já agora, queria pedir-te desculpa por ter ido no plano do Mário e dizer que tinhas sido tu que tinhas organizado a manifestação."

"Hunf, não sei se desculpo."

"O que é que eu posso fazer para me perdoares?"

"Podes aceitar namorar comigo."

"Ah... está bem."

O Tomé revirou os olhos.

"É mesmo burra." pensou ele. "Vou usá-la nos meus planos de vingança."

Pouco depois, a Vera aproximou-se e já que eram namorados, beijou o Tomé.

"Ena, tu até beijas bem." disse a Vera, surpreendida. "Apesar do aparelho dificultar o beijo."

"Hum... se calhar afinal não a vou usar nos meus planos de vingança." pensou o Tomé. "Eu gosto dela desde que vim para aqui. Agora então namoramos e eu vou vingar-me dos outros e do chefe também. Ah, que bom, fico com uma namorada e a minha vingança!"

"Ó Tomé, então, ficaste parvo depois do beijo ou quê? O aparelho dos dentes fez curot circuito e fritou-te os miolos? Diz qualquer coisa."

"Ah... gostei muito do beijo, Vera, minha namorada. E agora, vamos tratar de arranjar provas do chefe e da Susete estarem a ter uma relação para depois os podermos chantagear."

"Ah... está bem."

O Tomé tirou uma máquina de filmar que tinha numa gaveta e ele e a Vera foram até ao gabinete do chefe. Abriram um pouco a porta e viram que o chefe e a Susete se estavam a beijar. O Tomé pôs a máquina a filmar.

Mais tarde, quando já era hora de saída, a Susete foi-se embora e o Mário e a Magda também. A Vera olhou para o Tomé, nervosa.

"Espero que isto não dê para o torto." disse ela.

"Não vai dar."

Eles entraram no gabinete do chefe, que olhou para eles, zangado.

"Já não se bate à porta? Isto é a casa da sogra ou quê?"

"Não, não é. Isto é o seu escritório e tenho provas de que você anda a trair a sua mulher!" exclamou o Tomé.

"Ai aquela Magda! Eu disse-lhe para ficar calada!"

"Magda? O que é que a Magda tem a ver com isto?" perguntou a Vera, confusa.

"Nós temos uma gravação, consigo e a Susete a beijarem-se." disse o Tomé, mostrando de seguida a gravação. "Agora, você vai demitir-se e dizer que eu é que devo tomar o seu lugar, caso contrário, divulgo isto à sua mulher e aos seus superiores."

"Não pode fazer isso!" gritou o chefe.

"Posso e vou fazer, caso não faça o que lhe estou a mandar."

"Não acredito nisto... está bem... está bem..." disse o chefe, resignado.

A Vera e o Tomé foram-se embora, satisfeitos.

"Ai, o meu namorado é tão poderoso." disse a Vera, sorrindo.

"Pois sou. Sou mesmo bom." disse o Tomé, sorrindo também.

Pouco depois, cada um foi para sua casa. O Tomé ainda vivia com a sua mãe e contava-lhe sempre tudo. Contou-lhe o que tinha feito e a sua mãe ficou pálida.

"Tomé, não foi essa a educação que te dei."

"Quero lá saber, mãe. Agora vou ser um chefe e vou ganhar muito dinheiro e mandar nos outros. E o antigo chefe vai ser despedido."

"Filho... não podes fazer isso."

"Porquê mãe?"

"Porque... tu sabes que eu te criei sozinha e disse que o teu pai tinha fugido e nos tinha deixado... mas a verdade é que não é bem assim. O teu pai não sabe da tua existência. O teu pai é o chefe Rodolfo!"

"O quê? O chefe Rodolfo é o meu pai?" perguntou o Tomé, confuso.

"Sim. Nós éramos jovens... foi coisa de uma só noite. E quando descobri que estava grávida, quis dizer-lhe, mas ele já estava de casamento marcado com a mulher dele, a Gisela e tive medo de que, se dissesse que estava grávida, quando tu nascesses o teu pai quisesse ficar contigo."

"Mãe... sinceramente! E só agora é que me dizes isto?"

"Não era para te dizer, mas como tu queres vingar-te dele... filho, não podes fazer isso. Pensa bem."

O Tomé ficou indeciso, sem saber o que fazer.

"Por favor, por mim querido, não faças isso ao teu pai."

No dia seguinte, o Tomé e a Vera entraram logo de manhãzinha no gabinete do chefe Rodolfo, que já estava a preparar as coisas para pedir a demissão.

"Já? Pois, querem-me logo fora daqui." disse o chefe, zangado.

"Eu pensei melhor e, pelo menos para já, é melhor você não se despedir. Pode continuar a ser o chefe." disse o Tomé.

"A sério?" perguntou o chefe, surpreendido.

"O meu docinho de coco é muito generoso." disse a Vera, sorrindo feita parva.

"Pronto, então continuo a ser o chefe." disse o chefe Rodolfo, mais aliviado.

"Ah, mas há uma condição." disse o Tomé.

"Que condição?"

"Para eu manter a minha boca fechada, vai ter de despedir o Mário e a Magda."

"Ah... está bem. Também não me fazem falta nenhuma. Arranjo outras pessoas para trabalharem para mim." disse o chefe, apesar de se sentir intimidado pelo que a Magda sabia sobre ele.

"Ó fofucho." começou a Vera, virando-se para o Tomé. "Não despeças a Magda. Ela é tão fashion e simpática. Gosto muito dela."

"Abre os olhos, Vera! A Magda é uma fingida. Quando tu estás no intervalo, ela chama-te insonsa, burra e pindérica pelas costas." disse o Tomé.

"O quê? Ela diz isso? Ah, aquela vaca de um raio! Nunca gostei dela. Chefe, despeça-a!"

Minutos depois, o Tomé e a Vera saíram do gabinete do chefe e viram apenas o Mário na sua secretária, a falar no messenger.

"Onde está a Magda?" perguntou a Vera.

"Foi à casa de banho."

"Bem, não deve demorar."

"Ah, ela levou uma revista com ela. É capaz de demorar, no mínimo, uma hora." disse o Mário, abanando a cabeça.

"Então vais tu sozinho ter com o chefe." disse o Tomé. "Ele quer falar contigo."

O Mário entrou no gabinete do chefe e sentou-se.

"Tenho de lhe dizer uma coisa importante." começou o chefe.

"Ah, já sei. Viu que eu faço um excelente e decidiu aumentar-me."

"Não. Está despedido."

"Mas porquê?"

"Porque você... você... é um incompetente!" gritou o chefe. "Não faz nada bem e não o quero mais aqui. Rua!"

Segundos depois, o Mário saiu do gabinete do chefe, bastante triste.

"Oh não... o que vou eu fazer? Eu adorava o trabalho que fazia aqui... ou seja, não fazia nada. Como é que eu agora vou ter um emprego, não fazer nada e ter dinheiro no final do mês?" perguntou o Mário, a ninguém em particular.

O Mário contou à Vera e ao Tomé as novidades, que para eles não era novidades. Depois, a Susete apareceu e teve de ouvir a história toda.

"Coitadinho." disse ela. "Deixa lá que eu tenho umas conhecidas e sou capaz de te arranjar um emprego como empregado da limpeza."

O Mário começou a chorar de seguida e a Susete levou-o dali. O Tomé sorriu.

"Ó meu lindinho feio, não achas que estamos a exagerar?" perguntou a Vera.

"Não estamos nada. Um já foi. Falta só a Magda."

Nesse momento, apareceu a Gisela, mulher do chefe.

"Boa tarde." disse ela. "Eu vinha falar com o meu marido."

"Ele está no gabinete, senhora dona doutora empresária venerável Gisela." disse a Vera.

"Obrigada. E esqueceu-se de engenheira." disse a Gisela, entrando no gabinete do marido. "Rodolfo, tenho de ter uma conversa séria contigo."

O chefe ficou alarmado, pensando que a Gisela já tinha ficado a saber algo sobre as suas escapadelas.

"A minha irmã Arlete discutiu com o marido, porque ele lhe bateu e agora saiu de casa. Vem viver connosco por uns tempos." anunciou a Gisela.

"A Arlete? Não acho boa ideia."

"Tu não achas, nem tens de achar. Tu mandas no escritório, mas na casa mando eu. Ela vai lá viver connosco e pronto."

De seguida, a Gisela foi-se embora, deixando o chefe bastante nervoso.

"O que é que eu vou fazer agora?" perguntava-se o chefe, confuso. "Não posso deixar que a Arlete vá viver lá para casa. Ela conhece aquele meu segredo super secreto..."

Quando todos funcionários já tinham saído do escritório, com excepção do chefe e da Magda, que continuava muito calmamente a ler uma revista na casa de banho, o chefe decidiu trancar-se no escritório.

"Não vou para casa com a Arlete lá." pensou ele. "Vou acampar aqui no escritório e digo que tenho muita papelada para tratar."

Estava o chefe distraído nos seus pensamentos, quando toca o telefone na sala dos secretários.

"Atendam, seus preguiçosos!" gritou a Magda, da casa de banho. Como o telefone continuou a tocar, a Magda saiu da casa de banho, zangada. "Não fazem nada de nada! Tem uma pessoa de interromper a sua leitura, logo agora que eu tinha chegado à parte do horóscopo."

A Magda chegou perto do telefone e atendeu.

"Muito boa tarde. Quem fala?"

"Já é de noite, por isso, boa noite." disse uma voz feminina do outro lado. Parecia uma voz abafada por algo. "Era para avisar que amanhã haverá uma festa aí no escritório. Espero que todos os funcionários desta secção estejam presentes. Não contem nada aos funcionários das outras secções."

"Está bem. Eu nem gosto nada dos outros. Aliás, não gosto de ninguém a não ser de mim própria, mas enfim. Fique descansada, que se é uma festa, com comida e bebida à borla e homens interessantes, espero eu, nós não faltamos."

A Magda desligou a chamada, ficando logo a pensar no que ia vestir no dia seguinte.

"Ele não me pode escapar agora. É altura de eu me impor e vingar. E vou telefonar para a mulher do chefe a seguir." pensou a misteriosa mulher que tinha falado com a Magda ao telefone.

A Magda ligou ao Mário, nem esperando para que ele lhe dissesse que tinha sido despedido e informou-o da festa. O Mário decidiu ir, já que não tinha mais nada para fazer. Depois a Magda ligou à Vera e ao Tomé e contou-lhes da festa também.

Na tarde do dia seguinte, estavam todos reunidos na sala do café, à espera da festa. O Tomé apalpava a Vera. A Vera soltava risinhos, satisfeita. A Magda retocava o batom. O chefe estava sentado a um canto, muito nervoso, por minutos antes tinham aparecido a Arlete e a mulher do chefe, Gisela, para se juntarem à festa. O Mário estava a lançar olhares e piscadelas à Arlete.

"Esta festa é muito pobrezinha, sinceramente. Onde é que estão os enfeites e a comida?" perguntou o Tomé.

"Boa pergunta. Mas afinal, isto não parece uma festa. Só cá estamos nós." queixou-se a Vera.

A Arlete olhou para os outros e sorriu.

"Ainda não me apresentei. Eu sou a Arlete e gostava de dizer…"

O chefe deu um salto e aproximou-se da Arlete, pensando que ela ia contar o seu grande segredo.

"Pára Arlete! Não lhes contes o meu maior segredo!" exclamou ele.

"Qual segredo, amorzinho?" perguntou a Gisela, confusa.

"O segredo de que eu sou seu filho?" perguntou o Tomé.

"O segredo de que anda a pôr anúncios nos jornais para conhecer senhoras?" perguntou a Magda.

"O segredo de que anda a ter um caso com a Susete?" perguntou a Vera.

"O segredo de que usa loção para prevenir a queda do cabelo e do bigode?" perguntou o Mário.

Gerou-se a confusão total entre os presentes.

"Um filho? Anúncios? Um caso com a Susete? Loção anti-queda?" perguntou a Gisela, perplexa. "Rodolfo! Bem, da loção eu já sabia, mas…"

"Eu não ia dizer nada sobre o teu segredo, Rodolfo." disse a Arlete.

"Ah não? Bolas, precipitei-me." disse o chefe.

"Mas agora que descobrimos isto sobre ti e magoaste a minha irmã, vou contar tudo! Pessoal, a verdade é que o cabelo que o Rodolfo tem são implantes capilares! Eu sou cabeleireira e olhando para o cabelo dele, vi logo." explicou a Arlete. "E gostava só de dizer que eu vou abrir um novo salão de cabeleireiro e estão todos convidados para a inauguração. Estou a tentar ser independente em relação ao meu marido e conto com o apoio de todos."

Mas ninguém se preocupou muito com o salão de cabeleireiro da Arlete, pois todos olhavam para o chefe, perplexos.

"Implantes, Rodolfo? Implantes? Ai o meu coração!" exclamou a Gisela, desmaiando de seguida e sendo amparada pelo Mário.

"Agora é que a festa está a animar!" exclamou a Magda, contente.

"Mas afinal, quem é que organizou a festa?" perguntou a Vera.

Os outros entreolharam-se, também sem saberem.

"Se não foi ninguém que aqui está, quem é que organizou a festa? Ou lá o que isto é…" pensou o chefe, confuso.

"Fui eu!"

Todos se viraram para a porta e viram a Susete a entrar, trazendo consigo uma esfregona e uma caixa.

"Ah, claro, a culpada é sempre a empregada da limpeza." disse a Magda, pensativa.

"Porque é que organizaste esta festa, Susete?" perguntou o chefe. "Que aliás nem é festa nenhuma, porque nem há nada para comer, nem beber..."

"Foi uma desculpa para vos juntar a todos e trazer cá a tua mulher também." explicou a Susete, enquanto a Gisela, esposa do chefe, recuperava finalmente os sentidos. "A verdade tem de ser dita! A verdade sobre ti, Rodolfo!"

"Mas não foi já toda dita?" perguntou o Mário, confuso. "Afinal, parece que o chefe anda contigo, Susete, tem implantes, põe anúncios nos jornais para engatar mulheres desprevenidas e burras..."

"Ei!" protestou a Magda, zangada.

"E ainda é pai do Tomé e usa loção para não lhe cair o cabelo e o bigode." concluiu o Mário. "E agora, pergunto-me o que é que eu ainda estou aqui a fazer, visto que o chefe me despediu ontem, mas pronto... ninguém se parece importar muito com isso."

"Rodolfo, exijo uma explicação!" gritou a Gisela, furiosa. "Aliás, exijo imensas. Implantes?"

"Desculpa querida, mas é que senão eu era totalmente careca..."

"Anúncios nos jornais?"

"Era só para me divertir..."

"Um filho ilegítimo?"

"Não sei nada disso." respondeu o chefe.

"A minha mãe, Prantilhana, teve um caso consigo numa noite e ficou grávida de mim." explicou o Tomé. "Você é mesmo o meu pai."

"Ah... e eu a pensar que não podia ter filhos." disse o chefe. "Vês Gisela, eu bem sabia que tu é que eras histérica!"

"Estéril." corrigiu a Magda.

"Ei, não se esqueçam de mim!" gritou a Susete, largando a esfregona. "Rodolfo, enganaste-me. Envolveste-te comigo, com promessas de que ias deixar a tua mulher, usaste este meu corpo lindo e brasileiro e afinal és um mentiroso!"

"Ó filha, deixa o careca com implantes que eu trato de ti." disse o Mário, levando de seguida um soco da Vera. Calou-se logo depois.

"Eu não admito que gozem comigo!" gritou a Susete. "Vocês vão todos pagar."

"Ai sim? Com cheque ou multibanco?" perguntou a Magda e todos se riram, menos a Susete.

"Agora é que vão mesmo morrer todos! Encomendei isto na internet e vou acabar com vocês!"

A Susete começou a abrir a caixa. Os outros entreolharam-se, alarmados.

"Será uma arma?" perguntou a Gisela.

"Ou um punhal." sugeriu o Mário.

"Talvez seja veneno." disse a Magda.

"Será que é uma sandes de carne?" perguntou a Vera.

"Verinha, cala-te amor." disse o Tomé, revirando os olhos.

Nesse momento, a Susete tirou da caixa uma bomba. Todos soltaram gritos de pavor.

"Pois é, agora já estão assustados, não é? Pensavam que a empregada brasileira limpava tudo, não tinha intervalos, gostava do patrão e no final ficava mal? Pois estão enganados! Vão morrer todos com a explosão desta bomba!"

E assim termina o segundo capítulo. O chefe afinal tinha muitos segredos e agora foram todos descobertos. A Magda não teve sorte nos encontros, o Mário foi despedido, a Vera e o Tomé começaram a namorar e agora a Susete ameaça matar todos com a explosão de uma bomba. O que irá acontecer a seguir? Não percam o próximo capítulo para ficarem a saber.