2 – A Lenda

Um à um, com acessos de tosse por conta de um pouco da fumaça que ainda plainava por sobre suas cabeças, os ocupantes do bar foram levantando. As atenções se voltaram, obviamente, voltaram-se para a recém chegada – para não dizer invocada – próxima ao balcão. Era enorme, maior até do que Rodolphus. Seus cabelos caiam como uma cascata sobre suas costas, negros e brilhantes. Seu rosto era branco e completamente desprovido de emoções, assim como seus olhos que de inicio eram castanhos, mas foram, gradativamente, transformando-se amarelos. Seus lábios eram finos, vermelhos como sangue. Suas mãos eram grandes e os dedos finos e ossudos, parecendo grandes aranhas. Suas unhas também eram grandes, pintadas de negro. O corpo curvilíneo, coberto por um quimono branco com desenhos em escuro. Sua calça era negra, com várias fivelas e as barras estavam colocadas por dentro de botas negra e brilhantes. Havia ainda, em sua cintura, uma bainha vazia.

—Onde estamos?—Murmurou e sua voz era suave como o badalar de um sino e gelada como uma noite de inverno.

—Estamos em Hogsmead, Vossa Majestade...—Murmurou Karkarof, ainda ajoelhado, a cabeça baixa.

—Hogsmead?—Murmurou Lilith, ainda olhando ao redor, sem tomar conhecimento do ajoelhado Karkarof.

—Sim, minha imperatriz. —Murmurou Karkarof, ainda sem erguer o olhar. Pedro começava a perguntar-se se era respeito ou medo.—Estamos no vilarejo de Hogsmead, no Reino Unido.

—Hogsmead...no Reino Unido...—Repetiu Lilith, ainda olhando ao redor, agora avaliando os outros ocupantes. Então, quase em câmera lenta, seu olhar recaiu-se sobre Karkarof. Mesmo sem notar isso, o corpo do homem estremeceu de leve.—E quem és tu?

—Me chamo Karkarof, minha senhora...Igor Kar...Karkarof...—Balbuciou o ex-comensal, ainda sem erguer o olhar.

Lilith ficou olhando para o homem logo à sua frente antes de abaixar-se um pouco. Tocou seu queixo de leve e, apenas apoiando a ponta do indicador, fez ele erguer-se, forçando-o a olhar em seus olhos. A agonia em seus olhos foi substituída pelo pânico, como se estivesse olhando nos olhos de uma fera terrível.

—Tens medo de mim, Karkarof?—Murmurou e, mesmo que houvesse doçura em sua voz, as pernas do homem começaram a tremer fortemente. Sua voz parecia entalada na garganta e o horror crescia em seus olhos.

—Não culpo ele...essa mulher é aterrorizante...—Murmurou Chad, os olhos verdes ficando lentamente negros.

Pedro olhou para o primo por um instante antes de voltar o olhar para Lilith. Havia uma espécie de aura negra pairando sobre seu jeito calmo e seus olhos distantes. Mesmo agindo tão docemente, Pedro sentia o corpo inteiro tremer apenas de olhar para ela.

—Ah, meu caro Igor...não deveria me temer...sei muito bem ser bondosa com quem me é fiel...—Murmurou de uma maneira quase maternal. Karkarof pareceu acalmar-se, mas ainda olhava para ela com terror. Rodolphus e Dolohov também olhavam em sinal de agonia para a mulher, mas o temor que tinham de Voldemort parecia ser maior.

—Karkarof...quem é essa mulher?—Murmurou Dolohov, saindo do estado de estupor que estava antes.

Lentamente Lilith virou o olhar até o Comensal que automaticamente encolheu-se, como se a mulher estivesse apontando uma arma em sua direção. Ainda assim, seu olhar continuava desinteressado e distante como sempre.

—Igor...esses homens são seus parceiros?—Murmurou a mulher, desviando lentamente de Dolohov até Lestrange, que também se encolheu, sentindo as pernas tremerem de leve.

Por um instante Karkarof ainda olhou para Lilith antes de, lentamente, desviar o olhar até os dois outros comensais. Por um instante pareceu passar por seus olhos um tipo de piedade, como se achasse que nem o pior de seus inimigos merecesse o ódio de Lilith. Mas logo em seguida, uma espécie de maldade vingativa passou por seus olhos. E, quando falou, era algo carregado de veneno.

—Não, imperatriz...—Murmurou Karkarof e, lentamente, pareceu ganhar confiante de novo.—Esses homens são meus inimigos.

Lilith balançou a cabeça positiva e lentamente, como se avaliasse a situação. Por um instante passou a ponta dos dedos finos sobre a bainha vazia antes de levar-los até o próprio queixo, alisando-o suavemente. Por fim, soprou um ar gelado por entre seus lábios antes de murmurar.

—Se são seus inimigos, são inimigos da imperatriz, meu querido Igor...—Virou o olhar mais uma vez para os comensais, que agora já tinham dificuldades de ficar em pé.—Porém, sou uma imperatriz piedosa....se vocês jurarem fidelidade a mim e me servirem, pouparei suas vidas.

—Ahm?—Murmurou Rodolphus, olhando brevemente para Dolohov que parecia tão confuso quanto ele.—Não faça piadas...já juramos nossa fidelidade à Lord Voldemort...

Os olhos de Lilith pareceram levemente intrigados antes de cintilarem de uma maneira maldosa, fazendo o clima em todo o bar pesar um pouco mais, como se todo o ar tivesse ficado mais denso do que o normal e mais difícil de respirar. Rodolphus e Dolohov se encolheram ainda mais. Por fim, Lilith soltou o ar lentamente de seus pulmões e mais pareceu que o vento frio do lado de fora invadiu todo o bar.

—É uma pena, meus caros...—Murmurou ela, a voz ainda mais doce e mais assustadora do que antes. O frio ao seu redor cresceu ainda mais. Como se todo o ar gelado estivesse condensando até tornar-se gelo puro.—Mas isso não é bem uma escolha...

Dolohov e Lestrange até poderiam ter ficado confusos com aquelas palavras, mas ainda era o medo e o pavor que imperavam em seus olhos. Então, grunhidos agoniados escaparam por entre seus lábios. Quase que ao mesmo tempo, curvaram seus corpos para frente e como se tivessem recebido um soco no abdômen.

—Cruciatos?—Murmurou Liv, olhando para os homens que realmente pareciam estar sendo torturados.

—Não...não é uma tortura...—Murmurou Lilá, dando um passo para trás, sentindo a têmpora suar, mesmo que o frio estivesse quase insuportável agora.

Todos olharam para a garota que olhava fixamente para os dois homens que ainda se contorciam, sobrando-se sobre suas barrigas, já de joelhos no chão. Então, com gritos de dor e agonia, algo espocou de suas costas. Era fino e parecia estar grudado por uma substância avermelhada. Lentamente foram se desdobrando até revelarem asas coriáceas , delgadas, semelhantes à asas de dragão. Seus braços alongaram-se horrivelmente e os músculos esticaram sobre os ossos. O mesmo começou a acontecer com suas pernas. Seus abdomens começaram a sumir até que a pele estivesse esticada sobre os ossos da caixa torácica. Então, com novos gritos de agonia, que agora mais pareciam grasnados animalescos, seus olhos reviraram nas órbitas antes que uma crosta amarelada começasse a cobrir-los. Suas bocas se esticaram e os lábios afinaram até quase desaparecerem. Quando os gritos pararam, estavam curvados no chão, os braços ainda envoltos ao corpo, tremendo.

—Levantem-se, meus filhos...—Murmurou Lilith, com doçura, oferecendo as mãos para os dois.

Lentamente foram erguendo os rostos. A expressão de ambos agora era animalesca, com os grandes olhos amarelos meio saltados no rosto magro. A boca parecia ter sido rasgada de uma orelha a outra e exibiam constantemente os dentes pontiagudos e a língua afilada. Lentamente apoiaram as mãos, agora finas e de dedos finos e pontiagudos, semelhantes à garras, antes de levantarem.

Tinham quase o tamanho de Lilith agora. Seu corpo era semelhante ao de um Testrálio, só que bípede e com pele humana. Flexionaram as asas como se estivessem alongando-as antes de olharem de uma maneira solene para a criadora.

—Perfeito...—Murmurou Lilith, um sorriso surgindo em seus lábios, exibindo dentes perfeitamente brancos, como diamantes. Karkarof olhou apavorado para as duas criaturas que ainda olhavam para a imperatriz, como se esperassem ordens, escondendo-se atrás da mulher, meio encolhido.—O que acontece, Igor? Não tenhas medo...não te farão nenhum mal a menos que eu os ordene.

—Não é isso, senhora...tenho certeza de que a imperatriz nunca mandaria me atacarem...—Murmurou Karkarof, o costumeiro sorriso adulador surgindo em seu rosto enquanto lançava olhares das criaturas para Lilith, ainda apavorado.—Só não...me agrada a idéia de virar um...deles.

—Ah, não te preocupes, meu querido Igor...já disse que sei recompensar bem quem me é fiel.—Murmurou, esticando a mão e pondo sobre os cabelos do ex-comensal, como faz uma mãe ao afagar os cabelos de um filho.

No local onde a mão de Lilith pousou, os fios grisalhos tornaram-se negros como a noite. Como um liquido, foi escorrendo pelos outros fios, limpando-os e tornando-os da mesma cor. Sua barba recuou e voltou a ser apenas o cavanhaque de antes, tão negro quanto seus cabelos. O rosto ficou mais cheio, porém branco como o rosto de Lilith. Quando aquele liquido negro cobriu o ultimo fio de cabelo de Karkarof, ele parecia ter rejuvenescido uns 20 anos.

—Legal...—Murmurou Chapolim, soltando um assobio baixinho.

—Isso não pode ser nada bom...—Murmurou Ashley, tentando dar um passo para trás, mas sentindo como se cada músculo de seu corpo estivesse congelado pelo ar denso ao redor deles.

—Deveríamos sair daqui...ela ainda não nos viu...—Sugeriu Liv, sentindo o peito pesar a cada vez que respirava.

—Queria que fosse mais fácil, mas meu corpo está preso.—Resmungou Lucius, tentando mover as pernas, que pareciam fixas no chão.

—Ela está falando de novo...—Murmurou Chad, abaixando um pouco o próprio corpo, como se tentasse esconder-se.

—Estás satisfeito, Igor?—Perguntou Lilith, retirando a mão de seus cabelos. Karkarof mexia os dedos e os braços, quase não acreditando que aqueles músculo rijos e doloridos agora eram tão flexíveis e fortes. Virou o olhar mais uma vez para Lilith antes de joelhar-se à seus pés, em sinal de respeito.

—É mais do que eu podia pedir, minha imperatriz...serei eternamente grato e fiel...

—Assim espero, Igor...ou sua aparência não será a única coisa que tirarei...—Lilith demorou seus olhos amarelos sobre o homem, que agora recomeçara a tremer, antes de começar a esquadrinhar o bar.

—Fudeu...—Murmurou Pedro, tentando mover as pernas que agora, além de presas ao chão, começavam a tremer.

Nenhum dos outros ocupantes no bar pareceu chamar a atenção da mulher. Seu olhar recaiu justamente sobre eles. E avaliou rosto a rosto, com um sutil interesse. Então, em passos elegantes, caminhou até eles, sendo vigiada pelos olhos de seus três serviçais.

—E vocês, quem são?—Murmurou, olhando de Pedro para Chapolim e depois para Amanda e assim foi, até chegar em Liv, que era a ultima do grupo.

—Ninguém, tia...só figurantes...—Murmurou Lilá, tentando fazer alguma piada, mas seu tom de voz era amedrontado.

E não parecia ser a única. Uma rápida olhada em cada um e era possível ver, claramente, o medo em seus rostos. Lilith olhou para Lilá e aproximou-se um pouco mais, a testa ligeiramente franzida.

—Está zombando de mim, garota?—Murmurou perigosamente. Seu hálito gelado tocou o rosto de Lilá, fazendo o nariz da garota adormecer.—Bem, talvez você deva servir de exemplo, para que isso não volte a acontecer no futuro.

O olhar de Lilá arregalou quando Lilith ergueu a mão como se fosse uma espada. Quase em câmera lenta, desceu-a certeira na direção de seu pescoço. A garota fechou os olhos com força e começou a murmurar palavras baixinho, como se fosse uma oração.

—Mas vai parando aí, baranga!!—Bradou alguém na porta. Duas grandes lanças de gelo voaram na direção de Lilith que destruiu-a com apenas um movimento da mão. Ainda assim, sua atenção voltou-se automaticamente para a porta.

Uma bela mulher estava parada bem no vão da porta. Parecia estar chegando aos cinqüenta anos, mas conservava uma beleza clássica. Seus cabelos dourados caiam por sobre os ombros. Os olhos azuis brilhavam de uma maneira estranha e fitavam diretamente a imperatriz. Usava uma bela capa azul que parecia água movimentando-se e o vestido que usava por baixo era branco como o gelo.

—Quem és tu para me interromper, mortal?!—Perguntou Lilith e, pela primeira vez, notaram um ar de irritação em sua voz. A loira apenas sorriu, parecendo satisfeita em ter irritado dela. Então, em passos lentos foi aproximando-se, parando umas duas mesas antes de Lilith.

—Meu nome é Helena Williams. Mestre Aquamaga.—Murmurou com a expressão um pouco dura, antes de virar para os outros.—Vocês estão bem, crianças?

—Crianças?—Murmurou Lilá, torcendo o nariz.

—Adultos...—Murmurou Ashley, revirando os olhos.

—Bem, vejo que estão todos bem...—Disse Helena, voltando o olhar para a mulher à sua frente.—Hora de cuidar dessa belezinha aqui.

E lentamente ergueu as mãos, como se estivesse controlando uma marionete. A neve aos seus pés foi começando a derreter e gotículas de água foram subindo, formando fios quase invisíveis que se ligavam à seus dedos. Então, com um movimento súbito, uniu as mãos e os fios revelaram-se ligados à uma rede de água no meio do chão de pedra, com as arestas cheias de neve. Centímetros antes de bater em Lilith, a água tornou-se o mais afiado gelo que, para a surpresa de Helena, tocou o corpo da mulher sem causar o menor arranhão.

—É tudo o que podes oferecer?—Murmurou Lilith, passando a mão pelo ombro e limpando um pouco de gelo.—Não vou gastar meu tempo lutando contra você. Dolohov, Lestrange...—As duas criaturas se adiantaram, ainda com o ar solene ao olhar para a imperatriz.—Cuidem desse lixo.

As criaturas fizeram um sutil movimento de cabeça em sinal de respeito antes de, apoiando as mãos no chão, começarem a correr na direção de Helena. A Aquamaga olhou ao redor, murmurando baixinho algo parecido com "merda" antes de dar um salto para trás, ficando próxima à porta. Estreitou o olhar e viu enquanto Rodolphus e Dolohov se espremiam entre cadeiras, jogando mesas para os lados enquanto tentavam chegar até ela. Dolohov tomou à frente e avançou em sua direção, cravando as unhas no chão para impulsionar o corpo com mais força para frente. Há poucos metros de distância, saltou na direção de Helena, com as garras voltadas em sua direção.

—Isso aí...—Murmurou Helena, esperando ele aproximar-se um pouco mais antes de arrastar um pouco o pé esquerdo para trás e, com a mão direita, fez um movimento como se arremessasse uma bola. Das costas dela, saindo da neve, um forte jato de água disparou na direção de Dolohov, atingindo-o no peito e jogando-o para trás. A criatura soltou o ganido que pareceu o de um cachorro machucado antes de cair no chão, arrastando-se até derrubar uma mesa.—Isso!!

—Helena, cuidado!!—Gritou Pedro, ao ver que Rodolphus continuava indo em sua direção.

A aquamaga virou o olhar para frente. Girou o braço para trás na tentativa de um golpe, mas Rodolphus já estava próximo de mais. Ergueu-se nas pernas traseiras e levantou a mão esquerda o mais alto possível. Desceu na direção do rosto de Helena, as garras certeiras na tentativa de estraçalhar a mulher.

—Não tão rápido, amiguinho.—Disse uma voz grave e alta. Uma mão enorme entrou pela porta, empurrando Helena meio para o lado e segurando o braço de Rodolphus facilmente. Tirou-o do chão como se a criatura fosse um boneco e sacudiu-o para fora do bar, fazendo ele quicar duas vezes antes de bater contra um banco.

—Karl!—Disse Helena, sem fôlego, assim que viu o homem enorme e largo, um pouco menos do que Hagrid, mas nem por isso menos impressionante. Havia um sorriso bondoso em seu rosto de barba bem feita. Os cabelos castanhos estavam bem alinhados em sua enorme cabeça.—Você veio!

—Claro que vim, acha que iria te abandonar num momento desses?!—Perguntou Kalvin, com sua voz trovejante, ainda rindo. Sua expressão bondosa foi rapidamente substituída por uma expressão séria enquanto o homem inclinava-se um pouco para frente para ver dentro do bar.—É ela?—Murmurou, olhando brevemente para Lilith antes de voltar a olhar para Helena, que apenas confirmou com um aceno de cabeça.—Tire as crianças de lá...vou distrair-la por um tempo.

—Boa sorte, grandão.—Murmurou Helena, dando um tapinha no cotovelo dele antes de entrar pela porta, indo diretamente até Chapolim e os outros.—Ok, vamos sair rápido daqui, crianças.

—Nós não somos crian...

—Depois, depois.—Disse Helena, interrompendo Lilá.—Vamos, não temos tempo a perder. O Karl vai tentar distrair-la.

Todos os olhares se voltaram para o grande homem que cruzou o espaço entre a porta e Lilith lentamente. Karkaroff mais uma vez encolheu-se atrás da mulher, intimidado pelo tamanho de Kalvin.

—Outro?—Murmurou Lilith, com desdém em sua voz.

—Permita que eu me apresente, senhorita...—Murmurou Kalvin, fazendo uma leve reverencia.—Kalvin Moonrey.

—Veio aqui para me servir, Kalvin?—Murmurou Lilith, ainda com seu jeito doce.

—Oh, creio que não, senhorita...sou um dos bons moços...—Riu o grandão, levantando-se mais uma vez, sua cabeça há um palmo do teto.

—Bem é mal são conceitos tão relativos, meu caro Kalvin.—Murmurou Lilith, ainda em seu tom doce e maternal.

—Ah, mas tenho meus conceitos muito bem definidos, senhorita.—Disse Kalvin, ainda de um modo cortês, lançando um olhar de canto para Helena e fazendo um movimento rápido com a mão, na direção da porta. Helena balançou a cabeça positivamente e olhou para os garotos mais uma vez.

—Vamos, sem perder tempo.

—O que está acontecendo?—Perguntou Lucius, indo logo atrás de Helena.

—Depois.—Resumiu-se a loira, andando com cautela, as vezes lançando olhares por cima do ombro.

—Quem é essa mulher?—Perguntou Pedro, olhando para Lilith por cima do ombro.

—Já disse que depois!—Resmungou Helena, irritada, sem olhar para o garoto.

—Espere, Kalvin.—Disse Lilith, como se pedisse licença.—Não posso deixar que saia...

Mas antes que terminasse a frase, uma enorme coluna de pedra surgiu do chão, batendo direto em seu tórax, jogando ela para cima, abrindo um enorme buraco no teto.

—Vão, logo!—Berrou Kalvin, olhando por cima do ombro.

Já havia dado dois passos para trás para seguir com eles, quando um estalo alto chamou sua atenção. Olhou para trás e viu que uma enorme rachadura havia sido aberta na viga que ele havia criado. Com novos estalos, a viga foi partindo-se em pedaços antes de explodir pedras para todos os lados, destroçando as paredes do bar.

—Ah, Kalvin...—Murmurou Lilith, sem nenhum arranhão. Desceu quase como se flutuasse até parar em frente ao homem, com um ar decepcionado. —Não foi uma boa idéia.

—Eu tinha que arriscar, senhorita.—Disse Kalvin, inclinando a cabeça ligeiramente para frente, o sorriso tremendo em seu rosto agora.

Lilith balançou a cabeça lenta e negativamente. Kalvin tentou dar um passo para trás, mas a atmosfera ao seu redor pareceu ficar ainda mais pesada, impedindo o grandalhão de se movimentar. A imperatriz lentamente ergueu um dedo e apontou na direção do geomago, que sentiu as pernas tremerem ainda mais. Uma pequena bolinha vermelha surgiu da ponta de seu dedo, girando como um pequeno sol. Foi crescendo lentamente de tamanho até estar do tamanho de uma bolinha de gude. Kalvin fechou os olhos com força e fez o sinal da cruz, encostando os dedos contra os lábios, parecendo rezar.

—Aaaaaaaaiow Silver!!—Bradou alguém e logo uma explosão de fogo destruiu a parede ao lado deles. Lilith olhou para o lado e saltou para trás para desviar de algumas todas de madeira flamejante que voavam em sua direção.

—Laguna!—Ofegou um aliviado Kalvin, caindo de joelhos no chão, as pernas já não agüentando o peso do próprio corpo.

—Oras, pensei que Madame Maxinne fosse a única mulher a te deixar de joelhos, Kalvin...—Murmurou o homem de cabelos grisalhos, um tanto sujos, caindo sobre os ombros. Uma barba mal feita crescia em seu rosto e seus olhos cinzentos voavam de Kalvin até Lilith, que agora olhava para ele com interesse.

—Sem piadas...temos que sair daqui o mais rápido possível.—Murmurou Kalvin, apoiando-se numa mesa para levantar. Sem agüentar o peso do homem, a mesa quebrou e Kalvin teve que buscar outro objeto para se apoiar.

—Vá você...pegue as crianças e a Helena e saiam daqui o mais rápido possível...se escondem, explique tudo para eles .—Murmurou Laguna, cruzando os braços sobre o peito, olhando diretamente para Lilith.—Parece que a senhorita aqui tem algo a me dizer.

—Mas Laguna...

—VAI LOGO, MEIO-GIGANTE IDIOTA!!—Bradou Laguna, sabendo que o amigo não gostava que o chamassem de meio-gigante.

Kalvin olhou para o amigo com uma certa irritação, antes de dar as costas, saindo em passos rápidos, virando mesas ao passar, levando consigo um pedaço da porta ao sair do bar. Dessa vez Lilith não tentou impedir-lo. Seu olhar fixava-se em Laguna.

—Então moça...o que tem para falar comigo?


Kalvin ainda olhou por cima do ombro uma ultima vez antes de sair em passadas rápidas por entre a neve, até chegar onde Helena e os outros estavam. Era uma pequena praça. Os outros habitantes de Hogsmead pareciam alheios ao que acontecia no bar, apesar de alguns olharem rapidamente para a confusão.

—Conseguiu derrotar ela?—Perguntou Helena, com esperança.

—Obviamente que não...—Murmurou Kalvin, suando apesar do frio. Suas pernas ainda tremiam um pouco.—Laguna está com ela agora.

—Laguna?—Perguntou Pedro, olhando de um para o outro, com a testa ligeiramente franzida.—Alguém vai explicar por que três dos maiores mestres elementais se despencaram de...sei lá onde vocês morem! Pra Hogsmead? E quem diabos é aquela mulher?

—Bem, na verdade são os cinco...Ricardo, Ian e o William estão em Hogwarts agora, alertando Dumbledore.—Murmurou Kalvin, lançando um olhar apreensivo por cima do ombro, antes de voltar-se para eles.

—E você está quase certo, Ravenclaw...—Murmurou Helena, sentando-se ao lado de Amanda, que abriu um pouco de espaço para a mulher sentar-se.—Aquela mulher poderia ser considerada o diabo.

—O que você quer dizer com isso?—Murmurou Chad, olhando para Helena sem entender.—Se aquela mulher for o diabo, eu queria ter ido pro inferno mais cedo.—Completou com uma risada maliciosa.

—Vocês sabem quem é Lilith?—Murmurou Helena, ignorando a piada do garoto.

Os oito se entreolharam brevemente, as vezes balançando sutilmente os ombros, sem entender. Helena olhou para eles e, vendo que nenhum iria responder, soltou um pesado suspiro, relaxando os ombros.

—É natural. Ela não é citada em muitos pergaminhos conhecidos...—Os olhos azuis da mulher correram a neve e pararam num ponto qualquer, deixando o olhar perder-se no vazio.—Segundo a lenda, Adão foi criado do pó. E Eva, a mulher de Adão, criada a partir de sua costela. O que não se sabe muito é que Eva não foi a primeira mulher de Adão. Lilith foi a primeira mulher. Criada da mesma matéria de Adão. Lilith foi a primeira a corromper-se e foi expulsa do paraíso. Depois disso, ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Só que Lilith ficou furiosa com Deus e juntou-se a Lucifer. Ela até tentou tomar o poder de Deus, mas ele a trancou num relicário. Desde então, de eras em eras, humanos idiotas vem libertando Lilith para atender seus interesses.

—É, Karkaroff se encaixa na descrição de "humano idiota".—Disse Lucius, revirando os olhos.

—Mas...se ela é tão poderosa, como a gente vai poder derrotar ela?—Perguntou Amanda, olhando para Helena.—Só a energia que emana dela já me dá calafrios.

—Deus não poderia ficar intervindo na Terra toda vez que Lilith fosse invocada.—Dessa vez foi Kalvin quem falou, sentando o corpo imenso na fonte de pedra, fazendo a superfície congelada da água partir-se.—Então ele selecionou seis homens de valor e honra inquestionáveis e a eles deu presentes. Um deles morreria com eles. E o outro perduraria por outras gerações, onde outros seis iriam encontrar esses presentes para derrotar Lilith, caso ela retornasse.

—Que presentes são esses?—Perguntou Lilá, com as sobrancelhas ligeiramente erguidas, visivelmente curiosa.

—Espadas.—Respondeu Helena, cruzando os braços sobre o peito e olhando agoniada para o bar.—Espadas sagradas. Divinas. Espada cujo poder poderia se equiparar ao das lanças dos anjos.

Os oito mais uma vez se entreolharam. Lilá soltou um "wow" baixinho, enquanto Chad dava um assobio de admiração. Helena mordeu o lábio inferior de leve e murmurou um "ele está demorando de mais" antes de voltar-se para os garotos.

—E onde estariam essas espadas?—Perguntou Ashley, com as sobrancelhas ligeiramente erguidas.

—Apenas umas pessoa sabe onde estão.—Murmurou Kalvin, torcendo os dedos nervosamente.

—Deus?—Perguntou Chapolim, meio receoso.

—Duas então...—Murmurou Kalvin, revirando os olhos.—Deus e um velho ancião que habita as montanhas ao norte.

—Ah, claro, ele não podia morar onde tivesse ônibus...—Murmurou Lucius, revirando os olhos irritado.


—Então senhorita...não tenho tempo a perder...o que quer tanto falar comigo?—Perguntou Laguna, retirando um cigarro do bolso e pondo entre os lábios, acendendo-o com o próprio bafo.

—Você...—Começou Lilith, estreitando o olhar suavemente, como se tentasse enxergar Laguna melhor.

—Eu...?—Perguntou o piromago com impaciência, fazendo um gesto para ela prosseguir, enquanto dava um trago demorado no cigarro.

—Você é um espírito renegado.—Murmurou Lilith, abrindo mais os olhos, a voz agora com um ar de analise. Laguna olhava para ela com uma certa curiosidade.—Você é um espírito que servia à minhas tropas. Você...seu espírito era um dos meus. Você foi o desertor que uniu-se aos seis escolhidos. Você é o traidor. O renegado.

Laguna seguiu olhando para ela por um tempo, ainda com uma sutil curiosidade em seus olhos. Em seguida, soltou uma risada debochada, tragando o cigarro mais uma vez e soltando uma baforada para cima, antes de murmurar.

—Não pensei que fosse impressionar tanto uma garota no primeiro encontro.—Murmurou o piromago, cruzando os braços, deixando o cigarro com a ponta para cima, lançando sua tênue fumaça para o alto.

—E hoje, traidor? A quem irá jurar sua lealdade?—Murmurou Lilith, num tom sedutor.

Laguna olhou demoradamente nos olhos da mulher. Por um instante sentiu como se todos os pensamentos em sua mente convergissem para Lilith. Então, lentamente, levou o cigarro até os lábios. Tragou e soltou uma baforada na direção da mulher, antes de largar a bituca no chão, pisando nela.

—Minha lealdade pertence única e exclusivamente...—Murmurou num tom solene, inclinando os joelhos ligeiramente para frente, preparando-se para curvar.—a mim!

E, com os joelhos curvados, disparou na direção da mulher. Lilith meramente soltou um suspiro decepcionado, enquanto observava o piromago partir em sua direção, o corpo ligeiramente inclinado para frente, as mãos para trás. Em cada mão havia uma bola de fogo.

—Come fogo!!—Berrou o homem, girando o braço para jogar a bola de fogo no rosto de Lilith.

Como se o piromago estivesse se movendo em câmera lenta, Lilith, deu um passo a frente e esticou seu braço na direção de Laguna. Seus dedos longos e finos se fecharam ao redor do pulso do piromago, fazendo a chama sumir como se fosse atingida por uma lufada do vento.

—Nunca pensei que seria fácil.—Murmurou Laguna, dando um sorriso meio tremulo, girando o outro braço na direção do rosto de Lilith, que, sem perder a calma, também o segurou.

—Você ainda tem chance de voltar atrás, meu caro.—Murmurou Lilith, olhando em seus olhos com doçura.

—Interessante, um dia talvez eu considere essa hipótese.—Murmurou Laguna, ainda sorrindo.—Dragão Escarlate!

De suas mãos partiu um ruído estranho, como se o ar ao redor estivesse sendo sugado para dentro delas. Então, sem nenhuma explicação, algo explodiu, levantando uma nuvem de poeira e lançando Laguna para trás, fazendo o homem passar pelo buraco que havia aberto na parede, caindo sobre a neve.

—Frio.—Resmungou Laguna, levantando-se lentamente da neve.

—Laguna!—Chamou Helena, aproximando-se do homem e ajudando-o a levantar.

—Eu estou bem, eu estou bem, não precisa se preocupar.—Murmurou o piromago, dispensando sua ajuda e levantando sozinho. Olhou por cima do ombro e viu enquanto Amanda e o restante se aproximavam.—Diabos, mulher! Eles ainda estão aqui?!

—Não deu tempo de mandar-los.—Murmurou Helena, mordendo o lábio inferior de leve.

—O portal ainda não está terminado?—Murmurou Laguna, massageando levemente os pulsos.

—Karl teve que parar-lo na metade para ir me ajudar. Está terminando agora.—Murmurou a aquamaga, olhando para o grandalhão em cima do ombro.

—Do jeito que aquele ali é atrapalhado, capaz desses coitados pararem no Himalaia.—Murmurou Laguna, com um certo sarcasmo.

Helena abriu a boca para defender Kalvin, mas um raio vermelho passou por eles, velozmente. Fixou-se no peito da estatua na fonte da praça por um instante. Então, uma grande onda de energia arremessou Laguna e Helena para os lados com força antes de despedaçar a estatua como se ela fosse feita de barro.

—Ah, engenhoso, meu caro espírito renegado.—Murmurou Lilith, saindo em passos lentos da fumaça formada por seu ataque.

Helena franziu a testa e olhou para Laguna, murmurando um "espírito renegado?" apenas movendo os lábios. Laguna revirou os olhos e devolveu com um "explico depois", irritado.

—Igor.—Chamou Lilith, ainda em seu tom calmo e doce, porém, havia algo de autoritário em sua voz. De dentro do bar, um tremulo Karkaroff, que se escondia atrás de algumas mesas, saiu andando receoso em sua direção.—Vá em busca de meus servos...diga que seu tempo de escravidão acabou.

—Se...seus servos, Imperatriz? Mas quem?—Murmurou Karkaroff, inseguro.

—Aqueles que por tanto tempo puxaram suas carruagens. Aqueles que por tanto tempo ficaram invisíveis aos olhos inocentes.—Murmurou Lilith, olhando para frente, fitando Laguna e Helena, que terminavam de limpar a neve das vestes.—Vá e diga para convocarem meu exercito. Eles saberão onde ir. Têm um ótimo senso de direção.

Karkaroff seguiu olhando para Lilith, confuso, antes de soltar um "ah" de entendimento e sair correndo pela neve, as vezes tropeçando. Helena olhou para o homem, confusa, antes de voltar a olhar para Lilith.

—De quem será que ela está falando?—Murmurou para Laguna, sem desviar o olhar da mulher.

—Pense um pouco, Helena...—Respondeu Laguna, estreitando o olhar na direção de Lilith.—Quem puxou nossas carruagens todos esses anos? Quem permaneceu por décadas invisíveis aos olhos dos puros, que nunca viram a morte de perto? E lembre-se das aulas do velho Kettleburn...quem tem um senso de direção perfeito?—Terminou, olhando de canto para Helena.

—Fala dos...

—Sim...os Téstrállios.—Murmurou Laguna, mordendo o lábio inferior de leve e voltando a olhar para Lilith. Helena rapidamente desviou o olhar para o pequeno ponto que era Karkaroff, correndo na direção dos coches.

—Devo deter ele?

—Não iria adiantar de nada agora.—Murmurou Laguna, estalando os dedos das mãos e franzindo mais a testa, olhando diretamente para Lilith.—Vá para onde está o Kalvin e os outros. Vou tentar distrair ela aqui. Apresse aquele gordão idiota.

Helena abriu a boca mais uma vez para retrucar, mas parou ao ver a expressão de Laguna. Ele sorria. Um tanto nervoso. Laguna costumava ser o mais confiante e arrogante de todos, mas naquele momento ele estava se sentindo nervoso. Suspirou e olhou para seu rosto por um instante antes de murmurar um "não morre" e dar as costas, indo na direção dos outros.

Laguna olhou ao redor e viu que muitos curiosos já começavam a se aproximar para ver a confusão. Todos olhavam impressionados para Lilith. A imperatriz não parecia se incomodar com aqueles olhares. Seu olhar estava direcionado para Laguna.

—Estás disposto ao sacrifício, espírito renegado?—Perguntou a imperatriz, olhando-o com curiosidade.

—Ah, não...ainda não posso morrer.—Murmurou o piromago, abrindo um sorriso sarcástico.—Ainda não transei com a Catherine Zeta-Jones. Sem isso não posso morrer feliz.

Lilith balançou a cabeça positivamente, em sinal de compreensão. Alisou suavemente a bainha vazia em sua cintura, como se sentisse falta de sua espada. Laguna seguia olhando em seus olhos demoradamente, parecendo mais tenso do que o comum. Respirou fundo e, por fim, relaxou os ombros, antes de falar.

—É...não tem jeito...você é forte de mais...se eu quiser te dar, ao menos, um pouco de trabalho, preciso de um pouco mais de poder.—Murmurou o piromago, estalando os dedos demoradamente. Então, deixou os braços retos, encostados no corpo por um instante antes de afastar-los, assim como as pernas. Um vento intenso começou a passar ao seu redor, fustigando seus cabelos que começaram a bater em todos os lados de seu rosto. Começou a respirar mais rápido, enquanto seus músculos tensionavam. Por fim, quando o ar já escapava em silvos por entre seus dentes, berrou com uma voz grave.—Berserk!!

A energia ao seu redor expandiu-se, derrubando os curiosos que paravam para ver o que acontecia. Seus músculos pareceram dilatar e era possível ver veias bem expostas por seus braços e sua têmpora. Seus olhos estavam injetados e brancos.

—Ah...interessante...—Murmurou Lilith, parecendo ligeiramente interessada naquele arquejante Laguna.

Com um urro, Laguna parti em sua direção. Apesar de estar maior e aparentemente mais pesado, sua velocidade era impressionante. Em poucos segundos já estava diante de Lilith. Ergueu o punho e desceu com toda força contra Lilith, que apenas ergueu uma mão. O choque de sua mão com o punho do piromago causou um som parecido com um trovão. Laguna saltou para trás e partiu numa nova investida de golpes rápidos.

Lilith defendia os golpes facilmente, dando alguns passos para trás. Segurou o punho de Laguna e apoiou a outra mão em seu braço, girando e atirando-o por cima do próprio ombro. O piromago quicou na neve duas vezes antes de levantar-se mais uma vez, arrastando os pés na grama por um instante antes de pegar impulso para um novo ataque.

—Atacando desse jeito, só está parecendo um touro furioso, meu caro espírito renegado.—Murmurou Lilith, inclinando a cabeça ligeiramente para o lado, olhando-o com curiosidade.

—Tenho uma chifrada bem dolorida, se quer saber!—Devolveu Laguna, girando um murro contra seu rosto.

Lilith ficou observando o golpe e, milímetros antes, abaixou-se. Passou o pé pelo de Laguna, tirando-lhe o apoio antes de segurar-lo pelo braço, lançando-o no ar mais uma vez, dessa vez na direção das árvores. O piromago quicou duas vezes, derrubando duas árvores antes de cair de cara no chão. Ainda arquejando, Laguna sentiu os músculos relaxarem e começarem a doer. Escutou passos na neve mas não ergueu a cabeça para ver quem se aproximava.

—Bem...te dei muitas opções, meu querido traidor...—Disse a doce voz de Lilith, pisando na cabeça do homem e fazendo ele girar, de modo que pudesse olhar para seu rosto.—Espero que faça uma passagem agradável.


—Droga.—Resmungou Helena, o olhar ainda mais angustiado depois de Laguna ser atirado na direção da floresta.—Rápido Kalvin, o Laguna precisa de nossa ajuda!

—Ah, Merlin...—Murmurou Kalvin, fazendo uma careta de concentração. Olhou para Helena e acenou apressado na direção da varinha.—Termine por mim. Vou lá ajudar o Laguna.

—Mas

—Rápido, Helena!—Apressou Kalvin, sacudindo a varinha com força.

A aquamaga olhou para a varinha que emitia um fluxo continuo de uma energia azulada na direção de um velho chapéu de aspecto antigo. Com cuidado, pegou a varinha do gigante enquanto este afastava as mãos. Assim que a varinha trocou de mãos, Kalvin começou a correr na direção da floresta.

—Se cuida grandão.—Murmurou Helena, vendo enquanto Kalvin arrancava, sem maiores dificuldades, um poste de ferro, antes de continuar o caminho na direção da floresta.

Nenhum dos outros oito teve coragem de falar nada. Seus olhares corriam de Helena para a floresta. Ouviram um som forte de metal partindo e, pouco tempo depois, um forte estrondo e mais duas árvores indo ao chão. Voltaram a olhar para Helena que parecia tensa e sem coragem de olhar para a floresta. Mais um estrondo e Kalvin apareceu jogado no chão, caído de cara na neve. Pedro rangeu os dentes e levantou-se.

—Eu vou lá.—Anunciou, já indo na direção da luta.

—Nem pense nisso!—Berrou Helena. Fios de água saíram da neve e prenderam-se com força no corpo de Pedro, prendendo-o.—Laguna e Kalvin estão arriscando suas vidas para um garoto inconseqüente estragar tudo?! Nem pensar!!

Pedro olhou furioso para Helena, por cima do ombro, fazendo força para livrar-se das cordas. Os outros sete olharam para o amigo por um instante antes de olharem para Helena, que agora parecia prestes a cair no choro. Com um suspiro demorado, Chad levantou-se, estalando o pescoço.

—Eu vou.—Anunciou o moreno, estalando as juntas dos dedos.

—Eu já disse que...

—Isso ta com cara de ser mais uma daquelas aventuras elementais...não é pra mim.—Murmurou Chad, sorrindo meio torto.—Além do mais, são só seis espadas e já temos sete aí...vou ser mais útil ajudando aqui do que nessa jornada digna de Cavaleiros do Zodíaco.

Todos olharam para o vampiro por um instante, que ainda sorria. Helena observava o moreno demoradamente, com um ar confuso, antes de suspirar. Olhou para baixo no mesmo instante em que a torrente de energia azulada cessou. O chapéu brilhou naquela mesma luz azul por um instante antes de tornar-se apenas um chapéu comum mais uma vez. A aquamaga suspirou demoradamente antes de murmurar.

—Laguna não me mataria se você ficasse, então.—Mordeu o lábio inferior e olhou para Chad por um instante, antes de voltar a olhar para baixo.

O garoto apenas sorriu e voltou o olhar na direção da luta. Lilith agora erguia Kalvin sem maiores dificuldades, como se o grandalhão fosse uma criança.

—Hey, Chad.—Disse Lilá, chamando a atenção do garoto que já se preparava para partir.—Se cuida.

—Não se preocupa...eu não morro, lembra?—Riu o garoto, piscando marotamente antes de sair correndo na direção da luta.—E encontrem logo essas malditas espadas!

E saiu correndo na direção de Lilith, chamando sua atenção, fazendo-a largar Kalvin. Por um instante os sete olhavam fixamente para a luta entre Lilith, Laguna, Chad e Kalvin. Lilith não parecia estar tendo a menor dificuldade em liquidar os três.

—Rápido, sem distrações.—Murmurou Helena, sacudindo o chapéu na direção deles. Liv olhou para ela por um instante, sem saber o que fazer antes de pegar o objeto, tremula.—Vocês devem chegar em algum lugar nas montanhas, ao norte. Procurem uma casa. A única casa naquela região. Lá vão encontrar o velho que lhes contará tudo sobre as espadas e como encontrar-las. Agora vão, rápido!

Helena soltou o chape nas mãos de Liv e levantou-se. Um a um, cada um foi tocando em uma parte do chapéu. Os olhos da aquamaga brilharam por um instante, como se ela fosse começar a chorar, antes murmurar.

—Se cuidem. E se apressem. Dependemos de vocês.—Murmurou antes de sair correndo na direção dos outros três, para ajudar na luta.

A ultima visão que tiveram foi das costas de Helena e da aquamaga transformando o gelo da fonte em água, para atacar Lilith. Logo depois disso, um forte vento começou a soprar ao redor deles e tudo ao redor sumiu como se estivessem no meio de um tornado.