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NSFW!

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Ou seja: vejam se estiverem sozinhos!


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BPOV.

Luzes
Batidas
Amare]lo
Batida
Vermelho
Batida
Extra, batida, batida
Coração, batida, batida
Batida, batida
Batida
As mãos, o cheiro, as cores, as luzes
Pessoas
Pessoas
Pessoas, batidas
Adrenalina
Bebida
Extra, batida
Batida, batida, batida, batida, batida, batida, batida, batida...

Outra noite. A mesma situação. Meu descompassado coração seguia as batidas ritmadas da música que nesse momento eu mal reconhecia. A visão turva me fazia confundir as pessoas a minha volta e as sensações que minhas próprias mãos traziam a meu corpo entorpecido. Mais mãos, outras mãos. Meu corpo não me pertencia mais. Era como sentir outra pele, outra textura, outro prazer. Viciante. Viciante como o extra.

Sentia meu corpo quente e o incessante latejar entre as pernas. Meus ouvidos letárgicos ao mundo fora de minha mente fizeram de foco o jeans que aliviava com uma fricção deliciosa quando meus quadris balançavam de um lado para o outro de acordo com o hip-hop alto demais, me deixando ofegante. Não me preocupava se essa auto-estimulação chamaria atenção de olhos alheios. Estavam todos presos demais em seus mundos.

As mãos enlaçaram minha cintura. O corpo encontrou por trás esfregando sem vergonha ou permissão seu divertimento em minhas costas - não que precisasse. Dedos apertavam a lateral de minha barriga e outros subiram para minha nuca, tentando enroscar os fios escuros e soltos para expor meu pescoço. Fechei os olhos e grunhi em deleite. Extasiante demais. A sensação logo fez com que todo o meu corpo arrepiasse dolorosamente contra o tecido que mal cobria meu torso.

A respiração quente em meu pescoço distorcia meus pensamentos. E quando os lábios encostaram em minha pele altamente sensível eu tive que gemer alto.

"Mais". Arrastado, enrolado, mas isso não o fez deixar de atender meu pedido.

Não me importava quem era. Nunca importava. Contanto que continuasse a me fazer bem. Meu corpo foi virado e o salão acompanhou. Uma risada escapou de meus lábios e logo ganhei a companhia dele. 'O da noite' – como eu me referia todas as noites como essa. A agressividade sexual tomava conta do meu organismo e tudo que eu via e queria era saciar o desejo do meu sexo exigente. Minhas costas encontraram um balcão alto, dando suporte para que O da Noite prensasse meu corpo da maneira como ele me necessitasse. Mas estava lento demais.

"Qual seu nome, gracinha?" ele abocanhou meu pescoço novamente. Nossas velocidades estavam descompassadas. Não respondi e convidei minha perna a encontrar seu quadril avançando em sua boca - que notei não ser tão preenchida, mas sábia.

A língua quente dançando na minha me fazia querer coisas irracionais como comer sua boca. Literalmente. Sua perna encontrava os pontos certos, sabendo que mesmo com roupa eu chegaria lá fácil. Minha intimidade desprevenida de calcinha me dava a maior liberdade de encontrar o tecido duro de minha calça. A mistura da dor e do prazer me fez chegar a um orgasmo rápido, com um tremor tímido porém satisfatório. Mas eu sabia que aquele seria apenas o primeiro da noite.

(…)

A fatiga mergulhava meu corpo em um estupor que eu já conhecia. O 'dia seguinte' nunca me deixava depressiva e eu agradecia por isso, pois já presenciara inúmeros leigos se arrependerem do extra por algumas lágrimas derramadas posteriormente ao uso. Não fui decepcionada. Minha respiração estava sendo acompanhada, mas isso também não me surpreendeu. Eu sabia que tinha dormido com alguém. Apesar das memórias espaças, estava claro em minha pele quente e nua sentindo o tecido do lençol úmido e o cheiro forte exalando de um quarto que não era meu. Queria um banho para lavar o que incitava minha náusea.

Abri os olhos encontrando a escuridão ainda reinando no pequeno espaço. A mão pesada no vão de minha cintura fazia o calor ainda mais insuportável. Minha garganta seca arranhou quando tentei emitir um gemido enquanto tentava lutar contra o cansaço que meu corpo sentia. De um jeito preguiçoso levantei com o apoio do meu joelho no chão. O colchão era alto, mas não tinha o 'corpo' de uma cama embaixo, era apenas aquilo. Improvisado. De alguma forma eu gostei. Nada de motéis baratos dessa vez, ou uma casa cheia que me faria esbarrar com algum parente.

Empurrei a porta de madeira roxa com tintura lascada e tateei a lateral do azulejo em busca de um interruptor. Adaptando meus olhos a luz amarela e muito baixa, um arrepio correu por minha espinha. A janela encontrada atrás do que se podia questionar ser um chuveiro mostrava que o dia ainda estava longe de chegar. Geralmente não me levantava tão cedo. Abri a torneira sem realmente parar para pensar no lugar em que estava. O lixo vazio de alguma forma me fez tentar recordar se tínhamos usado algum tipo de proteção. Eu tomava pílula, mas não se podia confiar nos 'da noite' - e se fosse ser completamente sincera, nem em mim. Levei meus dedos entre as pernas, não sabendo ou pensando em outra maneira de descobrir e não encontrei resíduos que fossem dele. Mais uma vez apelei para minha memória e as lembranças começavam a brotar.

O dedo que buscava onde me fazia querer mais, e como gemia me dando prazer. O desespero para nos tocármos encostados em uma parede desconhecida, sem nem mesmo tirar as roupas e as gargalhadas que saíam baixinho entre tropeços a caminho do quarto até então desconhecido. A imagem de onde ele mais queria minha mão, e boca e corpo saindo pelo elástico da cueca escura - o ponto máximo que o deixei controlar nossas velocidades. Como eu implorei para que parasse de brincar, provocando a extremidade que sabia estar sensível. Ele também não escondia.

As imagens ficaram turvas novamente. Olhei em volta procurando uma lata de lixo e não achei nada. A irritabilidade cresceu quando senti novamente minha garganta seca. Novamente liguei a torneira e com as mãos em concha levei uma mínima quantidade de água a boca. Meus lábios ressecados sorriram com o pequeno alívio.

O barulho de pele com pele me excitava ainda mais. Todo o ambiente me excitava. A falta de delicadeza, o jeito que ele prendia meus dois pulsos acima de minha cabeça e como estocava ainda com mais força e profundidade quando eu aumentava a pressão entre as minhas pernas, para nosso prazer.

"Porra, Bella..." meu lóbulo foi mordido trazendo outra onda de arrepios em meu corpo.

"Mais... mais forte, Edward."

Os gemidos continuaram se repetindo, fundindo com as lembranças da noite passada. Abri a porta novamente e a pequena entrada de luz no quarto me deixou perceber quem era Edward. Os traços masculinos ficavam quase despercebidos na imagem angelical. Ri para mim mesma – nada do que aconteceu poderia ser feita alguma comparação divina. O rosto limpo de barba acentuava o maxilar e o queixo, deixando sua boca escura, que estava entreaberta, mais evidente.

Empurrei com o pé para trás a porta, deixando que a lâmpada perfurasse a escuridão. Novamente o vento da janela discreta fez frio em meu corpo ainda descoberto. Procurei por alguma peça de roupa e achei minha blusa perto de uma garrafa de cerveja ainda com algum conteúdo. Depois de tentar dar um nó em meu cabelo, sentei na beirada do colchão improvisado sentindo o corpo pesar sobre meus ombros e nuca. Não era sono, apenas a fadiga costumeira. Nem que eu quisesse conseguiria voltar a dormir.

"Ei..." sua voz arrastada foi realmente escutada pela primeira vez. Parecia estar com a boca tão seca quanto eu quando acordei. Sua mão pegou a minha me fazendo olhar para trás. Edward limpou a garganta e grunhiu frustrado. "Você quem ligou a luz?"

Concordei com a cabeça e levantei desvencilhando meu pulso de seus dedos quentes. O escutei gemer mais uma vez enquanto pegava a garrafa de cerveja no chão. "Já vai?" ele perguntou. Não respondi, entrando no banheiro e esvaziando o conteúdo amarelado de cheiro forte pela pia manchada, e depois enchi de água levando a garrafa de volta para ele. Edward agradeceu e sentou escorando-se na parede enquanto eu sentava a seu lado.

"Tem problema se eu esperar amanhecer? Mais fácil pra eu ir direto pra aula..." expliquei tentando focar meus olhos em um nada na imensa parede nua à minha frente.

"Fica a vontade..." Ele estendeu a garrafa de volta antes de voltar a falar.

"Bella." O relembrei.

"Isso, desculpa." Sua voz estava perto do meu pescoço e senti seus lábios tocarem meu ombro. "Se importa se eu fumar?" Ele questionou e eu ri baixo.

"Não se você me der um cigarro também." foi sua vez de rir.

"Certo."

Depois de protelar alguns segundos provavelmente batalhando contra a ressaca que poderia estar, Edward levantou e caçou seu maço – achando-o amassado em um bolso qualquer – de Malboros e dividiu um cigarro em silêncio comigo. Peguei de vislumbre partes de seu corpo. Ele tinha um físico bonito, mas minha fadiga era grande demais para dar atenção a minha de repente excitação.

"Você estuda o quê?" ele me pegou de surpresa.

"Teologia" dei um sorriso. Eu já esperava sua próxima reação.

"Hm... E sobre o que você teoriza?" Quis dar uma de esperto.

"Qualquer merda" Dei os ombros. "O que um médico cura?" Ele riu com a lógica e então senti seus olhos em mim.

"Qualquer merda"

"Exatamente."

Eu estava agradecida que ele não teve o cinismo de manter uma conversa com promessas desnecessárias. Era amigável e sem culpa. Como dois adultos que sabiam as consequências reais de uma noite casual. Ele, assim como eu, não devia lembrar de muita coisa. E por conhecimento próprio, eu não tinha sido a única a usar algum barato ilícito na noite passada. Virei novamente a boca da garrafa contra a minha deixando que a água desobstruísse os resquícios de tudo que eu tinha bebido anteriormente.

"Você pode voltar a dormir se quiser." Comentei escutando o eco do fundo da garrafa contra o chão.

"Não, eu tinha que acordar cedo pra resolver uns assuntos em casa de qualquer maneira."

"Esse então não é seu apartamento?" Sua resposta foi uma risada baixa e seca. Olhei para o lado encontrando seus olhos de ressaca de volta para mim.

"Não" Sua mão achou a minha. "Era há uns seis meses, me mudei, mas ainda o mantenho."

Seus dedos subiram a lateral do meu braço devagar, me testando. Quer? Meus arrepios responderam as suas tentativas quando senti o contato da ponta de sua língua em meu lóbulo. A necessidade de alcançar seus lábios e provar o gosto de sua boca na minha despida de extras entorpecentes crescia. A fadiga foi logo deixada de lado, pois meus dedos coçavam por sentir todo o seu corpo nas minhas digitais.

Não paramos até nos encontrarmos em uma posição que ele pudesse me ajudar a passar a camisa por cima da cabeça. Nua novamente. O estalo dos beijos sobre a minha boca, colo e ombro. O calor do peso de seu corpo sobre o meu não deixava a temperatura desagradável, muito pelo contrário, arrepiava como gelo queimando sobre a pele. Ele se imprensava contra a minha perna a procura de alívio rápido e prematuro. Escutava sua garganta arranhar contra o meu pescoço em um som único e de fácil estimulação.

Os dedos que antes aproveitavam o caminho por minhas coxas desceram entre nós e me encontraram pronta. Eram poucos que me deixavam tão excitada sem estímulo do ecstasy, e foi o bastante para que ele deslizasse por mim tempo suficiente para que eu finalmente fosse a primeira a abrir a boca, mostrando o pouco de controle sobre meu corpo impaciente. Eu gostava de sexo, gostava do que me proporcionava e todo aquele joguinho de poder, mesmo que por meros segundos. Me deliciava quando eles se rendiam, e gostava de me render em igual quantidade de vezes. Não tinha nada de errado com isso.

"É bom que você tenha outra camisinha." Abocanhei seu pescoço com força. Mas ele teve a idéia de me sentir em volta de seu dedo médio. "Uhmm..."

"Merda..." Ele murmurou contra meu pescoço e seus movimentos foram ficando mais devagar. Parecia distraído, e concentrado ao mesmo tempo.

"Não... não pára."

Edward se ajoelhou e acatou meu pedido testando lugares que eu gemia mais alto, outros que me faziam levantar os quadris do colchão, e outros que me faziam querer chorar meu prazer. Não era de segurar tempo para que durasse mais, então quando o conhecido tremor encontrou minhas pernas, e o seu nome saiu com outras palavras aleatórias de minha boca eu rasguei um sorriso preguiçoso e grande.

Em uma noite casual, e uma manhã ainda mais imprevista, ambos eram egoístas. Portanto, quando Edward praticamente voou da cama para a mochila, provavelmente procurando uma maldita camisinha, eu não contive o riso frouxo que subia por minha garganta. Me apoiei em meus cotovelos e de relance peguei o vislumbre de um pequeno pacote com pó branco. Rolei para o lado encostando meus seios em suas costas enquanto ele ainda bufava frustrado. Beijei seu ombro e depois seu pescoço, não deixando que ele perdesse o pique.

"Já experimentou?" Ele fez menção ao pacote. Abracei sua cintura deslizando minha mão por sua barriga até encontrar os poucos pêlos, escutando sua respiração mudar apenas com a carícia singela.

"Já, e você?" O circulei com cuidado e o senti ainda muito pronto contra a minha palma.

"Também vendo." Ele já havia esquecido o que deveria procurar. "Porra..."

"Não tem camisinha?" Ele sacudiu a cabeça.

Não pensei duas vezes ao descer do colchão puxando um travesseiro azul para debaixo dos joelhos. Empurrei a mochila sem me importar, vendo como ele acompanhava antecipando minha boca em volta de si.

A graça não é o gosto, e sim as reações e a vulnerabilidade que os homens ficam ao terem lábios em volta do que há de mais precioso em seus corpos. O calor e a saliva que faz deslizar nos momentos certos, a maciez da boca, o medo dos dentes, e até mesmo o barulho engasgado quando atingem a garganta alheia. Tudo um deleite de ilusão, que por alguns minutos - às vezes segundos - eles se deixam sentir. Eu apreciava assisti-los dessa forma e ficava cada vez mais entusiasmada, e com Edward não foi diferente. Ele gostava de falar alto, clamar o que gostava, e mostrar que o que eu estava fazendo estava certo. "Isso" "Assim". Seus músculos da perna mostravam como ele se controlava para não estocar contra minha boca. Mas logo senti seus dedos segurarem meus cabelos como em um rabo de cavalo para manter o controle da velocidade e liberei minhas mãos para percorrerem seu corpo.

"Porra... isso... vai" Ele gostava dos palavrões, assim como eu.

Não foi muito depois de nossos corpos estarem colados apenas acalmando a turbulência de nossas respirações que o sol aquecendo minhas costas expostas para a janela. E logo eu já estava indo embora.

"Ok, Edward M.C, bom te conhecer." Dei um sorriso esgueirado olhando para o novo contato salvo em meu celular.

"Certo." Ele disse colocando seu aparelho no bolso antes de sacar o maço e moldar os lábios em volta de um cigarro, puxando e soltando lentamente. Por trás da fumaça, pude ver meu táxi chegar. Ele deve ter escutado o carro se aproximando pois jogou o cigarro quase inteiro no chão e se despedindo de forma tola. O gosto de nicotina em sua língua sujou a minha antes de não termos mais fôlego para continuar. "Me liga."

Aí estava a política pós-foda, ri e olhei o cigarro amassado no chão. Demorou para aparecer, mas chegou.

"Desperdiçou quase um cigarro inteiro." O taxista buzinou. "A gente se fala."

(…)

Durante as minhas quase duas décadas de existência, eu tentei muitas coisas. Dirigir foi uma delas. Um medo sem pé nem cabeça, uma fobia de apertar o peito e sufocar a garganta. O desconforto era absurdo e eu jamais conseguiria superar ou dominar as emoções que me traziam ao sentar em frente ao volante. Era como ter claustrofobia, ou qualquer outra fobia. Eu simplesmente não conseguia. Também tentei morar com colegas de apartamento, dividir aluguel, despesas e passar um tempo na companhia de alguém. Ato falho que me trouxe ao meu pequeno apartamento escondido do mundo. Era melhor assim.

Fechei a porta atrás de mim e descalcei os pés com a ajuda dos calcanhares, sentindo o carpete familiar. Liguei os dois abajures próximos a porta e joguei as coisas em cima da pequena poltrona no meio da sala. Eu não tinha lâmpadas em casa, a não ser pelo banheiro. Por isso mantinha a iluminação baixa apenas por pequenas lamparinas e luminárias por todos os cantos. Mais um motivo para manter minha individualidade. Talvez fosse um pouco de egoísmo, mas uma das minhas melhores decisões foi sair de casa e buscar um espaço que era meu. Por algum tempo eu tentei me encaixar em lugares familiares, com ambientes que eu provavelmente ficaria confortável. Mas tudo que me lembrava demais de um passado não me deixava completamente à vontade. A agonia e os ataques mostravam claramente o incômodo de quem morava comigo.

Se eu pudesse chamar o que eu tinha de solidão, eu me sentia bem com ela.

Depois de ver as últimas cinzas do cigarro chegarem ao chão, recolhi minhas pernas e me joguei na cama, novamente pronta para trocar o dia pela noite. A televisão mostrava algum reality show que não prendia minha atenção e meus olhos vagavam a tela sem focar nas imagens. Eu sabia onde isso daria. Não foi muito depois que minha mente divagou para as tardes, que em casa junto a minha mãe e minha melhor amiga, sentávamos no chão da cozinha esperando Renée retirar a massa de biscoito e nos dar para modelarmos à nossa preferência.

(...)

Verne Langdon – Fairies In The Moonlight.

Sempre muito artesanal, Renée tinha dinheiro o suficiente para se manter com pequenos hobbies como esse. Inúmeras foram as pequenas bailarinas feitas para caixinhas de música, e outra grande quantidade para ímãs de geladeira. A arte final ficava nas mãos dela, mas quem começava era eu e minha amiga. Sempre fazendo combinados de bonequinhos enquanto sujávamos as mãos. Infelizmente esse pequeno prazer foi um dia destruído por um monstro que gostava de arruinar vidas alheias por um prazer egoísta. Angela tinha sido tirada de nós muito cedo e levado consigo as notas musicais das caixinhas carregadas de inocência.

"Aquela roxa realmente deveria ter sido mais clara." Ela apareceu finalmente perto da pequena mesinha redonda com seu cabelo solto e o vestido manchado de tinta que ainda era seu preferido.

"Que roxa?" Eu perguntei, mas como sempre ela estava distraída demais para me ouvir.

"As caixinhas iriam ficar ótimas por aqui, Bells. Você passa muito tempo escutando músicas erradas." Seu rosto ainda muito juvenil, parecia não ter mudado nada, formando a velha expressão que desaprovava meu comportamento. "Eu vejo, sabia? E às vezes eu sinto saudades." Ela sorriu tristonha e me olhou segurando o pulso atrás de si.

"Eu também sinto."

"É melhor você fechar a janela, vai vir uma tempestade fria e você não vai sair seca dessa." Suas sobrancelhas eram arqueadas e preocupadas. Eu levantei rapidamente e fechei a janela e cortinas, fazendo meu quarto ficar ainda mais escuro. "Mas você não precisa ficar com medo."

E simples desse jeito, eu voltei para a cama sozinha no quarto, caindo no sono de imediato, reafirmando minha idéia de solidão. Quando acordei, porém, sentia meu corpo quente, minha testa úmida e um calor abafado sufocante. Levantei com passos fortes e subi a janela sentindo a brisa sendo empurrada contra meu rosto aliviando um pouco minha angústia. Eu me preparei para uma tempestade, mas o sol estava lá.


Como dito antes; as atualizações serão à princípio de 2 em 2 semanas. O próximo capítulo será postado no dia 01/03. Um preview será colocado no tópico no dia 22/02. Gostaram? Querem mais? Perguntas? Muito confusas? WTFiando? :D :D