Capítulo II

Choque

Por Tay_Haruno

Ao chegar em casa naquele início de tarde onde conhecera o príncipe Sasuke, a Flor levou uma bela bronca de seu pai, que não engoliu a lorota de que a rosada estava completamente suja por ter sido arrastada por um cachorro.

-Ora que cachorro é esse, capaz de arrastar uma moça grande dessa? – Esbravejou Kizashi.

Por fim a jovem ficou de castigo, nunca mais sairia a um passeio pelo vilarejo sem os pais, o que a deixou triste e de certa forma revoltada. "Tudo por causa do príncipe", mal o conhecia e ele já lhe arranjara um problemão! Mas apesar de tudo queria vê-lo novamente, mesmo sabendo que isso seria praticamente impossível, já que nunca mais poderia sair de casa.

Na manhã seguinte acordou cedinho, antes mesmo do galo cantar anunciando o alvorecer. Após fazer sua higiene matinal, vestiu seu longo vestido vermelho desbotado, de tecido mais resistente, que usava para trabalhar, prendendo o cabelo na habitual trança lateral, logo amarrando um lenço branco sobre a cabeça, dando um nó abaixo do maxilar.

Foi para a cozinha em passos lentos, tomou seu café da manhã, pediu a bênção aos seus pais e junto a eles seguiu para a lavoura, local onde trabalhavam. Kizashi levava uma enxada apoiada no ombro esquerdo, a cabeça protegida por um chapéu de palha e os pés descalços, um velho costume que possuía, dizia gostar de sentir a terra úmida em seus pés desnudos. Mebuki carregava uma sacola com adubo e Sakura seguia logo atrás deles, carregando uma garrafa com água. Chegando às lavouras, a Flor percorreu os olhos pela imensidão verde, teria que arrancar as daninhas, que prejudicavam a germinação das hortaliças, o que levaria horas de trabalho.

-Flor! – Ouviu uma voz praticamente gritar por ela.

Virou o rosto e viu que suas amigas e companheiras de trabalho acabavam de chegar; Hinata e Ino.

Hinata era uma moça doce, delicada e bastante tímida, os cabelos de fios lisos e negros caiam como cascatas sobre os ombros alvos, a pele branca contrastava com o seu cabelo, e os olhos, ah os olhos de Hinata eram belíssimos! Num tom perolado tão lindo, que Sakura sempre desejara possuir olhos daquele jeito. "Não existem olhos mais belos que os seus", era o que todos lhe diziam, porém ao olhar nos olhos de Hinata, desmentia essa tese.

Ela parecia um anjo.

Ino por sua vez não deixava de ser formosa, os cabelos eram de um loiro que não se encontrava um fio escuro, a pele branca igual porcelana, e os olhos azuis que de vez em quando tomavam um tom esverdeado, na opinião da Flor, o segundo par de olhos mais belos, perdendo apenas para os de Hinata. A moça de olhos claros como o céu era despojada, frenética e bastante faladeira, gostava de caçoar da timidez de suas amigas, e vivia a pregar peças nas pobres coitadas.

Saudou as amigas, logo caminhando entre os canteiros, agachou-se se pondo a arrancar os montinhos de folhas verdes que nasciam ali. Hinata e Ino também puseram a ajudar a Flor, agachando-se cada uma em um canteiro de terra.

-Papai disse que vamos exportar abóboras e almeirões para o vilarejo do reino vizinho – Comentou Hinata – Ouvi mamãe contar que foram atacados por Nara.

-Aburame? – Indagou Ino.

Hinata assentiu.

-Ora, imaginei que fossem uma ameaça para Senju – A Yamanaka balançou a cabeça negativamente – Não é mesmo Flor? – Olhou para a amiga de cabelos róseos, que parecia bastante concentrada em sua tarefa – Flor?

Enquanto arrancava as pequenas plantas da terra, Sakura aprofundou-se em lembranças do dia anterior, em especial em certo príncipe. Era tão estranho aquele frio na barriga só de imaginar vê-lo novamente, ansiava por outro encontro, mesmo que fosse breve, mesmo que não pudessem prosear, queria apenas vê-lo.

-O que aconteceste? – Ouviu Ino perguntar.

Ergueu o rosto, e viu que loira olhava para si.

-Hã? – Indagou atordoada.

-Estás tão pensante – Disse voltando a arrancar as daninhas do canteiro.

A Flor balançou a cabeça veemente.

-N-Não – Negou – Não é nada.

Após ouvir sua amiga gaguejar, arqueou as sobrancelhas claras, levou a mão a longa franja, colocando-a atrás da orelha, tomando cuidado para não sujar o seu rosto.

-Não me enganas, desembucha – Ordenou.

A Flor arregalou os olhos levemente, Hinata que ouvia tudo, também parou o que fazia, limpando o suor que escorria pela sua testa.

-Conte o que aconteceste Flor – Pediu Hinata, que até então não havia se pronunciado.

Sakura suspirou, será que podia contar para as duas que havia conhecido o príncipe?

-Eu... – Murmurou baixando o olhar – Eu fui passear pelo o vilarejo com a minha irmã.

-Sem vossos pais? – Indagou Ino, curvando-se na direção de Sakura.

A rosada assentiu.

-Sim – Confirmou – Mas junto com a minha irmã.

Viu as outras duas fazerem careta.

-E ela me deixou seguir sozinha por alguns minutos – Prosseguiu – E eu entrei na floresta.

Hinata arregalou os olhos, assim como Ino. Ninguém tinha coragem de entrar na floresta, pois alegavam ser encantada, quem entrasse lá, jamais sairia.

-Estás louca? – Bradou Ino – Não sabes que aquela floresta és encantada? – Olhou para os lados, certificando-se de que ninguém prestava atenção na conversa.

-Sim – Respondeu a Flor – Mas ela não parecia ser encantada e eu estou aqui diante de ti, não estou? – Indagou suspirando – Posso continuar? – Perguntou para as duas, que assentiram – Lá na floresta, eu encontrei um lago e...

-Ora, pare de enrolar! – Interrompeu a amiga loira, jogando um punhado de terra na Flor.

-Eu conheci um príncipe – Disse rapidamente.

-Um príncipe? – Indagou Hinata, arqueando uma sobrancelha escura.

A Flor assentiu confirmando.

-O príncipe Uchiha – Especificou.

Viu as duas amigas arregalarem os olhos, porém logo o espanto passou, Ino começou a gargalhar e Hinata manteve-se quieta, olhando para a Flor, que corava cada vez mais.

-Tu... – A Yamanaka tentou falar, mas logo voltou a gargalhar novamente.

-Flor, tens certeza de que era o príncipe Uchiha? – Perguntou Hinata gentilmente.

Sakura ficou emburrada, ora como elas poderiam duvidar dela?

-Sim – Assentiu – Ele se chama Sasuke Uchiha.

Ino parava aos poucos de rir, Hinata permanecia calada, e Sakura chateada.

-Tá – A loira respirou fundo – Pare de lorota, até parece que o príncipe viria até Konoha, com certeza tu foste enganada por um pé rapado qualquer – Deu de ombros.

A Flor entristeceu-se, talvez Ino estivesse certa. Hinata ao ver a feição tristonha da rosada, deu uma leve cotovelada nas costelas da Yamanaka, que resmungou de dor.

-Eu acredito em você – Disse a morena, olhando nos olhos esmeraldinos – O que conversaste com ele? – Quis saber curiosa.

Sakura sorriu.

-Bem... – Ergueu o olhar para o céu já claro, tentando lembrar se haviam conversado algo importante para que citasse – Não foi uma conversa longa, ele apenas disse que se chamava Sasuke e pertencia a família real, também perguntou o meu nome...

-Disseste teu nome verdadeiro? – Indagou Hinata.

Sakura assentiu.

-E se ele for um inimigo?! – Exclamou Ino – Não deverias ter dito teu nome verdadeiro a um estranho! – Repreendeu-a.

-Menos Ino – Pediu Hinata – Tome cuidado com estranhos Flor, sabes que isso dele ser príncipe pode ser uma...

-Mentira! – Interrompeu a outra, completando a frase de Hinata, que lhe lançou um olhar irritado – Flor, achas mesmo que o príncipe iria dar atenção a uma plebeia? – Indagou ajeitando novamente a franja.

-Eu sei – Murmurou a Flor, cabisbaixa – Mas sinto que ele me dissera a verdade – Ergueu os ombros em um gesto despreocupado.

Ino suspirou pesadamente.

-Só não digas que não avisamos – Resmungou voltando a arrancar as daninhas da terra.

[...]

As semanas passavam rapidamente, já completava exatamente um mês que havia se encontrado com o príncipe Sasuke. Ino e Hinata não haviam acreditado muito em sua história, nem ela mesma acreditava, talvez tivesse sido um sonho, entretanto quando pegou o vestido sujo para lavar a beira do rio, teve a certeza de que tudo fora real.

Numa quinta-feira, bem de tardezinha, deparou-se com seus pais que se preparavam para uma viagem, terminando de amarrar as cargas no velho cavalo. Tayuya estava deitada no sofá, parecia irritada com algo, já Sakura manteve-se de pé, escorada ao lado da porta.

-Estamos indo a Aburame, levar algumas encomendas – Disse Mebuki, enquanto arrumava um lenço vermelho sobre a cabeça – Voltaremos até o anoitecer.

Kizashi aproximou-se da filha mais velha, que ainda estava deitada, dando-lhe um beijo sobre a testa.

-Cuide de tua irmã – Murmurou para a ruiva que revirou os olhos – E Sakura – Caminhou até a moça – Obedeças tua irmã – Disse dando um beijo na testa da mais nova.

A Flor sorriu docemente.

-Sim papai – Assentiu.

Mebuki despediu-se das filhas, para logo partir junto a Kizashi rumo à cidade.

Após a saída dos pais, Tayuya levantou-se do sofá, se alongando fazendo uma careta queixando-se de dor nas costas, Sakura permaneceu no mesmo lugar, observando a irmã rumar ao quarto, trancando-se. Soltou um longo suspiro quando se viu em completa solidão, sentou-se no sofá e ficou ali, olhando para a janela. Fixou os olhos no céu azul, vendo as nuvens tomarem forma de desenhos, identificando-os, enquanto o tédio predominava.

Eis que viu um pássaro, não um pássaro comum, era bem maior do que os que costumavam voar por ali. Notou que aos poucos a ave parecia aumentar de tamanho, cada vez mais perto; foi então que percebeu que na verdade ela voava na direção de sua casa. Levantou do sofá e se distanciou, vendo que o grande pássaro se preparava para pousar na janela; erguendo as garras e aumentando a velocidade do bater de suas asas, como se parasse aos poucos no ar, até se por sobre o peitoril.

Sakura ficou estática, olhando para o falcão que parecia encará-la da mesma forma. A ave fez um barulho estranho, ainda olhando para a Flor, como se quisesse chamar a atenção da moça. Sakura estreitou os olhos e lentamente se aproximou do falcão, parando na frente do animal, porém mantendo certa distância.

-Estás me chamando? – Perguntou baixinho ao pássaro.

Temeu a irmã pegá-la falando sozinha... Ou quase sozinha, já que a tal ave parecia conseguir entende-la de alguma forma.

O falcão ergueu uma garra, enquanto se equilibrava na janela com a outra. A Flor recuou um passo, deduzindo que aquela posição fosse de ataque, mas ao ouvir a ave soar novamente o barulho como se a repreendendo por ter se afastado, tornou a se aproximar. O falcão de plumagem negra voltou a levantar a garra, e finalmente a Flor entendeu que ela queria se apoiar em seu braço, sendo assim Sakura aproximou seu braço direito do pé do falcão, que logo se apoiou, subindo no braço fino da moça, que quase não agüentou o peso da ave.

-Nossa, és pesada! – Disse ela, tentando manter o braço erguido.

O pássaro abriu as grandes asas, começando a batê-las, porém ainda com as garras presas no braço de Sakura, que foi praticamente arrastada pela a ave, que tinha muita força; acabando por tropeçar em tudo o que estava pelo o seu caminho até a cozinha, onde finalmente o falcão a soltou, pousando sobre a pia.

-Arranhaste o meu braço – Resmungou a Flor, enquanto massageava o local.

O falcão se aproximou da torneira, e bateu o bico no metal, em seguida voltando a olhar para a rosada, que não havia entendido.

-Quer água? – Perguntou se aproximando da pia.

Novamente a ave bateu o bico contra a torneira e Sakura levou aquele gesto como um pedido para que lhe desse um pouco de água, portanto abriu a torneira.

-Pode beb... – Interrompeu-se observando o falcão se por debaixo do jato de água – Você queria tomar banho? – Indagou arqueando uma sobrancelha rósea.

O falcão deixou que a água escorresse por todo o seu corpo, deixando sua plumagem bem molhada, Sakura assustou-se quando notou que uma por uma das penas negras começavam a cair, e para o seu pavor, a ave começou a se contorcer como se a água estivesse a machucando.

Desligou a torneira, cessando a água, preparou-se para pegar a ave, mas quando aproximou suas mãos, o falcão a afastou com uma bicada não muito forte, fazendo-a recuar.

E diante dos olhos esmeraldinos o animal se transformava, estalos e barulhos de ossos quebrando eram ouvidos por ela, ao mesmo tempo em que tinha medo, achava a cena um tanto nojenta.

Quando o animal – ou o que quer que fosse aquela coisa deformada em sobre a pia – estava em um tamanho nada normal, pensou em pedir socorro para a irmã, e de fato foi isso o que fez, correu até o quarto de Tayuya, batendo na porta com todas as suas forças.

- Tayuya! – Gritava enquanto olhava para a cozinha.

Segundos depois a porta foi escancarada, Tayuya estava com a cara sonolenta e um tanto mal humorada, a Flor sentiu medo do olhar irado que lhe foi direcionado, mas na hora não teve tempo para pensar, pegou no pulso da irmã e a puxou pelo corredor, atravessando a sala e entrando na cozinha.

-Ora, largue-me! – Gritava Tayuya, se debatendo.

Pararam no meio da cozinha, Sakura olhava para a pia lotada de penas, entretanto a ave não estava mais lá.

-O que diabos aconteceu aqui? – Esbravejou a mais velha.

A Flor aproximou-se da pia.

-Eu juro que tinha um pássaro aqui irmã! – Apontou para as penas – Ele estava se transformando num... Num... – Tentou achar uma palavra para definir aquilo – Num monstro! – Concluiu.

Tayuya permaneceu fitando a irmã atônita, não havia nada mais que penas que poderia ser de uma ave qualquer que sua mãe devia ter preparado para o almoço. Por fim resolveu ignorar a mais nova, ou provavelmente acabaria por matá-la ali mesmo, já que paciência não era algo que possuía.

-Estás enlouquecendo – Disse antes de seguir para o quarto.

Sakura bem que tentou insistir na mesma história, porém recebera uma porta na cara.

Voltou para a cozinha, verificou as penas onde continham algumas gotas de sangue, será que estava mesmo ficando louca?

-Senhorita Sakura – Ouviu uma voz sussurra-lhe ao pé do ouvido.

Soltou um berro, dando um pulo sobressaltada. Olhou para trás, deparando-se com dois olhos negros e um sorriso sapeca, sentiu seu corpo molenga, e quase foi ao chão, mas antes que caísse, braços fortes laçaram sua cintura fina, mantendo-a de pé.

-Sou eu – Murmurou ele, reprimindo o riso ao vê-la tão assustada – O Sasuke.

Claro que era ele, reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mas naquele momento a única coisa que lhe causara era o desespero, com certeza sua irmã havia ouvido o seu grito, e viria verificar o que havia acontecido.

-A minha irmã... – Sussurrou a Flor, ainda trêmula – Ela está em casa – Completou a frase.

Sasuke olhou para trás, mas viu uma porta fechada, provavelmente a tal irmã da plebéia não havia ouvido o grito dela.

-Vamos para um local onde ela não possa me ver? – Propôs à rosada, que assentiu.

O rapaz soltou-a aos poucos, notando que ela já podia manter-se de pé.

-V-Venha comigo – Pediu a moça, fazendo um gesto para o príncipe.

Caminharam pela casa vagarosamente, tentando fazer o mínimo barulho até chegarem ao quarto de Sakura; um cômodo simples, pouco arejado, com uma cama de solteiro, um pequeno guarda-roupas de madeira e uma penteadeira. Sakura indicou a cama para que Sasuke sentasse e assim ele fez, sentindo o colchão desconfortável, mas que Sakura já estava acostumada.

A Flor deu uma última olhada para a porta do quarto da irmã que ainda estava fechada, logo fechando a sua, girando a chave para que não pudesse ser pega com um homem em sua casa. Após trancar a porta, virou-se lentamente, deparando-se com um belo homem sentado em sua cama, trajado apenas com uma bermuda.

-Essa bermuda creio que seja do meu pai – Disse a moça, caminhando até a penteadeira e puxando a cadeira de madeira, colocando-a encostada na parede do outro lado do quarto, distante o suficiente do príncipe.

Sasuke olhou para a bermuda e riu baixo.

-Peguei no varal – Deu de ombros – Acho que não seria muito conveniente aparecer nu diante de uma donzela – Sorriu.

Ela pigarreou.

-Por que estás aqui? – Perguntou mudando completamente de assunto.

-Não é óbvio? – Indagou ele com um tom divertido – Eu vim vê-la – Respondeu mesmo assim.

Aquela ultima frase fez Sakura ficar ainda mais corada, não conseguia acreditar que o príncipe do reino mais poderoso do mundo estava ali para vê-la. Sorriu minimamente, aquilo estava realmente acontecendo? Fechou os olhos com força, temendo que quando os abrisse ele simplesmente houvesse desaparecido, mas ao abri-los novamente, encontrou-o ali, no mesmo lugar.

-Como encontraste minha casa? – Quis saber a rosada, após alguns instantes de silêncio.

-Eu a segui naquele dia após o nosso encontro – Admitiu.

A Flor arregalou levemente os olhos.

-Eu não o vi. – Murmurou incrédula.

Sasuke riu baixo, e Sakura perdeu-se naquele belo sorriso.

-Eu te segui... – Interrompeu-se tentando achar uma boa forma para explicá-la – Voando.

A rosada franziu o cenho.

-Voando? – Indagou.

Ele assentiu.

-Voando. – Confirmou.

-Não possuis asas. – Disse o óbvio.

Sasuke voltou a rir.

- Não tenho muito tempo para explicar, já que preciso ser breve, eu só queria vê-la novamente – Murmurou levantando da cama.

-Por quê? – Perguntou ela, mantendo o tom baixo – Por que quis me encontrar novamente, alteza?

Ouviu o príncipe suspirar, para então caminhar em sua direção lentamente. Permaneceu na cadeira, enquanto Sasuke parava diante de si, logo agachando-se para ficar na altura ou até um pouco menor que ela.

-Eu gostei de você – Disse a ela, que corou imediatamente.

Estavam tão próximos que conseguia enxergar nitidamente sua imagem refletida nas íris negras do príncipe, permanecia estática, as mãos agarravam as laterais do assento com força, tentava controlar o coração que agora pulsava forte em seu peito, ao notar que o rapaz, aos poucos, inclinava o corpo em sua direção, encurtando a distância de seus rostos, que estavam na mesma altura.

-Sakura! – Um grito súbito ecoou.

A Flor inclinou a cabeça para trás, puxando o ar com força. Ouviu batidas na porta, eram tão fortes que se perguntou o porquê do exagero da irmã.

-Sakura abre logo essa porta! – Tayuya berrou.

-Vá – Sasuke sussurrou levantando – Hoje à noite, deixe uma bacia cheia de água próxima a janela – Pediu, apontando para a pequena janela.

Sakura assentiu, e logo foi atender a irmã que batia insistente na porta.

-Por que demoraste tanto? – Tayuya quis saber.

A Flor tentou, mas não conseguiu impedir que sua irmã entrasse em seu quarto. Tayuya analisou cada canto do cômodo com seus olhos castanhos, tinha certeza de que havia ouvido outra voz sem ser o da irmã vindo do quarto dela enquanto ia atender a porta.

-Vá para a sala – Ordenou enquanto ainda verificava o quarto – Genma quer conversar com nós duas – Olhou para a irmã mais nova por cima do ombro – O que estás esperando? – Indagou irritada.

Sakura engoliu em seco, onde será que o príncipe tinha ido parar? Sentia-se aliviada, pelo menos Tayuya não havia o pego em seu quarto, nessas horas já estaria sendo expulsa de casa, sendo deixada na rua, sem lar... Ou estaria rumando para o reino Uchiha, para se tornar a esposa de Sasuke. Quase riu com o último pensamento.

Resolveu obedecer a sua irmã, sendo assim caminhou até a sala, encontrando Genma; um rapaz bonito até, encarregado de manter os camponeses informados sobre o que ocorria nas proximidades, trazia notícias e também correspondências de familiares distantes.

-Genma – A Flor cumprimento-o, abrindo um singelo sorriso.

Genma fez um leve aceno com a cabeça, retribuindo o cumprimento da moça. Tayuya chegou à sala, permanecendo de pé.

-O que tens a dizer? – Perguntou a mais velha ao rapaz.

O homem ponderou, a Flor o observou por algum tempo, notando que ele parecia nervoso, talvez o que tivesse para dizer não fosse uma notícia muito boa.

-Diga logo homem! – Gritou Tayuya impaciente assustando o pobre rapaz.

-Venho do norte de Konoha – Começou, desviando o olhar das moças – E não trago boas notícias a senhoritas.

Tayuya preparou-se para gritar novamente, porém antes que fizesse, Sakura aproximou-se do rapaz, tocando-lhe o ombro levemente, de modo que o fez encará-la.

-Pode dizer o que aconteceu Genma. – Disse em um murmúrio.

Ele suspirou.

-Vossos pais morreram – Sussurrou – Os cadáveres foram encontrados próximos a Aburame por um andarilho.

Os olhos esmeraldas arregalaram-se, Sakura sentiu o coração palpitar, enquanto um arrepio ruim percorria seu corpo. Lágrimas grossas acumulavam em seus olhos, prontas para escorrerem pelo rosto de menina, uma dor alastrava-se em seu peito, deixando-a sem ar.

-T-Tayuya... – Sussurrou desabando sobre o sofá – O papai e a mamãe... – Interrompeu-se, não conseguindo concluir.

Genma entristeceu-se ainda mais, sabia o quanto seria sofrido para a mais nova que apegada aos pais. Olhou para a moça mais velha que acabava de bocejar, não havia vestígio de tristeza em sua expressão, jurava ter visto um sorriso, mas não teve certeza.

-Ora, pare de chorar – Ralhou com a mais nova que soluçava chorosa – Eles não eram eternos.

A Flor imediatamente ergueu o rosto vermelho e úmido, fitou a irmã que nem uma lágrima havia derramado.

-Você... – Murmurou num soluço – Não se importa? – Perguntou a Tayuya.

A mulher revirou os olhos, levantando do sofá.

-Genma, não tens nada mais a fazer por aqui – Disse rudemente, apontando para a porta aberta – Cace teu rumo.

O homem assentiu, deu uma última olhada para Sakura que ainda chorava, para então partir.

-Já mandei parar de chorar – Bradou para a irmã, que não conseguia segurar o choro – A partir de hoje serei responsável por ti, terás de me obedecer e seguir todas as minhas ordens. Entendeste? – Indagou à Flor, que não respondeu – Entendeste? – Repetiu num grito.

Sakura assustou-se, logo assentiu em resposta a irmã.

-Pois bem, prepare um belo jantar, com o melhor acompanhamento que tiver – Disse caminhando em direção ao seu quarto – Receberei uma visita.

Ouviu o barulho da porta sendo fechada, limpou as lágrimas com o dorso da destra, tentando reprimir os soluços chorosos, levantou-se e seguiu até a cozinha, onde pegou as panelas e começou a aprontá-las para preparar o jantar.

Naquele dia teve a certeza de que viveria no verdadeiro inferno.