Despedida de Solteiro

"Hinata foi contratada para ser a moça que sai do bolo numa despedida de solteiro, mas coisas muito estranhas acontecem e ela acorda nua, num quarto desconhecido e junto com o noivo."


Adaptação da obra de Karen Kelley.

Disclaimer: Uchiha Sasuke não me pertence, mas eu pertenço a ele, e é tão prazeroso quanto.


Capítulo 2.

Por um momento, Hinata não conseguia falar. Então, de repente, explodiu como um vulcão em erupção:

— O que você está fazendo na minha cama?

A voz dele, rouca pelo sono, saiu preguiçosa:

— Eu é que pergunto, o que você está fazendo na minha cama?

— Sua cama! Quero que você saiba...

Hinata parou quando seu olhar percorreu o ambiente do quarto. Era escuro, com mobília pesada, em vez das peças avulsas mal combinadas que estavam no seu próprio quarto. Cortinas verde-musgo cobriam as janelas, em vez das de renda que ela arrematara numa liquidação.

Aquele não era seu quarto, aquela não era sua cama e... Ela olhou para o homem a seu lado na cama. Então puxou as cobertas para proteger o corpo.

— Se você acha...

Antes que Hinata pudesse terminar, a porta do quarto abriu-se. Ela ficou boquiaberta quando uma ruiva alta, elegantemente vestida, irrompeu no quarto.

— Karin! — disse o homem a seu lado.

-— Bem, pelo menos você se recorda do meu nome. Aparentemente, esqueceu-se de que hoje é o dia de nosso casamento.

O olhar dela percorreu com insolência a figura de Hinata, mas imediatamente descartou-a, como se ela fosse insignificante. Hinata sentou-se na cama, tendo o cuidado de manter o lençol apertado junto ao peito. Conhecia bem o tipo de Karin. Unhas feitas e pintadas, cabelos meticulosamente penteados, roupa de grife, maquiagem exagerada e meias de seda cobrindo as pernas esbeltas e bem delineadas.

Hinata a detestou. Mulherzinha artificial e vulgar.

Karin tinha uma expressão exasperada na face.

— Suponho que posso lhe perdoar por esta pequena indiscrição, Sasuke. Afinal, não estamos casados ainda, e tudo indica que você jamais verá esta... esta mulher outra vez. Pois, claro, ela não é de nossa classe social.

Que ousadia!, pensou Hinata, fuzilando a outra mulher com os olhos. Aquela bruxa refinada certamente merecia uma lição. Hinata não era do tipo de mulher que levava desaforo para casa.

— Mas, Sasuke, querido — murmurou Hinata com doçura, virando-se para ele. A face de Sasuke tinha uma expressão de total espanto —, você prometeu que continuaríamos nos vendo, mesmo depois que estiver casado. Lembra-se? Você disse que sua futura esposa era tão fria que podia fazer o deserto do Saara congelar e que paixão era uma palavra que ela nunca ouvira.

— Não sei o que você está tentando fazer... — começou ele. Karin o interrompeu.

— Bem, se é assim que você se sente em relação a mim, pode esquecer o casamento e ficar na cama com sua... amante.

Girando nos saltos altíssimos, ela saiu pela porta como um vendaval.

— Karin!

Sasuke começou a levantar-se, puxando o lençol com ele, deixando Hinata completamente descoberta. Ela puxou o lençol de volta para si.

— Dê-me o lençol — ordenou ele por entre os dentes. Ela meneou a cabeça.

Ele puxou-o com força.

Ela puxou com mais força ainda, sempre tentando cobrir os seios.

— De modo algum, seu grosso — disse ela.

— Se bem me lembro, você não foi assim tão recatada a noite passada — declarou ele com sarcasmo.

— Como você se atreve?

Ele avançou para ela, parando a apenas alguns centímetros de distância.

O homem tinha o rosto mais sexy que ela jamais vira, mesmo tão zangado quanto parecia estar no momento.

— Quem você pensa que é? — perguntou ele. — Não devia ter mentido para Karin, fazendo-a pensar que somos amantes. Agora, quero algumas respostas, rapidamente.

Ela perguntou-se se ele sabia que formava uma leve covinha no queixo quando ficava bravo.

— Bem? Estou esperando.

— Ela me deixou louca, fora de mim — respondeu Hinata, dando de ombros e então teve que agarrar o lençol que caíra.

— Ela a deixou louca? — As palavras seguintes foram surpreendentemente calmas: — Vamos ser honestos. Você pavoneou seu corpo diante de mim. Então meteu-se na minha cama. Minha noiva entra e a vê aqui, a meu lado, despida sob o lençol, e você diz que arruinou minha vida porque ela a deixou louca?

— Eu não fiz isso!

Os punhos dele se contraíram.

— Qual parte você não fez?

Hinata desviou os olhos dele, de repente temerosa que fora longe demais. Afinal, encontrava-se na cama com um total estranho, sem roupa alguma, e sem modo de defender-se.

— Eu não me pavoneei — começou ela, devagar. — E não sei como vim parar na sua cama. A última coisa que me lembro é do homem com cabelos louros que estava levando-me para casa. — Sabendo que, em parte, errara, acrescentou: — Certo, insinuei para sua noiva que tínhamos um caso, o que é uma mentira, mas a culpa não foi toda minha. Ela me deixou louca e eu...

— Naruto.

— Quem?

Ele encostou-se na cabeceira da cama, fechando os olhos, o cenho franzido pela concentração. Momentos depois, falou:

— Meu irmão caçula. Ele nunca quis que esse casamento acontecesse.

Ele abriu os olhos e ela desejou que ele não a olhasse daquele jeito, com olhos tão profundos e penetrantes.

— Quanto ele lhe pagou?

Por que deveria ele preocupar-se com quanto Suigetsu lhe pagara?

— Cem dólares — respondeu ela, confusa.

— E cem dólares vale arruinar duas vidas? Você poderia ter vindo a mim e contar-me sobre a proposta de Naruto. Eu lhe teria pagado o dobro para ficar longe da minha vida.

— Mas... Eu estava falando sobre meu serviço de sair do bolo, não sobre ir para sua cama. Com isso, não tenho nada a ver. Fui usada, tanto quanto você.

Ela fora um bode expiatório numa disputa familiar. Bem, estava pronta para pôr um fim no jogo. Olhando-o, notou que ele ainda parecia cético.

— Acredite no que quiser, mas acho que já tive muito de sua família por hoje. E hora de eu ir para casa, onde ainda há algum indício de sanidade.

Quanto mais rápido estivesse fora da vida dele, melhor.

— A propósito — começou ele, parecendo relaxado, ali encostado contra a cabeceira da cama —, quem disse que você tem que ficar? Até parece que a estou forçando.

Hinata estreitou os olhos. Havia alguma coisa nele. Algo que ela estava prestes a descobrir, algo tão palpável que quase poderia tocar. Então, outra vez, poderia estar imaginando coisas. E por que não de veria? Não era todos os dias que acordava na cama com um estranho.

Ela puxou o lençol, cobrindo-se mais ainda.

— Se você me der a coberta, irei embora — murmurou, empertigada.

— De jeito algum.

A cabeça de Hinata ergueu-se com altivez. Ela tinha a impressão de que ele estava começando a divertir-se.

— Bem, nós não podemos ficar aqui o dia inteiro.

— Por que não? Não tenho nada melhor para fazer. Certamente, não vou me casar mais.

Uma onda de culpa a assolou. Sem querer, arruinara o dia do casamento dele, tanto quanto seu irmão, Naruto.

— Talvez você possa ligar para sua noiva. — Hinata, na verdade, detestava a ideia. — Direi a ela que menti.

— Você não conhece Karin. Ela ficará deprimida por pelo menos um mês. Se falar com ela, somente fará as coisas piorarem — disse ele, meneando a cabeça. Então, de súbito, a encarou. — Feche os olhos.

Ela o fitou, desconfiada.

— Não se preocupe, eu não vou enfeitiçá-la. Pensei em levantar-me. A menos, é claro, que você prefira que eu não me levante.

Ele inclinou-se em sua direção.

Hinata rapidamente fechou os olhos. Podia jurar que ouviu uma risada, mas outros sons capturaram sua atenção. O farfalhar do lençol, o quase silencioso ruído de passos através do assoalho de madeira.

Sua boca de repente ficou seca.

O que eles teriam feito na noite anterior para que ela imaginasse tão bem o corpo dele nu?

Não, não podia pensar daquela maneira. Nada acontecera. Não podia ter acontecido. Aquele homem era um estranho.

— Eu disse que você pode abrir os olhos agora.

Hinata saltou ao som da voz masculina e abriu os olhos. Ele estava usando um roupão de tecido felpudo até os joelhos. Ela deu um suspiro de alívio, e então, silenciosamente, puniu-se. O que esperava? Que ele ainda estaria nu? Engraçado, mas assim que pensou nisso, uma deliciosa excitação percorreu sua espinha.

— Eu a deixarei vestir-se e então a levarei para casa de carro.

— Não será necessário — replicou ela. Quanto mais cedo desa parecesse dali, melhor se sentiria. — Eu chamarei um táxi.

— Mas eu insisto. E o mínimo que posso fazer, já que, como você disse, é tão inocente no esquema de Naruto quanto eu.

Hinata não estava certa de que ele estava sendo sincero. Podia pôr toda a culpa nela, se quisesse.

Contanto que ela não tivesse que vê-lo novamente.

Quando a porta fechou-se atrás dele, ela atirou o lençol para o lado e ficou de pé. Uma rápida pesquisa no quarto e descobriu que estava sem roupa alguma para vestir. Nem mesmo a ridícula fantasia que usara na noite anterior. Puxando o lençol da cama, enrolou-se nele num estilo sarongue, atirando a ponta final sobre o ombro nu.

Ela foi então até a cozinha. Sasuke estava de costas, as palmas espalhadas sobre o balcão, enquanto permanecia perto da cafeteira. Percebendo sua presença, ele virou-se com a indefectível sobrancelha grossa alçada em aspecto interrogativo.

Meu Deus, para que toda aquela altivez? Ele seria tão mais bonito se não tivesse aquela aparência arrogante.

Ela pigarreou.

— Parece que não tenho nenhuma roupa no momento.

Hinata enrubesceu. Se alguma vez encontrasse o irmão dele, o tal de Naruto, ficaria tentada a cometer um crime. Estava certa de que ele era o culpado que levara suas roupas.

Os lábios de Sasuke comprimiram-se, mas ele não disse uma palavra quando passou por ela em direção ao quarto de dormir. Agarrando o lençol enrolado no corpo, ela o seguiu, tentando acompanhar os longos passos.

Sasuke abriu a porta do closet e, empurrando cabides para o lado, puxou um vestido de mulher.

— Isto é o melhor que posso fazer. A menos que você prefira ir a uma loja, comprar alguma coisa.

Hinata observou o vestido azul-marinho que ele lhe estendia e olhou-o com uma expressão interrogativa no rosto.

— Por Deus, garota, não sou um travesti, se é o que está pensando. Este vestido pertence à Karin.

O pensamento não tinha sequer entrado na sua mente, mas ela não ficaria surpresa por nada que aquela família fizesse.

— Se você não quiser usá-lo, apenas diga não, mas pare de me olhar como se eu fosse uma espécie de monstro pré-histórico que engole donzelas.

— Pode ficar descansado que nunca tive medo de monstros — disse ela, tomando o vestido das mãos dele. — Isso ajudará muito. Você se importa se eu usar seu chuveiro?

— Fique à vontade.

Depois que ele deixou o quarto, Hinata foi para a única outra porta, imaginando que seria o banheiro. Abrindo-a, parou, espantada. Dentro do banheiro amarelo e branco, estava a maior banheira que ela já vira. Era do tamanho de uma pequena piscina.

Na ponta dos pés, entrou na banheira e deitando-se, deliciou-se com a água tépida. Há quanto tempo não se ensaboava numa banheira de água quente? Seu minúsculo apartamento tinha somente um chuveiro. Na maioria das vezes, a água era quase fria. Sorrindo, afundou-se na banheira e ligou as saídas de água à toda velocidade.

Sasuke perguntou-se por que ela estava demorando tanto dentro do banheiro. Consultou o relógio outra vez. Quase uma hora se passara desde que deixara o quarto. Naquele passo, não chegaria no escritório antes da hora do almoço.

Uma risada amarga escapou de seus lábios. Já avisara sua equipe de funcionários que não retornaria até o fim da semana. Programara-se para sua lua-de-mel com Karin.

Eles deveriam se casar naquela tarde e seguirem para as Bahamas na manhã seguinte. Na quinta-feira à noite, deveriam voltar para que ele não perdesse uma reunião importante na sexta, e Karin pudesse comparecer ao leilão de caridade de seu clube. Tudo fora planejado em detalhes.

Mas o destino, poderoso senhor de suas vidas, mudara tudo, com uma ajuda de Naruto, naturalmente.

Ele suspirou. Que coisa, sua vida inteira fora arranjada e Naruto conseguira arruiná-la completamente. E o que fazer se seu irmãozinho intrometido pensava que o casamento era mais uma fusão de negócios do que um matrimônio? Esta era a escolha dele e de Karin.

Naruto não se lembrava de a mãe deles haver definhado, depois que o pai falecera, não vira a tristeza e dor que ela sofrera. Sasuke lembrava-se daquilo tudo e jurou que ninguém jamais teria controle sobre suas emoções.

Sasuke bebeu o resto do café, sorrindo. Talvez tudo não estivesse perdido ainda. Karin poderia ser razoável... algumas vezes. Ele franziu o cenho. Se a situação não fosse tão séria, poderia rir. Passara a noite com outra mulher, e se a memória lhe ajudasse, a conhecera muito intimamente, embora nem sequer lembrasse o seu nome.

Não que isso lhe importasse. Uma vez que a deixasse em casa, talvez pudesse acertar as coisas com Karin. E quanto mais cedo, melhor. Sasuke caminhou em direção ao quarto. Justamente quando chegou à porta, ela abriu-se. Ele perdeu o fôlego.

O vestido azul-marinho era muito comprido e ficara bastante justo, delineando todas as deliciosas curvas da mulher ali na sua frente. Não só as curvas, mas todos os lugares certos. Em Karin, o vestido parecera chique. Naquela moça, era incrivelmente sexy. Sasuke engoliu a seco.

— Eu vim ver se você estava pronta.

— Desculpe-me por demorar tanto. Não pude resistir à sua banheira.

Uma imagem imediatamente formou-se na mente de Sasuke. Ela, deitada de costas, a água deslizando sobre os vastos seios. Bolhas de sabão aderindo ao corpo nu. As palmas de sua mão começaram a transpirar quando uma imagem de como seria o corpo dela, molhado sobre ele, lhe veio à mente.

Estranho, pensou. Seu próprio corpo estava reagindo como uma fogueira ardente. A mulher deveria ser alguma espécie de feiticeira, espargindo seu feitiço sobre homens desprevenidos.

Ele pigarreou.

— Pessoalmente, prefiro uma boa ducha. Menos desperdício de tempo—Ele passou por ela. — Se me der alguns minutos, eu a levarei para casa. — Sem esperar resposta, ele entrou no quarto e fechou a porta.

Levá-la para casa. Pois sim. Ela não precisava dele para nada.

Sr... Ela foi até a mesa mais próxima, pegou um envelope e olhou para quem estava endereçado.

Parecia que o sr. Sasuke Uchiha possuía sua própria agência de publicidade.

Ela ergueu o nariz no ar, numa pose altaneira e fez um beicinho em direção da porta do quarto onde ele estava.

— Você não vai me jogar na soleira da minha porta como um lixo de ontem. Posso muito bem ir sozinha, muito obrigada.

Ela deu um rápido telefonema e depois dirigiu-se para a porta, e para fora da vida de Sasuke, para sempre.


Hinata pegou um copo de água para tomar um comprimido anti-gripal na minúscula cozinha de seu apartamento.

Será que não conseguiria nunca mais se livrar daquela bendita gripe?

Nas primeiras duas semanas, não se preocupara muito, mas outra semana se passara. E mais outra.

Aquilo era tudo por culpa de Suigetsu. Quando ele a pagara no dia seguinte da despedida de solteiro, estava tossindo e fungando. Não somente o trabalho fora um desastre, como agora ela tinha a gripe para recordá-la de tudo que queria esquecer.

Suas pernas tremiam quando ficava de pé. Precisava ficar deitada e tomar muita vitamina C, era dito popular. Na verdade, precisava se cuidar.

Olhou para seu alvo, o sofá da sala. Amparando-se na parede, dirigiu-se até lá. Apenas alguns passos e poderia descansar.

A campainha da porta tocou e ela sentiu um aperto no estômago.

Companhia hoje não, pensou.

Se não atendesse, talvez a pessoa desistisse.

A campainha voltou a tocar, agora com mais insistência.

Com um suspiro de desgosto, ela se dirigiu à porta. Suor gotejava de sua testa. A cabeça latejava.

Se a pessoa do outro lado da porta soubesse o quanto ela estava perto de um desmaio, com certeza desistiria e a deixaria em paz.

No momento que Hinata pôs a mão na maçaneta, a campainha tocou de novo. Ela abriu a porta querendo que a visita inesperada visse seu estado lastimável e se sentisse culpada por perturbá-la.

— Puxa, Hina, pensei que você não fosse abrir — disse Ino, entrando sem ser convidada. — Achei que ficaria feliz em ver sua melhor amiga, uma vez que estive fora por um mês.

Ela pegou uma caixa de biscoitos na mesa de centro de Hinata e abriu a tampa.

Hinata teve tempo somente de olhar a caixa e o cheiro da geléia de morango do recheio a nauseou.

— Oh, meu Deus!

Ela cobriu a boca com a mão e correu para o banheiro.

Quando Hinata acabou de vomitar, Ino estendeu-lhe uma toalha e ajudou-a a voltar para o sofá. Felizmente, a amiga removera os biscoitos da sua vista.

— Meu Deus, querida, você está realmente doente.

— Não estou brincando — murmurou Hinata, tampando os olhos com a toalha.

— Você já foi ao médico?

— Não, não tenho condições de pagar um.

— Há quanto tempo está assim?

Hinata realmente gostava da amiga, mas gostaria que ela parasse de fazer tantas perguntas. Tudo que queria era ficar deitada ali e sofrer em paz. Sabia que isso não aconteceria. Ino era uma tagarela nata e, apesar de não ser muito mais velha, às vezes, agia como sua mãe. Não seria do estilo de Ino deixá-la sofrer sem obter algumas respostas.

— Não me recordo exatamente. Talvez um mês.

— Humm.

Hinata levantou um canto da toalha.

— O que isso pode significar?

— Não estou certa. Conte-me seus sintomas.

— Tudo me dá enjôo. Só de pensar em comida, meu estômago dá uma reviravolta.

— Febre? Tosse? Congestão?

Hinata meneou a cabeça, mas parou quando o movimento revirou seu estômago novamente.

— Você foi cuidadosa?

Agora, aquela era uma pergunta tola.

— Suponho que não, caso contrário, como eu ia pegar esse vírus?

Ino riu.

— Não querida, não foi o que perguntei. Eu disse se foi cuidadosa com um homem.

— Oh, não! Não, não, mil vezes não. Não posso estar grávida. Nós... ele... eu...

— Acalme-se. Isso não pode ser tão mau — disse a amiga. — Quando você ficou menstruada pela última vez?

Lágrimas encheram os olhos de Hinata. Ela fungou. Outro sinal de mudança de hormônios, porque há anos não chorava.

Não precisava fazer as contas, pois se lembrava muito bem que menstruara duas semanas antes da festa de solteiro e então, não mais. Como podia ter sido tão tola para não adivinhar? Talvez porque se convencera de que nada realmente acontecera naquela noite fatídica. Quantas vezes dissera a si mesma que tudo aquilo fora um sonho?

Ino ficou séria.

— Você quer o bebê?

Levou um minuto para as palavras da amiga atingirem seu cérebro. Alguns instantes no consultório médico e seu problema podia ser resolvido. Uma mão protetora descansou sobre o estômago.

— Sim — foi a resposta.

— Tudo bem. Você não tem que fazer nada que não queira. Conte ao pai. Talvez ele ajudará.

— Ele nem sequer sabe meu nome — sussurrou ela.

— Bem, talvez seja hora de saber.

Hinata lembrou-se dos olhos negros. Tão escuros como uma "nuvem carregada". Não era provável que ele quisesse ajudá-la, principalmente depois de que ela ter sido o instrumento que arruinou seu casamento. Por que tudo tinha que acontecer a ela?

— Não é justo — resmungou Hinata. — Tudo que deixei para ele foi Um anel na banheira.


— Tenten, quero que aquelas cartas sejam postadas hoje, sem falta — disse Sasuke, vasculhando uma pilha de papéis sobre sua mesa.

— Sim, sr. Uchiha.

— Programe um almoço com Uzumaki Jiraya* no dia quatorze. E lembre-se, não agende nenhum compromisso para os próximos dias. Nada me fará perder este casamento.

— Sim, senhor, e suas passagens para Bahamas chegaram mais cedo. Tenho certeza de que você e a srta. Karin se divertirão bastante.

Ele pegou uma pilha de folhas de papel e começou a rascunhar, efetivamente dispensando a secretária.

Sasuke empurrou os papéis para o lado e reclinou-se na sua cadeira de couro preto. Deu um sorriso de satisfação. Uzumaki Jiraya. Sua firma de publicidade correra atrás daquela conta por anos. E claro, Sasuke tinha que dar a maior parte do crédito à Karin. Fora ela quem persuadira Jiraya a entregar a conta à firma de Sasuke. E então de novo, fora Sasuke quem finalmente fizera Karin entender que tinha sido Naruto quem armara toda aquela confusão.

Naruto confessara o esquema inteiro. Reunir o irmão com a dançarina do bolo, e então fazer Karin chegar na manhã seguinte.

Sasuke levara dois meses para convencer Karin de que o casamento deles seria muito lucrativo. E agora, dentro de três dias, estariam casados. Tudo estava funcionando às mil maravilhas.

Exceto pelo contínuo sentimento de culpa que não o deixava em paz. Sabia que não era culpa sua o fato de a moça terminar na sua cama. Naruto teve que assumir a culpa por aquilo.

Entretanto, amolava-o nem mesmo saber o nome dela. Além do fato de que não fora capaz de tirá-la do pensamento. Seria mais fácil se não tivesse aqueles benditos sonhos quase todas as noites.

Sonhos eróticos, cheios de paixão. Corpos nus, suados, entrelaçados. Ele mudou de posição na cadeira, sentindo-se desconfortável.

Então o telefone tocou, interrompendo-lhe o pensamento de uma noite sensual passada com uma total estranha. Noite que nunca seria repetida.

— Sim? — respondeu ele.

— Sr. Uchiha, há uma mulher aqui querendo vê-lo, chamada Hyuuga Hinata.

— Não conheço nenhuma Hyuuga Hinata. Agende uma visita.

— Sim, senhor.

Sasuke recostou-se novamente na cadeira, os pensamentos voltando para a brincadeira de mau gosto de Naruto. Ele tiraria aquela mulher da cabeça. Ele e Karin teriam um casamento perfeito, não lhe dando razão para pensar mais na garota da despedida de solteiro.

O telefone tocou de novo.

— Sim, Tenten, o que é agora? — respondeu ele, exasperado.

— Sinto muito, mas a jovem diz que é extremamente importante falar com você.

Ele franziu o cenho. Geralmente, Tenten era muito eficiente como secretária.

— Diga-lhe para marcar uma hora.

— Bem, eu já disse isso.

— E?

— A jovem insiste que não sairá daqui até que tenha a chance de falar com você, e que se tiver que acampar na saleta de recepção, acampará.

Sasuke não se lembrava de ver Tenten tão nervosa e atrapalhada, e tinha que admitir que estava curioso para descobrir o que podia ser tão importante para alguém ameaçar passar a noite na sala de recepção.

— Tudo bem. Mande-a entrar.


Hinata umedeceu os lábios secos com a língua. Agora que o momento chegara, não estava certa se podia levar em frente sua decisão.

Não, não ficaria nervosa. Outro mês se passara. Se esperasse por mais tempo, não haveria razão para explicar seu dilema.

Pelo menos, vira a correspondência do homem antes de deixar o apartamento e lembrou-se onde o escritório dele ficava. Não podia voltar atrás agora. Não depois do que eles tinham lhe feito.

— Senhorita, você pode entrar. O sr. Uchiha a atenderá agora — disse Tenten.

Respirando fundo, ela adentrou a "jaula do leão". A face de Sasuke expressou profunda surpresa.

— Bem, devo dizer que não esperava vê-la novamente. Ela colocou uma sacola de papelão sobre a mesa dele.

— Eu trouxe o vestido de volta — murmurou em tom desafiador.

— Você não precisava ter se incomodado. Karin jamais sentiria falta dele.

— O vestido não era meu. Tinha que devolvê-lo.

— Sim. Você é muito honesta.

Ela corou fortemente e queria disfarçar o rubor. Ele não a deixava esquecer o que ela dissera à preciosa Karin.

— Isso é tudo o que você queria?

Ela sentiu-se enrubescer ainda mais. Como poderia dizer a um estranho que estava grávida de seu filho? Ajudaria se apenas ele não fosse tão absurdamente bonito e sexy.

E aqueles sonhos que a incomodavam o tempo todo? Quantas vezes acordara pensando nas mãos másculas acariciando-a, pressionando o corpo nu contra o seu? Dois corpos fundindo-se no calor da paixão. Ela fechou os olhos, gemendo.

— Você esta doente? — perguntou ele com voz preocupada. Hinata sentou-se na cadeira oposta à dele. O estômago revolveu-se só de pensar na noite que passaram juntos.

Ela abaixou a cabeça. Ino dissera que aquilo poderia diminuir o enjôo.

— Você está doente? — repetiu ele.

— Não — murmurou ela. — Apenas grávida.

— O que foi que você disse?

O espanto dele era notório. Hinata ergueu a cabeça. Sua face estava quase sem cor.

— Eu disse que estou grávida. Ele ficou silencioso.

Ela prendeu a respiração, lutando contra o crescente enjôo, enquanto esperava que ele falasse algo, qualquer coisa.

— A criança é minha?

— Não, fui fecundada por um alienígena — respondeu ela com sarcasmo.

— Acredito que eu tenha direito a algumas respostas. É claro que ele tinha.

— Sim, a criança é sua.

Sasuke levantou-se e começou a caminhar pela sala.

— Estamos no século XXI. As mulheres não ficam grávidas, a menos que queiram — Ele olhou-a diretamente. — Você nunca pensou nisso?

— Não, não pensei, todavia não era a minha intenção ser posta na sua cama, também! E desde que você declarou que estamos na idade moderna, não foi minha responsabilidade o que aconteceu.

Ela abruptamente ficou de pé com as mãos sobre os quadris. O peito arfava de raiva.

Sua raiva somente durou alguns segundos, quando o estômago começou a ficar embrulhado. Ela diminuiu o ritmo da respiração, o que não ajudou em nada.

Sasuke sequer tomou conhecimento dos sintomas dela.

— Qualquer mulher no seu juízo normal teria se preparado para a possibilidade de alguma coisa acontecer, mas imagino que você nunca...

Hinata não o ouvia mais, enquanto procurava, freneticamente, uma porta que pudesse levá-la ao banheiro. Qualquer lugar que pudesse alcançar rapidamente.

A única possível solução foi a cesta de lixo que estava ao lado de seu pé. Ela curvou-se e imediatamente vomitou. Quando acabou, percebeu que ele a estava segurando pelos ombros, muito sem jeito, batendo-lhe nas costas.

— Sinto muito — murmurou ela.

— Não, sou eu quem deve se desculpar. Eu não tinha o direito de esbravejar contra uma mulher no seu... estado. Você gostaria de deitar-se?

— Ficarei boa num momento. Todavia, eu gostaria de lavar a boca. - Ela não insinuou que ele a conduzisse até a porta do banheiro.

Sentiu-se como uma inválida pela maneira que ele segurou seu cotovelo. E a secretária olhava-a como se ela fosse um monstro de sete cabeças.

— Por favor, ficarei ótima tão logo lave meu rosto.

— Tem certeza?

Por um momento, ela pensou que ele pudesse entrar no banheiro com ela para certificar-se.

— Absoluta.

Uma espiada no seu reflexo no espelho quase a fez enjoar de novo.

O rosto estava pálido, a testa transpirando e a maquiagem borrada sob um dos olhos. Não era de admirar que a secretária a olhara com tanta estranheza. Provavelmente, pensara que seu chefe esmurrara a mulher louca que ameaçara acampar na sala de recepção.

Hinata encostou a cabeça no vidro frio do espelho. Gostaria que o dia tivesse terminado, ou melhor, que nunca tivesse começado. Uma lágrima correu pela sua face.

Oh, Senhor, não ficara grávida de propósito, pensou.

Claro, queria filhos algum dia. Sendo filha única, já passara muito tempo sonhando em ter uma grande família.

Seus sonhos não incluíam alguém como Uchiha Sasuke na sua vida. Sério e carrancudo não eram traços de personalidades ideais para o homem que seria o pai de seus filhos.

— Você precisa de alguma ajuda? — perguntou uma voz do outro lado da porta.

— Um minuto apenas — respondeu ela. A última coisa que precisava era Sasuke entrando ali.

Ela enxaguou a boca e lavou o rosto. Sacando uma escova da bolsa, deu um jeito nos cabelos. Terminou com um toque de batom nos lábios e uma pastilha de hortelã na boca.

Sasuke estava encostado na parede oposta quando ela saiu do banheiro.

— Temos que conversar, longe daqui. Venha, vamos dar um passeio de carro. Ar fresco lhe fará bem.

Ainda sentindo-se um pouco fraca, Hinata não teve forças para argumentar.

Eles não voltaram a conversar até que ela entrou no carro.

— O que você está planejando fazer sobre o bebê?

As palavras dele caíram como pedras de gelo batendo no fundo de um copo.

— Não quero abortar, se é o que você está perguntando.

Ela detestou continuar, mas suas próximas palavras tinham que ser ditas:

— Eu preciso de ajuda financeira. Não precisarei de muito, e lhe devolverei tudo tão logo possa voltar a trabalhar. Posso conseguir um lugar barato para morar. Quando esse enjôo passar, provavelmente poderei até mesmo trabalhar.

— Não — interrompeu ele, calmamente.

— Não? — sussurrou ela, espantada que ele pudesse ser tão insensível. O que ela faria? Lágrimas inundaram seus olhos.

Sua visão ficou completamente ofuscada com as próximas palavras de Sasuke.

— Nós nos casaremos.


Uzumaki Jiraya* - Eu coloquei Uzumaki por que não me recordo do sobrenome do Jiraya.


Continua...


Yoo meninas!

Fico feliz que estejam gostando da fic. Então, capítulo movimentado esse, hein? E, como assim, casar? Sasuke é tão convencional, não acho que seja necessário. Realmente essa Hinata é bem menos tímida, mas é por que ela aprendeu a não ser ao longo dos anos, como deixou subentendido ali pra cima. Quanto ao fato do Naruto ser irmão do Sasuke, bem, a personalidade dele nada condiz com a do Itachi, então resolvi optar por isso, ele ainda terá muitas participações na fanfic.

Fico feliz que estejam gostando, amei cada uma das reviews, e resolvi que farei o mesmo esquema que costumo tratar nas minhas outras adaptações. 10 reviews = capítulo novo idependente do dia da semana e tudo o mais. Que tal?

Agora vou responder as anônimas, que as outras deixo por reply:

Bonnie: Yoo hime! Seja bem-vinda! Então, muito complicada essa história toda né? Boa noite cinderela não é legal e o Naruto, realmente pegou pesado. Mas como você disse, há males que vêm para bem. Então, essa fanfic não é minha, é uma adaptação, sabe? De um livro, mas eu to com uma long SasuHina de minha autoria, chama-se Senhora Fada, se quiser ir dar uma olhada por lá. :) Pode apostar na comédia, esses capítulos ainda estão comedidos, tem um que é praticamente iláário! O que achou da Hinata grávida? E essa proposta do nada do Sasuke de se casarem? Hein? Beeijos.

Nath: Hey flor! Fico feliz que esteja gostando, a Hina nessa fic é realmente menos tímida, mas espero que goste. Beeijos.

Sue san: Yo! Fico feliz que esteja gostando, capítulo novo saindo do forno, espero que tenha gostado. Beeijos.

Akasuna no Luna: Noooossa, quantos amei's! Fico feliz que tenha gostado flor, espero que goste deste também. Beeijos.

Gesy: Você está falando do final né? Que ela descobre que caiu no boa noite cinderela? É que um chá não teria feito o que fez, aí ela só ligou os pontos. rs Espero que goste deste também, qualquer dúvida, só perguntar. Beeijos.

O resto será respondido por MP. :)

Lembrem-se: Reviews movem montanhas, ou melhor, capítulos.

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Beeijos.