Disclaimer: Inuyasha não me pertence (sério?)

Ao chegar ao local, ele viu Sango montada em Kirara, voando sobre um youkai gigantesco, tentando, sem efeito lançar seu hiraikotsu nele. Miroku, já no chão, se virava como podia com seus fudas, já que ainda tinham aldeões do vilarejo destruído por perto e ele não queria sugá-los para o kazaana. O cenário da luta era uma aldeia destruída, casas em chamas, pessoas gritando e correndo, tentando salvar suas vidas, a fumaça turvava a visão à longa distância e dificultava a respiração. Para completar, o youkai parecia ser muito resistente. Tinha uma pele grossa como a de um lagarto, mas sem escamas, a face parecia com a de um oni enorme, com dentes afiados e olhos vermelhos sem pupilas. Seu corpo era mais bestial e menos humanóide (diferente da maioria dos onis). A garras curtas e curvadas, porém mortais, derrubavam as casas remanescentes, procurando humanos para devorar.

-Kagome, fique aqui. – advertiu o hanyou, preocupado, colocando a humana no chão – Se as coisas ficarem perigosas fuja daqui, entendeu? – havia urgência naquelas palavras, era quase desespero que se via em seus olhos – Se for preciso use suas flechas, mas só de último caso. Se algo acontecer comigo, corra, não fique aqui, entendeu? – ele segurava nos braços dela enquanto falava, como se falasse com uma criancinha.

- Inuyasha, pare com isso. Nada vai acontecer com você. – ela disse preocupada, mas só de ouvi-lo dizer aquilo e pensar na possibilidade de algo ruim acontecer com ele, seus olhos quiseram lacrimejar. Por que aquilo parecia tanto com uma despedida? Segurou o impulso de deixar as lágrimas caírem e o fitou para ver uma expressão triste em seu rosto. Ele a olhava como se fosse a última vez. Gostaria de lhe falar que se ele se transformasse em youkai ela devia plantar uma flecha em seu peito sem hesitar, mas pareceria demasiado estranho, ela se indagaria como ele sabia disso.

Ele puxou a humana contra si de forma repentina, quase como quando ela saíra do poço, e a envolveu com seus braços. Mas este abraço desesperado, mostrava tristeza e tinha um amargo sabor de despedida. A jovem retribuiu com a mesma intensidade, neste momento desejando que ele não partisse. Sentia em seu coração que algo ruim aconteceria e Inuyasha sabia disso.

- Hey, uma ajudinha viria a calhar! – gritou Miroku, enquanto tentava desviar dos enormes punhos do youkai, que golpeavam a terra em vez dele.

Inuyasha se separou de Kagome e, fitando-a uma última vez, partiu em direção ao inimigo, já empunhando a Tessaiga. O oni olhou para ele, depois foi em sua direção rapidamente, o corpo imenso e pesado estremecia o chão. Inuyasha ergueu a grande alabarda em forma de canino e os ventos de youki começaram a rodear sua lâmina:

- Kaze no... – mas antes que ele terminasse a sentença, o oni segurara a espada com uma das gigantescas mãos. Segurava a lâmina, mas esta não feria sua pele espessa. Inuyasha forçou a lâmina contra a mão do monstro, sem conseguir sequer arranhá-lo, ou livrar a arma de seu agarre. Fez uma força sobre-humana para mover a arma do lugar, mas só funcionou eficientemente depois de Sango jogar seu hiraikotsu contra a mão do mononoke, fazendo-o afrouxar levemente o aperto; mas fora suficiente para que o híbrido conseguisse se libertar.

A ira do youkai parecia ter se voltado para a exterminadora. Fitou-a raivoso. Depois, lançou em enorme e pesado punho em sua direção, do qual Kirara não pôde desviar a tempo. Ambas, exterminadora e nekoyoukai, foram lançadas contra as árvores do bosque próximo.

- Sango! – o monge gritou quando viu a cena. – Maldito! – esbravejou, tirando o selo da mão amaldiçoada – Inuyasha, não fique na frente. Vou sugar este monstro com meu kazaana. – avisou, pronto para tirar as contas sagradas da mão.

O hanyou abriu caminho para o monge, que tirou o selo da maldição e um vento extremamente forte começou a sugar tudo para dentro do buraco negro em sua mão. O oni se surpreendeu com a rajada de vento fortíssima, então se segurou no chão com as garras, com todas as suas forças. O chão cedia sobre seus pés e a terra solta também era sugada junto com o resto. Vendo-se quase sendo engolido pelo kazaana, o demônio olhou para os lados, como se procurasse algo. Sorriu sinistramente quando viu um pequeno youkai kitsune abaixado ao chão, com a cabeça coberta pelas pequenas mãos, tremendo incontrolavelmente. Ergueu uma das enormes mãos com garras e, mantendo a outra no solo, lutando contras as rajadas de vento. Agarrou o pequeno youkai, que gritou histérico.

- Vai sugar seu amigo? – disse sobre o som quase ensurdecedor da ventania, sacudindo o youkai em frente a si mesmo.

- Miroku! Feche o kazaana! – Inuyasha gritou de onde estava. O monge viu então Shippou nas garras do demônio e rapidamente tornou a selar a maldição, parando assim a força que puxava as coisas para ele.

Diversos objetos que jaziam ainda no ar, caíram ao chão ruidosamente assim que o kazaana foi fechado. Shippou ainda se debatia e chorava nas mãos do youkai, tentando inutilmente escapar. O demônio olhou zombeteiramente para o monge, enquanto sacudia novamente o kitsune:

- Sabia que não machucaria seu amiguinho. – disse o monstro – Os humanos são tão previsíveis... E tão estúpidos! – acrescentou, gritando a última frase e lançando Shippou em direção a Miroku com tremenda força que ambos foram lançados longe.

- Miroku! Shippou! – chamou Inuyasha, mas não obteve resposta. Fitou furioso o oni. Aquela cena também era conhecida, também havia sido assim da outra vez. Tudo se repetia e ele não podia fazer nada – Seu maldito! – gritou erguendo a Tessaiga.

O youkai, tentando impedir que ele usasse o poder da espada, tentou acertá-lo com as enormes garras. O hanyou conseguiu saltar a tempo e escapar do golpe e, ainda no ar finalizou o ataque:

- Kaze no kizu! – o ataque acertou em cheio o youkai, que se encolheu protetoramente, sendo atingido nas costas. Inuyasha pousou no chão e ficou esperando a poeira baixar para ver o que fora feito do inimigo. Não se impressionou ao ver que só alguns arranhões formaram-se em suas largas costas, protegidas pela camada mais grossa de pele – talvez pudesse ser chamada melhor de couro do que de pele. Fora como da primeira vez que o enfrentara. Sem se dar por vencido porém, correu novamente em direção ao demônio, espada erguida sobre sua cabeça, preparando outro ataque.

O oni rapidamente se virou para ele, o fez tão rápido que o hanyou mal viu que um enorme punho vinha em sua direção acompanhando o movimento do corpo do youkai. Apesar de grande, ele conseguia ser bem veloz. Mas o alvo não era Inuyasha, e sim a Tessaiga,. A katana foi arrebatada da mão do hanyou e voou para longe, sumindo em meio à floresta.

Inuyasha fitou incrédulo o caminho aéreo feito pelo canino de aço, não aceitando que novamente caía no mesmo truque do youkai. Cogitou a hipótese de ir atrás da Tessaiga, mas para isso teria que abandonar a Kagome e seus amigos desprotegidos. Não poderia fazer isso.

- Hanyou. Matarei você e depois devorarei seus amigos um por um. – a voz do oni o fez despertar dos pensamentos e ele encarou o inimigo, estreitando os olhos.

- Não se eu acabar com você primeiro. – retrucou, lançando-se ao oponente, com nada mais que suas garras. O youkai riu dele.

- Agora que não tem mais sua espada, não pode me fazer nada. – em seguida pegou o hanyou no ar, envolvendo-o com apenas uma das gigantescas mãos.

Inuyasha gritou ao sentir seus ossos serem comprimidos pelo aperto mortal dos dedos do os dois braços presos não podia nem ao menos tentar usar suas garras para fugir – embora não fosse fazer muito efeito naquela pele grossa que o oni apresentava.

- Inuyasha! – chamou a preocupada voz de Kagome. A humana saiu do abrigo em que estava e armou uma flecha, apontando para o youkai – Largue ele! – ordenou.

O youkai gargalhou, fazendo pouco caso. O hanyou em sua mão se via desesperado agora:

- Kagome! Não enfrente ele! Fuja! – gritou, alertando a jovem.

- Não vou deixar você aqui! – ela retruca. Retesou o arco até o fim e lançou uma de suas flechas purificadoras, que passou a centímetros da cabeça do youkai.

Este arregalou os vazios olhos vermelhos depois que sentiu a energia purificadora passar rente a seu rosto. – "Uma miko?" – pensou, franzindo o cenho. Ele devia se livrar dela, ou ela se tornaria um perigo. Sorte ter mira ruim. Com a mão livre pegou os restos de uma casa do vilarejo destruído por ele e os lançou na humana.

Kagome correu rapidamente para o lado e por pouco conseguiu escapar dos destroços, que derrubaram duas árvores atrás dela.

- Kagome! – gritou o hanyou. O oni já preparava mais alguma coisa para jogar contra a garota antes que esta pudesse ter tempo de lançar outra flecha. Mas ele parou quando sentiu algo em sua mão. Fitou o hanyou que o mordia ferozmente. Já que não podia usar as garras, cravou os dentes na mão do youkai.

O demônio se irritou e por fim o jogou com toda a força contra algumas árvores. Em meio aos troncos caídos e destroços, não se via o híbrido em parte alguma.

- Inuyasha! – Kagome gritou.

O oni se virou novamente para ela – Agora vou acabar com você, miko! – disse, dando dois passos em direção à ela.

- Não se aproxime dela! – o youkai novamente se virou, vendo o hanyou levantar-se debilmente do meio dos troncos.

- Ainda está vivo? Mas não será por muito tempo. - ameaçou.

Inuyasha correu até ele e tentou atacar com suas garras:

- Sankon Tessou! – nem chegou perto de ferir o inimigo. Em vez disso conseguiu levar outro golpe e ser novamente lançado ao chão. Kagome assistia horrorizada e impotente. Pegou outra flecha em suas costas e a preparou para tentar outro disparo contra o youkai. Mas uma coisa a deteve, a mesma que também deteve o oni.

Inuyasha se levantava do chão de maneira lenta e cambaleante, mas estranhamente sinistra. O corpo pendia para frente e não se podia ver seu rosto, que estava encoberto pelos longos fios pratas que lhe caíam sobre a face. Os braços ficavam soltos sobre seu corpo, acompanhando o lento movimento que fazia, como os de um boneco de pano. Uma forte energia começou a rodeá-lo. Levantou-se por fim, revelando olhos tão rubros quanto os do youkai que enfrentava, estrias roxas apareciam em cada lado do seu rosto e os caninos pronunciados emolduravam um sorriso sinistro.

Em seu interior o hanyou lutava contra aquilo, lutava contra seu sangue youkai... e perdia. Sentiu a transformação ocorrendo, mas não conseguiu pará-la. Decidiu acabar primeiro com o youkai e depois pensaria nisso, afinal, era o youkai ou ele. Não obstante, correu em direção ao inimigo, demonstrando grande velocidade, diante da face incrédula do youkai, que não conseguia entender como aquele hanyou se convertera de uma hora pra outra em youkai completo. Inuyasha saltou até a altura do campo visual do oni.

O inimigo fez menção de mover um punho em sua direção, mas antes que tivesse tempo de terminar o movimento, o 'hanyou' avançou com as garras diretamente para os olhos do youkai. Kagome tapou os próprios olhos para não assistir a cena, mas ainda ouvia os gritos do youkai, que agora cambaleava desorientado. De ambos os olhos – que agora não passavam de dois grandes buracos ocos - jorrava o espesso líquido carmim, parecendo a sinistras lágrimas de sangue. Inuyasha estava de pé em cima da cabeça do enorme oni, tinha um sorriso sarcástico no rosto e, Kagome podia jurar, ele estava rindo.

O oni porém, não desistira de lutar, e tentava a todo custo pegar o hanyou, tateando cada ponto onde ouvia algum som. Por fim, depois de 'brincar' um pouco com o inimigo, Inuyasha deu outro ataque de suas garras, desta vez no pescoço do youkai, onde a pele era mais fina. Um guincho monstruoso e mais alguns litros de sangue derramado precederam o som da queda da enorme criatura, assim como o tremor causado pelo corpo gigante chocando-se contra o chão da floresta.

Alguns segundos de completo e angustiante silêncio depois, Kagome finalmente conseguiu erguer a cabeça e fitar Inuyasha. Este, estava parado, olhando fixamente em sua direção com aqueles olhos rubros, assim como o sangue em suas mãos. Mas ele não parecia estar olhando para ela, seu olhar não era só vazio por estar na forma impiedosa de uma criatura que só desejava sangue, mas sua mente não parecia estar ali.

- "Mate-a! Mate mais! Eu quero mais sangue! Mate a garota!" – aquela mesma voz que o hanyou se lembrava de ter ouvido antes falava dentro de sua cabeça.

- "Não! Não quero ferir Kagome! Me deixe em paz!" – retrucou internamente.

- "Você sabe que quer! Eu quero sangue! Nós queremos! Mate-a!" – repetiu a voz em tom constante, fazendo um eco em sua cabeça.

- "Quem diabos está falando isso?!!" – gritou em pensamento.

- "Eu sou você! O youkai em você! E eu sei e nós sabemos que o sangue youkai é mais forte que o humano! Você sabe que quer fazer isso! Isso é ser um youkai! Mate-a!" – respondeu a voz que soava com a que ele possuía quando transformado, mais grave e distante.

- "Não! Eu não sou você! Eu não sou assim! Não vou matar Kagome!" – era como se duas personalidades entrassem em conflito dentro dele, dois tipos diferentes de sangue, duas forças opostas. Era inegável que a outra voz era dele próprio, seu lado negro que se manifestava como se fosse uma pessoa distinta. Mas ele não se daria por vencido tão fácil, não se deixaria levar por seus instintos novamente.

Kagome deu dois passos hesitantes em direção ao hanyou, que agora estava ajoelhado no chão com ambas as mãos na cabeça, como se estivesse fazendo um enorme esforço mental. Ele se debatia inquieto e mantinha os olhos fortemente fechados, suas mãos tremiam vez por outra. A garota não sabia o que estava acontecendo com ele. Aproximou-se, ficando a questão de uns quatro metros dele:

- Inuyasha. – chamou suavemente.

Ele lentamente ergueu a face sôfrega para fitá-la. Os olhos vermelhos se ofuscavam e por trás deles podia-se ver os orbes dourados enevoados, como se estivesse entre a consciência e a insanidade. Por um instante eles se tornaram totalmente vermelhos e o hanyou fez um movimento de que ia atacá-la, ao que a humana se encolheu instintivamente. Mas ele conseguiu se conter e novamente voltou ao conflito interno:

- Não!! – gritou em um dado momento, ao que Kagome não entendeu o por quê. Ele estava respondendo à voz em sua cabeça. – Kagome... – a chamou, a voz cansada, instável, não sabia até quando conseguiria se controlar. A jovem o fitou e viu que os orbes estavam quase de volta ao dourado, mas ainda tinham uma 'névoa' vermelha sobre eles – Fuja daqui... Saia daqui agora... Vá! – o dourado de seus orbes novamente falhou e voltou à instabilidade ficando às vezes totalmente brancos.

- Não! Não vou deixar você aqui! – retrucou Kagome, firme. Por quê? Por quê ela tinha que ser tão teimosa? Pensava ele. Destemidamente ela se aproximou ficando a menos de meio metro de distância e se abaixando para ficar da altura do hanyou, que ainda estava de joelhos lutando contra a transformação. Ela levou uma mão até ele, mas ele fugiu de seu toque com o pouco de sanidade que ainda tinha, era muito arriscado.

- Inuyasha... – ela disse novamente, a voz querendo falhar, ás lágrimas ameaçando sair, não era fácil vê-lo naquele estado e não fazer nada. – Eu sei que você pode, sei que consegue lutar contra isso. – sem pensar uma segunda vez, a humana o abraçou com força para que ele não pudesse afastá-la novamente. Não tinha medo de morrer. Não se fosse para que ele voltasse ao normal. – Por favor, não desista... – às lágrimas já saíam livremente agora – Eu sei que você consegue.

Durante um tempo ele ficou imóvel. As mãos erguidas em direção a humana, com as garras apontadas para ela, porém sem fazer qualquer movimento ofensivo. Ela ainda o abraça com força, os olhos fechados, esperando pelo que quer que viesse a seguir. Logo ela pôde ouvir as batidas do coração dele começarem a ficar mais lentas e seu corpo se relaxou mais, como se estivesse finalmente se acalmando.

- Kagome... – era a voz dele, a voz normal, só que mais doce e suave do que o habitual. Ela ergueu o rosto para fitá-lo e ver novamente aqueles olhos dourados que ela tanto gostava, ele a fitava com carinho e ternura e ela se sentiu radiante por tê-lo de volta. Ele parecia esgotado, lutar contra si mesmo consumira quase toda sua energia, mas apesar disso apresentava um ínfimo, quase imperceptível sorriso. Ela estava viva, ele não a matara, conseguira driblar o destino e não perdera Kagome de novo. Retribuiu finalmente o abraço dela, puxando-a mais para si. Ficaram assim um tempo, abraçados, desejando que aquele momento fosse eterno, mas lembraram-se de seus amigos feridos, que precisavam de sua ajuda, e tiveram que se separar por hora.

OoOoOoOo

Miroku, Sango e Shippou se recuperavam dos ferimentos da batalha na cabana da velha Kaede. Kirara não se ferira muito, mas também repousava ao lado de sua dona. Inuyasha e Kagome os haviam inteirado do que aconteceu desde que eles ficaram inconscientes durante a luta. Eles apenas lamentaram não poderem ter ajudado mais. O hanyou chamara a jovem miko para que o acompanhasse até um lugar e deixaram seus amigos sobre o cuidado de Kaede.

- O que é Inuyasha? – Kagome perguntou curiosa, enquanto ele a guiava até a floresta.

- Você verá. – respondeu enigmaticamente. Ao chegarem ao pé de uma alta árvore o hanyou a pegou nos braços, sem aviso, e rapidamente deu um impulso até um dos galhos mais altos. Kagome se surpreendeu um pouco, e falou assim que eles já estavam encima da árvore:

- Poderia me avisar quando fizer isso de novo? – disse, fazendo falso ar indignado. Ele apenas riu e depois apontou uma direção no horizonte. A humana virou-se para fitar o mais espetacular pôr-do-sol que já vira. Ela ficou momentaneamente sem palavras. Depois, finalmente encontrando sua voz, disse – É lindo...

- Achei que ia gostar. – respondeu com um pequeno sorriso de canto. Depois sentou-se no galho grosso e forte e a pôs à sua frente, no mesmo galho, tomando cuidado para que não caísse. Ela se recostou nele, fitando o pôr-do-sol, enquanto ele passou os braços em volta dela, mantendo-a próximo de si. Ficaram assim um tempo, apenas contemplando a paisagem e usufruindo silenciosamente a companhia um do outro. Até que Inuyasha finalmente quebrou aquele silêncio:

- Kagome. – chamou. A humana virou-se brevemente para encará-lo – Quando eu estava transformado... Por quê você não usou a kotodama? – essa era uma pergunta que o atormentava a um certo tempo.

- Bem... – ela começou, buscando as palavras certas para começar – Eu queria que você pudesse se controlar sozinho. Se eu usasse o kotodama, como você poderia saber se pode ou não controlar sua transformação? – explicou calmamente.

- Você é maluca, sabia? – ele disse, incrédulo – Podia ter morrido! – sentiu uma pontada em seu coração quando lembrou o fato que já havia acontecido antes na verdade, mas tentou ignorar tal sensação.

- Mas não morri, eu estou aqui e é isso que importa. – ela disse, novamente dando-lhe as costas e encostando-se em seu peito. Ele a abraçou novamente, mas ela ainda disse, sem se virar – O que foi estranho...É que você parecia saber que alguma coisa ia acontecer antes do começo da luta... – ela disse pensativa.

- Não seja boba. Como eu poderia saber? – disse, simplesmente. Não era necessário contar tudo o que ocorrera antes, saber que já havia morrido uma vez poderia deixá-la muito confusa.

Ela franziu o cenho ao ouvi-lo chamá-la de boba, mas deixou passar – É. Como poderia saber... – pronunciou baixo, dando-se por satisfeita com aquela resposta. Deveria ser apenas uma coincidência, afinal.

Depois voltaram a cair no silêncio. A bela visão que a natureza os brindava e o fato de estarem ali, juntos, já bastava para que nenhuma palavra mais precisasse ser dita.

Owari

Fim. Acabou a fic. Ela era mesmo curta (e isso eu já avisei no capítulo anterior). Fiquei muito contente com os resultados que obtive com esta fic. Só acho que o final poderia ser mais composto, eu poderia ter escrito mais algumas palavrinhas... Mas isso não mudaria nada. Então, espero que tenham gostado do desfecho da história. Agradeço muito pelos comentários.