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CAPÍTULO 1. "This is the end"
Os corpos das vítimas ainda estavam sendo recolhidos no Grande Salão de Hogwarts, para onde haviam sido levados, em sinal de respeito. Haveria um funeral coletivo para os heróis de guerra. Assombrava-lhe a idéia de que o corpo do professor de poções ficaria abandonado na Casa dos Gritos. Logo ele, que ceifara sua vida, abdicara de sua alegria, dividido em uma vida dupla que o condenava ao descrédito eterno, de ambos os lados. Ele era também um herói, talvez o maior, e merecia ser velado junto aos outros, reconhecido ao menos após a morte.
Hermione precisava resgatar o corpo do professor, sentia que lhe devia isso. Durante os anos como sua aluna, aprendera a respeitá-lo, mesmo quando ele lhe dirigia comentários mordazes. Mais do que isso, aprendera de certa forma a amá-lo, embora ainda não pudesse admitir isso totalmente. Sua inteligência sagaz a encantava, sua voz profunda, desde o primeiro dia de aula quando falava da sutil arte do preparo de poções, causava-lhe arrepios, temerosos e desejosos. Mas eram agora apenas lembranças remotas e tristes, para serem guardadas a sete chaves em seu coração. Ele se fora e com ele, parte do que ela tinha de mais doce. Precisava resgatá-lo, despedir-se.
Pediria a Harry que a ajudasse, se ele não estivesse tão afetado por suas perdas. E, também, não saberia se ele a atenderia. Ainda não havia conseguido assimilar os eventos que havia visto na penseira, que ligavam de forma muito intensa Snape e sua mãe, Lilly. E a mágoa que sentia pelo professor não seria tão facilmente apagada, pois este fizera de sua vida um verdadeiro inferno durante seus anos em Hogwarts.
A família Weasley a ajudaria, certamente, mas como pedir a eles? Não poderia, não agora. A Professora McGonagall estava sobrecarregada com a organização dos funerais e com a recuperação de Hogwarts, para abertura no próximo ano letivo. Novos professores precisariam ser contratados, novos alunos chegariam e um novo tempo seria anunciado na escola.
Hermione sentia-se perdida, mas decidiu que carregaria o corpo de Severus Snape nos braços se fosse preciso. Só precisava que alguém a acompanhasse até a Casa dos Gritos. Decidida, caminhou em direção às pessoas que se movimentavam no Grande Salão. Alguns corpos ainda permaneciam ali à espera de remoção. Ao lado de um deles um homem magro, com as roupas puídas e amassadas, encontrava-se ajoelhado.
"Prof. Lupin", Hermione falou baixinho, reconhecendo-o. Certamente aquele era o corpo de Tonks. Lágrimas cobriam o rosto do homem, misturadas a sangue e poeira. Ele olhou para cima e viu Hermione, porém não conseguiu falar. Ela ajoelhou-se ao seu lado, passando um braço sobre seus ombros caídos e, finalmente, deixou as lágrimas rolarem. A batalha acabara afinal. Sem vencedores.
A sua dor ao contemplar aquela cena era atroz. Por Mérlin, ninguém tinha o direito de destruir uma família assim! Mas nem de longe podia alcançar o que se passava no coração do Prof. Lupin. Era um homem tão íntegro, bondoso, devotado, mas nada do que conquistava parecia reter-se em suas mãos. Agora era a mulher de sua vida que fechava os olhos para o infinito.
Tudo o que é sólido se desmancha no ar, pensava a garota ao olhar em volta e a melancolia lhe tomava conta. O professor finalmente puxou o lençol e cobriu o rosto da esposa morta. Não havia nada que eles pudessem fazer. Precisava seguir com sua vida, tinha um filho para criar. Pegou a mão de Hermione e levantou-se, fazendo com que ela o acompanhasse.
Já em pé, Remus virou-se para ela e segurou-lhe o queixo, levantando o rosto banhado em lágrimas para ele. Ela estava desolada demais, pensou. "Srta. Granger, você está ferida?"
"Não professor" respondeu ela enxugando as lágrimas com as costas da mão. "Professor Lupin, preciso da sua ajuda". Ele não falou nada, apenas a fitou.
"Professor, o corpo do Prof. Snape... precisamos pegá-lo na Casa dos Gritos... eu sei que não tenho o direito de lhe pedir isso... mas eu... eu preciso que alguém me ajude..."
Lupin apertou os olhos pensando na dificuldade da tarefa, Snape não tinha sido até então um exemplo de colega. Mas, afinal de contas, preparara-lhe durante meses a poção do mata cão para que pudesse lecionar em Hogwarts, e agora vinha à tona sua inocência e seu heroísmo. Precisava atender o pedido da aluna. Também precisava se redimir. "Sim, Srta. Granger, eu a ajudarei. Mas tem certeza de que quer me acompanhar? Talvez não seja apropriado para uma aluna..." Ele disse, hesitante.
"Tenho certeza professor, quero ir junto. Devemos isso a ele, quero estar lá.
Remus Lupin apressou o passo, sendo acompanhado de perto por Hermione que quase corria para alcançá-lo. Nao entendia racionalmente o porque da pressa, mas seu coração apertado a fazia correr tanto que ultrapassava o professor.
Chegando ao lado de fora dos portões de Hogwarts podiam finalmente aparatar. "Temo que seja mais rápido e seguro fazermos uma aparatação acompanhada," disse o professor. Hermione assentiu com a cabeça, ainda ofegante pela corrida. Ele aproximou-se e a segurou pela cintura, um abraço que, mesmo nessas condições, afagou-lhe um pouco coração.
Logo Hermione sentia um aperto no umbigo, os dois rodaram e logo estavam no portao da Casa dos Gritos. Lupin adiantou-se à frente de Hermione. O que quer que tivesse acontecido com Snape não deveria ser algo muito agradável de ser visto pela menina. Hermione seguiu logo atrás dele. Sentia a apreensão do professor, mas ela já estivera neste lugar e já vira o corpo de Severus Snape sem vida no chão. Nada poderia ter mudado, poderia? Quando chegaram na entrada da casa ela segurou-o pelo braço, fazendo-o parar.
"Professor... obrigada por me ajudar, mesmo depois de ter perdido..." Ela não conseguiu continuar. O rosto do professor estava contorcido pelo sofrimento. Ele apenas assentiu com a cabeça e disse "Severus Snape foi, dentre todos nós, o mais corajoso. Eu devo isso a ele. Pelo menos em sua morte ele vai ter o reconhecimento e a consideração que não lhe dispensei em vida".
Dizendo isso, Lupin entrou e olhou ao redor, tentando se acostumar com a penumbra. Procurou pelo corpo de Snape e não o encontrando voltou-se para Hermione que se encontrava logo atrás.
"Hermione, onde ele está?" disse ele. Hermione olhou para o chão onde deveria estar o corpo do professor, mas só havia um rastro de sangue. Ela seguiu as marcas pelo chão até um canto do aposento, onde um vulto negro encontrava-se encolhido.
"Será possível... não, não... Snape não estava morto quando Harry o deixara?" Pensou desesperadamente, Hermione. Ela correu até o vulto e ao perceber que ele respirava com dificuldade extrema começou a puxar suas vestes, para ter acesso aos seus ferimentos.
"Professor Lupin... venha até aqui" pediu, mas era desnecessário. Lupin já estava ao seu lado e começara a ajudá-la com as vestes de Snape. "Ele está vivo... ele está vivo... como é possível??" quis saber ela, chorando de alívio.
"Nao importa agora saber como, precisamos ajudá-lo!" Disse Lupin, enquanto fazia um feitiço de limpeza do sangue e começava outro que mais parecia uma canção, passando pelo comprimento da fenda que lhe rasgava o pescoço. A ferida enorme aberta no pescoço de Snape parecia esboçar alguma melhora, mas de maneira nenhuma fechava. Com certeza o veneno de Nagini era muito mais poderoso do que ele imaginava e do que esse feitiço era capaz de curar. "Mas que droga, é óbvio que não funciona! Como pude ser tão ingênuo?"
Hermione desesperada com a situação, via apenas uma fenda dos olhos negros de Snape, ele já quase não aguentava mais. "Prof Lupin, o senhor já tomou as primeiras providências, mas agora precisamos levá-lo ao St Mungos imediatamente!!!"
"Sim Granger, preciso de sua ajuda com a aparatação, ele está muito fraco. Voce é capaz de fazer isso comigo?"
"Claro, estou pronta!!!" E virando-se para Snape que mantinha ainda, com um bravo esforço, um fio de consciência ela disse, mais para si mesma do que pra ele. "Aguente firme Prof Snape, só mais um pouco, o senhor não pode morrer agora."
O título do capítulo: "This is the end" faz referência à música "The end" (The Doors – Jim Morrison)
This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?
Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us ?
The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
"Father ?", "yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"
C'mon baby, take a chance with us
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock, On a blue bus
Doin' a blue rock, C'mon, yeah
Kill, kill, kill, kill, kill, kill
This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end
Este é o fim, caro amigo
Este é o fim,
Meu único amigo, o fim.
De nossos planos elaborados, o fim
De tudo que está de pé, o fim
Sem segurança ou surpresa, o fim
Nunca vou olhar em seus olhos outra vez
Consegue imaginar como será
Tão sem limites e livre
Desesperadamente precisando da mão de algum estranho
Em uma terra de desespero
Perdidos numa imensidão romana de dor
E todas as crianças estão loucas
Todas as crianças estão loucas
Esperando pela chuva de verão
Há perigo nos limites da cidade
Siga pela estrada do rei, baby
Cenas misteriosas dentro da mina de ouro
Siga pela estrada do oeste, baby
Monte a cobra, monte a cobra
E siga para o lago, o antigo lago, baby
A cobra é comprida, sete milhas
Monte a cobra
Ela é velha e sua pele é fria
O oeste é o melhor
O oeste é o melhor
Venha para cá e faremos o resto
O ônibus azul está nos chamando
O ônibus azul está nos chamando
Motorista, para onde você está nos levando?
O assassino acordou antes do amanhecer
Calçou suas botas
Pegou um rosto na antiga galeria
E seguiu pelo corredor
Ele foi até o quarto onde sua irmã morava
E então ele visitou seu irmão
E então ele, ele seguiu pelo corredor
E ele foi até uma porta, e olhou para dentro
Pai, sim filho, eu quero te matar
Mãe, eu quero...
Venha, baby, vamos nos arriscar
Venha, baby, vamos nos arriscar
Venha, baby, vamos nos arriscar
E me encontre atrás do ônibus azul
Fazendo um rock triste
Em um ônibus azul
Fazendo um rock triste
Venha!
Mate, mate, mate, mate, mate, mate
É o fim
Querido amigo
É o fim
Meu único amigo, o fim
Dói te libertar
Mas você nunca iria me acompanhar
O fim do riso e das leves mentiras
O fim das noites em que tentamos morrer
É o fim.
