Anime: Fruits Basket
Casal: Kyo x Yuki/ Citações a outros...
Classificação: Yaoi/ Lemon/ AU
Autora: Aiko Hosokawa
Beta: Yume VyoooOOOooo
AmaldiçoadosAiko Hosokawa
Capítulo 02 - A proposta.O dia seguinte...
O festival no Colégio Kaibara havia sido um sucesso! Sem sombra de dúvidas a apresentação musical do grupo 'Amaldiçoados' foi a que teve a maior repercussão, já que praticamente todo o festival havia parado quando a música tomou conta do teatro e dos corredores.
Yuki caminhava pensativo pelo corredor vazio, as janelas estavam a sua direita todas abertas, deixando o sol da manhã entrar assim como a brisa fresca característica da primavera. O show não lhe saia da cabeça e o que mais incomodava era o fato de Kyo ser a presença mais marcante em suas lembranças.
"Como pode um estúpido como aquele cantar de maneira tão envolvente e intensa?". Perguntava-se em pensamento completamente envolto nessa idéia.
Rápido como um raio, totalmente inesperado, Yuki viu um vulto surgir a seu lado vindo da janela e sem poder evitar, percebeu que 'aquilo' veio para cima de si e de imediato foi ao chão, sentindo um corpo pesar sobre o seu.
"Mas o quê...?!?". Ia perguntar, com a voz soando irritada, mas parou sentindo como se o coração houvesse desaparecido do peito deixando um gélido vazio.
Escarlate olhar fixou na figura abaixo de si deparando-se com violetas vivos e belos como jóia rara, reparando na pele clara como a neve e no rosto masculino, mas delicado. Devido ao abrupto contato estava deitado sobre o corpo delgado, com uma mão de cada lado da cabeça do outro e as faces muito próximas de forma que as madeixas cor de fogo quase tocavam a espantada face do belo jovem.
Em um movimento rápido o ruivo postou-se de pé sem compreender o que acontecia, sentindo a face queimar, então se lembrou do que fugia, olhando para todos os lados vendo os corredores desertos.
"Huf...". Suspirou aliviado então se virando irritado para o jovem que se erguia do chão.
"Vê se fica esperto, idiota! Não fica andando por ai como se estivesse nas nuvens!". Praguejou em tom alto e irritado.
"Olha aqui 'Neko-kun'... Eu não tenho culpa se um imbecil como você fica pulando pela janela! Eu não sou capaz de prever suas idéias brilhantes!". Disse com tom de sarcasmo sem elevar a voz.
"Você é mesmo um...". Kyo ia retrucar, no entanto, ouviu um familiar e assustador som à distância.
Um terrível medo tomou conta de seus olhos vermelhos, sentiu o corpo gelar nem reparando na cara de interrogação do primo Yuki, virando-se para o lado e depois para a janela, sentiu as pernas bambearem ante a mais tenebrosa cena que já vira em toda a sua vida... Garotas e mais garotas correndo loucas em sua direção... E então, olhou para o primo.
"Idiota!". E então correu, fazendo uma corrente de ar tocar o jovem de aparência delicada.
Yuki achou aquela expressão a mais cômica que já viu na vida, teve vontade de rir, mas se conteve, logo que o ruivo saiu o grupo de meninas passou por ele no corredor e outro grupo chegou na janela, no total deviam ser umas trinta garotas.
"E eu que achei que elas corriam demais atrás de mim...". Pensou vendo a boiada se afastar.
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Hanajima, Uotani e Tohru estavam sentadas na biblioteca, a loira com o busto sobre a mesa assim como os braços à face tocando a madeira, murmúrios se ouviam saindo dos lábios dela, mas nada inteligível. Já a morena, com suas longas madeixas presas em uma trança baixa, mantinha os olhos fechados, os braços cruzados e uma expressão de cansaço. A meiga garota de madeixas chocolate estava com um sorriso bobo na face e as mãos sobre o próprio colo. Cada uma das meninas de um lado da mesa.
"Isso foi divertido...". Comentou a jovem de castanho olhar.
"Só você mesmo pra achar isso engraçado...". Uotani apenas levantou a cabeça, com a cara mais desanimada do mundo, depois novamente deixou a testa bater na mesa fazendo leve barulho.
"Isso é no mínimo inesperado...". Hanajima disse sem mudar a posição ou abrir os olhos usando um tom frio e calmo.
"Mas eu já sabia que isso ia acontecer! Vocês são bons! Bons demais!". Tohru não conseguia conter a empolgação e a alegria de forma que seus grandes olhos brilhavam como estrelas em noite sem nuvens.
A morena abriu os olhos descruzando os braços, olhando de forma terna para a amiga, já a loira levantou o rosto apoiando o queixo na mão direita ficando a encarar Honda.
"Você realmente põe fé na gente, né?!". Disse Hanajima com um sorriso na face.
"É, mas não é legal ter que fugir de uma turma de fãs ensandecidos! Tá faltando os guarda-costas pra segurar esse povo... Fiquei com vontade de socar a cara de todos eles!". Falou a loira com tom de irritação mudando novamente de posição, fechando o punho direto e a face metamorfando-se em expressão de ira.
"Não! Você não pode fazer isso, Uo-Chan!". Agora a voz de Tohru era carregada de preocupação e soava um pouco mais alto.
"Não se preocupe, ela não fará.". Afirmou a morena olhando para a loira.
"Tá, mas cê bem que podia usar suas ondas pra espantar esse povo!". Respondeu a loira.
"Só se quiser mandar todos para o hospital...". Foi a resposta de Hanajima.
"Temos que ir para a aula.". Falou Tohru Honda.
"... Ou pelo menos tentar.". Completou desanimadamente a loira.
O trio se levantou, deixando o tranqüilo esconderijo, caminhando rápida e discretamente em direção a sala, logo chegando e sentando em seus lugares. Não demorou muito e, pela janela, Kyo entrou afoito respirando rápido.
"Bom dia, Kyo!". Cumprimentou Tohru.
"Não tão bom assim...". Confessou, sentando-se em seu lugar, encostado a parede de costas para a janela por onde entrara, já cansado de tanto correr.
"Ontem não deu tempo de dizer, mas... Parabéns pela apresentação, o show foi muito bom!". Disse com tom habitualmente meigo e feliz, a menina de olhar castanho.
"Fala sério, já tô achando que não foi uma idéia assim tão boa... Tem uma multidão de garotas loucas me perseguindo...". A grave voz do bichano era repleta de indignação e fúria, nunca havia pensado que a coisa ia chegar àquele ponto!
"É, seu cabeça de mexeria estúpido, devia ter pensado antes de abrir essa sua grande boca!". Praguejou Uo-Chan investindo contra o vocalista da banda, colocando então a mão direita sobre a cabeça dele aplicando um pouco de força e remexendo as madeixas de forma furiosa.
"Pára, sua marginal!!!". Xingou Kyo tentando desfazer o contato, conseguindo após alguns segundos.
"Isso é pra você aprender.". Rosnou Uotani, contrariada.
"Sai pra lá!". Disse meio encolhido na cadeira. A loira tinha muita força, mas não poderia usar do mesmo método com ela, embora desejasse afoitamente!
"Estou sentindo ondas favoráveis...". Comentou Hanajima em tom baixo e calmo de forma que apenas Tohru que estava a seu lado pôde ouvir.
"Sério, Hana-Chan?". De imediato a garota pegou a mão da morena com empolgação, segurando com carinho entre as próprias, não escondendo a empolgação devido àquela fala.
Hanajima sentiu a face corar levemente, aquela pureza existente no olhar da amiga sempre foi seu ponto fraco e seu alento, um conforto quando se via na escuridão. Inclinou levemente a cabeça para a direita e sorriu ternamente, então envolveu com os dedos seguros uma das mãos que lhe tocava.
"Sim, acho que uma coisa boa vai acontecer.". Disse em resposta.
"Tomara! Tenho certeza de que vai ser algo muito bom!".
Então a porta se abriu, por ela Yuki entrou e foi impossível não fixar seus olhos no primo ruivo tão irritado e chamativo, logo notando que os rubis incandescente também o fitavam.
De imediato em ambas as memórias o perturbador encontro matutino emergiu as faces tão próximas, o perfume mutuo que pôde ser sentido como nunca antes e aquele estranho contato que fazia o corpo estremecer levemente apenas com a lembrança.
Então mais alunos entraram e em seguida o professor. Yuki sentou-se pensando que tinha o primo mais idiota do mundo e, logo, a aula teve início e seguiu sem maiores transtornos.
Na hora do almoço a banda, junto com Tohru e Yuki, ficou sob algumas árvores de cerejeira, incrivelmente sem brigas, a brisa soprava e algumas pétalas de flores de cerejeiras caiam tranqüilizadoras.
A semana seguinte passou rápido. O assedio dos fãs tornou-se apenas um pouco mais tranqüilo, mas eram freqüentemente cercados por colega de escola querendo saber milhares de coisas a respeito de toda a banda.
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Fim do período da tarde de uma sexta-feira, a aula foi interrompida por uma leve bater à porta, fazendo todos os alunos voltarem a atenção a pessoa que ali chegou, prestando atenção ao que era dito.
"Com licença professor. Kyo Souma, Arisa Uotani e Saki Hanajima venham comigo. Desculpe a interrupção, podem continuar". Era o professor de Educação Física, que chamava em tom sério.
O grupo se entreolhou, levantando-se todos juntos e saindo, deixando na sala uma preocupada amiga. Do lado de fora, junto ao professor, estava Haru e a desconfiança pairou sobre o grupo... Ou pelo menos sobre um deles.
"Cê aprontou alguma?". Perguntou entre os dentes o ruivo.
"Bem que eu queria, mas o Yuki não deixa...". Comentou sem mudar a expressão calma, mas de forma que apenas Kyo ouviu.
"O que será que ele quis dizer com isso?". Ficou pensando enquanto caminhava, porém por mais que tentasse não conseguia encontrar resposta.
Em pouco tempo chegaram à sala do diretor, no ar havia uma inquietação geral, apenas Hanajima estava com o olhar calmo destoando do grupo, Arisa ia falar-lhe algo, mas não teve tempo. A porta foi aberta pelo professor e um a um foram entrando, a começar pelas meninas sendo que Kyo foi o último a entrar.
Os olhos escarlates se arregalaram levemente ao notar a presença naquela sala, de pé em frente à mesa do diretor. Aquele homem, alto, moreno de cabelos lisos com um olho oculto pelos negros fios, vestido elegantemente como de costume só que sem terno ou gravata e com os dois primeiros botões da branca camisa abertos, Hatori Souma.
"Quê que cê tá fazendo aqui?". A pergunta foi inevitável e mais grosseira do que o esperado pelo ruivo.
"Senhor Souma, comporte-se!". Repreendeu o diretor.
"Não se preocupe, já me acostumei com o arredio Kyo Souma...". Disse Hatori.
"Mas a pergunta realmente é boa, o que o faz sair da gaiola Souma e vir até o colégio Kaibara?". Perguntou Hatsuharu, com as mãos dentro do bolso, sem alterar o tom de voz.
O professor já não estava na sala, o diretor sentou-se em seu lugar dizendo que poderiam ficar a vontade para conversar na sala ao lado e assim o grupo foi. Havia uma mesa com uma cadeira de um lado e duas à frente, Hatori sentou-se ficando detrás da peça com tampo de vidro e, em frente a ele, sentaram-se Hanajima e Arisa, Kyo e Haru ficaram parados atrás de cada uma, respectivamente.
"Vou direto ao assunto. Presenciei a apresentação de vocês no festival do colégio, passei a semana seguinte entrando em contado com algumas pessoas...". Falava em seu típico tom de seriedade.
Os quatro continuavam observando-o, ouvindo-o atentamente.
"Enfim! É com segurança que digo que a banda de vocês tem um grande potencial para o sucesso, e a gravadora da Fundação Jikkan Juunishi esta interessada em contratá-los". Fitou-os assim que terminou de falar.
Um enorme silêncio. O cômodo parecia vazio, tamanha a ausência de sons que chegava a constranger qualquer mortal, ainda mais ao moreno que fizera a proposta que esperava por alguma reação, não que ele demonstrasse constrangimento ou ansiedade.
"Como?! Assim tão rápido e fácil?". Perguntou em tom incrédulo a loira.
"Ah! Perdoem-me, não me apresentei. Sou Hatori Souma vice-presidente da Fundação, primo dos dois jovens que estão atrás das senhoritas". O tom sóbrio ainda estava na voz do moreno, havia se esquecido de se apresentar graças à presença de seus familiares, ignorando o fato de que não conhecia as meninas.
"Ahh tá...". Concordou Arisa.
"É verdade, as mesmas caóticas ondas saem de todos vocês...". Comentou em tom sombrio a morena.
Os primos mais jovens se entreolharam, depois fixaram os olhos em Hatori, não sabiam o que pensar, tudo parecia estranho demais, sobretudo para Kyo que sempre fora o rejeitado da família graças a... O que realmente importava era que aquilo parecia utópico.
"Negócio fechado!". Falou Arisa colocando a mão direita sobre a mesa.
Kyou olhou para Arisa no mesmo instante.
"Tem papel pra assinar aí?". Completou a fala.
"Concordo". Hanajima falou no mesmo tom.
"Ei, perai! cês não podem ir decidindo as coisas assim!!!!". Berrou Kyo sentindo sua fúria crescer absurdamente.
"Esfria a cabeça... Cê é que não tá pensando. Essa oportunidade pode não aparecer novamente, a gravadora da família é uma das maiores, se não a maior do país...". Haru disse dirigindo-se ao ruivo.
Kyo parou um instante, olhando nos escuros olhos do primo e melhor guitarrista que conhecia, para falar a verdade era o único que conhecia pessoalmente, mas ele tinha muito talento!
"Tá...". Resmungou cruzando os braços.
"Amanhã às oito horas da manhã espero por vocês na Sede, creio que sabem onde fica. Agora tenho que ir...". Falou já se levantando o homem mais velho.
"Tenham uma boa tarde". Cumprimentou educadamente.
"Boa tarde...". Respondeu o trio enquanto Kyo apenas resmungou algo. Em seguida Hatori saiu.
O grupo ficou parado no corredor por um instante ainda em silêncio, pareciam estar em um universo completamente diferente, não conseguiam acreditar no que acabara de acontecer, era nada menos do que um grande sonho sendo realizado, no entanto, a perspectiva causava medo.
"A aula já acabou...". Finalmente o silêncio foi quebrado por Haru.
"É...". Concordou monossilábica Arisa.
"Tohru deve estar esperando". Constatou Hanajima.
"Então vamos...". Kyo disse já se virando de costas, ainda insatisfeito.
Como esperado no portão de entrada da escola estava a jovem Tohru, segurando sua mochila com ambas as mãos esticadas na frente das pernas, quando viu o grupo correu até eles, logo sendo informada do que tinha ocorrido.
"Ahhh que legal!!!". Afirmou sem conseguir conter a empolgação abraçando Hanajima e Arisa de uma vez e sendo abraçada por ambas.
"Tenho que ir pra casa. Nos vemos amanhã na gravadora...". Haru disse.
"Tchau, até amanhã!". Responderam as três meninas que ainda estavam juntas.
"Também fui.". Kyo falou em tom irritado saindo do local.
Honda ficou com uma expressão de preocupação enquanto olhava o ruivo se distanciar no horizonte.
"Ele não gostou?". Perguntou olhando para as amigas.
"Foi o único que protestou.". Revelou Arisa.
"As ondas dele estão mais caóticas do que nunca...". Hanajima disse em tom mórbido.
"Ahh... Tá...". Falou com tristeza Tohru, queria muito ajudar o rapaz, mas ele sempre se mostrava tão distante, nem mesmo sabia onde ele morava para poder fazer uma visita, aliás, nem conhecia alguém que soubesse qual era a morada de Kyo.
Yuki havia ficado na escola até mais tarde, devido às atividades do grêmio estudantil, quando saiu, ainda no corredor encontrou com Hatori e ficou sabendo do porque da presença do primo ali, e na saída encontrou com o grupo de amigo que se desfazia, achou estranho a expressão na face do ruivo... Ele deveria estar alegre, não triste daquele jeito, o mais estranho é que toda a banda parecia abalada.
"Olá senhorita Honda, Hanajima, Arisa.". Cumprimentou educadamente, sorrindo com doçura para a garota de quem tanto gostava.
"Senhor Yuki, que bom que esta aqui! Assim podemos todos ir juntos!". Disse alegre já que os quatro moravam na mesma direção.
O grupo saiu junto, depois de pedir permissão para contar, Tohru revelou a Yuki a boa nova e ele fingiu surpresa, mas ficou feliz por aquilo estar sendo compartilhado com ele. Claro, ficou contente com a conquista meteórica da banda, embora continuasse a detestar o ruivo Kyo.
Arisa foi a primeira a desligar-se do grupo, depois Hanajima e Tohru foi deixada na casa que dividia com o avô por Yuki. Esse quando chegou em casa, deixou os sapatos na entrada e foi direto a cozinha, encontrando um bilhete colado a geladeira.
"Yuki fui a uma reunião do Trio Amigos do Peito, não tenho hora para voltar. Liga para o tele-entrega e pede algo para você... Até mais. Assinado: Gure-San . ".
Yuki balançou negativamente a cabeça.
"Precisava ter colocado a carinha?". Pensou amassando o papel e jogando em meio à bagunça que estava dentro da pia.
"Só espero que ele não seja o produtor daquela maldita banda...". Pensou, agora iria tomar um banho, estudar e dormir... Era o melhor a ser feito.
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Dia seguinte.
O céu havia amanhecido nublado, um vento frio soprava uma pouco mais forte do que o normal. Pela calçada a jovem figura de madeixas cor de fogo caminhava com o dorso encolhido, os braços ao redor do próprio corpo tentando se proteger do frio. Vestia uma calça larga de verde-oliva, já a blusa que cobria inclusive os braços era preta, bastante justa ao corpo revelando cada contorno bonito dos músculos levemente desenhados.
"Odeio tempo frio.". Praguejava baixinho acelerando mais o ritmo, queria chegar logo a produtora, mas teria que ir de metrô.
Pagou e entrou, felizmente ali dentro era quentinho e agradável, porém o alento pouco durou, desceu em uma estação não muito distante, e novamente passou a andar em meio a uma multidão de pessoas. Não gostava daquilo! Após mais algum tempo encontrou bendito prédio.
Este era muito alto, um arranha-céu típico da moderna Tóquio, era todo envidraçado na frente e dos lados, possuía a entrada recuada coberta por jardins na portaria e nas laterais já que estava bastante afastado de outras construções, tanto que a entrada do estacionamento era à esquerda de quem entrasse no prédio.
Kyo parou olhando para o alto, estranhamente sentia o peito apertar em uma sensação de revolução, queria sair correndo dali, não poderia suportar aquele sentimento! Virou-se de costas, pronto para fugir, porém deu de cara com os outros componentes da banda e Tohru.
"Bom dia, senhor Kyo!". O sorriso de Honda aquela manhã parecia mais belo do que nunca, era como o sol, caloroso e protetor quase como o de uma...
"Tava pensando em fugir?". Perguntou Haru com as mãos dentro dos bolsos da calça jeans larga de aparência surrada, envolto em um casaco preto com pelos na parte interna no mais puro branco.
"Olá, cabeça de mexerica". Disse educadamente Arisa Uotani.
Hanajima nada disse, podia perceber todo o conflito que o outro passava, não sabia do que se tratava, mas era algo forte... Algo do passado e que sem sombra de dúvidas tinha haver com a família, era alguma coisa em que não poderia se meter, sentia isso.
"Eu não fujo!". Protestou Kyo.
"Tá frio aqui fora.". Falou Honda, encolhendo-se.
"Sua tonta! Então vamo entrar!". Novamente era o ruivo que falava. Sem esperar resposta pegou a jovem pelo braço, segurando mais na blusa rosa-bebê que a cobria, levando-a para dentro do prédio. Todos foram juntos.
A porta automática se abriu, em meio ao hall de entrada havia um balcão e uma jovem sentada atrás dele, metodicamente uniformizada de terninho azul-marinho, que logo foi consultada e direcionou o grupo para o décimo segundo andar, o qual logo foi alcançado. Nova consulta foi feita a uma secretária e o grupo foi orientado a esperar.
Finalmente foram chamados a entrar na sala.
"Bom dia!". Hatori disse educado em pé atrás de sua mesa.
"Bom dia!", Cumprimentou as meninas em uníssono.
"Sentem-se, por favor.". Convidou mostrando os lugares a sua frente, suficiente a todos.
Como os outros Hanajima sentou-se, porém seu perceptivo olhar recaiu sobre o escritório. O ambiente era estranhamente frio, não falando da sensação física, mas algo mais íntimo como se fosse a alma de uma pessoa, no entanto, era bonito e bem decorado. A mesa em questão era ampla em madeira em tom café, bela, lisa e brilhante por cima, as cadeiras eram negras acolchoadas, muito confortáveis, havia uma pequena biblioteca a direita de onde estava, junto a esta um poltrona mais aconchegante com um pequena mesa de centro a sua frente, já a esquerda havia fotos de algumas das bandas mais conhecidas do país e alguns prêmios. Próximo à porta do mesmo lado, havia um pequeno jardim japonês.
"Creio que temos que esclarecer algumas coisas...". Começou Hatori roubando a atenção da morena.
"... O fato de terem dois integrantes que pertencem à família Souma, não significa que a banda terá qualquer beneficio, talvez possa acontecer até mesmo o contrário, isso pode aumentar a cobrança em cima de todos vocês.". Falou seriamente, a fim de deixar bem claro aquele ponto.
"Quem está pedindo benefício?". Kyo resmungou de forma quase ininteligível.
"Irei apresentá-los ao seu Empresário, ele dará maiores detalhes sobre o início dos trabalhos. O contrato estará pronto no fim da tarde, devem devolvê-lo em uma semana, caso queiram que alguém avalie sua legalidade. Agora, por favor, me acompanhem.". O profissionalismo era visível em cada palavra do moreno.
Assim que terminou de falar Hatori se levantou, sendo seguido do grupo. Eles se olhavam, sorrisos apareciam nas faces, Tohru andava de braços dados com as meninas sentindo-se muito bem por estar ali.
Haru e Kyo andavam um pouco mais atrás, o rapaz mais jovem notava nitidamente que o primo não estava bem, chegou mais perto deixando os braços se tocarem sob o tecido que encobria ambos.
"Não se preocupe, não será como antes...". Disse baixinho.
"Do quê cê tá falando?". Perguntou em tom não muito alto, mais irritado o ruivo.
"Sabe...? Ainda me lembro, quando éramos crianças e morávamos todos juntos, eu tinha o péssimo habito de me perder...". Dizia em tom sério e calmo.
"Mas cê se perde a toda hora até hoje...". Pensou Kyo deixando transparecer na sua face aquela sensação.
"... Era sempre você quem me dava à mão e levava ao banheiro... Será que nesse momento não podemos votar a caminhar juntos? Da forma que estamos essa banda não vai durar muito". Olhou para o primo, calmo como sempre.
Kyo achou estranha a conversa, ia esbravejar algo, mas parou, pensou um pouco vendo as meninas à frente, realmente a relação entre eles parecia ter um único elo, Tohru Honda, mesmo que Haru fosse seu primo... Uma barreira enorme existia entre eles e se deseja continuar ela tinha que cair. Parou em meio ao corredor, encarou o primo que havia parado a um passo de distância de frente para si.
"Isso, literalmente falando, jamais! Mas podemos dar um jeito pra fazer a coisa melhorar.". A rouca e grossa voz do ruivo era firme e calma, os mesmos sentimentos existentes em seu olhar.
"Ei, vocês vão ficar parados ai?". A voz de Arisa chegou aos ouvidos de ambos, quebrando o curto silêncio.
Eles apenas se encararam com se entendessem em um olhar e se aproximaram do grupo, que logo entrou novamente no elevador descendo todos os doze andares e mais dois no subterrâneo.
Quando saíram encontram um longo corredor que possuía apenas duas portas de cada lado, caminharam até a que ficava a direita de quem saísse do elevador e Hatori a abriu.
De imediato, castanho olhar se virou e brilhou ante a visão de seu velho amigo de infância.
"Haa-san!!!". Disse alegremente deixando de analisar alguns sons junto a um auxiliar e caminhando quase saltitante na direção do moreno.
"Poupe-me dessa cena...". Cortou de imediato sem mudar a expressão e o tom de voz.
"Trouxe a banda nova.". Disse saindo da frente do grupo.
Quando finalmente os primos viram de quem se tratava sentiram o corpo gelar a voz era familiar, mas Hatori havia bloqueado a visão e agora... O pior pesadelo se formava à frente deles na forma de...
"Que banda?". Perguntou com cara de interrogação.
"SHIGURE!!!". Berraram Haru e Kyo e uníssono.
"Estamos ferrados...". Pensou o mais jovem.
"Mas que droga é essa????". Kyo não conseguia conter a irritação.
"Aahh essa banda!". Lembrou-se então do relatório que deveria ter lido, mas parou logo nas primeiras linhas quando viu o nome de seus primos.
"Só pode ser família...". Murmurou Hanajima enquanto Arisa balançava negativamente a cabeça escondendo o rosto com a mão direita.
"Tenho um compromisso importante, até logo.". Hatori disse olhando brevemente para seu relógio e já indo para a saída.
"Como!? Cê vai deixar a gente com isso???". Indagou um revoltado ruivo apontando para o Souma que sorria.
"'Isso' é seu Empresário!". Afirmou Hatori passando pelo ruivo e saindo da sala sem dar chances de uma resposta ao outro.
"Até o Hatori tá me chamando de 'isso'.". çç Pensou Shigure, magoado.
"Também será um prazer trabalhar com você Kyo!". Falou em tom divertido o mais velho, já recuperado, recebendo um mortal olhar com resposta que fez questão de ignorar e de repente mudou sua expressão facial ficando mais sério, o que pouco combinava com sua camisa social com os primeiros botões aberto meio amassada, assim como a calça social azul-marinho.
"Olá meninas, eu sou Shigure Souma, primo desses dois amáveis jovens ai atrás.". Disse com certo cinismo na voz.
A sobrancelha direita de Uotani curvou-se de maneira intrigada, colocou a mão na cintura.
"Primo?! Mais um?!". Disse avaliando com o olhar o homem mais velho de ar bobo.
"Nepotismo... Aqui só tem membro da família Souma...". Comentou vagamente a Hanajima, sua intuição murmurando em seu ouvido que aquele homem inspirava cautela.
Os olhos de Shigure brilharam ao caírem sobre a meiga menina de cabelos chocolate.
"Ora, ora, a banda não era um quarteto? Quem é essa jovem encantadora???". Indagou aproximando-se perigosamente.
De repente Kyo surgiu entre eles. Os olhos vermelhos cerraram-se demonstrando irritação, encarando o outro.
"Cai fora!!!". Rosnou entre dentes, conhecia muito bem o primo e não deixaria que se aproximasse de Tohru.
"He he he... Que isso, Kyo?". O Empresário riu sem graça, fechando os olhos, amava jovens estudantes fofinhas, mas a cara de poucos amigos de Kyo era realmente de assustar.
"Um metro! Essa é a distância mínima que você deve manter dela!". Kyo disse em tom irritado sem mudar a expressão.
Tohru olhava sem compreender para a pequena briga, na verdade via praticamente só as costas do ruivo e inclinou-se para o lado direito vendo Shigure ainda rindo com cara de quem teve os planos frustrados.
"Eu sou Tohru Honda, muito prazer Senhor Shigure.". Falou a menina saindo de trás do ruivo e curvando-se para frente.
"É um prazer também, Senhorita Honda". Foi a resposta que veio em tom simpático.
"Só uma pergunta...". Haru chamou a atenção para si quando falou.
"Qual é a de você ser nosso empresário?". Perguntou fitando o primo.
"Aahhh, mas a resposta é muito clara! Eu sou o melhor!". Respondeu seguro de si.
Por uma estranha razão pairou no ar a certeza de que aquilo era uma grande mentira, os integrantes da banda olhavam céticos, algo estava errado...
"Ahhhhh que legal!!! Vocês pegaram logo o melhor!!!". Comemorou Tohru inocente.
Kyo balançou negativamente a cabeça.
"Deixa de ser boba... Provavelmente ele era o único com tempo disponível mesmo...". Comentou seco o ruivo colocando a mão sobre a cabeça da jovem como se quisesse impedi-la de flutuar com a ilusão.
De seu alto pedestal caiu Shigure.
"Como você é mau...". çç Falou o homem em sua mente, a veracidade da fala do ruivo reverberando em sua mente.
"Era verdade...". ó.ò Pensou Honda, inconformada.
"Hei! Vamo deixar de papo e vamo logo ao que interessa!". Arisa falou levemente irrita como de costume.
"Bom é verdade...". Falou Shigure ficando sério de repente, dando as costas para a banda caminhando para logo se sentar em uma cadeira.
À frente do moreno havia um painel de controle sonoro todo adornado com vários botões de girar e deslizar, também havia uma parede com a maior parte feita em vidro dando visão para um pequeno estúdio de paredes negras com alguns instrumentos musicais bem distribuídos, no fundo uma bateria, uma guitarra e um baixo estavam em pé sobre apoios apropriados e no centro havia um microfone que descia do teto.
"A princípio gostaria que vocês tocassem para mim, entrem no estúdio, já está tudo preparado.". Disse apontando para a porta.
Os quatro nada responderam, apenas caminharam na direção indicada. Cada jovem coração batia acelerado, milhares de imagens passaram em suas cabeças, o caminho se tornou longo, até que finalmente entraram.
Shigure se levantou cedendo o lugar para Tohru gentilmente, enquanto Arisa tomava seu lugar à bateria, Haru e Hanajima ajustavam seus instrumentos na altura correta e Kyo descia uma pouco o microfone.
"Então... É a senhorita o elemento de união?". A voz de Shigure soou serena quebrando o silêncio surpreendendo a jovem.
"Eu? Não, não, sou só uma amiga...". Disse sem graça achando estranha a observação.
"Foi isso que eu quis dizer...". Falou desviando o olhar o moreno.
"Estão prontos?". Ainda era Shigure quem falava atrás de um microfone.
"Já nascemos prontos!". Afirmou Arisa confiante batendo suas baquetas nos tambores e pratos iniciando uma melodia forte, no entanto assombrosa. Logo a guitarra a o baixo iniciaram o acompanhamento intensificando o ritmo, Kyo respirou fundo e começou a cantar a mesma melodia apresentada no show da escola.
Shigure observava compenetrado, elevou os tons graves a dado momento, sua mente iniciava uma freqüência quase alucinada elaborando várias possibilidades. Mais uma vez Hatori não havia errado, o potencial do grupo realmente era alto, eles ficavam em perfeita harmonia enquanto tocavam.
Tohru sentia o coração bater forte e acelerado, estava tão feliz pelos amigos, por mais que não tocasse o cantasse sentia como se fizesse parte da banda e a cada vez que os via tocar percebia uma melhora significativa e os achava ainda mais encantadores.
Finalmente a música chegou ao fim em murmúrios baixos do ruivo e Shigure sorriu falando novamente ao microfone.
"Quem diria, hein Kyo? Até que você sabe cantar!!!". Falou debochando.
O ruivo nada responde, apenas torceu o nariz e cruzou os braços de maneira irritada.
"Essa é uma música escrita por vocês, certo? Quantas já têm?". O Empresário indagou.
Um certo desconforto pairou sobre os Amaldiçoados, ficando mais explícito na face de Kyo que descruzou os braços olhando para frente vendo o primo atrás do parco vidro, não queria ter que dizer aquilo justo para ele, mas não tinha escolha.
"Fui em quem escreveu essa letra e a outra que temos...". Falou quase em um murmúrio, afinal tinha problemas para se inspirar achava muito difícil escrever!
"Duas músicas?! Apenas duas músicas?". O.o Shigure piscou os olhos, incrédulo, era difícil acreditar naquilo, a maior parte das jovens bandas tinham várias músicas compostas, nem sempre o material era bom, mas existia e naquele caso nada!!!
"É...". ¬¬ Rosnou Kyo desviando o olhar, gostaria muito de ter recebido outro Empresário, de preferência um decente...
"Acho que é pedir demais... Seria muita sorte.". Pensou o ruivo.
Os olhos escuros de Shigure brilharam de maneira intensa se transformando em duas estrelas em noite clara, os lábios se transformaram ganhando um ar que misturava maldade com divertimento fazendo um estranho e inexplicável frio percorrer a coluna de Kyo.
O moreno se debruçou sobre o painel apoiando-se com ambas as mãos.
"Creio que tenho a solução...". Sibilou com um estranho brilho no olhar e um sorriso enigmático...
Continua...
oooOOOooo
Nota da autora:
Creio que deixei algumas dúvidas em relação a casais nessa fanfic. Ela é yaoi sim, não se preocupem. Depois de muito pensar decidi pelo mais obvio casal Kyo e Yuki, mas vou falar um pouco de cada um desses casais: Shigure x Akito, Hatori x Ayame, Haru x Rin, Kureno x Arisa, Hanajima x Tohru.
Como visto será um misto de casais heteros, yaoi e até yuri, confesso que esse último me deixou muito em dúvida, mas no fim tudo vai se encaixar com uma luva para meu objetivo, mas nunca irei perder o foco principal Neko-Kun com Nesume-Kun!
Eu gostaria de agradecer a minha beta linda e fofa Yume Vy que, além de corrigir meus muitos erros de português, sempre dá ótimas sugestões e os créditos vão para ela pelo nome da fundação.
Só para terminar... As coisas vão esquentar um pouco no próximo capitulo!!!!
Beijocas.
21/02/2006
15:15 PM.
Aiko Hosokawa
