Título: Porque arriscar faz parte da vida
Autora: Aislyn Rockbell Matsumoto
Fandom:
Alice Nine
Casal: Tora x Saga
Gênero: Romance /
yaoi / A.U.
Resumo: "Saga estava dançando em cima da
mesa, dando um show para as moças presentes e para alguns marmanjos
também. Dentre eles, eu".
Classificação:
+ 18
Informações: B-side de Rock's Heart, mas não é
necessário ler uma para entender a outra. Tora's POV.
N/A: Troca de presentes com a Kaline-chan. Porque ela é uma chantagista, perversa e fofa.
Capítulo 2
Como aquele... loiro sexy desastrado e desgraçado conseguiu sumir do mapa eu não faço idéia!
Ele acorda todo carinhoso e manhoso, chegou a perguntar se eu queria que ele fosse embora, e mesmo depois de receber um não, ele foi.
Ainda não consegui pensar num motivo plausível para o que ele fez. Só se ele fosse sacana, mas muito sacana mesmo!
Então por trás da carinha de bom moço ele era uma cafajeste?
Não queria acreditar nisso. Eu falaria com ele pessoalmente para tirar satisfações. Assim que o encontrasse, é claro. Fazia três ou quatro dias que eu o procurava na Starbucks e ele sempre estava ocupado.
Contudo, mais cedo ou mais tarde, ele teria que me encarar, já que voltaria para o colégio na próxima semana. E se o que ele falou foi mentira?
Droga! Odeio não estar a par dos acontecimentos! Fico agoniado!
_ HIROTO! – toda a sala prendeu a respiração e me encarou – Se eu te pegar colando de novo é zero!
Pelo menos o garoto teve a decência de corar, abaixou a cabeça e ficou quieto.
E era por causa do MEU loirinho arredio que eu estava aplicando uma prova surpresa. A turma que se ferrasse! Eu precisava descontar em alguém. Ou em muita gente ao mesmo tempo. Realmente não ligava.
O pior de tudo era que eu não tinha motivos para estar tão raivoso como estava.
Ou tinha?
Eu gostava dele. Apenas isso. Não morria de paixão. Ele sabia ser sexy e carinhoso, mas eu gostava de pessoas mais ousadas.
Ah, droga! Por que você mexe tanto comigo Saga?
Voltei para casa, depois é claro de passar na cafeteria, só que dessa vez ele já tinha saído.
Joguei a pasta de qualquer sobre o sofá, mais frustrado do que eu estava de manhã, já que agora teria provas pra corrigir.
Fui até a cozinha preparar algo para comer, abri a geladeira e encarei seu interior por um tempo. O idiota que disse que abrir a geladeira ajuda a pensar era um grande mentiroso.
Pra piorar não tinha nada muito saudável. Não que eu fosse vegetariano, mas comer algo decente faz bem. Peguei uma lasanha congelada e coloquei no microondas.
Enquanto ela aquecia fui para o quarto. Precisava urgentemente de um banho. Estava suado, fedendo e precisando refrescar a cabeça.
Despi-me, jogando as roupas em um canto do banheiro, depois colocaria pra lavar. Abri o registro e deixei que a água morna percorresse meu corpo, levando consigo meu stress. Passei shampoo no cabelo, retirando toda a espuma, fechando os olhos no processo.
Minhas mãos percorreram meu corpo e sem querer comecei a imaginar que era Saga. Com poucos movimentos certa parte ficou alegrinha demais.
Troquei a temperatura do chuveiro, arrepiando quando a água fria tocou meus ombros. Eu não ia fazer aquilo pensando nele! Não daria esse gostinho!
* * *
O resto da semana passou sem nenhuma notícia do loirinho. Não o encontrei na Starbucks nenhuma das vezes que passei por lá, no colégio, tentei cantar a coordenadora para que ela me passasse o telefone ou o endereço dele, mas ela foi inflexível. Disse que eram dados pessoais e sigilosos.
Estava determinado a esquecê-lo e partir para outra. Não sou de ficar correndo atrás de quem não me quer! Como era domingo me arrumei para ir a uma boate.
Coloquei uma calça justa e com alguns rasgados no comprimento, uma camiseta preta com um tigre nas costas, algumas correntes no cinto e me perfumei. Tudo bem simples, mas marcante.
Não eram nem dez horas e a boate já estava cheia, ignorando-se o fato que muita gente ali acordaria cedo no outro dia.
Passando entre a multidão dançante, sentei-me num das cadeiras de frente para o bar e pedi uma dose de whisky. Já que eu queria ter uma noite agitada, nada melhor que ter a desculpa de estar bêbado.
Cantadas não me faltaram. Tanto de mulheres quanto de homens. Dancei com várias pessoas, fiquei com algumas delas, mas nenhuma me atraiu ao ponto de querer algo mais que apenas uma noite.
Já beirava às duas da manhã quando o vi. Ele estava simplesmente arrasador! Uma calça negra de couro muito justa apertando nos lugares certos, uma camisa cavada branca cm os primeiros botões abertos, maquiagem pesada nos olhos, contudo não ficara vulgar nele e ele sorria...
Saga estava dançando sozinho no meio da pista, de olhos fechados, sentindo e acompanhando a música. E como ele dançava bem! Várias pessoas aproximaram-se, tocando-o, chamando pra dançar junto, mas ele simplesmente ignorava.
_ Hora da caça! – virei o restante do conteúdo do copo e andei calmamente até o loiro.
Ele estava de costas pra mim, então não viu quando me aproximei e enlacei-o pelas costas, colando nossos corpos e depositando um beijo em seu pescoço
_ Como vai fujão? – sussurrei em seu ouvido, sentindo-o se arrepiar, não sei se devido à nossa aproximação ou se foi porque ele me reconheceu.
Virou-se de frente pra mim, enlaçando meu pescoço e mexendo os quadris, me obrigando a acompanhá-lo. Fiquei encarando-o por um longo tempo, não desviava o olhar, já que o loiro também mantinha seus olhos fixos nos meus. Não sei se ele tentava me dizer alguma coisa com aquilo, mas a cada minuto eu me perguntava por que andei até ele, por que o abordei, por que eu insistia em algo que eu sabia que não teria futuro?
Mas, dançando ali junto a ele, todas as minhas perguntas pareciam idiotas. Eu o desejava! Queria tê-lo de novo em meus braços, nem que fosse por apenas uma noite.
E como se finalmente lesse meus pensamentos, ou talvez fosse o desejo estampado em meu olhar, ele aproximou seus lábios dos meus, cerrando os olhos lentamente e foi inevitável não corresponder.
Seus lábios macios nos meus, minha língua procurando a sua, cogitei que nem a falta de ar nos separaria.
Apertei as mãos em sua cintura puxando-o mais para perto de meu corpo, estava tão excitado quanto eu. Adentrei a mão por baixo da sua blusa, arranhando de leve as unhas em suas costas, sentindo-o se contorcer minimamente, separando nossos lábios para deixar um pequeno gemido sair.
_ Você está altamente desejável com essa roupa sabia? – sussurrei em seu ouvido – Estou me segurando muito para não atacá-lo em público.
_ É? – sorriu malicioso, passando a língua pelos lábios – Que tal irmos para algum lugar mais... reservado?
_ Seria ótimo! – mordisquei seu pescoço e afastei minimamente – Pra onde?
_ Vem comigo. – e saiu me puxando para fora da boate, sem dizer pra onde iríamos, não que importasse. No momento só queria aproveitar da sua companhia, do seu corpo, de seus beijos.
* * *
E pior que a sensação de déjà vu, era a sensação que eu iria me machucar mais. De novo e de novo.
Acordei com um pouco de dor de cabeça, não sabia onde estava nem que horas eram. A única coisa que eu sabia é que depois de beber muito, eu havia dançado com Saga e em seguida ele me arrastara para algum lugar. Por sorte ele estava sóbrio e dirigiu até onde estávamos. Meu carro eu buscaria depois.
Movi-me minimamente, virando de lado e pousando o braço na cintura do loiro, tentando não acordá-lo, já que ele dormia em cima de mim. O quarto estava escuro, mas eu sabia já ser bem tarde.
_ Perdi as aulas da manhã. – bati a mão na testa – Ótimo! A primeira falta em vários anos de serviço.
Por que eu estava preocupado com o colégio? Tive uma ótima noite. Acompanhado! E fico me martirizando por causa do emprego. Meus alunos devem ter achado o máximo! Já fiz a boa ação da semana.
Agora tinha que acordar o loirinho e ter uma conversa muito séria com ele. Não ia deixá-lo fugir de novo sem me explicar o que aconteceu pra ele sumir.
Afaguei seu cabelos, desci a mão por seu rosto, ele tinha a pele tão macia, toquei seus ombros com cuidado, havia uma marca roxa, não muito grande, mas ele teria que usar roupas com mangas por alguns dias, toquei sua cintura e deixei minha mão ali.
_ Saga. – chamei baixinho, sem obter resposta – Saga! – elevei um pouco a voz e dessa vez ele se mexeu, virando para o outro lado.
Folgado!
_ Sakamoto! – sacudi-o pelo ombro, virando-o de frente pra mim.
Era maldade acordá-lo, quando dormia tão tranquilamente, mas as perguntas em minha cabeça não me davam descanso.
_ Hei, acorda. Precisamos conversar! – mordi levemente em sua orelha, sentindo-o se arrepiar.
Era incrível o quanto ele era sensível. Principalmente na orelha e na nuca. Só precisava tocá-lo um pouquinho pra ele ficar excitado.
_ Humm que houve? – perguntou sonolento, olhando para os lados, como se tentasse descobrir onde estava – Ah, deixa eu dormir mais um pouco. – pegou o travesseiro e jogou sobre a cabeça.
_ Eu preciso falar com você e vai ser agora! – retirei o travesseiro e puxei o seu braço, deixando-o meio sentado sobre o colchão. A coberta desceu até seu quadril, e a visão de seu corpo parcialmente nu me excitou também.
Não ia ser fútil de dizer que era fácil seduzi-lo ou fazê-lo gemer sob mim, pois ele conseguira retirar os mesmos gemidos de mim nas duas noites em que dormimos juntos.
_ Ahm? – olhou-me seriamente, parecendo só agora me reconhecer. – Tora?
E o que veio a seguir me deixou desnorteado. Ele conseguia mudar muito rápido de humor e de opinião.
Ele levantou-se, pegando a primeira peça de roupa que viu pelo chão, vestindo-a e caminhando até a janela, abrindo as cortinas, deixando a luz entrar com tudo. Pelo visto já era muito tarde mesmo.
_ Pegue suas coisas e dê o fora daqui. – falou friamente, encarando a janela.
_ Como é? – dessa vez eu ia matá-lo.
_ Vá embora, não é um bom momento pra conversarmos. – dessa vez ele me olhou, mas o sentimento em seu olhar não me agradou. Não era apenas sua voz que estava fria, seus sentimentos também pareciam ter se esvaído.
_ Escuta aqui! – levantei-me e caminhei até ele, levando junto o lençol enrolado em meu corpo – Você dança comigo, me beija, me arrasta pra sabe se lá que lugar é esse, nós dormimos juntos e agora quer que eu vá embora?
_ Isso. – loiro, sexy, despudorado, eu vou matar ele!
_ Você tem dupla personalidade? – passei as mãos nervosamente pelo cabelo – Por que acho que não estou diante do mesmo professor desastrado de história que conheci no colégio, que estava a ponto de chorar por que ia perder o emprego, ou o garoto que me serviu todo sorridente na Starbucks. Qual o seu problema?
_ Não é uma boa hora, por favor, vá embora. – e se ele pensou que pedindo educadamente eu cederia ele estava muito enganado.
_ Eu não vou embora até nós conversarmos! – segurei seu braço com um pouco de força, como se quisesse impedi-lo de fugir de novo, contudo dessa vez ele quem me pedia pra fugir.
_ Amano...
_ Ah, agora é Amano? – soltei-o e andei pelo quarto frustrado – O que aconteceu com o Tora? Ou não tem mais intimidade suficiente pra isso? – sarcasmo escorrendo em minhas palavras – Realmente, não queria pensar isso de você, mas não tem como defini-lo de outra forma. Você é muito sacana!
Ele arregalou os olhos e abriu a boca, como se fosse retrucar, mas no mesmo instante desviou os olhos dos meus e virou de costas, encarando a janela.
_ Não fale sobre o que não sabe. – sussurrou, baixo demais, mas o suficiente para que eu o ouvisse.
_ Então me explica! – elevei a voz, já estava perdendo o controle – Vamos lá, eu não tenho pressa!
_ Não posso...
_ Takashi! – uma voz feminina doce e rouca veio do cômodo atrás da porta do quarto – Já acordou, querido?
_ Já mamãe! – respondeu o loirinho alto, para que pudesse ser ouvido.
_ Mãe? – intercalei meus olhares entre a porta e o loiro, esperando que ela não entrasse e nos pegasse numa situação delicada.
_ Venha me ajudar a guardar as compras. Eu trouxe alguns doces pra você!
_ Já vou! Só preciso trocar de roupa. – e, novamente olhando pra mim, consegui visualizar seu pedido mudo para que eu fosse embora.
Não arrumaria briga em sua própria casa, correndo o risco de trazer conseqüências pra família dele, que nada tinha haver com nosso relacionamento.
Relacionamento... Será que podia chamar uma noitada assim? Pra mim foi bom, mas e pra ele? Seria só uma transa?
_ Eu já vou. – suspirei baixo, virando as costas pra ele também, pegando minhas peças de roupa espalhadas pelo quarto – Mas não pense que terminamos. Ainda precisamos conversar.
_ Não há o que conversar. Foi apenas uma noite. Com direito a bis. Fim. – e aquilo veio como uma bomba pra cima de mim.
Se antes ele não queria conversar, agora eu também não queria. Não depois de receber na cara a resposta que aquilo não significou nada pra ele. Então porque passou a noite comigo? Por que me deixou ficar lá? Nós poderíamos ter transado e eu iria embora depois.
Infelizmente aquelas eram perguntas sem resposta. E... mesmo se tivessem, eu não as queria, não mais.
Vesti-me, ajeitei muito mal o cabelo e sai do quarto, sendo seguido pelo loirinho.
_ Ali é a saída. – apontou-me quando chegamos ao fim do corredor, sem nem ao menos dirigir um último olhar pra mim.
Caminhei até lá, vendo-o entrar em outra porta, que o levaria à cozinha. Fechei a porta devagar para não fazer barulho e sai cabisbaixo.
Como imaginei, eu sofreria de novo. Pois mesmo que eu quisesse, não ia conseguir afastá-lo de minha mente tão rápido, ele soubera me marcar, fundo.
E, o que poderia ser uma noite agradável, tornou-se o pior fora que eu já levei.
Aquilo doía.
