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Snape acordou do transe alguns segundos após vê-la lamber o dedo.
- A senhorita ficou louca !? – Ele indagou em meio a uma exclamação. Sua irritação era pelo que ela tinha feito e por ele ter absurdamente gostado!
A jovem não se intimidou com a raiva do professor, tirou o dedo da boca e chegou o mais próximo que podia dele, mas não para beijá-lo e sim para respondê-lo. O ouvido era seu alvo.
- Não... - a palavra saiu como um sopro e ela sentiu quando o corpo dele reagiu - ... sei que me deseja, que me quer... – engoliu o desejo, instigando-o mais - … sua máscara de mau não me assusta...só... me... atrai...- e lambeu a orelha dele demonstrando o que falara.
Snape não se mexeu a não ser pelo tremor que passou pelo seu corpo, ele a queria, era óbvio! Virou a cabeça e recebeu na boca a segunda lambida que Hermione tinha direcionado para a orelha dele. Prendeu a língua safada dela entre seus dentes e beijou-a com volúpia aprofundando o toque ao sentir a retribuição. Agarrou-a pela cintura trazendo-a para junto dele e ao soltar a boca molhada dela falou:
- Você não se esquecerá de mim. - Os olhos dele brilhavam no meio da escuridão.
- Eu não quero – Hermione respondeu arfante.
Em meio ao diálogo uma voz diferente surgiu chamando-o.
- Severo, Severo, Severo!
Snape acordou perdido e ao olhar para lareira viu Minerva outra vez.
- Pensei que tinha desmaiado, estou chamando você há quase 5 minutos – a Diretora reclamou.
- O que deseja Minerva?- Ele se ajeitou na poltrona irritado com a interrupção.
- Só quero avisar que receberá visita dentro de alguns instantes. - Ela declarou.
- Visita? - Espanto – Oinvasor já chegou?- Indagou levantando uma sobrancelha.
- Severo por favor! – Minerva repreendeu.
- Quem é? – Inquiriu novamente, mas no mesmo instante ouviu batidas na porta.
- Chegou. - Respondeu Minerva.
Os olhos estreitos de Severo fitaram a porta para procurarem em seguida por Minerva na lareira, mas ela já tinha sumido.
- Inferno! - Ele esbravejou ao levantar. Arrumou as vestes e caminhou para a porta com toda sua antipatia. Com uma palavra murmurada a porta foi aberta e a cara de raiva foi substituída por uma de surpresa.
- Olá Severo! – O sorriso era no mínimo...diabólico.
Snape sentiu um calafrio congelá-lo da cabeça aos pés.
- Bom dia invasora. - Ele cumprimentou com sarcasmo.
- Não me convidará para entrar? - Hermione indagou ansiosa.
A contragosto Severo deu passagem para ela que não hesitou.
Hermione foi direto para poltrona acomodando-se. Era a primeira vez desde que começara a lutar por ele que ela conseguira chegar tão perto.
Severo continuou parado junto da porta.
- Não vai sentar-se? - Ela questionou.
Ele a respondeu com um sorriso irônico.
- Partilhe comigo o motivo do sorriso. - Hermione pediu.
Snape não sentou. De pé, olhando para ela declarou:
- Você referindo-se a mim com tamanha intimidade e convidando-me para sentar em meus aposentos. - O sorriso continuava lá.
- Se você não fosse tão formal isso não seria necessário. - Ela disse.
-Não sou formal senhorita Granger, sou educado – seu voz ficou baixa.
- Viu, ainda me chama de senhorita Granger. Parece que sou sua aluna e que está prestes a brigar comigo - ela brincou na tentativa de acalmar o ânimo dele.
- - Caso a senhorita ainda fosse minha aluna decididamente não estaria em meus aposentos agora – Severo declarou frio como o inverno europeu.
- Mas, graças a Merlin não sou mais – Hermione disposta a não se render levantou e começou a caminhar pela sala – Ambiente é agradável, um pouco fria mesmo no verão, mas não deixa de ser aconchegante.
Severo não respondeu ao elogio e ela continuou.
- E já que o dia está lindo, o que acha de darmos uma volta lá fora? Há tempos não venho a Hogwarts. - Hermione fitou-o ansiosa pela resposta.
- Uma poção está a minha espera. - Ele disse sem pensar.
- Que tipo de poção?
Severo amaldiçoou o momento em que abriu a boca e falou sobre a poção, a aluna tinha aparecido naquele instante. O diálogo que estava ruim ficaria pior.
- Poção calmante – respondeu a contragosto.
- Ah Severo por favor, você sabe também quanto eu que é só lançar um feitiço de estase e nada de mal acontecerá a poção - ela declarou com um sorriso de vitória.
- Eu não gosto de sol.- Ele falou apertando a base do nariz.
- Eu sei que vivendo tanto tempo nas masmorras qualquer um deixa de gostar de sol, mas isso não impede que você aceite meu convite. Vamos? - O sorriso não deixou o rosto dela.
Severo fez uma careta antes de tomar a decisão. Ele realmente não gostava do sol, mas também não aguentava mais ver tanto sorriso. Considerou que era melhor aceitar antes que ela começasse a utilizar de outros artifícios que iam além da simpatia. Com um bufo ele se rendeu e sinalizou para que ela passasse a sua frente.
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Caminhando em direção ao jardim Hermione tentou estabelecer uma conversa amistosa mesmo diante do semblante fechado de Severo.
- O que você tem feito? - Ela perguntou puxando assunto.
- A sua capacidade de percepção está falhando senhorita? Por um acaso não percebeu que as atividades escolares estão de férias? - Severo respondeu com duas perguntas ácidas.
Hermione pensou em responder a altura, mas decidiu engolir a resposta e não entrar no jogo dele. Continuou como se nada tivesse acontecido.
- Eu começo o mestrado período que vem – ela informou.
Severo a olhou e isso animou a continuar.
- Adivinha em quê? - Hermione sugeriu.
- Não gosto de adivinhações senhorita Granger – Severo respondeu sério.
- Esqueci disso – risos - Eu também não. Farei em Poções – declarou.
Parado na entrada principal Severo não olhou para ela nem a parabenizou pela escolha, mas dentro de si explodiu de orgulho. A Sabe-Tudo da Grifinória gostava e muito de Poções.
- Adoro o sol, pode parecer que não devido a cor da minha pele, mas gosto muito de sentir esse calor... hum...me refaz - ao ouvir o despretensioso gemido, Snape lembrou que aquele som era agradável ao seus ouvidos. Desarmou-se, baixou sua guarda.
- Vamos senhorita Granger? – Convidou-a chamando para sair e continuou o diálogo – Mas, sua graduação não foi em Feitiços?
- Sim. É porque quando estava na faculdade eu estudei Poções Enfeitiçadas. Matéria muito interessante, minha tese foi a partir da premissa básica.
- Toda poção não é enfeitiçada. Interessante. Passou em que posição? - Ele indagou interessado
- Em segundo lugar, por quê?
- Hum...a Sabe-Tudo já não é mais a mesma- ele sorriu em deboche.
Hermione adorou ver aquele sorriso.
- É porque também estava me preparando para o mestrado no mundo trouxa.
- Para?
- Relações Internacionais, é ...-
- Não precisa explicar, esqueceu que sou um mestiço? - Ele sorriu pela segunda vez.
- Verdade, muito tempo sem conversar com você me faz esquecer esses detalhes. Seu sorriso é lindo Severo, deveria sorrir mais vezes.
E pela segunda vez Hermione Granger conseguira deixá-lo com as bochechas rubras. O calor da vergonha tomou conta de seu rosto.
Chegaram a beira do lago.
- Sinto saudades daqui, das pessoas com as quais convivi e que não verei jamais. – Ela se referia aos mortos na guerra.
Nenhuma palavra da parte dele.
- Severo...aquela noite na sede da Ordem...
- Senhorita Grang...
- Não Severo, deixe-me terminar – fitou as águas do lago que pareciam um espelho de tão calmas – Aquela noite na sede da Ordem foi só aquilo...só...hã...desejo...e...nada mais? - Olhou para o reflexo dele na água.
-Senhorita...
Ela o cortou.
- Por favor, Hermione – e virou-se para ele – Chame-me de Hermione. - Pediu.
Um minuto de silêncio.
- Her...Hermione...aquela noite foi...foi...não foi só desejo...aquela noite...mas... - Começaram a cair gotas do céu e ambos olharam e viram uma nuvem solitária que encobria o sol. Era dela que vinham as gotas que os molhavam. Ele continuou.
- Mas...foi só aquela noite...infelizmente – ele manteve-se olhando para frente.
Hermione olhou para ele com ternura, há tempos queria acreditar que aquela noite não tinha terminado ali, que havia algo mais. Ela não o conhecia o suficiente para saber se ele seria tão vil com ela, porém uma voz em seu interior dizia que existia algo que ia além do desejo.
- Hermione – ele a chamou desviando seus olhos do horizonte para o espelho de água.
- Estou aqui - ela respondeu repousando a mão no ombro dele.
Snape viu através do reflexo quando ela aproximou-se.
-Caso você... hã... esteja... esteja... disposta... podemos nos... - a gola nunca ficou tão apertada –...nos conhecer melhor, conversar... caso você queira. - Ele conseguiu falar.
- Claro que quero Severo – e a mão dela desceu do ombro para a mão mais próxima, segurando-a entrelaçando seus dedos dos dele. Um beijo demorado dela no rosto marcado dele pela vida difícil completou o momento.
Eles ficaram juntos debaixo da chuva fina sem se importarem.
- Veja Severo - ela apontou para um lindo arco-íris.
- Não gosto de arco-íris Hermione. - Ele falou virando-se, dando as costas para o lago.
Eles voltaram próximos um do outro para dentro do castelo. Hermione sabia que Severo era um homem reservado e teria que ter paciência, mas isso não seria problema para quem esperou por tanto tempo.
Do alto do castelo atrás de uma janela Minerva sorria com o que acabara de acontecer.
- Até que enfim Alvo. - Suspirou e olhou para o quadro que a respondeu com um sorriso e uma piscadela.
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Notas Finais do Capítulo:
Gostaram??
Sim ou não?? Envie reviews!!
Cap. final...espero que gostem, tia
Ingrid brigadinha de novo;*
