Série: Harry Potter (J. K. Rowling)
Classificação: Yaoi, Yuri, Lemon, Dark-Lemon, Romance, Angst ( 18)
Advertências: Homossexualismo, Estupro, Referências a Álcool
Escrito Em: 14 de Julho de 2003
História paralela à "Cruéis Intenções".
[Chantagem
Ao acordar, notou-se atado a uma árvore. Atado pelas tiras que vira nos braços do outro antes da perda da consciência. Sentia-se estranho. Além de estar na posição de cativo do outro, sentia-se estranhamente relaxado. Aquele era um momento de sentir-se tenso e ele, embora assustado, não se sentia assim. Talvez com um pouco de raiva, mas...
"E então, Cicatriz? Sente-se bem?" perguntou Draco, ele trazia em uma cesta algumas ervas e, ao deixar esta cair por terra, Harry percebeu que se tratavam das ervas que Sprout queria.
Se ele sabia tão bem onde estavam as ervas, por que lhe indicara o caminho errado? É claro que aquele ali era Draco Malfoy e faria de tudo (e mais um pouco) para prejudicá-lo, mas naquela situação, qual seria seu ganho? Cada vez mais se mostrava sábio não analisar a lógica de um Malfoy.
"Ah, sim. Maravilhosamente bem" tentou ser irônico e demonstrar todo seu desprezo pela situação em que se encontrava.
"Bom – o sorriso que exibiu foi ainda mais sarcástico do que a resposta de Harry – fico muito feliz que se sinta confortável. Pois temos muito a conversar..."
"Como assim 'conversar'? Não acredita mesmo que eu pretendo ficar aqui 'confraternizando' com você?" Harry deixou uma nota de aflição transparecer em sua fala.
"Oh, não. Longe de mim. – a guerra de sarcasmos tornava-se ainda mais acirrada. – Mas, mesmo que não queria, vamos conversar. E antes de tudo, uma pequena lição: 'Jamais siga o caminho que um Malfoy te indicar' – Harry anotou mentalmente que aquilo fazia muito sentido e ali se aplicava muito bem – agora que você está um pouco mais instruído" o moreno tentou entender se aquilo era mais uma das indiretas do loiro, porém logo percebeu que fosse o que fosse, ainda não era toda a "conversa" que teriam.
"Vamos logo! Esse jogo não tem graça e quero voltar logo para o castelo, já que, além de ter me feito o favor de me enganar, você já pegou as ervas. Então... importa-se de me soltar?"
"Sim, me importo. Você fica tão lindo amarrado" Harry não compreendeu se fora mais uma brincadeira ou se... aquele olhar, aquele olhar divertido. A noite inteira Draco apenas brincara, brincara com leves pitadas de seriedade, porém, ainda assim, não passaram de brincadeiras... Harry estava se tornando um brinquedinho para Draco.
Só então notara a si mesmo. Não estava simplesmente amarrado. As tiras prendiam seus pulsos ao redor da árvore, assim como cada uma de suas pernas estava atada a uma árvore próxima (como se fosse um Y invertido), suas calças, capa e sapatos haviam sido retirados e abandonados num arbusto qualquer. Apenas sua roupa intima, meias e camisa permaneciam intactas... será que Draco ia... não! Nesse momento o estranho relaxamento que sentia o abandonou e sentiu-se quente imaginando o que viria em pouco tempo.
"Sabe aquelas flores que viu agora há pouco? – Draco começou de modo pausado – Você deveria saber que elas incitam ao sono. Só se pode aproximar-se delas após ter tomado um bom antídoto. Tenho sorte por você não ser tão precavido e eu, por outro lado, ser bastante – Harry corou de raiva, seu baixo conhecimento sobre esses detalhes do mundo bruxo o revoltava – e bem... além do sono, há quem diga que ela incita a outras coisas, gostaria de confirmar tais boatos?" Harry tentava processar a informação, o que lhe acontecera? Será que a raiva de ter sido acusado injustamente o fizera ficar burro e lento? A ponto de não compreender todas as insinuações do outro?
Apenas o beijo que sentiu em sua face o fez compreender, claro que aliado ao beijo que recebeu em seus lábios. Draco ia... ah, sim, ele ia. Tentou protestar, mais seus lábios eram violentados e agora entendia quais eram os efeitos da planta de flores lilases: deixava-o a mercê do outro. Primeiro relaxado e depois quente, em seguida entregue. O loiro fizera tudo de caso pensado e só ao ter a camisa aberta com violência tendo todas as costuras dos botões arrebentadas, avaliou todos os últimos acontecimentos:
A detenção em conjunto. O sorriso implacável. O não revidamento ao soco. A indicação do caminho errado. As plantas afrodisíacas. E as tiras o atando a árvore.
Apenas não conseguia reagir. Apenas não queria reagir.
Sentiu os beijos correndo em seu corpo e seus braços roçando na madeira nodosa, só não os ferindo devido ao tecido da camisa, acreditando, porém que esta logo se rasgaria com a fricção. Talvez as meias tenham sido deixadas para não permitir que tivesse os tornozelos lacerados, mas mesmo assim ainda lhe doía a corrente sangüínea presa.
Enquanto que os olhos semicerrados e a falta do auxílio dos óculos não lhe permitiram ver, quando o loiro puxou de seu bolso um canivete, e usando este arrebentou a costura lateral da roupa íntima de Harry e este sentiu a terra da floresta em suas partes íntimas, assim como as carícias ousadas e a invasão que o levou a uma sensação que jamais cogitara em sua vida e embora não fosse e nem tivesse vontade de admitir ao outro, adorara.
Ao acordar, ainda tinham as tiras presas em seus pulsos embora estas já estivessem desatadas das árvores. Viu a camisa que usava destruída, desde os botões arrancados às mangas rasgadas com vários arranhados em seus braços, feitos estes pela madeira. Percebera-se nu e com sangue e sêmen entre suas pernas, sêmen não apenas do outro, mas seu também, o outro o fizera participar do ato, e embora não pudesse precisar o que sentira se lembrava de ter sido... "agradável"? A escolha da palavra o assombrou a princípio. Desatou as tiras de coro e buscou suas roupas, imaginado em como conseguiria alguma dignidade para voltar ao castelo em roupas rasgadas e ainda todo sujo. A resposta veio através da toalha jogada pelo sonserino.
"Sem dúvida você fica lindo amarrado. Mas fica ainda mais lindo assim... – o sonserino aproximou-se como se após o primeiro contato não mais precisasse de reservas em relação ao outro – devo dizer que você é o melhor que já experimentei..." Que tipo de comportamento era aquele? Draco estava confirmando a Harry que já abusara de outros garotos antes? E como ele tinha coragem de ainda encara-lo? Com a toalha em mãos, limpou-se como pôde, buscando a tão esperada dignidade.
Ponderou se o encararia, a si mesmo admitia ter gostado, embora quisesse ter resistido. O que diria? Durante toda a noite havia sido enganado e subjugado, poderia tentar inventar falsos pudores e recriminar o outro, entretanto, se o fizesse, não estaria fazendo a si mesmo?
"Por que tanto silêncio? Não vá me dizer que não gostou, não é?" Draco exibiu um sorriso inquisidor, o que ele queria mais de Harry?
"O que quer que eu diga? – o grifinório foi frio, mais frio do que supusera poder ser, porém o foi – você praticamente me estuprou, e quer que eu diga mais o quê?"
"Ora... poderia elogiar meu desempenho, não?" Malfoy parecia não medir palavras.
"Ora, seu..." embora esgotado, reuniu o que sobrava de forças e investiu-as num único soco, um soco no ar, pois o loiro se desviou. E, ao golpear o ar, desequilibrou-se indo direto ao chão; já previa que naquela noite, em momento algum, sairia vitorioso. Seria apenas ridicularizado e humilhado e por que não reagia, por que estava tão lento, tão burro?
Preparou-se para a queda iminente e as risadas que o outro sem dúvida daria. Entretanto, estas nunca vieram. Foi amparado e abraçado.
"Você tem que parar de sair dando soco no ar... sabe? Ele não sente dor."
"Hn – sentiu-se mais uma vez tolo, mas se deixou repousar no abraço, não sabia mais se de seu inimigo, de seu algoz, de um sonho, ou de uma versão alternativa de Draco Malfoy, uma versão capaz de ser irônica, estúpida, até mesmo violenta e, então, em momentos como esse, doce.
" Afinal, que diabos você quer de mim?? – a paciência que se danasse – não vá me dizer que ainda vai querer mais!"
"Não, não... não quero diabos, só desejo lhe mostrar algo..."
"Mostrar?? Mas que merda poderia me most...? Que??" foi tudo o que pôde dizer ao ver as folhas de papel fotográfico que Draco tirava de um envelope.
"Sabe, outra coisa que você tem que aprender é: podemos estar sendo observados" Harry ficou estático ao observar as fotos que Draco lhe oferecia a observar. Pareciam ser todas fotos dos momentos em que se encontravam em pleno ato sexual, assustou-se ao ter noção de tudo que Draco lhe fizera aquela noite e se assustou ainda mais por ter gostado daquelas coisas, entretanto observou como seus corpos pareciam se completar, e como parecia que Draco estava mais empenhado em lhe fazer sentir bem do que outra coisa.
Não, não, não! Não poderia começar a divagar sobre coisas como aquelas; "Alô? É Draco Malfoy, não percebe?" dizia-lhe uma voz insistente em sua mente.
"O que pretende fazer com isso?" perguntou sem cerimônia, sem cuidado em não passar seu pavor, claro que Malfoy deveria ter outras cópias daquelas fotos e possivelmente se as divulgasse nos corredores de Hogwarts, iria perder não só a imagem, não a do Grande Herói, pois esta não lhe era importante, e sim a imagem de homem, afinal, ninguém lhe consideraria um "homem de verdade" ao entregar-se a outro como uma fêmea. E o que diriam seus amigos ou seu padrinho? Se fosse divulgado, aquilo não se conteria apenas nos muros da escola.
"Depende apenas de você" Draco dissera de modo tranqüilo, tinha o outro em suas mãos.
"Como?" perguntara incrédulo, oras, o que poderia ser feito para se salvar?
"Façamos um acordo, se aceitar, essas fotos e as cópias serão queimadas, se não aceitar, hoje de manhã (afinal, já era madrugada), todos saberão de como o famoso Harry Potter gosta de ser tratado como uma fêmea" o sorriso dele só serviu para que Harry avançasse com toda a força, não, não apenas a força física, mas também a força moral e do orgulho e neste ataque pôs o outro de encontro a uma árvore e pressionando fortemente o pescoço do outro, num sibilo perigoso.
" E qual seria o acordo?"
"Simples. Seja meu namorado por um mês e estará livre" disse enquanto tinha o pescoço apertado, sem aparentar dificuldades em responder.
"O quê?" Harry sentiu-se confuso, Draco lhe abusara e agora o queria como namorado? E quais seriam as funções de um namorado de Draco Malfoy? E por que aquilo?? Pensou seriamente se não seria mais lucrativo deixar que toda sua moral descesse pelo ralo ao invés de ter que ceder mais uma vez ao outro.
"Harry... posso te chamar assim, não?? Afinal, somos mais do que íntimos, agora – o Menino que sobreviveu fez uma cara de profundo nojo – sei que o que direi agora é piegas e juro solenemente me punir depois de ter dito isso, mas o que posso fazer? Sou apaixonado por você, ou pensou que eu, Draco Malfoy, dedico tanto tempo atormentando alguém por nada? Você fica lindo irritado, sabia disso? Te provocar me excita. Não nego que me dá um prazer imenso perturbar a vida dos pobres grifinórios, que só tem coragem como consolo de suas vidas, mas não devo ter ficado tanto no pé de um quanto no seu, não é?"
"Bem, você atormenta meus amigos e Neville, e acredito que seja de graça" respondeu com certo desgosto.
"São casos diferentes, o Pobretão e a Sangue-ruim, atormento-os porque não agüento vê-los tão perto quem deveria estar perto de mim, e quanto à bola gorda do Neville, pelo amor de Merlin, ele é um praticamente órfão, atrapalhado e bobão, ele vive uma vida quase de Cinderella, então me ponho no dever de lhe mostrar que ele jamais terá um príncipe para tira-lo dessa vida de miséria, e portanto, para que ele pare de se iludir, achando que algum dia terá salvação..."
"Você é cruel" Harry limitou-se a dizer pensando no que Neville diria se tivesse ouvido tal frase, não que ela não tivesse algum fundamento, mas era negativa demais para alguém já tão sofrido quanto Neville.
"Obrigado. Então, o que diz de ser meu namorado? Analise, será por apenas um mês, se não tiver gostado, estará livre e não vou mais te importunar, entretanto se gostar, poderemos continuar até enjoarmos um da cara do outro..." o moreno se perguntou intimamente se Draco não seria um excelente advogado ou talvez um maravilhoso profissional da área de marketing.
"E o que terei que fazer? Digo, sendo seu namorado, o que faremos?" não soube se perguntara por pura curiosidade, ou se por querer ter alguma previsão do que se tornaria sua vida.
"Não sei, - parecia ponderar com um ar divertido – podemos ler poesia e comer bolos juntos, - fez uma careta – mas como sei que nem eu nem você temos certas inclinações, poderíamos apenas fazer sexo animal em todos os cantos do castelo" a cara cínica deu a Harry uma imensa vontade de espanca-lo.
"Pervertido!" soltou enfim o pescoço do outro, e se deixou cair exausto na terra. Havia sido estuprado e agora era chantageado a propiciar novas chances de estupro.
Olhou para o céu como se este algo pudesse lhe dizer. Nada foi dito. Um mês para livrar-se de um atormento, é talvez não fosse tão ruim. Poderia muito bem, arranjar chances de boicotar o outro e, apenas em momentos inevitáveis, iria se entregar à luxúria do outro.
"Tudo bem, eu aceito" disse em um tom que lhe pareceu bastante derrotado.
"Sabia que era esperto!" anunciou puxando o outro pela mão, levando-o a se levantar, e como se não houvesse nada mais natural, beijou-o com fúria e Harry mais uma vez viu-se dividido entre a sanidade e a loucura. Estar ali por si só era estar louco. Então, deixar de resistir mais uma vez na mesma noite, não lhe faria mal...
Continua...
