Disclaimer: Twilight não me pertence, mas essa história sim, assim como a filha da Bella e do Edward, portanto respeitem!
Oi, como vão? Decidi postar os extras que escrevi para alguns capítulos (mais precisamente: 20, 25, 26 e 27). A princípio eu enviei esses pequenos extras para as pessoas que comentaram nestes capítulos, mais ou menos uns 2 anos atrás rs Muita coisa mudou desde então. Eu iria postá-los quando terminasse a fanfic, mas decidi adiantar... acho que vocês merecem por todos esses anos esperando haha ps: eu vou voltar a postar MUV sim, me aguardem!
[ATENÇÃO]
CONTÉM SPOILERS DO CAPÍTULO 20 de MAIS UMA VEZ
Edward
Da mesa, assisti a porta batendo e ela indo embora. O apartamento ficou vazio novamente. Mais frio e mais escuro. Meu peito arfava com a sensação estrangeira que se acomodava ali, e eu levei as mãos ao rosto, fechando os olhos por um instante.
Dentro das minhas fantasias, jamais imaginei como seria o depois. Como eu me sentiria quando contasse tudo e Bella enfim soubesse a verdade. Sempre mirabolei as reações dela, mas não as minhas. Tudo havia sido muito mais intenso do que eu esperava, e definitivamente mais pacífico. Diferente.
Minha cabeça ainda estava em transe pelo que acabara de ocorrer nessa sala. Ficamos praticamente imersos no passado durante o tempo em que Bella estivera aqui, perdidos em momentos cruciais ou remotos de uma década atrás, e voltar à superfície do presente era difícil.
Não houve gritos, apenas vozes exaltadas pelo calor do momento. Não houve acusações, mas sim verdades sendo ditas e assentadas entre nós. Já era um enorme passo que nós dois demos juntos.
Me sentia feliz, mas apavorado com as perspectivas do futuro. Me sentia extasiado, mas culpado, ansioso, envergonhado, nostálgico. Confuso. Ao mesmo tempo que sentia um alívio tremendo, agora havia um novo fardo: o que fazer daqui por diante, o que aconteceria? Em primeiro lugar, eu torcia com todas as forças para que pudesse ser perdoado, ou ao menos compreendido. Já estava ansioso para a próxima vez que Bella fosse me procurar. Eu precisava disso.
Mas como ela iria agir comigo agora que possuía essas informações nas mãos? E como iríamos proceder com Claire, o que falaríamos à nossa filha? Ela merecia saber de tudo, também, e talvez já estivesse na idade certa para saber lidar com essas coisas.
Além do mais, minha cabeça estava sendo martelada por uma grande e inconveniente dúvida sobre qual caminho tomar caso Bella tivesse o interesse de voltar para mim, mesmo que essa chance fosse tão remota quanto eu acreditava ser. Eu era um realista, já havia desistido de pensar que nosso relacionamento voltaria a acontecer, porém era impossível aquietar a esperança tímida que surgia no meu coração.
O que eu faria com Tanya? Era uma questão que formava uma névoa cinza de dúvida toda vez que pensava nela. Não, eu estava me precipitando. Não era hora de pensar nisso, ou de ter esperanças desse tipo. Tanto Bella quanto eu precisávamos de tempo, e era isso que eu pretendia dar a ela. Havia algo novo começando em nossa história, mas ainda era muito cedo para dizer o que significava, e com certeza uma reconciliação estava completamente fora de quadro nesse instante.
Levantei da cadeira quando não foi mais suportável ficar sentado ali, e fui até o banheiro. Parei na pia para lavar o rosto, e o reflexo no espelho chamou minha atenção. Me enxerguei cansado e envelhecido. Talvez por conta da barba que crescera desde ontem, das rugas suaves e das lágrimas secas que manchavam as bochechas - novos adornos que eu havia adquirido com a maturidade. Se o Edward de 25 anos me visse hoje, certamente não me reconheceria, e ainda me chamaria de fraco.
Como a vida poderia ser irônica, não? Eu daria tudo para ter sido fraco dessa forma naquele tempo. Ao menos assim eu seria capaz de admitir falhas, erros, medos. No decorrer dos anos, aprendi que não havia problemas em expressar emoções, e que nem todas as coisas ruins do mundo aconteciam por minha causa. Isso havia dado uma certa leveza em alguns aspectos da minha existência, especialmente nas minhas relações com as pessoas mais próximas.
Não, definitivamente, eu não era um fraco. Se cheguei até aqui foi por que combati todas as possibilidades negativas que estavam no meu caminho, porque quis melhorar a minha vida e a das pessoas que me amavam e apoiavam.
Entretanto, eu acreditava que faltavam poucas coisas para minha cura - para a minha absolvição interna e pessoal -, e ter o perdão de Bella era uma dessas. Sem isso eu jamais estaria completo. Ou melhor, sem Bella eu nunca ficaria inteiro, mas tê-la de volta para mim já seria um abuso à generosidade do destino. Aprendi a viver sem ela, e mesmo que fosse doloroso e imperfeito, aguentaria viver assim pelo resto dos meus dias. Demorou para chegar a essa conclusão, mas nessa altura da vida, eu havia enfim me dado conta de que eu deveria ser mais importante do que o amor que nutria por essa mulher. Meu amor não definiria quem eu era, as minhas ações sim. E era nisso a que eu me apegava agora.
Estava surpreso e satisfeito comigo mesmo por ter me mantido sob controle durante a noite. Diversas vezes recitei a mesma história para Stefan, em busca de respostas e resoluções, mas a situação de hoje era completamente diferente de estar dentro de um consultório com meu terapeuta. Não era fácil tocar nesse assunto sem desmoronar completamente, então ter Bella como ouvinte tinha sido fisicamente excruciante, com tanto esforço. O fato de eu ter lidado tão bem com nossa conversa e não deixado as emoções me consumirem de todo era um grande avanço. Quem sabe dessa vez eu finalmente conseguiria diminuir as visitas à Stefan para apenas uma vez por semana?
É, até parece. Já seria sonhar alto demais.
Escovei os dentes, troquei as roupas pela camiseta surrada de dormir e me enfiei debaixo das cobertas, mentalmente exausto. O que não adiantou muito, já que rolei na cama diversas vezes. Minha mente não conseguia desligar por um minuto sequer. Flashes da noite cismavam em reprisar na minha memória, enquanto eu me lembrava de coisas que eu podia ter dito, ou talvez frases que eu poderia ter falado de outra forma. Tive que me conformar que não havia mais volta. O que estava feito, estava feito.
Minha cabeça estava barulhenta demais para a hora avançada da noite que o relógio já apontava. 23h40. Merda, eu iria trabalhar como um zumbi amanhã.
Eu precisava falar com alguém. Contar o que eu estava pensando que não me deixava dormir, e só assim conseguiria colocar em ordem tudo o que aconteceu hoje. Seria apenas natural. Já havia me acostumado com esse mecanismo, a comunicação me ajudava a processar as coisas.
Saí da cama num impulso e peguei o telefone. Olhando o fone nas mãos, porém, não consegui discar nenhum número. Era tarde para isso.
Pensei em falar com Alice, mas não pareceu adequado. Pensei em Tanya. Mas como eu explicaria isso a ela? Depois de Alice, ela era a única amiga que eu tinha atualmente e sabia de praticamente todos os meus segredos. Mas eu já havia entendido muito bem o recado de que minha noiva não ficava nada feliz quando eu estava a sós com Bella. Tanya era paciente e compreensiva somente até a página dois. Não, eu estaria arranjando uma discussão desnecessária para a madrugada.
Eu precisava de alguém neutro, que viesse livre de julgamentos para mim. Stefan seria uma boa, porém eu estaria lhe devendo 40 dólares ao final da ligação.
Ao mesmo tempo, a ideia de expor o que se passara hoje entre Bella e eu parecia errada. Era íntimo demais. De repente, meus dedos coçaram para discar somente um número. O dela. Só Bella iria entender o que eu queria nesse momento. Droga, eu queria lhe contar tantas coisas mais.
Como sempre, larguei o telefone sobre a mesa da sala, sem discar seu número. Eu não tinha essa liberdade. Ainda.
Então fiz o que havia perdido o costume de fazer há tantos anos. Voltei para o quarto, peguei meu notebook e o iniciei. Havia pressa nas minhas mãos e ansiedade no meu peito. Abri rapidamente um documento em branco de texto, e meus dedos encostaram no teclado para vagarem quase com vida própria.
Durante mais de uma hora, escrevi e escrevi. Sem freio. Sem muitos pontos, mas com muitos erros - estes não eram importantes. Escrevi todos os pensamentos que eu deveria compartilhar com mais alguém, mas que naquela hora apenas eu mesmo poderia ser o meu melhor amigo e ouvi-los. Quando achei que já havia desabafado o suficiente, apenas fechei o computador.
Ainda não era hora de reler. Não parecia que daria certo processar qualquer coisa dessa forma, já que tudo ainda era tão recente. Resolvi que leria novamente daqui a algum tempo, esperando que quando eu o lesse já fosse um Edward diferente daquele que escrevera aquilo. Eu podia não estar confiante sobre meu futuro com Bella, mas definitivamente, estava positivo de que seria outra pessoa ao final de tudo isso.
Ainda mais forte, mais maduro, mais sábio. Conquistando pequenas vitórias todos os dias.
