Clímene recebeu a notícia de que se casaria com Stelios.
Estaria sonhando? Como isso podia ser? Ela, uma espartana que em nada se distinguia, se casar com um dos mais distintos soldados da guarda de elite do rei?
"Você tem muita sorte, Clímene", sussurrou-lhe ao ouvido a mãe, que olhava para seu pai, ao lado de Stelios. O pai assentiu, como se concordasse com o que ela dizia.
Stelios a olhava com um sorriso no canto dos lábios. Por que ele concordara em casar-se com ela? E mesmo assim, ela não podia deixar de estar espantada, mas feliz. Stelios, que tinha o cabelo cor de ouro misturado à terra, que tinha olhos profundos, azuis como o mar Egeu, que tinha o rosto viril e a voz que ressoava em cada centímetro dela, seria seu marido.
Depois de firmado o casamento, Clímene estava sozinha em um quarto totalmente escuro, com exceção de duas réstias da luz da lua, esperando que seu marido viesse torna-la sua esposa. Nunca estivera tão nervosa.
A única coisa que podia ouvir era sua respiração acelerada, que tentava a todo custo acalmar. Olhava para os lados como se pudesse ver alguma coisa mais do que as réstias de luz permitiam, mas era inútil. Não podia reconhecer nada.
Juntava as mãos, aflita. Apesar de, como uma mulher espartana, ter recebido uma educação sexual, tendo que engravidar de um hilota, não era uma mulher do gosto dos espartanos. Não tinha ideia do que fazer, de como aprazer um homem... e muito menos Stelios, um perfeito homem espartano. Ele não iria querer saber dela, veria que erro foi aquele casamento, e... Oh deuses, e então o que seria?
Secou o suor das mãos na túnica, tentando se controlar.
Foi então que viu um carmesim aparecer em uma das réstias de luz, como se alguém o tirasse, e viu uma parte do rosto dele. Que logo sumiu. Não ouviu nada. Ele se movimentava como um soldado experiente, ágil como um felino que fica à espreita. Ainda desnorteada, sentiu a respiração dele em seu ouvido.
Ele estava com as mãos em seus braços, como da primeira vez em que se encontraram. Ela se recobrava do susto, sentindo a respiração calma dele. Os sopros de ar resvalavam quentes em sua pele. Distraída por essa sensação, sentiu os dedos dele roçarem seus ombros, e com um único movimento sua túnica estava no chão.
Ela assustou-se, deixando escapar um fiapo de voz. Quando viu, ele estava na sua frente e podia ver seus olhos arregalados. Estava nua na frente do mais perfeito dos espartanos. Seu marido. E estava ali, presa ao chão.
Os olhos dele estavam calmos, como o mar à noite sem ventos. Sua expressão era indecifrável para ela. Sentiu ele passar as pontas dos dedos por suas costas, subindo até chegar à sua nuca, a outra mão circundando sua cintura.
Ele a olhou nos olhos e disse:
"Posso imaginar você como uma ninfa", ele disse com a voz tão profunda, que a hipnotizava, enquanto sentia ele tocar a curva de sua cintura. "Uma ninfa inocente, com espanto nos olhos e um frescor nos lábios", ele aproximou mais o rosto até encostar a boca na dela. Passou os lábios sobre os seus e sua mão adentrou o seu cabelo, soltando o coque e a trança que o prendia. Mordeu levemente o seu lábio inferior, provocando um pequeno gemido. Teve a impressão de vê-lo esboçar um pequeno sorriso. Ele falou em seu ouvido, os lábios colados a ele: "Não seja tímida".
Sentiu-o passar a mão devagar por sua coxa, até chegar ao seu quadril. Ela ofegou, sem poder evitar quando ele a puxou para mais perto. Ela deslizou os dedos pela linha do abdômen dele. Chegou mais perto e pôs as mãos em seus ombros. A respiração dele caiu macia em seu ouvido, esquentando até a raiz dos cabelos.
"Venha, ninfa assustada", ele sussurrava, o que parecia uma música atraindo-a, preenchendo cada espaço do seu pensamento. "Não vamos com pressa. Vamos devagar", e então sua boca estava a centímetros da dele, "Bem devagar".
A próxima coisa que sentiu foi suas costas contra a parede, e o beijo ardente dele. Suas mãos espalhavam um calor intenso que roubava o chão de seus pés. Clímene parecia tatear os ombros dele, enquanto ele percorria seus braços. Então Stelios pegou Clímene pelas coxas e a encaixou no seu quadril, ela se assustou e segurou os ombros dele. Ele a levou para a cama, afastou com a cabeça uma mecha de cabelo que teimava em cair. Clímene, meio hipnotizada, passou os dedos por seus cabelos presos, afundando um pouco os dedos neles. Os seus olhos azuis a fitavam intensamente, como se quisessem chegar à sua alma. Ele passou a mão por baixo de seu joelho e o levantou, expondo a perna à luz da lua. Passou o dedo devagar ao longo da coxa, fazendo os pelos se eriçarem na luz branca. Espalhou pequenas mordidas pela pele macia, ouvindo a respiração descompassada de Clímene. Subiu ao longo do quadril e continuou, mordiscando a curva da cintura – Clímene mal pôde conter pequenos espasmos. Ele parou e foi até seu ombro, dando-lhe uma pequena mordida. Então encarou-a, sua testa a centímetros da dela.
Seu olhar ofegante o fez alargar seu sorriso. Sentiu as mãos dela sobre seu peito. Tímida, descia os dedos pelo abdômen. Aquele toque indeciso fez o pulso de Stelios acelerar. Trocou de posições, deixando Clímene por cima. Desnorteada, ela ficou alguns segundos sem saber o que fazer, mas o olhar dele lhe disse para ir em frente. Devagar abaixou a cabeça e beijou o seu abdômen, subindo para seu peito. Stelios fechou os olhos e respirou mais devagar. Provavelmente ela nem fazia ideia do que estava fazendo com ele. O jeito como os lábios dela, ainda que brevemente, se colavam à sua pele, era uma carícia deliciosa. Fazia seu sangue correr mais rápido. Clímene beijava com adoração, às vezes roçando apenas os lábios na pele, até que aproximando-se do queixo o beijou, e Stelios capturou os seus lábios em um beijo. Trocaram novamente de lugar, e ao romperem o beijo Clímene pôs os dedos sobre a boca de Stelios, ele moveu os lábios contra eles, como se os beijasse. Ele abaixou a cabeça devagar, inclinando-a para encaixar na curva de seu pescoço. Beijou desde a base até perto da orelha, fazendo uma leve sucção na pele. Ela enfiou as mãos em seu cabelo, cada vez mais solto, com os olhos fechados tentando se encontrar nas inúmeras sensações que o corpo dele contra o seu causava.
Ela fazia respirações curtas, como se um pouco de ar se perdesse em cada beijo dele. Stelios se voltou a ela, que passou as mãos para seus ombros. Stelios abaixou a cabeça e encostou o nariz no dela, ele com os olhos fechados lambeu os meus lábios. Deu um pequeno gemido que reverberou no corpo inteiro de Clímene. Ele a achava desejável. Então passou uma das mãos para as costas dela, trazendo-a para mais perto, e encaixou os seus quadris. E começou uma dança à qual Clímene respondia segurando firme seus ombros, como se aquele fosse o seu refúgio. A testa colada à de Stelios, ambos de olhos fechados e mexendo os lábios como se quisessem balbuciar alguma coisa. As respirações dos dois se fundiam, em sincronia com o ritmo de seus corpos. À medida que o ritmo ficava mais vigoroso, Clímene afundava as unhas nos ombros dele, e Stelios, que tinha a outra mão na nuca dela, enterrava mais os dedos em seu cabelo. A ansiedade de Clímene se dissolvia em uma miríade de sensações que a tomavam por completo e faziam com que seu corpo se movesse com a maior naturalidade, vez ou outra arrancando pequenos gemidos de seus lábios. Stelios também se sentia tomado por essas sensações, um tanto surpreso por aquela menina tê-las provocado tão fácil. Alguma coisa nela – talvez o gosto dos seus lábios – o tentava.
Clímene começou a sentir coisas diferentes – uma mistura de ansiedade e um pouco de dor que eram sobrepujadas pela excitação – como se estivesse perdida contudo não se importasse. Stelios respirava mais ruidosamente, sentindo seu pulso acelerar ainda mais como se aquilo o consumisse por inteiro junto a ela.
No ápice, soltaram o ar ao mesmo tempo, deixando que a respiração se acalmasse, e ficaram assim por alguns minutos. Lânguida, Clímene levantou um pouco a cabeça para encontrar os lábios de Stelios em um breve beijo. Ergueu as mãos para brincar com as mechas de cabelo dele que quase roçavam seu rosto, enquanto sentia-o passar as pontas dos dedos por suas costas, levando a pequenos arrepios. Clímene sentia suas forças desvanecerem-se e ser invadida por um doce torpor. Os olhos de Stelios foram a última coisa que ela viu.
