2º Capitulo

- Bom dia Nana...

Silencio...

- Ora, Já se foi... Odeio quando ela vai antes de mim...

Madara se levantara da cama, sem notar o bilhete sobre a mesa... Arrumara-se como de costume, tomara seu café, mas era como se algo lhe avisara que alguma coisa estava errada...

Ficara impaciente durante algum tempo, até notar que havia sangue espalhado por alguns cantos da sala, descobriu então que era sangue de Pein...

- O que aconteceu? – Disse Madara assustado, mirando o olhar fúnebre de Pein...

- Nada demais, não se fala de preocupado... Matei aquela que tanto atrapalhava...

Madara nem deixou que Pein terminasse de falar, partiu em disparada para o quarto, procurando vestígios de Konan... Notara então um bilhete sobre a mesa...

"Sei que não posso ficar parada... E que é difícil para você entender, mas eu não serei escrava novamente... Lutarei por você, e mesmo que morra, ainda sim, não desistirei... Porque enquanto meu coração conservar os desejos de estarmos juntos, todos os meus sentidos ainda lutarão com esperança para ficar com você...

Não Me esqueça...

Com Amor...

Seu Anjo ,Konan..."

Do mesmo desespero que tomara o papel com as mãos, o soltara... Ele corria para o campo de treinamento da mulher... O homem misterioso e calmo que sempre fora, estava tomado pelo ódio de não tê-la impedido de lutar...

Notava-se o corpo da mulher no chão, havia sinais de luta por todos os lados, inclusive naquela que ele tanto queria bem...

Estava ainda vestida com a tradicional capa da Akatsuki, seu cabelo, molhado por suor, revelava sinais de febre...

Madara checara-lhe os sinais vitais, não podia ver marcas profundas pelo corpo, tentava apenas fazer com que era despertasse... Não sabia se era veneno ou algo do tipo...

"Acorde Konan, você é forte mulher, não me deixe agora, não suportaria não ter ninguém para dividir o mundo comigo..."

Era isso que passava na cabeça do homem, seguido de um longo abraço no corpo da mulher, que tantas vezes, se encontrara na mesma situação, mas ao invés de gemidos, somente podia sentir escorrer algo das costas da mulher... Era sangue... Pein a apunhalara por trás... Típico de um assassino traidor... Era o sinal da Morte de Konan...

Tentou pensar rápido... "Hospital... clinicas. Não ela não suportará uma viagem assim... seu pulso está fraco, e perdeu muito sangue... terei de cuidar dela..."

Madara nunca se dera conta de que ela era tão importante assim em sua vida, que somente um único pensamento de perdê-la, já o deixava em desespero... E o homem que antes era tão compenetrado, estava ali, prestes a perder o controle...

"Concentre-se, ela precisa de você agora... e você precisa raciocinar"

Sabia que ali por perto, existia uma pequena cabana abandonada, já estivera por lá, em um dos seus passeios noturnos com Konan...

Ajeitara a mulher da melhor forma em seus braços, para que a lesão não se agravasse... Sentia o corpo dela tão quente e molhado, como sentira na noite anterior, quando a desposara, mas não podia ver seus orbes brilhantes, assim como, seu sorriso calmo e aconchegante...

"Eu vou estar com você Konan... Não me abandone..."

Avistara a cabana, se aproximara cuidadosamente, com os pés, abriu a porta, lembrando-se da noite em que fizera o mesmo, mas Konan estava acordada, claro, embriagada, metralhava seu pescoço de beijos... Colocara Konan em uma poltrona, correra ao banheiro, e deixara a banheira enchendo... Voltara rapidamente à sala e começara a despir a mulher...

"Tantas vezes lhe fiz isso Konan, Não me deixe ficar sem o vício de você..."

Levantara a mulher nua, com sangue que escorria das costas, e levara nos braços para banhar-lhe o corpo...

Vestira konan com uma roupa que havia achado no armário... Um vestido preto, que deixara com um buraco no lugar do ferimento, assim, poderia tratá-lo.

Deitou Konan, de bruços, delicadamente na cama que ele mesmo renovara os lençóis, que havia achado em um baú.

Ela encontrava ainda descorada, com os braços e costas nus... Sua pele mantinha o tom branco que Madara tanto desejava. Seu cabelo caia-lhe sobre a testa desnuda... Parecia dormir... Um Anjo descansando...

Madara fazia os procedimentos necessários para fechar-lhe o ferimento. Notou que não era tão profundo, que não havia afetado os órgãos internos, mas que perdera muito sangue, era essa a razão da febre. Fizera um curativo, e tratava-o com algumas ervas que havia na floresta ali por perto. Controlava a febre da mulher, e a alimentava mesmo ainda desacordada...

Ficara ao seu lado o tempo todo... Dormia segurando a sua mão, e sempre monitorando seu estado...

"Volta Konan... Volta pra Mim.."

- Madara... – Sussurrava com dificuldade... – Onde... O que houve?...

Konan despertara, depois de um tempo desacordada... Madara havia adormecido, ao lado de Konan, e acordara ouvindo a voz de sua pequena, de sua protegida...

- Konan... – num sobressalto, se encontrara em frente à mulher... Olhava nos olhos dela, e beijava-lhe a face...

- Onde estamos? O que houve?... Só me lembro que lutava com Pein... E... Ai... dói-me as costas...

- Fique calma, está tudo bem agora... Estamos longe, naquela cabana... Lembra-se?

- Sim...

- Esqueça Pein... Você está comigo agora...

Dias após o acidente, ainda juntos, no mesmo local, Konan se recuperava, não integralmente, ainda existiam vestígios de fraqueza...

- Konan... Estive pensando... – falava Madara encostado em uma poltrona próxima à cama onde a mulher repousava...

- Hum...

- Onde está Pein? Seu corpo verdadeiro... Eu sei que você sabe...

- Eu sei...

- É o único Jeito de proteger o sentimento que mantemos... Venha... Está na hora... - Disse o homem abrindo a porta...

- Não tem outro jeito...

Madara somente a levantara em seu colo, por mais curada que estivesse ainda não estava em condições de se esforçar. E claro, gostava quando Madara lhe tomava nos braços, sentia-se próxima aquele homem, que antes o achara tão frio e incapaz de amar... Mas que lhe salvara a vida novamente, e cuidara dela com tanta dedicação...

Madara sabia que o reencontro com Pein seria complicado para Konan, mas seria a única forma de vingar-se dele...

Konan pensava com atenção no que estava fazendo, e guiava Madara pelo caminho... Não sabia o quanto seu ódio a motivava tanto... Fora Burra... Fizera tudo errado... Pein tinha muitos corpos... Ele só queria matá-la... Não a amava... Só queria proteger a localização de seu corpo original, que ela conhecia...

- É aqui...

Era um modesto lugar... Longe se suspeitas...

Entraram no local, e coisas passavam pela mente de Konan, quantas vezes tinha feito aquele caminho, quantas vezes implorara por atenção... Mas somente recebia resquícios, restos, porque a única coisa que Pein pensava, era em conservá-la ao seu lado, para não morrer...

Avistara dali a verdadeira forma de Pein... Sabia que ele não tinha como se defender, ou simplesmente correr...

- Ora... Ora... Quem diria que nos encontraríamos aqui novamente... Cadê toda sua defesa? Cadê seus "Mascotinhos" Pein?

- Cale-se... – Pein ainda não acreditava que Konan havia sobrevivido, e que mais ainda, havia revelado seu segredo, e estava ali, no colo do seu "amigo"... Sabia que não daria tempo de se proteger adequadamente...

- Não é ruim se sentir desprotegido? – Disse Konan, pulando do Colo de Madara...

A mulher caminhava no ambiente que antes lhe era tão familiar e que agora lhe parecia um túmulo frio...

- Sabe o que é doar a vida por alguém? Sabe o que é venerar alguém Pein? Não né? Mas eu sei...

- Porque Konan? Por quê?

- Por amor... É algo que você não conhece... – Os olhos da mulher carregavam ódio... Mas mantinha-se calma... Caminhou novamente até Madara, e colocou-se defronte a ele...

- Sabe Pein... Madara me Abriu os olhos... O corpo dele, despertou o meu... A voz dele me tocou o coração e me fez perceber a escrava que eu sempre fui... Cansei de ser a idiota que te seguia... Hoje, ele é o meu Deus...

Ao dizer isso, Konan segurava o pescoço do Uchiha, e lhe fazia as mãos escorregarem pelo próprio corpo... Beijava delicadamente os lábios do homem... Sua idéia era provocar Pein, mas esquecera disso, uma vez que Madara a abraçara...

Ele entendia o que Konan queria... E naquele momento, sua idéia era mostrar a Pein, o que ele havia perdido... Sabia que ele não podia se mover, e ao julgar pelo lugar que se encontravam, tinha certo tempo para fazer o Jogo da Mulher...

Sabia que a seduzira, e que ela era doida por ele... Não só pelo mistério todo especial atrás da personalidade forte, ela o amava, e provara quando entregou o corpo de Pein a ele...

Deixou que seus braços envolvessem o corpo de Konan, e se entregou a paixão... Amara Konan, com todo seu fulgor, mas delicadamente, porque a mulher ainda sentia dores em seu corpo...

Konan apenas suspirava, e deixava que o amor a conduzisse... Não se preocupava com o espectador, esquecera dele no momento em que fora tomada por Madara...

Pein somente observava a cena, sentia ódio dos dois, e ódio de si mesmo, por não ter se dado conta antes, dos sentimentos que a mulher nutria por ele...

Observava o carinho do homem, com o corpo de Konan, e a forma que evitava tocar nos ferimentos que ela ainda apresentava... Toda dedicação que ele poderia ter dado a ela, e não foi capaz...

Konan sabia que mesmo tendo chegado perto da morte, não fazia diferença para ela naquele momento, porque Madara sempre lhe trazia a vida...

Estava ali nos braços do homem que tanto desejava... e porque não, amava? Afinal, ele era sua razão dali pra frente...

Meio avermelhada, não por timidez, mas pelas mordidas que Madara lhe havia depositado... Levantara-se meio ofegante, ajeitara-se nas suas vestes, e deixara o Uchiha na mesma posição, este, apenas a observava...

- Desculpe Pein... Não pude resistir... Ele me faz isso... – Apontava para Madara, enquanto falava... Sinceramente, eu me devotei de todo meu coração, me sacrifiquei, para que você fosse no mínimo grato... E Eu ganhei apenas indiferença, e quando eu estou mais feliz, você me vem dessa forma?

Konan se dirigia em direção ao corpo de Pein... Uma aura de maldade lhe dava um tom sombrio e seu corpo apenas se movimentava... Sacou então uma Kunai, que tinha escondido, e de fronte a Pein, se encontrava...

- Nunca mais... Nunca mais se atreva a ameaçar a minha felicidade... Você não tem esse direito... Você simplesmente esqueça que eu existo... Somos obrigados a conviver no mesmo local... Mas isso não significa que você manda em mim, portanto, afaste-se... Porque se eu me sentir ameaçada, eu te procuro até no inferno...

Ela apenas cravara o artefato que carregava na mão, sobre um ponto qualquer do corpo de Pein... Não foi muito fundo, mas o suficiente para provocar um sangramento...

Dirigiu-se até Madara, que já se encontrava de pé, e esse, apenas lhe cedeu o colo... Era o trono da mulher... No colo do seu Deus...

- Vamos ver Pein... Quem irá te salvar? Sempre será sozinho...

Saiu dali nos braços do Uchiha... Não se importava se Pein iria viver ou morrer... Só se importava com o próprio futuro...

Não era mais uma escrava, era uma mulher livre... Uma deusa aos olhos do homem que lhe carregava... E não apenas o servia... O Cultuava...

Era Seu Deus... Seu Madara...