Capítulo 2

Primeira lição básica

Luffy e Sanji finalmente voltaram para a sala, recebendo olhares desconfiados da arqueóloga Robin, percebidos apenas pelo cozinheiro do navio. Afinal, o capitão já havia entrado todo animado e a fim de arranjar alguma brincadeira com o Usopp e Chopper, já que ficar sem fazer nada era como uma tarefa impossível para o moreno.

Enquanto todos estavam concentrados em descansar e aproveitar a estadia, a porta se abriu vagarosamente, revelando aos poucos um homem sem camisa, incrivelmente alto e um tanto quanto musculoso, com cabelos pretos e olhos cor de mel. O mesmo apresentava um semblante sério e despertou certo medo em Usopp e Nami, que se abraçaram, prontos para gritar a qualquer momento. Contudo, os dois perceberam a pequena garotinha sair correndo em direção ao homem misterioso, pulando nos braços do mesmo e gritando um "papa" realmente alegre.

Yuka Sasaki fora acolhida pelos calorosos braços do pai. Este sorria abertamente agora, abandonando a seriedade de antes e despertando curiosidade na tripulação. Pelo visto, não era alguém perigoso. Muito pelo contrário: os olhos dele emanavam um brilho protetor e extremamente amável, com certeza dava para perceber o quanto se importava com a pequena garota. Aliás, ela possuía uma sorte incrível! Poucos no mundo recebem tamanho carinho.

– Yuka... – Sussurrara ele, carregando-a no colo – Quem são essas pessoas estranhas? – Dessa vez, havia falado alto o suficiente para todos escutarem – E... Por que tem um esqueleto andando e falando? – Brook dera sua típica risada e os olhos do pai de Yuka arregalaram, havia ficado definitivamente sem palavras.

– São meus amigos, papa! – Ela erguera a mão e apontara cada um com o indicador, pronunciando o nome e a função de todos - Sanji, o cozinheiro. Luffy, o capitão. Franky, o robô com lasers e ele que construiu um navio enorme papai! Usopp, o mentiroso e também medroso! Robin, a moça que pesquisa as coisas. Chopper, o médico e agora meu Pokémon favorito e por último, Nami, a grande navegadora! Ah, papa, eu que fiz o cabelo dela – Ele olhara atenciosamente os cabelos ruivos da garota a sua frente e sorrira:

– Cada vez melhor, filha! Assim virará uma grande cabeleireira! – Beijou a testa da Yuka e a colocara finalmente no chão. Ao invés dela sair dali, agarrou as pernas do querido pai e ficou se pendurando como um macaco nelas – Prazer em conhecê-los! Chamo-me Setsu Sasaki, sou pai da Yuka! Espero que não tenham feito nada de errado com ela – Todos ficaram arrepiados ao ouvir a última parte. Era inacreditável o fato dele ter uma voz tão macia e ao mesmo tempo conseguir ser decidido e aterrorizante na hora de pronunciar palavras impactantes. Ainda mais quando o assunto era a querida filhinha dele. Provavelmente, um grande pai coruja.

– O prazer é todo nosso! – Luffy respondera animado, esticando o braço de borracha dele e mais uma vez, assustando o dono da casa:

– O QUE SÃO VOCÊS, AFINAL? – O capitão estava prestes a responder. Porém, Brook interrompera com uma voz extremamente depressiva e encontrava-se ajoelhado:

– Fui... Esquecido – Tentara rir. Apenas tentara – Meu coração está partido. Mas, oh... Não tenho um coração, porque sou apenas ossos! Yohohoho – Ele se levantara com tudo e se apresentou, finalmente:

– Meu nome é Brook e eu sou o rei da música! Prazer em conhecer! – A mão que ele estendera para cumprimentar Setsu ficara no vácuo. Todos já haviam ido para a cozinha e ele permanecera sozinho na sala, tornando a ficar depressivo e tendo um único pensamento "fui... ignorado".

– Ojiisan! – Gritou o capitão – Meu nome é Monkey D. Luffy e eu vou ser o Rei dos piratas! Shi shi shi – Setsu riu juntamente com ele, logo voltando a ter um ar sério:

– Ojiisan hã? O que você quis dizer com isso, pirralho? – Luffy passou a encará-lo, ainda sorrindo e tentando se desculpar – Tenho idade para ser seu irmão! Não é, Yuka?

– Sim! Papa e mama se casaram logo cedo – Setsu a abraçara e logo tratou de desviar o assunto. Ela sempre chorava quando se lembrava de sua mãe. E aquilo deixava o coração dele em pedaços. Gostaria, realmente, de poder trazê-la de volta. Sua criança... Tão jovem e já sofrendo. Na cabeça dele, tudo isso era muito injusto.

– Vocês são piratas então... – Todos permaneceram calados e passaram a observar o dono da casa. Pela primeira vez, ele sustentava um olhar triste e vazio. Parecia ter algum tipo de repulsa com relação aos piratas. Setsu Sasaki, ao perceber ser o foco das atenções, tratou logo de romper com o silêncio desconfortável e com um aparente ânimo na voz, falou finalmente:

– Conte-nos sobre suas viagens! – Deu uma garfada na comida preparada especialmente para ele pelo Sanji (a pedido da pequena Yuka) e completou - Nunca saímos dessa ilha e o mundo lá fora parece incrivelmente grande!

Com isso, os mugiwara, juntamente da família Sasaki, tiveram uma noite cheia de risos e muita diversão. Em alguns momentos, quando a comida acabava, Sanji preparava petiscos deliciosos e colocava à mesa, rendendo dessa forma horas e mais horas de conversa. No entanto, o sono os alcançara finalmente. Assim, cada um partiu para um canto qualquer da casa e dormiu. Com exceção de Robin e do anfitrião:

– Setsu – Sussurrara uma morena de longos cabelos negros – Está tudo bem mesmo ficarmos aqui? – Um sorriso melancólico escapou dos lábios dele:

– No início, fiquei receoso. Mas, vocês não são como os piratas que conheci... – Ele a encarou finalmente:

– Se fiz a escolha certa em deixá-los ficar, só o tempo dirá – Apagou a única luz restante e desejou boa noite, deitando-se ao lado de sua filha após dar um último beijo na bochecha dela antes de apagar completamente.

Estava finalmente amanhecendo e os primeiros raios solares atingiam a casa, acordando cada um lentamente. Ainda se encontravam cansados pela festa de ontem à noite. E no mínimo, surpresos: o dia era de Sol. Muito Sol. Contrastando completamente com o clima anterior.

– Pessoal! – Luffy corria todo agitado pela casa, pulando de um lado para o outro – Acordem! Novas aventuras nos esperam! Olha só aqueles bichos que engraçados! – Apontava para pássaros de porte médico com um focinho de porco no lugar do bico – Acordem! – O capitão fora nocauteado pela navegadora. Ela estava com uma aparência realmente assustadora. Os cabelos todo desgrenhados e uma cara de sono completamente inchada, como se já não fosse suficiente, gritava, conseguindo assustar todos e inclusive despertar o riso do Usopp:

– SILÊNCIO! UMA DAMA PRECISA DE SONO... UMA BELA DOSE DE SONO! MALDITOS – Ela se virou para o narigudo do bando e ele logo tratou de esconder o riso. Caso contrário, o próximo a apanhar seria ele – Francamente, vocês são um pé no saco – Ela se espreguiçou e com as indicações de Yuka foi guiada até o banheiro, onde tomou uma bela ducha gelada para esfriar os ânimos e acordar de vez.

– Nami kowaii! – Choramingava Chopper, enquanto era consolado por Robin com um carinho nas costas.

– Acorda Marimo de merda! – Berrava o loiro sem remorso algum, pronto para chutar a cabeça dele a qualquer instante - Ou vai ficar sem sakê! – Os olhos do espadachim abriram de imediato e uma longa discussão foi iniciada ao perceber que era tudo mentira do cozinheiro pervertido.

– Usopp, quer passar na loja de ferramentas logo? Assim ficamos com a tarde toda livre! E podemos passar na praia – Brook, sem ser convidado, os acompanhou. Estava cheio de segundas intenções, é claro. Praia para ele era quase como um sinônimo de calcinha e mulheres maravilhosas correndo de um lado para o outro e jogando água uma na outra. O paraíso de Brook.

Zoro se recompôs da briga com o cozinheiro e decidiu procurar por algum lugar na sombra para poder malhar. Robin fez questão de acompanhá-lo: estava com vontade de ler num lugar tranquilo e menos ensolarado. Fora que o espadachim com certeza iria se perder. Ele não reclamou, apenas deu de ombros e pediu para se apressar. Logo, os cinco: Zoro, Robin, Franky, Usopp e Brook deixaram a casa, seguindo seu caminho.

Yuka decidiu ir à praia, junto com Setsu, responsável por ela e Nami, que estava a fim de pegar um bronzeado. Ela gostaria de estar na companhia de Robin. No entanto, quando saiu do banho a arqueóloga já havia partido. De qualquer forma, não iria sozinha. Isso já bastava para ela.

Chopper optou por permanecer na casa e bisbilhotar a biblioteca (havia recebido autorização tanto da Yuka quanto do Setsu). Restando assim, Luffy e Sanji. Os dois partiram juntos para um lugar reservado onde teriam a primeira lição de casa sobre como conquistar as mulheres. Se daria certo ou não, dependeria tudo de Luffy e suas ações.

– Bem-vindo à primeira aula do Mr. Prince! – Sanji ficou esperando por aplausos ou qualquer outra palavra vinda do capitão. Até notar que o moreno observava atentamente os pássaros da ilha, não dando atenção a ele – Luffy! – Só de chamar por ele, já sentia vontade de desistir – Luffy! – Ele se virou para ele e bateu continência.

– Sinto muito! É só que... – Ele voltou a apreciar os focinhos de porco – Eles são tão legais!

– Olha só... Você quer acabar logo com as sensações estranhas, não é? Você quer poder ficar perto da sua nakama como antes, não é?

– Sim! Sim! – Sanji se aproximou dele e com um olhar determinado, murmurou, impaciente:

– Então preste atenção!

Após a bronca e com uma postura completamente diferente e decidida, Luffy passou a escutar cada palavra atentamente:

– Para você atrai-la, devem ter gostos em comum! Além de, claro, realizar alguns desejos dela. Por exemplo, se ela precisar de uma bebida, vá lá e prepare ou até mesmo compre uma. Pequenas coisas, entende? E tendo coisas em comum, poderão iniciar uma conversa... Simples, não é?

– Oh, é só isso? Parece fácil! Certo, irei acabar com tudo num piscar de olhos!

– Luffy, Luffy, Luffy... – Balançava a cabeça em discordância, vendo que não chegariam a lugar nenhum dessa maneira– Não é algo assim tão fácil. É preciso de tempo! E insistência. Não é como se você fosse conseguir algo logo de cara. Afinal, não depende só de você. Mas também dos sentimentos da Nami-swan! – O moreno inflara as bochechas formando um enorme bico de decepção, levando embora a empolgação de antes – Não desista assim tão rápido! – Esbravejara o cozinheiro – Você vai conseguir! Só não será um processo assim tão rápido – "Será muito, extremamente, definitivamente lento" Completou Sanji em pensamento. Contudo, as últimas palavras de apoio fizeram Luffy sorrir abertamente. A confiança havia voltado. Tal qual sua força de vontade.

– Bom, a primeira lição do dia é: descobrir algo em comum com a Nami-swan. Depois de descobrir, conversem sobre isso, saiam... Faça o que der! – Luffy assentira com os pulsos cerrados e a sensação de vitória estampada no rosto.

– Yosh! Darei o meu melhor! – O moreno saíra todo saltitante, abandonando um cozinheiro extremamente preocupado com a situação.

– Devo estar criando um monstro... A sensação de que tudo dará errado, por que será... Por que será que ela não sai de mim? – Soltou um suspiro profundo e rapidamente começou a correr, "dane-se", pensara ele, "as mellorines me esperam".

Com a primeira missão dada, Luffy dava mais um passa para o seu destino. Enquanto Sanji corria avidamente para a terra dos sonhos, chamada praia. Lá, procurava encontrar a sua querida donzela. Ou donzelas... Quanto mais, melhor.

No caminho para onde Nami se encontrava, Luffy esbarrou num membro da tripulação. Nico Robin.

– Luffy-san – Sorriu – Poderia saber para onde está indo? – Arqueou uma das sobrancelhas e esperava a resposta, desconfiada.

– Para a praia! Shi shi shi – Pobre Luffy, tão ingênuo...

– Encontrar alguém? – Os olhos dele estreitaram e finalmente pareceu entender onde ela queria chegar – Acabei ouvindo sua conversa com o cozinheiro-kun e gostaria de ajudar, se possível – O rosto dele enrubesceu por completo e Robin deixou escapar um riso amigável – Não se preocupe, não contarei para ninguém – Ele respirou aliviado. Um peso enorme havia acabado de sair de suas costas.

– Então, acho que não tem como falar não, né? – Ainda sem jeito e envergonhado, ele sorriu.

– Sim, definitivamente não tem como falar não – E pela primeira vez, Luffy captara a verdadeira essência de Robin:

– Você é cruel.

– Já esqueceu minha especialidade? Assassinato – Os dois deram um sorriso contido. Estavam sem compreender como haviam chegado naquela situação - Não poderia ser diferente, certo?

– Obrigado, eu acho...

– Não há de quê! Pois bem, sobre a sua primeira lição...

– Desde quando você estava escutando a nossa conversa?

– Segredo!

Dessa maneira, mais uma ajuda chegava. E as chances para conquistar Nami só aumentavam. Ou talvez, considerando ser Luffy o homem apaixonado, as chances permanecessem as mesmas.

Só o tempo dirá.