E lá vamos nós!... não sei precisar o tempo que esta história está parada, talvez 5 meses? Bem, antes tarde do que nunca, vos trago o capítulo dois! Fiquei feliz que não sou só eu que shippo Cedrico e Hermione, hahahaha 3

Divirtam-se (ou tentem rs):

Beijo e Mel, por Menina Maru


Capítulo II – Teu cheiro me dá prazer


36... 35... 34... 33... 32... 31...

Sim, ele estava fazendo aquilo. Contando os segundos para aquele bendito relógio bater às 19h, o sino tocar...

14... 13... 12... 11...

Tinha visto corridas desesperadas e gente arfando depois do exercício de atravessar às pressas o grande salão e jogar seu nome dentro do Cálice de Fogo. Candidatos que, no último minuto, escreveram seu nome num pedaço rasgado de pergaminho, depois de passar os dois dias anteriores pensando se iam ou não iam... Às 18h o prazo findou e há exatamente 59 minutos o Cálice estava escolhendo os três nomes que teriam chance de entrar para a história. Coragem, sacrifício, técnica e nobreza no coração: que bruxo não queria um título como esse pairando sobre o seu nome?


O sino finalmente tocou, anunciando a hora que todos esperavam: o Cálice de Fogo já tinha a sua decisão. Imediatamente, o salão começou a ficar mais lotado e os cinco colegas da Lufa-lufa que estavam na mesma mesa que a de Cedrico de repente tornaram-se 30 ou 50, de todas as casas. Vários deles batiam-lhe com camaradagem nas costas. Os alunos estrangeiros enchiam o ar com sotaques diferentes enquanto todos esperavam prof. Dumbledore, o anfitrião, aparecer e revelar o resultado.

Cedrico enganou-se quando achou que ficaria aliviado quando desse 19h. Pelo contrário, seu nervosismo só aumentou. Queria demais participar daquele torneio. Já era uma sorte imensa ter a idade certa no ano em que o Torneiro aconteceria e mais sorte ainda de ser na escola em que ele já estava acostumado, Hogwarts.

- Diggory... – Cedrico reconheceu a voz e aquele cheiro imediatamente – Boa sorte! Eu, Ron e Harry estamos torcendo por você! – Hermione falava empolgada e Ron atrás dela balançava a cabeça afirmativamente. Ele pegou nas mãos de Cedrico cumprimentando-o. Harry já estava em uma pequena arquibancada, guardando o lugar dos amigos.

Herminone não fez mais nenhum movimento, porém ele queria ficar um pouco mais perto dela. Aproveitou-se do aperto de mãos de Ron para levantar-se e dar um meio abraço nele. Terminada a não-tão-agradável experiência, virou-se para Hermione pretendendo fazer o mesmo (que mal faria um abraço, não?) porém, antes que pudesse se aproximar mais dela, a garota ergueu uma das mãos para a dele e a apertou firmemente, dando um imperceptível passo para trás. Não sabia se ela tinha ou não percebido suas intenções, entretanto conseguiu que ele se afastasse... um pouco.

- Obrigado pela torcida, Granger... – ele a encarou enquanto devolvia o firme aperto de mão. Porém, antes de soltar sua mão, abaixou seu tronco ligeiramente e levou a mão dela aos lábios, beijando-a. Continuou olhando-a nos olhos e não pôde deixar de notar o rubor nas maçãs da moça ao vê-lo beijar sua mão.

- Finalmente, o momento que todos esperavam!...

Começou. Ele viu Hermione sair apressada dali e logo estava junto com os quinquanistas da Grifinória. Cedrico suspirou, sentando-se de volta em seu lugar. Aquele breve contato com ela deixou-o mais sereno... mas não menos ansioso pelo resultado.

Krum, representando Durmstrang.

Delacour, representando Beauxbatons.

Hogwarts... Uma tensão insuportável estava ao redor da mesa de Cedrico.

- O campeão de Hogwarts é Cedrico Diggory!

Ele não conteve o sorriso e imediatamente um furor de alegria tomou conta da mesa. Cedric cumprimentou o prof. Dumbledore e foi juntar-se aos outros três – poderosos, diga-se de passagem – competidores. No caminho, viu uma Cho feliz andando em sua direção e chegando a ele, deu-lhe um abraço de parabéns.

- Você não vai acreditar em quem não parou de olhar para você desde que seu nome foi chamado e agora está fazendo cara feia porque eu estou te abraçando – ela falou alto o suficiente só para ele ouvir.

Cho afastou-se e se juntou com suas amigas. Cedrico olhou para trás e o olhar (seria enciumado?) de Hermione estava no seu. Ela imediatamente desviou e voltou a conversar com Ron.

Satisfeito, Cedrico ficou ao lado de Fleur enquanto esperava o fim da cerimônia.


Três dias haviam se passado e nada da primeira tarefa. Podia ser qualquer coisa, ele pensou enquanto guardava o seu material de Aritmância em sua pasta. Talvez fosse a mais fácil das três provas, ou então não teria um nível de dificuldade padrão para cada prova...

Durante todo aquele dia, seu pensamento esteve ligado a tal primeira prova que não vinha. Ok, não totalmente ligado à primeira prova. Cedrico sorriu, lembrando-se que havia conseguido prender a atenção de Hermione no dia do resultado da seleção para o Torneio. O problema era que agora quase não se viam... as aulas eram em corredores distintos, se bobear em lado opostos do castelo. Não se encontravam nas refeições.

- Bom, você sempre pode mandar uma coruja pra ela – sugeriu Cho sussurando, já que estavam na biblioteca.

- Uma coruja? – ele perguntou, incrédulo. – Não é como se ela morasse em outro continente e não tenho nenhum amigo na grifinória suficientemente próximo para lhe deixar um recado... mudam a senha da Mulher Gorda todos os dias. – ele suspirou derrotado.

- Senha? E por acaso você ia o quê, invadir o dormitório grifinório?... não, o dormitório feminino da Grifinória? O honrado campeão de Hogwarts, Cedrico Diggory, pegando suspensão por invadir dormitórios femininos? – ela completou, divertida.

- Coisas de um cara apaixonado. – Cedrico confessou.

Cho deu um pequeno "OH!" de exclamação e em seguida vários "shhhhh!" de repreensão ecoaram pela biblioteca.

- Você vai mandar uma coruja para ela agora mesmo – ela ordenou baixinho.

E lá estava ele no corujal. Sentou-se ali mesmo num dos raros locais que não estavam cheio de penas e sacou algumas folhas limpas de pergaminho. Dobrou as penas e arranjou um pequeno pedaço de madeira, firme o suficiente para ajuda-lo a escrever.

"Cara Granger...". Bom, "Cara Granger" não estava tão ruim.

Cara Granger, como você está?...

Percebi que não nos encontramos nesses três dias e assim não tive oportunidade de lhe agradecer sinceramente por sua torcida. Imagino que esteja bastante ocupada e espero que suas matérias neste ano estejam sendo aproveitáveis.

Estou aqui pensando em qual seria a primeira tarefa do Torneio. E logo meu pensamento foi para você...

Oh, será que ele deveria continuar a carta assim? Alguma desculpa deveria estar ali...

...Potter também está no torneio, porém não o vejo. Você tem alguma pista dessa primeira tarefa?

Devo dizer que falar com você naqueles minutos antes de sair o resultado foi bastante reconfortante.

Okay, aquela carta já estava sem pé e nem cabeça. Melhor parar por ali... Sim, ele era corajoso, mas não estúpido.

Um abraço,

Cedrico Diggory.

P.S.: Eu gostaria de falar com você pessoalmente. Amanhã os quinquanistas da Grifinória tem aula de Porções, certo? Você pode me esperar um pouco depois da aula?

Ele dobrou o pergaminho e deu um biscoito a uma das corujas enquanto amarrava sua carta no pé do animal.

- Diggory?... – Hermione o pegou de surpresa e, no mesmo momento, a coruja bateu as enormes asas cinzas e partiu. – Que coincidência encontrá-lo aqui! Mensagem para sua família?...

Hermione atravessou o corujal com um pequeno embrulho, que prendeu a atenção de Cedrico naquele primeiro instante.

- É para meus pais. – ela justificou sem ele perguntar. Estranhamente, estava se sentindo um tanto incomodada de estar ali sozinha com ele... incomodada não, era como se a qualquer hora ele fosse virar-se para ela e acusar-lhe de ficar lhe olhando no dia do resultado da escolha dos campeões. – Eles são dentistas, sabe... acabei descobrindo esse composto... quer dizer essa porção e ela ajudou a clarear um pouco os dentes de algumas amigas, então... – Hermione despachou o seu pacote com uma coruja. – Mensagem para a família?... – perguntou de novo, nervosamente.

Cedrico se aproximou da moça.

- E se eu lhe disser que já já essa coruja vai estar na sua janela? – ele riu-se. – Bom, eu estava querendo falar com você, mas não lhe encontrava de jeito nenhum... Cho me sugeriu uma coruja.

- Cho... sua namorada? – Hermione escondeu uma pontada de insatisfação – Vocês são o casal mais fam...

- Sh... – ele botou seu indicador sobre os lábios dela. – Ela é minha amiga.

Ambos ficaram surpreendidos com aquela súbita aproximação. Há, ao redor de todas as pessoas, uma linha invisível que separa o espaço individual de cada um, aquela linha que, quando atravessada por outra pessoa, torna o ar sufocante, faz surgir uma vontade de afastar-se e voltar a ter aquele espaço só para si...

Pois bem, foi o que não aconteceu ali. Cedrico estava mais perto do que o que seria considerado normal e o toque do seu dedo nos lábios da moça foi breve para não dar a ela chance de afastá-lo dali caso ele não fosse bem vindo. Logo seus dedos estavam cerrados dentro dos bolsos de seu uniforme. Ali ele teve uma leve, levíssima suspeita, de que talvez Hermione...

- Então... – ela cortou o silêncio e a linha de raciocínio de Cedrico. – Sem mensagens para a família.

- Sem mensagens para a família. – repetiu.

Hermione recuperou seu espaço afastando-se dele, fingindo limpar a saia.

- Eu devo voltar ao meu dormitório agora e esperar a coruja ou você vai me dizer o que queria tratar comigo? – ela perguntou divertida, já que ele não havia iniciado o assunto.

Veio-lhe uma súbita vontade de dizer a verdade, ou pelo menos parte da verdade. Essa parte que ele diria não incluía falar que, o fato de ela vir tão sinceramente torcer por ele (isso aliado ao fato de que ela era indiscutivelmente linda e inteligente) tinha-lhe despertado uma vontade de conhece-la melhor.

- Bom, na verdade... eu queria lhe agradecer pela torcida. Gostei quando você veio falar comigo.

- De nada, eu acho. Você vai representar Hogwarts muito bem e queria até lhe pedir que você ajudasse o Harry. – ele arqueou uma sobrancelha. – É um pedido meio estranho, visto que tecnicamente vocês são concorrentes, mas... aconteceu alguma coisa. Harry não pôs o nome dele ali, não queria que nada disso acontecesse. Eu tenho quase certeza que...

- ...tem alguém armando pra ele? – Cedrico completou a ideia de Hermione e nada lhe pareceu mais lógico.

- Isso! Olha, tem uma razão pela qual só deixam bruxos mais velhos participar. É perigoso... Harry até sabe se defender muito bem do que possa surgir nessas provas, mas tudo é muito no instinto. Não sei se o instinto vai salvá-lo dessa vez... – ela pareceu sinceramente preocupada.

- Então... a melhor amiga do menino-que-sobreviveu não confia nas habilidades dele? – Cedrico riu-se, gostando daquele clima agradável que estava na conversa dos dois.

- Não é isso... – ela deu um empurrão de leve no ombro dele. – Só me preocupo com o Harry e tenho me preocupado sozinha, já que Rony e metade de Hogwarts acha que ele colocou o nome dele ali só para se amostrar.

- Bom, cara senhorita Granger... – ele tomou a mesma mão que empurrou o seu ombro na sua e deu um aperto reconfortante. – Não fique preocupada. Tipo, preocupe-se, mas só um pouco. – ele sorriu. – Podem até ter armado, mas duvido que o Cálice de Fogo deixaria que o nome de alguém indigno de ser campeão fosse escolhido. Somos "inimigos", mas somos da mesma escola e o mesmo objetivo: trazer esse título para Hogwarts.

- Wow, você é mesmo um lufa-lufa, Diggory!... Obrigada.

Hermione devolveu o aperto de mão e, assim como ele, manteve aquele pequeno contato de pele com pele. Passaram-se três ou cinco segundos de silêncio, constrangimento e aperto de mãos até que Hermione resolveu falar antes que começasse a ficar corada:

- Sim, mas eu fugi do assunto. – Ela baixou o olhar do rosto dele para as mãos de ambos, notando que o polegar dele circulava pelos seus dedos. – Você falou sobre o torneio e não pude me conter... era para agradecer pela torcida mesmo? – Os olhos mel dela voltaram para os olhos também cor de mel dele, esperando claramente que houvesse algo mais do que um simples agradecimento.

- Não, mas... – Cedrico mordeu ligeiramente o lábio inferior e resolveu tirar um cacho que caía pelo rosto da moça, colocando-o atrás da orelha dela. – Se eu lhe disser, vou ter que inventar uma outra desculpa pra te ver... não vou muito bom com desculpas. – ele sorriu para ela que corou, mas retribuiu o sorriso. – Então, - afastou-se dela apenas para levar a mão dela aos lábios e plantar ali um beijo. Gostava de ver ela corar. - ...espere pela coruja. Aliás, ela já deve estar esperando por você.


Hermione estava esparramada na sua cama, espantada, com a carta que Cedrico tinha escrito a ela imprensada entre suas mãos e seu peito. Subitamente, sentou-se novamente na cama, endireitou-se e leu a carta de novo.

"Percebi que não nos encontramos nesses três dias...".

"Na verdade...", pôs-se a pensar, "não são três, há quatro dias que não vejo...". Ok, Hermione não havia percebido que tinha parado pra contar a quantos dias não via Cedrico. Ficou mais chocada ainda quando lembrou-se do pensamento que tivera antes de dormir nesses quatro dias. Por Merlin, ela passara várias horas na biblioteca e nada de ver Cedrico!

"É perfeitamente justificável", ela tentava explicar para si mesma que não havia motivo para afobação. "Cedrico era lindo, sabia conversar... era um dos melhores alunos de Hogwarts, uma inspiração para ela mesma, apesar de não almejarem a mesma área profissional... Agia como um cavalheiro... Sim, eu tenho uma queda por ele. Quem não teria? Oficialmente o campeão de Hogwarts...".

Aqui Hermione ficou imaginando se haviam provas aquáticas.

Cedrico fazendo provas aquáticas deveria ser muitíssimo interessante. Hermione voltou a deitar-se na cama inconformada com a agitação do seu coração. Lembrou-se das fofocas que rondavam o dormitório das meninas a respeito... bom, a respeito da (maravilhosa) forma física de Cedrico. Respirou profundamente, tentando controlar os seus pensamentos.

Uma coisa era ouvir falar e admirar platonicamente uma pessoa à distância, sem a menor pretensão de que algo algum dia possa acontecer... outra coisa era essa pessoa aos poucos começar a se aproximar de você, lhe enviar uma carta, não dizer o que tem nessa carta porque não é bom em "inventar desculpas para vê-la"... e pedir que lhe esperasse depois da aula de poções.

- Tudo bem, eu tenho uma queda por ele, não preciso que essa queda vire um precipício. – Hermione falou para si mesma, determinada.


Bom, chegara a hora. Fim da aula de poções. Harry e Rony já haviam saído e ela ainda arrumava seu material propositalmente devagar. Uma vez ou outra, olhava-se no espelho, inconformada que seu cabelo não ficava no lugar de jeito nenhum. Porém, adorava o tom de nude rosado do batom que estava nos seus lábios e estava tão afobada que suas maçãs do rosto estavam naturalmente coradas, dispensando o blush. Tudo o que ela precisava fazer agora era guardar os seus tinteiros e esperar por Cedrico do lado de f...

- Senhoria Granger. – a voz fria e forte do professor de poções a tirou completamente dos seus pensamentos. Corajosamente (afinal, todos tem um pouco de medo do prof. Snape) encarou o bruxo a sua frente. – Creio que essa sua embromação em deixar minha sala já durou demais e a menos que se retire agora serei forçado a retirar 100 pontos de sua casa, 50 pontos... - Snape sorriu, satisfeito pela oportunidade de retirar mais pontos da Grifinória - por atrapalhar minhas explicações em sala de aula e mais 50 pontos por insistir em atrapalhar-me até mesmo quando a aula termina.

Hermione deixou os seus tinteiros de jeito que estavam e se retirou do laboratório de poções imediatamente. Ela não teve nem mesmo tempo para se recuperar do fato de que quase fizera sua casa perder 100 pontos desnecessariamente: ali estava Cedrico, esperando por ela encostado na parede que ficava logo ao lado da entrada da sala-laboratório.

Já ele ficou aliviado em vê-la, já começava a pensar que tinha perdido-a naquela mutidão de alunos que circulou no troca-troca das salas de aula. Hermione aproximou-se dele e lhe soltou um oi, colocando os cabelos revoltosos para trás da orelha.

Cedrico não estava tão perto o quanto queria dela, mas ainda assim, era perto o bastante para absorver aquele cheiro maravilhoso de fruta que exalava a cada vez que ela mexia nos cachos.


Queridas Louise e U Nunes, obrigada demais pelo retorno de vocês! Espero que não fiquem tão chateadas comigo pela demora em escrever e espero que tenham gostado de ler também este capítulo, tanto quando eu gostei de escrevê-lo!