Ato I

2009

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- O que a gente vai fazer afinal?

Ele suspirou no ouvido dela, na penumbra, quando Bullock e Reynolds se calaram e uma voz anunciava os indicados. Ela revirou os olhos, o que mais diria?

Kristen já dissera incontáveis vezes que eles não iriam ganhar (e com isso não se precisava pensar no que iriam fazer, simples). Que não iriam ganhar de Sean Penn em um beijo com outro cara, ou de Angelina beijando McAvoy... Era, no mínimo, desrespeitoso. "Baby, é Mtv...A gente vai ganhar". E com isso Robert achou que não havia a necessidade de dizer mais nada aquele dia. Bastardo convencido.

Não adiantava relembrá-lo o quanto as fans dele a odiavam, todas queriam ser Bella, não iriam votar em Kristen Stewart para um premio, com direito a beijá-lo ao vivo e a cores. "Kris, we´re kind hot together". Ela tinha...tinha que revirar os olhos. Que tipo de argumento é este? "A verdade..." Inglês maldito! E maldita voz que a fazia acreditar naquilo mesmo não querendo!

Não ia acontecer. E tudo ia super bem até saírem os indicados. Robert surtou. E não a deixara em paz desde então. Ele revirava a internet e mostrava campanhas sendo feitas, e multiroes de votos, apostas, fóruns de fans discutindo o beijo e como seria TUDO vê-los se beijando fora das telas..e bla bla...

O que encontrava de tão atraente naquilo? Ela, com certeza, não achava nada divertido. Estava um pouco aterrorizada para dizer pouco. Toda aquela explosão de fans querendo parti-los no meio não era natural. E com ele? Primeiro, o rejeitaram; depois o amaram, depois o idolatraram e, não sabia dizer quando... Tudo saiu do controle. A mera menção do nome dele fazia alguns desmaios acontecerem. Que é isso? Por favor...

Sim, não era fácil. Estar do lado dele era a coisa mais certa de todas, mas não era fácil.

Não fora uma decisão fácil. Não mesmo. Mas vieram as sessões de foto, e as entrevistas, e as viagens, as capas de revistas, as fofocas, e as premieres... Japão definira tudo. E logo estavam gravando de novo, e aniversario dela de novo, e saídas, e escapadas, e o dele de novo ... E sei lá.. Aquilo não fazia de tudo aquilo uma tradição?

[Teria acontecido tudo se o filme não fosse um sucesso? Se eles não tivessem que filmar uma seqüência? Ela se questionava, sem poder saber a resposta]

E agora eles estavam no MMA... de novo. E era tudo diferente.

Os aplausos eram deles. Os gritos também. Principalmente, os gritos. Ela suspirou em pensar ao passar no red carpet. Ela estava sozinha desta vez, e já ouvia a especulação de onde estava seu "namorado".Oh boy.... Se eles soubessem da novela, a metade...

Tudo era diferente, a jovem podia pensar ao olhar para aquele homem ao seu lado, tão entusiasmado, esperando o envelope ser lido... E como era... de alguma forma... a mesma sensação? Sempre a mesma sensação, como se fosse biologicamente incapaz de não sorrir ao vê-lo.

Since ever.

Voltou sua atenção quando ouviu o nome deles, mais gritos, viu o sorriso de "eu falei" de Rob, e apenas pode murmurar a 1ª coisa que lhe veio na cabeça... "O que for... Não vou te beijar naquele palco..."

Para dizer a verdade, ele não acreditou muito nas palavras dela. Não havia como colocá-los ali juntos e eles não se beijarem. Ele estava mastigando um chiclete atrás do outro desde que entraram ali, se ele oferecesse mais uma vez para ela, acreditava que iria acertá-lo no nariz. Ela estava nervosa, podia sentir. Também estava. Mas era diferente.

Depois de tanto tempo se escondendo, ele estava eufórico em poder beijá-la na frente de todos, mesmo que fosse por uma desculpa banal. O que lhes dava uma cobertura, pois eles eram obrigados a se beijar por aquela pipoca, não era admitir a relação deles a todos pulmões. Ainda não.

Contudo, não havia jeito de convencê-la. Entendia a timidez, que ela tinha passado na exposição do antigo namoro, que pensava que ia ser terrivelmente pior com ele, e as ultra famas somadas. Sabia que ela não queria aparecer publicamente com outra pessoa, achava cedo demais. Tinha quase certeza que ela machucara o tornozelo de propósito para evitar mesmo ir. Toda a confusão com o ex- ainda estava baixando. Também não queria que ela fosse crucificada, virasse Madalena.

Ponderou tudo. Olhou-a, rapidamente, e viu como ela mordia seus próprios lábios de preocupação. Não queria pressioná-la a nada. Eles tinham passado muitas coisas, não iria perdê-la, ou retroceder a relação deles por algo idiota. E eram sempre coisas idiotas as responsáveis pelo revés.

Ok. Ela estava no comando. O que ela permitisse, ele aceitaria. Mas ele achava impossível eles não se beijarem... Isso, ele achava.

O coração dela percorria um compasso incomum, contudo não conseguiu segurar um sorriso ao vê-lo retirar o chiclete com um anuncio no microfone. Bastardo convencido. Alem de acreditar que a beijaria, faria um espetáculo ali.

Eles trocaram um olhar significativo, ambos sentiram aquela corrente percorrê-los, aquela química se formar, aquela atração sem limites. Ambos tomaram uma decisão.

Definitivamente, ele iria fechar os olhos, ela não tinha clemência olhando-o assim. Ela não sabia o que os olhos dela lhe pediam? E que o Senhor o ajudasse, se ele não fosse obrigado a beijá-la de qualquer jeito. Calma, mãos para si, olhos fechados, não se mova. Ele achava que estava tudo bem agora.

Ela, por sua parte, cruzou os braços. Não era uma boa idéia encostá-lo. Não sabia o quanto ia cooperar com sua decisão, ou quanto ela mesma ia ser firme. Se as mãos dela tocassem-no... Perigoso. Se as mãos dela atingissem os cabelos dele, fudeu. Pode esquecer. Ela mesma faria o espetáculo.

Pelo bem de ambos, ao menos ele não estava encarando-a. Estava a sua mercê, esperando-a, o que a atriz achou super excitante. Caraca... Aquilo estava sendo mais difícil que tinha pensado.

A aproximação foi lenta e provocativa, não apenas para eles, para todos que testemunhavam, segurando o fôlego, cada passo. Os papeis tinham se invertido, e era o ator que permanecia "totalmente imóvel" agora. Apenas ouvia a resposta da platéia, e calculava que Kris estava próxima, seu corpo curvou-se a ela na espera. Procurando-a.

Sentiu o cheiro dela, a pele dela contra a sua, o calor, a mão dele automaticamente tomou a cintura dela e trouxe-a ainda mais perto. Sentiu o corpo acompanhando-o, ela estava na ponta dos pés neste instante. Sabia de cor aqueles movimentos, não precisava de comandos. Sem abrir os olhos, deslizou pelo rosto dela procurando sua boca. Os gritos nem eram mais escutados, somente a sentia junto de si.

E com ela não eram distintas as reações; ao sentir o toque dele, apertou suas mãos mais um pouco, segurando seus próprios braços de envolvê-lo sem volta. Abriu os olhos e viu como estava absorto com todas as sensações, ele iria beijá-la, teve um lampejo de clareza de quanto subjugado estava ali... E tudo aquilo foi quase demais para ela também.

E "quase" é a palavra a ser mencionada. Pois foi um "quase beijo"; logo ela se afastou, baixou os calcanhares, se dirigiu ao microfone, e deixou um Pattinson de boca aberta... Realmente, pasmo de ela ter conseguido negá-lo assim, naquele ponto dos eventos...

Não adiantava chamá-lo de "sweetie", ele tinha seu orgulho. Provocadora dos diabos!

Saíram em certo silencio, ela lhe deu um sorriso tímido pela travessura, e ele não conseguiu ficar mais assim tão enfurecido. Mas havia algo de triste nele.

Tudo bem que o jovem riu quando ela conseguiu derrubar o balde de melhor atriz e fazer a sua. Uma dia, ainda iria enrolá-la em papel bolha e colar na testa dela: "Frágil". Era uma vitória da natureza ainda estar viva, e inteira, depois de todos estes anos caindo e sendo uma ameaça a si mesma [por muitas vezes a outros também]. Tudo bem, ele se divertia com isso, toda a semana, ele dava um pacote de band-aid apenas para Kristen jogá-lo na cabeça dele [e usa-lo quando ele não estava mais. Sim, ela era um desastre ambulante]. E ele se divertia.

O elenco de Twi estava todo reunido, e entre prêmios, eles revezavam as cadeiras. As fofocas eram postas em dia, e algumas novas eram levantadas. Stewart observou de longe aquele que chamava seu, e ponderou a noite. Não importava que ele tivesse lhe dito que estava tudo bem, sabia que não.

Tomou seu IPhone.

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"Vc ainda estah chateado"

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Demorou um pouco para Robert localizá-la, depois de ler a mensagem, e negar a informação com a cabeça e uma careta.

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"Robert Thomas Pattinson, ñ foi 1 pergunta.

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Foi a vez dele revirar os olhos.

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"Vc estah usando meu nome todo, Kristen Jaymes Stewart?

"Estás :Ñ usei o Douglas,Ñ TAO encrencado"

"Se vc está segura disso, pq me dizer o obvio? PS:Obrigado.."

"Pensei em 1 compensação para vc borrar o ocorrido.Ñ sei se mereces, R.D.T.P"

"Eu, R.D.T.P, ainda mereç "

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E com alguns sinais, Ashley não estava mais do lado de Stewart, e Robert a substituía. Com um sorriso de orelha a orelha.

A jovem até pensou em zoar daquele sorriso, mas não conseguiu não sorrir também. Malditos genes.

- Pedi um quarto no Charlie...-sussurrou no ouvido dele, e na penumbra pode ver que ele congelou com a declaração-... Avisei a minha mãe que volto de manha para casa, depois de você ir para o aeroporto...

Ok, muita calma nesta hora. Ele tinha que se concentrar em não fazer movimentos bruscos, emitir avisos sonoros ou ter um derrame ali mesmo. Ela ia passar a noite toda com ele. Em L.A. E a família dela sabia [a mãe dela sabia!]. Ela unicamente ia deixá-lo a luz do dia. Como pessoas normais. Ela ia ficar ATÉ ele ir embora.

Olhou-a para ver se ela não estava brincando. Não estava.

Conseguiu aumentar ainda mais o sorriso.

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- Sweetie, acho que vou cair desse jeito...-ela respirava com dificuldade.

- Não, Love, se segura aqui que você vai ficar bem...

- Mas...Assim? Nunca fiz isso assim...

- Sim, passa tua perna aqui...Isso..-ele respirou forte se controlando-...Isso... Mas foi você que quis...

- Eu sei...mas você já fez...?

- Ahh... Não bem assim...

- AHH MEU DEUS!...

- O QUE? –ele ficou nervoso-...Eu te machuq-..

- NÃO SE MEXE!

Não moveu um músculo. Ou ao menos tentou.

- ...Kris... "Ah meu Deus, continua"... ou "Ah meu Deus, para tudo"? –falou com cuidado.

- Não sei bem... faz de novo.. Devagar! –segurou a mão dele, e ele repetiu o que lembrava que tinha feito-... AHHH PUTA QUE PARIUU! –a 1ª voz cantou.

- O QUE?!

-Defini-..Definitivamente... Continua... Continua pela tua vida...Continua...Ai continua..

Ele deu uma gargalhada e continuou aquela ária. Que mais ele poderia fazer? Limpou o suor do rosto dela, beijou-lhe a têmpora, segurou ainda mais firme a mão na sua.

Como um pêndulo ele se afundou nela, devagar, marcando o tempo, daquela maneira que tudo era mais e mais intenso. Sentia o corpo dela recebê-lo, e tinha que se concentrar para durar mais alguma coisa. Ele precisava dela. Mais um pouco. Mais um pouco.

- Mais rápido...Rob... por favor...mais...

- Se for mais rápido...

- Por favor... preciso...mais..

- Você vai acabar comigo assim!... –esbravejou.

- Depois a gente... discute isso... agora... mais...

Ela buscou a mão dele e a pos sobre o sexo dela, o amante procurou o ponto mais sensível e catalisou seu deleite. Tinha dúvidas, agora, se seria capaz de agüentar tudo. Sentia sua carne se desmanchar. Prazerosamente e laceradamente se desmanchar.

As ultimas estocadas foram sem sentido e sem razão, ele sentiu quando ela se perdeu e fechou os olhos e mordeu o ombro dela sem dó. Ele se perdeu ali também.

Os ultimo acordes do Requiem foram tocados entre gemidos e palavras incompreensíveis.

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A amante sentia os dedos dele percorrerem seu corpo todo. Foi assim que ela acordou. A escuridão ainda pairava e seu corpo todo estava dolorido. Mas nada para reclamações.

- Você dormiu algo...?

- Algo... –ele repetiu.

- Já te disse que não vou embora...-enroscou-se nele.

- Eu sei.. Mas posso dormir amanha no vôo se precisar...-um beijo trocado.

- Vou sentir a tua falta..-escondeu o rosto no peito dele.

- ...Vai ser rápido desta vez... Você precisa de carona amanha? Posso pedir para te deixaram em...

- Minha mãe vai trazer meu carro...Temos que resolver umas coisas por aqui amanha...–dançou os dedos pelo peito dele.

- Ok...

- Ela gosta de você...

- Quem?

- Minha mãe...

- Ei..Mama Stew me ama...! –ele falou sem segurar a risada.

- Convencido.

- Kristen, sou o melhor genro que ela pode desejar...

- Convencido! –ela o beliscou.

- AI!...Você sabe que sim... Ela mesma disse a ultima vez que a gente foi na tua casa...

- Deus..Nem me lembre...Nunca vi minha mãe tão boba como aquele dia...

- Bem, ela deve ter reparado na minha cara de bobo quando eu olho para a filha dela...

- Você fica mesmo.. É patético.. AI!.. Cócega não!.. Para, eu retiro o que disse!..

Eles se abraçaram mais um pouco. Foram se procurando naquele abraço.

- Não sei se posso mais... -falou agradecendo aquelas mãos que a modelavam.

- Não tem problema... Posso te tocar aqui?

- Aham...-ela não conseguiu falar.

- Posso te beijar aqui? –ele falou rouco.

- Aham... –limpou a garganta-..Po- Pode...

- E aqui? ...

- Ahhh... –um murmúrio.

Kristen trouxe as duas mãos para o rosto dele e o beijou como se o amanha não existisse. Girou seu corpo e rolou com o corpo dele aproveitando a cama Queen size.

- Baby... a gente não...tem mais nada...-ele arfou.

Ela levantou a cabeça, o torso, retirou os cabelos do rosto. Procurou alguma razão, mesmo com as mãos dele espalmando seus seios agora. Foco.

- Minha bolsa! ...

- O que tem?

- Pensamento positivo que acho que tenho uma camisinha esquecida na minha bolsa...

- Vem cá...-ele a derrubou na cama e agora estava com o corpo contra o dela-... Você não tem igual...-ele a beijou-...Quero mais noites como esta.. Diz que sim...

- ROBERT! PARA!-ela tentava evitá-lo.

- Diz sim!-mas sabia os pontos frágeis dela.

- PARA! PARA DE FAZER CÓCEGAS! –ela se curvava de rir.

- DIZ SIM! –ria mais que ela.

Quando os risos e as respirações se acalmaram, eles ficaram se encarando naquele espaço reduzido, ela se aproximou e beijou os lábios dele, e a ponta do nariz. Beijou a bochecha esquerda e depois a têmpora direita, ambas as pálpebras. E o lado direito do pescoço dele, alem de morder aquele pedacinho da orelha que sabia que não devia.

- Cadê a tua bolsa? – ele falou com algo de desespero.

Ela riu e apontou o canto do quarto, onde um All Star preto tinha sido arremessado.

E ela disse sim mais um par de vezes aquela madrugada

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Fim do 1º ato.