Newsflash: não sou a J.K. Rowling, logo Harry Potter e seus personagens não são meus. *sad face*
CAPÍTULO 2
Lembranças da última vez em que estivera ali atormentaram sua visão. Podia ouvir os próprios gritos ecoando na parede. E a dor... Como se cada pedaço de seu corpo estivesse sendo espetado uma, duas e então mais vezes do que poderia contar. Aquele sorriso terrível que somente Bellatrix conseguiria portar tão magnificamente. Todas as noites lembrava da tortura e da agonia, mas eram apenas pesadelos. Estar ali, no entanto, tornava tudo real. Ela não duvidava que Draco Malfoy, sobrinho daquele monstro, fosse incapaz de causá-la igual dor.
Via a boca dele se mexendo rapidamente num discurso furioso que não conseguia ouvir. Estava tonta e sabia que se não estivesse jogada no chão frio teria caído de qualquer forma, suas pernas não conseguiriam sustentá-la. Uma pontada aguda a incomodava um pouco abaixo do peito. E sono, sono, sono.
- ... resmungando. Achei que estivesse morta... – ela ouviu, mas no mesmo segundo não conseguia lembrar o que ele acabara de falar.
Desistindo de resistir, largou o resto do peso do corpo no chão, enxergando a lareira acima de sua cabeça e consequentemente o espelho pendurado um pouco mais além. Via a sua imagem gritando e retorcendo enquanto se negava a dizer onde encontrara a espada. Ouvia a risada de Bellatrix entre seus gritos e a dor. Piscou rapidamente para afastar as lembranças, mas então se deparou com seu estado atual. Seu corpo estendido num ângulo esquisito enquanto o rosto se contorcia numa careta de dor. Havia tanto sangue, tanta sujeira. Seu cabelo estava quase negro de terra. Fechou os olhos e respirou fundo, quase se entregando à tranquila sensação da escuridão.
- Não ouse desmaiar agora! – Malfoy disse em um tom ameaçador. Aproximou-se dela com passos duros e apontou a varinha em sua direção – Rennervate!
Hermione levantou num sopro, ficando sentada no chão. A respiração acelerou enquanto a raiva tomava conta de cada parte de seu corpo mais uma vez. O maldito não a deixaria abraçar a inconsciência apenas pelo prazer de torturá-la. Se ela ao menos tivesse uma varinha...
- Mal pude acreditar na minha sorte em te encontrar. Quem diria que Hermione Granger – fez uma pausa para rir pelo nariz, meio incrédulo, meio desdenhoso – acabaria nas minhas mãos, de todas as pessoas! Essa é uma oportunidade única.
O fato de que ele tinha alguma vantagem na atual posição fazia seu interior ferver. Sabia que em qualquer outra situação seria capaz de acabar com ele num movimento de varinha. Mas, é claro, Malfoy jamais a enfrentaria justamente, sendo o covarde que era.
- Qual é... – merda! Até mesmo sua voz estava ridiculamente fraca – por que você não... não acaba com isso... de uma vez?
Sangue. Todo o gosto que ela tinha conseguido ignorar voltou com força total. Ao falar, sal e ferro dançavam em sua língua.
- Você não tem ideia de como é divertido te ver nessa situação – ele sorriu de canto, encolhendo os olhos com o movimento – e eu tenho algumas coisas planejadas.
Involuntariamente seus olhos o perfuraram. Era incrível, incrível mesmo como ele sempre conseguia trazer o pior dela a tona. Desde Hogwarts – não, desde a primeira vez que o vira no trem – o ódio parecia surgir facilmente. E então os olhos dele a encararam determinados.
No segundo seguinte uma dor de cabeça insuportável a atacou, fazendo-a fechar os olhos de modo apertado. Ela soltou um grito aterrorizado quando sentiu-o se mover por dentro de sua cabeça. Filho da puta!
E então ela estava de volta correndo no meio da floresta, suas pernas mal seguindo as ordens de seu cérebro. Rápido, mais rápido, pule, desvie, Estupefaça!, corra. Havia um galho escondido no meio do mato alto que ela só avistou quando era tarde demais. Seu pé havia se enroscado e ela já rolava metros de morro abaixo com os raptores logo atrás.
Saia daqui! Gritou em pensamento e ouviu Malfoy rir baixinho antes de voltar a vagar por seu cérebro.
Visualizou a cabana que seus pais tinham quando ela era pequena e ela havia encontrado vazia. Duas semanas do que ela chamou mais próximo de paz durante todo esse tempo. E então a Batalha de Hogwarts rugia em sua frente, dezenas de pessoas duelando, outras dezenas morrendo e o desespero de não ser capaz de fazer nada. Mas havia Ron e eles estavam se beijando enquanto Harry falava alguma coisa no fundo. Ela tinha se sentido tão feliz. As memórias se moveram novamente para um dos primeiros anos deles na escola, uma visão dos três sentados perto da lareira na Torre da Grifinória, tão desprovidos de preocupações.
Saia daqui! Conseguiu gritar novamente em pensamento, mas sabia que não conseguiria erguer nenhuma parede para se proteger. Tudo que ela havia aprendido fora com Harry durante suas viagens em busca das horcruxes e ele dificilmente era o melhor oclumente que existia.
Uma imagem dela em seu primeiro ano atropelou seus pensamentos. Ela corria pelos corredores de Hogwarts com lágrimas nos olhos e se trancava no banheiro. Soluços dolorosos e tristes saíam da sua boca. O que a levou diretamente até o Salão Principal muitos anos a frente. Tonks, Lupin, e, céus, Colin Creevey se estendiam sem vida no chão.
Quando sua mente se aliviou, percebeu que voltara a chorar. Malfoy estava de pé, um pouco mais a sua frente, uma figura embaçada por causa das lágrimas. Certamente se divertindo com a visão. Ela o odiava com todas as forças. Ainda mais agora. Engoliu um soluço e tentou se levantar com a raiva, apenas para cair desastradamente no mesmo lugar. Por que ela não tinha se especializado em magia sem varinha? Ela poderia matá-lo ali mesmo.
- Sylvie! – Malfoy gritou e com um estalo um elfo-doméstico pequenino e de vestes sujas apareceu a seu lado – você sabe o que fazer com ela.
Uma mãozinha a agarrou pelo braço e no momento seguinte tudo ficou escuro.
Acordou assustada quando algo gelado atacou seu rosto. Esbugalhados olhos verdes a encaravam a centímetros de sua cabeça. Forçando-se a acalmar a respiração e as batidas de seu coração, ela sentou-se cuidadosamente para não bater no pequeno ser em sua frente. Arrependeu-se da decisão quando dores perfuraram seu corpo em diversos pontos.
- O-onde eu estou? – perguntou por fim, fazendo mais esforço do que consideraria necessário em outras circunstâncias.
- Senhorita – uma voz esganiçada disse – Lenore vai cuidar da senhorita. Mestre pediu para Sylvie, mas Sylvie está muito ocupado agora. Volte a descansar, senhorita.
- Onde estou? – perguntou novamente, um tom levemente mais firme.
- Onde sempre esteve, senhorita. Lenore precisa limpar seu rosto – segurava em suas mãos um pano encardido que agora apontava na direção de Hermione.
Antes que pudesse voltar a questionar qualquer coisa, Hermione sentiu seu rosto espremido entre os gestos indelicados do elfo-doméstico, ardendo com cada esfregada do pano. Os olhos fecharam-se involuntariamente. Nem a dor poderia livra-la da sensação de limpeza que não sentia por semanas – mesmo que o elfo não estivesse exatamente fazendo um trabalho primoroso.
Quando a ardência parou, abriu os olhos para encarar o nada a sua frente. Teve um segundo para se perguntar se estava delirando antes de sentir as mãozinhas do elfo em suas costas, procurando as feridas para limpar. Aproveitou-se do momento para observar o que podia do cômodo.
A única fonte de luz era uma vela num pratinho que Lenore, o elfo, carregara para trás quando trocara de posição, e ela não era de muita ajuda. Algumas sombras podiam ser vistas mais além, contornando objetos próximos à parede. Não conseguia enxergar uma porta, no entanto, e o pensamento a aterrorizou. Sentindo-se repentinamente claustrofóbica, desviou-se da sensação quente do conforto e lançou-se em pé, de frente para o pequeno ser que a analisava com curiosidade.
- Que lugar é esse? – Hermione sussurrou, o desespero se agarrando em sua garganta – E-eu ainda estou na Mansão, não estou?
Ela sabia que fora ingênuo de sua parte cair em alívio. Tudo a sua voltava continuava igual. Estava tudo destruído. Ainda era uma prisioneira. Escrava, na verdade, pensou com terror.
- Lenore precisa cuidar da senhorita.
- Por quê? – foi seu meio grito.
Foi então que percebeu o que tinha às costas de Lenore. Com a luz precária da vela, a visão se tornava perturbadora. Diversos espelhos um ao lado do outro se espalhavam pelo comprimento da sala, cada um refletindo o pequeno ponto de luz e a figura de Hermione envolta em sombras. O efeito parecia deixar suas marcas de tortura ainda mais claras.
Sua respiração voltou a cortar enquanto voltava para a cama ao centro do cômodo e virava de costas para os espelhos. Lenore não respondeu sua pergunta, mas rapidamente voltou a massagear as costas com uma calma que Hermione invejava. Os pensamentos começaram a correr e se juntar num quebra-cabeça que ela desejava estar errado.
Malfoy era um cara inteligente, disso não havia dúvidas, e ele dissera que tinha planos para ela. Mas os dois sabiam que Hermione Granger jamais concederia a qualquer artimanha de Draco Malfoy em sã consciência. Então talvez o plano fosse primeiramente acabar com ela, de um modo lento e doloroso, enquanto assistia a si mesma perecer naquele buraco – onde quer que aquilo fosse. Aí ele poderia fazer... O que quer que tenha planejado.
Um tremor atravessou seu corpo e Lenore interpretou a reação como dor, movendo-se para outra parte.
Hermione deixou o rosto cair em suas mãos enquanto apoiava os cotovelos nos joelhos. Exalando lentamente para não perder a calma, deixou sua mente divagar para longe. Ainda tinha sanidade o suficiente dentro de sua cabeça e não planejava perdê-la tão cedo. Poderia traçar fugas quando descobrisse onde estava. As coisas poderiam ser diferentes, assim que estivesse bem de novo.
Uma questão surgiu: ficaria bem novamente?
Sim, ficaria. Ela se certificaria disso.
Por enquanto se contentaria com Lenore e seus cuidados. Mesmo que fosse tudo parte do grande plano doentio.
Notas da Autora: Oi, pessoas! Primeiramente, peço desculpas pelo capítulo ter ficado do tamanho do anterior. Semana passada eu tive algumas provas e me obriguei a estudar, além disso viajei durante o fim de semana e não pude escrever nada. Os próximos serão maiores, ok? Como foi meio na pressa porque não queria deixar muito tempo sem atualização, revisei algumas vezes, mas não enviei a última parte pra minha beta. Se encontrarem erros me avisem, por favor.
Além disso, segui o conselho da aninha malfoy e comecei a postar a fic no nyah. Provavelmente vou postar primeiro aqui porque sou mais familiarizada com o site, mas enfim, se alguém quiser pode acompanhar por lá também.
Respondi as reviews logadas por PM e pra todas as outras meninas que comentaram aqui vai meu agradecimento/resposta geral (falta de tempo é um pé no saco). Muuuito obrigada pelo incentivo e elogios! Vocês nem têm ideia de como eu fiquei feliz. Particularmente também gosto do Draco sendo o filho da puta incompreendido que ele é (baby 3), então as coisas ainda vão demorar a se desenvolver romanticamente.
That's it, até a próxima! :)
