Capítulo

"De Volta Para Casa"

Sango abriu os olhos cor de chocolate lentamente, seu ânimo aumentando assim que se lembrou de que dia era.

- "Finalmente." _ ela pensou, sorrindo consigo mesma.

Não podia acreditar, mas desde o dia em que recebera a notícia de que ganhara a bolsa de estudos na Argentina e que viajara do dia para noite, já tinham se passado dez anos.

Minha nossa, que dia louco fora aquele! Ela recebera a notícia as pressas, já que não havia conseguido pontos suficientes para passar de primeira. Mas, com a desistência de uma pessoa, ela conseguiu ser chamada. Por ser menor, sua família teve que acompanhá-la. Durante esse tempo, sua velha casa em Tóquio permaneceu alugada, mas a cerca de um ano, seus pais já vinham prevenindo os moradores que eles iriam retornar e que teriam que procurar uma outra casa. Agora, ela se encontrava fechada, a -espera deles.

Durante todos esses anos Sango aproveitou bem sua bolsa de estudos que valia desde a quinta série, que era o primeiro ano do ginásio até a faculdade. A bolsa disponibilizava algumas opções e Sango optou por Administração, algo que poderia usar muito quando voltasse para seu país.

Sango sentou-se na cama, coçando a cabeça devagar, ainda sonolenta. Mas em compensação ao estado lento de seu corpo, sua mente estava a mil por hora. Céus, como estava ansiosa para voltar!

Não que não gostasse da Argentina. O país havia acolhido-a sem preconceitos e lá tinha sido muito feliz. Mas por mais que os anos tivessem se passado, ela não conseguia deixar de notar que não se despedira devidamente de seus amigos no Japão. Fora tudo tão rápido, que mal pôde dar um abraço em...

Seu celular tocou. Um sorriso se formou.

- "Não morre tão cedo." _ pensou, ao ver quem era.

- Bom dia, flor do dia! _ sua voz brincou, do outro lado da linha.

- Bom dia. _ ela respondeu com voz de sono.

- Não acredito que ainda estava dormindo até uma hora dessas! Que preguiçosa!

Sango olhou de esguelha para o relógio.

- Não são nem nove horas! _ ela se defendeu _ E se bem me lembro, quem tem mania de dormir até meio dia depois das baladas da vida é você. _ ela lembrou.

Um riso soou do outro lado da linha. Sango sorriu de volta.

- Você está certa. Mas acho que mesmo assim já está meio tarde para quem vai pegar o vôo das 13:00 e tem que arrumar tudo.

- E quem disse que eu tenho que arrumar tudo? _ ela defendeu-se _ Minha coisas estão prontas já fazem dois dias! Acho que não é de mim que você está falando.

- Tudo bem, Senhora Prevenção. _ provocou _ Acho que essa eu mereci.

- Hunf. Mereceu mesmo.

- Então, está certo. Posso te esperar a noite no aeroporto?

- Claro que sim! _ Sango respondeu, feliz _ Tô louca para te ver.

- Eu também. Então... Até lá.

- Até.

- Ei, florzinha! _ ouviu sua voz chamando-a.

- Sim?

- Senti sua falta.

Sango sorriu.

- Eu também. Até a noite.

Sango sorriu. Nem acreditava que em poucas horas, tudo seria como antes. Meus Deus, como sentia falta de sua antiga vida. Até de um paquerinha da época da escola ela sentia falta. Primeiro amor, é sempre difícil. Começou a ficar vermelha quando tudo o que fizera para chamar a atenção do garoto vinha em sua mente.

- "Nossa, cada mico!" _ ela riu _ "Nem acredito que fiz mesmo tudo isso. Como era boba!"

Depois disso, já na Argentina, mais velha e mais madura, ela tivera suas próprias experiências amorosas. Não eram lá muitas, mas já tinha algumas histórias para contar. Ela se lembrou de seu primeiro beijo. Tinha dezesseis anos e o rapaz, Juan, era um pouco mais velho, com 20. Fora um circo dos horrores. Sango não sabia o que fazer e ficou toda dura enquanto Juan fazia todo o trabalho. Mas ele não pareceu se importar, já que ficaram juntos uns seis meses depois disso.

Mal podia esperar para contar essas coisas e tudo o que tinha acontecido nesses anos todos. É claro que já havia contado muitas coisas, sempre se falavam por telefone ou internet. Mas não é a mesma coisa que estar cara a cara com a pessoa. Haviam feito um trato cerca de um ano depois que ela partiu. Que continuariam mantendo contato, mas que não enviariam mais fotos ou vídeos, ou usariam a webcam. Sango achou isso meio besta na época e continuava achando, mas a motivação de "manter a surpresa" para a hora do reencontro também era estimulante. Decidiu ir até o fim.

Mas já estava desesperada! A curiosidade era maior que tudo, mas não queria quebrar o trato. A saudade doía muito, mas ela tinha que ser firme. Em poucas horas, estariam se revendo. Em poucas horas, estaria novamente com a pessoa que mais lhe passara o sentimento de saudade em todos esses anos.

Seu melhor amigo. Miroke Hoshi.


- Sango, quer ficar quieta? _ sua mãe ralhou, ao ver que a moça não parava quieta na poltrona do avião.

- Desculpe, mãe. _ ela pediu _ Ai, estou tão ansiosa!

- Não é motivo para agir como uma criança de três anos. Olhe só Agome, se comporta como uma verdadeira dama.

Sango corou ao virar os olhos e se deparar com a amiga que tentava sem sucesso segurar um riso. Agome Higurashi tinha 21 anos, cabelos negros longos e olhos cor de terra. Também tinha conseguido a bolsa aos 11 anos, mas ao contrário de Sango, tinha passado na primeira tentativa. Ela era muito inteligente e esforçada. As duas tinham se conhecido no primeiro dia de aula na nova escola e desde então eram inseparáveis. Agome também morava em Tóquio, mas em outro bairro. Em todo caso, elas tinham pêgo o mesmo vôo e só se separariam perto de casa.

- Agome, não ria de sua amiga! _ Mitsuni ralhou, olhando para filha com olhos reprovadores.

- Me desculpe. _ Agome baixou os olhos, embora Sango percebesse que ela ainda tentava disfarçar.

- Ihu! Se lascou! _ o irmão de 15 anos de Agome, Souta, provocou.

- Souta, respeite sua irmã! _ Mitsuni virou os olhos reprovadores para Souta, que ficou vermelho.

- Me desculpe. _ repetiu o texto da irmã.

Sango teve que sorrir. Aquela família era muito unida. A mãe criara os dois sozinha, já que seu esposo morrera logo que Souta nasceu. Pelo que Agome lhe contava, a sua bolsa foi algo muito batalhado e consideraram uma benção dos céus quando ela passou. Ela, mais do que muita gente, tinha merecido aquele presente.

Sango olhou no relógio de pulso. Agora falta menos de uma hora para chegarem. Será que seu amigo estaria lá? Minha nossa, como tinha saudades de revê-lo. Será que estaria muito diferente? Bom, pelo menos a voz estava, com certeza. Nos anos que se seguiram, Sango pôde acompanhar dia a dia as mudanças. Da fina voz de garoto, a voz esguiniçada da puberdade até a voz máscula que tinha hoje em dia. Sango não entendia muito de vozes másculas, mas aquela com certeza era. Era macia e ao mesmo tempo demonstrava umas tonalidades mais roucas. O tipo de voz de locutor de rádio. O tipo de voz que levaria uma mulher a loucura ao menor sussurro.

Sango se pegou perguntando se ele era popular com as garotas hoje em dia. Pelo que ela se lembrava, aos doze anos ele já arrancava alguns suspiros das meninas do bairro, com seu cabelo muito negro e seus olhos azuis. Sango nunca tinha visto antes um tom de azul como o de Miroke. Era um azul intenso, como de uma safira. Talvez fosse por eles que fosse tão popular. Mas você nunca devia dizer isso a ele. Ele tinha horror aos meninos que se achavam por estar cercados de meninas precoces. Meninos de onze, doze anos que ficavam se amassando nos muros com meninas de onze, doze anos. Miroke achava isso ridículo.

São moleques!, ele dizia, por volta dos nove anos, Moleques que deveriam estar brincando de bola e pique esconde e não se amassando com meninas. Que graça esses caras vêem nelas?

Mas a coisa mudou um pouco de figura quando ele mêsmo atingiu seus doze anos. Sango se lembrava de todas aquelas meninas da escola babando por causa dele. Ele não parecia querer levar elas muito a sério, mas também já não fazia questão de afastá-las. No fundo, apesar de não admitir, Miroke bem que gostava de ser o centro das atenções.

Outro popularzinho da escola era Kuranosuke Takeda, seu primeiro amor. Ele era dois anos mais velho que Sango. Tinha cabelos castanhos como os dela e olhos azuis, mas não como os de Miroke, era um azul claro, mais comum. Mas mesmo assim, Sango achava ele o máximo. Um cara mais velho, ela pensava. Mais experiente. Iria me ensinar muita coisa.

Como era ingênua. Hoje em dia, podia até ser que Kuranosuke olhasse para ela, já que estava muito diferente do que costumava ser aos onze anos. Quando criança, estava sempre acima de seu peso ideal, usava uns óculos fundo de garrafa e umas roupas que ela até hoje se constrangia ao se lembrar delas. Seu cabelo em geral estava sempre preso em duas maria chiquinhas e ela tinha muita dificuldade de comunicação com as pessoas, falando uma besteira atrás da outra.

Sua única excessão a regra era Miroke, que também falava muita besteira, então eles sempre se entendiam. A saudade voltou a apertar.

- "Eita horinha demorada!" _ ela pensou, voltando a quicar na poltrona.


Ao descer do avião, Sango olhava para todos os lados.

- Procurando alguém?

Sango virou esperançosa, mas deu de cara com Agome logo atrás dela.

- "Que boba!" _ pensou, enquanto ligava seu celular _ "A voz dela é feminina, não tem nada a ver."

Balançou a cabeça, rindo de si mesma. Como pudera pensar que Agome era Miroke? Só ela mesma.

Foi então que o apito de mensagem soou. Já tinha sido enviada a algumas horas, provavelmente enquanto esta no avião. Ela leu rapidamente, seu ânimo murchando um pouco.

FLORZINHA, TENHO QUE ME DESCUPAR AGORA.

MINHA MÃE PASSOU MAL. TIVEMOS QUE CORRER COM ELA PARA O HOSPITAL.

NÃO PUDE TE RECEBER. ME DESCULPE. MI.

O celular voltou a apitar. Ele estava mandando outra, nesse momento.

OI. ACABEI DE CHEGAR EM CASA.

RECEBEU A OUTRA MSG? MINHA MÃE ESTÁ MELHOR, FOI SÓ UM SUSTO.

MAS ACABOU NÃO DANDO MESMO PARA IR. SÓ QUE AINDA QUERO TE VER.

MI

Ela já ia discar de volta, quando uma terceira mensagem chegou, deixando-a novamente ansiosa.

PS: LEMBRA DAQUELA LANCHONETE QUE IAMOS ANTES DE SUA VIAGEM?

SEI QUE DEVE ESTAR CANSADA, MAS QUE TAL DAR UMA PASSADINHA LA POR VOLTA DAS NOVE?

CONTINUA


HELLO, PEOPLE!

Como estão vocês? Espero que bem.

Olha eu de novo aqui com mais uma fic. Não adianta, quando menos espero, lá estou eu escrevendo de novo, rsrsrsrs.

Espero que tenham gostado desse primeiro capítulo. Os outros prometem muitas emoções, como já puderam ver pela introdução, não?

Espero ver vocês acompanhando e sempre me dizendo o que estão achando.

Fico no aguardo de reviews. Bjus

*** Angel ***