Disclaimer: Maria-sama Ga Miteru não me pertence.

------

No dia seguinte, antes mesmo de dar 09:00AM, Yumi já estava em frente a empresa. Não conseguira dormir direito e quando deu 07:00 hrs, pulou da cama e começara a se arrumar. Seu coração palpitava e seu nervosismo tirara seu apetite, tudo o que queria era fazer a entrevista e voltar em paz para casa.

Entrou pelas portas da companhia e maravilhada olhou ao redor. Os Ogasawara's eram donos de muitas empresas e participavam de vários negócios diferentes, de agropecuária a hotéis, portanto a sede da empresa era deslumbrante... e meio triste. Pessoas andavam de um lado para o outro sem parar sem sequer olhar para o lado, devia ter imaginado que dentro de uma empresa grande seria assim...

Havia um grande balcão com alguns guardas e secretárias, provavelmente para atender clientes.

- Com licença... – se aproximou de uma das moças – Eu tenho uma entrevista...

A mulher a examinou de cima para baixo e no fim lhe lançou um olhar desaprovador.

- Algumas pessoas simplesmente não sabem se vestir... 13° andar, sala 14.

Yumi ficou parada. A mulher tinha acabado de falar que ela não sabia se vestir?

- E tem algumas pessoas que são tão abusadas! – comentou divertida uma voz atrás de Yumi.

A arquiteta olhou rapidamente para quem lhe ajudou. Era uma mulher, mais alta que Yumi, de curtos cabelos loiros e estava vestida bem informalmente, com um jeans e uma blusa branca com um casaco por cima.

- Estagiaria, não é? – disse a mulher com um grande sorriso.

Yumi assentiu.

- Arquitetura?

- S-sim.

- Bem vinda! – exclamou e agarrou Yumi num abraço de urso. – Meu nome é Satou Sei e vou trabalhar como sua senpai!

- Satou-san! – a mulher da recepção chamou – É somente uma entrevista, ela pode não ficar.

- Deixe isso para a chefinha decidir. – respondeu piscando. – Ah é, qual o seu nome?

- Ah, desculpe, Fukuzawa Yumi! – respondeu fazendo uma reverência.

- Vamos indo, Yumi-chan! Os chefinhos detestam atrasos.

E sem ter a chance de responder, começou a ser arrastada por Sei para o elevador. Yumi olhou novamente para a mulher e não pôde deixar de sentir um pouco de pena, o fio amarelo não existia, havia somente um fio verde e o fio vermelho estava conectado a um homem que parecia não ligar para nada a não ser o trabalho.

- Está triste?

- N-Não! Por que...?

- Seu rosto.

- "Ah sim..." – pensou Yumi suspirando – Todo mundo me comenta sobre meu rosto.

- Kawaii! ~

E novamente Yumi estava entre os braços de Satou Sei. Tentou sair, mas era impossível.

- Espero mesmo que você consiga, Yumi-chan! Eu gostei de você e precisamos de pessoas assim aqui. – comentou Sei a soltando.

- Você sabe quem irá fazer a entrevista, Satou-san?

- Só Sei. – sorriu – Não sei, pode ser que seja a chefinha ou o Idiota ou até mesmo eu. Ahh, sabia que eu deveria ter lido os e-mails que me mandaram ontem!

Yumi a olhou como se Sei fosse de outro mundo. Chamar sua chefe de "chefinha", o provável chefe ou gerente importante de "Idiota" e não saber sobre entrevistas que teria que fazer... Satou Sei era alguém realmente muito interessante.

- Sei.

Ambas se viraram para a nova voz. Era outra mulher, tão linda quanto quase todas que vira até agora, exceto Sachiko... Yumi duvidava que achasse alguém mais linda do que sua deusa...

- Youko!

Youko estava vestida muito mais formalmente do que Sei. Um blazer branco cobrindo a blusa social preta, uma saia também branca que ia até pouco antes do joelho e saltos altos. Seus olhos eram castanho-claros e seus cabelos curtos - não tanto quanto os de Sei – eram negros. Uma mulher muito elegante, com certeza.

- Amiga nova? – perguntou Youko olhando para Yumi.

- Minha estagiaria! – disse fazendo um V com os dedos, num sinal de vitória.

- Se eu passar na entrevista, Sei-sama! Ah, é uma prazer, Fukuzawa Yumi – e novamente fez um reverência.

- Mizuno Youko, o prazer é meu. Lhe desejo boa sorte na entrevista. – respondeu Youko educadamente.

Pensando bem... Youko lhe lembrava Sachiko e muito.

O elevador finalmente abriu e várias pessoas saíram correndo, todas ocupadas.

- Nossa! – exclamou Sei – está demorando mais cada dia! – apertou o botão 13 e 20.

Mais pessoas chegaram e entraram no elevador, logo estava lotado. Yumi estava ao lado de Sei e Youko estava a sua frente. Quando Sei passou a dar sua atenção a Youko, Yumi pôde parar para examinar suas novas amigas. Sei tinha um fio amarelo forte e a cor estava meio misturada com verde, ou seja, os laços familiares de Sei, desde sempre, foram amigos; os fios verdes eram fortes, Yumi sorriu feliz ao ver que um deles estava ligado a ela, e outro fio estava ligado a Youko; e o fio vermelho... Estava ligado a Youko também. Sorriu de orelha a orelha.

Já Mizuno tinha um fio amarelo fraco; fortes fios verdes, um também ligado a Yumi e o fio vermelho ligado a Sei.

- " Trabalho de cupido... Aqui vou eu!".

- Chegamos! – exclamou Sei novamente saindo do elevador e puxando Yumi.

- Até, Mizuno-san! – conseguiu dizer antes do elevador se fechar novamente.

- Youko vai até o andar 20, ela é advogada. – respondeu Sei à sua pergunta silenciosa.

Yumi assentiu e continuaram em silêncio até a sala 14, onde entraram. Havia mais três candidatos esperando. Yumi olhou para o relógio: 09:00AM em ponto. Sentou-se em uma das cadeiras, esperando como os outros.

A sala era imensa. Com várias mesas, várias maquetes, vários desenhos, várias fotos penduradas pelas paredes, era tanta coisa que a sala parecia bagunçada.

A porta se abriu novamente e Kashiwagi Suguru entrou. Vestido num terno azul-marinho, com os cabelos arrumados e um sorriso simpático no rosto, várias mulheres na sala suspiraram. Yumi nem Sei foram uma delas.

- Eu irei chamando os nomes de cada um e vocês irão até aquela mesa. – apontou para a parte mais distante da sala – eu irei fazer a entrevista. Meu nome é Kashiwagi Suguru e sou o vice-presidente da empresa.

Yumi esperava ansiosamente por sua vez. Sei estava trabalhando num projeto ao lado de um rapaz loiro, os dois pareciam absortos no que faziam. Sem nada para fazer sem ser se preocupar, sua mente foi para Sachiko...

- "O que será que ela está fazendo agora? Será que está triste? Trabalhando? Será que... Será que ela se lembra de mim?"

- Pode tentar ajudar, mas é difícil! Você se sente muito mais ligada a pessoa, do que ela a você... Nesses casos, a pessoa deve ter abdicado aos seus sentimentos, os escondido bem dentro de si e será difícil cavar onde só tem pedra. – lembrou das palavras de sua tia.

- Fukuzawa Yumi. – disse Suguru.

- Sim! – se levantou.

Os outros candidatos não estavam em lugar algum. Seguiu Suguru até a mesa. Ele se sentou na cadeia aposta a ela... Dessa forma, Yumi ficava de costas para o resto da sala, tendo que dar sua completa atenção a Suguru.

- Bom, Yumi-chan! – ele sorriu. – Vamos começar?

---

- Eu disse que você conseguiria! – exclamou Sei.

- Ele vai conversar com a presidente. Ela pode não gostar de mim.

- Vai por mim. Ela vai gostar de você. – disse um grande sorriso maroto.

Suguru havia lhe dito que iria conversar com a presidente sobre todos e que ligava para ela caso ela fosse a escolhida, ou seja, não havia nada decidido.

- Já vai? – perguntou Sei.

- Vou sim, tenho que contar a novidade para os meus pais, além do mais não tenho nada para fazer aqui. – sorriu sem graça.

- Espero pelo melhor então! Até quando seu estágio começar! – disse Sei confiante.

Dissera adeus aos outros arquitetos e a Sei. Entrou no elevador e apertou o botão do primeiro andar. Sei recusara a pegar a trocar números de celulares, acreditando piamente que Yumi seria a escolhida.

- Idiota... – sussurrou.

O fio vermelho começou a ser puxado novamente. Estava muito preocupada.

- Espero que esteja tudo bem...

No 7° andar, o elevador parou... A porta se abriu e alguém entrou como um flash.

- Sachiko? – perguntou de impulso. Esquecendo-se de vez de formalidades.

- Yumi? - a deusa se virou para a arquiteta. – O que faz aqui? – perguntou muito surpresa.

- Entrevista de estágio. Trabalhando?- Sachiko assentiu.

- Estou indo à cafeteria comprar um café, me acompanharia?

Yumi sorriu e concordou rapidamente.

No caminho conversaram sobre tudo e nada. Sachiko sorria e ria na maior informalidade, os outros funcionários passavam olhando com curiosidade as duas, como se nunca tivessem escutado Sachiko rir.

- " Pobres infelizes..." – pensou Yumi. Começava a duvidar que existisse som mais lindo que esse.

Chegaram a cafeteria e imediatamente um dos caixas foi para perto de Sachiko, sentaram-se num mesa isolada, uma de frente para a outra:

- Posso ajudá-la em algo?

- Ah sim, traga-me um café bem forte e... –virou-se para Yumi – Deseja algo, Yumi?

- Acho que vou querer um suco somente. – na verdade, não queria comer, só queria saber mais sobre Sachiko.

O rapaz voltou correndo para o balcão pegar os pedidos. Yumi parou para observar sua deusa mais de perto e pôde perceber que ela estava cansada, muito cansada, parecia que não dormira.

- Não me diga que você passou a noite toda trabalhando?

Sachiko a olhou surpresa, mas não respondeu. Se sentia envergonhada por isso agora.

- Não é saudável! – Olhou para o rapaz que chegava com o café e o suco. – Por favor, traga algo para ela comer.

- Não tenho tempo para comer agora, Yumi! – tentou argumentar.

- Se ela não comer, vai adoecer, então traga algo que ela tem costume de comer. – falou entre os dentes, por que ninguém via do que Sachiko precisava?

O rapaz pareceu entender. Deixou o café e o suco, voltou para o balcão e disse quais seriam os próximos pedidos. Sachiko também não retrucara, era obvio que Yumi estava preocupada com ela.

- Coma um pouco. Só um pouco. Eu detestaria saber que você adoeceu por que não estava comendo direito! – a sinceridade nos olhos de Yumi era tanto, que não importava para Sachiko se estava cheia de coisas para fazer e pessoas para conversar, só importava diminuir a preocupação da arquiteta para com ela.

- Certo. Vou ficar um pouco mais.

Yumi sorriu verdadeiramente satisfeita.

- Então, como acha que se saiu na entrevista?

- Não sei... – tinha se esquecido do estágio na verdade... – Acho que bem, só vou saber quando Kashiwagi-san me ligar... Ou não.

- Entendi... – comentou bebiricando o café.

- Mesmo que eu não consiga, me considero sortuda, afinal foi uma grande chance! Eu vi você e conheci a Sei-sama, então...

- Sei-sama? Satou Sei?

Assentiu. Não gostara da expressão fechada de Sachiko, nem do brilho de raiva nos seus olhos safiras...

- Satou... Ela me dá cada dor de cabeça que você nem imaginaria! Não vejo o que ela tem que todo mundo a ama!

- Bom, ela é muito carismática! – o brilho aumentou.

- Carismática eu não duvido, mas problemática seria o mais apropriado!

Yumi riu. Não podia evitar! Sachiko a olhou surpresa, mas depois começou a rir também sem nem saber o porquê.

O rapaz chegou até a mesa e as encontrou rindo. Olhou para os lados e depois voltou a sua atenção a uma certa deusa de olhos safiras, dessa vez quem fechou o rosto foi Yumi.

- Aqui está, Ogasawara-sama. – disse o rapaz corando depositando o pedido em frente a Sachiko.

- Obrigada, Shibume-san. – respondeu sorrindo.

Shibume voltou ao balcão sorrindo de orelha a orelha. Ele se considerava muito sortudo! Sachiko raramente descia a cafeteria e quando descia mal olhava para quem a atendia, pegando o café e voltando ao escritório em seguida, mas hoje, além de ficar mais tempo, ela o chamou pelo nome! Poderia se considerar mais sortudo que isso?!

Yumi olhou o rapaz se distanciar, fio amarelo forte, alguns fios verdes e o fio vermelho bem longe de Sachiko! Quase sentia dó do rapaz, quase.

- Sabe o nome de todos? Estou impressionada! – comentou Yumi bebendo seu suco.

- Não fique, pois eu não sei. Sou péssima para guardar nomes. – respondeu Sachiko. Estava comendo alguns pães acompanhando o café. – Tem certeza de que não está com fome?

- Tenho. Assim que eu chegar em casa, sei que minha mãe vai ter preparado algo para mim. – Olhou para Sachiko seriamente – você não deveria ignorar sua saúde assim.

- Eu sei, mas eu tenho tanto para fazer que eu sempre me deixo para depois. – olhou ao redor – até que a reforma ficou boa.

- Você precisa de alguém para cuidar de você. – disse Yumi fazendo bico.

- Acredite, eu não sou fácil de lidar, principalmente se estou muito ocupada. Não gosto de colocar meus problemas nos outros.

- Nem tanto. – sorriu – você disse que tinha muito para fazer, mas está aqui comendo, não é?

Sachiko parou e analisou. Realmente...

- Você é diferente. – afirmou a deusa.

- Diferente? Isso é algo bom ou ruim?

- Bom... – sorriu – definitivamente bom.

Yumi sentia que poderia começar a pular naquele momento. Talvez Aika não estivesse tão certa assim... E mesmo se estivesse, só aqueles minutos em que podia se ver nos olhos de Sachiko valeria toda a pena qualquer sofrimento que pudesse passar.

- Sa-chan! – era Kashiwagi. Yumi fechou a expressão. Por que de todos os momentos ele tinha que aparecer agora? Por quê? – O que faz aqui? Normalmente você estaria trancada no escritório...

- Suguru. - Sachiko estava obviamente desconfortável.

- Yumi-chan! – exclamou Suguru – Não sabia que vocês se conheciam!

- Nos conhecemos ontem, Kashiwagi-san. – respondeu secamente.

- Então vou deixá-las sozinhas. Sa-chan, te vejo em casa – sorriu – Yumi-chan, tome conta da minha esposa.

E ele saiu, como se a missão dele fosse simplesmente estragar o resto da conversa.

- Esposa? – repetiu Yumi. Estava tendo um pouco de dificuldade para respirar.

- Ah... Nos casamos assim que eu me formei. Meu pai me prometeu em casamento para ele desde que eu nasci.

Foi somente então que Yumi percebeu a aliança dourada.

- Você deve amá-lo muito. – disse Yumi tentando não embaralhar as palavras. Sentia seus olhos ficarem cheios de lágrimas.

- Amo...

- Que bom. Nossa, estou muito feliz! – tentava se convencer e a ela também.

- "Como o primo carinhoso que ele sempre foi." – completou mentalmente. Mas achou melhor não falar mais nada. Sua relação com Suguru sempre foi muito simples para eles, mas muito complexa aos olhos dos outros.

- Bom, é melhor eu ir indo! – disse se levantando. O copo de suco vazio na mesa.

- Eu tenho muito que fazer... – o resto do café e o prato com o resto dos pães estavam ao lado do copo de suco.

- Eu vou falar com Kashiwagi-san para cuidar muito bem de você. Não quero você doente. – disse com calma. Tinha que manter sua voz estável.

- Ele desistiu há um tempo. – sorriu tristemente – todos desistem.

- Eu não. – afirmou com força – Amanhã, na mesma hora no parque?

- Certo. – mais uma vez aquele lindo sorriso – Te desejo boa sorte com a entrevista, espero que você consiga.

- Se eu conseguir, você vai ter que almoçar comigo, todo dia.

- É um trato então.

Yumi sorriu contente.

- Vou te acompanhar até a saída, tudo bem?

- Claro! – e juntas começaram a andar – "Talvez seja esse o problema que a tia Aika comentou ".

Olhou para o fio vermelho que as conectava. Não importava se ela estava casada, aquele fio era a prova mais irrefutável de que ela não pertencia em nada a Suguru, muito pelo contrário, pelo que Yumi viu o fio amarelo e um verde de Sachiko se ligava com Kashiwagi, mas ambos estavam bem fracos.

- Gosta de chocolates? – perguntou a arquiteta do nada.

- Adoro!

Yumi disparou a perguntar na curta caminhada até a saída e quando percebeu, ambas estavam paradas em frente ao grande balcão de informações. A mulher que a criticara mais cedo nem tentava disfarçar a curiosidade, afinal por que a presidente e única herdeira das empresas Ogasawara estava conversando com uma possível estagiaria?

- Então até amanhã, Sachiko-san! – disse fazendo uma reverência.

- Até, Yumi.

- Jante hoje e não se esqueça do lanche de tarde!

- Não irei, obrigada. – disse rindo.

- Antes que eu me esqueça... – corada, abraçou-se a Sachiko e lhe deu um leve beijo na bochecha direita que passou de um branco pálido para vermelho.

Yumi saiu correndo sem olhar a reação de Sachiko, ela mesma não acreditava no que tinha acabado de fazer.

A secretaria estava com os olhos arregalados e a boca aberta. O que tinha acabado de acontecer?! Agora, esperava que Sachiko ficasse furiosa e nunca mais permitisse a entrada da garota na empresa... A qualquer minuto a presidente começaria a gritar... A qualquer minuto...

- Yumi...

Mas, nada aconteceu. Sachiko tocou sua bochecha e sentiu um calor agradável por seu corpo, sorriu ternamente e voltou para o seu escritório, ignorando todos os olhares dirigidos a ela. Talvez o mundo não fosse tão frio como achava.

Residência Fukuzawa - dia seguinte.

Yumi estava deitada em sua cama olhando para o teto. Um livro estava aberto e encostado no seu peito. Estava chovendo forte, então não pôde ir ao parque se encontrar com Sachiko como queria.

Suspirou. Queria muito saber como ela estava e se aquela ação ousada a havia incomodado muito.

- "Droga de chuva!"

Yuuki estava na sala jogando vídeo-game, sua mãe estava na cozinha preparando um bolo e ela estava a pensar sobre a pessoa que lhe era destinada...

-Yumi! – era Yuuki – Telefone! É o Kashiwagi-san!

- " Eu nem percebi o telefone tocando..."

Sem levantar, estendeu a mão, pegou o telefone no hack e atendeu.

- Yumi-chan! – disse Kashiwagi parecendo animado – Que chuva! Estou até com medo de ir para casa e chegar encharcado!

- Nem me fale! Essa chuva estragou meus planos!

- Que coincidência! Os de Sa-chan também...

- "Aonde ele quer chegar?" Tem algo que eu possa lhe ajudar?

- Ah sim, desculpe, bom, te escolhemos para o estágio. Depois da entrevista, eu mandei seu currículo, junto com suas notas que me disponibilizaram para o "conselho" da empresa.

- Conselho?

- Exatamente. A presidente é guiada pelo conselho, que são os patriarcas do clã e experientes nos negócios. Eles a aprovaram. Você pode começar amanhã?

- Claro que posso!

- Ótimo! Roupas formais e no mesmo horário que você veio para a entrevista. Procure por Satou Sei, 13° andar, sala 14.

- Okay! – podia começar a pular agora!

- Que bom que está feliz! – podia sentir aquele sorriso "sabe-tudo" dele – Sabe, foi você que a obrigou a começar a comer direito, não foi?

- Ah, quem? – se fez de boba.

- Você sabe quem. – a diversão antes presente sumiu – Eu gostaria de te agradecer. Ela não estava comendo direito e eu temia que ela adoecesse, o que provavelmente iria acontecer! Sei que ela só comeu direito ontem e hoje, mas mesmo assim... Me alivia muito, obrigado.

Yumi ficou muda por um momento. Estava surpresa! Kashiwagi era sempre muito difícil de entender, nunca se sabia quais as intenções dele, afinal ele nunca parecia sério ou sincero em nada, mas esse agradecimento foi tão sincero...

- T-tudo bem! Como amiga, eu não quero que ela fique doente!

- Amiga?... Obrigado mesmo assim. Quem sabe você consiga convencê-la a tirar umas férias ou a dormir direito?

- Quem sabe? – riu.

- Sabe... Quero que saiba que eu só disse aquilo para que você não pensasse que iria ser tão fácil quanto parecia...

- Do que você - ?

- Yumi, seja franca comigo... Eu não sou o inimigo.

- Ah, eu realmente não sei-!

- Tudo bem, quando quiser conversar sobre isso me procure. No mais, até amanhã!

E o telefone ficou mudo.

- Yumi! – era sua mãe – desça aqui e nos conte as novidades!

Colocou seus pensamentos para o lado, abriu um sorriso e desceu. Depois pensaria sobre isso, depois...

Escritório – Ogasawara Sachiko

- Tenho certeza de que isso será resolvido logo, . – dizia Sachiko ao telefone – Não sei o porquê meu marido não compareceu a reunião, isso não me foi reportado, mas pode ter certeza de que irei esclarecer isso. – seus olhos se estreitaram para Suguru que seriamente a olhava. – Eu entendo, não se fazem maridos como antigamente, suponho... E sim, minha seção de arquitetos já está com o projeto para o novo hotel. – De Suguru, seus olhos foram para Sei, que também estava bem séria. – Que dia? Ah sim, marcarei na minha agenda e dessa vez eu irei, desculpe novamente, estou tão surpresa quanto o senhor.

Sei e Suguru trocaram olhares. Tinham seus motivos para não terem nem ido a reunião nem completado o projeto e não tinham certeza se Sachiko os entenderia.

Ela estava furiosa. Primeiro, teve que suportar as provocações de Suguru com relação a Yumi desde que levantara; Segundo, estava chovendo, portanto não poderia tirar um tempo para passear pelo parque; Terceiro, não iria ver sua nova amiga durante o dia; Quarto, recebera uma ligação do mais novo sócio dos Ogasawara, Richard Hamilton, dono de uma das maiores cadeias de hotéis cinco estrelas do mundo, dizendo que Suguru deveria tê-lo encontrado para um almoço de negócios no dia anterior e não apareceu; Quinto, as plantas para o novo hotel que planejava ser o melhor do mundo ainda não estavam prontas e Sexto, ela estava muito mau-humorada.

- Vocês podem me explicar o que está acontecendo? Você – apontou para Suguru – deveria ter se encontrado com o para firmar o contrato de parceria para o novo hotel e você – apontou para Sei – deveria ter as plantas prontas para começarmos a construir. Espero que vocês tenham uma bela razão.

Sei nunca temera Sachiko, mas não podia evitar a frio que percorria sua espinha ao sentir a fúria nas palavras dela.

- Sachiko –começou Sei – Temos muitos projetos para dar conta. Desse novo hotel, da nova empresa, estamos auxiliando na construção do novo hipermercado, temos que analisar as plantas da nova indústria e mostrá-las para os engenheiros, é muita coisa para fazermos. Por isso eu pedi por estagiários.

- Você pediu por um estagiário, irá fazer diferença?!

- Se puder mais, agradecerei.

- Ligue para os outros da lista. Três será suficiente?

- Acho...

- Acha ou tem certeza? Não temos espaço para duvidas!

- Certeza.

- Ótimo. Você tem três dias para me entregar a planta. Vou me encontrar com Richard então e começar com a construção. O hotel é a prioridade, ignore os outros se for necessário.

- Se você diz, chefinha. Considere feito.

- E diga para os estagiários que se eles pensam que será fácil estão enganados, eles foram escolhidos para trabalhar e se mostrarem que são bons, lhes siga que eu posso contratá-los.

Sei fez uma continência sorrindo e saiu da sala, olhando para Suguru rapidamente.

- E você?

- Sa-chan...

- Não venha me chamando de apelidos. Eu realmente estou muito nervosa.

- Okay... Eu estava muito ocupado.

- Com o quê?

- É pessoal.

- Pessoal?! – levantou da cadeira – Era algo pessoal?! Você não apareceu a um almoço importante de negócios por "assuntos pessoais" e não pode me contar o quê? Suguru, você está tentando me matar de ódio ou só está brincando com a minha cara?

- Eu estava fazendo isso pelo seu bem!

- Meu bem?!

- Eu estava preocupado! Você não está se cuidando, eu achava que você iria adoecer!

- O que isso tem a ver com o almoço? Melhor, sempre foi assim por que agora você está se importando com isso?!

- Eu estava conversando com uma mulher, nos encontramos por acaso e ficamos a conversar, o nome dela é Aika.

- Suguru, isso não - ...

- Ela me contou coisas estranhas e eu acredito. Isso tem a ver com você sim! Sempre foi desse jeito, mas eu nunca achei que era tão ruim quanto é. Sachiko, você já está doente, não está?

- Você não está fazendo sentido!

- Está ou não está?

A presidente calou.

- Meu Deus, é grave, não é? – ele passou a mão pelos cabelos.

- Isso não tem a ver.

- É, não é? Ela estava certa afinal.

- Essa Aika?

- Ela me parou e disse que você não estava bem, que estava passando por algo muito ruim. Eu não acreditei, mas ela conseguiu me convencer e agora estou vendo que idiota eu fui por ignorar isso por tanto tempo. Ela me disse também que você tinha conhecido alguém que te ajudaria a superar isso, eu fiquei surpreso por que você praticamente não tem amigos, mas quando eu vi você conversando com Yumi-chan foi que eu entendi...

- Você está delirando! Acho que a quantidade de trabalho o está enlouquecendo... Faça uma seguinte, tire uma semana de folga! Viaje um pouco e relaxe.

- Você precisa relaxar e viajar!

- Eu preciso terminar o que estou fazendo. Vou ligar para Richard e explicar que você não estava bem, ele vai entender...

- Quem não está bem é você...

- Eu estou perfeitamente bem. Não convém a você tentar me ajudar.

- Você tem razão. Há outra pessoa para ocupar esse papel.

- Nos vemos em casa, Suguru...

- Sachiko...

- Até. – voltou seus olhos para o computador.

O vice-presidente saiu da sala, se sentindo um pouco derrotado. A se ver sozinha, Sachiko tirou os olhos da tela.

- Como ele soube?... Aika?... – massageou suas têmporas – ótimo, mal comecei e já estou morrendo de dores de cabeça. – abriu uma das gavetas da grande mesa e retirou um frasco com alguns comprimidos, tomou um e encostou-se à grande cadeira de couro, descansando suas costas. – Yumi...

--

-Sachiko... – suspirou. – "Droga de chuva!"

- Yumi! – era Yuuki - Tia Aika está aqui!

Levantou-se num pulo e rapidamente desceu as escadas indo para a sala.

- Tia! – exclamou abraçando-a firmemente.

- Yumi-chan! Que saudades!

- O que faz aqui?

- Eu vim por sua causa. Podemos conversar um pouco a sós?

- Vamos para o meu quarto.

Yuuki voltou para o quarto. A mãe dos gêmeos havia saído para comprar algo para o jantar, então a casa estava para os três. As duas entraram no quarto e Aika sentou na cama, enquanto Yumi fechava a porta.

- Você sabe, Yumi-chan, que o seu dom é muito precioso assim como o meu.

- Tia Aika, é sobre o que conversamos?

- Sim, é. Depois que você ligou ontem, eu fiquei muito preocupada, então seguindo meus instintos eu comecei a andar, nem lembro o trem que eu peguei ou sequer onde eu parei, e quando dei por mim eu estava em frente a um rapaz muito bonito e eu soube que ele estava envolvido de alguma forma com o seu dilema, no começo até achei que ele era o seu rapaz, mas então, percebi que não era... Começamos a conversar, meu dom me contou que a sua pessoa estava conectada a ele e que o problema que estava fazendo o fio ficar puxando é pior do que eu imaginava...

Yumi sentia seu coração apertando mais e mais á medida que Aika falava, achava que coração iria parar de bater.

- Achamos que essa pessoa está doente... Muito doente. Ele recusou dizendo que era impossível, mas meu dom não erra, e no fim, ele a confrontou e me ligou dizendo que eu estava certa.

- Q-Que tipo de doença?

- Não sabemos. Ela não disse, nem sequer confirmou por palavras, então eu decidi te contar... Tem certeza de que quer continuar com isso? Mesmo sabendo no que tudo isso pode dar?

- Não há momentos que eu me sinta melhor do que quando estou com ela, então mesmo que seja temporário, eu quero prolongar isso o máximo possível. Ela é a pessoa destinada para mim, tia. E a senhora sabe o quão difícil é encontrar essa pessoa, a maioria das pessoas não a encontra e eu tive essa chance... Eu não vou abrir mão disso.

- Imaginei que fosse essa a sua resposta. Desde criança você esperava por alguém com a outra extremidade do fio, quantas pessoas você já rejeitou por não ser ligada a você? Acho que nem você sabe ao certo...

Aika nunca pensou que poderia fazer Yumi mudar de idéia, mas queria ver até aonde a determinação dela iria e não estava desapontada.

- Então, tudo o que posso fazer é te apoiar e ajudar no que você precisar, eu e Suguru-san estamos do seu lado!

Yumi sorriu. Bom, não esperava que Sachiko estivesse doente, mas não havia nada que podia fazer com relação a isso além de obrigá-la a tomar conta dela mais.

--

Dia seguinte – Escritório – Ogasawara Sachiko

Ogasawara Tooru nunca foi um pai muito presente, ele dividia sua atenção com a empresa, a amante e a família. Um típico workaholic que passava semanas no escritório, não muito diferente dela, mas as situações eram diferentes... Ele tinha uma família o esperando em casa, ela tinha nada. Suguru passava noites longes com o amante e ela, não gostando da solidão do apartamento, ficava no escritório e com o tempo virara um habito. Já chegara a passar um mês sem dormir em casa, só voltara a descansar quando descobrira uma ótima companhia: animais. Era apaixonada com cachorros. Tinha vários, de várias raças, de vários locais.

Durante meses não passava a noite no escritório, na noite retrasada foi a primeira noite em muito tempo.

- E logo na primeira vez em meses, ele me descobre e ainda conta... – suspirou.

Chegara um pouco mais tarde no escritório, tinha levado um dos cachorros ao veterinário e o deixou lá. Sentou-se na grande cadeira de couro e suspirou, estava se sentindo bem cansada.

- Suguru me cansa...

Ambos tinham discutido na noite anterior, nunca discutiram tanto em todo o tempo que conviviam juntos, tanto como primos quanto casados. Ainda se lembrava claramente de Suguru gritando:
"- Se você acha que eu vou ficar quieto com relação a isso, você está enganada, não vou, não mais! Eu vou saber o que é mesmo que eu tenha que chantagear seu médico!"

- Como se isso fosse fazer alguma diferença...

O telefone tocou. Uma, duas, três vezes. Irritada, pegou o telefone e atendeu:

- Ogasawara Sachiko.

- Chefinha! – era Satou Sei – Estou com os estagiários aqui.

- Ligue para Suguru, é esse o trabalho dele.

- Ele ainda não chegou e não atende o celular.

Respirou fundo se acalmando.

- Estou indo.

- Okay!

Colocou o telefone no gancho e reunindo coragem se levantou. O papel de Suguru era, principalmente, fazer a social quando ela não podia ou queria. Claro que sabia se comportar e impressionar as pessoas em sociais, mas só por que sabia não queria dizer que gostava, muito pelo contrário.

- São só estagiários! – murmurou. – estagiários... Afinal, Yumi estava tentando que vaga aqui? – se perguntou. – Eu deveria ter perguntado antes. – suspirou.

Entrou no elevador e apertou o botão do 13° andar. Mifuki, sua secretária, estava bem doente, portanto teria que passar e pegar sua agenda... Seria um longo dia!

Seção de arquitetura

- Bom, a presidente chegará aqui em alguns minutos. Ela se apresentara e introduzirá algumas regras da empresa. - dizia Sei para os quatro novos estagiários.

Yumi estava ansiosa. Queria muito vê-la de novo, tanto que mal dormira na noite anterior. Seria assim todo dia e isso não a desanimava nem um pouco!

- " Sachiko..."

Mal pensara na presidente e a própria entrou na sala. Tão elegante que todos na sala pararam e ficaram a olhar-lha, - Yumi, felizmente, não percebeu-.

- Bom dia a todos! – desejou com um sorriso sincero no rosto, tinha visto Yumi e de repente se sentira tão... feliz! – Eu sou a presidente da empresa, Ogasawara Sachiko e é um prazer conhecê-los.

Os olhos dos presentes brilharam.

- Eu sei que quando vocês vieram na entrevista foram avisados de somente uma vaga, mas após uma reunião com a chefe da seção de arquitetura, Satou Sei, vimos o quanto era preciso mais mão-de-obra urgente, portanto lhes chamamos. Sei lhes deve ter explicado que se vocês trabalharem bem serão recompensados, se não, não hesitaremos de lhes demitir. Há muitas pessoas precisando trabalhar. Mantenham isso em mente.

Por mais que tentasse era impossível prestar atenção no significado das palavras de Sachiko quando podia simplesmente ouvir o som de sua voz, olhar nos maravilhosos olhos azuis, sentir o coração bater mais forte e uma inexplicável vontade de rir ao ver aquele sincero sorriso e ser embalada numa felicidade imensa ao somente estar na mesma sala que ela. É seguro dizer que Yumi não prestara atenção no que Sachiko dizia e só acordou quando viu todos se levantando e sendo encaminhados por um arquiteto mais experiente.

- Yumi-chan!

Soltou um grito baixo ao ser abraçada fortemente por Sei.

- Sei-sama! – disse tentando se soltar.

- Serei sua senpai! Não é ótimo? – Mesmo sem olhar no rosto de Sei já imaginava o sorriso maroto.

- Solte-a imediatamente, Satou Sei. – as palavras pronunciadas perigosamente fez Sei largar Yumi rapidamente.

- Chefe! – cumprimentou Sei sorrindo – Já conhece a Yumi-chan?

- Quantas vezes eu tenho que lhe falar para não me chamar assim e não se dirigir a uma colega de trabalho tão informalmente? – era obvio que ela estava com raiva.

- Foi mal!

- Sei!

- Desculpe, desculpe. – riu – Mas você acabou de me chamar de "Sei", isso não seria informal?

- Satou Sei! –

- Sei-sama! – interrompeu Yumi. – É muito bom te ver de novo. – fez uma reverência para Sachiko.

A presidente sorriu. A vontade de estrangular Sei ,contida.

- Digo o mesmo, Fukuzawa-san. – falava como se não tivesse quase explodido de raiva segundos atrás.

Sei piscou.

- " Estou sendo ignorada?" – pensou.

As duas não mais se falaram, mas o a troca de olhares foi o suficiente para Sei entender. Com olhos arregalados continuava a olhar as duas e sua boca fez um ligeiro "o".

- Ookkkay! – disse, fracamente atraindo a atenção delas – Chefe, Youko pediu para avisar que precisava falar com você urgente.

- Por que não...?

- Ela disse que precisa ser você. Suguru não vai adiantar.

Suspirou. Realmente, tirando por ter visto Yumi, o seu dia estava sendo uma droga.

- Estou indo então. – sorriu para Yumi – Nos encontramos depois, tudo bem?

- Claro!

Relutantemente Sachiko saiu da sala.

Sei importunou Yumi o resto do dia para saber qual era o relacionamento das duas. Sei tinha uma grande habilidade de criar intimidade com alguém em pouco tempo.

- Sei-sama, de novo, nos conhecemos tem uns dois dias!

- Não acredito! Eu conheço Sachiko há anos, ela não sorriria assim para alguém que ela conhece por tão pouco tempo e eu sei, ela nunca me deu um sorriso assim!

- Sério? – corou. Começou a se sentir eufórica novamente.

- Y-U-M-I-C-H-A-N! Vai me contar ou não?

- Não. – mostrou a língua de uma forma brincalhona para Sei. – Estou indo para o meu almoço.

- Ah, pode ir. – respondeu Sei fazendo bico.

Yumi riu e saiu. Queria procurar Sachiko, mas não fazia idéia de onde ela estava. Andou a esmo por um tempo, mas se lembrou de que ela tinha pouco tempo para o almoço e foi correndo para a cafeteria.

Sentou-se numa mesa afastada. A cafeteria era muito mais do que pensava, no horário de almoço eles serviam um cardápio muito maior do que um restaurante normal. Olhou para o seu curry, que parecia muito apetitoso e começou a comer, claro que nunca parando de olhar ao redor para ver se achava...

- "Sachiko!" – chamou em sua mente ao vê-la entrar com Suguru.

Uma pontada desagradável perfurou seu coração. Suguru parecia decidir o que comer enquanto Sachiko olhava ao redor, procurando algo ou alguém...

- Yumi!

Seus olhos se encontraram. Sachiko sempre foi muito elogiada, muitas foram as pessoas que disseram que ela era linda, mas quando olhava para sua nova amiga...

- " Yumi, você realmente é mais linda do que qualquer uma..."

Por fora, ela tinha aquela expressão meiga e inocente, um rosto de criança com grandes e expressivos olhos castanhos; por dentro, era ainda mais linda! Não se conheciam por sequer uma semana e Sachiko temia só de pensar em não ver Yumi mais. Nunca imaginara que suas caminhadas diárias no parque podiam lhe trazer algo tão bom, nunca!

- Aqui está. – voltou seus olhos para Suguru que lhe estendia seu almoço. – Escolhi um prato típico e simples, tudo bem?

Pegou o que lhe era estendido e com um rápido agradecimento foi para a mesa onde Yumi estava.

- Então, como está sendo o primeiro dia de trabalho?

- Está sendo bom! Estou me divertido e fazendo o que gosto. – omitira que a principal razão de estar gostando ainda mais era pela simples presença de uma pessoa...

- Pelo menos uma de nós... – comentou com um fraco sorriso no rosto.

- Você não...

- Yumi-chan! – interrompeu Suguru – Vou me sentar com vocês!

Sachiko o olhou pelo canto dos olhos, mas ele não pareceu perceber. Yumi se sentia um pouco aborrecida, afinal Suguru ficava ao lado de Sachiko o quanto quisesse, eles moravam na mesma casa! Então por que ele queria estragar o pouco tempo que ela tinha com a presidente?

O resto do almoço foi silencioso, tirando as rápidas conversas das duas amigas, entretanto o silêncio não era desconfortável, muito pelo contrário. Suguru fingia que se concentrava completamente no almoço e olhava furtivamente a interação das duas.

- Espero que Satou-san não esteja a incomodando muito. – comentou Sachiko.

- Não, Sei-sama é muito talentosa! Estou aprendendo muito com ela.

- Com relação a ela, uma coisa que não posso negar é que ela é muito boa no que faz, mas ela tem péssimos hábitos.

Yumi riu. Percebera os hábitos de Sei, infelizmente.

O resto do dia foi relativamente calmo para Yumi. Sei e mais três arquitetos junto com dois estagiários se encarregavam da planta do hotel, Yumi era uma deles e trabalhava duro para deixar boa impressão e estava conseguindo.

- Bom trabalho, Yumi! – parabenizou Sei enquanto ambas estavam indo embora.

- Obrigada, Sei-sama! – riu Yumi – Estou feliz também. Gostei muito do dia de hoje.

- Que bom! – riu Sei. – Youko!! – gritou para a advogada que esperava o elevador.

- Sei. Yumi-chan. Como foi o primeiro dia? – sorriu Youko de uma forma materna.

- Muito bom! É cansativo, mas eu gosto do que faço. – respondeu Yumi contente.

- Fico feliz. Espero que Sei não lhe esteja incomodando muito.

- Youko! – repreendeu Sei de uma forma brincalhona, fez bico e virou o rosto, fingindo estar ofendida.

Yumi e Youko começaram a rir, e logo Sei se juntou a elas. As portas do elevador se abriram e entraram.

- O que faz aqui Youko? – perguntou Sei se referindo ao andar.

- Checando isso e aquilo. – respondeu de forma misteriosa. – Bom, nos vemos depois Sei e até amanhã, Yumi-chan. E obrigada. – Youko saiu do elevador e mais algumas pessoas entraram.

- "Obrigada?" – indagou Yumi.

Assim que saíram do elevador, Yumi se despediu de Sei e foi para o ponto do ônibus.

Sentou-se no banco e ficou olhando os carros passarem. Nem tivera a chance de se despedir de Sachiko... Sentia-se desapontada.

- Yumi. – só uma pessoa pronunciava seu nome dessa forma...

- Sachiko! – pulou do banco.

A presidente a olhou um pouco surpresa pelo pulo.

- Desculpe-me, eu não planejava te assustar...

- Não, tudo bem! Eu só não esperava você no ponto do ônibus...

- Bobinha, eu não pego ônibus. Só pedi para o meu motorista parar por que te vi aqui e pensei que poderia te levar para casa ou algo do tipo. – Sorriu.

- Ah, eu adoraria! Mas... não quero incomodar, você deve estar cansada e...

- Está tudo bem. Eu tenho que passar numa clinica veterinária que fica do outro lado da cidade, então tenho certeza de que não tem problema.

Derrotada Yumi seguiu Sachiko para a esquina onde uma limusine estava parada.

- "Por isso que eu não os vi..."

O motorista saiu do carro e abriu a porta para ambas. Yumi explicou para ele onde mais ou menos ele poderia deixá-la.

- Você disse que iria ao veterinário...

- Sim, eu disse.

- Cachorro ou gato?

- Cachorros.

- Você não me parece o tipo "amo cachorros". – Disse Yumi pensando alto. Sachiko riu. – Des-desculpe! Não queria falar isso alto!

- Tudo bem. Eu partilho de sua opinião.

- Hum... Você disse cachorros... Quantos?

- Deixe-me lembrar... Acho que uns onze.

- Onze?!

- Estou para adotar mais dois...

- Realmente gosta de cachorros, não é? – sorriu.

- Bom, desde alguns anos eles são minha única e mais fiel companhia, uma família praticamente... Ara, você deve estar achando que eu sou meio louca por estar falando assim.

- De forma alguma! Aos meus olhos você só se tornou mais incrível do que já era!

Sachiko sentiu sua face ficando mais quente e logo percebeu que estava corando.

- Fico feliz que você se sinta assim por mim, Yumi. Realmente estou. – disse sinceramente sorrindo. Um largo sorriso.

- Ah e, você não está mais sozinha. Vou sempre estar aqui.

- Yumi... Obrigada.

O carro ficou silencioso enquanto as duas se perdiam no olhar uma da outra. O motorista se sentiu um verdadeiro intruso por estar presente em tal situação... Mas, sinceramente, ele não perderia a chance de ver sua jovem patroa sorrir daquele jeito por nada.

- Poderia ligar o rádio, por favor? Será uma longa ida até o veterinário... – se virou para Yumi – ou gostaria que a deixássemos em casa primeiro?

- Adoraria te acompanhar! Já disse que adoro animais? – sentia-se como se tivesse ganhado na loteria!

O motorista ligou o rádio e uma leve música estrangeira começou a tocar.

I wanna look into your eyes again
I wanna look into the windows of your soul...again, again

- Essa é uma linda música! – comentou Sachiko fechando os olhos.

Who's to know where time will lead us now?
I can't believe this is happening now
I'm not scared, I'm just wondering how
I wanna see your eyes
All the time we've shared between us now
The feeling I have needs me to make a vow
Now as I leave I must return somehow
Cause I wanna see your eyes

Parecia que aquela música tinha sido feita para ela.

- " Eu não estou com medo, só estou me perguntando como... Eu quero olhar nos seus olhos." – traduziu uma parte da música mentalmente e olhou rapidamente para Sachiko que cantarolava baixinho com os olhos fechados.

When I look at you I fumble, my confidence takes a tumble
But when I look into your eyes, I just crumble
'Cos I know that it's you that my heart burns for
That it's you that I'm yearning for

De olhos fechados Sachiko acompanhava a música.

- " Quando eu olho para você eu me atrapalho, minha confiança vai ao chão... Mas quando eu olho nos seus olhos, eu desabo... Por que eu sei que é por você que meu coração queima, pois é você que eu anseio." – abriu seus olhos lentamente e olhou para o lado... Seus olhos se encontrando com os de Yumi.

Who's to know where time will lead us now
I can't believe this is happening now
Well I'm not scared, I'm just wondering how
I wanna see your eyes, I wanna make it right

A música ia sumindo, acabando. O motorista ainda estava cantarolando, muito perdido na música para notar o que acontecia no banco de trás.

Yumi se sentia meio tonta. Parou de pensar e deu rédeas a sua intuição, começou a aproximar lentamente seu rosto do de Sachiko, coisa que nunca faria em sã consciência tão cedo.

Sachiko parecia hipnotizado, viu Yumi se aproximando e, ao invés de amedrontar, foi encontrar com Yumi no meio do caminho.

Ambas fecharam os olhos e pareciam prender a respiração inconscientemente. Seus lábios se encontraram e ambas soltaram a respiração. Uma corrente elétrica pareceu passar pelos dois corpos fazendo ambas tremerem.

Os lábios se separaram e se juntaram novamente. Duas vezes, três vezes. Nenhuma pensava e nenhuma queria pensar. Só o que importava era o movimento suave e gentil dos seus lábios contra os outros.

You make me smile glowing shine
You make me glad to be alive
With love that's easy to survive

Outra música começou a tocar. O motorista virou pela esquina e foi diminuindo a velocidade até que parou em frente a clinica veterinária.

- Ogasawara-ojousama. – chamou o motorista.

Ouvindo o motorista falar, ambas acordaram e se afastaram sem graça, coravam furiosamente e o motorista chamou novamente:

- Estamos na clinica.

Sachiko olhou pela janela e agradeceu. Sua voz saiu fraca.

Yumi olhava para suas mãos. Estava corada e não sabia onde se esconder, queria sair correndo.

- "Eu estraguei tudo!" – tinha vontade de chorar, mas segurava firme. Queria muito olhar para Sachiko, mas tinha tanto medo de ver repulsa que achou melhor não olhar, talvez fosse melhor fingir que nada acontecera.

- "O que eu fiz?!" – pensava Sachiko confusa. Parecia que outra pessoa tinha tomado conta do seu corpo e agora fizera um dano irremediável. Havia estragado tudo! – " Mas eu nunca tinha me sentido assim." – Mesmo mais afastadas uma da outra, Sachiko ainda sentia aquela eletricidade passando pelo seu corpo e que vinha de Yumi. – "Fale algo, Ogasawara Sachiko! Qualquer coisa!".

- Ojousama?

- Ah sim, Yumi, você vem comigo? – perguntou cuidadosamente. Ainda estava corada.

Yumi não ousou olhar Sachiko e respondeu baixo e lentamente.

- Não. Acho melhor ficar aqui. – estava com muita vontade de chorar.

- Tudo bem.

Sachiko a olhou preocupadamente por um tempo, mas no final, saiu do carro.

O motorista se virou e viu Yumi chorando. Ele se sentiu triste por aquilo.

- Yumi-sama, por favor, não chore.

Ela o olhou. Os olhos cor de chocolate cheios de lágrimas.

- Desculpe. – limpava as lágrimas. Sachiko não poderia vê-la chorando!

- Ojousama não vai te odiar por isso.

- Ah, você viu o que eu fiz, não é? Então sabe que é impossível ela me perdoar.

- Pelo que eu conheço dela, se ela não tivesse gostado ao invés de se sentir culpada, ela estaria gritando e tendo um ataque histérico. Ela gosta de você, Yumi-sama.

- Você acha? – Sabia que ele poderia estar mentindo para fazê-la parar de chorar, mas queria tanto se agarrar a qualquer esperança que pudesse!

- Não acho, tenho certeza! Já a vi agindo com Kashiwagi-ojisama e acredite, não é nada bonito de se ver. – ele ria como se lembrasse de algo muito engraçado. – Ela está tão sem graça quanto você.

- Como você pode saber? Melhor, você não se importa?

- Sabe, ela sempre foi muito gentil comigo. Eu comecei a trabalhar para ela quando eu tinha 18 anos completos, naquela época ela era mais nova que eu. Minha família sempre foi muito humilde e trabalhadora, naquela época, minha mãe estava doente, meu pai trabalhava muito para nos sustentar, as contas do hospital eram muito caras e meu irmão estava pensando em largar a faculdade, então eu comecei a me envolver com coisas não-legais, se me entende, para impedi-lo de fazer tal idiotice. – ele deu um sorriso triste – Eu e mais uns caras estávamos brigando num bar quando um deles sacou uma arma e atirou, sem rumo... A bala pegou no antigo motorista dela. Obviamente saímos correndo, mas no dia seguinte eu me entreguei e delatei os outros caras. Meu pai ficou muito decepcionado. O motorista sobreviveu e saiu aposentado. Ninguém me daria um emprego com uma ficha criminal, eu estava perdido. Meu pai já velho, minha mãe doente e eu, ex-presidiário. E do nada, quando eu achei que estava tudo perdido, ela apareceu.

"- Você é o rapaz daquele dia... O que acha de um emprego?"

- Eu fiquei eufórico! Comecei fazendo pequenos serviços... Office-boy, jardineiro, assistente, até bibliotecário eu fui! E no fim, ela pediu que eu fosse seu motorista particular, e eu aceitei... Hoje, tenho um ótimo emprego, ela cuidou da saúde de minha mãe que está muito bem hoje, meu pai aposentou, estou noivo e muito feliz. Mas, não é a mesma coisa com ojousama, ela sempre foi muito sozinha e infeliz, nunca reclamou, mas eu sei que ela não acha justo. Kashiwagi-ojisama não ajuda muito também... Outro dia quando fui pegá-la na empresa, ela estava sorrindo e no dia seguinte também, eu perguntei o porquê e ela me disse que tinha conhecido alguém que fazia o céu dela não parecer tão cinza, essa pessoa é você Yumi-sama. Eu sempre desejei a felicidade dela, não importa com quem ela se sinta feliz, contanto que ela se sinta. Eu só desejo ver o sorriso no rosto dela, assim como ela foi responsável pelo meu sorriso.

- Nossa... Eu não imaginava...

- Eu não sou o único assim. – ele riu – Eu não me importo, Yumi-sama, mas por favor não desista. Converse com ela sobre isso.

- Eu vou. Obrigada. – sentia-se um pouco melhor.

Por mais que soubesse que era errado tão cedo, Yumi não se arrependia do beijo em si, nunca sentira que estava mais feliz e em paz do que quando seus lábios estavam juntos. Nunca.

A porta do carro abriu e Sachiko entrou carregando um poodle toy branco.

- Desculpe, eu estava resistindo à vontade de pegar alguns filhotes que estavam para a adoção. – suspirou.

- Se continuar assim, ojousama, não terá mais espaço para você e o Kashiwagi-ojisama. – disse o motorista começando a dirigir.

- Verdade... Qualquer coisa eu expulso o Suguru de casa para deixar os cachorros.

Tanto ele quanto Yumi riram.

- Qual o nome? – perguntou Yumi timidamente.

- Essa aqui é a Sakura. – respondeu Sachiko se derretendo pelo filhote em seus braços.

A poodle não se mexia no colo de Sachiko, encolhida e de olhos fechados, parecia querer aproveitar que tinha a dona só para si. Por um tempo, Yumi desejou ser a poodle, poder estar tão perto de Sachiko sem precisar temer nada nem ninguém.

O resto do caminho foi relativamente tranqüilo. Ambas agindo normalmente, ou pelo menos tentando, enquanto brincavam com a Sakura que não se importava com atenção extra. Logo estavam em frente à casa de Yumi.

- Bom, aqui estamos. – declarou o motorista.

Yumi olhou para Sakura que estava em seu colo e a abraçou.

- Até mais, Sakura. Não dê muito trabalho para a sua mãe, ok? – Sakura latiu e Yumi riu.

Sachiko somente observava carinhosamente como Yumi tratava seu mais novo filhote e sorriu ternamente quando seus olhos se encontraram novamente.

Yumi prendeu a respiração. Como queria se aproximar um pouco mais e sentir os lábios da mulher a sua frente novamente... Desviou o olhar antes que complicasse a situação mais do que já estava.

- Muito obrigada pela carona! Qualquer coisa que você precisar, estou aqui. – disse sorrindo.

O motorista abriu a porta. Yumi entregou Sakura para Sachiko e saiu do carro.

- E... me desculpe. – fechou a porta e saiu correndo para dentro de casa.

Sachiko olhou para Sakura que abaixou as orelhas.

- Eu que deveria estar pedindo desculpas... – sussurrou.

Sakura se deitou no colo da dona. O carro começou a se mover.

- Ojousama? – chamou o motorista.

- Sim?

- Ela também bem arrependida.

- Arrependida? Ou seja, ela me detesta agora?

- Não foi isso que eu-!

- Eu não me arrependo...

- Desculpe, eu me expressei mal! Digo, ela está insegura, achando que a senhora a odeia agora.

- Eu a odiar?! Que ridículo!

- Foi o que eu disse, ojousama! – ele soltou uma risada divertida. – Vocês só precisam conversar sobre isso.

- Eu sei... Me diga, Tomomitsu, o que você acha de toda essa situação?

- Como já disse para Yumi-sama, tudo que desejo é ver um sorriso em seu rosto, ojousama.

- Sim, mas... Estou tão confusa. – passou sua mão direita pelo seu rosto, numa atitude de nervosismo.

- Posso falar algo com toda sinceridade, ojousama?

- Mas é claro, sabe que sempre confiei na sua opinião, Tomomitsu!

- Acho que a senhora tentou durante anos viver à maneira imposta pelos seus pais, correto? Estudou nas escolas que eles queriam, fez um curso superior que eles achavam melhor, casou com um homem que eles escolheram e vive uma vida que eles desejam. Como a senhora se sente hoje?

Sachiko ficou algum tempo em silêncio.

- Infeliz.

- Sim. E como a senhora se sente desde que conheceu Yumi-sama?

- Tomomitsu, eu... – suspirou – feliz. Como se eu não tivesse que ser 'Ogasawara Sachiko' só Sachiko...

- Exatamente. Agora a senhora tem que colocar na balança o que a senhora deseja... Se é continuar a levar a vida do jeito que ela está ou deseja mudar...

- Mas Suguru... Meus pais...

- Nunca pensou em como seria viver algo que a senhora escolheu? Mesmo que não dê certo e exista conseqüências, não seria melhor arcar com elas sabendo que foi sua escolha do que simplesmente viver uma vida planejada, na qual a senhora mal sorria? Kashiwagi-ojisama está vivendo a vida dele... A senhora nunca se perguntou em como seria isso?

- Já... Cada vez que ele saia para se encontrar com o amante, eu me perguntava como seria ter alguém esperando por mim em algum lugar, pensando em mim, ser capaz de ouvir um "sinto a sua falta"...

- Na minha opinião, ojousama, o que as pessoas pensam menos importa, o que a senhora quer? Sua felicidade vale a opinião das pessoas? E no mais, isso não significa que a senhora tenha que gritar para todos o que estás fazendo, assim como Kashiwagi-ojisama faz.

Fez-se um silêncio no carro. Tomomitsu virou a esquina. Estavam quase chegando.

- Eu nunca confiei em homens. – começou Sachiko – na verdade, sempre os odiei e fugia deles o máximo que eu podia. – ela sorriu – lembro que quando lhe vi pela segunda vez e do nada eu perguntei se você aceitaria um trabalho, fiquei horas me xingando e me odiando por isso... Pois significava um homem a mais naquela casa, mais um traidor mentiroso, mas eu me surpreendi com você... Creio que você foi o primeiro homem em que eu confiei depois de Suguru. E hoje, eu me arrependo de ter ficado com tanto medo de você.

Ele sorriu. Satisfeito.

- Prometa-me, como amigo, que irá pensar mesmo no que acabamos de conversar?

- Prometo. E você promete me falar o que você acha sinceramente com mais freqüência?

- Prometo, ojousama.

Tomomitsu estacionou. Sachiko saiu primeiro com Sakura e ele foi guardar o carro na garagem.

Entrou no apartamento e se surpreendeu com quem a esperava. Suguru estava parado de braços cruzados a olhando; Mizuno Youko, estava sentada no grande sofá que tinham na sala, ela estava séria e preocupada; Satou Sei estava ao lado de Youko, tinha os braços cruzados e a face sempre com um sorriso estava séria também e ao lado de Sei estava Hasekura Rei, sua melhor amiga desde a infância.

- Sachiko – começou Youko – precisamos conversar.

Foi só então que Sachiko percebeu que Youko segurava alguns papéis.

-----

- Ainda não acredito que você não nos ligou para contar as novidades, Yumi! – disse Yoshino com raiva.

- Ah, desculpe... Eu estava com tantas coisas na cabeça que acabei esquecendo. – respondeu Yumi. – Desculpe...

- Tudo bem, Yumi. Nós sabemos como é. – disse Shimako sendo apoiada por Noriko.

Assim que abrira a porta dera de cara com Yoshino, Noriko e Shimako. As três tinham descoberto por Yuuki que ela tinha conseguido o tão esperado estágio e vieram saber o porquê não foi Yumi que as avisou.

Pelo que acontecera mais cedo Yumi ainda estava bem chateada, então ter q lidar com suas amigas era a última coisa que queria... Só desejava deitar na sua cama e esquecer que tinha estragado tudo.

- Ah e onde está Rei-san? – perguntou Noriko – vocês, quase nunca, estão separadas.

- Ah, Rei foi até a casa de Sachiko-san... Ela estava bem preocupada, então preferi não interromper.

- Espera, Sachiko-san? – indagou Yumi apreensiva. - Ogasawara Sachiko?

As três a olharam com um pouco de surpresa. Yoshino assentiu.

- Bom, Sachiko-san é amiga de infância da Rei-chan. – respondeu Yoshino – Elas estudaram juntas durante muito tempo até que Sachiko-san transferiu para o exterior para terminar seus estudos, mas eu cheguei a conhecê-la... Além do mais, ela é paciente da Eriko-sama, então sempre a vejo.

- Você sabe qual doença ela sofre? – perguntou Yumi com a voz fraca.

Torii Eriko era uma das melhores médicas do Japão e por isso só se interessava por casos "especiais", ou seja, casos que nenhum médico conseguira diagnosticar. Yoshino fazia estágio no mesmo lugar em que Eriko trabalhava, então não eram poucas vezes que vira Eriko desvendar os casos mais complicados e estranhos, ou seja, ser paciente de Eriko era bom e ruim. Bom, pois a médica acertava na maioria dos casos; Ruim, pois o paciente realmente está em um estado perigoso para atrair a atenção dela.

- Bom... Não sei detalhes. – respondeu Yoshino escolhendo as palavras cuidadosamente, estava um pouco receosa de contar para Yumi cujos olhos estavam com um apelo silencioso para que não falasse que era algo sério. – Eriko não comenta sobre o caso dela e parece que nem os estagiários que ela é responsável sabem do que se trata. Só sei que é algo complicado e sério porque quando vejo Sachiko-san lá, ela faz uma bateria de exames e fica um bom tempo em observação com Eriko.

- Entendo...

- Yumi... Você a conhece? – perguntou Shimako.

- Bom... Conheço.

- Mas não tem que se preocupar! – disse Yoshino – por mais eu não me dê bem com Eriko, todas sabemos o quão capaz ela é. Vai dar tudo certo, Yumi!

Queria acreditar nisso... Queria muito acreditar, mas... Só o pensamento de perder Sachiko a assustava tanto que não podia evitar as lágrimas de caírem...

- Yumi! – exclamaram Shimako e Yoshino a abraçando.

---

Só mais um cap!
x]