CAPÍTULO 1 – THREE CHORDS, A NODE

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"Hermione Granger." Observou o loiro, num tom frio e arrogante, sem nenhuma cerimônia. Ela deu um sorriso bonito.

"Draco Malfoy? Há quanto tempo..."

"Muito... Potter?" Virou-se, esquadrinhando cada detalhe que pôde capturar do corpo de Harry.

"Malfoy, como vai?" E estendeu a mão, tendo a certeza absoluta de que seria recusado. Como o fizera quando eram crianças. No meio do pátio da escola, Harry Potter, cujos pais haviam sido mortos por um criminoso, que era famoso por ter sobrevivido, recusando a mão de Draco Malfoy, herdeiro de uma das maiores fortunas do Reino Unido. Alguns segundos se passaram até que o loiro apertasse a mão brevemente, talvez com um pouco mais de força do que o necessário. Um duelo de titãs. Hermione estava gostando de assistir àquilo.

O silêncio pesou por alguns segundos, Harry se sentia constrangido, Draco, irritado, Hermione, intrigada. Ela abriu um sorriso contido. Perguntou se Draco gostaria de dançar, ele apenas acenou com a cabeça, esticando o braço para que ela o tomasse. Harry sentiu seu corpo esquentar e não soube explicar o motivo pelo qual aquilo estava acontecendo.

Sorriu brevemente para Ron e Ginny Weasley. Os ruivos o cumprimentaram, encontrando rapidamente Hermione e Draco no meio do salão. Os olhos azuis de Ron e os marrons de Ginny demonstravam a mesma reprovação. Uma família tradicional, porém falida, os Weasley nutriam grande aversão pelos Malfoy, e vice-versa.

"Eles estão dançando juntos?" Perguntou Ron, uma pontinha de ciúme em sua voz. Harry preferiu não responder. "Não acredito que ela está dançando com Malfoy." Mas ele só ficou mudo porque não queria ouvir a própria voz soando daquele jeito.

"Ron, vê se cresce... Qual é o problema?" Perguntou Ginny, parecendo meio irritada.

"Ginny, dança comigo?" Simplesmente porque Harry não podia se ver ali, parado, enquanto Hermione dançava com Malfoy.

Ele se aproximou dos dois intencionalmente, segurando a cintura de Ginny, evitando qualquer passo ousado para não pisar no pé da ruiva.

Hermione tinha uma expressão suave. Draco parecia menos tenso. Ele se curvou ao ouvido da morena. E perguntou provavelmente se ela queria sair ou algo assim. Separaram-se virando imediatamente para Harry. O loiro parecia irritado, mas Hermione parecia apenas singelamente satisfeita.

A morena chegou perto do rapaz de óculos, um sorriso calculado em seu rosto. Não podia permitir que ele lesse em seu rosto tudo aquilo que passava em sua mente.

"Vamos lá fora?" convidou, apenas movendo os lábios. Harry sentiu que corava enquanto se virava para a Weasley mais nova.

"Se importa, Ginny?"

"Claro que ela não se importa. Nos vemos depois." Disse Hermione, ainda sorrindo, tocando de leve o braço dele, enquanto procurava Draco com um olhar. O rapaz atravessava o salão calmamente.

"Bem melhor aqui..." murmurou o loiro para si mesmo, assim que alcançou a varanda, que tinha apenas mais duas pessoas. Antes de ouvir, sentiu que os outros dois chegavam. Virou-se, analisando-os. Se fosse sincero, diria que não entendia completamente o motivo pelo qual estava fazendo aquilo.

Mas era fato que ele queria faze-lo.

"Muito quente lá dentro..." ele murmurou, encostando à grade da varanda. Acendeu um cigarro, os olhos cor de gelo encarando Harry de maneira astuta.

O moreno abraçou Hermione por trás, beijando seu pescoço. Aceitou o cigarro oferecido pelo loiro, devolvendo seu olhar com determinação.

"Bem melhor aqui..." Murmurou ele. Draco ergueu a sobrancelha em resposta, mas Harry fingiu não ver.

Os três permaneceram mudos durante um tempo que não podiam contar.

Eram o trio mais improvável que se poderia imaginar. Mas nenhum deles queria que fosse diferente. Estavam quebrando uma enorme barreira e assumindo que haviam crescido e mudado desde os tempos em que eram adolescentes.

"Ouvi dizer que você é detetive, Potter." Foi a vez de Harry arquear as sobrancelhas. Ouvira dizer, é?

"É. Entrei na Academia assim que saí da escola... Eu ouvi falar que você é médico..."

"Não é grande coisa. Sou ortopedista, residente."

Quando se tratava de Draco, qualquer coisa era grande. Um grande motivo para que ele tripudiasse. Harry se chacoalhou mentalmente. Precisava se lembrar constantemente que não eram mais crianças. Que as pessoas mudavam. Mesmo que essa pessoa fosse Draco.

"E você, Granger? Faz o que da vida?"

"Eu fiz direito criminal, agora sou promotora."

"Sua cara..."

"O que você quer dizer com isso?" Harry se viu perguntando um tom mais agressivo do que o pretendido. Draco virou os olhos, enquanto dominava a vontade de apertar o pescoço de Harry.

"Granger sempre foi a melhor aluna da turma." Embora doesse no loiro admitir aquilo, porque seu pai o humilhara por anos por ele ser passado para trás por uma bolsista. "A garota mais aplicada que eu já conheci." Para não dizer obcecada. "E sempre defendeu quem precisava." Principalmente quando era ele o agressor.

"Você tem razão." Ela respondeu, bem-humorada. "E eu nunca pensei que diria isso a você."

Ele esboçou algo próximo a um sorriso e não disse nada. Hermione suspirou, olhando o relógio no pulso de Harry.

"Bem, eu já vou indo. Mas acho que vocês deveriam ficar."

Harry a mirou, boquiaberto. A garota apenas sorriu, murmurando que não havia necessidade de acompanha-la. Beijou a bochecha de Draco primeiro e depois a boca de Harry de maneira apaixonada. O loiro gastou alguns segundos pensando em quanto seus parentes deviam estar se revirando no túmulo por ele estar se relacionando com alguém como ela.

Um silêncio tenso se instalou por vários minutos. Qual assunto com seu inimigo de escola?

"Você gosta da sua profissão?" E Harry se sentiu bastante cretino por perguntar aquilo. Mordeu o lábio, aguardando uma resposta.

"Não muito..." Respondeu, considerando. Oito anos faziam muita diferença em uma pessoa. "Acho que fiz isso mais para agradar meus pais. E você?"

"Bem, eu adoro o que faço!" E até as vozes contrastavam. A de Draco era arrastada e fria, meio entediada. A de Harry passava calor e parecia empolgada.

O moreno sorriu, sentindo suas entranhas revirarem violentamente enquanto lembranças percorriam sua mente na velocidade da luz. Era um sonho que se realizava. Aproximou-se um passo. Draco fez o mesmo, embora um pouco mais hesitante. Os corações de ambos perderam uma batida.

Harry não pareceu perceber o que fazia, mas quando deu por si, sua mão cobria a de Draco que, por sua vez, não pareceu se importar. Como poderia?

Sua mente se obliterava enquanto ele apenas sentia o contato suave, o maior que tivera com Harry em toda a sua vida. Sentiu a hostilidade se esvaindo. Engoliu em seco, observando os lábios rosados se abrirem num sorriso e, depois disso, foi como se tudo se apagasse.

Nota: Ainda há tempo de dar um alt+F4. Caso vocês achem que sou digna, críticas são tão bem vindas quanto elogios. ^_^