Segundo Capítulo.

Ficar na casa de Remus durante feriados se provou de fato uma ideia mais enfadonha do que tínhamos pensado que seria. Quer dizer, durante a semana entre o Natal e o Ano Novo, nós nos mantivemos ocupados caminhando aleatoriamente pelo bosque que havia atrás da casa, patinando no lago e bebendo, mas depois da noite de ano novo aquilo ficou cansativo.

Então a coisa mais natural aconteceu: a gente começou a inventar merda pra fazer. James cismou que queria aprender a cozinhar, Peter começou a traçar um plano para entrar na casa vizinha (que, como Remus tinha dito, ficava sempre vazia), Remus tentava supervisionar James e atrapalhar Peter e eu estava disposto a provar para Remus que o episódio fatídico da noite de ano novo tinha sido uma fatalidade sem precedentes e que nunca iria se repetir.

Remus estava ficando puto com isso, na verdade, porque eu trazia a tona, em qualquer oportunidade, o nome de algumas meninas que eu já tinha namorado e transado. Eu sabia que ele me mandaria ir à merda a qualquer momento, mas precisava provar que era homem o suficiente para foder quem eu quisesse, mesmo bêbado. Só não sabia porque eu queria prová-lo isso.

Remus estourou comigo numa noite em que James tinha dito que ia cozinhar o jantar. Nós todos fomos pra cozinha, Peter debruçado em um pedaço de papel concentradíssimo, Remus em cima de James com medo dele fazer merda, e eu me sentei em uma das cadeiras, concentrado em fazê-la parar em cima de apenas duas pernas.

"Ok, pelo menos está cheirando." James disse alegremente, tampando a panela. Pelo o olhar que Remus deu para a comida, ela não parecia estar tão bonita quanto cheirosa.

"Agora que você falou disso, sabe de quem eu me lembrei? De Dorcas, ela sempre foi tão cheirosa...".

Sim, eu sei que forcei a amizade com essa, mas tempos desesperados exigem medidas desesperadas. E esperava sinceramente que Remus voasse em cima de mim de raiva (porque devia ser a décima vez que eu mencionava Dorcas em uma conversa, mas ninguém me perguntava nada sobre ela, então eu continuaria até que alguém o fizesse), mas tudo que ele fez foi rolar os olhos. "Sério, quando nós namorávamos, ela estava sempre cheirosa. Até quando acordávamos."

Remus não ficou impressionado e rolou os olhos, mas James mordeu a isca. "Então vocês realmente transaram?". Ele perguntou meio interessado, fazendo seu caminho até se sentar na última cadeira vazia, provavelmente porque a comida demoraria algum tempo para cozinhar.

"Sim. No dia dos namorados... Nós estávamos namorando há dois meses, então teve a festa e-". Ele não perguntou, mas comecei a falar, sem parar de prestar atenção em Remus, que olhava pela janela com uma expressão entediada. "- como a gente conseguiu uma garrafa de firewhiskey, a noite foi boa."

"E Dorcas com aquela carinha de inocente..." Peter disse de repente, e só então eu percebi que ele também estava olhando pra mim.

"Eu estava muito bêbado, mas foi bom. Óbvio."

"E quando não é bom?" James perguntou rindo. Balancei a cabeça e passei a mão no cabelo, fingindo um sorriso convencido.

"Comigo é sempre bom." Isso fez Remus virar-se bruscamente e me lançar um olhar que eu não consegui identificar imediatamente. Se tivesse conseguido, perceberia que me calar naquele momento era uma ótima coisa para se fazer. Mas eu não sou uma pessoa conhecida pela sensibilidade em captar as coisas, definitivamente. "Marlene que o diga. Ela praticamente me implorava!"

"Como se você fosse tão bom no sexo assim." Remus disse de repente. Sua voz parecia ter saído mais alta do que ele imaginava, porque ele pigarreou levemente antes de continuar. "Quer dizer, você não é o único."

Abri a boca pra retrucar, mas James o fez antes. "Eu não entro nisso aí não. A única mulher da minha vida foi Lily, e sempre vai ser." Peter fingiu dar um gritinho contido, enquanto eu não resisti a fazer um sonoro "Ooown", e até Remus riu um pouco.

Olhei de canto para Moony quando paramos de rir, e ele ainda parecia meio indignado, o que me fez sorrir. Mexi no cabelo convencidamente e coloquei os pés em cima da mesa, empurrando levemente para que a cadeira ficasse sobre apenas dois pés.

"Marlene era insaciável na cama, até me conhecer." Pontuei, ainda sorrindo. James me olhava como se achasse graça e Peter parecia prestar atenção, esquecido do que quer que ele estivesse planejando naquele papel. "Várias vezes nós fomos para a Torre de Adivinhação. Vocês conhecem a fama de lá!".

"Ninguém quer saber da suas conquistas amorosas, Sirius." Remus retrucou, ainda me olhando indignado. Tantas dicas e eu ainda não tinha percebido que o melhor a fazer era parar, naquele instante.

"Só estou comentando, Moony. Se você tivesse tido conquistas amorosas como as minhas, você também gostaria de comentar." Aquilo foi a gota d'água, e no fundo eu sabia que era com razão. O grande problema era que eu adorava testar até onde ia o limite da paciência de Remus e mais usualmente do que gostaria de admitir, eu o ultrapassava.

"E quem falou que eu não tenho conquistas amorosas?" Ele disse irritado, agarrando a beirada do balcão com força e me lançando um olhar raivoso. "Só não sou tão prepotente como você, que fica por aí espalhando como se fosse o melhor do mundo na coisa."

Prongs pareceu espantado e Peter olhava para mim e para Remus com uma expressão entendida, como se avaliasse o que estava acontecendo para os nossos ânimos estarem tão alterados.

"E você já teve alguma conquista amorosa, é, Moony?". Respondi, sem conseguir ignorar a crítica que ele tinha me feito. "Não disse que sou o melhor do mundo – talvez um dia. Mas você sabe que eu sou bom pra caramba."

Claro que você não sabe que eu sou bom pra caramba, completei na minha mente, porque eu broxei quando tive a chance de te provar isso. Mas falar isso não machuca e massageia meu ego, sem contar que eu não conseguia me conter.

"Vocês se lembram da Vance?" Ele perguntou no plural, mas olhando diretamente pra mim. Peter e James estavam um pouco acostumados com nossas discussões, porque elas aconteciam frequentemente, pela minha já citada capacidade de irritar Remus. Ele não esperou resposta. "A gente dormiu junto enquanto namorávamos e nem por isso eu saí espalhando para o mundo. E olha que foi, definitivamente, a melhor experiência sexual que eu já tive."

Ele tinha dito aquilo para me provocar, obviamente. Ou porque eu já tinha o provocado, mas isso quase dá na mesma. "Você deixou ela bêbada, foi?".

Remus abriu a boca em choque por eu ter me atrevido a sequer sugerir aquilo. James e Peter provavelmente não entenderam o porquê de tanto choque, mas não me importei e abri um sorrisinho enquanto ele me encarava com raiva.

"Você é um idiota, Sirius, de verdade." Disse por fim, cruzando os braços e praticamente me fuzilando com o olhar. Me diverti com o fato dele estar tão irritado – mais um pouco e poderíamos ver um fumacinha saindo por suas orelhas.

Claro que eu sabia que Remus nunca me embebedaria, até porque quem começou a beber a bebida russa foi eu, não ele, mas aquele era minha vingança por ele ter tirado com a minha cara mais cedo, quando me disse que eu tinha... broxado.

Peter voltou seu olhar para o papel e James ficou olhando para mim com uma expressão repreendedora, até que algo começou a queimar e ele se levantou da mesa em um pulo. "Vocês ficam aí discutindo como um casal e me fizeram esquecer da comida!". Lamentou, abrindo a panela e lançando um olhar desconsolado para o quer que estivesse ali dentro.

Remus descruzou os braços e começou a sair da cozinha pisando duro, mas parou do meu lado por um segundo e falou baixinho, para que somente eu ouvisse. "Você pode ser bom pra caramba, mas não deu conta de mim na cama."

Depois ele empurrou a cadeira – que ainda estava apoiada em apenas dois pés - e saiu antes mesmo que eu batesse no chão com um baque surdo. Xinguei o primeiro palavrão que veio na minha mente, ficando mais irritado ainda quando James e Peter desataram a rir.


Enfim, amores, esse é o segundo capítulo. Espero que estejam gostando, e assim que eu puder eu venho com o terceiro, provavelmente por volta do dia nove ou do dia dez. Deixem reviews porque reviews são lindas.