Capítulo 2
A PONTE

"You've been running away from what you don't understand

(Você está correndo do que você não consegue entender)

She's slippy, you're sliding down

(Ela é escorregaria, você está deslizando)

She will be there when you hit the ground

(Ela vai estar lá quando você cair no chão)

It's alright, it's alright, it's alright

(Tudo bem, tudo bem, tudo bem)

She moves in mysterious ways

(Ela se move de maneiras misteriosas)"

Parecia que Padma não conseguia mais fugir dos sorrisos de escárnio e provocação que Daphne lhe dirigia o tempo inteiro. Seu desempenho em Poções começou a piorar, e não conseguia prestar atenção no velho Slughorn – não enquanto Daphne ria maldosamente na mesa do lado. A sonserina, ela notou, não estava tendo tantos problemas, pois podia contar com alguma ajuda de Zabini, que sempre fora bom em poções. Padma passava algum tempo desejando que soubesse usar Legimência para saber o que se passava na mente de Harry Potter, que parecia surpreendentemente (ainda mais inesperado depois do garoto ter tido aulas extras de poções com o Snape no ano anterior) bom na matéria.

Em Feitiços ou Defesa Contra as Artes das Trevas ela ficava mais tranqüila: tinha tanta gente, que se tornava fácil fugir dos olhares da ruiva. Mas Aritimancia e Runas Antigas eram aulas vazias, e parecia que a menina não prestava um segundo de atenção na aula, apenas lhe sorrindo daquele jeito que fazia Padma tremer.

Aos poucos, Padma começou a conhecer a raiva. Não que ela nunca tivesse sentido raiva, mas parecia que o sentimento ganhava um novo poder quando se tratava de Daphne. Parecia a ela que todos os momentos em que as duas estavam juntas eram dedicados a debochar da fraqueza da corvinal.

- Ela não tira os olhos de você! – murmurou Mandy durante uma aula de Aritmancia.

- Eu sei – Padma suspirou, tentando se concentrar no trabalho.

- Eu te falei que ela queria alguma coisa...

- Se por "alguma coisa" você quer dizer me atormentar por estar sofrendo, então você realmente acertou.

- ... Se isso adiantar de algo, eu vou agradecê-la até o fim dos meus dias.

- Et tu, Brutus? – perguntou Padma indignada. – Você concorda com ela ficar me perturbando todos os dias, debochando dos meus sentimentos?

- Eu acho uma coisa boa que tenha algo te incomodando que não seja os amassos que a Lavender dá ou deixa de dar no Weasley.

A garota ficou calada, pois não havia nada que pudesse responder àquele comentário ácido. Nunca tinha esperado que Mandy apoiasse a atitude cruel da sonserina, mas começava a pensar se as duas não tinham razão. Se não estava na hora de tentar esquecer ao invés de se lamentar pelo que, aparentemente, não tinha volta. "Mesmo assim" , ela pensou, "não dá a ninguém o direito de me forçar."

E pensando naquilo, ela lembrou do beijo que tentara roubar da ruiva, e de como ela a tinha beijado. Tinha sido selvagem, visceral, tão diferente da delicadeza dos lábios de Lilá. Tão diferente de qualquer menino que tivesse beijado. Era instigante, e prazeroso de uma forma diferente de tudo que havia tentado até então. A mera lembrança do beijo fazia seus lábios arderem.

"Isso é uma bobagem" ela se auto-repreendeu. "A única intenção de Daphne era me mostrar como eu estava sendo idiota. Não é como se ela quisesse me beijar de verdade". O som que declarava o fim da aula a despertou de seus pensamentos, e ela começou a recolher o material. Levantou a cabeça para ver a ruiva sair da sala, observando a forma como se movia de leve, o cabelo balançando junto com a saia. Como se um sexto sentido tivesse avisado, a menina virou-se diretamente para ela ao chegar na porta da sala e piscou, saindo sem uma palavra.

Na verdade, Padma já não entendia mais nada do que estava acontecendo em sua vida.

"E o chão se abre por dois sorrisos

De um escândalo, charme macio

Que cor que terá se derreter?

Que som os lábios vão morder?

Vem me ensinar a falar

Vem me ensinar a ter você"

Já passava pouco das nove horas, e Padma andava tranqüilamente pela escola. Pansy, para variar, tinha desaparecido. Estava se tornando uma rotina. Dessa vez tinha certeza que a garota não estava com Draco: tinha encontrado o rapaz enquanto subia, ralhando com duas meninas do primeiro ano no sétimo andar. Continuara a andar pelas escadas, pulando os degraus falsos e olhando distraidamente em volta.

Ela não ousaria admitir nem pra si mesma que andava na esperança de encontrar Daphne em um dos corredores. Seu consciente lutava tão intensamente com seu inconsciente que ela subia cada vez mais, acreditando que seria mais fácil ver a sonserina perto de seu salão comunal e justificando que preferia não ter mais um encontro que permitisse à outra debochar de sua dor.

Com toda essa confusão interna, Padma ficou ao mesmo tempo surpresa e exultante quando encontrou a ruiva do lado oposto do corredor que subia para a sala da Professora Trewlaney. A garota estava sentada em uma das janelas, olhando para o lago distraidamente através do vidro. Foi com algum temor que a monitora se aproximou. Apesar de o barulho dos passos ecoarem no corredor, a outra não se virou. Quando a sombra se inclinou sobre o corpo da sonserina, ela falou com uma voz baixa e muito diferente do seu normal:

- Eu gosto daqui.

Padma sentiu que a menina estava prestes a cair no choro, e colocou a mão sobre seu ombro.

- Aconteceu alguma coisa, Daphne? – A ruiva sacudiu a cabeça, negando, mas seus olhos estavam vermelhos com lágrimas que não tinha conseguido derramar. – Você está chorando.

- Não estou não – negou a garota, balançando a cabeça com raiva.

- Me conte o que aconteceu... – pediu a gêmea em voz baixa, sentando ao lado de Daphne e segurando a mão da menina. Sua pele parecia queimar com o toque. – Por favor.

- Que diferença faz? – ela sacudiu a cabeça irritada. – de que adianta eu te falar?

- A diferença é que eu me importo – seu estômago ficou frio. – Você me ajudou, me dê o direito de retribuir.

A sonserina voltou a balançar a cabeça, discordando para em seguida soltar sua mão. Levantou da janela e começou a andar de um lado pra o outro, respirando fundo. Lentamente, ela começou a parecer mais calma.

- Minha mãe está grávida.

- Que bom... – respondeu a corvinal, sem saber o que isso tinha a ver com o nervosismo da garota.

- Ela está grávida de seis meses. Eu perguntei pra ela quando fui pra casa no natal. Ela mentiu pra mim, disse que só estava engordando. Eu deveria ter desconfiado daquelas roupas rodadas.

Padma ficou olhando para a ruiva, ainda sem entender qual era a gravidade do problema. Sua mãe não tinha outros filhos que não ela e Parvati, mas mesmo assim, jamais tinha dado conta às duas do que fazia ou deixava de fazer. Na época em que entraram em Hogwarts, sua mãe tinha engravidado e perdido o bebê, e fazia menos de um ano que as duas tinham descoberto sobre o acontecido, e mesmo assim muito por acaso. Parvati suspeitava que a mãe das duas não tinha perdido o bebê e sim tirado-o por vontade própria, mas a outra dizia que já não importava, pois sua mãe jamais se daria o trabalho de explicar. Ela sempre dizia que não explicava o que fazia ou as razões pelas quais o fazia.

- ... Talvez ela estivesse com medo. Aposto que sua mãe já não é tão nova, e nessa idade a gravidez vai ficando difícil de manter.

- Você não sabe nada! – gritou Daphne, começando a ficar com o rosto vermelho, os olhos brilhando de lágrimas que ela se esforçava pra manter longe do rosto. – Ela nunca mentiu pra mim! Ela não me contou de propósito! Aquele marido nojento que ela arranjou que está fazendo a cabeça dela pra me tratar diferente! Minha mãe está velha; é idade dela virar avó e não de ter outro filho!

- Não diga isso! – falou a menina, com os olhos arregalados. – Você ainda é muito nova...

- Eu não falei literalmente – a voz da ruiva é ácida. – Ou você não é capaz de entender o que é literal e o que é apenas jeito de dizer?

- Desculpe – falou Padma começando a se irritar. – Mas minha mãe sempre me tratou como uma filha e não como uma amiga.

- O azar é todo seu – respondeu a garota pegando uma caixinha de vidro que tinha deixado na janela. – Ninguém é tão confiável quanto sua própria mãe. Mas, claro, você não precisa disso. Você tem sua querida irmã para cumprir o papel de pessoa que você pode confiar acima de qualquer coisa.

- E que mal há nisso? Parvati é minha irmã, minha gêmea, e mais do que isso. Ela é mais confiável até do que minha mãe.

- Tem certeza? Tem certeza mesmo depois de todos esses anos de afastamento?

- Isso não significa nada. Eu não preciso falar com ela para saber o que ela sente, ou pra que ela saiba como eu estou.

- E mesmo assim ela continua sendo tão ligada à Lavender? Então ela é uma irmã ainda pior do que eu imaginava.

- A Lilá é amiga dela.

- A querida, doce, Lilá tratou a irmã dela pior que lixo.

- Isso é o que você acha, não necessariamente o que eu acho ou o que ela acha.

- Me impressiona o quão longe você vai na negação, apenas pra se iludir.

A ruiva tirou um chocolate de dentro da caixa e o ofereceu educadamente, mas a corvinal recusou. Ela desembrulhou o papel laminado e levou o bombom à boca, mordendo-o lentamente. Foi com um olhar fascinado que Padma observou enquanto a língua rosada da menina lambia o recheio e seus lábios se enchiam da cor marrom do doce. Havia algo de uma beleza provocativa em tudo que vinha de Daphne, dos olhares ao andar, do andar às mordidas no chocolate, das mordidas aos beijos e dos beijos novamente aos olhares. Tão gritantemente diferente da graça doce de Lilá, que mostrava inocência e delicadeza em cada gesto, que pareciam duas pessoas tão diferentes quanto uma gata selvagem de um cisne.

Aos poucos a gêmea começou a perceber que a diferença maior entre as duas era que enquanto a loira era uma menina perdida, a ruiva já estava no tênue limite entre a garota e a mulher adulta, e vivia fazendo suas escolhas por vontade própria. Não sabia até que ponto aquilo poderia ser considerado bom – ou ruim. Daphne acabou de comer o doce, e sorriu com os lábios fechados antes de passar a língua por eles como se quisesse ter certeza de que não tinha sobrado nada.

- Coma um, está bom.

- De que é feito?

- Chocolate! – falou a sonserina com um risinho, e Padma respondeu com um muxoxo, antes dela continuar – O recheio é de um licor que minha mãe faz com canela.

- Sua mãe fez bombom para você?

- Ela deve estar se sentindo culpada – deu os ombros. – Um tanto melhor que esteja mesmo. Não é tão bom quanto os de tequila que ela mandou da outra vez, mas vale a pena tentar.

- Nunca tomei tequila – respondeu a outra, se sentindo muito nova.

- Eu prometo corrigir essa falta em outra vez.

- Achei que tequila fosse uma bebida trouxa – respondeu a corvinal ácida.

- É bom, e alcoólico, não me importa de onde vem.

A ruiva pegou outro bombom de dentro da caixinha, e desembrulhou o papel laminado se aproximando da outra garota. Ela roçou com o chocolate nos lábios de Padma antes de falar.

- Prove.

A morena abriu a boca e mordeu o chocolate, o recheio escorrendo pelos lábios. Era doce e quente, um tanto picante. Lembrava muito o próprio jeito de Daphne, e a garota não conseguiu imaginar nada que combinasse mais com ela. A ruiva levou o resto do chocolate à boca, com um sorriso maroto diante do óbvio deleite da corvinal.

- Eu sabia que você ia gostar.

As duas estavam muito próximas, e a morena se sentiu tentada. Era impossível saber exatamente o que se passava na cabeça da outra, mas seus lábios eram convidativos, os cantos ainda melados com o licor.

- Sua boca está suja – respondeu, e levantou a mão e usou a ponta dos dedos para limpar a menina.

Daphne ficou muito quieta enquanto a mão de Padma deslizava entre seus lábios entreabertos, e quando esta ameaçou tirar a mão, segurou-a firme perto de si sugando o resto do licor do dedo indicador da colega. A gêmea sentiu seu corpo tremer e se esquentar ainda mais do que quando comeu o bombom. Ainda sem soltar a mão da outra, a ruiva sorriu. Seus dedos fizeram carinho na palma da corvinal, que pareciam círculos de fogo. Padma levantou a mão, tocando de leve o rosto da sonserina, mas sua mão desceu até o pescoço, onde sentiu a garota estremecer com um arrepio, e a deixou cair passando muito de leve por todo o corpo da menina até pousar firme em sua cintura.

Mais tarde, Padma não entenderia exatamente como tudo aconteceu. Daphne a puxou mais pra perto, encostando o corpo no seu, os dedos deslizando pelo braço dela até chegar às suas costas, as unhas bem feitas arranhando levemente enquanto desciam apenas para subir novamente por dentro da blusa. A corvinal fez exatamente o mesmo, a respiração das duas tocando o rosto a sua frente enquanto os olhos se procuravam. A ruiva a arranhou conscientemente, e a morena tirou a mão das costas dela para passar os dedos delicadamente pelas coxas da outra até levantar levemente a saia da menina e descer novamente, a mão subindo de volta, passando direto pela cintura e seguindo o desenho do corpo da outra até chegar em seus seios.

Daphne puxou a menina ainda mais para si, esmagando sua mão entre as duas, e se aproximou com os lábios entreabertos, procurando os de Padma. Não foi um beijo tão selvagem como da vez anterior, nem tão gentil quanto eram os beijos de Lilá. Era um beijo forte, intenso, carregado de desejo. A mão de Daphne começou a descer e subir novamente por suas pernas, e a corvinal parou o beijo, chocada.

- Não – murmurou espantada. – Não quero. Não devo.

- Vá pro inferno! – gritou a ruiva, voltando a raiva. – Você não faz idéia do que quer. Volte pro seu cantinho imaculado para chorar e desejar o impossível.

A mão da sonserina se levantou e por um segundo delirante Padma achou que fosse receber um tapa, mas foi a caixinha de vidro que voou pelo ar se espatifando em mil pedaços espalhados pelo corredor. Os bombons restantes caídos pelo chão. A ruiva foi embora em um passo apressado, o calor de sua fúria criando manchas vermelhas em seu corpo enquanto ela desaparecia. A corvinal continuava paralisada no mesmo lugar. Seus olhos se encheram de lágrimas não derramadas que ela não entendia sequer por que estavam ali. Tirou sua varinha das vestes, e sem falar uma palavra, refez a caixa. Ainda estava toda rachada, uma marca de como seus feitiços não-verbais ainda não estavam perfeitamente desenvolvidos. Duvidava, porém, que se tivesse dito algo teria feito alguma diferença.

Ela fez outro feitiço para os bombons voltarem para a caixa frágil e começou a andar direto para seu quarto. Não importava mais a ronda. Parecia pra ela que os mil reflexos que a caixa quebrada exibia à luz das velas, refletindo no laminado dos doces e na fina armação dourada, mostravam o quanto ela mesma estava partida por dentro.

"Senta aqui, hoje eu quero te falar

Não tem mistério não

É só teu coração

Que não te deixa amar

Você precisa reagir

Não se entregar assim

Como quem nada quer

Não há mulher, irmão, que goste dessa vida

Ela não quer viver as coisas por você

Me diz, cadê você aí?

E aí não há sequer um par pra dividir

Não há ninguém capaz

De ser isso que você quer

Vencer a luta vã e ser um campeão

Pois é no não que se descobre de verdade

O que te sobra além das coisas casuais

Me diz se assim está em paz

Achando que sofrer é amar demais"

As horas de passavam e Padma continuava encolhida sob seus lençóis. Sua cama era quente; os elfos-domésticos garantiam que continuasse assim. Mas, mesmo assim, seu travesseiro estava gelado e úmido das lágrimas que não sabia por que derramava. Tudo parecia muito errado.

Ela amara Lilá. Tinha tido certeza completa disso até aquela tarde chuvosa, quando Daphne a beijou. E mesmo que aquilo fosse, como a sonserina dizia, uma ilusão de sua cabeça, uma forma de divinização de outra pessoa, sem dúvida desejava a grifinória. Não importava mais o que tinha sentido por Lilá – a loira era agora apenas uma lembrança dolorida, como um corte feito nos nós dos dedos que demora muito a cicatrizar. Incomodava, era constantemente lembrado, mas já não sangrava.

Não sabia exatamente como aquilo acontecera. Talvez tivesse sentido tanta raiva de Daphne que não tivesse sobrado espaço para lamentar a perda como fazia antes. Talvez os movimentos hipnóticos da ruiva gastassem mais energia do que tinha imaginado a princípio. A caixa partida estava em seu criado-mudo, e refletia a luz da vela, refratando mil tons de vermelho, amarelo e laranja. O papel metalizado refletia as cores, criando uma trama de luzes tom-sobre-tom. As lágrimas que se prendiam nos cílios de Padma antes de cair aumentavam a complexidade do desenho. Tudo lembrava dolorosamente os fios de cabelo de Daphne, o vermelho de seu rosto tomado de raiva, o laranja-amarelado das pontas dos cabelos.

Desejou não ter dado uma de virgem louca mais cedo. Não achava que quisesse que acontecesse mais do que aquilo, mas deveria ter sido mais delicada e menos desesperada. Suas lágrimas faziam seu rosto arder, mas não conseguia parar, ou entender. Não era como se Daphne fosse algo mais do que sua colega – e, de certa forma, uma pequena obsessão. Ao mesmo tempo, sentia que tinha cometido uma gafe imensa. Tinha se aberto para a garota, e ela tinha retribuído. Querendo ou não, eram mais que colegas. Tinham se conhecido há tantos anos, que Padma sequer conseguia lembrar de como haviam se conhecido.

Ainda pensava nisso quando a exaustão a pegou de surpresa. Suas pálpebras ardiam, fechadas sobre os olhos ressecados pelo excesso de choro. Ela estava encolhida e abaixada em um canto do jardim, enquanto um pequeno garoto negro a cutucava com a ponta da vassoura e os outros meninos riam com ele.

- Deixem ela em paz! – falou uma voz fina e irritante. – Blaise, pare de perturbá-la. Não é culpa dela se tem que usar trancinhas com borboletas brilhantes.

- Não acabe com a brincadeira, Pan – respondeu o pequeno Blaise para a menina de mãos na cintura. – É divertido ver a toda poderosa Parvati se encolhendo e chorando.

- Oh, céus, como você é burro! – respondeu a menina ao lado, o cabelo ruivo brilhando sobre o sol. – Essa é Padma. Parem de implicar com ela, Blaise e Teodoro. Já, já a Narcisa vai dar por falta de todos nós, e as mães vão começar a pegar no pé de vocês. Vocês vão ficar de castigo, e perder os jogos da festa.

- Eu não tenho mãe – respondeu Teodoro cruzando os braços.

- Se você é filho de chocadeira, o problema é todo seu – respondeu a ruiva. – Você não quer problemas com sua mãe, quer, Blás?

O menino negro puxou sua vassoura de volta para perto, e estendeu a mão para a pequena Padma, que já não chorava. Ela balançou a cabeça, recusando a ajuda dele, e Pansy a ajudou a se levantar. Praticamente na mesma hora Parvati chegou, acompanhada de Zacarias Smith e Emília Bulstrode.

- Porque você está chorando, Pad?

- Não foi nada, não é? – estimulou Pansy, enquanto a gêmea tentava secar as lágrimas em silêncio. – Já passou.

- Vocês estavam implicando com minha irmã de novo? – perguntou botando as mãos na cintura, e encarando os rapazes.

- Pansy já te falou que não foi nada. Esquece.

- Eu acho muito bom você não repetir, Blaise, ou eu vou contar pra sua mãe! – repetiu teimosamente, e Padma teve seu braço fortemente enlaçado pelo da irmã. Ainda pode ouvir de longe a voz de Teodoro imitando a voz da outra "vou contar pra sua mãe".

Ela andava pelos imensos jardins da mansão até encontrar um casal de bruxos altos, esbeltos e loiros. Havia algo de aristocrático no ar do casal Malfoy, uma elegância que aparentemente nata. Todas as mães das crianças estavam sentadas em mesinhas de ferro, trabalhadas com padrões barrocos. As xícaras de porcelana estavam em cima das mesas, que também estavam cheias de bolinhos, enquanto elfos domésticos serviam comida para as crianças em outra mesa.

Antes que Parvati pudesse dizer alguma coisa, Lúcio Malfoy fez um sinal para o filho e todas as crianças começaram a voltar para o centro da festa. Com um beijo no rosto da esposa, ele levou-os para um grande espaço de gramado sem nada, e conjurou vassouras para cada um.

- Vamos jogar Derrubada! – anunciou Draco, com sua típica voz arrastada. – Tem algum tapado que não conheça as regras do jogo?

- Draco, isso não é maneira de falar com seus convidados – repreendeu Lúcio, colocando a mão sobre o ombro do rapaz. – Estão todos preparados? Eu vou contar até três, então vocês montem suas vassouras, e boa sorte.

Padma nunca gostara de derrubada. Era um jogo bruto, sem a menor classe. Era um jogo que uma menina jamais poderia ganhar, não se Crabbe e Goyle tivessem no meio. Bom, a menos que a menina em questão fosse Emília Bulstrode.

Os garotos montaram suas vassouras animadamente, as meninas nem tanto. Todos subiram no ar, e – como sempre – Parvati foi a primeira a ser derrubada por uma veloz Emília. Logo estavam todos rindo e correndo com suas vassouras pelo ar, animados pelo jogo. Padma estava fugindo da perseguição de Pansy às gargalhadas quando caiu: uma vassoura acertou seu corpo pelo outro lado, fazendo-a sair de cima da vassoura. Quase imediatamente Pansy acertou Daphne em sua tentativa de derrubar Padma, e ambas caíram suavemente pelo campo encantado, até aterrisarem às gargalhadas, uma por cima da outra.

A última coisa que viu antes de acordar foram os olhos brilhantes da ruiva, sorrindo misteriosamente para ela e dizendo com seu tom irônico:

- Saia de cima de mim, Patil.

"Hide your eyes and count to ten,

(Feche os olhos e conte até dez)

Ready or not - I'm gonna find you again,

(Pronto ou não – eu vou te achar de novo)

And again and again and again.

(E de novo, e de novo, e de novo)

I will jump and hide from you.

(Eu vou pular e me esconder de você)

I will chase you round and round,

(Eu vou te perseguir por todo lugar)

Skip in time, play peek a boo,

Ready or not, you're found.

(Pronto ou não, te achei)

I will chase you here and there.

(Eu vou te perseguir aqui e lá)

I will chase you everywhere,

(Eu vou te perseguir por todo lugar)

Inside, outside, up and down,

(Do lado de dentro, do lado de fora, em cima e embaixo)

Catch me if you can...

(Pegue-me se puder)"

Nota da Autora: Como mencionado no capítulo anterior, eu tenho um problema com as traduções absolutamente ridículas da Lya Wyler. Inicialmente – quando não tinha sexo definido – Blaise virou "Blás" (E, aparentemente, Blásio em HBP, honestamente não sei o que é pior), e eu mantive o nome original, usando a tradução da Lya como apelido. Logo, Mandy, Lavender, Blaise, e Terry são os nomes, enquanto suas versões nacionais – Mádi, Lilá, Blás e Téo eu uso como apelidos. AH, eu sei que eu não usei o Terry em momento nenhum até agora, mas nunca se sabe. O Theodore Nott manteve seu nome dado pela Lya porque Theodore e Teodoro são igualmente ruins, e não é uma tradução absurda. Eu usei "Pan" como apelido de Pansy meio aleatoriamente, é comum no fanon a Pansy ser chamada de Pan on Pans. Para quem interessar possa: esse foi o aniversário do Draco de dez anos.

As músicas usadas nesse capítulo foram "Mysterious Ways", do U2; "No Recreio", da Cássia Eller, "Tá Bom" do Los Hermanos, e essa música do final é de um programa infantil, se eu não me engano o nome dessa música é "Ready Or Not" em inglês. Eu não sei, porque a única coisa que aparece no vídeo nesse episódio é "Games".