JOHN WINCHESTER
Por Chantall
Disclaimer: John Winchester não me pertence! Nem Dean e Sam, ou qualquer outro personagem de Supernatural aqui citado. Pra começar, John ainda estaria vivo se eu fosse a roteirista oficial!
Sinopse: O que você sabe sobre John Winchester? O que os filhos dele acham que sabem? Você sempre quis saber o que John Winchester estava fazendo durante toda a primeira temporada? Eu tenho uma teoria!
Beta: A Rainha (unofficial)
Shipper: John Winchester, um pouco de Dean e Sam –Linguagem imprópria, violência, Slash e incesto. Pode ser que você ache que não tenha, mas vai por mim, terá! Não gosta, não leia.
N/A: Reviews, plizz... A intenção é que a história fique mais quente conforme as reviews venham!
Capítulo II
Charlene Delamar tinha sido a primeira caçadora mulher que eu conheci. Eu tinha filhos pequenos, era cego de ignorância e dor.
Ela foi mais do que um alguém com quem aprender. E eu me deixei envolver. Charlene foi à primeira depois de Mary.
Mas Charlene e eu nos desentendemos logo. Ela levou a relação muito a sério. Um tanto obcecadamente demais, talvez. Queria casar e ser mãe de Dean e Sam!
E naquele momento a pior coisa que ela pode me dizer era que ela seria uma substituta para Mary. Ninguém será uma substituta para Mary. Nunca!
Foi a partir disso que meus problemas com Charlene Delamar começaram. Agora encontrar com a filha dela me parecia irônico e estranhamente poético. Já que a menina procurava em mim um pai. Hora de colocar os pingos nos is. Ninguém pode ser substituto de ninguém, nem de pai, nem de mãe.
Deixei o diário para o Dean, sabia que ele chegaria ali em breve, com uma coordenada de mais um trabalho. Eu o queria ocupado, enquanto cumpria minha parte no acordo e arrancava de Lisa tudo o que ela sabia sobre o demônio. Ela dormiu enquanto eu dirigia. Ao saber que eu não era seu pai, ela caiu num mudismo total.
Depois de já ter dirigido por horas, sonolento e cansado parei num camping e peguei um bangalô para nós dois. Queria mantê-la debaixo das minhas vistas!
E quanto a Lisa, não parecia preocupada por viajar sozinha comigo. Eu, com certeza, já sabia que ela não poderia me causar nenhuma surpresa desagradável. Aliás, Lisa também não se preocupava em dividir o quarto comigo. Isto só me fazia sentir muito velho.
De qualquer modo, eu me senti estranhamente febril e ansiando para que Lisa me decepcionasse e não fosse a boa garota que parecia ser. Dormi com a faca de prata debaixo do travesseiro, por via das dúvidas, pronto para usá-la se necessário. Então tive um dos sonhos.
" Vi Lisa caminhando entre dois demônios. A verdadeira face de cada um deles era visível. O pior era ver Lisa partilhando de algo com eles. Ela sorria. Ela sorria seu sorriso da vitória e se virava para me olhar, enquanto andava com eles em direção a uma porta que os levava para fora de minha visão."
Acordei com o som de risadas, era Lisa e mais alguém, no pátio do camping. Sai do chalé imediatamente, preocupado. Minhas premonições não costumavam falhar.
E eu a vi entre dois jovens, mais novos que ela; aparentemente um casal. O rapaz a segurava pela cintura e ao me perceber ali, Lisa se afastou um pouco dele.
- John estes são Phill e Alex. Eles vão me mostrar onde fica a lanchonete. Eu vou com eles e busco nosso café da manhã, tudo bem?
- Sim, tudo bem. Eu aproveito para fazer algumas ligações, então. – disse com um sorriso de falso alívio, tentando parecer casual. Afinal, os jovens fazem amizades sólidas em segundos, não é?
Tudo muito normal.
Segui-los discretamente não foi difícil. Eu fiquei observando o trio, e principalmente, as atitudes de Lisa.
Eu tinha que admitir: a esta altura que queria muito mais que ela fosse uma traidora do que uma vítima. Mas, apenas via o casal trocando olhares, enquanto Lisa parecia um pouco distraída, até pensativa. E com vontade de livrar-se da companhia deles.
O rapaz repentinamente olhou para mim, nossos olhares se cruzaram e eu me arrepiei até o meu último fio de cabelo. Ele levantou e saiu para me atrasar.
Eu já tinha entendido a situação, ele me atrasaria e a garota pegaria Lisa.
Eu não tinha muitas opções ali em público. Tinha que enfrentá-los um a um. E contando com um pouco de sorte e muita malandragem, atraí o rapaz para um beco lateral onde o fiz acreditar que seria fácil me matar.
Ele não deu o trabalho esperado, já que o rapaz não tinha o elemento surpresa esperado. Afinal, eu sabia o que ele era. Não pude fazer o trabalho bem feito. Claro, mas eu tinha pressa em tirar Lisa de perto da garota possuída.
Assim que pude voltei para a lanchonete. As garotas estavam no banheiro. Lisa estava semi inconsciente e a garota estava tentando arrancar a pulseira com os amuletos.
Assim que me viu, ela saiu de cima de Lisa e me atacou sem muito sucesso, tentando me socar. Deus que me livre de levar um soco na cara de um peãozinho do inferno como ela!
Desviei do golpe e a girei de encontro com o vaso sanitário. Essa luta deu mais trabalho do que a que travei contra o rapaz possuído.
O espaço exíguo não ajudava, e quando enfim vi o demônio saindo da menina, como um vapor negro e pestilento, fui envolvido por aquela forma viscosa e gélida de puro mal.
Não havia por onde ele escapar tão facilmente. Tentou entrar em mim, tentou entrar em Lisa, mas acabou se contentando em sumir pelo encanamento do vaso sanitário.
Eu tirei Lisa dali, a menina estava gelada e molhada de suor, ainda bastante tonta e chocada.
Quanto a mim, o contato de um demônio na minha pele não fez bem algum. Tinha a impressão de que banho nenhum do mundo ia ajudar a esquecer da experiência.
Não voltamos para a cabana do camping, rodei bastante antes de parar em um motel.
Não queria deixá-la sozinha. Sentia-me mal por tê-la usado como isca. Eu sabia o que iria acontecer, afinal. E deixei acontecer.
Eu queria que ela não fosse inocente. O problema não era com ela. Era comigo. Eu estava me tornando duro demais.
Eu não conseguia suportar que meus filhos tivessem perdido a inocência e a filha de minha inimiga não tivesse. Eu tinha que lidar com o fato de que eu tinha deixado minha ânsia de alcançar meu inimigo e vingar minha mulher, impedir meus filhos de serem normais. De serem saudáveis, de serem exatamente como era esta menina, Lisa.
E eu não vi o que estava acontecendo com eles.
Não até que fosse quase tarde demais. Até que uma das minhas premonições me alertasse. " Eu chegaria um dia de uma caçada, e os encontraria na cama. Amantes!
Talvez tenha sido culpa minha. Dean o tempo todo sendo um ídolo para Sam. E Sam sendo a missão de vida de Dean. Então eu tive que separá-los antes que aquilo acontecesse. Eu tive que provocar Sam até que ele quisesse a mim e a Dean longe. Até que ele quisesse se livrar de nós. Então ele inventou suas desculpas e foi para a faculdade. Dean continuou fiel a nossa missão. E nós três sofremos.
Eu não sei se "aquilo" realmente aconteceu algum dia.
Minha premonição era sobre o dia em que eu os encontraria daquele jeito. Eu não quero encontrá-los nunca daquele jeito em que estavam no meu sonho.
"Por Deus, espero tê-los afastado desta tentação! Espero ter agido antes que eles chegassem às vias de fato. Espero que eles se curem desta obsessão doentia um pelo outro. Espero ter ajudado com que Sam conhecesse outras pessoas. Garotas! Espero que este sentimento doentio que eu deixei que crescesse dentro deles morra. Eu não posso devolver a inocência deles. Mas, não posso deixá-los se degenerar".
E agora, esta garota Lisa. Ela também sofre as conseqüências de ser filha de um caçador. Talvez de dois caçadores. E vai perder sua inocência também, como perderam os meus filhos.
Eu a vi chorar e depois disso, ela adormeceu. Eu fiquei analisando suas anotações em sua letra feminina e fluída. Seus argumentos e teorias para comprovar que Matt Doyle, um velho amigo meu, há mais de 15 anos cruzava meu caminho apenas com o objetivo de me confundir. Afastar do caminho certo. Atrapalhar minha busca pelo maldito demônio dos olhos amarelos.
Ele e a mãe de Lisa Charlene, tinham um pacto para me iludir. Para me destruir. E ali estavam detalhes sórdidos de várias vezes em que Matt surgiu, em meio a uma caçada para me ajudar e eu meramente saía com vida por sorte. Ou às vezes, em que ele tinha pistas que me faziam perder meses e meses em pesquisas e caçadas infrutíferas.
"Sempre fui motivo de piada daqueles dois? Era inacreditável!
Charlene eu entendia, mas Matt? Por que queria me prejudicar?
Por que se intrometer? "
Meu ódio foi alimentado e realimentado tendo como combustível aquelas anotações. Algumas fotocópias da comunicação entre eles. Depósitos bancários de Charlene para Matt. Charlene era rica, era a herdeira de inúmeras fazendas no novo México.
Eles tinham um vínculo, e conforme a noite passava, percebia que não podia ser mera coincidência a passagem de Matt em minha vida justo nos momentos de maior crise. Nos últimos 15 anos, pelo menos.
" Nós caçadores, deveríamos estar do mesmo lado!"
Sempre pensei assim. Sabíamos da verdade. Era assustador. Tão assustador talvez, quanto tentar entender o motivo que levou aquele maldito demônio a invadir minha casa e a destruir minha família.
