Agradeço a Sadie e Nimrodel que me mandaram reviews super gentis. Mas tenho que avisar: Nim... você acha que tá bonitinha a história? Vai me odiar daqui alguns capítulos. Mestra Sadie já está a par de parte das maldades que eu quero fazer com os personagens, e isso é motivo para eu me chutar! Mas acho que vai ser divertido.
Outra coisa: substituí o capítulo anterior por causa da correção do nome da Éowyn, que saiu com 'i' todas as vezes, um vício de digitação que eu tenho, assim como escrever sorriso com 'z' e intenção com 's', coisas da Kika.
Espero me fazer entender quando começar alguns diálogos. De início, como vai ser uma retomada do inglês, pus (que feia essa palavra!) as frases nesse idioma (com devida tradução), mas depois que começarem a se entender eu retomo o português, como idioma fluente (mas entendam como se eles estivessem falando em inglês, OK? ) porque eu detesto essa língua, e não quero ficar escrevendo assim – apesar de ser o idioma dos personagens. Qualquer dúvida avisem-me!
Frases em japonês sem mudanças de letra ou destaque gráfico, mas com a devida tradução.
Frases em itálico: recordações, como sempre.
Mini dicionário.
Baka idiota, boba, em japonês.
Kuso merda, bosta – quando se fala no sentido pejorativo, baixo calão, no sentido comum é esterco ou coisa que o valha.
& Continuando ... &
Mais um dia comum? Não em se tratando de ir a um parque de diversões com as amigas. Nenhum dia com Éowyn e Elanor era um dia normal, por assim dizer. Para elas próprias, talvez, mas para Arwen de forma alguma, com certeza.
Sempre foi o tipo apavorada, medo de altura, velocidade... o que estava fazendo lá, mesmo? Não tinha nada que fosse feito para ela se divertir, além de uma ou outra atração que incluíam algo que molha e o carrossel infantil. Montanha russa, coisas que viram de cabeça para baixo ou chacoalham não faziam seu estilo e desagradavam, em muito, ao seu estômago, onde um pequeno lanche começava a se rebelar só em imaginar a situação em que se meteria em pouco tempo.
Qual a graça em se esperar numa fila por horas, para sentir medo e aflição, enjôo e um vento forte por alguns poucos minutos? O que ela estava fazendo alí? Arwen tentava disfarçar, mas não desgrudava os olhos do carrinho que subia e descia, junto com gritos e agitação. Sentia o estômago e as mãos gelarem dando voltas como aquele maldito looping, por mais que tentasse disfarçar das amigas, aquilo era apavorante.
A fila ia encurtando, embora não houvessem muitas pessoas nela, a atração tinha acabado de abrir ao público. Sentaram-se. Éowyn no carro da frente sozinha, ela e Elanor no de trás. Sentiu o coração apertar quando a trava se segurança baixou por sobre seus ombros. A sensação de que seria torturada naquela pequena prisão. Sabia que aqueles poucos segundos seriam uma hora inteira... dava para viver uma hora em um segundo, quando sua vida toda passasse diante de seus olhos, que aliás estavam tão apertados, que os cílios já tinham sumido na fina linha que eles formavam. Sabia que ia sentir, mas não precisava se torturar vendo, também.
Sentiu o carro ser puxado para trás, e embora não visse nada, sabia que estava numa altura tal que sentia o vento, e a julgar pela projeção de seu corpo para frente estavam quase que na vertical. Pensou em abrir os olhos, mas antes ia comentar algo com a amiga. No instante em que abriu a boca o carro desceu a toda velocidade, fazendo com que o som daquilo que ela pretendia dizer fosse engolido. Logo que recobrou a compreensão do que acontecia, percebeu que sua mão estava tão agarrada a um puxador que até suava. Sentiu a brusca subida e ela não terminou, sabia que estava virando de cabeça para baixo, uma, e duas vezes, direto. Seu pescoço doía, como se todo o peso de seu corpo estivesse alojado ali. A agonia durou até que sentiu o carro ir mais devagar, e retomar uma subida, deixando-a apoiada contra o encosto do assento.
Abriu os olhos naquele instante. Parecia que eles tinham se afundado para o interior de seu rosto, devido a pressão das pálpebras cerradas sobre eles. Respirou fundo. Ouviu Éowyn e Elanor vibrando de satisfação. Como alguém podia gostar disso? Como alguém podia ser tão doido a ponto de gostar das estranhas agonias que aquela tortura proporcionava? E o pior... se submeter à ela por livre e espontânea vontade! Pensava quando sentiu despencar no trajeto de volta, apenas teve tempo de fechar os olhos.
'De novo, não!" – pensou enquanto gritava para ver se a sensação melhorava. De fato a pressão pareceu diminuir. Quando se gritava não era tão ruim. Que importava se era de agitação ou pavor? Quem saberia a diferença? O grito dela se misturava ao dos demais.
Saiu de lá sem saber bem qual o caminho a seguir, seguindo as colegas, que logo entraram outra vez na fila, que não tinha quase ninguém.
"Dessa vez não! Vão vocês!" – Disse Arwen a fim de não permitir ser convencida por elas. E lá iam as duas novamente, enquanto ela, em terra firme, sentia aflição em rever todo o trajeto por onde passou. Como tinha sobrevivido?
Lá vinham as amigas outra vez, acenando para ela e... passando direto e entrando na fila pela terceira vez!
Como elas agüentam? Era assustador o estômago de avestruz que algumas pessoas tem. Mas realmente os seres humanos não foram feitos para esse tipo de emoção muitas vezes seguidas e lá vinham as duas... pálidas, cambaleantes. Quase verdes.
"Vamos para a enfermaria..." – afirmou Elanor, enquanto se escorava em Éowyn, que apesar de estar mal, ria da situação. Pareciam que tinham tomado um tonel de vinho. A terra tremia, as pessoas andavam tortas. Qual o caminho para o chão?
Tiveram que sentar, não dariam mais um passo. Pareciam duas bêbadas em fim de festa, apoiadas contra a parede, sorrindo para os que passavam, como se não pudessem parecer mais ridículas.
Alguns minutos depois, quando conseguiram levantar, chegaram até a bendita enfermaria. O médico que estava lá olhou para as duas, fez algumas perguntas, fazendo cara de espanto com as respostas... inconseqüentes! Vieram as instruções.
"Vou passar uma coisa para acalmar o estômago das duas. Fiquem aqui por uns vinte minutos até fazer efeito. Depois disso, você garanta que elas vão comer alguma coisa leve, esperar mais uma meia hora para depois continuarem a diversão, certo?" – Dizia ele para Arwen, enquanto as duas tomavam a medicação.
Vinte minutos depois elas pareciam mais acesas do que quando chegaram lá. Ansiosas.
"Lembrem-se do que o médico falou... comer e esperar mais." – lembrou Arwen, embora não tenha precisado convencê-las dessa vez. Comportaram-se muito bem, andaram até a lanchonete, pediram um sanduíche com refrigerante, uma garrafa de água... nada de batatas fritas e salgadinhos que estavam acostumadas. Lancharam e saíram.
"Aonde vocês vão! Ele disse para esperarem mais uma meia hora depois de comer!" – O que havia de errado com elas?
"E nós vamos esperar, só que na fila. Daí, quando a meia hora passar nós não precisamos ficar esperando outra meia hora, certo!" – mencionou Éowyn... parecia que tinha pilha nova. – "Você vem com a gente?"
"Para onde? Espero que não seja outra montanha russa. Estou cheia de loopings para o resto da vida!". – respondeu Arwen que não gostou do olhar que recebeu das outras duas. Olhar feliz não significava boa coisa no japonês de Éowyn e Elanor.
Olhou para onde elas apontavam... a maior montanha do parque... aquelas que diziam que o trajeto durava um minuto e meio ou mais!
"De jeito nenhum!"
Arwen lembrou-se daquele dia... terminou por andar no tal brinquedo. Não havia fila como elas esperavam, e a meia hora do médico... até parece! Quinze minutos no máximo até que entraram lá, mas para surpresa geral, nada de mais aconteceu, embora todas rissem nervosas, imaginando uma futura situação vexaminosa.
Como eram boas aquelas lembranças. Conheceu Éowyn e Elanor há poucos anos, e principalmente a primeira, ocupou um lugar muito importante em sua vida, era a substituta de Hannah, desde que essa foi morar a Inglaterra. Queria ser mais como elas, se divertir de forma espontânea, sem ficar presa a travas ou preconceitos bobos, ou pensando no que as pessoas iam falar ou pensar.
Como estaria Hannah? Releu a carta mais uma vez, ela parecia feliz. Era mais velha do que ela quase 4 anos e, como foram criadas juntas, era como uma irmã mais velha, amiga e confidente. Sentiu falta dela quando ela se mudou para o ocidente, e Éowyn se apresentou no lugar, como nova grande amiga. Éowyn e Hannah eram tão diferentes no modo de agir, mas idênticas no de pensar.
Tratou de ocupar o tempo enquanto o avião terminava o trajeto até a metade do mundo. Será que a prima ficaria surpresa ao vê-la batendo em sua porta?
Aterrissagem sem complicações, check in, alfândega... toda aquela demora. Saiu e ficou a espera das malas, dez, vinte, trinta, quarenta e poucos minutos e nada! Foi a primeira vez que sentiu arrependimento de sair de casa nas últimas horas. Dirigiu-se até o balcão de atendimento:
"Com licença. Estou esperando minha bagagem há mais de meia hora e ela não apareceu." – disse ela, tentado aparentar menos nervosismo.
"Qual seu nome e vôo, por favor." –disse a moça do guichê, educadamente.
"Arwen Undómiel, vôo 375 de Tóquio para cá." – respondeu.
"Um momento."
A atendente checava o computador e depois o telefone, voltando-se para Arwen informou: "Sinto muito, mas sua bagagem foi extraviada. Por favor, pode preencher esse requerimento, e me entregar? Assim que seus pertences forem encontrados nós os enviaremos ao endereço que for informado no formulário. Desculpe pelo transtorno."
Arwen chutava a si mesma em pensamento, seria capaz de morder o cotovelo de tanta raiva que sentia. Logo na primeira vez que ela resolvia fazer algo impulsivamente dava nisso. Foi quando lembrou da pior parte... muito de seu dinheiro convertido para euros estava lá! Com ela havia uma pouca quantia. "Burra!" – praguejou enquanto colocava o endereço da prima como local de entrega.
"Como você é estúpida! Baka, baka, baka!" – batia na própria testa enquanto pensava no que fazer. – "Isso não vai me chatear. Eu vou para casa dela, de um jeito ou de outro." – dizia tentando convencer a si mesma. Começou a rir sozinha quando começou a se imaginar como competidora daqueles programas estilo "the amazing race", onde os competidores tem que fazer coisas estranhas e algumas vezes são obrigados a entregar todo o dinheiro e seguir para a próxima etapa sem nenhum tostão furado, e uma cara de pau enorme para pedir a grana para estranhos. No fundo sabia que ria de nervoso e de raiva de si mesma, por se desesperar sem mesmo estar diante do fim do mundo. Já era hora de começar a se virar.
"Calma!" – disse tentado recuperar a concentração perdida. – " A Éowyn vai te espancar se você voltar prá casa daqui."
Saiu do aeroporto e perguntou para um taxista como ela faria para ir de ônibus até o lugar onde a prima morava. Ainda bem que ao menos falava inglês. Havia luz no fim do túnel! Anotou cada detalhe da explicação e partiu, receosa de sua grande aventura. Dos males: o menor, ao menos ia ter uma história para contar. Estranho ainda conseguir ver o lado bom das coisas.
A tarde começava a cair em Londres, chegou até onde o taxista mandou que ela perguntasse novamente, e onde disseram para ela pegar outro ônibus... não havia nada, além de uma rua comercial, cheia de bares e cafés, outros restaurantes e algumas lojas. Já andava há mais de 4 horas. Tinha a impressão de ter visto todo o país e agora andava em círculos.
Bufava de raiva e arrependimento. Frustração. Tinha a impressão de já ter passado por ali. Estava pronta para terminar seu safári e ligar apara prima ir buscá-la... onde quer que estivesse naquele raio de lugar. Virou uma esquina em busca de uma cabine telefônica e ... POFT!
Arwen caía sentada, enquanto um monte de coisas rolavam pelo chão. Papéis, livros, alguns rolos de filme, além de suas próprias coisas. A bolsa carregada que usava se espalhou pelo chão.
"Bosta! Só faltava essa! Kuso!" – praguejou baixinho, enquanto se levantava.
"Pardon!" – disse um rapaz educadamente, mas ela não entendeu. No susto achou que tinha ido para na França (mesmo sem ter cruzado um túnel ou coisa assim por sob o mar)... aquele cara falando esquisito, o lugar cheio de cafeterias, nada de garoa ou chuva! Começou a falar desesperadamente:
"I... I'm sorry! I don't speak French. Where am I?"
(Me...Me desculpe! Eu não falo francês. Onde eu estou?")
"Hey... calm down, ok! You're still on England."
"Ei... calma, ok! Você ainda está na Inglaterra.") – respondeu ele, sorrindo para alívio de Arwen. Um alívio quase comparado ao estado de graça, de tão grande.
"Está perdida?" – perguntou observado que ela olhava para todos os lados sem saber o que fazer, ou por onde tinha vindo.
"Completamente. Perdida e ferrada!" – resmungou ela, enquanto pegava as mil coisas que caíram de sua bolsa com a trombada, o rapaz fazendo o mesmo, e foi ele quem pegou seu passaporte.
"Anata wa nihonjin dessuka."
("Você é japonesa?") – Perguntou curioso. Com certeza era filha de pais ocidentais. Não tinha olhos puxados, e estes eram de um azul profundo, como o céu da noite.
"Hai."
("Sim.") – respondeu ela, espantada em conhecer alguém que falasse seu idioma e não estivesse no Japão. – " Nasci lá, não que seja japonesa por ter olhos rasgadinhos ou coisa assim. Vim visitar minha prima, que mora aqui, mas me perdi." – disse ela retomando o inglês.
"Puxa! Se eu puder ajudar..." – ofereceu ele.
"Pode, se souber onde fica esse lugar." – disse ela, mostrando para ele o papel com o endereço de Hannah.
"Não é muito longe. Não está tão perdida assim. Só que fica a umas doze quadras daqui." – disse ele, apontando uma direção. Muito simpático o rapaz.
"Sério!" – Arwen voltava a se animar. – "Pode me dizer como chego lá?"
Enquanto ele indicava o caminho ela anotava, e não deixou de reparar em como ele era bonito, alto, cabelos de comprimento médio, batendo na altura do ombro, castanho escuro, olhos verdes...barba. Um tipo um tanto rústico, mas muito agradável de se olhar, apesar do visual relaxado de se vestir. Balançou a cabeça tentando afastar a imagem da possibilidade de olhar para outro homem, enquanto não tivesse terminado o namoro com Haldir.
"É só isso?" – perguntou, o caminho parecia fácil.
"Só isso. Não tem erro. Não precisava nem ter anotado."
"Arigatou... Wo namae wa..."
("obrigada... o seu nome é...) – respondeu Arwen, lembrando-se de que sequer se apresentou. Tanto japoneses quanto ingleses eram muito apegados às regras de educação.
"Aragorn." – disse ele sorrindo.
"Aragorn-san. Arigatou gozaimassu." – disse ela fazendo uma reverência ao estilo japonês, esquecendo-se de onde estava, e que no ocidente as pessoas apertam as mãos.
"Hajime mashite. Anata no namae wa..."
("Muito prazer. Seu nome é...") – perguntando para ela, que corou por causa da falta de educação.
"Arwen Undómiel. Anata wa nihongo wo hanashimassuka."
("Arwen Undómiel. Você fala japonês?")
"Anmari, yoku hanassemassen."
"Não falo muito bem" – disse ele, e em seguida complementou: "Morei dois anos em Kiyoto, enquanto trabalhava e fazia uns cursos. Aprendi na marra."
"Domo arigatou." – agradeceu ela novamente, enquanto se afastava.
"Sayonara, Arwen –san." – disse ele com um aceno, ao que ela se virou e disse "bye".
Arwen seguia pelo caminho indicado, observando as vitrines, pessoas nas ruas. Estava cansada, camelou durante horas a fio durante a manhã e início da tarde, ainda faltavam uns 10 quarteirões... o caminho era fácil, só não disseram que os quarteirões eram enormes! Entrou numa cafeteria e pediu uma água gelada. Não que fizesse calor, mas ela sentia que estava derretendo. Sentou-se, e pouco depois apareceu um garçom com uma bandeja.
"Com licença, senhorita, um rapaz pediu para que te entregasse isso." – disse ele estendendo a bandeja. Arwen fechou os olhos. Nem bem tinha chegado e estava recebendo cantadas em bilhetes...
Quando tornou a olhar ficou pasma. Não era nada do que ela tinha pensado... era seu passaporte! Ela tinha esquecido com o rapaz.
"O...obrigada.", disse ela, ainda recuperando-se do incidente. O que faria num país estranho sem ele? – "Ele ainda está aqui?" – perguntou, numa estranha esperança de vê-lo novamente, olhando em volta.
"Receio que não. Ele estava muito apressado." – informou o rapaz.
"Obrigada." – respondeu ela, pegando o documento e guardando-o em lugar seguro.
"Não há de que." – respondeu o garçom antes de se retirar. Arwen ainda permaneceu sentada por instantes, recuperando as forças para prosseguir em sua jornada.
JAPÃO – Algumas horas antes.
Éowyn estava sentada no sofá com um balde de pipoca assistindo algum filme sangrento, daqueles que Arwen sequer podia ver a abertura. Lembrou-se de uma vez em que foram ao cinema com mais algumas amigas e o irmão de uma delas.
A briga tinha começado na bilheteria. Ela e o garoto querendo ver "Demolidor – o Homem sem medo" com Ben Affleck, enquanto as outras queriam ver "Amor à segunda vista" com Sandra Bullock e Hugh Grant. Éowyn detestava quando elas escolhiam o filme.
"Gente, tem três coisas que eu odeio: 1 – Sandra Bullock, 2 Hugh Grant e 3 comédia romântica! Que dirá os três no mesmo filme!" – disse Éowyn inconformada, com a provável escolha.
"Você escolheu da última vez e nos obrigou a ver "códigos de guerra"! Nós escolhemos hoje." – retrucou Elanor. Era o combinado, um gosto de cada vez.
No fim, assistiram a comédia. A única graça que Éowyn achou no cinema foi o momento em que o irmão de uma das garotas, que estava entediado, deitou a cabeça no ombro da irmã, e quando ela se virou espetou o olho na franja emplastada de gel que ele usava. Foi o mais engraçado da noite na opinião dela e do menino.
As outras garotas riam, se emocionavam com as cenas do filme, choravam no desencontro e reencontro... que falta fazia uma caixinha de lenços... ou melhor seria uma bóia? Nem Titanic teve tanta água! Éowyn se preocupava com o pote de pipoca vazio...
Quando o casal do filme se beijou...
"Ótimo, acabou. Vamos embora." – disse ela, começando a pegar a porcarias que tinham trazido para dentro da sessão... copos de refrigerante, pipoca, guardanapos, balas, chocolates... parecia um pic nic.
"Espera... não acabou não." – disse Elanor, ainda prestando atenção.
"Filha... presta atenção: é uma comédia romântica! É uma senha... quando rolar o beijo, é o fim! Sempre igual." – pouco depois dela dizer isso aparecia o letreiro: the end.
"Tá vendo!" – disse apontando e descendo afoita pela saída. Muito porque queria ver de dava tempo de se desinfectar assistindo a sessão seguinte de Demolidor, outra porque o copo com meio litro de refrigerante estava fazendo efeito.
Engoliu rápido para atender o telefone que tocava.
"Alô."
"Quem é?" – respondeu a voz.
"Quer falar com quem?" – nunca dizer seu nome era um importante segredo para evitar trotes. Cansou de avisar Arwen, mas ela sempre respondia a pergunta.
"Com a Arwen." – respondia a voz, que soava como telefonista. Não era uma voz irritante.
"Quem gostaria?"
"Meu nome é Misato, aqui da biblioteca... ela devolveu um livro com a carteirinha dentro. É para ela vir retirar." – explicou a voz.
"Bom... a Arwen viajou e só volta mês que vem (se Deus quiser! –pensou Éowyn ao imaginar a amiga se divertindo). Eu dou o recado. Até quando ela pode retirar?"
"Nos próximos 5 dias, e depois só em agosto. Vamos fechar para o recesso de férias."
"Tudo bem, Misato, eu dou o recado."
"Qual seu nome?"
"Éowyn, divido o apartamento com ela."
"Obrigada."
"De nada." – Éowyn desligou o telefone, para ele tocar novamente, logo em seguida. Credo! Até parecia aqueles filmes de terror adolescente!
"Alô!" – atendeu sem conseguir parar de rir.
"Éowyn, a Arwen tá por aí?" – era Haldir. Daria aquela notícia com extrema satisfação.
"Não." – respondeu em seu tom habitual. Será que ele sabia que a expressão 'um tempo' significava mais do que 24 horas?
"Deixa disso, eu preciso falar com ela." – ele se agitou.
"E eu disse que ela não está aqui. Você é surdo?" – provocou.
" E a que horas ela volta?" – embora já estivesse relativamente tarde para ela não estar lá.
"Ela foi para a Europa passar as férias com a prima. Quer deixar recado?" – perguntou comportada.
"Como se você fosse dar o tal recado." – provocou ele.
"Assim você me ofende. Ao que me consta não era ela que chegava atrasada nos passeios de vocês, ou que dava o bolo. Já você..." – era assim que ela gostava, dar o golpe de misericórdia.
Haldir ficou calado diante da verdade ofuscante. "Tá, tá... você pode, por favor, (como eram difíceis aquelas duas palavras) me passar o telefone de onde ela está?" – perguntou reunindo o máximo de gentileza que conseguia.
"Não." –respondeu seca.- " Vou esperar ela ligar para me dizer como foi a viagem e aí eu pergunto se posso dar o número. Você vai receber o recado. Pode deixar. É só?" – com essa pergunta ela queria encerrar o papo. Desligando o telefone após ele fazer algum som que ela presumiu como um 'sim'.
'Estranho ela não ter ligado.' – pensou olhando para o relógio. 'Talvez não tenha chegado ainda.'
INGLATERRAHannah descia a escada apara atender a porta. Alguém tocava a campainha. Quem seria? Não estava esperando por ninguém, seu namorado só viria mais tarde. Ridículo, ainda estava de pijama... mas que raios, estava de férias – inclusive do trabalho, era Sábado e ela estava usando a mesma roupa de dormir às 5 horas da tarde... uma lástima.
"Já vai!" – gritou ela. Quem sabe o ávido dedinho que esgoelava sua campainha se acalmasse e parasse de atormentar seus ouvidos com aquele téééé enjoado da sineta.
Abriu a porta e seu queixo caiu com a surpresa.
"Arw... Arwen!" – Apesar do susto ela imediatamente sorriu, abrindo os braços para abraçar a prima. Arwen fazia o mesmo. Hannah estava tão diferente, tinha deixado os cabelos crescerem, compridos até a cintura, mais amadurecida.
"Que saudade! Juro... era a última pessoa a quem eu esperava! Fez boa viagem?" – Hannah tinha muitas questões, mas teria tempo para perguntar. Ainda piscava, tentando saber se não era um sonho ou uma peça de sua mente. Arwen aparecendo sem avisar? O que deu nela?
"Eu sei... eu sei. A viagem foi boa. Mas... Eu estou bem, e você como vai?"
"Assustada, mas... entra vamos! Desde quando você faz as coisas de surpresa?" – Aquilo realmente era incrível.
"Desde que a Éowyn me convenceu!" – sorriu Arwen.
"Aquela sua amiga?" – Hannah tinha ouvido falar muito dela.
"Ela mesma! Não fosse ela ter poderes sobre a mente alheia, eu não estaria aqui." – comentou Arwen, enquanto observava o caminho por onde a prima a conduzia. A porta ligava a um corredor, com uma escada a direita, e a sala a esquerda. Paredes brancas com rodapés escuros, alguns quadros, um móvel onde estavam algumas chaves. Ambiente espaçoso, agradável.
"Nem conheço mas já gosto dela! Foi uma ótima surpresa e..." – Hannah parou, olhando em volta como faltasse algo. – " ... cadê suas malas?" – Perguntou olhando séria para a prima.
"Foram extraviadas... dá prá crer? Quando eu saio de casa sem avisar é isso o que acontece. Passei seu endereço para eles virem entregar." – respondeu Arwen, rindo um pouco de sua própria situação.
"Claro. Eles ligam. Era muita coisa? Como foi que aconteceu?" – perguntou Hannah curiosa.
Arwen contava sua aventura enquanto se acomodava melhor no sofá fofo da prima que prestava atenção em cada palavra, e ficando com um estranho interesse sobre o rapaz que a ajudou.
"Pegou o telefone dele?"
"Não! Claro que não!" – Arwen corava violentamente. Só de pensar que olhou com 'olhos estranhos' para ele já era sufocante, imagine pensar em pegar o telefone de um homem a quem ela sequer conhecia.
"Não quer vê-lo outra vez?" – perguntou Hannah, piscando o olho zombeteira, empoleirada no braço do sofá, enquanto Arwen tirava o sapato, fingindo não ouvir, e depois continuou: - "Cara! Você andou prá burro."
"Nem me fale, quase não sentia mais os pés. Ainda bem que estou de tênis!" – disse ela, pegando o calçado e dando-lhe um beijo e fazendo carinho como se ele fosse um bichinho de estimação.
"Imagino. Mas valeu a pena! Você está aqui!" – Disse Hannah, abrindo os braços para a prima novamente.
"Valeu, mas eu nunca fiz nada assim na minha vida. Juro que morri de medo." – constatou Arwen admitindo o sentimento que a consumiu por muito tempo.
"Mas não morreu, muito pelo contrário! Se virou e provou que consegue sobreviver numa situação dessas." – sorriu Hannah.
"Obrigada, agora já posso participar do "The amazing race" , correr o mundo com uma mochila nas costas. Você ou a Éowyn vai ser a minha dupla? Não dá prá se inscrever sozinha." – as duas riram ao final desse comentário.
"Posso usar seu telefone? Minha amiga está esperando eu ligar." – disse Arwen ao se lembrar que Éowyn pediu para ela avisar.
"Claro, a casa é sua. Vou na cozinha preparar alguma coisa, tá?"
Depois que Arwen assentiu Hannah estava na cozinha pensando no motivo dela não ter comentado nada sobre o namoro. Havia um traço de tristeza na expressão dela, e Hannah julgava que era esse o motivo. A prima e o tal Haldir estavam juntos há uns dois anos, por quê ela não ligaria primeiro para ele?
"Estrela... já é madrugada lá no Japão, você não quer dormir?" – Perguntou ela, calculando o fuso horário.
"Mais tarde. Na Verdade eu estou histérica, eufórica com tudo isso. Tô meio sem sono. Mas quando cair vou ser como uma pedra!" – afirmou Arwen.
"Arwen... e o Haldir?"
Arwen perdeu um pouco da felicidade, enquanto a prima sentava-se ao seu lado, pondo uma bandeja sobre a mesa, e passando o braço em volta dela.
"Nós brigamos e estamos dando um tempo." – respondeu ela, tentando fazer parecer mais simples do que achava que era. – "Foi um dos motivos por que eu vim."
"Puxa, que chato. Mas não fica assim não."
"A Éowyn perguntou se podia passar o número daqui prá ele, porque ele quer falar comigo."
"E você?"
"Eu disse que agora não. Só na semana que vem. Quero passar um tempo sem falar com ele." – dizia Arwen enquanto secava as lágrimas.
"Fez bem. Esfria a cabeça primeiro." Hannah tentava compreender o fato. Sua prima parecia triste, e não seria ela quem a pressionaria a falar com o namorado naquele momento.
"E você? Ainda está namorando?" – Perguntou Arwen, lembrando-se que Hannah tinha um namorado.
"Estamos bem. Faz três anos que estamos juntos... ou quase. Tivemos uns desentendimentos meses atrás, mas já resolvemos." – dizia Hannah, aparentando estar feliz ao lembrar dele.
"Três anos! Uau. Então vocês já..." – Disse Arwen, como que questionando sobre a vida íntima da prima. Nem sabia se tinha esse direito, mas a curiosidade era maior.
"Já. O que você achou? Ou você e o Haldir, nunca..." – perguntou Hannah da mesma forma. Era tão estranho comentar aqueles assuntos, mesmo tendo tanta intimidade com ela.
"Não." – respondeu Arwen corando. – "Nunca me senti a vontade com ele prá isso."
"Não gosto mais dele." – brincou.
"Você não é a única que pensa assim. A Éowyn não passa embaixo da mesma porta que ele!"
"Ela é legal!" – afirmou Hannah, quando a campainha tocou outra vez, fazendo Hannah correr para atender. – "Arwen! Você vai conhecer meu amorzinho." – disse saindo, voltando pouco depois agarrada ao braço de um rapaz alto, pele muito branca, olhos verdes, cabelos compridos da cor dos dela e amarrados às costas, vestido com uma calça jeans e jaqueta de couro pretas, camiseta branca.
"Legolas... essa é minha prima Arwen de quem te falei. Ela veio passar as férias comigo! Não é demais?" – disse Hannah com a empolgação de uma criança que recebe uma visita muito esperada. – "Arwen, esse é meu namorado, Legolas." – observando feliz os dois se cumprimentarem.
"Bom, se ela está aqui, eu aviso o pessoal que você não vai sair hoje." – Disse ele, beijando-a de leve.
"É... acho que não. A Arwen está cansada." – respondeu ela.
"Que é isso Hannah! Eu chego de surpresa e ainda estrago seus planos?" – Disse Arwen, incentivando a prima a ir.
"Imagina! É só mais uma festa. A única coisa que me preocupa é deixar ele sozinho." – Legolas a olhou com ar ofendido. – " Eu tenho ciúmes." – completou ela.
'Só mais uma festa!' – pensou Arwen. Que vida agitada ela devia ter para dizer isso. "Mas você não quer ir? Você não se chateia, Legolas?"
"Ele entende, né?" – disse ela, abraçando-o e encostando a cabeça no ombro dele.
"Claro. Já que você não vai, vou deixar tua impressora aqui, o Sam já consertou e eu não quero ficar com isso no carro." – disse ele, pedindo licença e indo pegar o objeto. Hannah olhou para a prima, e o seguiu. Pouco depois Arwen ouviu eles se despedindo:
"Você já vai?" – perguntou ela.
"Acho que vocês tem muito o que conversar. Amanhã eu passo aqui, certo?" – Arwen que ouvia da sala, podia dizer que a voz dele era muito bonita, agradável de se ouvir. Podia ser cantor se quisesse.
"Tá bom. Eu vou esperar." Ouviu a prima fechar a porta e voltar com cara de curiosidade. – " E aí? O que você achou?" – Perguntou.
"Eu nem falei com ele direito!" – defendeu-se Arwen. Como podia querer saber tendo como base 10 segundos de conversa?
"Primeira impressão, vai!" – Dizia Hannah.
"Gostei. Bonito. Vocês juntos, parece que se dão bem." – Frases curtas, não tinha muito o que falar.
"É verdade. Mas muito porque ele é compreensivo, se ele fosse genioso não dava certo."
"Onde você o conheceu?" – Arwen estava curiosa. Ele era quase 8 anos mais velho do que ela, pelo que sabia, mas nunca soube da história do namoro como começou.
"Você não vai acreditar." – disse Hannah com desdém.
"A qual é! Me conta."
"Chuta!" – ordenou Hannah.
"Faculdade?"
"Não! Mais duas chances, vai!"
"Festa?" – Hannah apenas fez a negativa com a cabeça. "Tão estranho assim? – Perguntou Arwen, recebendo uma afirmativa.
"Tropeçou nele na rua?" – Sua imaginação do estranho era mínima, definitivamente.
"Não. Num velório." – respondeu Hannah, vendo Arwen ficar boquiaberta. Já tinha ouvido casos de namoros que começam em lugares estranhos, em situações estranhas... mas assim já era abusar... velório!
CONTINUA...
E aí, o que acharam?
Reviews, críticas, sugestões, reclamações para meu e-mail. Não faz cair dedo não tá, eu garanto, senão não tinha digitado tantas páginas!
Beijos
Até a próxima.
