O táxi que ela pegara estava procurando um lugar para deixar sua passageira, pois a entrada estava apinhada de gente, pessoas chegando e vários fãs desesperados procurando algumas fotos com seus ídolos. Ginny nunca entendera aquele fanatismo, era fã sim de alguns escritores, músicos, mas o máximo que fazia era ter os livros ou cds e vez ou outra comprar alguma revista para saber algumas notícias.

A entrada para mansão era linda, seus portões pesados, trabalhados, davam a casa um estilo donairoso e a tornavam um paraíso particular em New York. No jardim lindas flores estavam espalhadas para todos os lados e em frente a porta de entrada se destacava um lindo chafariz contendo, em seu centro e na direção aonde todos os jatos de água convergiam, um homem com uma enorme cobra ao seu lado. Deveria ser sinistro, mas o espetáculo de luzes que o acompanhava o tornava lindo.

O hall de entrada era enorme e dele se viam a entrada para outros diversos lugares da mansão, juntamente com uma escada enorme. Mais a frente ela podia ver um lugar lindo por onde a festa se estendia, uma espécie de sala com um jardim interno, mas era diferente de tudo que Ginny já tinha visto, e dela uma enorme porta de vidro se abria para os fundos da casa.

Ginny se dirigiu para o exterior da casa novamente, onde uma piscina enorme fora transformada numa espécie de pista de dança que já abrigava alguns casais. Mais ao canto, ela podia ver uma espécie de bar, de onde garçons saiam e entravam atarefados, enquanto outros ficavam ali para atender quem chegasse. "Certamente mais uma coisa que só podemos ver em mansões", pensou, pois era um tanto quanto grande, mas se encaixava perfeitamente com tudo que ela podia ver, nada parecia estar sobrando. Percorreu com seus olhos cor de mel o bar e sentiu seu coração parar quando viu um homem levando um copo de bebida a boca.

Sim, sem dúvida nenhuma ele era lindo, aquele estranho emanava elegância, o simples modo como ele escorava seu ombro no balcão, o jeito como levava o copo a boca... Ginny viu que ele era de todo perfeito, seus cabelos negros lhe caiam desarrumados pelos olhos e seus olhos, Ginny pode ver, mesmo de longe, eram verdes, esmeraldas. E a ruiva concluiu que ele deveria ter um corpo perfeito, caso contrário não iria ficar tão bem naquele terno, que aumentava ainda mais sua elegância.

Como se o estranho fosse atraído por seus olhos, olhou-a e fez com o copo um sinal como se brindasse com ela. Com esse gesto Ginny caiu em si e começou seu trabalho.

Uma hora ou mais já havia passado e Ginny perdera a conta com quantas pessoas falou, algumas tinham coisas interessantes para dizer, mas outras simplesmente ficavam "puxando o saco" de um homem que certamente não conheciam, a não ser por um breve aperto de mão. Ela estava pensando em como torturar Diego por fazê-la passar por isso quando o viu.

Malfoy estava parado conversando com um homem mais velho, acompanhado de duas loiras lindas. A ruiva se encostou em um pilar e se deixou observá-lo, sem reparar que um certo moreno de olhos verdes não desgrudava os olhos dela.

Enquanto conversava, Malfoy reparou que Ginny não tirava os olhos dele e, depois disso, seus olhares se cruzaram inúmeras vezes, até que por fim o homem com suas loiras se retirou e Malfoy começou a caminhar em sua direção.

- Estou certo que não lhe conheço – começou ele quando já estava bem próximo dela.

- Ginny Weasley – disse esticando a mão para o loiro.

Certamente aquele homem era completamente diferente das fotos que ela tinha visto até agora, tinha os olhos puxando para uma tonalidade cinza, pareciam frios e seu rosto era de uma beleza que Ginny não pode descrever, seus cabelos eram loiros, puxando a cor da areia.

- Draco Malfoy, mas imagino que você já sabia.

- O que lhe faz ter tanta certeza?

- O jeito como me olhava – disse dando um sorriso e lhe oferecendo o braço.

Começaram a andar e em poucos minutos ela e o loiro se tornaram, de certo modo, amigos.

Ginny já ficara sabendo algumas coisas sobre ele, mas para ela aquilo não era o suficiente, sabia que sua chefa não ia querer que ela descobrisse algo que pudesse envolver Malfoy num escândalo, mas, afinal, ela era uma jornalista.

Depois de muito tempo juntos Malfoy finalmente disse:

- Estou adorando sua companhia, mas creio que tenha mais pessoas aqui na festa que precisam falar comigo...

- Tudo bem – disse Ginny sorrindo – Até mais então.

- Quando podemos nos ver novamente?

- Você quer mesmo? – ele anuiu – Então eu te ligarei.

- Você não tem meu telefone...

- Não se preocupe, darei um jeito.

Dizendo isso Ginny deu as costas para ele. Aquela ruiva conseguira que ele se abrisse mais com ela do que qualquer outra mulher que ele conhecera e isso em pouco tempo. Essa foi uma das primeiras vezes que ele realmente queria que uma mulher o ligasse de volta.

Ginny andou por alguns instantes quando sentiu uma mão lhe apertar o braço, pegando-a por trás.

- Fique quieta e faça exatamente o que eu pedir – então ela pode sentir a ponta de alguma arma branca em suas costas.

O homem deu uma olhada em volta para se certificar de que não tinha ninguém os olhando e, da mesma forma que Ginny não tinha visto aquele homem de olhos verdes antes, o homem que a ameaçava também não viu.

Ele a guiou por entre as pessoas até uma porta que Ginny não vira ser aberta desde que chegara lá, mas, mesmo assim, ela podia dizer sem que dúvida alguma se tratava de um escritório.

- Abra a porta, com calma. – ela o obedeceu – Entre e fique quieta para o seu próprio bem. – ele parou na porta e ao fazer um sinal com a cabeça, um homem enorme se uniu a eles – Ótimo. Aposto que você não se lembra de mim, não é? Martin Wrage, sabe, sou irmão daquele cara que você "tá" tentando ferrar. – Ginny ia começar a falar, mas ele a empurrou violentamente contra a parede. – Na verdade, não era você que eu planejava ameaçar nessa festa, mas como isso teria que ser feito cedo ou tarde achei melhor não perder tempo...

Harry estava agora caminhando em direção a biblioteca, mas de uma maneira discreta. Chegou lá e encostou o ouvido junto a porta.

- Mas como eu ia dizendo você "tá" só tentando, porque antes que você consiga fazer qualquer coisa, nós vamos acabar com você primeiro... Na verdade, a gente só não te apagou ainda porque muitas suspeitas iriam cair sobre nós, não é Crabbe? – outro homem assentiu - É bonequinha – disse ele apertando o queixo de Ginny – a sorte "tá" do teu lado...

- Algumas pessoas, ao contrário de você, têm sorte e não dependem de matar os outros para se dar bem na vida. – Ginny cuspiu a sentença na cara de Martin.

- Uhum – disse ele, olhando descaradamente para o decote da ruiva e lhe dando pouca atenção – Fico pensando... Você, tão bonitinha... Poderia servir para alguma coisa. – ele deu um passo na direção dela e pegou em uma mecha de cabelo. A garota tentou recuar, mas não tinha para onde ir. Foi quando ele esticou a mão em direção ao seu seio direito.

- Não se atreva a me tocar... – disse a ruiva com uma fúria imensa

- Ahh, estou morrendo de medo... – afastou a mão e pegou o canivete que antes havia posto nas costas de Ginny – Sabe, se você não gritar... Prometo não te machucar muito – ele abaixou as alças do vestido de Ginny e estava colocando a mão para lhe acariciar o peito, quando ouviu o barulho da porta sendo aberta.

- É sempre assim, nessas festas chatas... Você tem que ficar puxando o saco de todo mundo... – era Harry. Ele andava de modo cambaleante, parecendo atordoado de mais para formular uma frase coerente, como se estivesse muito bêbado.

- Crabbe, tire esse bêbado daqui!

Este, obedecendo Martin, foi em direção a Harry.

- Ei, ei, ei, não sou do seu tipo... Gosto de mulheres – disse com um ar idiota – Sabe, daquelas – tentou fazer uma meia lua com cada uma das mãos.

- Lá fora está cheio delas, porque não vai dar uma conferida? – disse Crabbe que agora estava muito perto de Harry, que aproveitando lhe deu um soco com toda a sua força, fazendo Crabbe bater a cabeça na parede antes de cair no chão.

- Não se aproxime! – disse Martin, apontando-lhe o canivete, esquecendo completamente de Ginny. Harry deu um passo em sua direção, quando – Ahhh! – Ginny lhe deu um chute no meio das pernas acertando em cheio aquele lugar.

Harry correu na sua direção.

- Você está bem?

- Você não está bêbado? – Ginny estava estupefata.

- Tenho cara de quem está? – disse ele pegando o canivete de Martin e guardando no bolso. – Acho melhor sairmos daqui, ele está com dois outros caras que estavam cuidando de vocês. Agora, deixe-me apoiar em você e me leve em direção a saída da casa.

Ele saiu escorado em Ginny, fechando a porta atrás de si e, logo em seguida, Harry continuou se fingindo de bêbado, com a voz irritante e tudo mais.

- Então, como eu ia dizendo ao seu amigo, ugh – fingiu um soluço – ela me largou... Não consigo acreditar, sabe?

Ele continuou com o discurso, mas Ginny não ouvia mais nada, só sentia. Sentia aqueles olhos verdes ao seu lado percorrerem o hall perspicazes, sentia o hálito quente que saia da boca do estranho, sentia o perfume, o corpo forte apoiado levemente no seu. Ela nem conhecia aquele homem e um simples contato a deixava louca!

Assim que eles passaram pela porta de entrada, Harry se soltou de Ginny e ela teve que admitir para si mesma que não se importaria em nada se ele ficasse escorado nela a noite toda.

- Meu salvador tem nome?

- Harry Potter – disse ele dando um sorriso maravilhoso

- Ginny Weasley. Na verdade eu não faço a menor idéia de como você foi para lá, mas de qualquer forma muito obrigada, mesmo.

Ele anuiu para em seguida perguntar num tom sério:

- O que eles queriam com você?

- Hum... Nada – disse a ruiva, não conseguindo sustentar aqueles olhos extremamente verdes sobre os seus – Faz parte do meu trabalho... Só isso.

- Então eu deveria supor que você trabalha para o estado?

- Oh, não! – disse ela sorrindo num tom divertido que encantou Harry – Sou jornalista, trabalho no World News.

- Ah, tudo bem, desculpe-me, não sabia que aquilo que aconteceu a pouco fazia parte de quem segue a carreira de jornalista – ele disse num tom cínico.

- É que às vezes nós precisamos cavar mais fundo do que certas pessoas gostariam e acabamos esbarrando em coisas que algumas pessoas acreditavam que deviam ficar enterradas... – Ginny reparou que Harry estava olhando para alguma coisa dentro da casa, então seguiu seu olhar. Definitivamente aquela movimentação não era nada normal.

- Vamos sair daqui – falando isso puxou Ginny delicadamente pela mão.

Cruzaram o portão que horas antes Ginny achou esplêndido e Harry ia seguindo para direita quando viu a ruiva pegar o caminho oposto.

- Onde você está indo?

- Para o meu carro, talvez? – respondeu ela num tom que parecia óbvio.

- E depois disso?

- Casa. – limitou-se a dizer

- Se Wrage mandasse alguém atrás de você, qual seria o primeiro lugar que eles iriam procurar você?

- Tudo bem, eu vou para algum outro lugar... Depois que eu passar em casa pegar algumas coisas.

- Se forem roupas e objetos pessoais, não se preocupe, você... – Ginny não deixou o moreno terminar a frase

- Não tem nada a ver com roupas... Preciso de alguns arquivos.

- Tudo bem, eu te levo, depois você vai para minha casa.

- Não, está tudo bem, eu pego um táxi...

- Eu já disse que te levo em casa – Harry se aproximou de Ginny e a segurou pela cintura, de um modo forte, mas sem machucar, o que demonstrava que não seria contrariado.

Abriu a porta de seu porsche para Ginny entrar e logo depois se sentou no lugar do motorista e pos o carro em marcha. Ginny estava em pânico, tudo bem que esse estranho acabara de lhe ajudar, ou ferrar ainda mais com sua vida, mas não se sentia completamente segura em estar a sós com ele. Bem... Quem se sentiria na sua posição? A vida não é um filme onde só existem os mocinhos para ajudar a jornalista indefesa.

Seu semblante deve tê-la delatado, pois Harry sorriu de lado.

- Ei, o que foi? Não precisa se preocupar comigo, não vou te fazer mal. – e como ele poderia? – Qual é o endereço da sua casa? – ele viu Ginny relutar antes de lhe dar as direções.

Passado algum tempo, o carro de Harry parava em frente ao prédio em que Ginny morava. Ele tinha cerca de uns 20 andares, daqueles estilos moderninhos, mas nada muito sofisticado. A ruiva estava imaginando que ele esperaria no carro, mas se surpreendeu ao vê-lo descendo e lhe seguindo até a entrada.

- Em que andar você mora?

- Décimo - Ginny definitivamente não queria que ele entrasse em sua casa – Hum, você não quer esperar aqui na portaria?

Bem, não era bem uma portaria, pois não tinha porteiro, mas era uma espécie de sala, com duas poltronas vermelhas e uma mesinha com algumas balas num pote.

- Não – disse ele sabendo bem o que a ruiva estava pensando – você é bem prudente sabia?

- Se eu fosse bem prudente não estaria deixando você entrar aqui, quanto mais me dar uma carona.

- Se você sabe disso, por que me deixou trazê-la?

- Por mais estranho que pareça, Sr. Potter, um cantinho da minha cabeça diz que devo confiar em você – ao ouvir isso Harry deu um sorriso tão lindo que até seus olhos ficaram mais verdes – e eu não estou certa se gostei desse sorriso – disse a ruiva, rindo.

Entraram no elevador e, em alguns instantes, estavam no décimo andar. Caminharam um pouco, quando Ginny parou em frente a um extintor de incêndio e tirou ele da parede.

- Hã, você quer ajuda? – Harry achou que o extintor deveria ser um pouco pesado para que ela o tirasse assim.

- Deixa comigo. Ah, e não conte a ninguém, sim? – disse ela, fazendo uma cara engraçada.

- Prometo que guardarei seu segredo. – respondeu enquanto a ruiva já se dirigia para porta de sua casa.

- Você pode esperar aqui na sala – disse Ginny se dirigindo para uma escrivaninha, abrindo algumas gavetas e pegando alguns papéis.

Harry olhava para a casa de Ginny, tudo estava arrumado na medida do possível, a sala e a cozinha eram juntas, sendo apenas separadas por um balcão com tampa de mármore. A cozinha era toda branca com detalhes em laranja, combinando com a sala que tinha um sofá e uma poltrona enorme de chenille, na frente de ambas era possível se ver um rack com uma TV enorme e várias fotos de Ginny.

- A sua casa é bem como eu imaginaria que fosse.

- Como assim? – pediu Ginny, que agora estava no quarto pegando o notebook, seu celular e sua carteira.

- Simples, porém bonito, moderno e aconchegante, aparentando um ar de independência e sem flores e coisas inúteis que geralmente as mulheres colocam pela casa.

- Devo receber isso como um elogio?

- Isso fica a seu critério. Você recebeu um Pulitzer? – disse Harry olhando para o certificado emoldurado na parede

- Recebi sim, esse ano – como ele continuou olhando para ela, Ginny acrescentou – Fiz uma matéria sobre as crianças que vivem em zonas de conflitos. Acho que já podemos ir.