If we shadows have offended
Capítulo 2 – Lay your world on me
A porta da sala foi aberta com um estrondo e tanto o médico que estava lá quanto a paciente se sobressaltaram, levando um susto. House, que havia entrado na sala andando rápido, porém sempre mancando, olhou diretamente para Wilson e jogou uma pasta em sua frente, ignorando completamente a mulher ali.
- Ele é todo seu. – Wilson franziu o cenho, não entendendo o que House estava falando.
- Estou atendendo uma paciente. – O oncologista mostrou a paciente, que ainda estava um pouco assustada com a situação.
- Ah, está bem, eu não me importo em esperar. – Disse, sentando-se na beira da mesa do amigo, que passou a mão na testa, sem se conformar.
Após a consulta, House sentou-se no lugar em que a mulher estava anteriormente. Fitou Wilson, que pegava a pasta e lia o nome do paciente. Notou que o oncologista ficara mais pálido que o normal.
- O seu... Paciente? Aquele da Tuberculose? – Olhou para House.
- Esse mesmo. – Ergueu a bengala, movimentando-a entre os dedos. – No final, o que ele tem é câncer, então ele é todo seu. – Wilson ainda parecia muito abalado, então emendou: - Eu juro que não fico com ciúmes. – O mais novo revirou os olhos, jogando a pasta na mesa.
- Não o quero, passe a outro. – House piscou rapidamente, fazendo uma careta.
- Desde quando você nega pacientes Jimmy? Vai deixar o Nodd...
- Todd.
- Que seja... Vai deixá-lo morrer? – E encarou seriamente o amigo, que olhava para a pasta, pensando o que fazia.
Seria antiético não aceitar o paciente, passá-lo para outro médico. Mas simplesmente não podia ver o paciente. Olhou sério para House, respirando fundo antes de lhe falar.
- Eu vou curá-lo, mas não irei me envolver com o paciente. – House ergueu as sobrancelhas, descrente. – Que foi? Você sempre faz isso.
- Exato. Eu sempre faço isso. Já você é certinho demais para tal.
O oncologista fechou fortemente os olhos, e, ao abri-los, pegou a pasta do seu mais novo paciente, abrindo-a e pegando a tomografia, levantando-a de encontro à luz. Viu instantaneamente o câncer no pulmão daquele rapaz. Não era tão grande, nem tão pequeno, mas não podia negar que câncer de pulmão era sempre o mais perigoso e o que mais resultava em morte.
No entanto, sabia que daria o melhor de si. Sabia que não deixaria Todd morrer. Sabia que teria de aparecer mais cedo ou mais tarde para o paciente. E sabia, principalmente, que teria de aceitar tudo o que negava para si mesmo durante todos esses anos.
- Vai me contar o que você tem? – O oncologista saiu de seus devaneios e levantou a cabeça para olhar House.
- Não tenho nada a contar. – Levantou-se, arrumando a pasta do seu mais novo paciente em cima de sua mesa.
Foi seguido pelo infectologista, e, assim, ambos saíram da sala e se dirigiram ao elevador, para poderem comer algo. House não desistiria tão cedo de descobrir o que estava acontecendo. Ele era curioso e sempre dava tudo de si para descobrir as coisas; poderia ser uma doença ou simplesmente uma atitude estranha de seu melhor amigo.
Wilson sabia que tinha que ter cuidado com o que falasse ou fizesse.
.-.-.
Naquela mesma tarde Todd Anderson começou seu tratamento contra o câncer. Wilson preferiu começar apenas com quimioterapia, não queria expor o paciente a algo tão forte quanto a radioterapia.
E o paciente estava em um quarto do hospital ainda, após a quimioterapia, em observação. Cameron, que estava cuidando dele naquele momento achara extremamente estranho que Wilson não tenha se envolvido ainda com um paciente, e ainda mais, que mandasse veemente que não saíssem do lado de Todd.
House, porém, achou mais estranho ainda. Era ele quem costumava fazer o paciente ficar no hospital, mas mesmo assim, não insistia para que ficassem vinte e quatro horas com o paciente. Cada vez mais achava que havia algo ali. Algo que Wilson não queria contar.
Quando era quase meia noite, o infectologista decidiu dar uma passada no quarto de Todd, ou seja lá qual fosse o nome do paciente. No entanto, ao chegar próximo ao quarto avistou Wilson que estava parado na frente da porta, com as mãos dentro dos bolsos da calça, olhando para dentro do quarto.
Notou que o amigo suspirara e pensou em fugir dali, para não ser pego em flagrante. Escondeu-se atrás de uma pilastra e contou um minuto mentalmente. Colocou a cabeça para o lado e observou que o outro já havia ido embora.
Caminhou até o quarto e entrou fazendo barulho. Cameron sobressaltou-se e olhou para House, já o paciente abrira os olhos e olhava em volta, assustado.
- Você conhece alguém chamado James Wilson? – Perguntou diretamente para o homem, andando até ele.
- É o outro médico, não é? O oncologista? Falaram dele para mim hoje. – Falou um pouco arrastado, cansado pelos medicamentos que estava tomando e pela quimioterapia.
- Mas você nunca havia escutado falar dele? – O homem apenas balançou a cabeça negativamente. – E aquele livro que você estava lendo ontem? – Com essa pergunta, tinha total atenção do paciente.
- É um livro que eu tenho desde o colegial. Por quê?
- E tem certeza que não estudou com ninguém que tivesse esse nome? – Ignorou a pergunta do outro.
- Tenho. E as únicas pessoas... – Começou a respirar com um pouco de dificuldade. – as únicas pessoas que sabiam desse livro são meus amigos até hoje... Até meu professor, que deixou este livro conosco mantém contato. Se algum James Wilson sabia desse livro, eu não o conheço! – Quando deu por si, estava sentado na cama, se segurando firmemente com os braços.
- Relaxe... – E o homem deitou-se. – Está bem, o senhor foi de grande ajuda. – E andou até a porta, mas foi detido pelo homem.
- Eu quero meu livro de volta. – Todd olhava determinado para o médico, começando a tossir novamente.
- É... Boa ideia. – E finalmente saiu do quarto.
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Quando entrou no hospital naquela manhã, Wilson não estava preparado para o que estava prestes a acontecer. Lá pelas dez iria operar Todd, tirar o tumor de seu pulmão e ver o estrago que o tumor deixaria no pulmão do homem. Só torcia mentalmente para que não precisasse de um transplante.
No entanto, no meio do caminho para o elevador que o levaria até o andar de sua sala, parou, atônito. Conhecia aquele senhor que estava ali, caminhando lentamente até o elevador. Só não podia acreditar naquilo. Levou a mão até a boca, respirando fundo e tentando se acalmar. Decidiu que seria melhor ir de escada. Alguns degraus não fariam nenhum mal a ele.
Porém se deteve quando ouviu uma voz também conhecida, só que mais madura, vindo de trás dele.
- Sr. Keating! Já falei para o senhor me esperar! – Wilson sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo.
O senhor virara para trás, mas parecia não enxergar direito, pois franzira os olhos para tentar ver o homem que o chamara. Continuou caminhando até a escada, chegando nela sem ser visto e subiu rapidamente. Ao entrar em sua sala, trancou a porta, respirando ofegante.
Quando se virou para sua sala, quase pulou de susto ao ver que House estava ali dentro, sentado em sua cadeira e mexendo em seus papéis.
- House! O que está fazendo aqui? – O infectologista conseguia ver claramente que o amigo estava nervoso.
- Vim dizer que o nosso paciente está querendo seu livro de volta. – Deu um sorriso irônico, olhando em cima da mesa de Wilson. – Mas eu já dei uma olhada em todo o seu escritório e não achei o livro. Será que ele desapareceu? Fugiu? Magia, talvez? – Ironizou, levantando-se.
O oncologista revirou os olhos, abrindo a maleta e pegando o livro com todo o cuidado possível. Ergueu o braço para entregar a House, e quando este levantou o braço para pegá-lo, puxou o livro de encontro ao corpo.
- Não é só por isso que está aqui.
- Não. – Abaixou a mão. – Você que tem que devolver o livro. Boa sorte. – E se dirigiu até a porta, mas Wilson entrou em sua frente, encostando as costas na porta.
- Você sabe que eu não quero vê-lo, e mesmo assim está insistindo para que eu entregue o livro? – House pegou o livro da mão de Wilson e jogou em cima da mesa do mesmo. – Está louco? É um livro muito antigo e...
O infectologista também pegou a maleta da mão do oncologista e jogou no chão, deixando alguns papéis, canetas, entre tantas coisas caírem para fora da maleta que estava aberta.
- Ora, pare com isso, House! – Olhou nos olhos azuis do outro, mas este o olhava profundamente, se aproximando mais do amigo. – O que está fazendo? – Franziu as sobrancelhas. – Não adianta, eu não vou sair daqui e não vou lhe dizer...
Foi interrompido por um beijo. House tocara seus lábios com os próprios, beijando-o suavemente. Wilson arregalara os olhos e empurrou o outro, fazendo com que o contato entre eles fosse quebrado.
- O que...?
- Pensei que dessa forma você fosse se sentir na necessidade de se abrir para mim... – Deu uma risada maliciosa. – Desculpe, não era para soar desse jeito. – Wilson revirou os olhos. – A não ser que você queira, claro...
- Saia daqui, House. – Ordenou, ainda no lugar.
- Sairia, se você não estivesse parado na frente da porta. – Ironizou. Wilson saiu da frente da porta, um pouco constrangido. – Não esqueça que você tem uma cirurgia às dez.
E House saiu da sala, deixando para trás um Wilson cheio de preocupações para trás.
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Após tudo o que aconteceu na sala de Wilson, House foi para o quarto de seu paciente. Não entendera de verdade o que acabara de fazer. Como pôde beijar Wilson? Levou a mão esquerda até os lábios e os tocou de leve, dando um meio sorriso, inconscientemente.
Chegou ao quarto do paciente e viu um senhor idoso e um homem ali, e ambos conversavam animadamente com o enfermo. Ao entrar, todas as cabeças se viraram para ele. Ignorando a existência dos demais homens, o infectologista foi até o tal de Todd.
- Não deveria ter alguém cuidando de você? – Olhou em volta, sem ver nenhum dos seus subordinados ali.
- Dr. Chase estava aqui. Eu falei que ele podia sair... – Respirou um pouco, antes de voltar a falar. – Esse é meu professor, o Sr. Keating. E esse é Charlie, meu amigo. Mas ele prefere ser chamado de Nuwanda.
- Belo nome... – O homem chamado Charlie estufou o peito. – Para uma Dragqueen.
O velho e o enfermo riram, enquanto 'Nuwanda' fechava a cara, ignorando o médico.
- Está pronto para a cirurgia? – Olhou para o homem deitado.
- Estou sim. – Sorriu.
- Eu não deveria dizer isso, mas um dos médicos que participará da sua cirurgia é o James Wilson, aquele que eu lhe falei ontem. – O homem ficou sério. – Se eu fosse você eu dava uma bela de uma olhada nele antes de cair em sono. E então você pode me contar se vocês se conhecem ou não.
E foi em direção a porta, no entanto, Todd falou.
- Por que quer tanto saber se eu o conheço? – House abriu a porta da sala e virou a cabeça para olhá-lo.
- Ora, não é realmente da sua conta, é?
- E é da sua? – Desafiou.
- Uhuhuhu. – Nuwanda riu, adorando o modo como o amigo desafiava o médico.
- Tá rindo do que, Drag? – Lançou um olhar desdenhoso para o outro homem. – Suponho que a vida de Wilson é totalmente da minha conta. Se você o conhecer, ficarei sabendo mais sobre ele.
- Se ele não lhe falou nada é porque talvez não confie em você.
- Ou talvez seja só um passado que quer esquecer? Boa cirurgia para você. – E saiu da sala.
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Já dentro da sala de cirurgia, via os enfermeiros e os médicos arrumando as últimas coisas para o início da operação. Pedira para que não fosse sedado até que o último médico entrasse na sala, e assim fizeram.
Uma enfermeira se aproximou do homem, sorrindo.
- O último médico está lavando as mãos para poder entrar. Então vou te sedar agora, está bem? – Apenas assentiu, sorrindo de volta para a mulher. – Respire fundo.
E, ao ter o aparelho colocado em sua face, prendeu a respiração. Iria segurar a respiração o máximo que conseguisse até o médico entrar. E entrou. E seus olhos arregalaram-se. E esqueceu-se de prender a respiração, desmaiando em seguida.
Continua...
N/A: Bom, a única review que eu recebi foi de alguém da FRANÇA. ;-; Mas estou feliz. Bom, gostei muito desse cap, e eu demoro para postar se não houver reviews. --' Bom, só avisando que essa fic será traduzida para o inglês e postada. E é só. :D
MANDEM REVIIIEWS!
