Revelações...
Os raios de sol lentamente foram entrando no quarto de Nakoruru e aos poucos foram iluminando o cômodo. Rimururu simplesmente se enfiou embaixo das cobertas para fugir da claridade mas a sua irmã não fez o mesmo; a jovem se levantou e coçou um pouco a cabeça tentando recuperar os sentidos.
- Nossa...Que noite... – disse a jovem para si mesma, tentando ignorar uma certa dor de cabeça que começava a incomodá-la.
Lutando contra a incrível vontade de ficar deitada, Nakoruru lenta e discretamente se levantou, tomando todo o cuidado possível para não acordar a sua irmã que dormia tranqüilamente. Após vestir uma longa capa branca, pois nessa época do ano faz muito frio em Hokkaido, ela se dirigiu para a casa de seu avô, que era o líder da tribo da qual Nakoruru e Rimururu pertenciam.
- Vovô...Eu preciso muito da sua ajuda! – disse a jovem, se ajoelhando perante um velho homem que estava diante dela.
Sanouku era um homem de setenta e sete anos de idade, usava um kimono branco com alguns detalhes azuis, ele era um pouco calvo apesar de na parte de trás da cabeça ter um rabo de cavalo, mostrando os seus grisalhos cabelos. Todos da tribo o respeitavam por ser o homem mais velho e por ser muito sábio e bondoso. Normalmente ele sempre tem um sorriso no rosto, mas ao ver a sua neta, o sorriso desaparecera completamente e dava lugar a uma expressão rígida.
- Nakoruru, eu sei muito bem o quê aconteceu com você noite passada...- o tom de voz de Sanouku era gelado como a neve - Eu previ isso...
- Se o senhor sabe porque não me avisou, vovô?! O quê aquele sonho queria dizer?! Me responda vovô! – Nakoruru estava muito nervosa com toda aquela situação, ela não conseguia se controlar.
- Nakoruru! Controle-se! – agora o tom de voz de Sanouku era mais forte e bravo.
- Me desculpe vovô...É que eu... Estou com medo... –Nakoruru não conseguia raciocinar direito devido ao seus nervosismo, ao ponto de que lágrimas caiam de seus olhos sem que ela soubesse.
- Minha neta... Minha Nakoruru...- agora o tom de voz do homem era mais calmo e gentil, e pela primeira vez desde que a neta lhe visitara, ele expressou um sorriso para ela - Você precisa ter muita calma agora...
- Eu estou tão confusa vovô... Porque eu fui sonhar... com a luta dos xamãs? - a jovem agora secara as suas lágrimas e estava mais calma, e tentava respirar de forma lenta para se recompor.
- Provavelmente porque o grande espírito quer que você participe do torneio... - havia um tom de melancolia nessa última frase de Sanouku.
- Mas... Mas... - Nakuru não conseguia encontrar palavras para expressar a sua surpresa com o quê seu avô acabara de dizer.
- Eu sei minha neta... Você é a sacerdotisa Nakoruru, que carrega o grande fardo de proteger a nossa aldeia de todos os males... – Sanouku fechou os olhos após parar de falar - Você não poderia sair da aldeia nem em um caso de emergência gravíssima...
- Então porque eu fui sonhar com a luta dos xamãs vovô? Se eu não posso participar... A menos que... - a jovem arregalara os olhos e ficara sem palavras com o pensamento que viera a sua mente.
Rimuru! É claro! Se Nakoruru não podia participar de um torneio desses o sonho certamente era para alertá-la de que a sua irmã era quem deveria participar! Mas então porque não foi a própria Rimuru que teve o sonho, e sim Nakoruru? "Talvez por eu ser uma sacerdotisa e ter mais sensibilidade espiritual...", pensou a jovem, mas eram tantas dúvidas que ela não conseguia raciocinar direito.
- Mas agora Nakoruru... – Sanouku se sentara na frente da neta e enquanto a olhava gentilmente segurou-lhe as mãos, apertando-as calorosamente - Me conte como foi o sonho...
Enquanto isso, Anna e Yoh tomavam calmamente café da manhã. Naturalmente, Tamao estava com eles, servindo pãezinhos com chocolate quente. Após servir a comida para ambos, ela se dirigiu para a cozinha, dando vários risinhos após Yoh sorrir pra ela.
- Conseguiu dormir bem Anna? – disse Yoh, sorridente como sempre.
- Ora, porque não conseguiria Yoh? – Anna mantinha a sua postura séria como de costume.
- Quem sabe por peso na consciência por me fazer passar a madrugada toda treinando! E isso que nem é certo que a luta dos xamãs vai recomeçar! Isso é covardia Anna!
De fato, depois de ficarem um bom tempo apreciando as estrelas na noite anterior, Anna subitamente decidiu que Yoh teria que voltar a treinar e simplesmente mandou que Zenki e Kôki perseguissem o pobre rapaz pela cidade inteira de Tóquio! A jovem parecia não se importar muito com isso e saboreou lentamente a sua torrada.
- Você é cruel Anna... - pensou o pobre Yoh.
- Cinqüenta mil flexões... Agora! – Anna parara de comer a sua torrada e encarou Yoh com o seu olhar mortal de sempre.
- Mas eu nem disse nada!
- Eu sei ler mentes, esqueceu... Bobão... - nesse exato momento Yoh recebeu um tapa de Zenki que foi materializado logo após o término da frase da jovem.
Sem ter muitas escolhas, o rapaz começou a fazer as flexões. Ele evitava pensar em algo, com medo de enfurecer mais ainda a sua noiva e por causa disso se instalou um silêncio mortal durante o café da manhã, até que...
- Yoh! Anna! – disse uma voz familiar.
A voz era de ninguém menos que Manta Oyamada, o inseparável amigo de Yoh nas aventuras antes e durante a luta dos xamãs. Manta havia crescido muito pouco nos cinco anos que se passaram; ele vestia um típico terno inglês e estava muito ofegante, e ao ver o amigo, Yoh se esqueceu completamente do treinamento da Anna e foi cumprimenté-lo.
- Manta! O quê te trouxe tão cedo pro Japão? Você não tava nos Estados Unidos resolvendo uns assuntos com o seu pai? – disse Yoh.
- Sim, eu estava! Mas ontem eu vi uma coisa muito estranha no noticiário de lá! – Manta parecia realmente surpreso com o quê vira.
- A gente já sabe Manta... As estrelas Ragou e Keito que anunciam o início da luta dos xamãs apareceram novamente... – Anna não parecia nem um pouco surpresa com esse fato, mas é claro que ela estava fingindo.
- Nossa... Eu desconfiei que vocês já sabiam... Mas eu aproveitei e vim visitar vocês! Será que os outros também já sabem disso?
- Olha Manta... Acho que o Ren já deve saber... O Horo-Horo que eu não sei...Talvez...
- Manta... - Anna então se levantara e encarava o rapaz pequenino de uma maneira não muito amigável - Você interrompeu o Yoh que estava treinando para o torneio!
De repente um frio percorreu a espinha de Manta, ele sabia que Anna odiava quando Yoh ou outra pessoa a desobedecia. Era certo que ele também levaria um tapa de Zenki, porém o pequeno foi mais rápido e se esquivou do tapa que acertou a outra face de Yoh, que voou longe após receber o golpe.
- Quinhentas e cinqüenta mil flexões... OS DOIS! AGORA! – A jovem por via das dúvidas materializou os dois shikigamis de Hao, Zenki e Kôki, para que fizessem com que Manta e Yoh cumprissem a sua ordem.
Depois de algumas horas de treinamento árduo, tanto Yoh quanto Manta estavam completamente exaustos. Ambos estavam ofegantes no quintal da casa onde Yoh e Anna moravam; Tamao estava dando um copo de água para cada um deles para eles se recuperarem.
- A Anna não podia ter feito isso com a gente! – exclamava Yoh irritado.
- Do quê se ta reclamando? O meu terno novo já era! – em questão de irritação com a Anna, Manta não ficava atrás do amigo.
- Vocês dois tem que entender que a dona Anna só faz isso pro bem de vocês! – Tamao tentava acalmar os dois rapazes, mas a tentativa era inútil.
- Mas quem tem que treinar aqui é ele! Não eu! – Manta apontava pro Yoh enquanto tomava outro gole de água.
- Se os dois molengas não pararem de reclamar, eu vou fazer vocês repetirem o treino... - Anna apareceu na frente deles. Ela vestia uma calça jeans e uma blusa branca e estava levando a sua bolsa.
- Eu vou fazer compras. Tamao, cuida desses dois por mim.
- Sim dona Anna! – a jovem fez um sinal positivo com a cabeça e foi para a cozinha preparar algo para Yoh e Manta.
Antes de sair para fazer compras, Anna deu algumas instruções para os dois rapazes e rapidamente saiu pela porta da frente. Logo após ela sair, Yoh e Manta deram pulos de alegria por saberem que teriam uns poucos minutos de paz e tranqüilidade.
- Mas chefinho... O senhor tem certeza de quê é uma boa idéia visitar o mestre Yoh e a dona Anna?
- Você ainda tem dúvidas Bason? É óbvio que algo grande está para acontecer e eu não pretendo ficar de fora então... Vá mais rápido motorista!
Um rapaz de cabelo roxo, olhar mortal, e um temperamento explosivo estava sentado no banco de uma luxuosa limosine. Ao seu lado havia uma mala preta e na sua frente o fantasma de um guerreiro chinês; esse rapaz não era ninguém menos que Tao Ren.
- Eu tenho que encontrar o Yoh pra ver se ele sabe de algo que eu não sei Bason...
- Sim! Perdoe esse pobre guerreiro por sua ignorância mestre Ren... – Bason fazia uma pose de reverência, mas Ren nem estava ligando muito para isso.
- Não se preocupe com isso Bason a única coisa que está me deixando extremamente irritado é a lerdeza desse motorista... Me lembre de demiti-lo Bason!
Então o vidro que separava a ala onde estava Ren do motorista se abre, e uma linda jovem de cabelos verdes aparece e sorri para o rapaz que apenas abre a boca e fica incrédulo com o quê vê.
- Você teria coragem de demitir a sua própria irmã, Ren? – disse Jun, sorrindo para o seu irmão e para Bason.
A única coisa que se pode ouvir foi um grito de raiva de Ren. Logo depois, o vidro se fechou novamente e o "motorista" da limosine pisou no acelerador do carro.
Enquanto isso, num lugar bastante distante de onde Yoh e seus amigos estavam, um homem loiro vestido de branco, caminhava aceleradamente por dentro de uma gruta. A única coisa que ele podia escutar eram os pingos de água que caiam das estalactites. Finalmente ele chegou no quê parecia ser uma capela, pois haviam muitas velas em todos cantos. O lugar era como se fosse uma clareira numa floresta, tinha muitos bancos de igreja e todos os bancos guiavam para uma cruz gigantesca. E na frente da cruz um havia um sarcófago de ferro, imponente e mortal diante de Marco.
- Minha senhora... Os preparativos para a luta dos xamãs já estarão prontos muito em breve...- Marco se ajoelhara diante o sarcófago e abaixara a cabeça em sinal de respeito.
O sarcófago tinha a aparência feminina, e na parte frontal dele havia um rosto de uma mulher. E então, com um rangido de metal que ecoou por toda a gruta, o rosto do sarcófago se abriu, dando vez a um rosto de uma jovem de aparentes quinze anos, cabelos prateados e olhos das cores de dois rubis.
- A hora é chegada, finalmente poderei transformar esse mundo no grande jardim do Éden... - a jovem deu um grande sorriso para Marco, que o retribui no mesmo instante.
- Não podemos perder mais tempo, minha senhora. Temos que convocar os novos escolhidos para finalmente... Vencermos a luta dos xamãs e purificar esse mundo!
- Sim... Agora que Hao Asakura está morto... Eu, Iron Maiden Jeanne, me tornarei a shaman king e livrarei esse mundo das raízes pobres da maldade...
Continua no próximo capítulo...
Agradecimentos:
Queria agradecer a uma pessoa que tá me ajudando muito na criação e produção desta fanfic, espero que ela leia esse recado: Rodrigo, você tá guardado no meu coração viu? Brigada por tudo!
Future: Brigada por ter me mandado uma rewiew! Espero que você tenha gostado da parte do Yoh com a Anna desse capítulo! Espero mais rewiew suas!
E pessoal, sintam-se a vontade pra me mandar rewiews comentando a história, fazendo sugestões, críticas, todas serão muito bem recebidas!
Beijos!
