Disclaimer: Naruto não me pertence. Apenas a criatividade empregada neste trabalho.

N.A.: Como tive uma boa recepção e terminei de catar erros no capítulo, resolvi trazer o seguinte pra vocês. Obrigada pelas reviews. E SIM, É UMA ITASAKU. PERDÃO PELA CONFIGURAÇÃO INICIAL. Meu gatito subiu no meu tecladito e usou meu mousezito. Beijo!

Rating T por linguagem e cenas leves.


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Colcha de Retalhos

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Por Neko Sombria

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Capítulo 2: Sangrando no meu turno

Sakura caminhava pelos corredores do hospital contando as horas para seu plantão acabar. Mesmo sua especialidade sendo a área cirúrgica, isso não lhe impedia de fazer plantão na emergência do Complexo Médico Senju. Estava a boas horas de pé, mas sabia que eram as horas finais e que em breve estaria sendo ninada por Morfeus por ao menos 12 horas seguidas.

Estava próxima a recepção quando uma enfermeira lhe abordou:

- Sakura-sensei, chegou um novo paciente. Você poderia…?

Sakura sorriu pegando a ficha sem nem olhar direito para a enfermeira ao perguntar:

- Sala de atendimento?

- Três, Sakura-sensei. Ferimento a bala.

Sakura apenas arqueou a sobrancelha diante a informação e se encaminhou para seu próximo paciente, provável último. Raramente tinha que tratar algum ferimento a bala, uma vez que oficiais procuravam ser cuidados pelas enfermeiras mesmo. Sakura passou os olhos pelo prontuário emergencial e, em segundos, seu faro para problemas já estava apitando. O homem que estava ferido havia requisitado ela em especial.

Sakura adentrou sem bater na sala de atendimento, sabendo previamente quem estaria ali. O cabelo negro e o sorriso alegre, mesmo com o braço sangrando, eram inconfundíveis.

- É sempre bom ter você sangrando no meu turno, Shisui.

O Uchiha assobiou para ela quando entrou e olhou-lhe de cima a baixo.

- Aw Saku-chaaaaan, você é tão malvada! - A face sorridente de Uchiha Shisui não enganava a ninguém. Ele poderia estar ali por um azar do trabalho. Mas ele ter requisitado a rosada não era um mero acaso.

- Devo ser horrível mesmo, não é? - Falou a Haruno, fechando a porta atrás de si, colocando a ficha do moreno sobre a mesa e pegando um par de luvas semi-estéreis. Pegou uma máscara cirúrgica, colocou sobre o rosto e foi em direção ao seu mais "novo" paciente.

- Claro que é Saku-chan! Você nunca fica feliz quando venho lhe fazer uma visita - Sakura levantou seus olhos do ferimento do melhor amigo para o rosto do mesmo. Os olhos dele brilhavam como uma raposa, e o seu apito interno para problemas enlouqueceu.

- Você sempre aparece sangrando.

- É meu char-Ai, isso dói! - Sakura estava com as mãos uma em cada lado do ferimento, estudando a profundidade e o que havia afetado.

- Foi de raspão, certo?

- Sim.

- Calibre?

Shisui ficou em silêncio por segundos, incerto se deveria contar ou não, e Sakura simplesmente passou os dedos pelo ferimento.

- Hey! Isso realmente dói!.

- Pólvora no ferimento, mas dano superficial, efeito spray. Calibre 12 então.

Sakura se virou em busca de material para limpar o ferimento sob o olhar atento do Uchiha no recinto. O homem esticou os lábios em um sorriso malandro enquanto a observava.

- Então os boatos que rolam pela corporação são verídicos. Você já foi perita forense.

Sakura se virou para Shisui parcialmente, medindo-o com os olhos estreitos. Em suas mãos, uma solução de limpeza e gaze, mas Sakura parecia pronta para atacar como se fossem objetos letais.

- Do que você está falando?

- Veja bem Saku-chan, existe um boato que alguns anos atrás havia um perito forense na nossa unidade. Um perito médico forense. Diziam que ele trabalhava na mesma equipe que Sasu-chan e Ita-kun. E que tinha cabelos rosas.

O sorriso que o moreno exibia era uma réplica do Gato de Cheshire, de Alice in Worderland. E ele dava calafrios na rosada.

- Eu comecei a fazer alguns cálculos na minha mente, e a única solução para a variável que faltava só poderia ser você. Diga-me Sakura-chan, você saiu por causa do Sasuke?

Sakura arqueou uma sobrancelha para a pergunta do Uchiha e se reaproximou dele, agora com o intenção de limpar a ferida. Com cuidado, passou a solução de limpeza no ferimento até eliminar todos os indícios de sujeira: sangue, pólvora e poeira. Quando se deu por satisfeita, passou a gaze limpa para retirar o que havia ficado de líquido no ferimento.

O tempo inteiro em silêncio.

A rosada descartou a gaze suja e avaliou o ferimento de perto. Era um belo rasgo.

- Vou ter que dar pontos.

E se virou em busca de medicação para não infeccionar e material para suturar o braço do paciente. Quando se voltou para Shisui, seus olhos estavam bloqueados por uma névoa de nada, que deixou o moreno intrigado.

- Eu trabalhei na unidade durante dois anos e sete meses. Fiquei com Sasuke mais de três anos. E trabalho para Tsunade-sama há pouco mais de 4 anos. Faça as contas. Ele nunca seria o motivo de eu abandonar a carreira que eu construí graças a Fugaku-sama.

Sakura passou um líquido sob o ferimento de Shisui e passou a suturá-lo com extremo cuidado. Sem nunca tirar os olhos do ferimento, a rosada continuou sua história:

- Meus pais estão mortos há exatos quatro anos e cinco meses. Latrocínio. Por conta do colar de pérolas que dei a mamãe em um natal. O perito a ser chamado para processar o local do crime fui eu. Mikoto-sama nunca soube como me recompensar por ver o corpo deles daquele jeito.

Shisui fazia caretas vez ou outra por conta da agulha, mas nunca reclamou. Ele veio atrás de uma brincadeira para cima de sua melhor amiga e acabou tocando no assunto mais delicado que poderia. Hana ia lhe matar por sua falta de tato.

- Pronto. Vou lhe receitar um antibiótico por precaução e recomendaria que checasse suas vacinas, para ver se sua anti-tetânica está em dia. Vou lhe dar um remédio para dor, apenas por hoje.

Sakura se afastou do melhor amigo e se esticou para pegar um rolo de tala. Passou o tecido em volta do braço do moreno três vezes, prendeu com esparadrapo e guardou os utensílios. Descartou a luvas e a máscara, sem nunca olhar para seu paciente e passou a escrever no prontuário sobre o ocorrido.

- Eu não sabia Saku-chan.

Sakura levantou os olhos da folha que escrevia e deu-lhe um sorriso que não tocou os olhos verdes.

- Isso é o que acontece quando você se intromete no que não lhe diz respeito. Vou lhe reportar para seu superior por negligência. É o quarto ferimento a bala nas últimas 5 semanas. Itachi-san não vai ficar nada satisfeito com isso.

Shisui empalideceu rapidamente. Ele havia esquecido que os médicos do Hospital Senju deveriam mandar uma cópia dos prontuários de cada oficial ferido para a Polícia para acompanhamento. Sakura sempre ficava responsável por isso pois ela era subdiretora do lugar. E era muito vingativa.

- Sak-chan… Veja bem, não há necessidade para isso.. É só um detalhe.

Sakura sorriu complacente para o melhor amigo.

- Espero que você goste do psicólogo do batalhão. Pois sua conduta será posta sob avaliação. - Sakura chegou perto de Shisui com a folha de prescrições, deixando-a no seu colo - Eu fiz parte da polícia. I know the drill, Uchiha.

A rosada saiu do recinto com passos confiantes enquanto assinava a recomendação de avaliação. Passou pela recepção, pedindo para que o prontuário do Uchiha fosse anexado ao restante que seria dirigido para o chefe de Polícia e pediu para que fosse a primeira coisa a ser encaminhada pela manhã.

Sakura mal podia esperar por deitar na sua cama.

...

Itachi leu a recomendação escrita pela doutora confuso. Shisui normalmente era envolvido com perseguições e armas de fogo. Era comum haver ferimentos superficiais como aquele com esse tipo de frequência. Mas não era sempre que um médico anexava todas juntas, fazia uma análise do período e requisitava avaliação do policial.

Itachi levantou os olhos para o primo, sabendo que tinha mais naquela história do que estava escrito no papel.

- Você sabe que eu não posso ignorar uma requisição tão bem embasada do hospital, dadas as circunstâncias. E Sakura está atrás do seu sangue. A pergunta é: O que você fez?

Shisui sorriu nervoso, a postura de sentido tensa demais para que fosse apenas por estar na sua presença. Isso fez com que Itachi estreitasse os olhos, inquisitivo, querendo a verdade e não menos que isso.

- Eu ouvi boatos sobre ela ter sido nossa perita. Eu perguntei porque ela saiu.

Um momento de silêncio passou pelo recinto e Itachi não se deu ao trabalho de comentar algo sobre o assunto. Apenas pegou a requisição feita pela Haruno, anexou junto aos papéis de Shisui e assinou o pedido de avaliação com o nome de Shisui impresso nele.

- Você passará pela avaliação psicológica pelas próximas semanas. Está dispensado de suas obrigações até segunda ordem. Entregue sua arma e distintivo - Itachi sorriu malvado para Shisui, enquanto o mais velho atendia sua ordem, e entregou-lhe o papel - Entregue isso para minha secretária ao sair. Espero que isso faça você entender que Sakura tem mais poder que você.

Shisui engoliu em seco.

- Uma vez, ela mandou 30 oficiais sob avaliação por comprometerem de brincadeira uma cena do crime. Ela fazia esse lugar bem mais agitado. Está dispensado.

Shisui prestou continência para seu superior e se virou para sair, sentindo os ombros caírem levemente pelo ocorrido. Uma mera pergunta, uma mera especulação, fez com que fosse retirado das ruas. Antes de alcançar a porta, Itachi chamou sua atenção, os olhos brilhantes de algo que o mais velho não sabia dizer se era divertimento ou malícia.

Shisui apostava nos dois.

- Venha jantar conosco hoje a noite. Okaa-san vai adorar saber porque você foi suspenso.

Shisui saiu da sala do primo muito mais desanimado do que esperava.

Continua...


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