Capítulo 2
É o fim de uma tarde de inverno no Largo Grimmauld. Os postes na rua começam a se acender. Ouve-se os gritos de mães chamando seus filhos para o jantar e na rua pode-se ver pessoas voltando para a casa depois de um dia duro de trabalho. Tudo parece normal naquele lugar. Com apenas uma exceção: A casa de número 12.
Uma mulher de cabelos negros como a noite presos em um coque alto desce as escadas apreçada. Seu vestido carmim se arrasta pelo tapete vermelho sangue com detalhes em ouro. Passa pelo corredor cheio de quadros com o queixo erguido e o nariz empinado. Dirige-se para o Hall de entrada e lá para com uma expressão de intenso rancor no rosto.
- Monstro, traga o garoto.
Ouve-se uma série de barulhos no andar de cima e minutos depois um elfo doméstico aparece segurando firmemente um pequeno garoto. O menino se remexe até que consegue soltar-se do aperto de Monstro e agarra o vestido da mulher...
- Não mamãe, por favor! Eu vou me comportar! Não me deixe naquele lugar...
A mulher encara o menino como se ele fosse um animal nojento.
- Você não vê que essa é a única utilidade que tem para mim? – Ela joga o garoto no chão. – Pelo menos para alguma coisa me serviu parir uma criatura amaldiçoada como você. Levante-se
O menino se levanta fungando. A mulher segura o braço dele e anda em direção a lareira.
- Mamãe, por favor!
- CALE-SE! Sua voz me deixa com o estomago embrulhado.
A porta de entrada se abre e um homem alto e esguio entra. Ele cumprimenta a mulher com um aceno de cabeça depois encara a criança com nojo. O menino então se agarra aos prantos nas pernas do recém chegado.
- Walburga, controle-o!
Walburga puxa o menino com força até que ele se solta das calças do homem.
- Sirius, não desonre sua família com esse comportamento ridículo. Vamos logo Orion. Eu não agüento mais um minuto desse tormento.
Ela agarra o braço do garoto e dirige-se a lareira da casa. Há um pote apoiado ali. De dentro retira um pó verde e joga-o no fogo.
- Mansão dos Clow – Diz Walburga em voz alta.
Sirius implora para não ir, mas é arrastado até as chamas. A mulher e o menino desaparecem no meio da lareira. Mesmo assim ainda se escutam os berros do garoto ecoando pela casa.
O universo é imenso. Várias galáxias. Várias estrelas. Vários planetas orbitando em volta dessas estrelas. Planetas habitáveis com algum tipo de vida inteligente, como a Terra.
Ah Terra...
Até mesmo esse planetinha pequeno se comparado ao universo torna-se grande se comparado ao ser humano. São milhões de quilômetros de área. Com variadas opções de clima e vegetação. Tudo o que você pode imaginar você encontra nessa amplitude azul.
E de todos os lugares possíveis dentro do planeta eu encontro meu ex-namorado idiota nesse pantanal matogrossense que passarei a chamar de lar. No meu belo jardim bem cultivado de gnomos e batatas (pelo menos eu tenho janta garantida). Caído na escada comida pelos cupins. Rindo loucamente da minha cara. Ele ri tanto que vejo lágrimas caindo de seus olhos de demônio. E no meio de seus chiados que interpreto como risadas ele tenta dizer alguma coisa.
- Você... você... – intervalo para risadas – es... está – mais risadas – mo-ran-do – Agora eu vejo que ele está prestes a urinar nas calças. Ele também percebe isso e tenta se acalmar.
Levanta-se com graça, agilidade e de um jeito sensual que somente ele consegue fazer depois de uma cena dessas. Nem sequer parece que segundos atrás estava rindo loucamente. Sirius balança seus cabelos sedosos de demônio enquanto caminha em minha direção casualmente.
- Olá Lily Evans, não sabia que você tinha voltado para a Inglaterra – sua voz sai grossa e suave, quase como se ele estivesse lançando um feitiço sobre mim.
Mas os encantos de Sirius não funcionam em mim...
Talvez só um pouco.
Sinto meus joelhos falharem quando ele fala. Ele chega perto o suficiente para que eu sinta sua respiração quente. Tento me segurar no corrimão carcomido pelos cupins e quase levo um tombo. Sirius me segura com seus braços que devem ser fortes assim de tanto chicotear almas no inferno onde tenho certeza que ele trabalha por mero prazer.
Eu tento falar. Tento procurar algum tipo de palavra no meu cérebro. Tenho a impressão de que me esqueci como se fala inglês.
Livro-me dos braços de Sirius e vou o mais longe possível dele. E por mais longe possível eu me refiro à estradinha de terra do lado de fora do muro podre da minha casa podre.
- Hey, Lily – Sirius faz alguma coisa com a boca tentando ser charmoso (e, para minha infelicidade, conseguindo) enquanto tenta se aproximar – Não fuja de mim! Só estava querendo puxar uma conversa.
Sirius se aproxima. Ele para do meu lado e nós dois admiramos a beleza da casa que eu aluguei. Dói-me o bolso só de pensar que o contrato está assinado para dois anos.
Tenho duas opções nesse momento: chorar ou rir da minha desgraça. Escolho a segunda...
No final das contas estamos Sirius e eu às gargalhadas.
Minha barriga doía de tanto rir quando a porta da frente despencou. Por Merlin, não há condições de morar em um lugar desses! Não existe magia que dê um jeito nessa casa.
- Meu deus, como eu estou ferrada! – Digo enquanto tento tomar ar.
Sirius está na frente da casa segurando a porta caída e rindo.
- A porta caiu. HAHAHAHAHAHAHA.
Mais meia hora de gargalhadas. Estamos os dois caídos na escada carcomida. Um dos degraus se desfaz quando eu bato meu pé com força nele. Sirius se contorce rindo e a escada inteira se destrói sob seu peso de cavalo. Estamos caídos na lama com gnomos passando por nós. Se alguém nos visse naquela situação diria que somos dois mendigos malucos.
Toda vez que tento me recuperar, olho para a cara de demônio de Sirius e me dá mais vontade de rir.
Cerca de dez minutos se passam até que nos cansamos de rir. Sirius me ajuda a levantar.
- Não tem condições de você morar nessa casa, Evans
- Então me diga Black – eu respondo meio rindo – onde é que eu vou morar?
Sirius tem um dos momentos demoníacos no qual ele está armando algum daqueles planos secretos e malignos que normalmente envolvem manipulação de pobres almas perdidas para seu próprio bem. Uma coisa que eu aprendi durante nosso tempo de namoro (ou seja, o pior mês da minha vida): Caso você veja Sirius Black com aqueles olhos azuis, que são as portas do inferno, mirando o nada, a mão no queixo e uma sobrancelha levemente levantada... CORRA... Corra e não olhe para trás. Salve sua vida enquanto ainda há tempo. Infelizmente não há tempo para mim. Eu percebo isso, pois Sirius está segurando firmemente meu braço de forma a não me deixar escapar.
- Eu estou morando em uma casa logo ali na frente, tem outra bem do lado. Está meio abandonada, mas em melhores condições que essa aqui. Você pode ficar nela.
Não entendo o que Sirius está falando. Pensei que ele morasse na mansão de Godric's Hollow. Lembro-me que ele, Potter e aqueles outros dois que sempre andavam com eles moravam na mansão. Nunca entendi o motivo, pois nenhum deles era parente próximo. Mas também, eu não entendo nada sobre os costumes dos bruxos puro sangue.
- Vou ver isso agora mesmo. Espere-me aqui. Volto em uma hora.
Não é como se eu tivesse outro lugar para ir mesmo. Resolvo tentar desgnomisar o jardim e depois dar um jeito na porta e na escada. Coloco uma roupa mais confortável para a situação.
Estou jogando um gnomo pelos ares quando escuto o barulho de alguém aparatando ali perto. Sirius está de volta. E está muito sorridente. Algo me diz que o plano maligno dele deu certo.
- Ótimo então Evans! Vamos fazer sua mudança.
Com um simples balançar da varinha Sirius faz com que todas as minhas coisas flutuem em direção a estradinha de terra. Inclusive meus eletrodomésticos.
- Sirius! Cuidado com minha Televisão... AH MEU DEUS! Minha geladeira! Pare! Pare!
Eu faço ele parar com a flutuação toda e corro para tirar meus eletrônicos e eletrodomésticos das devidas tomadas. Abro a geladeira e coloco todas as comidas em uma caixa. Não tento argumentar contra a mudança e nem perguntar o que ele vai querer em troca por essa ajuda. Prefiro viver no inferno à aquela casa aos pedaços. Sirius olha tudo com curiosidade.
- Mas o que são todas essas coisas?
Não me dou ao trabalho de responder. Apenas resmungo algo enquanto faço com que tudo flutue novamente.
- Podemos ir agora.
Sirius da de ombros e faz sinal para que eu o siga. A menos de 100 metros de distância avisto duas casas. As duas muito bonitas, mas uma delas um pouco mal cuidada. Acredito que aquela deva ser a minha casa. Surpreendo-me quando Sirius me manda colocar as coisas na mais bonita.
- Sirius – digo com cautela – Não pretendo morar com você.
- Mas é por isso que eu estou mandando você colocar as coisas na outra casa!
Quando ele disse que estava em melhores condições ele estava usando eufemismo. A casa é uma mansão perto daquele muquifinho. O aluguel deve ser uma fortuna.
- Sirius, não estou em condições monetárias de pagar o aluguel de uma casa dessas.
- Ah não se preocupe. Você não precisa pagar o aluguel. Convenci o patriarca a deixar tudo na faixa. – Ele sorri orgulhoso.
Não gosto disso. Quando se trata de Sirius Black nada é de graça. Ele nota minha desconfiança.
- Você deve estar desconfiada e com razão. – Diz com aquele sorriso malicioso que parece ter nascido com ele - Comigo nada é de graça. Eu tenho um preço é claro. E meu preço é... comida!
-Comida?
-É. A ratazana doida do Rabicho não sabe cozinhar. Eu muito menos. Temos pedido comida todos esses dias. Não agüento mais comer pizza. Uma comidinha caseira me vai bem.
Sirius passa a mão na barriga e lambe os lábios. Parece estar sonhando acordado.
Comida não é um problema para mim. Eu sei cozinhar bem. Sempre ajudei minha mãe na cozinha. Mas comprar mantimentos para o que me parece ser mais duas pessoas, e duas pessoas relativamente famintas, não me soa como um bom negócio. De qualquer forma é melhor do que viver no pantanal. Espero que esse tal de Ratazana não seja um morto de fome.
Também posso aproveitar a proximidade com Sirius para descobrir o que realmente aconteceu entre James e Emme. Os dois estavam tão bem, achei que fossem se casar. De repente tudo se acabou. Acabou-se de uma forma muito estranha. Odeio coisas estranhas e mal explicadas.
Estendo minha mão direita para Sirius. Isso pareceu tira-lo de seus devaneios sobre comida...
- Tudo bem, temos um acordo. Mas você tem que colaborar com o dinheiro da comida.
Trocamos um aperto de mão.
- Olha, pode deixar que Rabicho e eu pagamos pela comida. Alias, vamos fazer umas compras? O que você vai fazer para a janta?
Rabicho? O nome do outro cara não era Ratazana?
Lembro-me do jantar de aniversário de Dorcas. Não vai ser hoje que Sirius Black provará meu tempero. (isso no sentido literal da coisa, já que, infelizmente, sou uma pessoa careta)
- Sirius, hoje eu vou no jantar de aniversário da Dorcas...
- Mealdones? - Ele pergunta. Confirmo com um aceno de cabeça e ele sorri novamente. - Opa é mesmo! Também fui chamado.
- Você foi chamado?
- Lily, nós dois estudamos no mesmo ano e na mesma casa. Você se lembra? Foi assim que nos conhecemos.
Vou andar por aí com uma enorme placa dizendo: "Não me lembro quem você é ou onde te conheci. Por gentileza, informar." Assim quem sabe as pessoas não percebam que eu sou uma desmemoriada.
Infelizmente, mesmo com esse problema de memória não tem como me esquecer de Sirius em Hogwarts.
Grande parte das minhas lembranças desde as menos agradáveis até as mais engraçadas envolvem a gangue de Sirius e James: Sirius e James na sala comunal jogando bombas de bosta. A gangue de Sirius e James explodindo bexigas de água na cabeça dos alunos que passavam pelo corredor depois das 8 da noite. E o dia em que esses dois disseram aos primeiro-anistas como era comum as pessoas se jogarem com suas vassouras pela janela da torre simplesmente por diversão. Aquela tinha sido uma boa piada. A parte ruim foi quando eu e o outro monitor tivemos que ficar de sentinela nas janelas durante quase um mês.
- Rabicho também foi chamado! Vamos todos juntos então.
Ótimo. Agora vou chegar no aniversário da Dorcas acompanhada por um ex-namorado e seu amigo com nome estranho. Todos vão comentar. Alias, se esse tal de Ratazana foi chamado também eu provavelmente devo ter estudado com ele.
Despeço-me de Sirius combinando um horário para nos encontrarmos a fim de irmos juntos à festa de Dorcas. Tenho exatamente três horas para me lembrar quem é o Ratazana.
Enquanto arrumo a minha mudança não posso deixar de pensar na sucessão de eventos desse meu primeiro dia na Inglaterra depois de seis anos fora. Não passou nem das quatro da tarde e eu já estou vendo que as coisas serão interessantes...
Muito Interessantes.
NA: Sobre esse capítulo... está meio experimental. Estou tentando fazer um lance tipo: primeiro um flash back de momentos semi dramáticos da vida da galera e depois o capítulo em si no POV da Lily. O que vocês acharam?
Alias, acho que nenhum dos leitores do mangá fruits basket tem dúvidas de que o Sirius é o Shigure né? Não precisei nem mudar muita coisa já que o Sirius que eu imaginava enquanto lia os livros era tipo o Gure-ni. O mais fácil de adaptar.
Muito Obrigada pelas reviews meninas: Girl of power; Lady miss nothing e Baah.s2
Quanto a galera que só favoritou e não deixou review... vamos mandar uma sugestão de botão de like para o fanfiction? Porque as vezes a gente gosta da fic mas não sabe o que dizer em uma review. Nessas horas você pensa: "Poxa, um botão like ia bem!"
PS: reviews são sempre bem vindas nem que seja um simples: "Oi Gostei desse capítulo!" ou "Você escreveu água sem acento, presta atenção"
Bjos e até a próxima
