II

Após aquele dia, vários outros vieram. Mana e Közi solidificaram facilmente a amizade, dado que tinham vários interesses em comum e sabiam lidar um com o outro, embora parecessem bastante diferentes no modo de agir.

De maneira quase inconsciente, Közi passou a olhar Mana com uns olhos meio diferentes... é, porque mesmo sendo homem, tendo voz e porte de homem... os atributos andróginos dele lhe deixavam com alguma espécie de... tesão? É, era isso. Por menos que admitisse, ele sentia tesão no amigo. Ora, ele era "doido" mesmo... já havia saído com homens no passado - sim, homens, apesar de sair mais com mulheres. E aquele ali... parecia ser uma coisinha especial... que ele começava a anelar, porém não confessava sequer a si mesmo.

Um belo dia, no entanto, quando ele ia à tarde levar alguns albuns de metal pro amigo escutar, bateu na porta dele e escutou um "Já vou" vindo de lá de dentro. E quando a porta se abriu... uma linda moça, de cabelos encaracolados, batom rosa e maquiagem em tons pastéis, lhe atendeu.

Közi não reprimiu um assovio de admiração ante a beleza da moça, e a olhou de cima a baixo.

- Olá, gracinha! Você é alguma namoradinha do Mana, é? Ou irmã? Ele se encontra em casa?

Os olhos de Közi eram puro desejo. Logo ele, que saía mais era com "groupies" malucas e bêbadas...! Aquela moça era simplesmente uma das coisas mais lindas que ele já vira na vida.

Ela, no entanto, sorriu... e em seguida lhe respondeu, com uma voz que quase matou a Közi do coração:

- Sou eu, Közi...! O Mana!

O outro teve de se apoiar no batente da porta pra não cair.

- COMO?

- Sim. E então, engano bem como mulher?

Aquela voz não combinava com o visual extremamente feminino que o colega arrumara. Közi foi para trás dele, procurou para ver se o Mana de verdade não estaria escondido atrás das paredes... mas não. Era ele mesmo.

- Cara...! Tá perfeito! Só faltam os peitos, mas japonesa não costuma ter muito mesmo... caaaaaaara, que é isso?

Mana riu de novo.

- Sabe... entre, eu vou fechar a porta e lhe explicar.

O outro assim o fez. E então o dono da casa começou a lhe explicar...

- A mulher que tem dentro de mim, Közi... de vez em quando ela aflora e quer que eu me vista assim. Entende?

"Mulher...", pensou Közi, lembrando do tesão que, de vez em quando, o colega inspirava em si. Céus... se antes, quando ele se vestia de homem, já era algo meio incontrolável... àquela hora a coisa estava completamente insustentável!

Reparou que ele aumentara os lábios com o batom, pintando-os um pouco acima do tamanho dos mesmos. Hum, que vontade... de beijar aqueles lábios...

Sentou no sofá, tentando sossegar a mente. Mas não conseguia. O cheiro dele... é, ele havia colocado um perfume de mulher também... hum... aquilo estava ficando difícil...!

- Mas então, Közi - disse Mana, reparando no silêncio do amigo - A que lhe devo a honra de sua visita?

A voz masculina... nem ela conseguia aplacar todo aquele desejo, dado que ele próprio era bissexual. Até que sua mente resolveu acordar e pensar que precisava responder ao colega.

- Ahn...? Sabe, eu vim te trazer... esses álbuns aqui.

- Ah, obrigado! De verdade! Deixa ver... ah, adoro esse! Quer ouvir um pouco...?

- Quero sim...! Cê quem sabe!

Animado e de forma quase infantil, Mana tomou ao album do Iron Maiden e colocou no seu toca-discos. E foi uma cena verdadeiramente inusitada ver aquela "linda dama" de cabelinhos cacheados fazendo "headbanging", o sinal dos chifrinhos nos dedos e imitando os "death vocals" com sua potente voz masculina.

- Eh, cara...! Já pensou em cantar em "death vocal" em alguma banda? Cê tem jeito pra coisa...

- Ah... - disse ele, abaixando o som e parando um pouco com o "headbanging" desenfreado - Tenho vergonha, não quero chamar a atenção para mim.

- Que é isso, cara... fica sossegado, dá em nada não... o povo ia adorar.

Mas o grande problema ali não era a timidez de Mana. Era... aquilo... que começava a crescer no meio das pernas de Közi.

"Putz... agora não, bimbo! Fica quieto aí, colabora...! O cara não pode ver, agora não, em casa você sobe, besta!"

Porém, quanto mais ele pensava assim... mais o sangue parecia ser bombeado para aquela região. E Mana não colaborava, andando de um lado para outro, espalhando aquele cheiro gostoso de perfume feminino...

- Ah, Közi, se importa se eu escutar o disco até o final?

- Er... claro que não! Escuta aí, fica a vontade!

- Não quer bater um cabelo comigo também?

Como negar...? Közi até gostaria, mas aí o amigo o veria de pau duro com toda a certeza.

"Pau safado, tem vezes que eu preciso e ele não funciona! Agora que quero ele sossegado, cisma em ficar de pé...!"

- É... Mana, se importa se eu for ao banheiro?

- Ah, não, claro que não! Fique a vontade!

Mana sorriu e voltou a fazer o "headbanging" de maneira bastante adolescente, e Közi aproveitou que ele estava com a cabeça subindo e descendo, distraído, para quase correr ao banheiro e se trancar lá dentro.

Lá, tirou o membro pra fora da calça... e quase não acreditou.

- Cara, que merda! Se eu não me enfio rápido aqui dentro, ia fazer feio!

Meio aborrecido com o fato, não lhe sobrou outra alternativa... tinha que bater uma ali no banheiro do amigo. Começou a acariciar a própria glande, devagarzinho no começo... o som do Iron Maiden ainda forte lá fora, e o "cover" de Mana também forte...

Foi inevitável começar a pensar "bobagem" com ele afinal. Aquela boca, que parecia ser macia... aquelas mãos... hun... aquela bundinha...

- Un... Mana...

Começou a tocar mais forte, sentindo o tesão aumentar... céus, como aquilo era bom... melhor que muita transa que ele já tinha vivenciado...

De repente, a música parou lá fora. Mas Közi não se importou. Continuou batendo, até a hora em que sentiu que ia gozar... e teve de se segurar pra não gemer alto, pois o tesão estava realmente forte.

Gozou na própria mão, querendo tanto que fosse na mão dele... ou ainda, na boca dele... ou na bundinha dele... ou em qualquer outro lugar, contanto que fosse nele...!

- Oh, Mana, por que tinha de me enlouquecer desse jeito...?

Suspirou fundo, pensando que ia ser chato ter de lavar o "espólio" da gozada bem ali, na pia dele, sem deixar vestígio... mas foi isso que fez, pois não tinha outro jeito. Lavou, tentando não deixar nada no sabonete de resquício. Em seguida levantou as calças e as cuecas, conferindo pra ver se não tinha respingado nada... é, não tinha. Hora de sair, pra não dar na vista... ficar muito tempo no banheiro ia ser suspeito.

Saiu como se não houvesse acontecido nada. Após aquele "alívio", parecia mais fácil ficar ali, vendo a Mana e ao mesmo tempo sem apresentar sinais de "paudurescência". Mas o rapaz... parecia ter outros planos pro dia.

- Közi, se não se importa, desliguei o som. Sabe, sei que vai achar chato... mas eu havia planejado ver filme hoje. Se quiser ver...

- Hum? Filme? Ah, sei... qual?

- Não vai me xingar, vai...?

- Claro que não! Qual é...?

- É aquele. "Paraíso azul", que você chamou de "shoujo".

- Ahn... ih, cara, se fosse pra xingar, teria feito assim que vi você vestido de mulher! Mas não tem importância não... se você gosta assim, tá beleza.

- Quer ver comigo...?

- Bom, não é meu estilo preferido de filme. Mas se você vai ver e eu estou de visita na sua casa... eu vejo!

Mana sorriu, e colocou o VHS pra funcionar. Ao que Közi ficou pensando... bem, ele podia ser "doidão", mas pra isso de relacionamento ele era mais tímido sim. Não gostava de tomar a iniciativa. Não se sentia apto para a maioria das pessoas que desejava... mas... ficou pensando que perguntar a Mana se ele era gay não era ruim...

E cadê a coragem? Havia sumido completamente. Queria perguntar, mesmo que não fosse em relação a si mesmo, mas... como?

Após colocar a fita, Mana sentou a seu lado. Bem a seu lado. Quase colando o corpo no seu.

- Hun, Közi, espero que não se importe... mas esse sofá é meio pequeno, sim?

- Entendo...

Aquela saia... e aquelas pernas delgadas... e aquele cheiro... hun...

- Vou tirar a peruca, se não lhe incomoda! Está começando a me apertar no couro cabeludo.

- Peruca?

- Isso. Meu cabelo de verdade está liso e verde, esqueceu?

Pior que era... com todo aquele "atentado" que seu bilau lhe dera, Közi nem percebera que um cabelo em tamanho médio, e cacheado, em Mana, só poderia ser peruca... em face do que ele via todos os dias.

A história do filme começou. Aquilo de sempre... deserto, tentativa de captura, etc... para Közi, qualquer anime "shoujo" seria mais interessante - e ele nem gostava de "shoujo". Mas Mana... olhava para o filme com uma sede... uma sede de ter algo daquele jeito para si...

Quando o filme foi avançando e o rapazinho do mesmo defendeu a mocinha, ajudando-a a escapar, Mana não eximiu um suspiro romântico.

- Olha, Közi... como eu posso não achar isso bonito...? Ele a protege... ele cuida dela... ele não quer só transar com ela, como a maioria dos homens faz...! Aliás, você deve saber, se já viu o filme... que nem é ele quem toma a iniciativa, né? É ela...!

Mana sorriu e corou de vergonha, sequer conseguindo completar a frase para dizer que "É ela quem toma a iniciativa no sexo". Közi olhou para ele... e pensou que Mana queria alguém assim. Que o protegesse, que lhe desse uma segurança... não só uma "pica dura". Claro que não.

"É claro que eu estou fora de cogitação", pensou afinal, enfarado. "Sou uma coisa punk meio esculachada, como que ele ia querer alguém assim? Mesmo se for gay..."

A história continuava. Mana estava completamente apaixonado pelo enredo que a coisa ia tomando, quando... enfim chega a parte da ilha deserta. Eles ficam sozinhos, somente com um bando de macacos... e aprendem a sobreviver. Só que... a cena. É, aquela cena. Ia chegar afinal...

E o bimbo do Közi, até por ele ser jovem e tudo... mesmo após uma masturbação... ia resistir?

"Pau, fica quieto aí! Dessa vez ele tá do meu lado, não vai dar pra esconder!"

- Olha, Közi...! Eles vão se beijar...!

A mão esquerda de Mana tomou a direita de Közi... e ele mal acreditou. O Mana... estava pegando na sua mão?

E não parou por aí... devagarinho, quase sem perceber, ele foi encostando a cabeça no ombro do colega... e fechou os olhos, enlevado.

- Hun... eu queria tanto que alguém me beijasse assim...

- Que "alguém", Mana...? Tem alguém em mente?

- Alguém que gostasse de mim... que também quisesse cuidar de mim... e me proteger.

- É...?

Se Közi ia dizer algo em seguida, não deu tempo. Os lábios de Mana, os mesmos que ele desejara tanto minutos atrás, se encontraram colados nos seus... e a mão direita dele foi direto para sua nuca.

Os olhos de Mana já se encontravam fechados, mas os de Közi... estavam arregalados, completamente hirtos, sem piscar.

"Cara... ele está me beijando!"

E não demorou muito para que o ósculo se aprofundasse... mesmo sem muita técnica e sem saber muito o que fazer, Mana invadiu a boca do amigo com sua língua... e passou a beijá-lo profundamente.

"Ah, cara... se foi ele quem tomou a iniciativa, então devo continuar, ora! É correr pro abraço, e boa! Ah, tá vendo, nem precisei perguntar pra ele se era gay!"

Feliz por ver Mana o querendo tanto, Közi enfim o enlaçou pela cintura com o braço, e correspondeu ao beijo com ardor. Era claramente mais experiente pra "essas coisas" do que Mana, e portanto sabia guiar os movimentos com precisão. Mana gemeu dentro do beijo, sentindo enfim que seu desejo se transformava em realidade...

As mãos de Közi não demoraram a explorar aquele corpo lindinho e pequeno. Os contornos eram redondinhos, apesar de claramente masculinos. Mas as pernas... os braços... até mesmo a cintura... tudo isso lembrava bastante o corpo de uma mulher.

- Huuuuun, Közi...!

- Gosta do que a gente faz...?

- Muito...!

- Que pena que não tem uma lagoa aqui na sua casa, como no filme...!

Mana riu, e passou a beijá-lo no pescoço, nos ombros... e Közi se surpreendeu em ver aquele rapaz que antes era tão "quietinho", dando agora uma de "safadinho" assim, tão abertamente. Mas era delicioso...

Közi podia ser tímido para iniciar a um relacionamento ou uma transa, mas quando obtinha o consentimento do parceiro ou parceira, se soltava legal. Portanto, vendo que Mana gostava tanto, passou a mão para debaixo de sua saia e apertou a sua bundinha, primeiro de leve, depois com um pouco mais de vigor... hum, ele estava de calcinha... até nisso prestava atenção quando se vestia de mulher!

- Hun, Mana... você parece ser mais gostosinho que muita mulher que nasceu como tal, hun?

- Obrigado...

Já bastante atentado, o rapaz de cabelos verdes sentou no colo do então amante... colocando de propósito a coxa esquerda dele entre suas pernas. E Közi sentiu claramente... que ele estava duro.

"Caraaaaalho, se eu soubesse que ia 'comer bem' hoje...! Não tinha nem me masturbado lá dentro! Eh, bimbo, pode reagir agora! É, mané, agora reage, que agora eu preciso de tu, oras!"

Quanto ao filme, já havia passado a hora da transa do casalzinho, a nova perseguição... tudo. Já tinha passado tanta coisa, e eles nem viram, concentrados que estavam um no corpo do outro.

Közi, ousando ser um pouco mais atrevido, passou a mão para dentro da calcinha dele... e sentiu a entradinha dele latejando de prazer já.

- Aaaahhhh...!

Mana gemeu de forma quase involuntária ao sentir aqueles dedinhos ali, quase o penetrando... mas Közi pensou que precisavam de mais um pouco de preliminares, como talvez um oral, uma lubrificação...

"Caralho, há quanto tempo não faço oral num homem...? Ih, rapaz, nem lembro! Mas eh, eu adoraria chupar o Maninha...! Um tesãozinho gostoso desses...! Mas... é, a gente está indo com tanta sede ao pote, que estamos esquecendo da camisinha! É, cara, por mais que a gente seja amigo, não sabemos se temos doenças ou não... nem planejamos fazer exame nem nada, tão rápido tudo foi...! E eu não trouxe as camisinhas! Nenhuma! Mas que anta!"

- É... Mana... desculpe quebrar o clima, mas... você tem camisinha em casa?

Ao ouvir a palavra "camisinha", Mana simplesmente ficou quieto. Ele, que um segundo antes serpenteava igual uma cobra nos braços de Közi, não parando de beijar e se remexer no colo dele, de repente ficou tão quieto quanto uma estátua.

- Camisinha...?

- É, cara. Sinto muito, não quero chamar você de "puta" nem nada, que eu sei que você não é... mas eu, pelo menos, já transei com tanta gente na vida... e descuidei tanto, cara, desse negócio de exames... que nem sei se tenho alguma coisa. Mas não quero passar pra você... entende?

- Közi... você planeja... transar comigo...?

- Eh, planejar eu não planejava, entende? Mas aí você me beijou, a gente começou a se agarrar... e... bem, é isso que acontece antes de uma transa, não é?

- Oh, Közi, eu dei a entender que queria transar...! É verdade, eu fui muito além do que deveria ter ido...!

Sentindo-se meio vexado, Mana levantou do colo do amigo, desligou o vídeo e sentou ao lado dele.

"Ué, mas se não queria transar... por que me agarrou daquele jeito e até mesmo roçou a ereção na minha perna? Ora, se não queria, por que até mesmo deixou que eu enfiasse a mão na calcinha dele?"

- Er... Mana...

- Desculpe por tudo isso, Közi. Eu no começo só queria te beijar, mas acho que nos "amassamos" demais, não?

- Peraí, não entendi. Mana, você gostou de mim?

- Gostei...! - e nessa hora, seus olhos brilharam de paixão assim como quando assistia às cenas românticas de "Paraíso Azul" - Gostei, e não sabia como lhe dizer isso...! Porém... Közi... eu não queria transar ainda hoje, embora tenha gostado de... de tudo que a gente fez até agora. Tudo mesmo, até... as "mãos bobas" e tal!

E nisso, ele corou de vergonha igual uma mocinha. Közi ficou pensando... e chegou à conclusão de que...

"Ah não, cara, não me diz, não me diz isso, não, por favor...! Isso não, qualquer coisa menos isso!"

- Sabe, Közi... eu queria te contar uma coisa que devia ter contado ainda antes... mas não contei, por vergonha mesmo. Mas acho que agora é a hora...

"Não, cara, não diz...! Não diz, que isso é demais pra mim...!"

- Közi... eu sou virgem!

"PUTZ!"

Nessa hora, o "maluco" teve de se segurar pra não bufar de raiva.

"É, cara, ele é virgem, é cabaço, é claro que é, porra! Um cara que sonha com 'Paraíso azul' vai ser o quê? É claro, o casalzinho do filme também era virgem e tem a primeira vez na lagoa... é tão óbvio! Mas que merda, que merda, que MERDA! Justo um bosta que nem eu, fui escolhido por ele... pra nada menos que a primeira vez? O que ele tem na cabeça?"

- Közi... você não se importa... não é?

- Não, cara... mas é... estranho, entende?

- É, eu sei... a maioria com a minha idade já transou faz tempo.

- Mas cara, né por nada... mas você quer mesmo que... que eu...

- É... eu quero... quero que você me deflore, Közi...!

Céus...! Aquela voz macia, mesmo que masculina... falando tão sinuosamente... "Quero que você me deflore, Közi...!" Oh, o bimbo começava a reagir, e dessa vez de novo na hora errada!

- Mas não hoje...! Não hoje, se é que me entende... eu... não me sinto pronto ainda... viu como eu reagi quando falou de "camisinha", né...?

- É... eu sei... mas cara, deixa eu te falar uma coisa. Eu fico, realmente, muito agradecido... de você ter me escolhido pra isso. Mas... bem... veja. Você sonha com isso de "Paraíso azul" e coisas "shoujo", né?

- Sim...

- Só tem um problema, cara... você pode até ser "shoujo" e tal, mas eu não sou. Não sou, entende? Eu sou um punk maluco, cheio de piercing, tatuagem... fumo, bebo, falo palavrão... e além de tudo, o casalzinho do filminho aí... eles se iniciam juntos e tal... você já deve ter uma ideia de que eu... sou experiente nessas coisas, né? Eu já comi um monte de gente, Mana...

- Eu não me importo... desde que agora tenha mais olhos pra mim. Você tem...?

- Eu...? Claro que tenho, você é lindinho e tal... mas tenho medo de te decepcionar. Até porque a primeira vez... vai marcar você e tal.

- Você lembra da sua primeira vez...?

- Nem lembro! Fiz de qualquer jeito, eu devia ter uns quinze anos...

- Então... se não lembra... pode ter a sua primeira vez de verdade... do coração... comigo.

E em seguida, Mana beijou ao colega de forma tão sentimental... e ele ficou atônito. "Putz, ele acha que eu sou o príncipe encantado e eu sou o ogro, puta que pariu!"

Ainda dentro daquele beijo, Mana encaixou de novo a perna de Közi no meio das suas... e voltou a beijá-lo ardorosamente.

- Hum, Közi...! A gente pode até não transar hoje... mas pode se beijar e se "amassar" mais um pouquinho, não acha...?

- Hn... pode ser...

E assim eles voltaram a se beijar... mas Közi, apesar de estar adorando aqueles beijos, simplesmente tinha de se segurar completamente pra não abaixar a calcinha de Mana e o penetrar... porque afinal de contas, ele já sabia muito bem como era o sexo...!

Ainda mais com Mana ali, roçando a ereção na sua perna... claro estava que Mana, apesar de ainda "não se sentir pronto" pra primeira vez, ao mesmo tempo sentia muito tesão... e tentava aplacá-lo com a perna do amigo. Mas seria aquilo o mais correto...?

"Vamos devagar, Közi", pensou ele afinal. "Devagar, que ele é cabacinho e tal... com o tempo ele vai se soltar mais, mas por hoje, vamos ficar só nisso".

E no entanto, era tão difícil não poder fazer nada... e o pau reagindo afinal, ficando duro de novo... seria tão difícil não gozar com ele ali... mesmo só em amassos!

Mas não foi preciso muito além daquilo. Logo, Közi viu que Mana começou a se remexer em cima dele com mais ardor... e a lhe beijar mais intensamente...

- Huuuun, Közi...! Amour...!

O outro não sabia exatamente o que significava "amour", mas deixou pra lá... porém, no instante seguinte... ele ouviu Mana gemer mais alto, e... sentiu sua coxa ficar melecada.

"Putz...!"

De novo, Mana ficou parado... quieto... e não ousou sair de cima do colo de Közi. Até a hora em que precisou reagir.

- Közi... se importa... se eu for ao banheiro?

- Claro que não, cara... fique à vontade...!

Vexado e tímido, ele saiu de cima do parceiro e foi até o banheiro. Trancou-se lá dentro, e Közi ouviu enfim o barulho de chuveiro sendo aberto.

"Cara, coitado do Mana...! Se descontrolou de tal forma, que gozou só de roçar em mim...! Ah, mas inexperiente é assim mesmo, acontece... mas que coisa, escolher justo a mim? Romântico como é? Bem... se ele me escolheu, acho que devo fazer meu melhor..."

Depois, olhou pra perna, que estava com algum resquício do sêmen dele... e pensou que quando ele voltasse do banho, poderia se sentir constrangido ao ver aquilo. Logo, tomou a uma almofada que havia no sofá e colocou em cima do colo, de forma a parecer casual.

Não demorou muito, e Mana voltou do banho. Estava com o mesmo vestido de antes, porém devia estar com outras roupas de baixo, com certeza. Os cabelos verdes e longos estavam soltos atrás das costas, e aquilo... a Közi... lhe fez lembrar de um termo que aprendera numa das rodas de bebedeira.

"La feé verte"

A fada verde, em francês. Era o símbolo de uma das bebidas alcoólicas mais fortes, o absinto. E Mana, com aqueles longos cabelos... embora fosse uma coisinha esbelta, bonitinha, ainda uma "donzela"... mesmo assim, mesmo naquela inocência ainda presente, mesmo assim o beijo dele... era quase tão inebriante quanto o absinto que Közi um dia ousara tomar.

Calmo porém ainda envergonhado, Mana sentou ao lado de Közi e lhe disse, num sussurro quase inaudível:

- Desculpe.

- Pelo quê?

- Por ter me descontrolado a ponto de... ter acontecido o que aconteceu.

- Ah... que nada, acontece!

- Espero que tenha paciência comigo. Deve ser chato lidar com uma pessoa inexperiente assim...

- Eh, que nada! Todo mundo já foi inexperiente um dia, né...? E eu mesmo... minhas transas nunca foram de grande qualidade. Sabe como é, em rodas de gente até meio porca... ih, cara, precisa de ver!

- Tudo bem. Mas... você deve estar... precisando de alívio também... né?

Aquela frase, dita daquela forma "quietinha", envergonhada, e no entanto fazendo alusão a algo que Közi queria tanto...

- É... mas cara... a gente não ia ficar só nos amassos hoje?

- Ia... mas acho... que tem algo que eu posso fazer por você...

O coração de Közi saltou no peito. Céus... o que ele ia fazer?

- Közi... - continuou ele, ainda claramente envergonhado - É difícil masturbar a outro homem?

"PUTZ!"

Era aquilo. Mana queria "bater uma" pra ele. Parecia um sonho, de tão bom. Parecia inverossímil! Mas enfim... ele tinha que responder...!

- É... não é não, cara. É fácil. É como se fosse em você... difícil é fazer em mulher, que a gente não conhece direito... mas em homem é bem fácil.

Mana sorriu, se inclinou sobre ele... e suas mãos foram para a braguilha de sua calça.

- Közi... você me desculpa se eu não fizer direito... tá bem? Mas eu vou tentar...

- Er, cara... se não quiser... não precisa fazer. Só pra se sentir na obrigação de me "aliviar". Não precisa...

A expressão de Mana foi de espanto.

- Você... não quer que eu faça?

- Eu quero, cara, como quero...! Mas tenho medo de você fazer sem querer...! Só pra me agradar...

A apreensão do semblante de Mana se desfez num sorriso gentil.

- Mas eu quero... se não quisesse, não me oferecia...!

- Bem, então... se quer... pode fazer...

O rapaz de cabelos verdes continuou sorrindo... e então, ainda um pouco tímido, abriu a calça do amigo... e passou a mão pela ereção dele, ainda por cima da roupa de baixo.

- Huuunnn... não é tão difícil... eu pensei que ia ficar com vergonha, mas não...!

E, sem mais delongas, retirou o membro dele de dentro da cueca... e passou a fazer os movimentos de vai-e-vem nele.

- Uuuunnn, Mana...!

- Gosta assim...?

- "Gostar" é tão pouco...!

- Não minta só pra me agradar...!

- Eu não minto...! Uuuunnn, Mana, que mãozinha gostosa...!

O outro sorriu, e passou a lhe masturbar com mais intensidade... fechou os olhos e o beijou na boca, e a Közi só restou aproveitar o momento... hun... melhor do que simplesmente uma dose de absinto ou de qualquer outra bebida inebriante da qual ele gostasse.

Enquanto continuava a desempenhar o serviço, entre mais beijos, Mana lhe disse algumas palavras numa língua que Közi não entendeu muito bem qual era... porém que lhe lembraram bastante aquele termo do qual lembrara antes... "la feé verte".

Talvez aquilo fosse francês... porém, o ânimo de Közi no meio daquela estimulação não estava muito propenso a raciocinar... apenas mordeu os lábios de prazer e começou a passar a mão pelo corpinho bonitinho do amante... não resistiu a pegar de novo naquela bundinha, mesmo que por cima da calcinha... e Mana pareceu não se importar.

Passaram algum tempo assim, Közi sequer acreditando que suas vontades se realizaram quase todas tão rapidamente... e quando chegou perto do orgasmo enfim, gemeu pra Mana ouvir... agarrou a bundinha dele e gozou em sua mão, sendo beijado mais uma vez nos lábios, ouvindo de Mana alguns "Je t'aime" junto.

Após o clímax, ele ficou ali, a cabeça estendida no encosto do sofá, os olhos fechados... até que Mana lhe disse:

- Amour... eu vou lavar a mão. Já volto.

- Ah, sim...

Enquanto o parceiro ia lavar a mão, Közi guardou as "coisas" dentro da calça, fechou a braguilha e se comunicou de novo em pensamento com o "amigo":

"E aí, bimbo? Feliz? Acabou sendo satisfeito hoje de qualquer maneira, né? É. Agora por hoje já chega, né? Fica quieto aí agora!"

Quando o outro voltou, abraçou a Közi no sofá... e ambos ficaram ali, de olhos fechados, juntos. Közi estranhou aquilo... pois nunca havia "ficado abraçadinho" com alguém após algum contato sexual.

- Espero que tenha sido bom pra você... - disse Mana, a cabeça encostada no ombro do amante.

- Ahn...? Ah, cara, foi sim! É, foi bastante... foi bem gostoso. Você leva jeito, viu?

Mana sorriu.

- A gente vai se encontrar mais vezes, não vai...? Gostou de mim, não gostou?

- Ah... gostei sim, cara. Vamos sim, é... é só combinar, tá?

- Hun... Közi... vai ficar comigo, não vai?

Enquanto disse aquilo, o rapaz de cabelos verdes se aconchegou no colo do companheiro... e Közi começou a pensar o que Mana queria dizer com aquilo de "ficar com ele".

- É... vou sim, claro que vou...

- E vai me amar bastante, não vai...?

Pronto. Aquilo era demais pra Közi, que era, pra variar, maluco, fumante e nem um pouco romântico.

- Bem... eu gosto muito de você, Mana. De verdade. Você é um cara especial, é sim...

Mana sorriu, e se aconchegou mais ainda a ele.

- Quer que eu faça um almoço pra gente...?

Közi se sentia meio estranho em relação àquilo, mas aceitou pra não fazer desfeita. Enquanto Mana se levantou do sofá pra fazer a comida, o outro ficou pensando... no que fazer. É, porque ele estava se apegando... e aquilo não era legal.

Tomou o vídeo de "Paraíso Azul", guardou de novo na prateleira de filmes... e tentou conversar sobre o album do Iron Maiden que Mana tocara horas antes. Mas como...? Como encetar uma conversa decente após... tudo aquilo?

Após o almoço, Közi disse que precisava ir pra casa se arrumar... pois logo eles entrariam no serviço. Mana assentiu, dizendo que também precisava se arrumar.

- Afinal, não posso ir trabalhar de mulher...!

- Verdade! Aí, Mana, nos vemos lá, tá?

- Tá bom.

- Só uma coisa... aquelas coisas que você me falava... eram em francês?

- Ah, sim! Claro, eram sim... é que uma vez eu escutei um "pop" de uma cantora francesa chamada Mylene Farmer, e adorei o som da língua... logo, adoro falar coisas em francês!

- Sério? Conhece a expressão "La feé ferte"?

- Claro...! Absinto.

- Você pode ser a minha fada verde, se quiser...!

Mais uma vez, Mana corou feito uma menina.

- Eu quero sim...

- Bem, preciso ir lá. Té daqui há pouco!

- Até... amour!

- O que significa "amour", cara?

- É "amor" em francês.

- Ah, sim...! Até!

Eles trocaram um selinho antes de Közi ir embora. Em casa, após fechar a porta, Mana só faltou pular de alegria... pois havia enfim conseguido se declarar pro Közi.

E Közi também estava feliz... porém completamente atordoado em pensar que fora para a casa de Mana apenas com a finalidade de entregar alguns discos, e acabou saindo com muito mais.

To be continued

OoOoOoOoOoOoO

Coloquei na fic que Közi teria dificuldades de saber o que seria "amour" porque em japonês amor é "ai", logo não muito parecido com a forma em francês, ao contrário do que ocorre com o português, que também é língua derivada do latim.

Rs!

No mais, acham que fui muito rápida? Eles pularam pra "safadeza" muito cedo? Rs! É que geralmente demoro em média 7 caps pra colocar o "lemon" em longs... rs!

E a parte do Mana ter começado a gostar de francês por causa de Mylene Farmer também é verdade. Rs!

De qqr forma, beijos a todos e todas!