Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles e morro de ciúmes.

MUNDO MODERNO

Chiisana Hana

Beta reader: Nina Neviani

Capítulo II

– Ehr... quem são vocês? – pergunta Tatsumi, olhando ao redor, tentando achar uma brecha para fugir.
– Não disfarça, não! Você sabe quem somos! Nós somos os cavaleiros de bronze! – Seiya diz, estufando o peito.
– Hã? Não conheço ninguém com esse nome.
– É. E eu era Antena, digo, Athena. Preciso parar de cheirar. Ei, espera aí! Esse aí é o cara que viciou em cocaína!
– Eu? Não! O que é isso? Não fui eu não – defende-se o ex-mordomo.
– Foi sim! Você espalhou cocaína no meu cavalinho de pelúcia! Você sabia que eu dormia cheirando ele!
– Cavalinho de pelúcia? Não sei de nada.
Os cavaleiros partem para cima de Tastumi e após uma rápida surra, ele confessa:
– Tá, tá! Fui eu, mas eu não fiz porque quis! Eu fui obrigado!
– Ah, e quem vai acreditar nisso? – pergunta Seiya.
– Eu juro!
– E quem foi que te obrigou, careca sem vergonha? – Ikki pergunta, já com o punho erguido na direção de Tatsumi.
– Ah, se eu contar ele me mata!
– Se não contar, a gente te mata! – responde Ikki.
– Ok, não tenho escolha. Foi o Jabu!
Os cavaleiros caem na gargalhada.
– Conta outra, Tatsumi! O Jabu não fal mal nem a uma mosca – diz Seiya, ainda rindo bastante.
– Juro que foi ele.
– Fala a verdade, Tat! Ai, gente, eu odeio mentira – Natássia/Shun fala, abraçando Hyoga.
– Tá, não foi o Jabu. Foi o Julian Solo. Ele vai me matar.
– Julian? Como assim? – todos perguntam.
– É, foi ele.
– E como foi que ele te forçou a drogar Saori? Apontou o tridente pra você? – Hyoga pergunta.
– Ameaçou te agarrar e te levar para o fundo do mar? – agora é Natássia/Shun quem pergunta.
– Ele descobriu uma coisa, e se eu não fizesse o que ele mandou ele ia espalhar.
– Hum, que tipo de coisa? – Shiryu pergunta, coçando a testa insistentemente.
– Não posso contar!
– Conta logo! – Ikki ameaça, já com o punho apontado novamente para Tatsumi.
– Tá bom. Eu tenho um... um... um...
– Fala logo!
– Um vestido de Athena – sussurra Tatsumi, quase tendo um ataque cardíaco.
– E como foi que o Julian descobriu isso? – perguntam os bronzeados, após alguns minutos de sonoras gargalhadas.
– Bom, ele me viu vestindo o dito cujo.
– Vai me dizer que você também tem uma peruca de Saori? – Shiryu pergunta, tentando imaginar a cena.
– Erh... tenho.

Todos caem na gargalhada de novo, exceto Saori, que agora está empenhada em convencer um dos seguranças de Shiryu a ir num cantinho fazer coisas obscuras com ela em troca de uma graninha.
– Ele me viu ensaiando para o show que eu faço numa boate gay.

– Bem vinda, colega! – diz Shun/Natássia, dando um tapinha na mão de Tatsumi. – Mas Tat, eu nunca imaginei, viu? E olha que eu tenho um sexto sentido ótimo!
– Escuta, você faz esse show aí com o báculo na mão? – pergunta Seiya, muito intrigado.
– Bom, sim, mas é um báculo de plástico. Eu fico segurando ele enquanto canto.
Mais uma crise de riso dos rapazes.
– Gente! Não riam da minha colega! Bom, ainda não é efetivamente uma colega, mas você vai operar também, né, Tat?
– Eu, hein!
– Tá bom, Tatsumi. Você faz show em boate gay, mas isso é motivo pra você chegar ao ponto de drogar a Saori? – pergunta Shiryu.
– É? Bastava você servir um café com veneno para o Julian – diz Seiya, ainda rindo ao imaginar Tatsumi de vestido e peruca.
– Eu não pensei nisso. Foi tudo muito rápido. Ele apareceu na mansão, me deu o pó e falou que se ela não estivesse totalmente viciada em um mês ele espalharia que eu danço de vestido na calada da noite. Imaginem! O mordomo da família Kido na lama! Ia ser terrível! Eu não podia deixar acontecer uma coisa dessas. Mas acabou indo tudo por água abaixo. Como eu ia adivinhar que a Saori ia perder toda a fortuna?
– Parem com esse lengalenga. A questão não é essa, galera. A questão é: por que o Julian queria viciar a Saori? – argumenta Shiryu.
– É mesmo! Por que será? – Seiya responde.
– Não faço a menor idéia. – diz Hyoga.
– Vocês são tontos mesmo! – grita Tatsumi.
– Quer morrer, Tatsumala? – Ikki retruca, já com o punho apontado na direção do mordomo.
– Não, não.
– Deixa ele falar, esquentadinho – Shiryu diz, segurando o meio–irmão.
– É óbvio! Ele queria transar com ela. Não é, Saori?
– Não... Não faz sentido. O Julian não arquitetaria esse plano só pra isso. Ela nem deve ser tão boa de cama assim. Tem alguma coisa por trás disso – Shiryu diz, bastante pensativo.
– Hum, por trás! Ai, ai. Por trás é bom – Natássia/Shun responde, suspirando.
– Ah, Nat, lindinha, não fala essas coisas aqui.
– Ai. Hyoguinha, é que eu não resisto.
– Eu vou bater nele, quer dizer, nela! – diz Ikki, tentando se controlar.
– Chega! Parem com isso! Vamos pegar o Julian! Temos que salvar Saori! – Seiya grita.
– Temos mesmo? – diz Shun.
– Ah, de novo não. Há dez anos eu não ouvia essa frase! E estava tão bom! – retruca Shiryu.
– Gente, ela é Athena! – Seiya tenta argumentar com os meios–irmãos.
– E daí? Quem se importa? – Hyoga diz sem pestanejar.
– Será que eu vou ter que ir sozinho? – Seiya pergunta, implorando ajuda com o olhar. – Sem vocês, eu não vou conseguir.
– Olha, vamos logo salvar essa vagaba aí das garras do Poseidon – diz Ikki, imaginando se Julian ainda teria o tridente de ouro, afinal ele renderia uma boa grana no mercado negro.
– Tá, tá, a gente vai em nome dos velhos tempos – diz Shiryu, olhando para Shun e Hyoga.
– Então vamos pegar as armaduras! – Seiya berra, empolgadíssimo.
– Ah, isso não vai ser possível. A minha armadura não cabe mais em mim depois que botei o silicone. – diz Shun. – Além disso, acho horrível aquela tiara com chifrinhos.
– Deixa de frescura, Shun! – Seiya diz.
– Aê, Shiryu, os chifrinhos da sua armadura combinam com você mais que nunca, né?
– O que você quer dizer com isso, Ikki?
– Nada, nada.
– Tatsumi, onde é que podemos encontrar o Julian? – Seiya pergunta.
– E eu lá sei? Ele é quem vinha me entregar a droga. Mas a Saori deve saber.
– E cadê ela?
– Está ali atrás da árvore com um segurança nosso! – diz Shunrei, visivelmente enciumada.
– Alguém puxe a Saori de detrás da árvore! Precisamos dela para achar Poseidon.
– Pode deixar comigo! – diz Shunrei, fuzilando Saori com o olhar e partindo para cima dela, para em seguida, puxá–la pelos cabelos.
– Ei, calma aí! Isso dói, sabia?
– É pra doer mesmo!
– Psiu, chinês gostosão, tá me devendo cinquentinha. Tá pensando o quê? Não é de graça, não! – Shunrei puxa o cabelo dela com mais força. – O que é isso? Eu sou da paz! Shiniú, digo, Shiryu! Olha o que a sua mulher está fazendo comigo! Ela está querendo arrancar meu cabelo!
– A Shunreizinha? Meu anjinho de candura? Não, não, Saori. Ela está apenas sendo enérgica.
– Quê?
– Aaaah! Parem com isso! – Seiya berra. – Saori, você tem que usar seu cosmo para achar o Julian.
– Cosmo? Será que a droga não consumiu tudo?
– Vamos descobrir agora. Concentre–se, Saori!
– Concentrar? Como é que eu posso me concentrar sem meu pó? Me dê pó que eu concentro o que você quiser.
– Eu posso arrumar pó pra ela – Ikki se oferece, sempre com segundas intenções, já imaginando aproveitar para assaltar a boca de fumo do traficante.
– Ikki! Nós queremos tirá–la do vício e não deixá–la mais viciada ainda! – Shiryu grita, indignado.
– Calma. Tudo bem, não arrumo droga. Tive uma idéia. Olha, vagaba, o Julian vai dar mais pó, mas isso somente se você conseguir encontrá–lo. É um jogo, sabe?
– Mais pó? Aaaaaaaaaah – ela diz, com os olhinhos brilhando. – Hum... eu posso farejar o pó. Estou sentindo. Estou sim! Por que não me disseram antes que eu podia farejar o bagulho com esse tal de cosmo? Ia ser tudo muito mais fácil! É para lá – ela diz, apontando o lado direito e andando com um ar determinado. – Sigam–me os bons!
– A que ponto ela chegou! – Shun/Natássia exclama.
– Ela podia ser contratada pela polícia como vagaba–farejadora! – diz Ikki.
– Eu tô liberado, né? – Tatsumi pergunta.
– Nada disso! Você vai com a gente! – Seiya responde, segurando Tatsumi pelo braço.

Todos seguem Saori até chegarem a um hotel caindo aos pedaços.
– Então ele está aqui, Saori? – Shiryu indaga.
– Sim, mas peraí! É aqui que eu moro! Gente! Será que esse Lulian, digo, Julian, é o dono da espelunca?
– Parece que sim.
– Não deve ser não. Ele disse que o nome dele era Popeidon, Pomeidon, qualquer coisa assim! O pó confunde a gente, sabe? Como eu não consigo falar isso nunca, ele deixa eu chamá–lo só de Pô–Pô.
– Vamos entrar e quebrar tudo! – Seiya grita, dirigindo–se até a entrada do motel.
– Aí ele ouve o barulho e foge, né, inteligência! – Shiryu responde, segurando Seiya.
– Ops...
– Vamos entrar discretamente, como se fôssemos clientes – Hyoga diz.
– Assim não tem graça. Eu quero é baixar o cacete em todo mundo.
– Você e seu instinto animal, né, Ikki? Deixem isso comigo. Entrem comigo, mas fiquem calados. Eu falo com a mulher da recepção.

Lá dentro...
– Oi... – Hyoga diz para a recepcionista, insinuando-se. – Eu queria um quarto com uma cama bem resistente, sabe? Somos modernos, liberados. Vamos todos juntos.
– Moderno? Liberado? Você quer dizer boiola? – revolta-se Ikki. – Eu não sou boiola, não! Vou matar você, Hyoga!
– Fica na tua, Ikki... É só pra gente entrar numa boa – Hyoga responde sussurrando.
– Não quero saber!
– Ei, você não é o cara que fez aquele filme "Geladinho é Mais Gostoso"? – a recepcionista pergunta.
– Sou sim! Você viu?
– Várias vezes! Você tem um talento enorme... – diz a mulher, mordendo os lábios. Pode entrar com a sua turma. Quarto dez, fofinho. Na saída, eu quero um autógrafo.
– Claro!
– Aiiiiiii, o negócio vai ser bom lá em cima! – anima-se a mulher.

No andar superior...
– Pronto. Já estamos aqui em cima e agora? – Seiya questiona.
– Saori, consegue sentir em que quarto ele está? – Shiryu pergunta.
– Claro né? Gente, é o doooono do hotel! Só pode estar no quarto VIP! Ele vai me dar mais pó?
– Vai, vai! Shunrei, fica aí. Nós vamos pegar o Julian.
– Ah, não, Shiryu! Não dá pra deixar um homem pra... pra... pra tomar conta de mim? Sou uma mulher indefesa.
– Está bem, meu amor. Shun, fica aí e toma conta dela!
– Ah, o Shun não! Ele não tem mais o que me interessa.
– Como? – Shiryu pergunta intrigado.
– Eu disse 'por que não se apressa?'. Vai lá pegar o Julian, amor, vai. Vai você também, Shun. Eu fico bem sozinha – diz ela, enquanto pensa: "Será que o Shiryu está ficando esperto?"
– Saori, vai lá e bate na porta pra ver se ele abre.
– Sim, Meia, digo, Seiya! Pô–Pô! É a Saroio, digo, Saori. Abre aí! Eu vim pagar o aluguel!
– Ah! Chegou em ótima hora! Estou mesmo precisando de você – diz Julian, antes de abrir a porta. Quando a abre: – Vocês? O que fazem aqui? Não estavam aposentados?
– Queremos ter uma conversinha com você – Seiya diz. – Pode ser ou tá difícil?
– Ai, lá vem problema...

Continua...