Saí correndo pelo estacionamento e me deparei com o menino encolhido no chão, chorando. Seu rosto estava vermelho e seus sapatos haviam sumido, roubados claro. Notei também uma mancha vermelha no chão, e reconheci... Sangue.

"Meu Deus, Kurt!", corri até o menino e me ajoelhei ao seu lado, " Kurt, fala comigo, Kurt!". O desespero tomou conta de mim, então peguei Kurt no colo e o coloquei cuidadosamente no banco do passageiro do meu carro. Corri até o hospital, e ao entrar, um grupo de enfermeiras já o colocou na maca e o levaram até uma sala para fazer uma série de exames.

Um médico baixinho de cabelos pretos entrou na sala depois que os exames terminaram. Notei que segurava uma seringa, virei para Kurt e ele também tinha notado, seu rosto estava completamente branco.

" Ok, eu verifiquei todos os exames e você parece estar bem Sr. Hummel"

" Então o que seria está seringa?", Kurt perguntou completamente paralisado.

" Eu vou ter que te dar uma dose de vicodin, pois vários de seus músculos foram muito afetados e você provavelmente não vai conseguir nem sair da cama se não tomar nenhum remédio".

" Eu não preciso sair da cama amanhã, certo Sam? Ok, então já estamos indo", segurei Kurt quando ele começou a se levantar.

" É claro que você precisa, Kurt! Qual é, é só uma agulha".

" Eu.. eu tenho medo de agulhas...", Kurt sussurrou em meu ouvido e eu tive que abafar um riso com a mão.

" Não é engraçado!". Caramba, o soco do Kurt dói mais do que um do Karofsky!

" Não se preocupa, Kurt. Eu vou ficar aqui com você o tempo todo", segurei sua mão e acariciei-a com meu polegar.

" Já posso?", perguntou o doutor.

"Pode", Kurt apertou minha mão com força enquanto o médico furava seu braço. Minha mão começara a dor quando ele finalmente terminou a dose do remédio. Kurt estava quase chorando.

" Não foi tão...", parei de falar quando vi o olhar assassino que Kurt me dava.

" É só isso, você já pode ir pra casa!", Kurt parecia realmente aliviado quando o médico saiu da sala.

" Sam, eu não sei como te agradecer", apesar do leve sorriso de Kurt, pude perceber a tristeza em seu rosto.

" Não precisa me agradecer, eu apenas trouxe você pro hospital", percebi que Kurt ainda segurava minha mão, que começara a ficar suada. " Eu sinto muito pelo que aconteceu, vou ligar para seu pai e contar tudo", antes que pudesse discar o número, Kurt já havia puxado o celular da minha mão.

" Não! Quero dizer, ele vai ficar muito preocupado em saber que estou no hospital, vai pirar! Deixa que eu conto pra ele quando chegar em casa", seu rosto continuava triste e eu senti que tinha que fazer alguma coisa...agora. Assim levei minha mão até seu queixo e levantei seu rosto, para que pudesse olhar em seus olhos.

" Kurt, aqueles caras do futebol são uns idiotas, vão acabar trabalhando pra você um dia", Kurt riu e suas bochechas ficaram vermelhas.

" Você é do futebol..."

" Mas eu sou um idiota muito charmoso!", Kurt riu e me agradeceu de novo.

Depois de preencher um monte de fichas na recepção, fomos até meu carro, para que pudesse deixar Kurt em casa. Não dissemos nada durante a viagem, apenas ouvimos alguma música no rádio e o som da chuva do lado de fora. Chegamos a casa de Kurt e este tirou o sinto.

" Você quer entra? É o mínimo que eu posso fazer...", vendo o rosto tristonho na minha frente, não pude negar: "Claro, por que não..."

A casa de Kurt era pequena, mas exageradamente arrumada, com cheiro de alvejante. Acompanhei o menor até o porão, que imaginei ser o seu quarto. Esse cômodo também era muito arrumado e branco, nem um pouco parecido com a minha casa. Kurt se adiantou e sentou na cama, com um gemido de dor, que não passou despercebido por mim.

" Eu te ajudo!", fui até o menino e segurei suas costas, puxando-o para que ele pudesse se deitar. Sentei ao seu lado e apenas o observei: o olho direito estava roxo e ficando cada vez mais inchado. Tinha um corte no lábio inferior, mas sabia que havia muito mais por baixo da camisa.

" Kurt... tira a camisa". O menor pareceu assustado com meu pedido, " Não se preocupa, não sou nenhum tarado. Apenas tire-a". Kurt levou as mãos até a camisa e a puxou pela cabeça. Meus olhos pararam em seu peito nu...

"Kurt...", apenas um sussurro saiu da minha boca, "Meu deus".