Capítulo 002 – Luzes em uma Avenida Vermelha

Era uma avenida meio deserta, apesar de ter uma parte que tinha uma perfeita visão para o mar e de se localizar no exato centro da cidade. Nela estava um robô de cor cinza-metálico, que refletia o grande brilho da Lua minguante. Mas as pessoas o observavam por outras coisas: Seus olhos estranhos, não era nada comum ver alguém com um cristalino negro e uma íris verde. Seu braço direito, pois ninguém havia visto alguém com uma metralhadora no braço. E seu olhar psicopático, que, combinado com a foice em suas costas, assustava qualquer um.

Mas ele não entendia muito, por que todos o olhavam assim? Por que todos o tratavam com diferença, coisa que ele achava idiotice? A única coisa que ele podia deduzir era que todas as criaturas que se julgavam comuns, eram na verdade um bando de idiotas.

Ele acabou sentindo um leve dano em sua perna, o qual não iria permitir que ele andasse muito mais. Tinha de descansar por um tempo, mas ele não queria, tinha que prosseguir até que encontrasse seu chefe e pudesse matá-lo. Mas ele analisa a situação e vê que sem um descanso, ele não teria condições nem de arranhar um inocente direito, ainda haviam energias para caso algo acontecesse, então por que ele iria gastar aquilo a toa?

- Ei mãe, por que os olhos daquele cara são amarelos e, tão, estranhos? - Diz um pequeno filhote de um diferente estilo de besouro: Um chifre com o formato de um machado de duas lâminas, apesar de bem incompletos. Dois cascos roxos e grandes, com saída para mais quatro cascos menores da mesma cor.

- Não se aproxime dele! Ele parece muito perigoso, e, a cor que vejo é verde e não amarela, ainda precisa estudar mais. - Diz uma adulta da mesma espécie, provavelmente sua mãe. Ela estava um pouco amedrontada com aquele robô, como todos os outros.

- Mas, os olhos dele são muito legais!

- Bata na sua boca, filho, você não sabe nem o que isso pode ser!

Nubobot se cansa de assistir aquela luta, mas não suportava nem olhar para a cara daquela mulher, induzindo seu filho a ser idiota como ela. Ele vira seu rosto assassino para ela, apenas o rosto, o corpo continuava do mesmo jeito.

- Idiotas, tentando distinguir a personalidade de uma criatura pela aparência. Esse tipo de gente deve morrer.

- O que você disse?! - Diz ela, se assustando ainda mais.

- Não estava falando com você, sua inútil.

Ela imediatamente retira uma estrela dourada de seu casco pelo interior, então aperta um botão que faz ela afastar todas as pontas umas das outras. Aquilo se revela ser um telefone, então a mulher aperta três botões e começa a conversar, provavelmente com a polícia.

- Agressão verbal aqui na Av. Vermelha! Por favor, ajudem!

Nubobot olha aquilo com um grande desprezo, só podia pensar pior, bem pior. Ele resolve treinar um pouco, mirando rapidamente o seu canhão na estrela, e disparando uma fraca rajada de energia laser. A estrela explode na hora, deixando a mulher ainda mais chocada e sem reações.

- Av. Vermelha? Interessante, parece que ela vai ficar ainda mais vermelha.

O robô olha, então, para o pequeno filhote que estava do lado de sua mãe, sem entender nada do assunto. Em um ato rápido, ele mira o seu canhão nele, o que faz a mulher gritar de medo de que algo aconteça com seu filho.

- Não vou matá-lo, ele é apenas uma criatura pequena sofrendo pelos atos ridículos da sua geração anterior, não merece morrer. Esqueci de avisar, seu grito é ridículo.

No mesmo instante, chega um animal estranho com uma roupa de policial, provavelmente um deles, ele aparentava ser um tigre. Bem musculoso, com uma arma comum e uma corrente no seu bolso. Ele chega já preparado para algo, pelo fato de ter escutado o grito da mulher e a mensagem também.

- Minha senhora, ouvi seu recado, detalhe o que aconteceu para mim fazendo um favor.

- É, é, é, esse... Quer dizer, essa criatura me chamou de inútil, e, está apontando uma arma para meu filho!

- Tudo que afirmo é que tenho dó dele, obedecendo alguém que vai abandoná-lo um dia.

- Cale sua boca e mãos para o alto! Você está preso por agressão verbal e porte ilegal de armas! Levante suas mãos agora!

- De que adianta a prisão? Sair de um mundo chato e entrar em outro. Você acha que vou perder meu tempo, indo para um lugar onde explodirei em poucos minutos?

O policial percebe que não estava conversando com alguém comum, pelo menos no conceito dele. Ele também pega uma estrela dourada, - a qual Nubobot rapidamente percebe que era blindada – e começa a gritar, aparentemente chamando algum reforço.

- Explodir?! Contato, contato, terrorista na Av. Vermelha! Repito, terrorista na Av. Vermelha! Chamem todos os reforços possíveis, junto com muita cautela! Elemento perigoso, nível terrorista, na Av. Vermelha!

- Chamar mais gente para morrer? Sabia que vocês eram idiotas, mas não tinha noção de quão ilógicos são!

Nem o filhote, que não estava mais ligando para aquilo, estava gostando daquela situação. Ele puxa sua mãe pelo braço, com uma cara preocupada, provavelmente já teria ouvido falar de "morte" e sabia que não era nada bom. Mas ela ainda não tinha reações, eram palavras frias demais, nem conseguia ouvir aquilo direito de tanto medo.

- Mãe, o que está acontecendo?

- Eu já suspeitava, aquele cara é um monstro!

- Não entendi mãe, monstro?!

Nubobot se vira novamente para a mulher, dessa vez com uma cara de raiva. Ela não liga mais para não desmaiar, pois o medo já estava começando a, literalmente, tampar veias e artérias dela.

- É melhor ficar quieta! Monstros não tem alma, muito menos medo de matar!

Aquilo foi o suficiente para fazê-la suar, não por si própria, sim pelo seu filho que aparentava ser outro alvo do robô. Rapidamente chegam os reforços: Vários carros cercam o caminho de Nubobot de todos os lados. Dois helicópteros de lados opostos aparecem. O local fica extremamente iluminado, a ponto de apenas o robô poder enxergar tudo.

- Renda-se! Você está cercado por terra, céu e mar! Renda-se enquanto tem tempo, porque depois será tarde! - Grita um policial dentro de um carro que estava na frente de Nubobot.

- Acham mesmo que carros equipados com pistolinhas d'água vão me fazer tremer? Vocês já me provaram que são idiotas e ilógicos, obrigado. Agora façam o favor de calar a boca.

- Do que está falando?! - Pergunta o tigre policial, entendendo cada vez menos o que o robô dizia.

- Eu mandei calar a boca!

Nubobot, que ainda estava com a cara virada para a senhorita, simplesmente vira sua arma para a direção do policial e dispara uma bala de metralhadora em sua perna. Após isso, ele dá um sorriso maléfico e observa a dor do tigre, merecida por ele não o ter obedecido.

- Sorte a sua que estou de bom humor, poderia ter atirado em sua boca.

- Maldição! Não posso me mover, acho que a única coisa que restou é...

- Atirar? Perdeu a oportunidade. - Interrompe Nubobot, que se localizava atrás do policial. Ele havia retirado a arma das mãos do policial silenciosamente. Então, em sua frente, esmagado-a com as próprias mãos.

- Peguem! Peguem! Ele não é um cara fácil! - Exclama outro policial, que estava fora do carro correndo atrás do robô.

- Pra que insistir em algo que você nunca vai conseguir, algo já perdido?

- Não está perdido, vamos fazê-lo se arrepender de tudo que fez!

- Arrependimento? Vou anotar. Agora, qual é seu próximo pedido, hã? - Retruca o robô, ironicamente.

Por mais que estivesse atento, eram vários policiais e Nubobot não podia prestar atenção em todos. Então um deles acaba pegando seus dois braços por trás, surpreendendo-o um pouco, mas sem mudar sua opinião de que nada daquilo seria o suficiente.

- Te peguei, robô miserável! - Exclama o felizardo policial.

- Parabéns, você vai ganhar seu doce depois.

- Heh! Falei ou não falei que iríamos te pegar?! Agora você se... - Aquele policial foi interrompido pelo grito de seu colega, que estava recebendo uma descarga de energia elétrica no atual momento.

- Que bando de incompetentes, usem algo que lhes protejam de eletricidade e evitem constrangimentos.

- O que é você?!

- Pare de machucar policiais, por favor, isso só vai aumentar a sua sentença! - Grita outro policial, dessa vez essa voz surgia do alto, provavelmente de um dos helicópteros.

Absolutamente todos os policiais estavam chocados com os truques do robô, eles pensavam em como vencê-lo, mas nunca obtinham uma resposta com chances suficientes para ser tentada! Também imaginavam, que tipo de terrorista, ou até mesmo monstro era aquele. Seu poder era surpreendente, não era comum ver um inimigo assim, pelo menos não para aquele tipo de policial.

- Acabaram de me chamar de monstro, não tenho outra coisa a pensar, devo ser realmente isso para vocês.

Por mais cruel que ele parecia, a besoura não estava mais se importando com isso. Ela tinha visto uma certa inocência nos olhos dele. Talvez ele estivesse fazendo isso sem querer, ou pior, sem noção do mal que provocara.

Mesmo assim, os policiais não pensavam desse jeito. Mais reforços chegavam tentando, miseravelmente, derrotar o robô ou pelo menos amedrontá-lo. Nenhuma dessas duas coisas acontece, pelo contrário, isso só o deixa mais entediado.

- Mais gente? Isso iria ser show, mas não tenho tempo para isso, uma pessoa em especial deve ser eliminada agora.

- Você é, um, assassino?! - Pergunta o policial que estava na frente do robô, seu medo não parava de aumentar enquanto estava na vista dele.

- Mas como são burros... Quando vão acertar? - Ao dizer isso, ele começa a carregar energia em seu canhão. Os danos não seriam pequenos, já que até uma contagem era necessária. - Carregando em 5, 4, 3...

- Não perceberam que ele vai atirar?! Se segurem!!!

- ...2, 1... FOGO!

Nubobot rapidamente se vira para o helicóptero mais longe de si e dispara: era algo impossível de desviar sem tomar dano, uma rajada extremamente grande de raios laser, algo que toma o helicóptero inteiro e ainda afeta mais três carros que estavam próximos uns dos outros. Após ver que o elemento voador já tinha virado fumaça, ele abaixa um pouco o seu canhão para que acontecesse o mesmo com os carros, cumprindo seu objetivo.

Já estava pronto para fugir: havia um quarto carro um pouco distante daqueles três. Ele estava intacto, e o policial parecia ser apenas mais um merdinha, chances melhores que aquela seriam raríssimas! Então ele vai atrás daquele carro silenciosamente e espera um tempo. Quando vê que era a hora, ele quebra o vidro do lado do motorista, pega o policial que estava lá e o joga para fora do carro com força, para que sangrasse bastante mesmo. Então entra no carro: realmente simples, bancos com alguns sinais de balas de revólver e uma tela de dezenove polegadas no banco de trás, - que chamava muito a atenção. Ela se liga sozinha, com a imagem de uma arraia com parte do rosto tampado, provavelmente um delegado por causa de seu uniforme preto, cujo é utilizado apenas para esse emprego.

- Hah! Agora você se deu mal, está preso! - Era o som que saía da tela, meio distorcido por motivos desconhecidos.

O carro começa a ser envolvido por um metal bem resistente pelo lado de fora, mais uma das armadilhas dos policiais querendo capturar Nubobot. Passam-se alguns segundos e o tal delegado estava se vangloriando: Tantos incompetentes trabalhando, e ele, apenas ele estava conseguindo capturar o robô! Apenas ele!

Mas toda a alegria dura pouco: Nubobot já estava dentro do sistema do carro, mirando no terceiro e último interruptor que o mantinha bloqueado.

- Idiota, primeiro faça algo e depois vá comemorar.

Ele já havia disparado a terceira rajada de raios laser, eliminando toda a distorção de data – representada por dois zeros colados e parados, facilmente detectados, já que todos os outros se moviam rapidamente – feita justamente para esconder os interruptores.

Automaticamente o metal do carro despenca. O barulho da queda era estonteantemente alto, já que esse metal não era nada leve. Ao ver que o plano havia falhado, imediatamente o delegado contata alguns de seus capangas para cercar o robô. Assim foi feito: Quando o vidro é finalmente liberado do metal, tudo que Nubobot podia ver era um clarão formado pelas luzes de outros carros de policiais. Eles estavam o cercando por todos os lados.

- Desista! Você está na minha mira, simplesmente não há como...

- Eu quero retirar a minha queixa! - Interrompe a mulher, entendendo cada vez mais a situação do robô.

- Tarde demais, ele já destruiu vários carros. E machucou muitos policiais também!

- E tudo isso porque eu chamei vocês! Eu exijo que minha queixa seja retirada!

O policial se sente um pouco pressionado, além de pensar na possibilidade de ser atacado por ela, já que estava se recuperando de uma descarga de energia elétrica e de um tiro na perna.

- Huh? Tudo bem, você me convenceu, não temos mais o que fazer.

Nubobot estava como uma criança dentro do carro: Apesar de parecer tão cruel, ele não passava de uma criança abandonada, uma criança! Não sabia como controlar um carro, nem como fazer aquilo ligar. Era tudo complicado demais para ele, a única opção era controlá-lo dentro do sistema. O policial pega sua estrela blindada e aperta o botão em seu centro mais uma vez, ativando a comunicação entre ele e a central.

- Oitenta e sete, quarenta e seis. O elemento não é mais nosso alvo! Cancele todo o processo! Repito, oitenta e sete, quarenta e seis! Elemento não-identificado deixou de ser alvo, cancelar toda a operação!
Apenas ao gritar isso, todos os carros que estavam presentes dão meia-volta e vão embora, saindo da vista de todos em pouco tempo por causa da alta velocidade. Tudo que restava era aquele policial, a mulher e seu filhote e Nubobot. A mulher estava tão aliviada que não tinha notado que o policial ainda mirava sua arma no robô. Então o pior acontece, um disparo é efetuado e acerta exatamente o olho esquerdo de Nubobot, apavorando mais uma vez a besoura, que achava que tinha o livrado.

- Maldito!!! O pagamento virá em dobro! - Exclama Nubobot, sentindo que sua visão estava criticalmente alterada.