Capitulo 2

De volta às ruas de enorme cidade, Bunny caminhava apressadamente ao mesmo tempo que resmungava para si própria o quanto Gonçalo a irritava. Não entendia o porque, mas acontecia sempre a mesma coisa, todos os dias tinha-se de chatear com aquele deus grego.

- Mas quem pensa ele que é? – perguntava-se ela furiosa. – Deve pensar que por ser um génio na Universidade e por ter um corpo daqueles lhe dá o direito de dizer o que lhe vem à cabeça? Pois, porque na verdade posso ser um bocadinho burra, mas não sou cega. Ele vai ver, ninguém goza daquela maneira com a Bunny Tsukino e sai impune! Gonçalo Chiba, a vingança será terrível!

E começou a rir às gargalhadas até chegar à porta de sua casa, então acalmou-se e subiu as escadas em direcção ao seu quarto, sem mesmo cumprimentar os seus pais e o irmão, que naquele momento já se encontravam a jantar. Chegou finalmente ao seu quarto, abriu a porta, entrou e trancou-a, de seguida encaminhou-se para a cama, deixando a meio do caminho a mala preta da escola e deitou-se pesadamente em cima da pequena cama de solteira, pondo o seu braço esquerdo em cima dos seus olhos.

- Então, Bunny, como correu o teste de hoje? – perguntou a sua gata Luna, que estava deitada em cima do parapeito da janela.

- Luna, agora não! – gemeu a rapariga.

- Ai, Bunny Tsukino, és mesmo uma cabeça de serradura! Já nem sei o que fazer contigo! Quando é que vais perceber que para seres uma boa guerreira precisas também de te esforçar nas outras áreas? Valha-me a Deusa Selene!

- O que disseste? – perguntou Bunny, levantando-se rapidamente da cama, assustando Luna.

- Credo! Tem lá calminha, sim? Eu disse que devias estudar mais e…

- Não é nada disso! Quero saber o que disseste a seguir sobre aquela deusa, quem é ela? Tenho a certeza de que já ouvi o seu nome antes, mas não me consigo lembrar! – explicou a rapariga, tentando com esforço lembrar-se, mas sem resultado.

- És sempre a mesma coisa, Bunny, sempre a mesma coisa! A deusa Selene é a deusa que protege o Reino da Lua, ela foi em tempos a rainha da Lua. Já te expliquei isso muitas vezes, mas tu nunca estás com atenção!

- Deve ser isso! Provavelmente foi quando ouvi o seu nome. – disse Bunny, não muito convencida.

- Então, mas afinal o que se passou? Parece que hoje andas muito no mundo da Lua, pelo menos mais do que o habitual. – disse Lua, sussurrando a ultima parte.

- Tu nem me digas nada, Luna! Acreditas que aquele estúpido e anormal do Gonçalo Chiba teve o descaramento, e repito, teve o descaramento de dizer que eu nunca iria ser como a namorada do Mário?

- Namorada do Mário? – perguntou a gata. – Eu não sabia que o Mário tinha namorada.

- Pois, nem eu! Mas o que interessa agora é que ele disse que eu nunca seria como ela, porque ela era linda e inteligente! Se eu o apanho… - disse ela ficando cada vez mais furiosa.

- Então mas porque estás tão chateada? – perguntou a gata sem perceber. – Não é a primeira vez que ele te diz algo do género.

- Ahhhhhhhhhh! O problema é que eu lhe disse que um dia ele iria engolir todas aquelas palavras, mas a verdade é que nem sequer consigo pensar num plano.

E começou a chorar desalmadamente até adormecer de exaustão.

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Era quase meia-noite quando surgiu uma brilhante luz branca, vinda dos céus, em direcção às casas das cinco navegantes e de Gonçalo, mas tão depressa como apareceu, a luz também desapareceu, deixando naquela pacifica noite seis camas vazias.

Dos portões do Tempo e do Espaço, aquela figura olhava divertida para todo aquele estranho acontecimento. Então virou-se e verificou o estado da Navegante de Plutão que ainda se encontrava inanimada e o seu sorriso tornou-se ainda maior.

- Minha cara amiga, agora é que a verdadeira diversão vai começar! – sussurrou-lhe a figura.

E voltou novamente para o seu posto de observação, esperando pacientemente o momento em que aquelas seis pessoas iriam acordar.