CAPÍTULO 1 – SOBREVIVÊNCIA

Bella PDV

O cara estava bem vestido, parado em frente a uma lanchonete, se eu fosse rápida o suficiente ele nem desconfiaria que foi roubado. No começo eu não gostava de roubar, mas a situação não me dava escolha, ou eu roubava ou eu passava fome, é claro que eu poderia trabalhar, mas hoje em dia, quase ninguém ajuda gente da rua, principalmente se for adolescente, então nós não tínhamos outra opção.

Jacob era meu namorado, e protetor á cinco anos, desde que fugi do orfanato. Eu não tinha onde ficar e não tinha a mínima ideia de como sobreviver nas ruas sozinha, então ele me mostrou a vida dos menores abandonados, fazíamos parte de um grupo de sete adolescentes, eu, Leah, Seth, Sam, Ângela, Eric e Jacob que era nosso guardião.

Mirei meu alvo e corri em sua direção esbarrando nele e pegando rapidamente sua carteira em seu bolso de trás.

- Desculpa moço. – Esse "desculpa" não foi por ter esbarrado nele, e sim pelo roubo, eu realmente odiava fazer isso, mas era isso que pagava o aluguel do galpão onde morávamos e a nossa comida, se é que aquilo podia ser chamado de comida.

- Droga! Minha carteira – Merda ele descobriu, mas não poderia me pegar nunca! Tudo bem eu acho que o subestimei, ele corre muito rápido, e quando cheguei ao muro branco que não parecia muito alto daquele lado, mas que eu sabia ser enorme do outro ele gritou. - Hey você! Pare!

Será que esse retardado achava realmente que eu ia parar só por causa de um muro idiota?

- Não pule, você vai se machucar. – Ele pediu como se preocupasse.

- E o que isso lhe interessa? – Perguntei, e como eu esperava, ele ficou sem resposta, Eu assoviei e rapidamente ouvi um assovio em resposta. Nesse meio tempo eu desci para o outro lado ficando com as mãos presas no muro enquanto Jacob fazia sinal para eu pular em seu colo, tudo bem que ele era forte e musculoso, mas cinqüenta e dois quilos pulando daquela altura, não eram tão fácil assim de suportar.

- Você por acaso é louca? – Ouvi o rapaz de quem eu tinha roubado a carteira, aquilo foi à deixa para que eu pulasse, fiz impulso com os pés no muro e joguei o corpo para trás, Jacob foi ao chão junto comigo e se não houvesse doído tanto eu iria rir. Ouvi o rapaz resmungar algo que eu não captei, Jacob me ajudou a levantar e senti meus ossos queimarem de dor.

- Ai! – Eu soltei sem querer, mas porra! Aquilo doía muito, Jacob me pôs em seus braços e desceu a rua comigo no colo.

- Você esta melhor? – Perguntou Jacob me colocando no chão do barracão que alugávamos para dormir, isso não era comum para meninos de rua, mas Jacob achou mais seguro investir dinheiro em um lugar fechado para a gente ficar quando não estivéssemos na rua e para paga-lo, nós roubávamos o dia todo, por sorte ninguém ali usava drogas, isso impedia que o dinheiro ganho fosse jogado fora.

- Sim eu estou – Menti, meu corpo estava todo dolorido, mas não queria preocupá-lo.

- Deixa de mentira Bella. Eu sei que não esta nada bem.

- Então por que perguntou? – Eu disse brava, mas logo me arrependi, afinal ele só queria cuidar de mim. – Desculpe.

- Não precisa se desculpar, apenas não minta pra mim. – Jacob era a única pessoa que eu confiava cegamente depois do acidente com meus pais e a fuga do orfanato, afinal ele me ensinou a viver em um mundo que eu não conhecia.

- Não vou mais mentir pra você, é serio me desculpe. – Ele sabia que eu pediria desculpa até ele aceitar.

- Certo Bella, desculpas aceitas, agora esqueça esta historia, por favor.

- Uhun, eu vou esquecer, eu prometo – Falei e lhe dei um selinho, ele me puxou para seu colo e aprofundou o beijo, o que era apenas um pedido de desculpas carinhoso, havia se tornado uma sessão de amassos e logo se tornaria uma cena proibida para menores de dezoito, embora nos mesmo o fossemos, se alguém não batesse na porta.

- Pode deixar que eu abro. – Jacob falou se levantando com uma expressão que indicava que ele certamente odiou a interrupção, eu ri – Entra Ângela.

- Bella! Você esta bem? É que eu vi quando vocês caíram. – Ela fez uma pausa e ficou me olhando, ela era uma boa pessoa, mas eu odiava essa pergunta.

- Sim eu estou bem Ângie. – Respondi demonstrando irritação, mas desviei meus olhos para uma cesta que ela segurava – O que tem ai Ângie?

- Passei no centro de doações para menores abandonados, estão dando mantimentos, Sam e Eric estão chegando, temos dois cobertores novos. – Ela respondeu sorrindo.

- Tem certeza de que não envenenaram isso? – Jacob perguntou cheirando um pacote de biscoitos.

- Acho que não, mas não custa nada testar – Respondi enquanto abria uma gaiola feita de arames e madeira para pegar um rato preto – Me dá um pedaço disso aí.

- Toma. – Disse Jacob me entregando meio biscoito que eu rapidamente dei para o rato comer, três minutos depois ele ainda não havia esboçado reação.

- Okay, eu acho que isso resolve, não tem veneno. – Eu afirmei e a porta se abriu; logo Sam e Eric apareceram cada um com um cobertor nos braços e uma sacola preta nas mãos.

- O que vocês trouxeram? – Jacob perguntou olhando para as sacolas, normalmente Sam e Eric ficavam com os roubos maiores, mas nada com mão armada, apenas Jacob possuía uma arma, no Maximo eles roubavam rádios e espelhos retrovisores dos carros, às vezes bolsas e objetos pequenos, o resto de nós batiam carteiras, e Jacob... Bem Jacob ninguém sabia realmente, mas desde que ele não nos abandonasse, não pedíamos satisfações.

- Fora os cobertores, nós temos a aposentadoria de uma velhinha, um rádio, e uma bolsa feminina, deve ter dinheiro dentro, dá uma olhada. – Respondeu Eric retirando o radio com cuidado de dentro da sacola e jogando o resto no chão.

- Sam feche a porta, e Bella, você pegou a carteira daquele cara? – Jacob perguntou revirando a bolsa que Eric tinha roubado.

- Sim, tem trezentos dólares aqui – Falei entregando o dinheiro a ele, o dia tinha sido produtivo, mas nem sempre era assim, ainda por que as pessoas estavam cada vez mais atentas. Na semana passada Leah quase foi pega, e levou um belo choque com um aparelho que uma velha doida tinha na bolsa.

- Isso dá pra pagar o aluguel, foi à maior fatura do mês, amanhã não quero ninguém aqui antes das seis da tarde. – Jacob piscou pra mim, com certeza queria um tempo a sós comigo, e eu já sabia o que isso significava.

- Sim chefe! – Respondeu Eric batendo continência, logo os outros chegaram, mas sem quase nenhum dinheiro, é nem todos tinham sorte.

- Trouxe algo pra você Bella. – Disse Seth retirando um colar com um pingente de borboleta, do bolso. – Significa liberdade, e não foi roubado eu achei no banco da praça e pensei que você iria gostar.

- É lindo! Obrigada Seth. – Seth era fofo, e o mais novo de nós, ele tinha doze anos e um jeito maravilhoso de ver a vida, era irmão de Leah e ambos já haviam sofrido muito quando mais novos, mas ele sempre sorria.

- Não tá tentando roubar minha mulher não né Seth? – Jacob falou fingindo ciúmes. É lógico que ele adorava o Seth, da mesma forma que Seth o venerava.

- Sabe que somos como irmãos Jacob. – Ele respondeu rindo – Mas se ficou com ciuminhos, pode deixar que vou arrumar um colar com borboleta pra você também.

- Que isso rapaz, eu sou homem, com H maiúsculo, pode perguntar pra Bella – Eu senti meu sangue se concentrar em minhas bochechas.

- Eu não! Pensa que não sei o que vocês fazem aqui depois que nós saímos?

- Chega! Dá pra parar com esse assunto? – Gritei, todos se viraram pra mim, eu deveria estar parecendo um pimentão, Jacob assentiu com a cabeça. – Okay, agora podemos comer.

Eles pareciam não comer a séculos, nós meninas, olhávamos horrorizadas para os "porcos" a nossa frente.

- Será que vocês não têm um mínimo de educação não? – Leah disse nervosa – Moramos em um galpão e vivemos nas ruas, mas isso não nos torna um bando de porcos famintos. - É isso aí garota, bota ordem nessa porra. Eu ri, ela estava certa, somos jovens de rua, mas isso não nos torna porcos.

- Deixa de ser chata Leah, estamos com fome. – Sam resmungou de boca cheia.

- A comida não vai fugir se comer devagar. – Ela devolveu, mas desta vez eles fingiram não ouvir, eu que já tinha perdido a fome me levantei e fui para o meu "quarto"; eu chamava o pequeno espaço de quarto por que eu e Jacob dormíamos lá, era um cubículo que ficava do lado direito do galpão, do outro lado havia um banheiro e só, depois não havia mais nada, apenas um espaço vazio que anos atrás devia ter sido usado para apresentações de teatro.

Abri a carteira do rapaz que eu roubara mais cedo, tinha documentos e uma foto dele, ele era muito bonito, mas com certeza era um daqueles riquinhos mimados, algo que eu seria se meus pais não estivessem mortos. Meus pais morreram em um acidente de carro, há seis anos, eu tinha apenas onze anos e minha irmã dez, éramos herdeiras de uma herança enorme, mas nossos tios que não eram bobos nem nada nos deixaram num orfanato em Phoenix e ficaram com a nossa herança.

No orfanato, eu e Alice que era minha irmã mais nova, éramos obrigadas a trabalhar, fazíamos comida e limpávamos os quartos, enquanto as verdadeiras empregadas que deveriam cuidar de nós, ficavam sentadas dando ordens a todos. Um dia eu ouvi a diretora falar com um homem estranho e com cara de pingüim, que logo nós seriamos separadas e resolveríamos o problema dele, naquele dia decidi fugir com a minha irmã e nunca mais voltar, foi o que eu fiz, arquitetei um plano perfeito e tudo estava certo para a fuga. Numa segunda-feira de madrugada, eu e Alice fomos até a porta do quarto, que eu abri com um grampo, de lá fomos até o corredor, onde eu abri outra porta quando chegamos ao portão foi mais difícil do que eu imaginei; o grampo não foi suficiente e a fechadura travou; decidi que iríamos pular, subi e estendi a mão para Alice que subia junto comigo, fechei os olhos e pulei para o chão, quando caí ouvi o grito dela.

- Me solta! Bella me ajuda. – Uma das monitoras havia acordado e nos seguido, logo que eu pulei, ela pegou Alice e levou-a para dentro do orfanato.

- Alice! – Eu gritei ao ver ela se afastar gritando meu nome, e eu não podia voltar.

Lembro-me também de quando ela chegou ao orfanato, ela tinha os cabelos negros e compridos, mas só os mantinha por causa de nossos pais que não deixava cortá-los.

Flashback on

- Me arruma uma tesoura, Bella. – Ela falou enquanto segurava os cabelos com as mãos.

- Você tem certeza que quer fazer isso? – Eu não sabia se ela estava com pena, mas eu estava, era um cabelo tão lindo.

- Tenho! Absolutíssima certeza. – Ela respondeu... Feliz e dando pulinhos, isso era bom, ela sempre estava feliz – Vamos logo com isso Bella.

- Tudo bem, mas você corta – Entreguei-lhe a tesoura que eu roubara mais cedo da sala da diretora, ela a pegou e começou a cortar, quando terminou, seu cabelo estava todo arrepiado e apontava para todos os lados, realmente havia ficado legal.

- E aí, o que você achou?

- Ficou lindo, Lice! – Eu disse.

- Serio! – Ela gritou e bateu palminhas – Posso cortar o seu assim?

- Nunca! – Ela só podia estar louca.

- Mas você disse... – Ah! Entendi, ela quer saber se eu menti.

- Alice, ficou lindo em você, mas em mim vai ficar horrível. – Respondi vendo que consegui convencê-la.

- Oh! Sim, mas se eu cortar o seu de outro jeito?

- Não!

- Sim!

- Não e não!

- Por favor? – Ela fez biquinho e ficou me olhando com a maior cara de cachorrinho pidão.

- Não quero Alice, mamãe gostava dele assim. – Ela me olhou e abaixou a cabeça.

- Desculpe.

- Não precisa se desculpar. Sei que não era sua intenção, mas agora vamos guardar essa tesoura.

Flashback off

Um ano depois eu fugi e conheci Jacob, um mês depois já tínhamos Leah e Seth com a gente, os outros vieram com o tempo, quando o grupo ficou completo nós fomos para Forks, viajando escondido até Port Angeles e de lá fomos desde caronas, até longas caminhadas para chegar em Forks. Nós somos o único grupo de adolescentes moradores de rua por aqui, então fazemos de tudo para não sermos notados.

- Em que esta pensando? – A pergunta de Jacob me retirou dos meus devaneios.

- Na minha irmã e em como eu conheci você.

- Um dia iremos encontrá-la.

- Seria impossível, ela foi adotada, eu fui lá perguntar uma vez e disseram que um casal a adotou, estão longe de Phoenix, e se ela estivesse em Forks já a teria encontrado. – É Forks era minúscula, e eu a conhecia como a palma de minha mão, todos os esconderijos e principalmente a reserva – E também, se eu a encontrasse o que ia mudar, ela esta feliz agora, tem uma família, eu só atrapalharia.

- Quem garante que ela esta feliz? E se eles forem más pessoas que não cuidam dela direito.

- Ela esta bem, eu sinto.

- Então vamos dormir um pouco, sim? – Ele perguntou me abraçando.

- Esta cedo, mas podemos fazer outra coisa. – Respondi beijando levemente seus lábios – O que você acha?

- Excelente ideia. – Ele aprofundou o beijo e deitou-se sobre mim, apalpando meus seios sob a blusa, eu gemi baixinho, por sorte os outros já haviam saído, ou melhor, Jacob os expulsou e trancou a porta.

- Você vai me enlouquecer, Bella. – E sussurrou enquanto retirava a minha blusa, e beijava minha barriga, segurei as pontas de sua camisa e puxei para cima.

- A ideia é essa. – Eu disse sussurrando em seu ouvido, e ri quando vi que ele ficou arrepiado. Desci as mãos sobre seu peito e parei no zíper da calça, o abri lentamente, e a desci junto com a cueca.

- Bella, Bella... – Eu terminei de retirar suas roupas e ele retirou as minhas, com certeza, essa ia ser uma tarde deliciosa.

Edward PDV

- Que cara é essa, Ed? Até parece que deu de cara com o demo no meio do caminho. – Perguntou o idiota do meu irmão Emmet, mas desta vez ele estava certo, eu devia estar com a maior cara de merda, eu perdi uma corrida para uma garota, porra!

- Fui roubado. – Falei de uma vez, belo começo em Forks.

- Como assim?

- Batedores de carteira Emm. Para piorar a situação, era uma garota – Realmente era horrível perder uma corrida para uma garota, principalmente por que ela pulou o muro e eu não, mas ela era muito linda, tinha os olhos marrons achocolatados, os cabelos castanhos e... Droga Edward! Por que você esta pensando nisso? – Dá para acreditar que ela corre e salta melhor do que eu?

- Instinto de sobrevivência – Disse Jasper, desviando o olhar do livro que lia – Acho que nem um de vocês viveu na rua, não é?

Nós somos cinco irmãos, eu Emmet, Jasper, Alice e Rosalie, todos adotados por Esme e Carlisle que são nossos pais para todos os casos, Emmet e Rosalie são com casados, Alice e Jasper estão meio que namorando e eu to sobrando na família, cortando o melodrama, eu fui adotado com sete anos, um ano depois veio Emmet e Jasper, logo Rose se juntou a nós, Alice veio há seis anos, logo depois que sua irmã fugiu do orfanato.

- Eu não. – Respondi e fui seguido por Emm que respondeu da mesma forma, de todos nós, Jasper foi o único a viver na rua por um tempo.

- Quantos anos acha que ela tem? – Jazz perguntou com descaso.

- Uns dezessete, ou menos, talvez dezesseis. – Não consigo entender por que eles roubam, não é mais fácil arrumar um emprego? – Por que eles fazem isso?

- Isso o que?

- Roubar. Eles poderiam simplesmente arrumar um emprego.

- Não é tão fácil assim, as pessoas não dão emprego à gente como eles, e quando dão, eles abusam de todas as formas possíveis, e niguem dá esmola para adolescentes, então só resta roubar.

- Acho que deveria avisar a policia, eu preciso dos meus documentos, ou não poderei estudar. – Era verdade, eu realmente precisava deles para amanhã, então eu só poderia tomar essa decisão.

- Ninguém pega esses garotos da noite pro dia Edward, como você mesmo viu, eles são ágeis e rápidos, se escondem bem e se a policia entrar no meio, vai ter tiro, e alguém vai se machucar. – Droga! Ele tinha razão, se eu chamasse a policia, só iria arranjar encrenca.

- E o que é que eu faço? – Perguntei.

- Se ela for inteligente, vai devolver, e como você não tem nada pra fazer, basta esperar.

- EMMET CULLEN! – Alice gritou lá descendo as escadas – FOI VOCÊ QUEM PEGOU MEU COLAR? SE FOI VOCÊ DEVOLVA AGORA!

- Lice, assim você me ofende – Emm disse fazendo cara de magoado – Somos cinco irmãos m uma casa de sete pessoas, por que eu?

- É obvio que foi você, não tem outro idiota nessa casa!

- O Ed agora é um, perdeu uma corrida para uma garota. – Emmet apontou para mim, para que esse idiota foi falar; agora Alice vai me zoar um mês inteiro.

- Esta precisando se exercitar maninho – Ela sorriu pra mim e voltou-se para o Emm – Olha aqui Emmet, você vai me devolver agora ao eu vou jogar aquele boneco do Barney, dentro da privada e dar descarga.

- Isso é inaceitável Alice você na... – Todo mundo parou de ouvir no "inaceitável".

- Onde você aprendeu essa palavra? – Alice.

- Todo mundo diz, I-N-A-C... Ah... ceitavel. – Ele tentou soletrar, mas desistiu na metade. – Qual é o problema?

- Nenhum, mas é um milagre que você saiba falar algo difícil.

- Não é difícil, só é Inaceitável – Ele ao menos sabe o significado dessa palavra?

- Mas voltando o assunto Emmet. EU QUERO O MEU COLAR! – Agora ela estressou.

- É um prateado? – Emmet perguntou, fazendo movimentos com as mãos.

- É. – Alice respondeu impaciente.

- Tem uma borboletinha colorida nele?

- Sim Emmet, Mas agora desembucha porra! – Se Esme estivesse aqui, com toda certeza, ela já teria mandado Alice parar de xingar, Esme odeia palavrões.

- Eu não sei. – Ele respondeu inocente.

- Como assim não sabe.

- É aquele que você estava ontem? – Jasper perguntou, enquanto virava a pagina do livro.

- Acho que sim – Ela fez cara de pensativa – Ah, é ele mesmo.

- Ele quebrou o fecho e você o colocou no banco da praça para... – Ele parou por aí, e então percebi que Alice estava demasiadamente corada, não quero nem saber o que eles dois estavam fazendo.

- Okay, acho que todo mundo já entendeu – Eu falei para quebrar o silencio que havia se instalado na sala. – E Alice, não acuse ninguém sem provas.

- Desculpe é que o Emm sempre some as minhas coisas, então eu pensei que tinha sido ele. – Ela tentava explicar, mas Emmet continuava fazendo cara de magoado. Com toda a certeza ele a faria implorar o seu perdão.

- Por favor, Emm, me perdoa, eu juro que nunca mais ameaço jogar o boneco do Barney na privada.

- Nem da janela do terceiro andar? – Ele perguntou fazendo bico.

- Nem da janela do terceiro andar, mas me perdoa é que eu ganhei aquele colar da minha mãe e ele era a única lembrança que eu tinha.

- Tudo bem Lice, eu não estou bravo não, só to brincando tá? – Emmet deu um abraço nela que a retirou do chão.

- Emm.. Eu preciso.. respi ...rar. – Alice falou já sem ar, Emmet era tão grande e forte que seus abraços eram capazes de matar alguém, mas ele era legal e BURRO pra caramba, acho que ele é o idiota mais idiota do mundo dos idiotas, mas se tentarem machucar a nossa família, Emmet faz de tudo pra nos proteger.

- Será que ainda consigo encontrá-lo? – Alice perguntou depois de tomar uma lufada de ar.

- Não creio, mas podemos tentar, afinal é importante pra você não é? – Eu sabia que Alice perdera os pais em um acidente e foi separada da irmã mais velha no orfanato, meus pais tentaram encontrá-la, mas nunca tiveram êxito, ela tentou fugir do orfanato com Alice, mas Alice foi pega, então ela fugiu sozinha.

- Minha mãe que deu, lembro que minha irmã ganhou um também, mas tinha um coração, foi um dia antes do acidente e Bella não viu o meu colar por que nós estávamos de mal. Era minha única lembrança dela.

- Vem, me mostra o lugar onde o deixou, quem sabe ele ainda não esta lá. – Falei estendendo a mão para ela, não gostava de vê-la triste, todos nós sofremos perdas, mas não tínhamos alguém que amávamos longe, isso devia doer demais.

Fomos até uma praça, de a pé mesmo, revistamos todos os bancos, e chegamos a tempo de ver um garoto pegar algo em um banco, ele balançou o colar, e o colocou no bolso, dizendo algo que eu não pude ouvir, Alice tentou correr atrás dele, mas eu a segurei.

- Calma, vem vamos segui-lo, esses garotos correm muito rápido, se você tentar pega-los, eles vão sumir como aquela menina que me roubou fez.

Ela acentiu com a cabeça e me acompanhou, logo depois o garoto se juntou a uma menina que devia ser sua irmã, eles conversaram por uns minutos e ele disse algo sobre ir pra casa.

- Você não disse que ele é um garoto de rua, Edward? – Na verdade eu não sabia muito bem se ele era ou não, acho que eu estou ficando obcecado.

- Não tenho certeza, mas vamos descobrir.

Eles seguiram até um galpão, os vimos baterem na porta e um rapaz alto que parecia uma montanha de tanto músculo, abriu a porta, ele olhou para o lado e fechou novamente.

- Viu, eles são da rua, mas não moram na rua, isso explica. – Olhei para Alice, que já estava correndo em direção ao galpão – O que você pensa em fazer?

- Esperar até eles saírem, e entrar, vasculhar as coisas, pegar meu colar e ir embora.

- E se você não encontrar, ou pior e se eles não saírem?

- Estou chocada com seu pessimismo Edward! – Ela disse rindo, se alguém nesse mundo era otimista ao extremo, esse alguém era Alice.

- É que nem sempre as coisas saem da forma que queremos, mas vamos esperar; quem sabe eles não saem.

- Eles vão sair você vai ver. – Ela disse toda confiante.

- E talvez achamos sua carteira.

- Não acho que ela esteja com eles. – Respondi sem esperança.

- Mas talvez temos sorte e encontramos sua carteira.

- Talvez Alice, talvez...

Ela estava certa, eles saíram meia hora depois. Ouvimos um clic na porta, nos encostamos-nos à parede e ficamos em silencio, vi o grandão os empurrar para fora, e eles começaram a conversar enquanto saíam.

- Ele não tem vergonha não? Nós também pagamos o aluguel. – Resmungou o garoto que havia pegado o colar.

- Seth se você soubesse o que eles vão fazer lá dentro, não iria querer presenciar. – Disse um cara maior que ria do garoto que agora sabíamos se chamar Seth.

- Eu sei muito bem o que eles vão fazer lá dentro, é nojento! – Ele disse fazendo cara de nojo.

Eles saíram rindo e falando coisas que eu não me preocupei em ouvir, já sabia muito bem do que eles estavam falando, o montanha estava com alguma garota, talvez a namorada dele, dentro da casa. De repente eu pensei se seria ela a garota que estava lá.

- Vamos entrar? – Alice perguntou, será que ela não tinha sacado não.

- Nem pensar, será que você não entendeu o que eles estão fazendo? – Ela me olhou e depois fez cara de nojo, é ela entendeu.

- Credo! Eles estão...

- É Alice, eles estão. agora vamos para casa. – Ela fez um bico enorme.

- Por favor, vamos esperar eles dormirem, e entramos. – Isso seria arriscado, mas eu precisava da minha carteira, e Alice queria seu colar, então decidimos ficar.

- Tudo bem Alice, vamos aguardar, mas se ficar muito tarde, nós iremos embora.

- Obrigado maninho, eu te amo. – Ela pulou no meu pescoço.

- Eu também Alice.

Uma hora depois, estávamos exaustos de esperar.

- Tic-tac passa hora, tic-tac passa o tempo e tic-tac...

- Chega Alice! Você esta cantando isso há meia hora. – Decidi passar em casa, jantar, e arrumar algo para abrir a porta – Vamos pra casa, depois a gente volta.

- Mas ai como vamos saber se eles já entraram?

- Teremos que arriscar. – Respondi.

Fomos pra casa, e quando entrei na sala encontrei a cena mais nojenta do mundo, Emmet e Rose estavam se agarrando no sofá.

- Dá para vocês fazerem isso m outro lugar? Tem criança inocente por aqui – Falei apontando para Alice, se bem que de inocente ela não tinha nada.

- Quem? Você? – Ele perguntou sarcástico – Por que Alice de inocente só tem cara.

- Não importa! isso o que vocês estão fazendo é nojento.

- Okay, nós já estamos subindo.

Depois que eles subiram, nós fomos assaltar a geladeira, nossos pais estavam viajando só voltariam semana que vem, e por um acaso deixaram o mais velho como responsável, Emmet, será que eles não sabem que o mais velho é o mais irresponsável da família?

Tomei um banho e arrumei uma mochila com coisas que poderíamos precisar, vai que acontece um imprevisto. Alice desceu as escadas, deslumbrantemente vestida. A baixinha não sabia sair sem parecer uma estrela.

- Não é uma festa Alice.

- Eu sei, por isso é que eu não estou arrumada para ir a uma. – Se ela não estava vestida para uma festa, não quero nem ver com ela vai se vestir na festa que vamos dar esse domingo.

- Vamos. – Falei ignorando a ultima resposta.

Nada poderia dar errado, ou poderia? Estávamos na porta do galpão e lá o silencio era aterrorizante. Girei o grampo e a porta fez um barulho, peguei um vidro de óleo na mochila e despejei sobre as dobradiças, a porta se abriu sem ruído algum, nós a escoramos e eu liguei a lanterna com o máximo de cuidado para não acordá-los; assustei-me com o que vi, todos dormiam no chão, com um fino cobertor dividido para cada casal, apenas Seth dormia sozinho e coberto por um jornal.

Demos a volta e fomos a um quarto que havia do lado direito, e quando entramos, ela estava lá, com os cabelos espalhados no chão e com o montanha abraçado a ela, minha carteira estava no chão, junto com o colar de Alice, eu os peguei e voltei para a área maior onde os outros dormiam, coloquei uma nota de cinqüenta dólares nas mãos de Seth, quem sabe ele não comprava um cobertor. Já estava saindo quando notei que Alice não estava comigo.

oiêê! colar da alice esta no meu profile. bjs