Relembrar
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-Anne você sabe que isso é impossível – Falei olhando para a minha amiga de longa data – Existem pessoas ainda vivas que com certeza me reconhecerão.
-Bella, por favor, todos esses anos comigo não te ensinaram nada? - Perguntou Anne revirando os olhos indo até seu quarto voltando com um baú enorme. Esse baú eu conhecia perfeitamente. Era onde ela guardava todos os seus disfarces – Mas alguma objeção?
-Várias – Respondi achando que isso era mais do que obvio – Eu acho que comentei algumas vezes sobre a tribo de lobisomens que protegem aquela área.
-Eu acho que podemos fazer um bom acordo com eles, sem contar que não planejo passar nem uma semana lá – Respondeu Anne prontamente.
-Anne... eu não acho que consigo voltar lá – Falei e detestava como a minha voz saiu tão frágil como se fosse quebrar a qualquer momento. Eu aprendi a deixar meus sentimentos bem escondidos atrás do meu escudo.
-Bells, você sabe que eu não te pediria isso se não fosse realmente importante – Falou Anne segurando minhas mãos – Por favor, eu preciso da sua ajuda.
-Tudo bem – Resmunguei me encaminhando para o meu quarto. Eu sabia que a Anne necessitava de mim e ela nunca falhou em me ajudar. Como eu poderia deixá-la só? Eu sei que ela precisaria das minhas habilidades para chegar ao que queria. Mas só em pensar em Forks eu me sentia enjoada. Será que o Charlie ainda estava vivo? Será que ele ainda esperava que eu voltasse?
Deitei na minha cama colocando fones de ouvido ligando a música no máximo tentando bloquear meus pensamentos e como sempre falhando. Eu tentava pensar pouco sobre meu passado e principalmente minha vida humana e normalmente eu era bem sucedida. Mas quando ele vinha bater na minha porta era difícil se desvincilhar.
Levantei caminhando até meu guarda-roupa sentando na sua frente. Tirei o fundo falso olhando para a pequena caixa que lá eu guardava. Peguei a caixa limpando a poeira acumulada. Abri com cuidado sabendo que ela era a minha própria caixa de pandora e tirei com cuidado a folha que eu mantinha sem nem mesmo saber o porquê. Ela estava envelhecida então abri com cuidado para não rasgá-la. A imagem de um casal permanecia eternizada. Tinha dias que eu achava que havia esquecido como ele se parecia, mas olhando sua foto percebo que não. Os cabelos ruivos, os olhos cor de caramelo e o pequeno sorriso. Ele estava olhando para mim enquanto eu olhava diretamente para a câmera e eu não reconhecia o olhar de alegria que eu enfeitava naquela noite.
-Você já começou a se torturar? - Perguntou Anne parada na porta e eu rapidamente guardei a foto dentro da caixa – É melhor esquecermos essa história. Isso claramente não vai te fazer bem.
-Claro que não. Vamos começar a planejar os disfarces – Falei indo até a sala esperando que ela me seguisse. Vasculhei até encontrar uma peruca do meu agrado. Era feita de longos cabelos loiros que me fariam menos perceptível. Peguei a escova que estava lá dentro de comecei a escová-la lentamente.
-Isabella...
-Temos que falar com os lobisomens antes de tudo, não quero ter que lutar – Falei contando sua frase – Partiremos em uma hora.
-Obrigada – Sussurrou Anne e eu simplesmente sorri para ela.
Coloquei a peruca com cuidado a ajustando e realmente parecia que eu tinha cabelos loiros. Comecei a maquiagem e uma coisa que eu havia aprendido no you tube é que maquiagem pode te transformar em outra pessoa. Modifiquei meus traços marcantes e quem me olhasse agora só me acharia vagamente familiar.
-Você está ótima – Falou Anne quando nossas malas já estavam prontas.
-Essa é a ideia – Falei sorrindo jogando tudo dentro do carro. Eu ainda não acreditava que estava fazendo isso. Voltar a Forks era como voltar a um sonho meio amargo – Você dirige.
Como de costumo me perdi na minha cabeça assistindo as paisagens mudar na minha janela. Será que o meu pai ainda estava vivo? Será que ele havia me procurado? E minha mãe? Será que ela havia piorado com o meu sumiço?
Eu evitava pensar na minha vida humana. A Anne me ensinou isso pouco depois de nos conhecermos. Era mais fácil fingir que você surgiu no mundo como um vampiro. E depois de anos fingindo as vezes era menos doloroso.
-Nós estamos chegando – Falou Anne e percebi que passei mais tempo que imaginei presa na minha mente – Você tem certeza que está bem?
-Tenho sim. É melhor irmos primeiro a La Push – Falei sabendo que para ficarmos bem em Forks precisaríamos da permissão dos lobisomens. Eu não queria conflito.
-Eu sempre achei aqueles lobos bem sexy – Ronronou Anne sorrindo.
-Eles fedem – Falei sorrindo revirando os olhos.
-Podemos ficar sem respirar – Retrucou Anne e eu aumentei o sorriso.
-Pare o carro aqui. Estamos na divisa – Falei descendo do carro sabendo que não demoraria para aparecer alguém. E não estava errada. Em menos de cinco minutos vi dois lobos grandes e um homem vindo em nossa direção.
-Acho que é um bom momento para dizer que estamos aqui em paz – Falou Anne sorrindo olhando diretamente para o homem que vinha na minha direção. E eu não esperava o impacto ao perceber quem era. Eu devia tanto a esse homem. E os anos foram muito favoráveis a ele. Não havia nada do adolescente que ele já foi um dia. Ele chegava muito facilmente a mais de dois metros de altura. Seus traços eram firmes e masculinos. Mais parecia um deus grego com sua pele naturalmente bronzeada. Tenho que dizer que Jacob Black tinha se tornado uma homem incrivelmente bonito.
-Ola Jacob! Devo dizer que os anos lhe fizeram bem – Falei sorrindo percebendo o exato momento que eles me reconheceram. Se bem que o lobo da direita não foi nada discreto se destransformando em um homem um pouco mais baixo e novo que o Jacob e descaradamente nu.
-Eu definitivamente estou gostando de Forks – Falou Anne sorrindo fazendo o rapaz corar.
-Você é a filha do Chefe Swan que sumiu – Disse o rapaz meio escondido atrás do outro lobo – Foram os Cullen que te transformaram?
-Não criança. Foi um andarilho – Respondi encolhendo os ombros – Nós gostaríamos de falar com o alfa do bando.
-Eu sou o beta – Falou Jacob parecendo se recuperar do seu choque – O que você está fazendo aqui?
-Seus olhos são vermelhos – Acusou o mais novo.
-Conhaque na verdade – Respondeu Anne sem perder o sorriso – Nós não atacamos ninguém para sobreviver. Compramos sangue em bancos de sangue. Vocês ficariam impressionados com o que se pode comprar hoje em dia.
-E você espera que acreditemos nisso? - Perguntou Jacob irônico.
-Quem disse que nos importamos com o que vocês acreditam? - Perguntou Anne e achei melhor interferir.
-Jacob, nós só estamos aqui para procurar uma relíquia da família humana da Anne. Nada mais. Como você pode ver ninguém me reconhecerá. Passaremos no máximo duas semanas aqui e se atacarmos algum humano com intuito de sugar seu sangue estamos dispostas a nos entregar ao seu bando sem maiores lutas. Só queremos um acordo de duas semanas de trégua – Falei com calma estudando seus olhos negros. Eles eram tão sérios e levavam um tristeza de apertou meu coração.
-Eu vou reunir o conselho e informamos nossa decisão – Falou Jacob depois de um tempo – Não cheguem perto da cidade. Permaneçam na floresta até nosso pronunciamento.
-Obrigada por considerar – Falei criando coragem de perguntar o que eu queria – Meu pai...
-Morreu há dez anos – Falou Jacob bruscamente suspirando quando viu o meu choque – Eu sinto muito.
Observei o rapaz voltar a ser um lobo e eles se afastando. Senti as mãos de Anne no meus ombros me colocando dentro do carro. Percebi que o carro estava em movimento, mas estava perdida na minha mente.
-Vamos andar um pouco pela floresta – Falou Anne e eu saí do carro completamente no automático. Desde que havia me transformado eu tinha momentos que ficava completamente presa da minha mente. E talvez seja por isso que não percebi o ataque que veio pelas minhas coisas.
Senti uma mão na minha nuca e meu corpo sendo projetado para frente. Meu rosto encontrou o áspero chão da floresta sendo arrastado sem piedade. O choque da dor foi tão avassaladora que por um segundo todos os escudos que eu mantinha caíram. E o pior era que por mais que eu quisesse me defender eu não conseguia reagir.
-É melhor se afastar, vadia – Gritou Anne e mais uma vez sorri internamente em tê-la na minha vida. Ela sabia que eu estava presa dentro do meu corpo.
-Isso é pessoal – Disse uma voz feminina e deduzi que fui atacada por uma vampira.
-Claro que é! Você atacou minha família e sou extremamente protetora com ela – Respondeu Anne provavelmente analisando a situação.
Escutei um rosnado vindo de longe e parecia muito com o barulho de um lobisomem. Escutei o lobo correndo e a mulher percebeu sua desvantagem. Ouvi ela prometendo me reencontrar e sair correndo.
-Reunião rápida essa sua – Falou Anne e eu sabia que ela não estava conversando comigo.
-Eu não pude participar por ter envolvimento pessoal – Respondeu Jacob entrando no meu campo de visão – Qual é o problema dela?
-Quando ela recebe notícias que provocam grandes emoções ela fica presa em sua mente – Respondeu Anne se ajoelhando na minha frente – Ei querida agora está tudo bem.
-Vampiros entram em choque? - Questionou Jacob parecendo impressionado.
-A Bella entra – Falou Anne acariciando meu rosto – Vamos querida.
-Vocês podem ficar na minha cabana da floresta enquanto eles deliberam – Falou Jacob – Vai ser mais seguro com ela assim.
-Obrigada – Falou Anne sorrindo e senti suas mãos nos meus ombros me levantando. Comecei a acompanhá-la e pouco depois chegamos a uma cabana. Entramos e senti a Anne me deitando em uma cama – Bela cabana? Sua esposa está da foto?
-Era – Respondeu Jacob e seu tom de voz indicava que ele estava desconfortável – Ela morreu.
-Um vampiro a matou? - Perguntou Anne preocupada. Ela sempre achava que uma criatura sobrenatural só morreria por causa de outra. O que na maioria das vezes era verdade.
-Não. Acidente de carro – Respondeu Jacob – Eu passo aqui quando eles terminarem de delibera.
-Obrigada mesmo pela ajuda, Jacob – Falou Anne e alerta para flerte descarado – Você com certeza é o melhor lobisomem que eu cheguei a conhecer.
…
Algum lugar no Alasca
Edward
Eu olhava a madeira negra e passei meus dedos lentamente pelas teclas brancas. Há vinte anos eu não tocava piano. Eu sentia falta, mas não conseguia me focar nisso.
Eu havia aprendido a tocar ainda adolescente. Minha mãe era fascinada pelo som do piano e me fez aprender para tocar longas horas para ela. Quando me tornei um vampiro era uma das poucas coisas que me deixava bem. Isso e uma doce menina que conheci na pequena Forks.
Isabella havia sido a melhor coisa que havia acontecido na minha existência. Ela era tão linda e doce. Com seus londos cabelos castalhos que ao sol tinha reflexos avermelhados. Sua pele era branca e por mais que eu procurasse não havia nenhuma imperfeição. Seu corpo cheio de curvas suaves sempre me levavam a loucura. Mas o que eu mais sentia falta era dos seus olhos. Seus maravilhosos olhos castanhos que eram sempre tão expressivos.
Como eu sentia falta de tocar sua pele. De sentir o cheiro de morango que desprendia dos seus cabelos. Eu tenho tantos arrependimentos nessa minha eterna existência. Mas nenhum se compararia ao dia que eu disse adeus a ela. Eu só queria protegê-la e a única forma de fazê-lo era me afastar. Só que dias depois a Alice viu o seu futuro desaparecer e quando foi investigar soube que ela havia morrido.
Eu me senti quebrando em pedaços e fiz a segunda decisão que mudou tudo. Eu decidi que não poderia viver em um mundo onde a Bella não mais existia. Foi uma decisão estupida e egoísta. Eu desafiei abertamente os Volturi e quase matei minha família por causa disso. Contudo eu era considerado valioso demais para simplesmente morrer. E digo que a penas piores que a morte quando se trata dos Volturi.
-Eu vou sair para caçar – Disse Jasper parando na minha frente – Quer ir?
-Não. Eu estou bem – Respondi sorrindo. Agora eu estava sozinha com a Alice. Nossa família era composta por cinco pessoa. Esme e Carlisle estavam fora em uma visita a um conhecido. Rosalie e Emmett estavam em um tipo de lua de mel. Então eramos só eu, Jasper e Alice – Vai sozinho?
-Sim. A Alice não está muito de bom humor hoje – Respondeu Jasper revirando os olhos – Eu volto logo.
-Vocês estão bem, não é? - Perguntei o olhando preocupado.
-Eu sempre estou bem com a Alice – Respondeu Jasper sorriu para mim antes de sair.
Passei mais um tempo olhando para o piano antes de desistir de tentar. Levantei e me encaminhei até o quarto da Alice. Ela estava nitidamente mal-humorada. Deitada na cama com seus cabelos espalhados. Hoje eles era grande por causa de um tratamento que ela havia feito, aplique ou algo assim.
-Não se preocupe. Todo casal briga – Falou Alice assim que apareci na porta – Você não é culpa de todos os problemas dessa família.
-Só de noventa por cento – Respondi deitando ao seu lado.
-Edward você tem que parar de se punir – Falou a Alice virando para me encarar – Sua penitencia acabou, todos já te perdoaram. Só falta...
Ela nunca acabou a frase. Percebi quando uma visão estava chegando, mas não estava preparado para o que estava por vim. Era a Bella. A imagem dela caída no chão. Mas não era a mesma de vinte anos atrás. Seus cabelos estavam loiros e principalmente seus olhos estavam vermelhos.
-Era Forks – Sussurrou Alice parecendo perdida.
-Nós precisamos ir lá – Falei sem ter coragem de falar sobre o que acabamos de ver.
-Eu vou atrás do Jasper e partiremos imediatamente – Falou Alice saindo correndo enquanto eu tentava não criar esperanças.
Não demorou muito para ela voltar. O Jasper me deu um breve sorriso antes de empacotar sua coisas. Escutei a Alice falando no celular, mas não conseguia me concentrar no que ela estava falando. Quando percebi já estava sentado no banco da frente do carro enquanto o Jasper dirigia até o aeroporto.
O voo passou lento e a Alice me perguntou umas milhões de vezes se eu estava com fome. Chegamos em Seattle pouco depois da meia noite. Decidimos correr até Forks e ao ver nossa casa uma onda de nostalgia tomou meu corpo.
-Tome um banho e depois pensamos no que faremos – Falou Alice pensativa – Pode ser uma armadilha.
-Eu vou caçar – Falei e a Alice não me impediu. Corri e parei para olhar com atenção para o portão de ferro que guardava o cemitério. Eu odiava não poder ter vindo pessoalmente aqui. Caminhei entre as lápides tentando lembrar das memorias da Alice.
O corpo da minha Isabella nunca havia sido encontrado. Então seus pais decidiram colocar uma lápide em sua homenagem. Claro que a Alice poderia ter razão e ser algum tipo de armadinha. Mas ver um rosto tão parecido com o seu depois de vinte anos era uma esperança que eu não poderia deixar ser investigar.
Enquanto eu me aproximava percebi que não estava sozinho apesar de já ser de madrugada e estar dentro de um cemitério. Eu sabia que não precisava respirar, mas a imagem na minha gente roubou meu folego.
Ela estava a quase dez metros de mim e por algum motivo não percebeu que estava acompanhada. Seus longos cabelos castanhos estavam balançando ao vento sendo banhado de forma encantadora pelo brilho perolado da lua. Ela virou lentamente e um rosto tão conhecido me foi revelado. Seus lábios vermelhos abriram em choque. As maças do seu rosto estavam rosadas e seus olhos eram de um cor de conhaque que naquele cenário a deixava ainda mais bonita.
-Isabella? - Perguntei e pela primeira vez em vinte anos senti como se meu coração houvesse voltado a bater. O mesmo sentimento quando a vi naquela pequeno colégio no tempo de outrora.
-Isso é realmente uma surpresa – Falou Isabella e sua voz tinha um tom tão indiferente. Claro que eu não esperava que ela corresse para o meus braços, mas não estava esperando essa frieza – Devo dizer que você não mudou nada.
-Porque você não disse nada, Bella? - Perguntei me aproximando, mas antes que eu pudesse tocá-la ela se afastou como se meu toque pudesse queimá-la.
-Porque eu diria, Edward? - Perguntou Bella e seus olhos estavam tão frios e indiferentes – Você disse adeus. Você deixou bem claro que seria como se nunca tivesse existido na minha vida.
-Bella...
-Eu realmente não sei o que você está fazendo aqui. Mas eu sei como é fácil para você ir embora então adeus, Edward – Falou Bella se afastando.
-Eu passei vinte anos achando que você estava morta – Falei frustrado.
-E não se enganou – Falou Bella sarcástica – Você tinha razão sobre uma coisa. Eu realmente era uma menina inconsequente que achava que morrer era apenas um detalhe para o meu final feliz. Não vou mentir dizendo que foi bom vê-lo novamente e realmente espero que com o sol venha sua distância. Adeus Edward.
…
N/a: Ola pessoal!
Fiquei tão feliz com a recepção de vocês com a história! Realmente espero que gostem desse segundo capítulo também.
Agora respondendo as reviews:
Cculen - Ola! Fiquei muito feliz em saber que você gostou e admito que também adoro histórias onde a vida da Bella não para depois do termino. Espero muito que goste desse novo capítulo.
Samystere - Ola! Nos encontramos de novo! Fiquei muito feliz com sua review e espero que goste desse novo capítulo.
Guest - Ola! Fico muito contente em saber que você gostou e espero que goste desse novo capitulo também :D
Gabi - Ola Gabi! Que bom que você gostou da ideia. Espero que goste também da continuação.
As demais reviews foram respondida por e-mail e quero agradecer muito por todos os elogios.
Quero agradecer também a: Dehbraga, Line Hunt, Mikamss, BeeAW, Kiaraa e Natalocas por colocar a fic em alerta e/ou favorita. Muito obrigada mesmo.
Bom, espero que gostem e não esqueçam de deixar suas opiniões através de reviews.
Beijinhos
Maria Lua
09/08/2013
