disclamer: Nada me pertence, a não ser o plot dessa fic, os personagens e lugares são da linda Jk. não quero fazer dinheiro com isso


No dia seguinte, Harry acordou e desejou não tê-lo feito. Desejou que na verdade aquilo tivesse sido um sonho ruim - daqueles sonhos assombrosos e verdadeiros que fazem você correr na cama dos seus pais. Harry, é claro, jamais fez isso, se acordava com medo, lembrava que sua vida não poderia ser pior e voltava a dormir - mas não era. Ele já não tinha padrinho. Ele já não tinha família.

Ficou esperando que algo acontecesse, ainda de olhos fechados, esperou que alguém lhe sorrisse e dissesse que tudo estava bem, ou que alguém lhe batesse e falasse que ele era um merda que tinha matado a única família que tinha.

Como pôde ser tão estúpido? Como pudera se sentir tão especial por ter uma ligação com Voldemort? Era um burro prepotente, isso era o que ele era. Dumbledore poderia falar o que quisesse, a culpa não era de ninguém senão dele. E daquele heroísmo maníaco.

Hermione estava certa. Voldemort poderia estar tentando te usar, poderia ser uma armadilha, e se ele fosse um pouco mais prudente, teria acreditado nela, analisando agora, de olhos fechados - ainda esperando que o mundo acabasse, para que ele parasse de sentir dor - ele revia o filme, o drama, via o último sorriso de Sirius, a risada maligna de Bellatrix. A dor o consumia como ácido, tudo aquilo parecia ter acontecido há tanto tempo atrás que ele não poderia nem dimensionar a dor.

Perder doía demais.

- Harry?

Não era Ron quem o chamava, era uma voz feminina. Como a dor o deixava tonto, ele não conseguiu raciocinar direito. Poderia ser sua mãe para lhe abraçar, poderia ser alguém que se importasse tanto com ele que viria só para vê-lo dormir. Então Harry lembrou-se que tal pessoa não existia, e pensou que sua mente estava lhe pregando peças.

- Eu sei que você esta acordado, abra os olhos, por favor.

O tom autoritário a denunciou. Hermione Granger jamais perderia o tom mandão de sua voz. Harry abriu os olhos, para encontrá-la com as mãos na cintura, o mesmo olhar determinado de sempre com um que de compreensão. Harry ficou feliz que alguém tivesse o encontrado, se ela o abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem, poderia fingir que era amado que ainda tinha família, que aquilo fora um sonho ruim.

- É meio dia, você vai perder o almoço e o horário de visitas da ala hospitalar, ainda temos que visitar Ron.

Os olhos dela estavam vermelhos, a roupa alinhada demais e os cabelos presos numa trança, o que só poderia significar que ela não dormira, mas fingia que sim. Provavelmente, ela já distribuíra sorrisos para desconhecidos.

- Eu não quero levantar.
- Ninguém quer, mas nós temos Harry, e você sabe porque.

Ela sentou na beirada da cama dele, e o abraçou. Então Harry fingiu que tudo estava bem, porque ela jamais diria isso - tinha um compromisso grande demais com a verdade para simplesmente mentir tão descaradamente - e poderia estar bem se ele fechasse os olhos e sentisse as mãos dela bagunçando seus cabelos. Suspirou profundamente, precisava ser forte, como sempre.

- Já vou descer, só vou me trocar.

Ela levantou e sorriu, não um sorriso bonito daqueles de comercial de pasta de dente, um daqueles sorrisos tristes, sem dentes, sem covinhas, apenas lábios fechados e comedidos. Mas era um sorriso sincero, e esse é o tipo de coisa que importa em momentos tristes.

Hermione desceu as escadas. A sala comunal estava vazia. Quem ficaria preso lá dentro enquanto o sol brilhava no lago? Só ela pelo jeito. Mas sabia que estava fazendo o certo, Harry precisava que alguém o fizesse levantar, pelo menos nos dias tristes, e ela compreendia, até gostava. Ninguém tinha a obrigação de ser feliz e forte o tempo todo.
- x-

Eles estavam se beijando. Não, estavam praticamente transando na frente dele. Eles não tinham o mínimo de respeito. O mínimo de consideração. Ron Weasley fora traído pelos seus melhores amigos, que se importavam tão pouco com ele, que estavam ali, se comendo, bem na sua frente. Filhos da Puta era tudo que passava pela cabeça dele, e ele poderia matar a ambos se pudesse. Onde estava sua varinha? Olhou para as próprias mãos, para descobrir se segurava uma ou não. Não tinha uma varinha, tinha algo melhor, uma espada.
Ele iria matá-los, e os mataria agora, um golpe de espada nos dois corações, e a justiça seria feita.

Foi feita.

Só que o sangue na mão dele o assustou, os corpos estirados no chão o assustaram, principalmente, ver os cabelos de Hermione tão vermelhos quanto seus cabelos, e os olhos de Harry tão vidrados o fizeram gritar.

Então Ron Weasley acordou assustado. Desejou esquecer o sonho mas esse não era o tipo de coisa que se esquecia. Mesmo em sonho, matar as duas pessoas com as quais mais se importava no mundo o fazia um homem fraco. Olhou para os lados e ficou feliz que Neville dormia, que Ginny já estava melhor, ficou feliz que nem Harry nem Hermione estivessem lá para vê-lo acordar.

Embora que logo depois um sentimento um tanto quanto maligno apoderou-se de seu coração e o fizeram perguntar por que diabos eles não estavam ali. Então era assim que as coisas eram? Ele arrisca sua vida (mais uma vez) para seguir Harry, proteger Hermione (mas ele jamais diria isso à ela), para eles nem o esperarem acordar? Uma dor incomoda no peito o fez olhar para baixo, viu uma cicatriz. Ele não tinha cicatrizes. Ele não era a porra de um herói para ter cicatrizes.

Sentiu algo violento debater-se dentro de si, olhou as duas mãos, e nelas também haviam cicatrizes. O que aconteceu? Ele não se lembrava de como conseguira aquilo, mas pensou que cicatrizes não combinavam com ele, portanto deveriam ir embora.

Cicatrizes são para heróis, e ele não era um, era o melhor amigo. Só o melhor amigo.

A porta da ala hospitalar se abriu e os dois melhores amigos dele entraram. Nenhum sorria, Hermione tentou, lhe deu um beijo na bochecha e um sorriso fraco, Harry pediu desculpas.

A cicatriz sobre seu coração parou de arder, e o monstro dentro dela voltou a dormir. E Ron, ainda assustado com o pesadelo, jurou a si mesmo que jamais os machucaria, mesmo que eles o machucassem, porque melhores amigos são assim, e quando aquela cicatriz fosse apagada pelas mãos habilidosas de Madame Pomfrey, ele voltaria ser o melhor amigo de sempre e as coisas voltariam ao normal.

Suspirou tranquilo e esperou que Hermione começasse a contar o que tinha acontecido no ministério da magia, e Harry contasse porque diabos ele estava com uma expressão tão infeliz.

Porém o sonho ainda ficaria na sua mente por mais tempo que ele pudesse contar.


N/Deh:

E ai o que acharam da estoria? hope you enjoy segundo cpaitulo vem semana que vem, só com reviews.

my heart all to you guys.