Orgulhos que não se deve sentir.

É claro que foi fácil falar, não, na verdade não foi não, mas seria muito mais difícil cumprir aquilo do que simplesmente falar.

Ele descobriu isso quando, no dia seguinte, Hinata veio lhe perguntar coisas e mais coisas sobre Naruto, coisas sobre ele, coisas que ele gostava, coisas que ela deveria fazer e dizer.
Ela estava tão empolgada, e ela sorria tão inocentemente, porque ela acreditava que Kiba a estava ajudando porque era seu amigo, e queria vê-la feliz, porque era seu amigo.

E era verdade, mas não era só por isso, e ele não estava ajudando de plena e boa vontade como ela pensava, ele era seu amigo, ele queria vê-la feliz, porque era seu amigo, mas, acima de tudo porque a amava, e não era como amigo.

E então, a tortura diária de Inuzuka Kiba começara, todos os dias começavam com um sorriso determinado da mais velha Hyuuga, pedindo conselhos ao mais novo Inuzuka, e terminavam com as lágrimas da mesma garota, causadas pela inocente ignorância do garoto Uzumaki, e a promessa de que tentariam algo novo amanhã de um garoto sofredor, sem falar das inúmeras alfinetadas disfarçadas de provérbios, freqüentemente escapando da boca de um certo colecionador de insetos, que estava sempre a observar as deprimentes e repetitivas vezes em que Hinata corria com o rosto vermelho e molhado para algum lugar do colégio, com um exausto Kiba seguindo-a, e os latidos eufóricos, de um cachorro já nem tão pequeno, que pareciam querer dizer algo como "Eu vi isso ontem também, quando vão mudar o repertorio?", mas na verdade, tudo que conseguia era ser percebido por algum funcionário e mandado de volta para casa.

E então, hoje, no começo de um ano letivo, onde as crianças que se conheceram no primário tinham já 15 anos.

O porteiro reconhecera a figura de um garoto ofegante na frente do portão, era uma cena comum que Kiba viesse buscar Hinata todos os dias de aula. – As vezes ele vinha buscá-la em dias sem aula também, alegando pensar que já era segunda, ou que ainda era sexta.-

-Bom dia, Senhor Inuzuka, Chamarei a Senhorinha Hyuuga, um momento.- Anunciou pelo auto-falante.
-Falou, tio!- gritou para a guarita, ao invés de usar o microfone grudado ao muro.

Em poucos segundos apareceu uma garota atrapalhada, derrubando a bolsa, tropeçando em quanto ajeitava o tênis mal colocado e arrastando uma mecha do comprido cabelo preto-azulado para trás da orelha, era realmente engraçado ver como Hinata se diferenciava do restante da rigorosa e perfeita família Hyuuga.

-B-Bom dia! Kiba-Kun!- Disse ela se recompondo, saindo pelo portão preto, e fechando-o atrás de si.
-Bom dia, Hina-Chan!- Respondeu sorrindo.
-Bom dia, Kiba, Hinata.- Shino cumprimentou, fazendo Hinata pular de susto, e Kiba fazer um ruído estranho.
-S-Shino! Se continuar chegando assim do nada vai nos matar do coração, idiota!- Kiba o repreedeu.
-Eu...estava aqui antes de você chegar...- Disse, emanado uma aura obscura.
Houve silencio por alguns segundos, o ar comeuçou a parecer pesado.
-...E-Eh...Vamos ter um outro bom ano, pessoal!- A Hyuuga levantou o punho no ar com empolgação, os outros dois riram esquecendo a tensão, como de costume.
-Tudo bem, eu perdôo vocês, afinal, amigos são dádivas da vi—Shino se interrompeu quando percebeu que os dois já estavam andando mais á frente.

-Hey, seu cabelo cresceu?- Kiba perguntou, fitando-o.
-Heh...acho que um pouco...decidi não cortar esse ano...- Ela respondeu analisando uma mecha do próprio cabelo.

-Fui...deixado sozinho novamente...- Shino jogou a cabeça para baixo –E nem tenho um Akamaru dorminhoco dessa vez...-

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Antes de conhecer Hinata, Kiba realmente não se importaria com quaisquer normas de etiqueta, senso comum, ou nota de delicadeza.
Ele se importava com apenas três coisas, ele mesmo, Akamaru, e ser o melhor em tudo.
Achava que as outras pessoas não entendiam seu modo de pensar, incluindo sua família, então ele simplesmente se mantinha longe de todos.
Antes mesmo de entrar no primário já era conhecido como um projeto de mal elemento, sempre aprontando alguma coisa sem se importar com as conseqüências, a vida lhe parecia um tanto monótona, e para amenizar isso, ele simplesmente espalhava o caos.

Então, ele a encontrou, talvez tivesse sido uma intervenção divina ou algo assim, porque assim que ele começou a andar com ela, mesmo sua vida sendo bem mais pacata, ele não sentia a monotonia de sempre, logo ele chegou a conclusão que seu tédio era na verdade solidão.

Claro, ele tinha Akamaru, mas ele não era humano, eles se entendiam como tais, mas não poderiam ter o contato que os humanos tinham.
Akamaru continuou sendo seu melhor amigo sempre, mas agora ele tinha mais alguém em seu mundo.

Então Kiba começou a ter algum bom senso, continuava a ser grosseiro e a não entender muitas coisas, mas ao menos podia falar com uma pessoa sem a enlouquecer, já quando essa pessoa era Hinata, na medida que sua personalidade permitia, ele se esforçava para ser um gentleman.

-O que está esperando menina?- Exclamou irritado.

Na medida do possível...

-E-e-e-eu...- Ela gaguejou em resposta, resposta que ela se quer tinha.
-Se continuar aí, como uma vara-verde, ele nem vai se tocar de que você veio pra escola esse ano!- Ele repreendeu.
-M-Mas... ele está falando com a Sakura-Chan...- Ela bateu os indicadores, um olhar triste apareceu em seu rosto.
-Sakura é sua amiga também não é? Não é mais fácil assim? Vá logo cumprimentá-lo, se não, não vai conseguir nada nunca!- Ele a empurrou, ela deu dois passos, olhou receosa para Kiba, que fez um sinal brusco para que ela fosse logo.

Ela correu atravessando o pátio, meio acanhada, cumprimentou Sakura primeiro, depois Naruto gritou escandalosamente, dando bom dia à garota, que corou violentamente.

Kiba, escorado na escada da entrada, os observava com uma expressão vazia.

-De novo fazendo algo tão doloroso?- Shino perguntou ao amigo.
-É o que ela quer.- Kiba respondeu, sem empolgação, sem olhar para Shino.
-Quanto tempo mais você vai agüentar isso? Já pensou que ele pode acabar se interessando nela?- Indagou.
-Todos os dias, Shino. Quando foi mesmo que descobriu que eu gostava dela?- Respondeu, um pouco mais interessado agora, apoiando a cabeça no punho fechado.
-Na verdade, quando conheci vocês dois, já tinha certeza de que cedo ou tarde você afloraria tais sentimentos. –Ele ajeitou os óculos escuros.
-Hm, poderia ter me contado antes. - Olhou finalmente para ele, rodando os olhos.
-Seria estranho dizer algo como "Kiba, você gosta da Hinata" se você nem tinha se tocado ainda...- Explicou, olhando Hinata conversando timidamente com Sakura e Naruto.
-...É, realmente...respondendo sua pergunta, vou agüentar o quanto for preciso, e se ele se interessar por ela, melhor ainda, vou poder afirmar que ela é feliz graças á mim, certo?- Ele sorriu com indicador apontando para cima, como se tivesse dito a coisa mais obvia do mundo.
-E ser infeliz enquanto isso também?- Shino provavelmente se preocupava mais com eles dois do que os próprios.
-Detalhes, detalhes, quem liga para eles? Agora, chega dessa conversa idiota, vamos lá antes que a Hinata trave e fique que nem um poste no meio dos dois. - Disse pulando a escada, de uma vez só, seguido por Shino que descia um degrau de cada vez.

-Yoo!- ele gritou com uma mão erguida.
-Yo! Kiba!- Naruto bateu na mão de Kiba. –Shino!-
-Bom dia, Kiba, Shino.- Sakura cumprimentou.
-Bom dia.-Shino respondeu.
-Em que salas estão?- perguntou a Haruno.
-B em m-matemática, física, e Cálculo, A, nas o-outras matérias... - Hinata respondeu.
-A em todas.- Respondeu orgulhosa a garota de cabelos róseos.
-A em todas, também.-Disse o Aburame.
-A em educação física e artes, C em química, B no resto.- Respondeu pouco entusiasmado, Kiba ficaria em menos aulas com a Hinata do que o Shino.
-C em todas, e A em educação física.- Naruto respondeu com os braços atrás da cabeça.

(A: Notas boas, B: Notas regulares, C: Notas ruins.)

Ao menos ele estaria em mais aulas com a Hinata do que o Naruto, isso já o deixava mais feliz.
Eles continuaram por alguns minutos uma conversa sobre as férias, freqüentemente Kiba beliscava, ou puxava a barra da blusa da Hinata, para que ela dissesse alguma coisa, coisa que já era comum em conversas em grupo, até que o sinal tocou.

-HEEEEEEH? Como podem colocar cálculo na primeira aula? Logo a matéria que eu estou na sala C!- Naruto gritou, indignado.
-A única matéria que em que você não está na sala C é Educação Física, idiota.- Disse a Haruno, inconformada com a cara-de-pau do amigo.
-Detalhes, Sakura-Chan, Detalhes.- Ele desdenhou.
-E...bem...- Hinata tentou dizer algo como "Vejo vocês depois, pessoal!", sem sucesso.
-Vemos vocês mais tarde! Vamos, Hinata.-Disse puxando o braço da Hyuuga, Ah, ela se perguntava como ele conseguia fazer isso.

Cálculo, Ah, Como Hinata odiava toda e qualquer coisa que envolvia matemática, ah, como calculo conseguia ser especialmente irritante por ser uma matéria para revezar os pontos mais difíceis da matemática, ah, como até as coisas escritas atrás da cadeira de Kiba pareciam tão interessantes, comparadas aos hieróglifos que o professor escrevia incessantemente na lousa.

-Heh, você está melhorando, até estou meio que orgulhoso.- Disse enquanto se virava para trás.
-Huh?- Ela levantou o olhar, que pairava no encosto da cadeira de Kiba, onde via iniciais dentro de corações, xingamentos á professores, vestígios de cola de diversas matérias, e desenhos indecifráveis.
-Não desmaiou hoje ainda.- Ele disse devagar, como se falasse com uma criança, arqueando uma sobrancelha.
-Ah, Sim, obrigada, Kiba-Kun, eu tenho me esforçado para não ficar tão vermelha também.- Ela sorriu docemente, se inclinando na direção dele. Kiba sentiu seu sangue subir ás bochechas, virou-se para frente.
-Bom, quanto á isso, você não melhorou nada.- Ele disse, tentando disfarçar o abalo que ela lhe causava.
-Heh? – Ela exclamou preocupada.
-Hyuuga, Inuzuka! Estão entendendo a matéria?- O professor perguntou, uma oitava mais elevada do que a ocasião pedia.
-S-Sim!- Ela respondeu automaticamente, enrijecendo, Kiba rodou os olhos em resposta á pergunta do professor, que se virou irritado, e colocou o giz com força de mais contra a lousa, que acabou fazendo o giz se partir, o que fez o professor bufar e sair marchando da sala, indo buscar mais giz, ato que ocasionou um burburinho ensurdecedor na sala, como sempre acontecia na ausência de algum professor.

Ele se virou por dois segundos para trás, só para checar o estado dela, ele por impulso, ciúmes, ou qualquer outra influencia maligna, hora ou outra sempre dizia coisas sem pensar. Apesar de ter melhorado tanto, ele ainda era Inuzuka Kiba.
Ela tinha um olhar meio triste, meio frustrado, como o de uma criança que derruba o sorvete na areia do parquinho, em quanto rabiscava o canto da folha do caderno.

-Talvez só um pouquinho. – Ele disse cruzando os braços e apoiando os pés na cadeira da frente, olhou de esguelha para a Hyuuga.
-Enquanto você, está até piorando. – Ela sorriu divertida, ele tocou a própria bochecha. – Brincadeira. – Ela balançou uma das mãos, ainda sorrindo. – Mas, pode apostar, esse ano eu vou melhorar muito! – Ela fechou os olhos, pôs as mãos atrás da cabeça e abriu um grande sorriso.
-Não adianta copiar ele. – Disse direto, virando cabeça para o próprio caderno, voltando a trabalhar no desenho onde o professor era devorado por um Akamaru gigantesco.
-Você percebeu? – Disse receosa, bateu os polegares e foi um pouco mais para frente em sua cadeira, tanto que sua respiração fraca podia ser sentida no pescoço do Inuzuka, que foi imediatamente mais para frente.
-Eu sempre percebo, Idiota. – Cuspiu as palavras, ainda meio abalado pela sensação que aquela respiração avia lhe causado, e pensar que ela nem havia percebido.
-... Heh... – Ela finalmente se sentou em sua forma usual, com a postura de uma violinista, sorriu para si mesma. – Eu realmente não combinaria com uma personalidade assim, né? – Tombou a cabeça para o lado.
-Não. – Ele suspirou – Está bem assim, Hinata é Hinata e sempre vai ser assim. – Ela fitou o teto branco, o ventilador velho girando de forma descompassada. – De qualquer forma, você tem a mim, então, mesmo não dando pra te transformar em uma Naruko, Graças a Deus, com certeza você pode melhorar. – Ele balançou a mão, como se dissesse algo banal.
-Obrigada, Kiba-Kun.- Ele realmente começou a considerar que estava ficando vermelho com mais freqüência. – Por estar sempre me ajudando, você é realmente um ótimo amigo! – Ela disse, seu tom gentil, essa era Hyuuga Hinata.
-C-Claro, claro.- Ele teve dificuldade para falar.

O professor voltara á sala, com passos duros, jogou a caixinha de giz em cima da mesa, disse o numero de cerca de 6 páginas, e voltou na passar fórmulas complicadas.

Essa era Hyuuga Hinata, a Garota a quem Kiba prometeu ajudar a conquistar um de seus melhores amigos, a menina que havia crescido ao seu lado, a Hyuuga que ele amava, a Hinata que fazia seu coração acelerar e parar tão freqüentemente que um dia poderia levá-lo a ser um prato cheio para um cardiologista.

Um ano relativamente normal, nada em especial que o diferenciasse dos outros, mal ele sabia que esse seria o ano mais feliz de sua vida.

Mentira, seria o mais sofrido.


Yo Minna!

Queria deixar um obrigada especial pra Loowblack, por ter mandado a primeira review!
E avisar que infelizmente existe a possibilidade de eu demorar um pouquinho pra postar o próximo capitulo, mas vou fazer o possível pra postar o quanto antes.

Espero que estejam gostando da Fic, continuo com o pedido pra que tenham compaixão e mandem reviews, mesmo que seja pra criticar hahahaha
Até o próximo capítulo! Bjobjo.