Capítulo II
William não compareceu ao salão durante o jantar.
Sua refeição naquela noite foi feita na pequenina sala ao lado da cozinha e foi constituída em uma sopa de legumes e um delicioso pão fresco, recém-saído do forno. Como sua tarde na biblioteca, ninguém veio importuná-lo com avisos, comentários ou qualquer tipo de reclamação e ele seguiu para quarto sentindo-se revigorado e pronto para uma reconfortante noite de sono.
Os trovões começaram a ser ouvidos assim que escureceu, mas com menos intensidade do que nos outros dias. Talvez o pior tenha passado. William terminou de subir a escadaria, seguindo pelo corredor e tentando afastar a ideia de que precisaria lidar com o intruso. Eu não quero vê-lo hoje.
Pensamento positivo nunca foi seu forte, e o eleitor preferia basear suas opiniões em fatos concretos, portanto, ao encarar a porta de seu quarto e ver Dantalion parado e de braços cruzados, ele teve certeza de que vivia apenas uma reação causada por uma ação. Ou melhor, causada por um erro. Eu nunca deveria ter permitido que ele entrasse em minha vida.
"Boa noite, William." O demônio ofereceu um meio sorriso. O louro não respondeu, retirando a chave do bolso de seu colete e girando-a na fechadura dourada. "Você poderia pegar meu travesseiro, por favor?"
O pedido o fez virar-se no mesmo instante, surpreso e confuso.
O moreno desfez o sorriso e abaixou os olhos escarlates, coçando a nuca e parecendo estranhamente embaraçado.
"Eu decidi dormir em outro lugar. Desculpe por me impor dessa maneira."
"Quem foi?"
Um suspiro deixou os lábios do Grande Duque. Ele não era a mente mais brilhante e esperta daquele colégio, ainda mais para assuntos sérios, então definitivamente alguém havia plantado certas ideias em sua cabeça.
"Sytry, Camio e... Kevin." Dantalion coçou a bochecha e desviou os olhos, evitando que eles se encarassem.
"Aqueles três..."
William esticou a mão, puxando-o para dentro do quarto e fechando a porta. Seus passos o levaram até a cama, pegando o travesseiro extra que estava sobre a colcha verde escura e jogando-o na direção de sua companhia, que o segurou sem muitos problemas.
O louro permaneceu de costas, encarando sua parede. Ele não tinha experiência com relacionamentos ou conversas significativas e sempre preferiu passar seu tempo entre livros. Seria preciso uma dose extra de coragem para dar aquele passo, porém, ele sentia que se não iniciasse aquela caminhada talvez passasse o restante de sua vida no mesmo lugar.
"Eu não acredito na história de eleitor ou qualquer bobagem relacionada a Céu ou Inferno, mas, às vezes, quando eu fecho os olhos consigo ver e me lembrar de coisas que jamais vivi ou seres que nunca conheci." Ele recusou-se a fechar os olhos. Se fizesse isso certamente acabaria se recordando da única imagem que era uma constante em sua mente.
"W-Wil..."
"Meu nome é William Twining e eu sou um realista." Seu corpo virou-se. "Eu não sou esse Salomão que você, Sytry e Camio acreditam que eu seja. A pessoa que vocês buscam não existe."
"Do que você está falando?"
"Eu sei que você procura por outra pessoa quando olha para mim. Talvez nós sejamos parecidos fisicamente, mas eu tenho certeza absoluta de quem sou e estou cansado de ser tratado como uma caixa cuja única utilidade é abrigar algo de valor. Por isso..." William engoliu seco. Por que era tão difícil? "Pare de me procurar."
"Não."
"Não?"
"Não."
"Não?!" As sobrancelhas claras se juntaram. O moreno jogou o travesseiro novamente sobre a cama e cruzou os braços, exibindo uma expressão totalmente branca. "O-O que você quer dizer com não?"
"Não... é não, achei que fosse mais inteligente do que isso, William."
"Você!" Ele deu um passo à frente e sentiu a veia em sua testa tremer. Aquela criatura não tinha limites. "Você não ouviu uma palavra do que eu disse?"
"Pelo contrário, eu ouvi tudo e minha resposta é... não!" O demônio fez um gesto com a mão direita, como se afastasse alguma coisa invisível e indesejável. "Eu não deixarei de visitá-lo durante as noites... e os dias, e qualquer horário que julgue necessário."
"P-Por quê? Eu acabei de dizer que não sou quem você esp—"
"Você é William Twining." Ele respondeu de imediato. "Exatamente a pessoa que venho procurar."
O eleitor sentiu o rosto corar e por um instante as palavras lhe faltaram. Ele não esperava por isso. Em seu ensaio mental Dantalion aceitaria sua decisão e teria ido embora de cabeça baixa. Por que ele sempre dificulta as coisas?
"Você mente!"
"Geralmente sim, mas não neste momento; eu posso garantir." A segurança contida naquelas palavras soava assustadora. Seus olhos permaneciam sérios e não havia nada em sua linguagem corporal que contradissesse seu discurso. "Eu não beijo Salomão, eu beijo você."
"Mentiras." O louro piscou longamente e naquele segundo pôde ver, por trás de seus olhos fechados, a imagem que raramente deixava sua mente. Eles estavam se beijavam. Um homem cujo rosto é similar ao meu e... ele! "Eu sei que você e Salomão eram... algo como... amantes..."
"O quê?!" As sobrancelhas negras se juntaram e a confusão foi genuína. "Quem disse tal coisa? Foi Sytry, não?"
"N-Não, eu vi... eu vejo essa imagem, em minha cabeça." Ele sentiu-se tolo por falar aquelas coisas. Eu sou realista, não? Aquele tipo de bobagem sem nenhuma base científica não poderia ser verdade.
"Oh! Aquele beijo!" O demônio bateu as palmas das mãos. "Um beijo, e foi Salomão quem me beijou como forma de selar o contrato."
"Ele beijou Sytry, Camio e todos os outros iludidos que acreditam morarem no inferno?"
"N-Não..." O moreno ponderou. "Os outros contratos foram feitos com apertos de mãos."
Uma fina sobrancelha dourada foi erguida e os dois permaneceram em silêncio até Dantalion perceber o que havia acabado de ouvir. Ele corou, levando as mãos até as bochechas e parecendo uma garota que havia acabado de descobrir que o rapaz mais popular do colégio nutria sentimentos por ela.
A cena era tão patética e irritante que William não soube o que fazer além de pegar o travesseiro de cima de sua cama e arremessá-lo contra sua companhia... mais uma vez. O gesto trouxe o Grande Duque de volta à realidade e também colocou fim àquela conversa. O travesseiro foi segurado com uma mão, enquanto a outra o envolvia pela cintura, trazendo-o próximo e juntando os corpos.
"Eu estou lisonjeado por vê-lo com ciúmes, mas eu e Salomão nunca estivemos envolvidos romanticamente."
"Hã? C-Ciúmes?!" Ele corou tão violentamente que achou que acabaria desmaiando por falta de circulação. "Por que eu sentiria ciúmes de você?
"Porque você gosta de mim." Dantalion sorriu. As palavras soavam baixas e deixavam seus lábios de maneira charmosa.
"Você está delirante." O eleitor não sabia para onde olhar: os profundos e belíssimos olhos escarlates ou os lábios rosados e que ele conhecia tão bem.
"Eu devo estar, porque eu estou completamente apaixonado por você... corpo e alma."
"M-Mas quanta bobagem!" Os dedos apertaram o sobretudo escuro que sua companhia vestia. Até aquele instante ele não percebeu que tremia. "Amor nada mais é do que uma reação química causada po—"
A explicação perfeita para aquela situação desapareceu quando seus olhos se fecharam. Quando os lábios do moreno tocaram sua boca, uma estranha e sufocante sensação percorreu-lhe o corpo, como se uma força invisível os envolvesse.
Os lábios moviam-se com pressa e as línguas dançavam a mesma valsa, cujos passos eram perfeitamente conhecidos. O demônio soltou o travesseiro, segurando-o com a mão direita enquanto a esquerda mantinha a nuca firme
Por longos minutos o louro esqueceu-se totalmente de tudo o que não fosse aquele que o envolvia com tanta firmeza e desejo. Ele sentia o gosto da torta de morangos nos lábios alheios, no entanto, sobremesa alguma poderia ser mais deliciosa do que a sensação que subiu por seu corpo quando Dantalion ergueu um pouco o joelho direito, pressionando seu membro.
O gemido que soou foi baixo e erótico e William pegou-se movendo o corpo para baixo, apenas para sentir novamente a mesma sensação. Uma das mãos desceu por suas costas, apalpando o quadril e juntando os corpos um pouco mais. A carícia foi interrompida e os dois se encararam, trêmulos e incrivelmente excitados.
"William..." A voz era rouca e, enquanto se via naqueles belos olhos escarlates, o eleitor pôde facilmente visualizar o que fariam naquela noite. "Por favor, me mande embora. Eu não responderei por mim se permanecer um segundo a mais neste quarto."
O aviso foi dado com seriedade e havia total honestidade naquelas palavras. Contudo, ele nada fez, mantendo os olhos firmes e ouvindo as batidas de seu próprio coração. Ele queria aquilo. Ele desejava saber o que vinha depois dos beijos e abraços, como seria vê-lo completamente descomposto, além da curiosidade natural de um garoto de 16 anos com relação à sexualidade.
Dantalion o empurrou na direção da cama, derrubando-o sem gentileza e retirando o lenço branco de seu pescoço. O coração de William batia mais rápido, ansiando pelo que estava prestes a viver e se perguntando se teria coragem de ir até o fim.
"Diga que você quer isso tanto quanto eu." O moreno inclinou-se sobre ele. "Eu não vou tocá-lo se não receber permissão."
"Eu quero você." Ele respondeu prontamente.
"Ótimo..."
O meio sorriso que cruzou os lábios do demônio transbordava malícia. O terno escorregou por seus ombros e o eleitor viu os músculos por baixo da camisa branca, que foi aberta devagar e atirada para o lado. O louro deitou-se melhor na cama quando Dantalion voltou a inclinar-se. Os botões do colete foram arrebentados em um único movimento, entretanto, a camisa foi aberta com gentileza. O moreno passou a língua sobre os lábios antes de fisgar o mamilo esquerdo de William, que gemeu alto, surpreso com aquela nova e inusitada sensação.
"Deixe que sua voz ecoe pelo quarto." O Grande Duque sussurrou baixo. "Eu coloquei uma barreira no cômodo. Ninguém irá ouvi-lo além de mim."
Mesmo que tal informação fosse verdadeira, ele jamais se permitiria aquele nível de sensualidade. Suas mãos cobriam os lábios, tentando ao máximo conter os gemidos derivados da maneira como seu mamilo era beijado e mordiscado. Seu baixo ventre tremia, e o eleitor sentia-se perplexo por estar excitado sem nenhum toque direto.
O demônio passou a dar atenção ao outro mamilo, todavia, assim que o colocou entre os dentes, o louro encolheu-se. Não pode ser... Os olhos esmeraldas se arregalaram e ele mordeu a própria mão. Aquilo não havia acontecido.
"W-William..." A surpresa foi quase palpável. "Você... agora... v-você..."
William cobriu o rosto com as mãos, envergonhado demais para encará-lo. Eu não acredito! Dantalion riu baixo e o eleitor só voltou a olhá-lo quando sentiu o cinto de sua calça ser aberto e a peça retirada com um único puxão. O que... Ele arregalou os olhos e ficou boquiaberto. Da cintura para baixo só havia nudez.
"Eu não sabia que você era tão sensível, William." O moreno curvou-se como um tigre que havia encurralado um pequenino coelho. Os olhos, o sorriso e a respiração estavam em perfeita harmonia.
Aquela foi a primeira vez que o louro chegou ao orgasmo sem precisar se masturbar. Vez ou outra ele rendia-se às necessidades da natureza, apesar de que, desde que começou a permitir que certa pessoa visitasse seu quarto, essas ocasiões se tornaram mais frequentes.
A nova sensação, porém, não poderia ser comparada ao que eles fariam naquela noite. Quando o demônio abocanhou seu membro, por exemplo, uma parte nele achou que havia morrido e chegado ao outro lado. Eu quase acreditei nessa bobagem de Céu e Inferno...
William era inexperiente em romances e aventuras sexuais. Ele nunca havia tocado outro ser humano de maneira íntima, e só conhecia as descrições de certas sensações porque lera alguns dos livros de seu tio que costumavam ficar estocados no sótão de sua mansão. No entanto, o eleitor tinha certeza de que romance algum o teria preparado para a realidade.
O momento em que Dantalion o recebeu em seus lábios e engoliu seu sexo de maneira faminta jamais poderia ser descrito. Ele arqueou as costas da cama, apertando os cabelos negros e proferindo uma sucessão de palavras desconexas. A ereção retornou dentro da boca do moreno e o que parecia bom tornou-se melhor, e as reações deixaram de ser omitidas.
Por cerca de cinco minutos o louro não fez nada além de gemer. Suas pernas haviam sido passadas pelos ombros do demônio, que movia os lábios, língua e as pontas dos dedos em perfeita sincronia. Os sons do ato entravam por seus ouvidos e os olhos fechados imaginavam o que acontecia em seu baixo ventre. O estímulo tornou-se diferente quando o clímax se aproximou. Um dos dedos passou a brincar com sua entrada, tocando-a de maneira despreocupada somente para provocá-lo.
O segundo orgasmo foi mais intenso que o primeiro e acompanhado pelo gemido mais erótico que já havia deixado os lábios de William. Seu corpo inteiro vibrou e seus dedos puxaram os cabelos do Grande Duque do Inferno, que não pareceu reclamar, pelo contrário. O eleitor manteve-se de olhos fechados, mas abriu-os nos segundos finais, tendo a chance de ver o instante em que seu amante o recebia em sua boca, movendo a garganta duas vezes.
Dantalion passou a língua de maneira sensual pelos lábios antes de voltar a inclinar-se. O louro estava fraco demais para pestanejar, permitindo-se ser virado e afundando o rosto em seu travesseiro. O moreno mordeu um de seus ombros, passando a beijá-lo e traçando um indiscreto caminho pelas costas. William tinha certa noção do que estava prestes a acontecer e agradeceu mentalmente por estar de costas e não precisar encará-lo.
A primeira coisa que ele fez ao sentir a língua em sua entrada foi rir. A sensação era nova e confusa, e soava completamente proibida. A graça, contudo, morreu conforme o demônio passou a colocar um pouco mais de afinco na carícia. Seu corpo tornou-se quente, principalmente quando o primeiro dedo pediu passagem, penetrando-o devagar e fundo.
O rosto do eleitor ganhou uma coloração rubra e ele tentou ao máximo ignorar os pensamentos impuros que passavam por trás de seus olhos fechados. Quantas vezes ele não havia fantasiado com aquele tipo de coisa? Por quantas noites ele não desejou ser um pouco menos sério e casto para perder-se naquele tipo de carícia? Remexendo-se na cama, apertando os cobertores e chamando o único nome capaz de fazer a voz ficar presa em sua garganta.
A verdade era que o louro sempre foi curioso com relação à sexualidade, especialmente entre dois homens. Ele sabia, na teoria, como as coisas aconteciam; a anatomia de seu próprio corpo e os locais que deveria tocar na obtenção de prazer. Entretanto, a prática era diferente e, embora curioso, William nunca conseguiu juntar coragem para se tocar daquela maneira. Eu perdi muito tempo.
Aquela certeza começou a martelar em sua mente quando Dantalion o penetrou com um segundo dedo. O que antes parecia estranho e levemente doloroso havia se transformado em uma prazerosa e peculiar sensação, intensa o suficiente para fazer reaparecer sua nova ereção.
"É aqui, não?" O moreno havia se inclinado sobre ele enquanto o penetrava profundamente com os dedos.
A resposta foi apenas um gemido e pareceu ser suficiente.
O demônio retirou seus dedos e o virou, surpreendendo-o, visto que ele esperava continuar naquela posição e evitar maiores constrangimentos. O Grande Duque ajoelhou-se entre suas pernas, abrindo os botões da calça com pressa. Ele está tremendo. Os olhos esmeraldas estavam fixos no gesto, curiosos para verem o que havia por baixo daquela peça de roupa.
"Eu precisarei de sua ajuda, William."
O eleitor engoliu seco, entendendo exatamente o tipo de ajuda que precisaria dar. Ele sentou-se na cama, sentindo o rosto tornar-se corado ao pensar no que estava prestes a fazer. Dantalion retirou a ereção de dentro da calça e o corpo do louro arrepiou-se com a visão. As pontas dos dedos da mão direita seguraram-na de maneira tímida, surpreendendo-se pelo calor da pele. Essa é a primeira vez que faço isso. Talvez não seja uma boa ideia.
"E-Eu nunca fiz isso antes." Ele resolveu ser sincero, pois duvidava que fosse capaz de fazer os mesmos movimentos recebidos há poucos instantes. "Eu provavelmente não sei o que fazer."
"Eu também nunca havia feito até esta noite." O moreno sorriu. "Apenas deixe-o úmido; eu não quero machucá-lo."
William umedeceu os lábios antes de aproximar o rosto. Suas mãos tremiam e ele sabia que não conseguiria colocar o membro por inteiro em sua boca, todavia, faria o possível para não ser totalmente inútil. A ereção entrou devagar, repousando em sua língua. O demônio gemeu de maneira contida e os olhos verdes se ergueram, observando as reações que causava.
Os olhos escarlates estavam fechados e daquele ângulo ele achou seu amante quase adorável. Isso é interessante... A língua circulou o membro e após alguns segundos o eleitor entendeu parcialmente a dinâmica do ato. A sensação de ter o sexo de outro homem, ou criatura, dentro de sua boca não o incomodou mais do que o modo como seu corpo havia reagido à carícia.
Seu pré-orgasmo pingava sobre a colcha e ele começou a ansiar pelo ápice daquela noite, imaginando como seria ter Dantalion dentro dele. Não acredito que ele consiga... meu corpo não foi feito para alguém desse tamanho... impossível! A concentração foi interrompida por uma gentil mão que tocou seu ombro, fazendo-o parar.
"Deite-se."
O pedido foi feito por um fio de voz.
O louro obedeceu e o demônio inclinou-se para o lado, pegando o travesseiro que havia caído ao chão e posicionando-o embaixo do quadril de William. Talvez seja uma má ideia... Ele respirava alto e jamais conseguiria descrever o que sentiu quando suas pernas foram afastadas.
O moreno posicionou a ereção, penetrando-o com delicadeza. O eleitor arqueou a nuca para trás, encarando o teto e sem acreditar que estivesse realmente fazendo aquilo. Ele sentiu o membro invadindo-o aos poucos, provando-o e devorando-o lentamente. O Grande Duque só parou quando estava completamente dentro, mas nenhum deles fez menção de fazer qualquer movimento.
"William, você está bem?"
A voz chamou sua atenção e a resposta foi um menear de cabeça. Dantalion estava entre suas pernas, totalmente nele e olhando-o com olhos preocupados e desejosos. As mãos seguraram sua cintura e ele retirou-se devagar, quase por completo.
A sensação dessa vez foi diferente e antecipou o que viria em seguida. A estocada foi forte e precisa, acertando seu ponto especial. Os olhos esmeraldas se arregalaram e o louro não entendeu, a princípio, o que havia acabado de acontecer. De repente seu mundo tornou-se longe, como se ele fosse espectador e estivesse vivendo indiretamente aquilo.
Ele não sentiu seu clímax, porém, viu-o pintar o abdômen e peitoral. A realização veio inusitadamente e foi então que William se deu conta de que gemia, não os castos e controlados gemidos de outrora, e sim sons que ele jamais achou que um dia pudesse ser capaz de emitir.
O moreno o penetrava com rapidez e força e, quando a realidade retornou por completo, o eleitor quis acreditar na bobagem sobre a barreira ao redor do cômodo, pois morreria de vergonha se alguém no colégio pudesse ser capaz de ouvi-lo daquela maneira: necessitado, sensual e chamando o nome do demônio a cada estocada.
Ele esqueceu-se da tempestade que caia do lado de fora, ignorando os barulhos dos trovões, os grossos pingos contra as janelas e o ranger de sua cama. Dantalion permaneceu entre suas pernas por um longo tempo enquanto possuía-o com desejo. O louro precisou passar a mão pela testa, colocando a franja para trás e retirando-a de seu rosto úmido com suor.
Depois dos minutos iniciais, parte do pudor desapareceu e ele passou a admirar seu amante e o modo como ele se movia. Ao sentir-se observado, o moreno inclinava-se, fisgando os lábios e o beijando com erotismo enquanto continua a se mover.
Aqueles doces momentos aconteceram com frequência, até o demônio puxá-lo com um pouco mais de força, penetrando-o fundo. O orgasmo o preencheu no mesmo instante e ele ouviu-se gemer com aquela nova sensação. O Grande Duque fechou os olhos, nivelando a respiração e esperando que seu corpo se acalmasse.
Foi nesse momento que William teve uma epifania.
Seus olhos estavam fixos em Dantalion, a maneira como ele inspirava e expirava, a gota de suor que escorria pela ponta de seu queixo e as mãos trêmulas que seguravam suas coxas com uma agradável possessividade.
Até aquela noite ele não havia se dado conta do que estavam fazendo. As visitas no meio da noite, os beijos, os minutos de conversas idiotas sobre a cama... tudo não passou de preliminares para aquela ocasião e, quanto mais pensava a respeito, mais convicto ele estava de que o que acabara de acontecer era inevitável.
Desde a primeira vez que se viram aquela noite estava fadada a acontecer.
O demônio abriu os olhos devagar, focando-se no rapaz deitado e exibindo um cansado meio sorriso. O eleitor corou, no entanto, não fez menção de esconder seu rosto. Depois de tudo o que haviam feito naquela cama, ainda haveria necessidade de sentir-se envergonhado?
Dantalion retirou-se com gentileza e deitou-se sobre ele, apoiando um cotovelo de cada lado de seu rubro rosto. O louro sentiu suas mãos subirem pelas costas bem torneadas, sentindo a pele quente e avermelhada devido ao exercício. Os dois se encararam por longos segundos, no mais puro e cúmplice silêncio.
O demônio abaixou um pouco a face, beijando-o e arrepiando-o. A mão direita tocou seu rosto, descendo devagar pelo peitoral, abdômen e baixo ventre, encontrando a entrada e a penetrando com dois de seus dedos. O louro gemeu, movendo-se inquieto e surpreso por estar tão sensível àquelas investidas.
"Eu quero você... de novo." As pontas dos dentes mordiscavam a orelha direita, levando uma onda de arrepios por seu corpo. "Eu quero você todos os dias... todas as noites..."
Se aquela afirmativa exigia uma contrarresposta ele continuaria na mais profunda ignorância, pois não teve a oportunidade de sequer pensar no que dizer. Um novo beijo invadiu seus lábios e logo se tornou impossível fazer qualquer coisa além de retribuir. Os dedos se tornaram mais exigentes e tentadores, e em determinado momento William achou que precisaria pedir para que fosse possuído novamente, contudo, Dantalion havia chegado ao limite.
O eleitor foi puxado para o colo, sentando-se devagar sobre a nova ereção, que o penetrou com facilidade e preencheu-o por completo logo na primeira estocada. Ele envolveu o pescoço do moreno, escondendo seu rosto e sua timidez. Uma parte dele estava com medo do que aquela noite poderia significar, porque, depois de permitir que o demônio o tocasse de tal forma, ele duvidava que os encontros noturnos ficassem somente em meros e inocentes beijos.
x
Ele moveu um pouco a cabeça, cansado de permanecer em uma mesma posição.
Os olhos esmeraldas piscaram e um meio sorriso fez o lado direito de seus lábios pender um pouco para cima. O quarto estava silencioso e não havia barulhos de tempestades ou gemidos, e o único som vinha da respiração baixa daquele deitado ao seu lado. Ele dorme como uma criança.
A mão esquerda saiu debaixo do grosso cobertor, tocando a face inconsciente e afastando uma mecha negra. O louro adorava vê-lo dormir, não somente pela tranquilidade, mas por remetê-lo aos dias em que eram apenas os dois.
O primeiro raio de sol entrou pela janela, tocando o alto da parede e dando vida a um quarto que havia permanecido agitado até boa parte da madrugada. William, não, Salomão não desviou os olhos um único instante.
"Por que você nunca mostrou esse lado para mim?"
A pergunta foi retórica e a ausência de resposta o fez suspirar. As pontas dos dedos tocaram os lábios rosados de Dantalion e o corpo de William se inclinou, tentado a senti-los. Dois grandes olhos escarlates de abriram, fazendo-o desistir daquela atitude impensada. O sorriso se tornou maior e Salomão brincou com a mecha negra, sentindo-se um pouco envergonhado por ter sido descoberto em um momento como aquele.
"Você terá problemas, Dantalion. Eles sabem o que você fez ao pobre rapaz."
"Eu não me importo." Ele piscou longamente e sua voz saiu grossa devido ao sono.
"Uriel está possesso. Eu consigo sentir sua ira daqui." O antigo rei parecia entretido com aquilo, entretanto, não demorou a que a graça morresse pouco a pouco. "Por que, Dantalion?"
"Eu o amo."
"Eu não me referia a isso." Salomão não pareceu feliz com o que acabara de ouvir. "Por que não eu? Por que nunca fizemos isso?"
"Você sabe o por quê."
"Você sabia que eu te amava. Você sabia que eu faria qualquer coisa por você."
"Salomão..." O moreno tocou o rosto que pertencia a William, apertando um pouco a bochecha esquerda. "Eu acho que você deve ir."
Os olhos verdes se arregalaram e Salomão mordeu o lábio inferior. Por um momento nenhum deles disse nada, até um novo sorriso surgir.
"William... Eu posso te dizer o que ele realmente sente. No fundo, e—"
"Não." O demônio pousou um dedo sobre os lábios pertencentes ao eleitor e meneou a cabeça em negativo. "Ele me dirá quando estiver pronto. Eu quero ouvir os sentimentos de William e não os seus."
"Você é realmente cruel, Dantalion."
Salomão tocou a face do Grande Duque do Inferno uma última vez, fechando os olhos e deixando que o corpo em que estava relaxasse. O ar entrava e saia por seus pulmões, movendo órgãos que não eram dele, enquanto a consciência do verdadeiro dono retornava.
Uma fina e discreta lágrima escorreu pelo olho direito, afundando no travesseiro e perdendo-se para sempre, assim como os seus verdadeiros sentimentos.
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William acordou com o agradável aroma de biscoitos amanteigados e chá de menta. Seus olhos se abriram com dificuldade, sentindo a claridade no quarto e um estranho e quase mortal cansaço. A primeira coisa que surgiu em seu campo de visão foi a parede, do outro lado do cômodo, e aos poucos a realidade foi se encaixando nos espaços vagos de sua mente ainda adormecida.
Ele sentou-se na cama, coçando os olhos e espreguiçando-se. O cobertor escorregou por seu corpo e foi apenas naquele momento que ele se deu conta de que estava completamente nu.
"Ah! Bom dia, William." A pessoa sentada em sua escrivaninha virou-se, ostentando um sorriso mais brilhante do que o sol que entrava pela janela aberta. Daquele ângulo Dantalion parecia cintilar, como se houvesse sido polido. "Você finalmente decidiu acordar!"
"O-O que..." O eleitor puxou o cobertor até o pescoço, encarando seu quarto e relembrando tudo o que haviam feito na noite anterior. Os gemidos, os suspiros, as posições e os beijos... a realidade o acertava com a mão forte e pesada. "O que você faz aqui?!"
"Você é tão insensível, William!" Ele levantou-se e ajeitou o impecável lenço em seu pescoço. "Eu estava pacientemente te esperando acordar para tomarmos café da manhã juntos."
Os olhos verdes pousaram automaticamente sobre sua escrivaninha, local de onde vinha o delicioso aroma. Ele viu a grande bandeja, a jarra de suco, leite, frutas e o arranjo de flores.
"Baphomet preparou o café, pois o salão foi atingido pela tempestade de ontem." O moreno pegou a bandeja com extrema facilidade, levando-a até a cama e pousando-a entre as pernas daquele que estava embaixo das cobertas.
"Eles fecharão a escola?" Naquele momento ele percebeu que a roupa de cama havia sido trocada e que aquele cobertor não lhe pertencia. Sua textura era extremamente macia e havia um fraco cheiro de lavanda. Ele fez isso? Mas quando?
"Não. A tempestade não voltará, vê?" O demônio apontou para o céu azul e encheu uma das xícaras com chá, adicionando dois torrões de açúcar e oferecendo–a. "Como você se sente?"
O louro precisou beber um longo gole para conseguir responder. Suas bochechas se tornaram rosadas e seria inviável e nem um pouco inteligente negar o que havia acontecido, ainda mais na situação em que se encontrava.
"Dolorido." Ele foi sincero. Seu quadril latejava e era fácil ver as marcas de beijos em seu peitoral.
"Desculpe." O Grande Duque do Inferno tornou-se sério. "Se você quiser eu posso deixá-lo a sós e retorno para pegar a bandeja."
"Você é idiota? Eu ouvi você dizer que estava me esperando para tomar café, então por que está perdendo tempo conversando?" William pegou um dos biscoitos amanteigados. Um café da manhã preparado por Baphomet jamais poderia ser desperdiçado. "Eu estou bem."
Dantalion sorriu, servindo-se de um pouco de chá e passando geleia em uma das torradas.
O silêncio foi somente inicial e em poucos segundos ambos começaram a conversar sobre a tempestade e o que seria feito dali em diante. O eleitor ouviu dos próprios lábios de seu amante que a barreira ao redor daquela área foi a responsável por protegê-la da tempestade. Eles estavam certos. Alguma coisa estava realmente me protegendo esse tempo todo.
Ele desconfiou que ninguém havia batido em sua porta até aquele momento, imaginando que já passava do meio-dia e certamente sentiriam sua ausência. Dantalion relatou que recebeu a visita de Sytry, Isaac e mais meia dúzia de alunos, todavia, explicou que o eleitor estava indisposto devido a um resfriado e repousava. O louro ralhou com sua companhia, afirmando que aquilo era desnecessário e que eles não conseguiriam manter a mentira.
O café da manhã transcorreu tranquilo e a bandeja tornou-se vazia, com exceção das flores. O moreno a recolocou sobre a escrivaninha, parando na beirada da cama e olhando-o de cima.
"Quer que eu o ajude a chegar ao banheiro?"
"Hã?!" Ele juntou as sobrancelhas, achando aquilo uma afronta. "Com quem você pensa que está falando?"
William havia colocado sua roupa debaixo discretamente por baixo do grosso cobertor, jogando-o para o lado e ficando em pé no instante seguinte. Aquela decisão mostrou-se completamente tola, pois, assim que ficou em pé, suas pernas cederam e ele teria caído ao chão se um braço forte não o segurasse a tempo.
"Como eu dizia..." O demônio revirou os olhos, segurando-o com apenas um braço. "Você não vai conseguir se mover livremente por algumas horas e eu posso abrir um portal até o banheiro. Você vai querer que as pessoas te vejam andar dessa maneira, William?"
"N-Não..." Ele mordeu o lábio inferior. A imagem de sua pessoa andando passo a passo e escorando-se nas paredes era simplesmente ridícula.
"Ótimo."
O Grande Duque estalou os dedos da mão livre e uma parte da parede transformou-se em uma porta de madeira escura. Dantalion o segurou no colo, como uma princesa dos contos de fada, caminhando até a porta e abrindo-a com um empurrão.
Do outro lado havia um largo banheiro, decorado com piso negro e brilhoso. Havia altas janelas e uma luz clara entrava pelos vitrais, refletindo na única banheira do local, esta branca e feita de mármore, com três torneiras douradas e cheia com espuma.
O eleitor foi colocado no chão e sua companhia deu as costas, esperando que ele tirasse a única peça que protegia sua nudez e entrasse na banheira. A água estava quente e seu corpo escorregou quase por completo, deixando somente a cabeça dourada na superfície.
"Este não á o banheiro do colégio." Seus olhos tornaram-se pequeninos.
"Este é o meu banheiro. Você acha que eu utilizo as acomodações do colégio?" Dantalion riu, explicando rapidamente onde estava a toalha, os sais de banho e que o louro poderia permanecer o tempo que desejasse.
"E-E quanto a você?" Ele não acreditava que estivesse prestes a fazer isso.
"Eu já tomei banho." O moreno inclinou-se na beirada da banheira e ofereceu um charmoso meio sorriso. "Quer que eu te faça companhia?"
William sabia que poderia simplesmente enxotá-lo e passaria uma hora mergulhado naquela larga banheira e ninguém o atrapalharia. Porém, imaginar que o demônio sairia por aquela porta e ele permaneceria sozinho fez com que seu coração se tornasse apertado. Um pouco tarde para arrependimentos.
Ele deu de ombros, afundando o rosto corado dentro da espuma. Dantalion o encarou um momento antes de ficar em pé, retirando suas roupas com uma demora proposital. O eleitor desviou os olhos, mas não conseguiu evitar uma rápida olhada quando o moreno entrou na banheira.
Ele se acomodou e esticou as mãos, convidando-o a se aproximar. O louro relutou por um instante, praguejando e aproximando-se, encostando as costas ao peitoral do demônio e encarando o teto.
Foi o sonho... Pouco antes de despertar, naquela manhã, ele havia tido um estranho e peculiar sonho em que conversava com seu amante, ainda que a pessoa que Dantalion dirigisse as respostas não fosse exatamente ele. William não se lembrava do que conversaram, no entanto, recordava-se do momento em que o moreno disse que o amava.
A certeza em seus olhos e a maneira sincera e doce com que as palavras deixaram seus lábios ficou impregnada em seu coração, impossibilitando-o de realmente se irritar com sua companhia. Amante... somos amantes agora, não? O pensamento fez suas orelhas tornarem-se vermelhas, imaginando como seria sua vida a partir daquele dia. Ele disse, no sonho, que aguardaria a minha confissão.
A simples menção de dizer algo tão embaraçoso era suficiente para fazê-lo corar. Ele teria escorregado pela banheira, tamanha a vergonha, se um braço forte e protetor não o segurasse. Seu rosto virou-se e o beijo que tocou seus lábios foi o bastante para acalmá-lo. T-Talvez um dia... talvez.
- FIM.
Notas da autora:
Eu escrevi esta fanfic quando o anime terminou, mas por algum motivo eu a deixei guardada, esperando o momento mais propício para postá-la. Makai Ouji me conquistou totalmente, o que é raro para um anime de poucos episódios. A história é interessante, os personagens carismáticos e cativantes e, claro, temáticas que eu adoro como demônios, mistérios, assuntos sobrenaturais e um pouco de realismo, como a figura do Salomão.
Tentei ao máximo me manter fiel às personalidades dos personagens, principalmente o irritadiço William e o charmoso Dantalion. Por enquanto não tenho pretensão de escrever uma segunda fanfic, mas adoraria voltar a trabalhar com este fandom e esses personagens :)
Obrigada por lerem!
