Agradeço os comentários! Destino tem 6 caps, sendo que vai do treinamento de Hyoga até a casa de aquário.
"Escute a voz do seu coração. Agindo sempre com a razão. E sendo assim você terá paz..."
Passaram-se alguns dias desde que acabei me exaltando com Hyoga e o machucando desnecessariamente. O treino de hoje tinha acabado e ele estava no banho enquanto eu guardava o que utilizamos.
Voltei a pensar na forma no qual ele me surpreendeu, ao me roubar um beijo no meio do treino. Pensei muito nisso ultimamente, afinal a forma que reagi não foi das melhores. Hyoga é um bom garoto, mas não pode beijar alguém dessa forma, por esse motivo. Esse contato é algo íntimo.
Hyoga é antissocial e reservado e com isso ele se parece muito comigo. Meus ensinamentos nesse quesito têm se mostrado eficiente. Entretanto, desde quando cuidei dele, percebi que ele não sente mais medo de mim. Muito pelo contrário, tudo que ele tem vontade, me pergunta, não mais temendo minhas reações ou sermões. É como se ele confiasse cegamente em mim e se sentisse no direito de questionar e saciar sua curiosidade. Apesar de meu jeito duro e rígido, é comigo que ele se abre, apenas comigo. Mesmo com meu gênio difícil, ele se apegou a mim e sou a única referência viva dele. Faz de tudo para ser o pupilo perfeito e obediente, chega a ter um "que" de submisso, mas só enquanto estamos treinamento. Em momentos como esse, que estamos em casa, tranquilos, ele ousa me desafiar com perguntas ou com suas opiniões sobre os mais variados assuntos.
Estava tão absorto em meus pensamentos que não percebi quando ele se aproximou de mim, mas quando me virei vi que ele me observava atentamente.
- O que deseja me perguntar Hyoga?
- O que o senhor sabe sobre o amor, mestre? Poderia me explicar? – ele me perguntou, de forma inocente, provavelmente sabendo que seria recriminado por mim.
- Você quer falar de sentimentos? Quantas vezes tenho que te falar para abrir mão disso? Que sentimentos só atrapalham!
- Mas porque tenho que esconder também do senhor? Mestre, uma vez me disse que poderia te questionar sobre qualquer coisa e que não era para ter medo do senhor.
E naquele momento, novamente me dei conta de que ele só possuía a mim para conversar. E contanto que essas perguntas não atrapalhassem os treinamentos, eu, como mentor dele, deveria responder. Suspirei resignado, afinal acho desnecessário falar sobre esses assuntos e o chamei para sentar perto de mim, o que foi prontamente atendido.
- O que você entende sobre o amor? – perguntei para meu pupilo.
- Não sei. Entendo o que minha mãe sentia por mim e o fato de ter dado a vida por mim. Acredito que isso é amor. É pensar no bem-estar da pessoa acima do seu. Mas é confuso. Você já amou mestre?
Confesso que não gostava do rumo que essa conversa estava tomando, então resolvi mudar o foco.
- O amor, Hyoga, é uma distração. Ele destrói. Ele é seu ponto fraco. É a primeira coisa que os seus inimigos vão querer usar contra você. Está vendo o gelo lá fora? Seja frio como ele, mas nunca se esqueça de ser justo.
Ele pareceu satisfeito com minha resposta e perguntou se poderia ir para o quarto, o que permiti. Entretanto, quando ele estava próximo a sumir do meu campo de visão, o interrompi e perguntei:
- Por que queria saber a respeito do amor?
- Porque... – ele abaixou a cabeça, envergonhado, procurando escolher as palavras. Meu pupilo me encarou e com o olhar, o incentivei a falar, mas jamais imaginando a resposta que me seria dada – porque eu te amo mestre!
Hyoga ficou uns segundos parado, como se esperasse uma resposta minha, mas a única coisa que pronunciei foi que era para ele ir para o quarto dele, o que foi prontamente obedecido.
Não sei quanto tempo fiquei olhando para aquele espaço vazio que ele deixou, absorvendo aquelas palavras. Hyoga sempre foi sentimental e apegado a mãe. Agora ele me pergunta sobre amor e pelo que deu a entender, não sobre amor maternal.
Hyoga, Hyoga, Hyoga, porque não consegue perceber que se envolver, gostar de alguém, só prejudica as coisas? Por que não pode ser mais forte que seus sentimentos e não ser movido por eles? Sobretudo, por que tem que me dizer essas coisas, com tanta inocência e carinho, me obrigando a sentir e reviver coisas que já enterrei a muito tempo?
Como explicar para ele que isso é errado e proibido? Como explicar para alguém que só tem você todas essas coisas? Como se manter indiferente, até um pouco cruel, quando ele fala essas coisas?
Quando convivemos muito com uma pessoa, é normal que acabamos desenvolvendo sentimentos por ela. Isso que faço questão de não acontecer comigo. Então aparece um garoto e de uns tempos para cá, destrói isso com tamanha facilidade. Acredito que ele não perceba isso. Como ele acaba com todas as defesas que demorei anos para construir. Ele é jovem demais para ver que, o que mais queria era colocá-lo sobre minha proteção e mostrar para ele um lado meu, raríssimo de se ver.
O que estou pensando? Se controle Camus! É óbvio que não vou jogar tudo o que conquistei por água abaixo por causa de instintos primitivos. Sou o Cavaleiro de Ouro de Aquário, também conhecido por minha frieza e é assim que vai continuar.
Olho para o relógio e percebo que está de madrugada e que passei horas pensando na declaração que Hyoga fez, nem vendo o tempo passar. Decido-me por descansar em meu quarto, pois preciso acordar cedo para mais um dia de treinamento intensivo. Me dou conta que Hyoga acabou não jantando, devido a minha absorção.
Vejo que a porta de seu quarto está entreaberta e resolvo ver se está tudo bem com o garoto. Ele está abraçado com o travesseiro e como nunca o vi assim, imagino que ele está triste e que talvez até tenha chorado. Vendo que o sono dele está pesado, me aproximo e delicadamente passo a mãos em seus cabelos.
- Me perdoe Hyoga – digo sussurrando - mas as coisas têm que ser da minha maneira. Não posso permitir que sejamos levados por sentimentos.
