Capítulo 2 - Muito azar e talvez... sorte

- Mas que porra é essa?! - foi a única coisa que consegui dizer quando vi que o hotel estava pegando fogo.

- Não acredito - disse Max - Ei! - ele falou com um bombeiro - Apague isso!

- Estamos tentando cara...

- Salvaram algum objeto? - eu perguntei.

- Não... tá tudo perdido. Só salvamos as pessoas. Agora tenho que apagar esse fogo.

Eu e Max nos olhamos desesperados. Meu Deus... como vamos voltar para os Estado Unidos? Todo o dinheiro estava lá...

***

Vagávamos sem rumo pelas ruas, sem saber o que fazer. Até pedimos para ficar na casa de minha tia, mas ao reconhecer Max, mandou a gente embora.

- Vamos beber? - disse ele quando paramos em frente a um bar.

- Não! Não vamos gastar nossos últimos centavos com bebida. Precisamos encontrar um abrigo.

Fomos andando. Até que vi uma casa com uma placa " PENSÃO LOVELY RITA ". Me animei:

- Max, uma pensão!

- Perfeito...

Batemos na porta. Bosta... ninguém atendeu. Batemos de novo. Cadê a idiota que cuida dessa... NOOOOOOOSSA!

- Desculpe a demora - uma menina linda, de cabelos castanhos e olhos verdes abriu a porta - Vocês querem alugar um quarto?

Eu e Max fizemos que sim, ainda boquiabertos. Entramos e nos sentamos num sofá que tinha na sala. Perguntei:

- Você é Rita?

- Não - ela riu - Meu nome é Julia. Esperem um pouco... - ela se virou para as escadas e gritou - RITA! Temos dois homens innteressados nos quartos!

Depois de um tempo, surgiu das escadas outra garota bonita, de cabelos negros e olhos azuis.

- V-v-v-v-v-v-v-v-v... - meu Deus... Max gaguejando sem parar? Dei-lhe um um tabefe nas costas e a pergunta saíu como um tiro - Você é Rita?

- Não - ela tinha sotaque francês - Michelle... de Paris.

Caramba... o Max tá muito estranho. Será que...? Não! O Max é a última pessoa do mundo que vai se apaixonar.

Ouvimos passos vindo das escadas. Será que agora é Rita?

- EU sou Rita - disse a mulher, que era bonita, mas parecia uma policial... confesso que ficamos com um pouco de medo dela, pois ela era brava - Vão querer alugar os quartos? Vão ter que pagar agora!

Pagamos com o pouco dinheiro que sobrou em nossos bolsos. No dia seguinte, iríamos procurar um emprego, para conseguir o dinheiro da passagem. Em breve estaríamos em casa. Escrevi uma carta para Lucy:

" Lucy...

por favor, não se preucupe conosco. Ocorreu um terrível incêndio onde nós estávamos hospedados, e perdemos tudo. Vamos precisar ficar aqui por um tempo... até conseguirmos dinheiro o suficiente para voltar.

Acho que não vai demorar tanto, mas vou sofrer a cada segundo... queria tanto estar ao seu lado...

Sei que o dinheiro de vocês também é pouco e não vão poder nos tirar dessa situação idiota.

Queria poder escrever mais, só que tudo o que penso não cabe nesse papel.

Mande lembranças a todos,

Jude

P.S.: I love you"

Alguém bateu na porta. Coloquei a cartinha embaixo do travesseiro e disse:

- Entra!

Era Maxwell. Ele fechou a porta:

- Você não disse que Liverpool era um aéroporto.

- Ãh?! Fumou o que?

- Cara... aqui só tem avião!

Ah... cada merda que sai da boca desse cara...

- Especialmente Michelle. Aquela francesa é...

Bateram na porta. Falamos:

- Entra!

Era Michelle... boquinha maldita, em Maxwell?!

- Eu pensei... - ela disse timidamente - vocês nao devem conhecer a cidade. Vocês não querem conhecê-la? - essa pergunta foi pro Max na verdade.

- Eu topo - ele foi para o seu lado.

- Eu sou daqui... já conheço bastante aqui - eu disse.

Eles saíram e eu fiquei sozinho no quarto. Deitei-me na cama e fiquei olhando para o teto, pensando em Lucy. Peguei a minha carteira vazia. Só tinha uma pequena foto dela... fiquei observando, com as lágrimas nos olhos.

Porra! Bateram na porta de novo! Falei rudemente:

- ENTRA!

Julia abriu a porta e entrou... me envergonhei de estar deitado e me sentei. Ela não disse nada... parecia estar sem jeito. Quebrei o silêncio tentando ser gentil, para compensar a grosseria:

- Senta aí.

Ela se sentou ao meu lado. Notei que ela segurava uma garrafa de wisky. Ao me ver olhando apaixonadamente para a garrafa, ela disse:

- Quer um gole?

- Aceito - tomei um bem grande - Obrigado... estava precisando.

- Já que vamos morar debaixo do mesmo teto, vamos nos conhecer melhor, né?

- Sim... quem começa?

- Você - ela deu um sorriso que me fez sentir uma coisa estranha dentro do peito, mas ignorei isso.

Contei para ela como fui parar na pensão.

- Que situação terrível!

- Eu sei... odeio estar longe de Lucy.

- Lucy?

- Minha namorada.

- Ah... - ela olhou pra baixo.

- E a sua história?

Ela olhou de volta para mim e respirou fundo.