A dama de Deus

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I. Onde os mares levarem


16 anos depois

Naquela manhã seria quase impossível a prática da navegação, o mar estava revolto, os ventos ariscos e uma névoa tornava a visibilidade zero, porém a embarcação que se movia era simplesmente A cabeça do caveira, o mais temido navio pirata da atualidade. Grandioso e assustador, cortava os mares, sem rumo certo.

-Capitão, seria melhor atracarmos em alguma ilha. – Um dos marujos falou assustado a seu capitão quando uma onda violenta lambeu a proa do navio.

-Hn. – Foi a resposta do capitão.

Ele estava de costas olhando o mar, hipnotizado. Era como se aquele homem e os oceanos tivessem alguma ligação fantástica. O vento soprava balançando os cabelos marrons daquele homem de corpo forte e pele morena. Ele se voltou para seu marujo, seus olhos eram azuis de uma tonalidade estranha.

-Capitão?

-Acaso acha que o Caveira pára por causa de uma temperança do mar? – Ele falou frio com um sorriso mínimo no canto de seus lábios.

-É, nunca vimos o Caveira parar. – Um marujo de aparência chinesa se aproximou. Ele era Chang Wufei, o braço-direito do capitão Heero Yui.

-O cabeça de Caveira aterroriza os mares, cortando as torrentes, atravessando os mundos. Onde houver mar o Caveira vai. – Heero falou poético.

-Vamos seguir a rota. – Wufei falou para os marujos, dando a entender que nenhuma opinião seria aceita. – Quem não quiser pode se lançar aos tubarões. – Ele falou saindo.

Heero ficou rindo. O jeito do companheiro era tão frio quanto o seu.

-Ouviram Wufei. – Yui falou indo atrás do amigo.

-Esses marujos borras-bota. – Wufei falou quando Heero entrou na cabine central.

-Tenha paciência. Esses podres diabos... – Yui falou. – Chang, nem todos os homens amam o mar. – Heero completou. –A fantasia de poder que existe em torno do Caveira, a forma ameaçadora que ele cruza o mar como um gigante marinho se movendo veloz, engolindo as cidades... Nem todos amam essa sensação de liberdade.

-Eu sei. – Wufei ficou quieto por um tempo. – Bem, Yui. Aqui está a vila de Alpargas. Vamos comprar uns escravos e roubar uns bancos.

-O trivial. E quanto ao tesouro? O mapa que roubamos daquela mulher idiota? – Heero se debruçou sobre a mesa encarando os olhos negros do amigo.

-Ninguém sabe ler aqueles garranchos. Aquela vaca tem seus truques. – Chang falou tentando persuadir Heero. Eles tinham que esquecer aquelas bobagens de caça ao tesouro.

-Eu quero achar aquele tesouro. – Heero comentou. – Nem que eu tenha que cortar a garganta daquela cadela real eu porei minhas mãos nesse tesouro. – Yui socou a mesa.

-A vaca divina jamais vai deixar. Ou se esquece que somos caçados? Seu lindo rostinho está estampado em todos os postes, meu caro.

-Está ficando difícil circular por ai. – Yui concordou.

-O fato é o seguinte. Você roubou Relena, atacou as bases dela. Está com um mapa de um tesouro que pertence a ela, o que quer mais?

-Acabar com ela. – Heero sorriu.

-Vai dar uma de salvador do mundo? Vai querer mover a tirania de Relena e salvar os pobres coitados? – Wufei ironizou. – Caia na real, Yui. Isso não combina com você. – Ele concluiu duro.

-Não vou me envolver em nada, apenas quero o tesouro. – Heero era um pirata nato. Amava os mares e as aventuras.

-Senhores. O porto de Alpargas está a este bordo. Chegaremos em pouco tempo. – Um jovem anunciou chegando à porta da cabine.

-Vamos nos preparar. – Yui aconselhou.

-Heero. – Wufei o chamou antes que ele deixasse a cabine. – Esqueça essa tolice de tesouros. Os tempos são outros, agora os piratas roubam bancos e saqueiam cidades. Isso dá muito lucro.

-Eu sou um pirata, Chang. Em qualquer tempo sou um pirata. – Yui anunciou o deixando sozinho.


A chegada da Cabeça de Caveira era sempre tida como uma ameaça, o imenso navio de inúmeras velas tinha um ar de navio fantasma. Heero Yui foi o primeiro a descer em terra firme.

-Separem-se. Nos encontramos no Caveiraem uma hora. – Ele comandou seus tripulantes. Ele odiava terra firme, porem tinha que fazer estoque de alimentos e comprar alguns escravos.

Chang Wufei e os demais tripulantes andaram pelo porto. Por onde iam os populares saiam da frente, lhes dando passagem. Aquele grupo de piratas era temido m cada canto daquelas ilhas.

Heero seguiu por outro lado, ia sozinho, assim chamaria pouca atenção.

Finalmente chegara ao local do leilão de escravos. Havia tantos dispostos para venda. Eram como animais sendo ofertados.

-O que busca? – Um dos mercadores cruzou o caminho do jovem capitão o olhando de forma impressionada. – Diga-me o que um jovem tão belo deseja e será seu. –O homem completou.

-Quero alguém muito inteligente, educado... De boa aparência também. Tá... Se tiver uma bunda durinha vai ser melhor... –Heero falou sempre com sua inexpressiva aparência.

-Além de lindo é esperto também. – Aquele mercador estreitou os olhos. Faria bons negócios naquele dia. – Uma mulher. Uma mulher da ilha de Herbel. Uma ilhota extinta.

-Herbel? – Heero o olhou desconfiado. Aquela ilha havia sido exterminada por Relena.

-Ess menina conseguiu fugir de lá. Domina magia, e conhecimentos antigos. Ela pode servir. – O homem estava sempre sorrindo.

-Será essa. – Yui concordou indicando que a moça já era sua.

Assim veio a moça. Era bonita apesar dos maus tratos. Os olhos castanhos eram grandes e vivos, os lábios carnudos, os cabelos mesmo em tratos grosseiros mantinham algum brilho de vida. Ela lhe sorriu.

Logo foi negociada. Com algumas moedas as pesadas correntes que a prendiam a em um mastro estava nas mãos de Heero Yui, agora essa moça lhe pertencia.

-Foi um prazer fazer negócio... E quando quiser voltar, minhas portas estarão abertas... Minhas pernas também. – O homem sorriu a Heero de forma alucinada se afastando.

Yui nada falou. Havia alguma coisa de estranha com aquele mercador. Assim que Yui sumiu no meio da multidão o mercador removeu seu capuz sorrindo de forma vitoriosa.

-Conseguiu vendar a moça ao pirata? – Uma mulher alta se aproximou dele.

-Claro, ainda vou ficar com as moedas. – O mercador anunciou.

-E ele não desconfiou de nada? Você me parece muito afoito para representar um papel de mercador. – A moça comentou enquanto andavam entre os populares.

-Bobagem, meu charme o convenceu. Como a Imperatriz queria, nossa informante estará dentro do Caveira em pouco tempo. Heero Yui não perde por esperar. – Ele sorriu.


Heero seguiu pela feira. Havia de tudo ali. Tudo parecia estar à venda naquele lugar, havia pessoas de todas as partes e regiões do mundo. Mas havia uma pessoa que Yui jamais esperou ver ali. Relena, a Dama de Deus. Essa maldita mulher estava em todos os lugares.

-Eu quero esse escravo. – Ela falou altiva pedindo uma mercadoria ao um mercador local.

-É seu, sua imperatriz. – O homem solícito atendeu.

-Dobro a oferta. – Yui surgiu, estava disposto a afrontar aquela mulher.

-Senhorita? Ele... – O homem olhou para Relena esperando que ela desse o dobro.

-Heero Yui. O pirata dos mares revoltos. – Ela o olhou com raiva. Peguem-no! – Gritou. A seguir sua ordem vários soldados correram contra Yui. Era tolice aquela luta corporal. Yui sacou sua espada, estava iniciada a luta. Ágil, Yui era imbatível no manejo de uma espada. Ele correu sobre um toldo chutando todos que o tentavam impedir. Nessas alturas já havia se esquecido da escrava que havia comprado, para ele havia agora uma boa aventura.

Wufei estava próximo verificando o movimento de uma casa de moedas quando ouviu a confusão. Não foi difícil ligar o caos na vila a seu capitão. Assim ele saiu em no auxílio de Heero sacando sua espada também. Aquela dupla era mesmo imbatível. Chang cortou o vento com sua técnica apurada.

- Lâmina de corte! – Ele anunciou quando sua lâmina se moveu contra o ar atacando com rajadas poderosas. – Espiral cortante! – Ele anunciou com um movimento brusco girando rapidamente como uma hélice afiada cortando tudo que havia em sua frente. As pessoas assustadas se encolhiam tentando a custo sair da linha de atuação da lâmina.

-Estamos encurralados. – Wufei avisou a Yui quando eles pararam de costas um para o outro.

-Não. Ainda não. – Yui sorriu. – Cobertura! – Pediu correndo para longe do chinês.

-Ele é louco. Furação trovejante! – Era uma técnica que atacava em diversas posições fazendo o adversário recuar na esperança de se defender, uma vez que não tinha com prever de onde viria o ataque. Assim Yui ganhou tempo para pular sobre algumas cestas de frutas. Correndo veloz sobre algumas sacadas finalmente se jogando contra uma grossa cortina a cortando no processo.

-Ele é louco. – Wufei desabafou quando viu o capitão voar pelos céus agarrado a uma cortina. – Marujos! De volta ao Caveira! – Gritou para os demais marujos quando finalmente se aproximava do chão.

-Peguem-nos! – Relena anunciou.

-Cale-se! – Yui acabava de aterrissar atrás da mulher. Usando sua espada num golpe contra ela, porém Relena ainda era a mulher chamada de A Dama de Deus. Rápida ela usou as corrente que prendiam seu mais novo escravo para se defender, o libertando nesse processo.

-Malditos! – Ela gemeu caindo com o golpe.

-Vamos! – Yui comandou a fuga derrubando tudo que via pela frente. – Você vem comigo. – Ele falou puxando o escravo liberto pela mão. Estavam próximos do porto.

Relena teve mais um desprazer. Heero era um pirata e alguém muito habilidoso. Sua técnica com a espada e sua forma arrojada de luta era ímpar, seu navio tinha um poderio de fogo que fazia dele o rei dos mares. A dama de Deus nada podia contra ele no mar, assim amargou ver o Caveira deixar a praia. Estava humilhada publicamente e não poderia fazer nada, afinal não podia pedir reforços da marinha aliada para vencer um maldito pirata. Seria o fim de sua reputação.

-Eu ainda acabo com você, Heero Yui. – Ela gemeu amarga ao chão.


Embarcado no Caveira Heero se deixou largar em sua cabine. Estava ferido, mas satisfeito. Quase que de forma histérica ele passou a gargalhar. Adorava provocar aquela mulher.

-Heero! Ainda está rindo? Quase nos matou! Tente agir como um capitão! – Wufei praticamente invadiu a cabine. –Que deu na sua cabeça? – O chinês estava furioso.

-Relaxe, chinês. – Yui o olhou. – Foi bárbaro. Fazia tempo que eu não me sentia tão bem... – Ele falou cínico.

-Um dia você mata agente. – Chang falou desistindo.

-Ainda consegui dois escravos maravilhosos. A moça está acomodada? – Yui sorriu.

-Está. Agora só não entendo porque ela não fugiu. Qualquer escravo teria aproveitado a confusão para fugir... – O chinês estava desconfiado. Aquela escrava tivera a chance de fugir, porém permanecera parada esperando a fuga de Yui para vir junto com ele.

-Você se preocupa demais. Vai que ficou tão impressionada de ser minha escrava que resolveu ficar. Deve ser uma honra para ela. – Yui sorriu despreocupado.

-Seu orgulho ainda vai te matar. – Chang comentou.

-Você gostou dela... Vamos, Chang. Você precisa se aliviar de vez em quando – Yui falou olhando diretamente para o escravo que havia liberado das mãos de Relena. O rapaz era bem jovem, seus olhos era enormes e de um azul claro muito brilhante, o rosto angelical fazia par com aquela pele clara e delicada, os lábios avermelhados, e os cabelos curtos e loiros, era um rapaz muito bonito.

-Você só pensa nisso. Eu não sou como você, Yui. – Wufei saiu da cabine vendo que o clima ia esquentar ali dentro.

-Wufei não sabe como se divertir. – Heero olhou para o jovem. – Vem aqui. – Chamou simulando sensualidade.

O rapaz o atendeu se aproximando.

-Tão bonito. Como se chama? – Heero falou removendo a blusa do rapaz. Não tinham tempo a perder.

-Quatre. – Ele respondeu antes de ter seus lábios capturados pelos de Yui para um beijo de língua. O jovem aceitou prontamente o calor daquele homem carinhoso.

Eles seguiram ainda se beijando até a cama onde se deixaram cair ainda naquele beijo quente.


Na cabine do capitão o Sol começou a entrar. A noite havia caído com Heero e Quatre transando entregues ao prazer. Agora amanhecia com os dois na cama ainda adormecidos.

O jovem loiro foi o primeiro a acordar. Ele se moveu na cama sentindo o corpo quente de Yui ao seu lado, a noite fora perfeita. Ele acariciou as costas musculosas do rapaz moreno.

Levantando-se Quatre se esticou. Estava nu caminhando na cabine de Yui. Sobre a mesa algo lhe chamou a atenção. Era um estranho mapa. Os olhos azuis se estreitaram e ele se debruçou cobre o mapa.

Heero acabara de acordar, ao procurar o parceiro ao seu lado viu que a cama estava vazia. Quatre estava debruçado sobre sua mesa, lendo o mapa. Yui se levantou rápido o puxando pelo braço, aquilo era seu tesouro.

Por um tempo eles se olharam, estavam nus.

-Quer achar o tesouro das profecias? – Quatre perguntou.

-O que sabe sobre isso? – Yui rebateu. Como um escravo saberia disso?

-Um pouco. Mas nunca achei que alguém como você se interessaria por esse tesouro. Dizem que foi tão bem escondido... Está sob os seios de uma mulher. Essa mulher guarda o tesouro.

-Se eu conseguir decifrar o mapa mato essa vadia e pego o tesouro. – Yui comentou com simplicidade.

-Não! – Quatre o repreendeu. –Nunca mais fale assim dela. – Ele aconselhou.

-Qual o problema? – Yui não entendia.

-Capitão. Esse é o mapa que guarda o tesouro divino de uma mulher que é a própria presença de Deus, segundo crenças antigas. Dizem que seu rosto é como o dos anjos, sua voz é a das ninfas, seu corpo parece esculpido a mãos artísticas, seu sorriso ofusca o Sol...

-Que diabo está falando? – Heero o largou confuso.

-Da Deusa. – Quatre se sentou. –Vou lhe explicar o pouco que sei. Mas antes... Dá pra arrumar uma roupa?

Devidamente vestido Quatre se sentou na cama de Heero o olhando profundamente. O loiro não fazia idéia de como o mapa havia indo parar nas mais de Yui, porem ele devia ser o homem que cumpriria a profecia.

-Não importa saber sobre mim, Capitão. – Quatre falou ao ver que Yui não removia a vista de si. –O que importa é explicar sobre o tesouro. – Há muito tempo esteve na terra uma mulher iluminada. Por onde passava ela tinha força de curar ou destruir, seus poderes eram ilimitados e foram associados aos deuses pelo povo pagão de Herbel, local onde a mulher surgira. Ninguém sabe de onde veio, nem como s foi.

-Continue.

-O fato é que anos depois nascera naquela ilha uma mulher com poderes semelhantes. Essas mulheres passaram a vir a terra periodicamente, sempre que havia alguma grande ameaça nascia uma mulher especial que era treinada para ser a deusa e lutar contra um suposto mal.

-Então.

-Ela veio atualmente, porem Relena descobriu e liderou seu exército para destruiu Herbel e a Deusa. Relena quer todo o poder para si.

-Eu sei disso. Essa mulher é muito ambiciosa. Mas o que houve afinal com essa mulher?

-Na época. Há dezesseis anos atrás, era só um bebê. Uma sacerdotisa conseguiu salvá-la, porem parece que ela cresceu perdida das culturas Herbelianas. Mas Relena tem esse mapa, seria o local onde está à deusa e Relena quer terminar o que começou.

-História interessante, mas nesse caso eu acho melhor negociar esse mapa com Relena, posso conseguir algum trocado com isso. Meu caro, eu sou um pirata. Não quero saber de histórias de deuses e poderes, eu quero apenas tesouros... Apenas isso. – Heero falou frustrado. Achava que aquele mapa levava a algum baú cheio de moedas de ouro e não a uma deusa pagã.

-Está errado. A Deusa guarda o maior tesouro de todos os tempos. Relíquias pagãs que não se perderam com a destruição da ilha. – Quatre falou entusiasmado. – O homem que conseguir achá-lo, será sem dúvida o mais rico de todos e será lembrado como o mais corajoso também, uma vez que muito já perderam suas vidas atrás desse achado. – O loiro sorriu, sabia o efeito que aquilo teria sobre Heero Yui.

-Oh... – Heero assobiou. –Sendo assim parece mais interessante. –Agora vai me contar como sabe tantas coisas e como posso ter alguma pista de como chegar ao tesouro. – Ele sorriu.

Quatre apenas lhe sorriu de forma intrigante, mas nada falou.

-Vou pedir que Wufei de uma olhada nesse mapa e depois vamos mudar nossa rota. Um tesouro me espera! – Yui quase gritou estando muito excitado com aquela possibilidade de diversão.


Olá, de novo... --

Amizades, valeu as lembranças... Valeu ai pelos comentários doces... Obrigada...

Beijos,
Hina