N/A: Oi gente! Acabei te passar isso para o PC (Sim, escrevi no papel e depois digitei x-x') e enquanto posto o novo capítulo estou terminando de escrever o 3º, então é provável que eu o poste ainda hoje *Dedos cruzados*. Espero que gostem! E não se esqueçam, quero reviews! :*


Violet's P.O.V - Interlúdio

Eu o ouvi chamar meu nome. Pude sentir toda a angústia e o desespero que vinham dele, mas desta vez não era como quando ele surtava por sentir minha falta. Deus, desta vez tinha algo de muito errado, então me desesperei. Quis saber que merda estava acontecendo e porque meu coração estava tão apertado.

Ouvi um barulho alto, como o baque de um corpo caindo. Tentei entrar no meu quarto, mas a porta estava trancada, tive que gritar para que meu pai me ajudasse a arrombá-la. Corri apressada para dentro e o que vi foi simplesmente... Arg! Eu só sei que pirei! Fiquei horrorizada!

Tate estava no chão, tinha os olhos revirados, as convulsões e todo aquele sangue... Droga! Acho que nunca fiquei tão desesperada em toda minha maldita vida! Pela primeira vez nestes dois malditos anos, desde que o mandei ir embora, eu tive medo de realmente perdê-lo... Que patética...

Eu sei! Nós somos fantasmas, não podemos morrer de novo, certo? Mas fiquei com medo mesmo assim, e se desta vez ele não voltasse? E se de alguma forma essa droga de casa com essa porcaria de força que nos mantém presos não conseguissem segurar a alma dele?

Eu provavelmente morreria... De novo, e de novo, e de novo, e de novo... Um milhão de vezes! Ainda não consegui perdoá-lo pelo o que fez a minha mãe e a todas aquelas pessoas, mas foda-se! Por Deus, eu o amo! Sei que é errado me sentir assim, mas que se dane eu amo Tate.

Não consigo evitar me sentir culpada por gostar dele e agora mais do que qualquer coisa, pelo o que ele fez a si mesmo, sabe? Arg maldita existência de merda, por quê a morte tem que ser mais complicada que a vida?

Eu não sei o que pensar... Não sei o que fazer...

-x-

3rd P.O.V

"Escuridão. Tudo há sua volta era composta e consumida por ela, pela mais simples e em seu estado mais puro. Ele estava envolto pela mais densa escuridão, e isso o apavorava, pois, ele sabia que essa penumbra partia dele e o estava consumindo.

Deu-se conta disso ao notar que seu corpo não existia, não possuía início nem fim, que ele se alongava perante as sombras perdendo-se no vazio contínuo. Ele era tudo e tudo era a escuridão, por tanto, ele a era, pura e simplesmente.

Há medida que seu desespero crescia, ele começava a perder os sentidos, e saber que seria tragado de vez o estava enlouquecendo. Mas não era exatamente este o desejo das trevas?

Que ele perdesse a sanidade e assim pudessem tornar-se um? Não era este o desejo da casa afinal? Só este pensamento já era o suficiente para levá-lo à beira da loucura.

Tentou gritar, mas não tinha voz, já não possuía mais coisa alguma. Lutou um pouco mais, porém quis desistir. Afinal, o quê havia de errado nisso? Era a única escolha que ainda pertencia a ele e a única coisa que a escuridão não poderia tirar dele, o seu livre arbítrio.

Fechou os olhos e esperou, esperou terminar de ser tragado. Ou será que ao invés de fechá-los ele os abriu? Pois de repente uma luz quente e convidativa se fez presente aparecendo para livrá-lo das trevas, resolveu aceitar seu chamado e a seguiu por um tempo que lhe pareceu eterno."

Tate acordou. Seus olhos embaçados perscrutando à sua volta, mas tudo o que conseguia enxergar era a escuridão. "Ainda estou sonhando?" pensou. Tentou se levantar mas logo foi atingido pela dor de cabeça, tontura e uma forte náusea.

-Hey! Continue deitado, ainda está mal precisa descansar... – Disse uma voz conhecida que a muito ansiava tornar a escutar.

-Violet? – Só então percebeu a mão que segurava a sua, ela estava deitada ao seu lado, tentou olhá-la, queria vê-la, mas o esforço foi inútil, só piorou a dor de cabeça. Seus olhos continuavam embaçados, por isso não conseguia enxergar.

Violet pôs uma mecha dos cabelos dele de volta no lugar e demorou os dedos em seu rosto, o toque daquela mão o fez relaxar e logo ele se rendera ao aconchego da cama macia e dos lençóis de seda deslizando novamente para a inconsciência.

Sonhou com ela. Os dois corriam, riam e faziam coisas juntos fora da mansão. Eram apenas fleches de momentos imaginários que jamais aconteceriam.

Nada que pudesse se fixar por mais que três segundos, eram apenas imagens corridas passando como em um filme caseiro antigo. Os frames começaram a ficar confusos.

Então, Tate, se viu diante de uma pia. Ele tentava tirar o sangue de suas mãos, mas o sangue não saia. Não importava o quanto esfregasse ele simplesmente não conseguia lavá-lo. Começou a ficar com raiva, por que o maldito sangue não saia?

Derrepente sentiu-se ser abraçado pela cintura. Olhou para trás e viu Violet lhe sorrindo.

-Olha só para essas mãos sangrentas... – Disse num tom neutro, sem expressão.

Ele tentou se explicar, mas não soube como. Afinal como aquele sangue foi parar ali?

-Por que fez isso, Tate? Por quê?

A imagem teve uma distorção e dos olhos de Violet começaram a escorrer grossos fios de lágrimas negras que riscaram seu rosto.

-POR QUÊ? –Gritou ela, começara então a cuspir sangue. Ele olhou para baixo e viu que uma grande mancha rubra crescia na altura do ventre dela. – Por que, Tate? Por quê?

-Me desculpe Violet... Me desculpe! – Começou a chorar e estendeu a mão para alcançá-la, mas ela se afastou,

-Você matou minha mãe! E me deixou morrer... – Sua voz assumiu uma escala aguda ao gritar, o sofrimento presente em seu tom era evidente. – Pensei que me amasse... Como pôde fazer isso comigo?

-Não diga isso, por favor, eu te amo! Me desculpe... – Escorregou com as costas na parede e se encolheu chorando. – Me desculpe...

-Você nunca foi tentado pela escuridão – Falava agora com desprezo – Você é ela!

-Não é verdade, você é a minha luz. Pare, por favor, pare!

-Vá embora Tate...

-Não! Por favor, não... Violet, não! –Gritou desesperado entre lágrimas, reviver aquilo o estava matando.

-Vá embora Tate... – Repetiu. Mais lágrimas negras escorram por seu rosto.

-Não me mande ir embora de novo. Por favor, não me deixe, preciso de você!

-VÁ EMBORA TATE! – Gritou a plenos pulmões.

De repente tudo voltou a ficar escuro como no sonho anterior e a última coisa que ela disse continuou pairando em sua mente. No começo ela ecoava baixinho e foi aumentando gradativamente até tornar-se audível.

"Tate"

"Tate!"

"...Tate..."

-...Tate!

-Tate! – Ele acordou sobressaltado com Hayden o chamando. – Deus, você está péssimo! Tudo bem?

Afastou-se de estalo ao vê-la e lhe lançou um olhar carregado de ódio. Sentiu algo gelado escorrendo pelo canto de seus olhos e passou o dorso da mão para secar uma lágrima que escapara de seu sonho.

-Oh mestre Langdon, o senhor está bem? Teve um sono agitado, seus gritos chamaram a atenção de toda a casa – Moira apareceu em seu campo de visão inclinando-se para medir-lhe a temperatura.

Tate afastou a mão dela de sua testa e tentou ficar sentado e esfregou os olhos.

-Teve uma febre terrível durante a noite. É possível que isso lhe tenha provocado delírios, o Dr. Montgomery disse que a lâmina que usou estava enferrujada.

-Isso explica os gritos: "Violet! Oh Violet não me deixe!", estava sonhando com a sua putinha, hun? – Hayden sorriu com deboche cruzando os braços, ele preferiu ignorá-la e Moira afastou-se para buscar um copo d'água para Tate.

-Onde ela está? – Pegou o copo das mãos de Moira e continuou observando Hayden – Ela estava aqui, não estava? Mas...

-Sua Julieta passou a noite ao seu lado cuidando de você – Interrompeu Hayden

-Até que o Dr. Harmon a mandou sair... – Completou Moira.

Ao ver o olhar de Tate mudar do confuso para o triste, Hayden aproveitou-se da deixa para zombar dele um pouco mais.

-Talvez ele só quisesse descontar o que fez com a idiota da mulher dele e tenha abusado de você. Nunca se sabe...

-A senhorita é realmente muito desagradável e impertinente! – Ela apenas respondeu ao insulto de Moira com um sorriso de escárnio.

-Hayden. Eu juro que estou me segurando para não pintar as paredes com as suas tripas! Eu aprendi a tolerar você, não me faça querer tornar cada dia da sua eternidade nesta casa um inferno!

-Mas ela já é um inferno! Estou obrigada a passar a eternidade vendo o homem que amo brincando de família perfeita e feliz. Não conseguem ver que todos nós estamos presos nesta merda impossibilitados de sermos felizes? Deus, eu queria que houvesse uma forma de dar o fora daqui!

-Tate? – Ben entrou no quarto interrompendo, havia cedido sua cama para que Tate se recuperasse. – Podemos conversar no meu escritório? Quero falar com você.