Capítulo I;
Eu aceito o desafio.

[Isabella]

- Alice! Ei, Alice! – Gritei por minha amiga que estava um pouco a frente, fazendo o mesmo caminho a qual eu fazia. - Alice! - Chamei novamente, me arrependendo assim que notei que o ato fez com que as pessoas ao redor direcionassem suas atenções a mim. Boa, hein Isabella. Chama atenção nunca é algo interessante, principalmente no dia em que seu cabelo revolve rebelar-se contra você.

Aumentei o ritmo dos passos quando vi que Alice se aproximava do portão azul que dava acesso ao ginásio de nossa escola.

- Alice? - Chamei segurando levemente seu braço.

- Bella? Oi... Pensei que você tivesse ido embora. - Ela comentou surpresa.

Pois é, era exatamente isso o que eu mais queria.

- Pois é... - Claro, eu não completei a oração, pois se eu conhecesse Alice tão bem quanto eu imaginava, ela certamente perguntaria o que estava acontecendo comigo para estar agindo de forma estranha há semanas, o que me afligia e toda aquela besteira de "E o que você pensa sobre isso?" de psicólogos.

Alice, conhecida na escola devido à sua baixa estatura, fazia parte de meu grupo de amigos desde quando crianças. Filha de uma antiga amiga de minha mãe, nós nos conhecemos em minha festa de aniversário de oito anos e aqui estamos nós duas, ainda melhores amigas, depois de nove anos. Eu a adorava, adorava ainda mais seu jeito tão único de ser. Sem citar a sua má sorte. Ah, a sua má sorte... era algo impressionante. No dia de seu aniversário, ao procurar por algum presente, encontrei casualmente o livro sobre "Lei de Murphy", nele continha 165 acontecimentos para vítimas do azar, em menos de três semanas 118 acontecimentos foram riscados. Cento e dezoito. Cento. E. Dezoito. Em três semanas. Acho que não é preciso falar mais nada...
Mas, mais impressionante que isso, era que mesmo que os melhores momentos de sua vida fossem estragados devido à sua absurda falta de sorte, ela sempre continuava com seu sorriso brincalhão nos lábios. Aquela era Alice.

- Você está bem? - Ela perguntou me analisando descaradamente.

- Estou ótima, estou respirando normalmente, meu coração está um ritmo bom... - Respondi sarcástica.

- Deixa de ser ridícula, Isabella. - Uou! Ela me chamou de Isabella... Acho que não era bem aquela resposta que ela queria ouvir. - Se você não quer me contar o que houve ou se não quer minha ajuda, ótimo, eu aceito isso; mas não venha com essa de "garota sem coração" fingindo que tudo está certo, pois já que você se faz de tão forte, então seja forte o suficiente só para admitir que algo de grave aconteceu - seja lá o que tenha sido - e que você não está lidando bem com isso.

Certo... Aquilo foi inesperando. Totalmente.

Suas palavras me atingiram como um baque. Uma indisposição momentânea atingiu meu corpo, daquelas em que a cabeça parece girar; minha visão escureceu e minhas mãos tornaram-se frias. Ótimo! Minha pressão havia caído. Ah, o poder das palavras. São capazes de lhe causar mal-estar.

Pisque os olhos e levei minha mão até meu peito massageando-o, tentando assim livra-me daquele sensação horrível.

Alice continuou ali, encarando-me. Talvez esperasse alguma reação, porém, depois daquele vômito de palavras o que eu poderia dizer ou fazer? Eu deveria sentir raiva, mas em vez disso, eu estava... envergonhada. Entristecida. Sabe-se lá o misto de sentimentos.

- Podemos... - Engoli seco, passando minha mão pelo pescoço e nuca. - Podemos ir agora?

- Bells... - Ela tentou dizer.

- Alice, só vamos, tudo bem?

- Bells!

Ignorei seu chamado e voltei a caminhar, era o melhor a se fazer. Porque Deus sabe o quão irritante Alice era quando se tratava de segredos.

Eu não queria falar sobre o que estava me fazendo comportar como uma vadia egoísta há meses. Eu não queria e não falaria. Era algo que interessava somente a mim, envolvia sobre a mim, não havia motivos para contar a mais ninguém. Sem essa psicologia barata de abra seu coração, compartilhe seus problemas. Isso não funciona para mim. Compartilhar só me fará sentir pior; trazer a tona os sentimentos que me invadem não me parece uma boa solução.

E bem, eu já me proximava do ginásio... lá vamos nós. Confesso que estava sem paciência para aquilo.

Respire fundo, Isabella.

Ao chegar ao destino, empurrei a porta para logo adentrá-lo, porém logo me arrependi de ter o feito. Todos me encararam surpresos. Talvez não esperassem que eu visse. Tudo bem, fazia mais de meses que eu estive evitando meus amigos que ali estavam presentes. Não respondia as ligações e nem mensagens. Não os encontrava mais. Simplesmente, afastei-me. Não porque era o que eu queria, mas sim o que eu precisava, principalmente porque, conhecendo-me como eles me conheciam, todos saberiam que algo estava totalmente errado comigo. E a última coisa que queria era os olhares de pena e todos me oferencendo ajuda para seja lá o que for.

- Gênio Indomável passará na TV mais tarde, então diga logo o por quê de estarmos aqui! - Eu disse me aproximando do grupo sentado sobre uma das arquibancadas do ginásio, parando quando me encontrei a frente deles. Alice parou ao meu lado.

- Sintam! Sintam a felicidade da Isabella por todos os lugares. - Emmett zombou abrindo os braços drasticamente, como se tivesse nos mostrando algo no ar.

Encarei-o por alguns segundos pensando se valeria a pena lhe dar alguma resposta. Valeria mais a pena lhe dar um soco na boca do estômago, na verdade.

Emmett ou Mett, como era chamado por nós, era umas das pessoas as quais já tive o desprazer de conhecer. Tão egoísta, não se importava com quase absolutamente nada. Sempre prepotente. Cínico. Imbecil. Considerado um dos machos alphas da escola, Emmett quebrou tanto corações quanto o Taio Cruz. Lembro até mesmo de uma garota tão gentil e religiosa, talvez um ano mais nova do que nós, que foi diagnosticada com início de depressão depois de ser dispensada pelo garoto que lhe tirou a virgindade. Deixo para você, leitor, descobrir quem foi o desgraçado que o fez. E quando questionado sobre como se sentia sobre o ocorrido, ele respondeu que depressão é só frescura daqueles que não sabem aproveitar a vida. E ainda há quem diga que toda essa postura estúpida era apenas fingimento de Emmett, que na verdade, ele se importava mais do que aparentava, porém odiava admitir... sinceramente, para mim, aquilo era seu verdadeiro eu. Eu só o aturava por ele ser o irmão de meu melhor amigo, Edward.

- Emmett! - Rosalie se pronunciou, repreendendo-o. Após, ela voltou sua atenção para mim. - Bella, você precisa de uma boa maquiagem nessas olheiras, minha amiga. - Ela disse avaliando meu rosto.

- Rose! - Dessa vez foi ela a repreendida. - Você está bem, Bells? - Edward perguntou com os lábios distorcidos em um sorriso discreto.

Respirei lentamente, pronta para sorrir e dizer "Estou ótima!". Mas, claro, Alice não perderia a chance...

- Ela está ótima, está respirando normalmente, seu coração está um ritmo bom... - Ela respondeu provocando-me. Boa, Alice! Um ponto pra você.

- Como? - Edward questionou confuso.

- Não é nada! - Respondi encarando Alice. - É só a felicidade da Alice que está por todos os lugares.

Ela - que estava com o rosto propositalmente virado na direção oposta a mim - voltou-me a me olhar, parecendo repreender minha atitude. Eu sei que estava agindo como uma idiota, mas bem... eu estava tão cansada. Pouco estava me importando se minhas atitudes lhe causavam raiva, ou até mesmo tristeza. Eu só estava agindo sem pensar. Meu psicológico estava tão fodido. Eu estava tão fodida. Pensar cansava. Falar cansava. Tudo cansava.

- Então Jake, diga! Nos chamou por quê? - Ignorando Alice, voltei minha atenção ao garoto ao lado de Rose.

Ele encarava Alice e a mim, com as sobrancelhas franzidas e algumas rugas não naturais presentes na testa. Ele estava tentando entender o por quê do clima de quase guerra. Analisando a mim. Analisando Alice.

- Jake? - Chamei. Eu odiava ser analisada. Não é à toa que detesto final de semestre. Todas aquelas provas... Deus, aquilo era o inferno para mim.

- Desculpa. - Pediu recompondo-se. - Então, eu tinha uma ideia sobre o que podemos fazer nessa noite. - Informou sorrindo ao mesmo tempo em que esfregava uma mão na outra.

Ah, não...

- Que não seja balada, por favor. Já estou cansa de música eletrônica. - Edward disse.

- Na verdade, é um jogo!

- O quê? Twister? - Emmett zombou. Novamente.

- Não! Chama-se "Noite do desafio". Primeiramente, nós nos separamos em duas equipes, sendo quatro pessoas para cada. Todos receberão um envelope que conterá a tarefa que deverá ser cumprida e cada tarefa vale pontos que serão somados no final do dia, e o grupo que conseguir mais pontos vence o jogo. - Jacob discordou pacientemente. - Toda tarefa tem duas partes; a primeira parte estará na frente do papel e a segunda, atrás. Ao cumprirem uma tarefa terão que tirar fotos ou filmar, enviando para a equipe adversária para provar a realização da prova... E então, o que acham?

- Mas, para que isso? - Pela primeira vez, Brooke se manisfestou.

Brooke, namorada de Jacob, era uma das líderes de torcidas de nossa escola. Ela era linda. Seus cabelos era pretos e desciam até abaixo dos ombros, seus olhos era de um verde tão suave... Corpo de dar inveja, ela era o oposto do eu imaginava quando a conheci. Diferente das outras garotas de seu grupo, Brooke era humilde, simpática e inteligente. Sua companhia era agradável, devido principalmente ao seu bom humor. Tão perfeita para Jacob, que parecia sua versão masculina.

- Diversão, apenas! - Respondeu. E ninguém se manifestou.

Gênio Indomável passando na TV e eu aqui...

- Parece interessante! - Edward disse enfim. - Eu topo.

- É assim que se fala! - Jacob comemorou. - Quem mais aceita o desafio?

- Estou nessa!

Óbvio que o idiota aceitaria.

- Eu também!

- Vai, eu topo. Eu espero realmente que isso seja divertido. - Alice concordou.

- Conta comigo!

- Se todos vão...

- Só falta você, Bells. - Jacob proferiu com um sorriso torto nos lábios. Certo! Ele estava me desafiando, fingindo que me achava incapaz de realizar tão jogo ridículo. Péssima jogada, Jacob, eu não cairia...

- Gênio Indomável está passando na TV! - Eu disse sorrindo, dando-me por vitoriosa. Seu sorriso morreu, realizando que sua tentativa de me entrar no jogo fracassou.

- Hum. Medo. - Emmett debochou aos sussurros.

Encarei-o indignada.

Meu. Deus. Dê-me paciência para aguentar esse filho da puta.

- Por que essa cara, Swan?

- Cala a boca, Emmett. - Pediu. Eu implorei, na verdade.

- Só estou perguntando o porquê dessa cara.

- Você está sempre com essa sua mesma cara que ofende minha pessoa e eu nunca perguntei porquê. Então, por favor Emmett, cala a boca. - Brandei mandando para o espaço qualquer restígio de paciência que restava em mim.

Eu tentava evitar a cólera que ele me causava, mas era algo quase impossível. Um sorriso debochado brotou em seus lábios depois de meu ataque um pouco histérico, o que fez com que me irritasse ainda mais.

Desviei o olhar para Rosalie que estava ao lado de Edward, vendo-a me encarando assustada. Ou surpresa. Tanto faz, aquele era um dos momentos em que eu não estava me preocupando em decifrar as expressões das pessoas ao redor de mim.

É que, diferente de mim, Rose era apaixonada por Emmett desde os dezesseis anos, época em que eles engataram um relacionamento que durou sete meses.

Nosso grupo era formado por oito pessoas - caso você não tenha notado, sendo quatro garotas e quatro garotos. Entre nós, Rosalie era considerada a mais emotiva. Ela nutria um amor tão... surreal por Emmett. Via-o como a reencarnação da perfeição, indescritível – apesar de que descrevê-lo é fácil para mim: demônio. -, um Deus grego. Quanta bobagem.

Alice sorria debilmente com o amor verdadeiro de Rosalie. Brooke a incentivava com belas frases no estilo: "Pega ele", e eu... Bem, eu não me conformava com o fato de Rose, uma das minhas melhores amigas, estar perdida e loucamente apaixonada pela pessoa que eu perdida e loucamente odiava. Tinha plena consciência da tristeza que causava a ela quando meus olhos se reviram de tédio quando o nome "Emmett McCarty" surgia no decorrer de uma conversa. Ou quando nós brigávamos por qualquer motivo inútil. Mas, eu não fazia por mal. Sabe aquela história de "quem está por fora consegue enxergar melhor o que acontece em uma situação do que quem está dentro dela" ou algo do tipo? Então, exatamente. Eu sabia que ele acabaria machucando-a. Ver amiga sofrer por amor é horrível, principalmente tratando-se de Rose, que era tão dramática quando um personagem de novela mexicana.

- Chega, Emmett. Fica na sua. - Jasper brandou.

- É, fica na sua. - Jacob frisou. - E então, Bells... o que vai ser?

Suspirei. Inspirei.

Gênio Indomável na TV. Pipoca. Cama.

Olhei para ele... depois para Edward. Rosalie.

Talvez pudesse ser divertido passar minha sexta ao lado deles... ou não.

- Vai. Eu aceito. - Disse dando-me por vencida.

- Ótimo. - Ele sorriu. Aquele sorriu era tão lindo. - Alguém tem alguma dúvida?

- Onde estão os desafios? -

- Em seus armários. Eu os coloquei lá.

- Quando?

- Um pouco antes do sinal! - Ele respondeu como se a resposta fosse óbvia demais.

- Como? Você estava em aula, Jacob. - Jasper refletiu.

- Ah, sabe como é... Dr. Fell já teve péssimas experiências com alunos com dores de barriga. Foi fácil ser dispensado minutos antes. - Ele confessou tranquilamente. - Enfim, se ninguém tem mais nenhuma dúvida, nos encontramos no estacionamento assim que todos estiverem com seus envelopes, combinado? E por último, não menos importante: não abram os envelopes, ouviram? Não abram.

- Por quê?

- Para não estragar a surpresa, Alice.

- Vai. Vamos logo. - Ordenou Rose já impaciente.

E lá fomos nós.