"A summer breeze makes
All of our winters freeze, autumn leaves [...]
We linger on but leave the past behind us."
Andávamos lado a lado, aproveitando mais uma vez o silêncio. Eu jamais demonstrarei que estou um pouco curioso, mas admito no meu íntimo que sim. Fazia, no máximo, cinco minutos de caminhada e já estávamos em frente à barraca de rámen. Suspirei e prossegui.
Ela me olhava não da mesma maneira de antes... Agora o receio era maior que qualquer coisa escondida naquele olhar. Aquilo já estava começando a se transformar em uma ansiedade incômoda em vez de curiosidade, todavia, sustentei minha postura e a olhei mantendo meu olhar firme e impassível. Meus passos eram longos e cautelosos, enquanto os dela eram curtos e apressados.
Minha mente vagou observando-a – não me importando de parecer tão vulnerável a ela – que nem tinha visto o caminho que tomamos, era silencioso e logo estávamos em frente aquele lugar. Em frente a minha escuridão, onde evitei por anos pisar.
Distrito Uchiha...
Meu corpo voltou ao choque – como aquele após acordar do pesadelo – e novamente fora sua quentura que me trouxera de volta a realidade. Meu olhar se voltou feroz ao dela e meu cenho franziu me dando uma expressão raivosa, porém ela não temeu, pelo contrário, copiou o que fiz a pouco mantendo seu olhar impassível. Eu não sabia o que fazer por estar ali e vê-la me confrontar daquela maneira.
Tomou-me pela mão da maneira gentil costumeira e me guiou para dentro. Eu a segui, simples assim, a segui. Eu tentava a todo custo mandar informações para meu cérebro pará-la e meus pés tomarem o caminho oposto àquele lugar, mas ela pareceu ter o meu controle em suas mãos.
Eu estava odiando novamente, sentindo todas aquelas sensações subirem sobre meu estômago, esmagando meu peito, sufocando meu coração, paralelos eram os sintomas, mas distintos eram os estados, antes a agonia e agora o ódio. Eu estava odiando a Sakura.
Eu estava me odiando.
Um, dois, três... A cada passo afundava mais no mar da perdição, uma mistura de vermelho e preto, os seus pesadelos juntos, completos. Presente e passado eram um só em minha mente.
Minhas pequenas pernas envoltas da costela de Itachi, enquanto tranquilamente ele me carregava. Ele era tão forte, meu peso não parecia um estorvo.
- Nii-san, vou descer.
Por quê?
- Você demorou. Onde esteve?
Ainda sendo carregado por Itachi, desviei da direção de sua cabeça e olhei para frente, assustado pela repentina interrupção de nossa caminhada.
Segurei o pulso esquerdo de Sakura firmemente, parecia que minutos se passaram ali, naquela posição, com ela centímetros a minha frente de cabeça baixa. Era outono e ventava bastante e com isso minha franja devido aos balanços caía em meu rosto.
- Por quê?
Minhas palavras saíam doídas, difíceis.
- Por que o quê? – balbuciou. Sua voz estava vacilante.
Soltei seu pulso e agarrei seus ombros, virando-a para mim, para que olhasse dentro de mim, para que sentisse a minha dor. Minhas mãos vibravam enquanto tocava sua pele, era um turbilhão. Era angustia, raiva, rancor, um pedido de socorro.
- Por que... me trouxe aqui?
Ela silenciou.
Maldita!
Ela hesitou.
Maldita!
Ela tremeu.
MALDITA!
- Por que você me trouxe aqui? - dureza, era tudo que tinha em minha voz. - POR QUE ME TROUXE AQUI, SAKURA?
Balancei freneticamente seus ombros, enquanto ela estava em estupor.
Ela me trouxe aqui, me trouxe para os malditos fantasmas e ainda tinha medo. Ela tinha medo.
De mim.
- Você tem medo? Tem medo do que todos os fantasmas que cercam este lugar podem fazer comigo? ENTÃO ME DIZ O PORQUÊ, GAROTA ESTÚPIDA, POR QUÊ?
Mesmo que quisesse, ela não teria como responder. Meus lábios esmagaram os dela, enquanto minha mão afundava mais e mais em sua pele, em seu ombro, sem piedade. Eu daria motivos para ela me temer então. Para ela ver o que era isso, para sentir a tormenta desses fantasmas. Eu vasculhava sua boca grosseiramente, mastigava seus lábios e ela se manteve imóvel, permitindo tudo.
GAROTA ESTÚPIDA!
Ainda com o agarre firme, fui trazendo seu corpo ainda mais para perto, enquanto ainda devorava sua boca. Quando a soltei depois de um tempo, vi determinação, vi medo, vi um turbilhão assim como eu estava, mas não pelas mesmas causas.
- Porque você precisa deixar o passado. - soaram tão simples aquelas palavras de seus lábios machucados, me largando ali.
E nem havia percebido que estava em frente à casa principal, a casa dos meus pais.
Ufa, depois da demora, está aí né! Mas não, não é a ultima parte da fic... Eu tive um outro surto(é, sou bem volúvel) e a fanfic terá quatro capítulos. Espero que gostem desse, acho que é o mais tenso pra mim, por que tenho medo da opinião de vocês para com ele :D
Juntando os pedaços já foi, os pedaços ainda cortam também...e brevemente virá: Colando-os. E pra dar o fim a 'saga': Culminância.
Aproveitem =)
