Capítulo Dois

Bella ficou sobressaltada. Casar-se com Edward? O pai do seu bebê? Seu ex-chefe? O homem que ela mais desprezava na face da Terra?

Chocada, ela olhou para ele, esperando pelo soco. Então, lam beu os lábios e finalmente disse:

— Eu não entendi a piada.

— Não é uma piada.

— Claro que é.

Edward segurou a mão esquerda de Bella e olhou para o anel de noivado barato com um diamante microscópico.

— Não. Bella. Isto aqui é que é uma piada.

Tentando soltar a mão das garras dele, ela o olhou inten samente.

— Um anel é um símbolo de fidelidade, não é de estranhar que odeie isto!

— Você terá um de verdade.

— Eu não vou me casar com você!

— Sim, certo. Eu esqueci que é romântica. Eu deveria pedir adequadamente — falou Edward com ironia. Diante dos olhos horrorizados de Bella, Edward se ajoelhou na parte de trás do carro. — Querida, você vai me dar à grande honra de se tornar minha esposa?

Ela sentiu o calor do peito dele por cima do temo e seu cora ção acelerou — mesmo com as bochechas queimando pelo tom de zombaria na voz dele. A raiva lhe deu força, e Bella puxou a mão.

— Vá para o inferno!

Ele se sentou novamente.

— Vou considerar isto como um sim.

A chuva caía sobre o teto do carro, e buzinas tocavam enquan to os carros se movimentavam pelo tráfego. Bella percebeu o que Edward queria dizer. Ele, de fato, queria que ela fosse sua esposa.

— Mas você... Você não quer se casar — gaguejou ela. — Foi o que disse para todas as mulheres com quem saiu, praticamente tinha isso tatuado no peito.

— Eu sempre planejei me casar com a mãe dos meus filhos.

— Sim, mas você queria se casar com uma elegante duquesa espanhola!

—Até os melhores planos são modificados. Como você terá um bebê meu, devemos nos casar.

Ele fez com que o fato parecesse punição — para ele.

— Obrigada — disse ela, sarcasticamente. — Estou impressiona da. Cinco minutos atrás, você nem acreditava que era o pai. Falou que não acreditaria em uma palavra que eu dissesse. Agora quer se casar comigo?

— Eu percebi que você, Bella, não mentiria para mim sobre a paternidade do nosso bebê. Já que a verdade é tão desagradável para você.

Ela cruzou os braços.

— Eu vou ter uma filha sua, mas nada no mundo faria com que eu me tomasse sua esposa.

— Estranho. Você estava entusiasmada para se casar alguns minutos atrás.

— Com Jacob! — gritou ela. — Eu o adoro. Confiaria minha vida a ele.

— Poupe-me da lista de virtudes de Black — disse Edward, demonstrando tédio. — Seu amor a deixa cega.

— Ele pode não ser rico e sem coração como você, e é justa mente por isso que será um ótimo pai. Muito melhor que...

Ela interrompeu as palavras ao sentir uma forte contração.

— Muito melhor que eu? — disse Edward com uma suavidade perigosa. — O fato de eu não ser bom o suficiente para ser o pai dela é uma desculpa para mentir e se casar com seu amante...

— Ele não é meu amante!

— Talvez fisicamente não, mas você o ama, e ia roubar mi nha filha e ainda me acusa de não ter coração — disse ele, des denhosamente.

As palavras não foram um elogio.

Bella segurou a respiração ao ser assolada novamente pela dor. O parto do bebê só estava previsto para dali duas semanas e meia, mas isto estava começando a ficar diferente das falsas contrações que tivera na semana anterior.

Seria possível...?

Poderia ser...?

Não! Ela se forçou a respirar profunda e calmamente. Não po deria estar entrando em trabalho de parto com dezesseis dias de antecipação. O estresse estava fazendo seu corpo reagir, era isso. Ela tinha que se acalmar, pelo bem do bebê.

Bella trocou de posição, tentando aliviar as pontadas de dor na parte inferior das costas.

— Você não quer criar uma criança e certamente não quer que cu seja sua esposa. E somente o seu orgulho masculino que faz com que...

— Meu orgulho masculino? E assim que vê?

— Você não quer se casar comigo, e eu sei disso. Você está apenas em choque, não teve tempo para pensar o que significaria para você criar uma filha, ter uma família.

— Você acha que eu não tive tempo para levar em consideração o que significa para uma criança sentir-se abandonada sem os pais? Sentir-se sozinha? Não ter um lar de verdade?

Bella ficou calada. Claro que ele sabia.

— Eu poderia dar um lar maravilhoso para nossa filha.

— Eu sei que sim. Porque eu vou prover este lar. Como pai. Não havia como ganhar. Agora que Edward sabia sobre a gra videz, nunca iria desistir de seus direitos.

— Então, o que faremos? — perguntou Bella, sentindo-se de vastada.

— Eu já disse. Iremos nos casar.

— Mas eu não posso ser sua esposa.

— Por quê?

— Eu... Eu não amo você.

— Ótimo. Seu santo Black pode ficar com seu amor. Somen te seu corpo e seus votos de fidelidade são suficientes.

O coração de Bella estava quase saindo pela boca.

— Você quer mesmo se casar comigo? — sussurrou ela. O pen samento lhe causou tremedeiras. Apesar de tudo, ela não conse guia se esquecer dos sonhos românticos que um dia tivera com Edward tomando-a nos braços e dizendo: Eu cometi o pior erro da minha vida quando permiti que partisse Bella. Eu amo você. Volte para mim. Seja minha... Para sempre.

— Digo, para sempre? Edward deu uma risada horrível.

— Ficar casado com você para sempre? Não. Eu não desejo viver o resto da minha vida no inferno, acorrentado a uma mulher na qual nunca serei capaz de confiar. Nosso casamento vai durar o tempo suficiente para dar à nossa filha um nome.

— Ah. — Ela mudou de posição no assento e franziu a testa. —Como um casamento por conveniência?

— Chame como quiser.

— Por uma semana ou duas?

— Vamos dizer três meses. O tempo suficiente para parecer um casamento de verdade. E para os primeiros meses do nosso bebê serem os melhores possíveis, com nós dois na mesma casa.

— Mas onde moraríamos? Meu contrato de aluguel já termi nou. Você vendeu o seu apartamento.

— Eu acabei de comprar um lugar no Upper West Side.

— Você voltou para Nova York porque achou que eu já tinha partido.

Edward torceu os lábios.

— Eu comprei como investimento, mas você está certa.

— Isto nunca vai funcionar.

— Vai sim.

Bella respirou fundo. Casamento. Seria bom para o bebê como Edward imaginava? Ou tornaria o relacionamento desgas tado deles ainda pior, criando mais acusações e desconfiança?

— Mas como nosso casamento terminaria? — disse ela. — Com um terrível divórcio, atirando pratos e gritando um com o outro? Isto não ajudaria ninguém, muito menos meu bebê.

— Nosso bebê — corrigiu ele e abriu um sorriso. — No nosso acordo pré-nupcial vai constar o divórcio. Desde o início vamos entrar em um acordo sobre como vai terminar.

— Vamos planejar o divórcio antes mesmo de nos casarmos? Parece tão triste...

— Não há nada triste nisso. E apenas uma atitude civilizada. Como não estamos apaixonados, não haverá sentimentos doloro sos quando nos separarmos.

Três meses. Bella engoliu em seco. Tentou imaginar como se ria morar na mesma casa que Edward. Mesmo como secretária, nunca tinha convivido com ele com tamanha intimidade. E embo ra não fosse mais ingênua, uma garota crédula que se apaixonara por ele estupidamente, ele ainda tinha um poder assustador sobre ela.

— E se eu me recusar? — sussurrou ela. — E se eu sair deste carro c pegar um táxi de volta para Jacob?

Se for realmente tão egoísta a ponto de colocar seu desejo Por amor na frente dos interesses da nossa filha, não terei es colha senão questionar sua capacidade como mãe e a desafiar com o pedido de custódia integral. — Ela começou a protestar, mas ele a interrompeu calmamente: — Tenho fundos ilimitados para contratar a melhor firma de advocacia da cidade e você irá perder.

Bella sentiu outra contração e desta vez a dor era mais inten sa, o que fez com que fechasse os olhos, envolvendo seu corpo enquanto ofegava.

— Você está me ameaçando?

— Estou apenas dizendo como será.

— Chegamos senhor — disse Sanchez, o motorista, do banco da frente, enquanto encostava o carro na calçada.

Ao olhar para fora da janela, Bella viu o mesmo tribunal em que havia conseguido a autorização de casamento com Jacob. O pensamento de desertar seu melhor amigo para se casar com Edward era insano. Ou seria a senhora Edward Cullen por três meses, morando na mesma casa e compartilhando a guarda da filha recém-nascida ou possivelmente perderia a criança para sempre.

— E... Depois... — disse ela, hesitante. — Como vamos combinar a custódia?

— Uma vez que mostre que nossa filha significa mais para você que algum amante qualquer e que está preocupada com a mater nidade, tenho certeza de que poderemos resolver tudo. — Sanchez saiu do banco da frente, deu a volta e abriu à porta, a voz de Edward era severa. — Você tem trinta segundos para decidir.

Trêmula, ela olhou para ele com as mãos ao redor da barri ga. Sentiu o bebê se mexer e ficou desesperada para protegê-lo. Bella estava se sentindo dentro de uma armadilha, ao mesmo tempo assustada e furiosa.

— Você não me deixou escolha.

A porta ao lado de Edward foi aberta.

— Eu sabia que seria sensata. — Ao sair, ele se virou e segurou a mão da mulher. — Venha, minha noiva.

Por um instante, Bella ficou com medo de tocá-lo, mas, como ele estava esperando, ela relutantemente deu-lhe a mão. Quando ela ficou de pé na calçada, olhou para o rosto dele e se lembrou da primeira vez que lhe tocou a mão.

Bella Swam? A poderosa executiva da Cullen Oil esteve visitando o posto dos campos Bakken em Dakota do Norte. Bella era o contato do escritório central, enviada da cidade de Fern. Ele esticou a mão dentro de seu terno preto lustroso. Eu ouvi falar que você administra o escritório inteiro aqui e faz o trabalho de quatro pessoas. O sorriso repentino maravilhoso iluminou o rosto lindo do homem. Eu poderia contratar uma assistente como você em Nova York.

Ela olhou dentro dos olhos quentes de Edward. Deslumbrada, segurou a mão estendida diante dela e foi isso. O raio pelo qual ela sempre esperara. Ela o amou desde o primeiro instante.

Agora, com a mão de Edward ainda entrelaçada na dela, Bella mal podia perceber as pessoas correndo nas calçadas lo tadas de Nova York. Os dois estavam conectados como a Lua e o Sol, como se estrelas e cometas os rodeassem na vastidão do espaço. Somente os dois.

Mas o rosto lindo havia mudado no último ano, de forma sutil. Talvez ninguém mais tivesse percebido, mas ela via a tensão na mandíbula dele e a ruga intensa ao redor de seus olhos, além dos ossos endurecidos da bochecha.

Aos 36 anos, ele parecia ainda mais implacável e poderoso que antes. Sua beleza masculina era de tirar o fôlego. Ao olhar dentro daqueles olhos escuros, Bella tremeu. Facilmente, ela cairia naquele encanto outra vez e esqueceria como ele exigia dedicação total dos outros, sem oferecer nada em troca.

A expressão de Edward escureceu. Ele esticou a mão e colo cou um cacho de cabelo atrás da orelha de Bella.

— Você será minha, somente minha.

Um arrepio invadiu-lhe o corpo. Ela estava impotente, perdida no olhar e no toque do homem. Também se perdera na memória de seu coração traidor, sabendo que por anos vivera para Edward, somente para ele.

Uma tosse atrás dela quebrou o encanto, fazendo com que pu lasse de susto. Um homem careca, sério, usando um terno azul liso, estava de pé atrás dela. Ela o reconheceu, John Bleekman, o diretor jurídico de Edward.

— Olá, Srta. Swam — disse ele inexpressivamente.

— Olá — respondeu ela, se perguntando por que ele estava ali. Ele se dirigiu para Edward segurando um arquivo.

— Aqui, senhor.

Edward pegou o arquivo, abriu e analisou os papéis por al guns minutos.

— Ótimo. — Ele os entregou para Bella. — Assine.

— O que é isto?

— Nosso acordo pré-nupcial.

— O quê? Tão rápido?

— Eu pedi para Bleekman começar a fazer um rascunho depois que falei com sua irmã hoje de manhã.

— Mas você nem sabia se a história do bebê era verdade e mui to menos que queria se casar comigo!

— Eu sempre gosto de estar preparado para todas as possibi lidades.

— Claro. — Ela fez uma careta. — Para sempre ter certeza de que as coisas acontecem como você quer.

— Para atenuar os riscos. — Ele colocou uma caneta-tinteiro na mão dela. — Assine para podermos pegar nossa licença de casamento.

Bella olhos para a pilha de papéis e começou a ler o primeiro parágrafo. Provavelmente, levaria uma hora para ler tudo. Fran zindo a testa, folheou as páginas, cheia de incertezas. Bella viu a quantidade de dinheiro que ele pretendia dar a ela como pensão alimentícia.

— Você está maluco? Eu não quero seu dinheiro!

— Minha filha vai crescer em um lar seguro e confortável, o que significa que nunca deve se preocupar com dinheiro, assim como você. — Ele observou a visível irritação na mulher quando virou a próxima página e continuou a ler. — Você pretende ler cada palavra?

— Claro que sim. — Bella levantou a cabeça e olhou para ele. —Conheço você, Edward...

A voz dela ficou engasgada quando uma nova dor aguda atingiu-lhe o corpo de maneira tão intensa a ponto de estirar sua coluna e quase fazê-la gemer alto. As contrações estavam fican do piores, definitivamente estava em trabalho de parto. O bebê estava a caminho. Bella colocou uma das mãos sobre a barriga e expirou.

— Alguma coisa errada?

A voz de Edward mudara. Tentando esconder a dor que a as solava em ondas, olhou para cima.

O rosto lindo do homem a olhava com inquietação. Ele estava preocupado com ela. Os olhos dele estavam calorosos, como nos tempos em que ela era sua secretária infalível, quando era a única mulher de que ele precisava e a única em quem confiava. Mas isto foi antes de dormirem juntos, na noite mais feliz da vida dela, depois Bella perdeu tudo.

A intensidade do olhar de Edward fez com que o coração dela ficasse apertado. Ela podia lidar com a raiva, as palavras cruéis, mas não com preocupação e generosidade. Bella sentiu um nó na garganta e de repente se viu lutando contra as lágrimas.

— Não há nada de errado — disse ela. — Eu só quero acabar logo com isto. — Segurando a caneta, ela virou as páginas marcadas de amarelo e rubricou-as. Então, atirou o acordo pré-nupcial e a caneta no peito de Edward.

Focando na própria respiração, ela inspirou e, em seguida, ex pirou. Tentou, assim, fazer com que a dor parasse, mas era impos sível. Estúpidas e inúteis aulas de respiração!

— Você não leu o documento — disse Edward, parecendo atur dido. — Você não costumava ser assim.

Um policial a cavalo veio galopando na direção deles, en quanto táxis amarelos e ônibus grandes desciam a ma, buzinando freneticamente. Mas todas as cores em movimento pareciam des lizar sobre ela como água. Bella não reagia.

Edward tocou-lhe o ombro e a virou para ele.

— Bella — disse ele com a voz rouca. — O que houve?

Ela não conseguia falar devido à dor na garganta. Ela o amava, apesar dos defeitos dele. Porém não podia se importar mais com ele e nem acreditar que Edward se importava com ela.

— Eu odeio você, é só isso. — A dor tomou conta de seu corpo, e ela se concentrou novamente na própria respiração, tentando rela xar. — Vamos dar logo prosseguimento a esta farsa de casamento.

Sem esperar por ele, Bella começou a andar em direção ao tribunal.

— Certo. — Quando Edward a alcançou, a preocupação na voz dele desapareceu. Ele se adiantou para abrir a porta e, quando ela viu a expressão dele, estava severa e fria novamente. Bella ficou satisfeita, não conseguia suportar a ternura nos olhos e na voz do homem.

Três meses, disse ela a si mesma. Então, ficarei livre.

Ela o seguiu até o tribunal, com o advogado dele atrás. Vinte minutos depois, eles saíram com a licença. Bella sabia que eram exatamente vinte minutos, porque começou a controlar o tempo das suas contrações no relógio.

Edward não tocou nela quando desceram os degraus da esca da, também não sorriu, mal olhou para a mulher. Após se despedir do advogado, ele a conduziu para o carro.

— Eu fiz planos para nos casarmos privativamente na minha casa — disse ele friamente, como se estivesse discutindo um acor do de negócios. Bella lembrou a si mesma que era exatamente isso.

Ela tentou seguir adiante, desesperada para terminar o pesade lo que era este casamento, mas as contrações pioraram. Ofegante, ela segurou o braço dele.

— Eu acho que não posso. Ele a olhou impiedosamente.

— É tarde demais para repensar.

Bella sentiu as contrações aumentarem. Não podia mais negar o que estava acontecendo. Ela agarrou o paletó de Edward pela manga.

— Eu acho... Eu acho que estou em trabalho de parto. Ele segurou a respiração, procurando olhá-la nos olhos.

— Trabalho de parto?

Bella assentiu com a cabeça. Quanto mais a dor crescia, mais seus joelhos fraquejavam. Sentiu, então, que começaria a entrar em colapso na calçada.

Sentiu os braços fortes de Edward ao redor dela, levantando-a. Bella teve uma ótima sensação. Ser envolvida por aqueles braços fez com que quase chorasse. Ele olhou-a com a mandíbula tensa.

— Há quanto tempo está sentindo contrações? — perguntou ele. O corpo dela começou a tremer de dor, e viu pela expressão de

Edward que ele podia sentir. O dia inteiro... Eu acho.

— Droga, Bella! Por que esconde tudo?

Ela não tinha a menor condição de responder-lhe. Então, ele correu em direção ao acostamento.

— Sanchez! A porta! — gritou ele, e o chofer entrou em ação. Segundos depois, ela estava no banco de trás do carro. Edward segurou-lhe as mãos e perguntou com urgência: — Para qual hos pital devemos ir, Bella? Diga-me o nome do seu médico?

Ela disse, e Edward gritou a informação para o motorista, pe dindo que dirigisse cada vez mais rápido.

— Aguente firme, querida — disse Edward suavemente, acariciando-lhe o cabelo. — Estamos quase chegando.

Mas Bella estava tonta de dor, enquanto o carro voava pelas ruas de Nova York até parar abruptamente e a porta do veículo ser aberta. Ela estava vagamente consciente quando Edward gritou que sua esposa precisava de ajuda.

— Mas eu não sou a sua esposa. — Bella respirou enquanto a empurravam numa cadeira de rodas pelo hospital. Ela o olhou, segurando as lágrimas. Agora, a dor começava a retroceder.

— Temos apenas a licença. Não somos casados.

Bella o ouviu arfar, antes de ser levada pela enfermeira para a sala de exames. Quando as contrações ficaram mais amenas, vestiu a roupa do hospital. No momento em que a enfermeira voltou, Bella teve um rápido vislumbre de Edward andando no corredor, gritando loucamente com o telefone no ouvido. Então, a porta foi fechada, e a enfermeira sorridente veio ver como ela estava.

— Seis centímetros de dilatação. Oh, meu Deus. O bebê está a caminho. Vamos notificar o médico e levá-la para a sala. Sinto muito, mas pode ser tarde demais para anestesia.

— Eu não ligo... Só quero que meu bebê... Fique bem.

Mas antes mesmo de Bella ser levada para a sala de parto, uma nova contração começou. Cada uma pior que a outra, atin gindo-a com tanta intensidade que seu corpo todo tremia. Bella levantou, foi em direção à cama e cobriu a boca devido às náu seas que surgiram.

Rapidamente, Edward foi atrás dela, pegou a lata de lixo e a entregou a tempo. Quando a dor retrocedeu, Bella sentou na cama do hospital e chorou. Ela chorou de dor, de medo e princi palmente por saber que estava extremamente vulnerável diante de Edward Cullen.

Mas, agora, não havia escapatória.

— Ajude-a! — disse Edward exasperado com a enfermeira, que lhe deu um sorriso compreensivo.

— Sinto muito, mas acho que não há tempo para medicamen tos. Mas não se preocupe, o médico está a caminho...

Edward xingou se referindo à postura do médico. Resmun gando, ele foi até a porta e olhou no corredor pela terceira vez antes de Bella ouvi-lo murmurar.

— Graças a Deus. Por que levou tanto tempo?

— Todas as coisas boas levam tempo. — Um homem sorridente de cabelo branco, vestindo um terno, o seguiu até a sala de parto. Edward foi até Bella, que estava esticada na cama do hospital com os pés agitados, respirando profundamente e tentando rela xar para a contração seguinte.

— Este não é meu médico! — gritou ela. Edward ajoelhou ao lado da cama.

— Ele vai nos casar, Bella.

Ela olhou para os dois homens em choque.

— Agora?

Ele lhe deu um meio sorriso, afastando o cabelo suado do ros to dela.

— Por quê? Está ocupada? Bella olhou para o homem elegante de barba branca e gravata-borboleta.

— Ele tem autorização para casar as pessoas aleatoriamente? As comissuras dos lábios dele se curvaram.

— Como ele é um juiz da Suprema Corte de Nova York, creio que sim.

— Existe um período de 24 horas depois da licença...

— Ele dispensou esta formalidade.

— E minha licença anterior...

— Já tomei as devidas providências.

— Tudo sempre acontece do seu jeito, não é? — murmurou ela. Debruçando sobre a cama do hospital, ele a beijou na testa suada.

— Não — disse ele, baixinho. — Mas, desta vez, sim. — Virou-se para o juiz e disse: — Estamos prontos.

— O médico vai chegar a qualquer instante — avisou a enfer meira.

— Eu farei a versão expressa, então.

O juiz ficou de pé em frente aos monitores do coração de Bella e do bebê e piscou para a enfermeira.

— Você pode ser a minha testemunha?

— Sim — disse a enfermeira, com as bochechas coradas. — Mas seja rápido.

— Serei bem rápido — disse ele, e continuou: — Estamos reu nidos aqui neste quarto de hospital para casar este homem e esta mulher. — O juiz colocou a mão na enorme barriga de Bella. — E não muito em breve, eu diria...

— Continue Leland — alertou Edward.

— Você, Edward Cullen, aceita esta mulher? Desculpe-me, mas qual é o seu nome, minha querida?

— É Isabella — respondeu Edward no lugar dela. — Isabella Swam.

— E mesmo? — O juiz a olhou com simpatia através dos óculos. — Que infelicidade para você.

— E o nome da ópera preferida da minha mãe — admitiu-a.

— Certo. Então, Edward, aceita esta mulher, Isabella Swam, para ser sua legítima esposa?

— Aceito.

Bella sentiu a dor começar a aumentar novamente e agarrou a camisa de Edward. Olhando para a mulher, colocou as mãos sobre as dela e disse furiosamente para o juiz:

— Que droga, apresse-se!

— E você, Isabella Swam, promete amar Edward Jorge Cullen até que morte os separe?

Edward olhou para ela com seus olhos escuros. Tudo o que Bella sempre quis foi prometer seu amor e fidelidade para ele, o que estava acontecendo agora. Ela estava prometendo amá-lo para sempre, embora soubesse que era uma mentira.

Era uma mentira, não era?

— Bella? — disse Edward, baixinho.

— Aceito — disse ela com a voz engasgada.

Edward soltou o ar, aliviado. Será que ele pensou em al gum instante que ela recusaria? Não, impossível. Ele era ar rogante e confiante demais no seu controle sobre as mulheres para duvidar...

— Eu vejo que você já tem a aliança — disse o juiz, surpreso com o minúsculo diamante na mão de Bella. — Eu devo dizer Edward — murmurou ele —, que isto é extraordinariamente ínfimo para você.

Ela ainda estava usando a aliança de Jacob! Petrificada, Bella tentou tirá-la do dedo inchado, mas estava presa.

— Sinto muito, eu esqueci.

Sem dizer uma palavra, Edward afrouxou o anel do dedo da mulher e o jogou na lixeira.

— Vou comprar-lhe uma aliança — disse ele, de modo direto. — Uma que esteja à altura da minha esposa.

— Não se preocupe. — Ela abriu um sorriso enfraquecido ao sentir a dor recomeçar. — Nosso casamento será tão curto que, realmente, não faz diferença.

— Este é o espírito — disse o juiz, jovialmente. — A aliança pode vir depois, ou não. Bem, meninos, vou pular a parte do "na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza", já que eu sei que no caso de Edward será sempre na riqueza. Então acredito que tenhamos chegado ao fim.

Bella olhou para o juiz e depois, para Edward. A cerimô nia de casamento tinha sido realizada com extrema celeridade. Com apenas algumas palavras pronunciadas, duas vidas em breve mudariam para sempre. Como algo deste tipo podia mudar tão rapidamente?

O juiz deu um sorriso grande.

— Agora pode beijar a noiva.

Ela quase teve um sobressalto. Beijar? Tinha se esquecido da quela parte! Ele iria beijá-la?

Edward se virou para ela, e seus olhos se encontraram. Ele lentamente se inclinou sobre a cama e, por um instante, toda a dor se esvaiu do corpo de Bella, que repentinamente perdeu o fôlego.

Quando a boca de Edward estava a poucos centímetros da dela, ele hesitou. Ela sentia o calor da respiração do homem con tra sua pele, causando arrepios por todo o seu corpo.

Edward a beijou e os arrepios pareciam espirais elétricas, agi tando seus nervos como uma corrente de faíscas. Os lábios dele eram quentes e macios e inflamaram seus sentidos. O beijo durou poucos instantes, mas, quando ele se afastou, as mãos de Bella estavam trêmulas, e não era de dor.

— Que vocês sejam felizes — disse o juiz, sorridente. — Agora estão casados.

Casados. O corpo de Bella brilhou friamente sobre a magni tude do que acabara de fazer. Casou-se com Edward, era a es posa dele.

Somente por três meses, lembrou a si mesma, desesperada mente. O acordo pré-nupcial especificou claramente o tempo de duração. Ela tencionou devido à outra forte contração e deu um grito assim que seu médico entrou um homem de cabelos cas tanhos, com aproximadamente 50 anos. O médico olhou para o monitor e verificou o estado de Bella. Esboçou, então, um sorriso.

— Parece que você é boa nisso, especialmente por ser a primei ra vez. Está tudo certo, Bella. E hora de trabalharmos.

Ela arregalou os olhos, dominada pelo medo. Instintivamen te, ela segurou a mão de Edward, olhando para ele com olhos apelativos.

Edward segurou-lhe as duas mãos.

— Bella, estou aqui. — A voz dele era intensa e calma. Ofegante, focou somente nos olhos dele. Quando ela começou a fazer força, trazendo o bebê ao mundo, sentiu uma dor que nun ca experimentara. Ela agarrou as mãos do seu marido com tanta força que achou que fosse quebrar-lhe os dedos, mas Edward não recuou nem a deixou. Enquanto ela o segurava, as enfermeiras se moviam com rapidez e os monitores apitavam, Bella se concen trou em meio às lágrimas na sua única imagem borrada. Edward era seu foco, sólido e imóvel.

Ele não desviou o olhar em nenhum momento.

Não recuou.

Não a deixou.

E no final, a dor valeu à pena.

Era uma menina saudável de três quilos e meio que final mente foi colocada no colo de Bella. Ela olhou para filha ad mirada e a acolheu em seu peito. A neném, sonolenta, piscou os olhinhos.

Debruçando-se sobre elas, Edward beijou a testa suada de Bella e depois o bebê. Por um longo e perfeito momento, enquanto os assistentes do médico estavam ao redor deles, o casal recém-casado ficou junto com a criança.

— Obrigado, Bella, pelo melhor presente da minha vida — dis se Edward, acariciando suavemente a bochecha da filha. Ele olhou para cima e seus olhos escuros perfuraram a alma de Bella. — Uma família.