CASELLA DI ISABELLA (A CAIXA DE ISABELLA)

Capítulo 2

AUTORA: Lady K

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Bones" são propriedade de HH e Fox (não venham me pentelhar), mas nada me impede de pegá-los emprestado só um pouquinho.

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe? Depende do meu humor). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não me responsabilizo por qualquer dano psicológico ou moral...


Trêmula, Temperance deu as costas ao espelho, enquanto se perguntava: Como isto pôde acontecer? Seria um sonho? Ou um pesadelo? Estaria ela sofrendo alucinações, como seu parceiro? Ou teria enlouquecido? Com uma ponta de esperança, olhou mais uma vez ao redor, esperando encontrar algo familiar. Talvez, por obra de um milagre, pudesse ter ido parar em algum lugar do museu, quem sabe?

Mas o espelho insistia em lhe devolver aquela imagem da mulher de cabelos longos e loiros... E, para seu desespero, o quarto também permanecia o mesmo. Os olhos dela então detiveram-se em algo que antes havia lhe passado despercebido. Numa das paredes, pendia o retrato que ela havia encontrado na caixa junto com os livros. Nisso, a porta do quarto se abriu e ela virou-se no mesmo instante. Uma pequena multidão de farristas, liderados por um bufão, invadiu o recinto.

"Aí está ela! A noiva virginal!" – o bufão exclamou, segurando um bastão cheio de fitas coloridas e guizos.

"Hodgins?" - Temperance recuou assustada. Seus olhos pousaram na multidão que exibia roupas festivas e ricamente adornadas. A seguir, tornou a examinar o bufão.

Uma das frases do diário de Isabella lhe veio à mente: "Ordenei que o bufão fosse chicoteado hoje. Mas apenas com cordões de seda. Talvez isso sirva para que aprenda a ter mais cuidado com o que anda falando por aí..."

Balançou a cabeça, confusa. Aquilo não poderia estar acontecendo. Tudo não passava de um sonho bizarro. Era evidente que não tardaria a acordar no sofá de sua sala, no Jeffersonian.

O bufão veio saltitando até ela. - "Temperance, la bella!" - Hodgins encarou-a, por um segundo, e seus olhos encheram-se de surpresa e perplexidade. - "Por que fica aí parada como um cão acuado, quando tem pela frente uma noite de prazeres com seu novo senhor?"

Parte superior do formulário

Dito isso, o bufão abaixou a cabeça como se temesse levar uma bofetada (o que, tanto Isabella como Temperance o fariam, sem dúvida). Entretanto, como ela não fez menção de estapeá-lo, ele se endireitou. Como medida de precaução, afastou-se e só então perguntou:

"Mas o que houve? De certo essa não é a Temperance que todos conhecemos! Onde está a nossa poderosa Temperance, capaz de aniquilar a vida de um homem com um mero aceno?"

Em resposta, houve uma gargalhada geral.

"Hodgins, eu não sei o que isso significa. Se for alguma brincadeira de mal gosto, saiba que não estou apreciando nem um pouco. Além disso, forjar toda essa situação usando artefatos do Jeffersonian é um crime e..." - Ela ficou extremamente nervosa ao perceber que eles pareciam não entender nada do que ela dizia. Desesperada, voltou a repetir para si que tudo era apenas um sonho. Acreditava que, assim, conseguiria alterar a estranha realidade que agora se apresentava diante de seus olhos.

Parte superior do formulário

Todavia, a cada minuto que transcorria, tornava-se mais e mais evidente que não estava sonhando.

Enquanto examinava os presentes, o olhar de Temperance foi atraído para o homem parado à porta do quarto, outro rosto que lhe era familiar... Booth. Sua expressão enigmática era, ao mesmo tempo, cativante e ameaçadora. Seus cabelos negros emolduravam o rosto tão perfeito que poderia ter sido lapidado em mármore por um mestre artesão.

Ela arregalou os olhos enquanto continuava a encará-lo. Lembrou-se outra vez do diário: seria aquele homem descrito no diário, o homem que Isabella havia odiado, amado e traído?

Antes que pudesse concluir seu pensamento, as mulheres rodearam-na e empurraram-na para a cama. Falando maliciosamente sobre a noite de núpcias, despiram-lhe o robe antes mesmo que pudesse protestar. Mas, quando puxaram os laços de sua camisola, ela resistiu. As mulheres riram e não se intimidaram. Temperance acertou o olho de uma e o estômago de outra, conseguindo sair do círculo de mulheres.

Houve um instante de silêncio constrangedor antes que o burburinho tomasse conta do aposento.

"Basta!" - interveio uma voz cheia de autoridade.

No mesmo instante, fez-se silêncio. Todos ficaram imóveis.

"Parem de molestá-la."

A multidão abriu caminho para Booth. Ele avançou em direção a ela. Parou a um passo de Temperance. Franziu o cenho ao vê-la arregalar os olhos. Afinal, que tipo de jogo era aquele, perguntou-se. Teve raiva de si mesmo por ficar comovido com a pequena cena que Temperance armara. Pensava ele que ela estava se fingindo de donzela pudica, quando os boatos insinuavam exatamente o contrário. Mal sabia ele...

Observou-a, tentando flagrar um indício de hipocrisia em seu semblante. Percebeu que Temperance agarrava a cortina do dossel, as juntas dos dedos brancas tal era a força que empregava. Ficou desconcertado.

O murmúrio atrás dele recomeçou. Fez menção de se virar, mas imobilizou-se quando Temperance estendeu-lhe a mão.

"Mande essa gente embora daqui, Booth." - ela sussurrou com voz quase inaudível.

Booth arqueou as sobrancelhas. Obviamente Temperance estava a par da tradição da corte. Devia saber que um casamento como aquele era consumado perante testemunhas, a fim de que não pudesse ser anulado mais tarde. A despeito de sua prevenção, Booth sentiu a excitação dominá-lo ante a perspectiva de possuir aquela mulher.

Não fosse pela veemência no olhar dela, Booth não teria feito caso de seu pedido. Os olhos azuis de Temperance revelavam temor e confusão, mas também uma resolução muito grande. Não se deixaria dominar por ele, na frente de todos.

Condenando-se por seu sentimentalismo, ele se virou e encarou os convidados.
- "Deixem-nos a sós. Este casamento será consumado sem testemunhas."

Houve murmúrios. Dois homens destacaram-se da pequena multidão.

"Se pensa que vai se safar desta, está muito enganado! Não conseguirá encontrar pretextos para repudiar minha filha e pedir a anulação do casamento!" - Max gritou.

"Achei que ficaria satisfeito. Pense no dote que voltaria para suas mãos. Isso sem mencionar que poderia vender sua filha a um pretendente mais rico."

O primo de Temperance, Hack, quis revidar, mas bastou que Booth franzisse o cenho para ele recuar.

Um homem mais velho, que Brennan reconheceu como o avô de seu parceiro, Hank, empurrou todos para o lado e deu um passo à frente. Ignorou Booth e, olhando diretamente para Brennan, ordenou:

"Agora basta. Não ficaremos à mercê de seus caprichos, rapariga. Venha cá." - O homem tentou arrastá-la para o centro do quarto, mas Booth bloqueou-lhe o caminho.

"O casamento será consumado sem testemunhas, vovô."

Hank cerrou os maxilares. Lançou um último olhar a Temperance.

"Saiam todos, já falei."

Hank ainda dirigiu-se ao neto quando já não havia mais ninguém: - "As testemunhas examinarão seus lençóis logo pela manhã. Espero que não se torne motivo de riso na cidade."

"Alguma vez faltei com minhas obrigações, vovô?"

"Não. Sempre me proporcionou muito orgulho. Se sua mãe tivesse sido esposa de meu filho, e não sua amante, talvez eu pudesse ter lhe dado mais do que dei."

Ele apertou a mão do neto e deixou o aposento. Brennan havia observado os dois sem conseguir entender o que diziam em voz baixa. Quando Hank fechou a porta, ela sentiu um aperto no peito. Agora, estava a sós com um Booth completamente desconhecido. Um desconhecido que acreditava que ela era sua mulher.

CONTINUA...